Revista Statto

E agora?

31/10/2018 às 11h44

Em meio a um ambiente turbulento, o agronegócio no Brasil segue se fortalecendo. Segundo pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), são dois anos seguidos de alta no setor do agronegócio brasileiro. A estimativa de crescimento para o ano de 2018 é de 3,4% em comparação a 2017, que registrou uma taxa 7,6% de evolução. Assim, a atividade econômica, que inclui o setor primário e de indústrias antes da porteira (dos insumos) e depois da porteira, representa 21,2% da economia brasileira, segundo dados da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP).
Cenários como a greve dos caminhoneiros, que teve como resultante a elevação no custo dos fretes, o embate entre China e Estados Unidos, que culminou com o aumento dos preços dos insumos, especialmente, dos grãos destinados à produção de ração, a oscilação no preço do dólar, a polêmica envolvendo o uso dos defensivos agrícolas, assunto que afeta também segurança alimentar, saúde e o meio ambiente, supersafra nos EUA, quebra na produção de soja no Rio Grande do Sul e Argentina são alguns dos fatores que fazem parte desse imenso quebra-cabeças chamado agronegócio.

No Rio Grande do Sul, a menina dos olhos dos produtores do setor continua sendo a soja, muito em função do baixo preço obtido pelo arroz e pela grande demanda dessa cultivar no contexto internacional. Em 2017, a metade Sul do Estado, que sofreu com períodos de escassez de chuvas, este ano, traz nova perspectiva para os produtores. O plantio da soja iniciou em setembro, com condições favoráveis de umidade do solo e boa insolação, onde hoje as áreas estão sendo preparadas para a nova safra.

Para as criações, especialmente a bovinocultura, o clima tem produzido um quadro bem favorável para as pastagens de inverno. Com as temperaturas em elevação e predomínio do sol, há uma boa condição para o desenvolvimento das forrageiras de verão e para o campo nativo. Esses fatores reduzem a necessidade de oferta de silagem e de concentrado, diminuindo o custo de produção, o que é altamente desejado pelo produtor.

Mesmo frente a todos esses fatores, há cenários promissores resultantes da convergência histórica de variáveis aceleradoras no setor. O futuro do agronegócio precisa ser traçado a partir de projeções, possibilidades, oportunidades, condicionantes e conjecturas. Por essas razões, planejar, aplicar, mensurar, incrementar ou excluir e estabelecer pontos de convergência com as políticas agrícolas, pesquisa, tecnologia, especialmente àquela voltada a informações precisas e à adoção de inovações, gestão para resultados, principalmente em nível de campo, é fundamental.

O potencial do Brasil com seus mais de 90 milhões de hectares agriculturáveis se destaca como principal player do agronegócio mundial. No entanto, o setor primário apresenta desafios, com destaque à característica do setor e seu desarranjo produtivo, somado a heterogeneidade entre os produtores, com imenso desnível de qualidade, produtividade e resultado financeiro.

A gestão das propriedades rurais, especialmente as da metade Sul do Estado, carecem de desenvolvimento de ferramentas mais adequadas para sua administração. Embora existam empresas do setor com bom nível de maturidade gerencial, a capacidade para entregar resultados eficientes e sustentáveis está atrelada ao uso de métodos de gestão mais avançados, inclusive àqueles utilizados em outros segmentos econômicos.

Em suma, as empresas ligadas ao agronegócio precisam adquirir maturidade em gestão, pois somente os mais eficientes, independente do porte ou atividade, poderão evoluir e se tornar competitivos e sustentáveis.

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