Revista Statto

A INSEGURANÇA E O CONFORMISMO

20/09/2019 às 11h42

Parece até que estamos em guerra ou será que estamos?

O poder público até tenta minimizar um pouco toda essa situação, empenha-se em nos convencer que nem tudo está tão ruim como parece e que os índices de criminalidade estariam caindo pelo país, contudo o que vemos e presenciamos no nosso dia a dia mostram que não é bem assim.

Há quem diga que a criminalidade no nosso país está dentro de níveis suportáveis. Entretanto, esses que pensam dessa maneira não fazem parte daqueles 96% da população que tem medo de deixar a própria casa sem ninguém por algumas horas e quando voltar, não encontrar mais nada nela. Ou aquele que anda com o aparelho de celular escondido, com medo de roubarem ou mesmo de andar na rua da frente de suas casas e sofrer um arrastão. Essa realidade é limitada por regiões? -Não, não é! Há diferenças na quantidade de incidentes em regiões mais pobres ou dominadas pelo tráfico. Mas a realidade é uma só, estamos vivendo em meio a uma guerra onde sobreviver ao acordar de manhã é uma meta que nem todos conseguem.

Então, será que estamos suportando isso pelo fato de estarmos sendo forçados a ir nos adaptando e convivendo com essa terrível realidade, onde a criminalidade e a corrupção fazem parte de nossas vidas diárias? Quem vê de fora pensa até que o crime está vencendo em todos os sentidos, que nossas instituições democráticas não têm mais poder e não podem mais fazer nada. Porém, sabe-se que ainda não se chegou a esse ponto.

Os cidadãos de bem que tentam fazer o possível e o impossível para sobreviver com humildade e dignidade e honrando seus respectivos compromissos (que não é fácil), ficam sem forças para poder lutar diante da fúria inescrutável de criminosos destrutivos que não tendo vergonha ou amor a vida, cometem todas as formas mais hediondas e doentias de crimes, numa verdadeira afronta a todos que são chamados de ‘’pessoas de bem’’.

Vale lembrar que nunca existiu uma civilização livre de crimes. Isso é algo utópico (mas que não é impossível). Até por que infelizmente o crime faz parte do contexto existencial da própria humanidade.

Contudo, o que quero dizer é que vivemos em tempos de guerra, onde o medo e o terror fazem parte dos nossos dias. Em razão da audácia dos criminosos, que se desviaram dos caminhos da convivência e procurando um meio mais fácil ou mesmo fugindo dos meios difíceis, afrontam as pessoas trabalhadoras, que lutam diariamente para alcançar condições mínimas para o próprio sustento e de suas famílias.

Quando isso vai acabar?

O curioso disso tudo é que surge em meio a todo esse caos um novo modelo de “segurança pública”, oferecido pelas milícias em alguns pontos de regiões pobres onde a criminalidade é maior e o poder público parece não ter vez. Mortes misteriosas nas periferias se tornou “coisa comum” e os “salvadores”, a solução da criminalidade. Coisas que antes não ocorriam passam a entrar em nossas vidas com naturalidade.

Com isso quero lhes dizer que existe uma forma de reduzir a criminalidade investindo no maior e melhor de todos os investimentos. A educação! Ela é capaz de mudar pessoas e pessoas mudam o mundo. Quando se investe de verdade em educação, dando motivos e mostrando que é possível conseguir um lugar melhor para se viver quando todos se ajudam, é possível mudar essa realidade. Mas para isso, é preciso acreditar em nossos professores, dar-lhes salários dignos, valoriza-los, acreditar no potencial de nossos alunos, de nossos jovens e de nossos adultos. Quando se tem educação, se tem a maior “arma” de combate do mundo! Com ela somos capazes de identificar qual a nossa posição no mundo, capazes de criticar o que está errado e agir pelo certo, conseguimos ver com clareza o mal que nos assola e saberemos como lidar com ele. Sabendo o que exigir, de quem exigir e com qual objetivo, podemos construir uma sociedade melhor.

Não podemos mais aceitar que o Poder Público alegue que cada preso na Justiça custa aos cofres públicos mais do que um estudante ou um trabalhador, que paga seus impostos. Precisamos inverter essa situação, chega de mais presídios, chega de mais celas e mais vagas na cadeia! É hora de ter mais escolas, mais cursos, salários dignos aos professores, apoio a quem ensina e a quem aprende. É preciso acreditar na mudança, acreditar que é possível criar um mundo melhor. Mas para isso, nós como pessoas, precisamos sair desse conformismo; nada está bom como aparenta e se está bom para você, isso também é a realidade de todos? Chega de olhar para o próprio umbigo, temos que ver essa realidade de forma macro.

Chega de braços cruzados, é hora de agir! Mas, com sabedoria, “agir’’ não significa ir contra toda forma de poder ou autoridade ou mesmo fazer justiça com as próprias mãos.

Às vezes, essa atitude só é reflexo de um problema. Todavia, o importante é se perguntar, sinceramente, se nós estamos sendo conformistas. Se a resposta for “sim”, é hora de avaliar com veracidade o que está acontecendo. Se perceber que por trás disso só existem inseguranças e medos, talvez tenha chegado o momento de repensar algumas de suas orientações de vida e começar a se mover. É possível que você esteja deixando muito de si ao longo do caminho, em troca de pouca coisa ou mesmo de nada.

De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto.Rui Barbosa

UM BRASIL MELHOR

29/08/2019 às 19h58

CORRUPÇÃO

Essa palavra que faz parte de nossas vidas como cidadãos brasileiros, não chega a ser surpresa. Engana-se quem acha que se resume a políticos. Como disse Joseph de Maistre – pensador francês pós Revolução Francesa. “Todo povo tem o governante que merece.”

O ódio massivo que a população tem em relação a política chegou a níveis tão altos devido esses escândalos de corrupção que assolam os nossos dias (lava jato, mensalão, empreiteiras etc.…). Fazendo com que o cidadão se negue a fazer e a exercer a principal tarefa política de uma nação plural e democrática, que é a fiscalização de seus representantes eleitos.

Entretanto, essa desilusão que temos com a política não é de agora e nem exclusiva de brasileiros (como muitos acreditam). Desde o período que a história é registrada, muitos são os casos em que vimos pessoas manipuladoras que usam da humildade e boa-fé das pessoas em pró do ganho pessoal. No período da antiga Grécia os grandes filósofos já nos alertavam: “O castigo dos bons que não fazem política é serem governados pelos maus.” – Platão.

Então vamos analisar a situação do Brasil;

Tudo aqui é difícil, se for abrir uma empresa, terá que enfrentar uma gama de burocracias, alvarás e licenciamentos. Se precisar de um atendimento no SUS (Sistema Único de Saúde), precisará acordar de madrugada para fazer um cadastro, pegar uma senha, preencher fichas diversas para só assim, no período da tarde possa tentar conseguir um atendimento. Sempre com muita dificuldade.

Após tantos problemas, surge uma palavra que é mais do que conhecida por nós e que carece de entendimento por pessoas de países desenvolvidos. “Jeitinho”, quem não conhece ela, não é brasileiro! Basta fazer a gambiarra, pular a catraca, ter uma amiga no hospital para conseguir atendimento mais rápido, ter uma amiga na escola para conseguir aquela vaga para os filhos. Damos sempre um jeito.

Depois disso tudo o que recebemos como recompensa é a ampliação das desigualdades sociais, atingindo em cheio nossa constituição federal. O que de certa forma não é responsabilidade daqueles que estão no poder hoje; e sim dos cidadãos que na inércia observam sem reação e em suas vidas procuram o caminho fácil em vez de batalhar por um Brasil melhor.

ÉTICA, MORAL E CIDADANIA

“Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: quero? Devo? Posso? Nem tudo que eu quero eu posso, nem tudo que eu posso eu devo, e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve.” – Mario Sergio Cortella.

Em momentos difíceis penso a respeito dessa fala de Cortella. A ética vai além daquilo que a gente vê para nós. Ela reflete como devemos seguir em sociedade, como identificar limites e saber qual é o momento de ceder. Como dizia um velho ditado: “Quando em Roma, faça como os romanos”.

A vida não é fácil, conviver é o maior de nossos desafios. Só sabendo os nossos limites, nossos deveres; e que poderemos recorrer aos nossos direitos. Uma mente que avança pela educação jamais retroage.

Nossos representantes também precisam dessa educação ética, carecem de educação política e de conhecimento integral de quais são suas funções como aqueles que representam a voz e o poder do povo. E nós como cidadãos, precisamos mudar a maneira como nos comportamos, mudar nosso jeito de pensar e sair de vez dessa cultura de submissão. E por fim, assumirmos uma postura de soberania e valores.

MORAL

Defino como a mais alta forma do respeito. Tudo que é feito de forma correta, pensando não somente em nós, mas sim em todos que estão a nossa volta, como seres humanos iguais em busca de um bem comum. Temos essa tendência latente dentro do nosso interior de ver na moral uma obrigação a ser seguida. Mas, que na prática é apenas uma determinação de nossa própria consciência. Cada um sabe o que faz, sabe os caminhos corretos, os caminhos de união. Se não seguem esses preceitos de harmonia, que repito, depende de cada um, recebem de volta o peso das próprias ações.

CIDADANIA

É a qualidade ou estado de cidadão. Ter e exercer a cidadania, cumprir com seus deveres, usufruindo dos direitos civis e políticos. Convivendo com preceitos de união entre o que chamamos de estado e sociedade.

E hoje o que necessitamos é de uma nova gama de cidadãos. Que precisam de educação política, necessitam participar da política e que conheçam o seu papel e compromisso, seguindo preceitos da ética e moral.

PODEMOS ACREDITAR NO FUTURO?

Apesar do que foi exposto aqui, mesmo com tantos escândalos, tantas falcatruas, lhes digo que sim, podemos acreditar no amanhã. Precisamos acreditar em nossa pátria e em nossas pessoas, acreditar que nem tudo é tão ruim como parece, acreditar que o poder público vai fazer. Que existe pessoas de bem, honradas, compromissadas, honestas e competentes. Pessoas que se preocupam com a população e que buscam um futuro melhor para todos.

Temos que acreditar que nem todos os nossos representantes são vagabundos e pilantras, que dentre os delegados, juízes e promotores do nosso país hajam os que são sérios em sua função e que não se deixam levar pela politicagem. Que o dinheiro público seja bem aplicado e destinado de forma eficiente. Lembrando que conforme disse Margaret Thatcher (ex. Primeira-Ministra da Grã-Bretanha, 1979-1990). “Não existe essa coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro dos pagadores de impostos.”

Ou seja, vamos cuidar do que é nosso, acompanhar o desempenho de nossos parlamentares e de cobrar deles as ações e atitudes para as quais foram eleitos. Combater o desperdício de dinheiro “público” e juntos, batalhar por um futuro melhor para todos que aqui vivem e que estão para nascer.

Vamos cumprir nossos papéis, como pessoas de bem, como cidadãos. Pois temos a oportunidade de criar a partir de hoje, um Brasil melhor para todos.

PRESÍDIOS OU LIBERDADE?

26/08/2019 às 09h11

LIBERDADE

“Essa palavra que o sonho humano alimenta: que não há ninguém que explique, e ninguém que não entenda.” – Cecília Meireles (Romanceiro da Inconfidência).

Essa frase de Cecília nos faz pensar sobre o conceito de “liberdade”. Como a escritora diz, todos nós temos uma definição dela. Seja profissional, seja pessoal. Parece ser a única coisa inalcançável em nossas vidas e ao mesmo tempo o maior de nossos desejos. Por isso, antes de iniciarmos o diálogo sobre liberdade, vamos falar sobre prisões, sobre a perca do direito de ir e vir.

ART. 5°, inciso XV, CF: “é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou sair com seus bens.”

Enquanto cidadãos, temos esse direito constitucional de ir e vir conforme determina a carta magna. Entretanto, será que esse direito é melhor do que a perca dele em detrimento de uma prisão? Vamos analisar;

De acordo com as pesquisas do censo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nós observamos que a maioria das famílias brasileiras ganha cerca de um salário mínimo ou menos. A informalidade cresce e as desigualdades seguem aumentando. O cidadão que ganha esse salário de miséria, hoje cotado a R$ 998,00 (decreto 9.661/2019), tenta fazer o máximo possível para sobreviver. Pois mesmo que não trabalhe, ele precisa comer, beber e ter o mínimo possível para a higiene. Mas aí vem um paradoxo curioso. Os representantes eleitos que nos representam frente ao governo, gastam milhões de reais todos os meses, para manter aquilo que chamam de “presídios públicos.” O curioso disso tudo é que a conta é nossa.

Isso sem sombra de dúvida é vergonhoso e indecente! Auxílio reclusão, alimentação três vezes ao dia, água potável e acesso ao lazer. Esses são os benefícios daqueles que não tem o direito da “liberdade”. Não venho aqui generalizar esses benefícios a todos os presos, pois bem sabemos que nossa justiça é falha, muitos que ali estão, não deveriam de estar. E há outros que estão batalhando para voltar ao convívio em sociedade.

Mas, como aceitar essa situação? Se eu não tenho emprego, não tenho o que comer e beber, não tenho capacidade de progredir. Minhas respostas diminuem conforme o nível de escolaridade e as regiões do nosso país. Essa é a triste realidade. Roubar, matar, estuprar. Se for pego? Ganho um hotel para ficar. Quem paga? Hora, aqueles de quem os “marginais” chamam de vagabundos: os honestos, as pessoas de bem. Os mesmo que apesar das inúmeras dificuldades, ainda conseguem sorrir.

A falta de saúde, de proteção, de educação e lazer nos deixa a margem daquilo que sonhamos um dia ser. Dentre a falta de tantas outras coisas efetivamente construtivas para nossas vidas, pensamos apenas no algoz de nossos pecados. Como seguir em frente é a questão.

AS FACULDADES DO CRIME ORGANIZADO

Que os presídios no Brasil estão superlotados de criminosos de todos os tipos não é nenhuma novidade. Têm desde o ladrão de galinhas aos chefes de facções e até ex presidente do Brasil e políticos do mais alto escalão da sociedade. Tem espaço para todo mundo, assim como uma colônia de férias. Conforto e segurança, paz e tranquilidade.

Mas é claro que também com as diferenças de status. Não pense que aqueles de “marca” ficam no mesmo local que os ladrões de galinha. Não, eles são melhores, merecem mais conforto de nós. Reparou como somos bons? Já reparou no poder que um preso tem dentro de um presídio? Criminosos que organizam, administram e fazem o marketing. Mandam e desmandam, pois o que não lhes falta é subalternos. Usando a fala do personagem “V” dos quadrinhos e dos cinemas, “de quem é a culpa? ” Não temos que temer o governo pois somos a razão dele existir. E se for necessário, temos que fazer o governo temer a nós. “Liberdade, justiça e igualdade são mais do que palavras, são perspectivas. ”

CONCLUSÕES

Caros leitores, pelo que foi apresentado, parece que vai demorar muito para haver alguma mudança nessa situação vergonhosa em que se encontra o nosso país. Pois a mudança parte da política e a mesma é feita por pessoas. Hoje poucos são os que se interessam por querer realizar alguma mudança, ou mesmo acompanhar o trabalho dessas pessoas que são responsáveis pela trajetória de nossa liberdade. Então, não basta ficar de braços cruzados esperando e reclamando do que não está sendo feito. É preciso agir, é preciso fazer a diferença. Estamos no aqui e no agora, então é nesse momento que temos que fazer. O ontem já foi, o amanhã não sabemos se virá.

O ideal seria zelar pelo que é nosso, cobrar pelo que não está sendo feito e agir quando for necessário. Pois da maneira que está, dar-se vergonha de ser honesto, vergonha de seguir fazendo o certo, enquanto somos chamados de vagabundos por aqueles que desviaram o caminho e se esqueceram das virtudes. A política rege nossas vidas, mas essas vidas são feitas de pessoas, e pessoas podem fazer a diferença. O caminho é a educação, educação transforma, educação eleva o ser humano.

A liberdade existe e pode deixar de ser um sonho, mas para que ela seja realidade, é preciso que tenhamos forças para seguir.