Revista Statto

O TURISMO SOBRE DUAS RODAS

12/09/2020 às 13h53

Conheça o cicloturismo

Andar de bicicleta para ir ao mercado, ao trabalho ou à universidade é tarefa muito simples e por vezes prazerosa, mas você já pensou em viajar com a sua bike? No século XIX já era relativamente comum viajar sobre duas rodas. Tanto que em 1869, no país da rainha, três amigos pedalaram 90 km de Londres até Brighton, levando cerca de 15 horas.

Hoje, essa alternativa ecológica, saudável e economicamente viável, é utilizada no mundo inteiro como uma forma de conhecer pontos turísticos. No interior do Rio Grande do Sul, por exemplo, possuímos iniciativas de cicloturismo, o turismo feito de bicicleta, já implementadas na serra gaúcha.

O circuito da Rota Romântica, em planejamento e estruturação há mais de um ano, compreende 355 quilômetros, passando por 14 municípios: São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Morro Reuter, Santa Maria do Herval, Presidente Lucena, Linha Nova, Picada Café, Gramado, Canela, Nova Petrópolis e São Francisco de Paula. O circuito, com lançamento previsto para setembro deste ano, será totalmente autoguiado e foi projetado para ser realizado de bicicleta, por estradas secundárias e, em sua maioria, não pavimentadas.

[créditos: Foto: Diogo Sallaberry / Agencia RBS]

Outro exemplo, também no Rio Grande do Sul, é o Cicloturismo Vale do Espumante, em Garibaldi, a capital da bebida no Brasil. O roteiro é composto por 17 vinícolas, onde o visitante, visita e conhece a história, acompanha as técnicas de elaboração da bebida, do processo de engarrafamento e aprende a degustá-la. São três circuitos de cicloturismo que vão de 20 até 50 km em média.

[créditos: Prefeitura Municipal de Garibaldi]

Os roteiros podem ser elaborados por você ou por uma agência especializada no assunto que vai traçar o percurso com os interesses culturais e naturais do caminho.

Se você ficou afim de viajar de bicicleta, não se esqueça: antes de se aventurar é preciso estar preparado fisicamente e portando os equipamentos necessários para qualquer manutenção na sua bike. No mais, boa viagem sobre duas rodas.

Texto por Júlia Goulart (MTB 19.973 / RS)

Revisão por Aline Lopes (MTB 19.303 / RS)

O ENCONTRO COM O DESCONHECIDO

12/08/2020 às 17h20

Conheça mais sobre a modalidade de corrida que tem crescido nos últimos anos

Você já ouviu falar em Trail Running? Nada mais é do que uma modalidade de corrida em meio à natureza. Os corredores quase nunca sabem o que os obstáculos que os aguardam: podem ser locais inóspitos com difícil acesso, íngremes, escorregadios, com pedras soltas, com galhos de árvores, em meio à água ou à grama alta.

Eu mesma já tive o prazer de correr uma prova em que a água que descia da montanha era tamanha, chegava acima dos meus joelhos e me empurrava para trás“, conta Clarice Schuler, atleta de corrida há mais de 20 anos, que desde 2017 foca na competição de corrida de trilha.

Decidas e subidas muito íngremes são características do esporte. O tempo para percorrer 10 km em uma corrida de trilha é o dobro do que em uma corrida de rua. Os terrenos em que ocorrem as provas precisam ter no máximo 20% das estradas pavimentadas para garantir que seja um ambiente natural quase que bruto com montanhas, planícies, florestas, mas com demarcações para que os competidores não se percam.

Contudo para correr em trilha, é necessário muito preparo técnico e psicológico. “É preciso treinar resistência, força e velocidade, além de preparar a mente, pois na prova é você, Deus, o percurso e mais ninguém”, ressalta a atleta. Correr em rampa, puxar pneu amarrado na cintura são exemplos de exercícios para fortalecer musculatura o suficiente para aguentar correr os locais íngremes.

As provas de Trail Running se dividem em de autossuficiência onde o competidor leva materiais como agasalhos, alimentação e hidratação em uma mochila; e de semi-suficiência onde se leva o mínimo de equipamento, pois terão pontos durante o percurso de hidratação e alimentação.

A atleta treina a primeira equipe de corrida de trilha de Santa Maria e leva seus colegas para correr em locais apropriados para simular uma prova. Santa Maria, na região da quarta colônia de imigração italiana, possui um potencial muito grande para esse tipo de corrida, “uma região privilegiada para essa prática” conta Clarice, “mas que ainda não foi explorada para tal”.

Atualmente, por causa da pandemia, a equipe que Clarice treina teve as provas suspensas, mas segue sendo monitorada. “Para que quando isso tudo passar possamos estar preparados para enfrentar todos os obstáculos que surgirem na trilha e fortes para chegar no topo dos morros e apreciar a vista, que só quem percorreu todos os obstáculos sabe o quanto é prazerosa“.

Texto por Júlia Goulart, jornalista

Revisado por Aline Lopes, jornalista

Fotos: Arquivo pessoal

EXPERIMENTANDO NOVOS ARES

14/07/2020 às 16h25

Conheça um pouco sobre o voo livre na região central

A expressão “estar nas nuvens” faz sentido na vida de Miguel Pelizan há mais de 10 anos. O instrutor de paraglider realiza o sonho de muitas pessoas: voar.

O esporte do paraglider iniciou na Austrália, nos anos 60 e hoje mobiliza competições pelo mundo. No Rio Grande do Sul, conta Miguel, é realizada uma delas. “Aqui temos o Campeonato Gaúcho com cerca de sete etapas. Uma delas é em Agudo e reúne cerca de 70 competidores e pilotos que fazem apenas o vôo festivo”.

O recorde mundial é de 581 km em 11 horas de voo no nordeste do Brasil. No nosso estado, é de 326 km de Caçapava do Sul até uma localidade entre Alegrete e Uruguaiana.

Porém, iniciar no esporte não é uma tarefa simples. Além do equipamento, é preciso ter conhecimentos sobre aerodinâmica, equipamento e técnicas de vôo, aerologia, meteorologia, primeiros socorros e regras de tráfego aéreo. Tudo isso em um curso, com aulas práticas, o qual dura em média um ano.

No entanto, tudo depende do tempo. O combustível para um bom voo é a atividade térmica. “O solo aquece e este aquece a massa de ar próximo a ele. Este ar aquecido fica mais leve e sobe na forma de uma bolha, ou de um cilindro. É esta coluna de ar que faz com que os parapentes subam”.

Na região central, Miguel dá aulas práticas em: Faxinal do Soturno, na rampa de São Pio; no Cerro da Figueira em Agudo e  nas rampas da Angélica e do Oscarino, em Caçapava do Sul.

Os equipamentos básicos são: a selete (cadeirinha), a vela (asa) e um paraquedas reserva. Além disso, é preciso ter um instrutor capacitado como é o caso de Miguel, habilitado pela Associação Brasileira de Parapente (ABP) e Confederação Brasileira de Vôo Livre (CBVL).

E não tem problema ter medo de altura. Todos começam em barrancos baixos até voarem livre em grandes alturas. “Vamos adquirindo confiança no equipamento e a altura em voo passa a ser natural”. Mas, se o seu interesse não é em fazer aulas, Miguel dá uma dica: “Quem quer ter a sensação do voo, sem fazer aulas, pode fazer voo duplo, junto a um profissional”.

As emoções no voo são inúmeras, garante ele. “São momentos intensos, às vezes de pura concentração, outros de relaxar e curtir a paisagem e o vento no rosto. Não existe um dia igual ao outro, por isso que pilotos experientes, com mais de 30 anos de vôo dizem que estão sempre aprendendo”.

Texto: Júlia Goulart, jornalista.

Revisão: Aline Lopes, jornalista.

Imagens: Arquivo Pessoal de Miguel Pelizan