Revista Statto

USE AS EMOÇÕES “NEGATIVAS” A SEU FAVOR – FRUSTRAÇÃO

17/02/2020 às 14h04

Como todos os seres humanos deste planeta, com certeza você já se sentiu frustrado. E talvez hoje mesmo já tenha passado por um momento de frustração. Mas se este sentimento é tão ruim, porque ele existe mesmo?

A frustração acontece quando a situação que vivemos é diferente do que o que esperávamos. É uma resposta emocional que surge quando alguns desejos e expectativas nossos não foram cumpridos. Está muito relacionada ao sentimento de decepção. É um descompasso entre as suas expectativas e a realidade. A frustração serve de alerta para tomarmos uma atitude em relação à uma determina situação que desgostamos. Neste sentido, ela provoca uma reação nos estimulando a nos reaproximar dos nossos desejos e expectativas. A partir das experiências de frustração é possível aprender, crescer e criar novas e melhores formas de agir no mundo.

Agora, existem alguns aspectos comuns entre as pessoas que frequentemente sentem frustração (veja se você se identifica com algum ou alguns deles:)

a) A pessoa percebe as situações vividas de forma distorcida, só conseguindo enxergar o lado negativo das situações, e não como elas realmente são.

b) A pessoa tem uma tendência a querer controlar todos os acontecimentos, numa busca incessante e irreal pela perfeição.

c) A pessoa se sente incapaz de suportar o desconforto que implica enfrentar situações que não corresponde às suas expectativas e por isso se frustra facilmente.

Mas existem antídotos para lidar com cada um destes aspectos:

No caso de perceber os acontecimentos apenas pelo seu lado negativo, é necessária uma mudança de perspectiva. Não é fácil, mas com a prática você conseguirá aprender a ver os dois lados de cada situação. Lembrando que a realidade não é boa ou má em si mesma, mas que, como vimos no artigo anterior, é a nossa percepção quem determina a nossa realidade.

Para quem tem uma tendência controladora ou de busca pela perfeição o antídoto é a aceitação, saber que ninguém é perfeito, que a perfeição em si não existe (o que é perfeito para mim não é para você, e tudo bem), mas que podemos sim, dar o melhor de nós em cada situação e se algo der errado, aprenderemos com isso e seremos pessoas melhores à partir destes aprendizados.

Já para quem não suporta o desconforto das situações difíceis da vida o antídoto é o fortalecimento da resiliência, ou seja, da capacidade de se recuperar ou se adaptar às dificuldades e às mudanças e aprender com elas. Neste sentido, as práticas meditativas auxiliam muito a desenvolver resiliência e a manter esta serenidade, que nos ajuda a encarar com sabedoria qualquer situação. Não significa que as dificuldades não existirão, elas sempre vão existir, mas significa que você conseguirá lidar com elas de uma maneira muito mais sábia e tranquila. Afinal, como já dizia um mestre, nós não podemos remover todas as pedras do nosso caminho, mas podemos sim proteger os nossos pés.

E por falar em sabedoria, você sabe o que ela é? A sabedoria é o equilíbrio entre a nossa mente racional e a nossa mente emocional. Ambas são necessárias para lidar com os desafios do nosso dia-a-dia. Não podemos pender nem apenas para um lado, nem para o outro. Por isso, você perceberá que a solução para colocar ao nosso favor emoções intensas como o estresse, a frustração e a ansiedade, é justamente trazê-las para o racional, não as suprimir, mas trazê-las para a sua consciência refletindo sobre o que elas sinalizam e o que pode ser feito à respeito. Neste sentido, trago para você algumas dicas práticas que te ajudarão a lidar melhor com a frustração:

1. Tenha em mente expectativas realistas. Se não for algo que você pode controlar, a aceitação (que não significa aprovação) é o caminho. Não significa que você está de acordo com o que aconteceu, mas que aceita a realidade dos fatos e lidará com eles a partir disso. Tenha clareza do seu poder de atuação, tomando a responsabilidade somente pelo que lhe cabe, ou seja: pelas suas próprias emoções, pensamentos e atitudes. Note que mesmo em uma situação que você não pode controlar, tomar a responsabilidade por aquilo que lhe cabe é sempre um ato de empoderamento. Uma vítima, não tem poder, está totalmente privada dele. Mas uma pessoa que toma a responsabilidade para si se empodera e pode tomar uma atitude mesmo em uma situação desfavorável e que não está sob o seu controle: seja mudar os seus planos tenho em vista um objetivo maior, ter uma reação diferente ou aprender com a experiência para ser alguém melhor.

2. Mude a sua perspectiva, mantendo o seu foco, ou seja, mantendo o seu objetivo maior. Recorde-se qual é o seu objetivo maior nesta situação. Por exemplo, se você esteve frustrado porque chegou atrasado para uma reunião importante, lembre-se que o seu objetivo maior é ter uma boa reunião. Então, ficar nervoso ou remoendo o que passou só vai te distanciar ainda mais do seu objetivo final. Da mesma forma, se você ficou frustrado por ter se desentendido com alguém, qual é o seu maior objetivo? Ter uma relação boa com essa pessoa? Ser feliz?

3. Perceba a frustração como algo que pode contribuir para o seu sucesso ao invés de sinalizar um “fracasso”. Use efetivamente os seus erros como lições para o seu sucesso. Parece cliché, mas esta é justamente a diferença entre as pessoas “na média” e as pessoas de alta performance. Elas efetivamente aprendem com os seus próprios erros e buscam se aprimorar a cada dia.

4. Quando não houver saída, quando a situação não está sob o seu controle de nenhuma forma, faça novos planos. Quando você aceita e reconhece que algo terminou ou não deu certo, você conseguirá definir novas metas tendo em mente o seu verdadeiro propósito.

Espero sinceramente que as reflexões e dicas de hoje tenham ajudado você de alguma forma. No próximo artigo falaremos de uma emoção que às vezes pode nos tirar totalmente do controle: a raiva. A boa notícia é que existem sim formas efetivas para que você esteja no controle e não as suas emoções. Ficou curioso? Para saber mais, encontro você lá!

USE AS EMOÇÕES “NEGATIVAS” A SEU FAVOR: ANSIEDADE

03/02/2020 às 15h26

Você já percebeu que é a nossa percepção quem determina a nossa realidade? Por exemplo, mesmo a dor física que pode ser extremamente desagradável para a maioria de nós, pode não ser e até causar prazer para outras pessoas. Uma mesma situação de desafio, seja um esporte radical ou alguma situação no trabalho, para alguns pode ser aterrorizante, para outros, ser estimulante. Percebe?

Não é a realidade em si quem determina se algo é bom ruim, mas como você interpreta esta realidade. O mesmo acontece com as nossas emoções negativas. É que claro que sentir emoções negativas não é agradável para ninguém, mas como as percebemos e agimos em relação a elas é a diferença entre ficar sofrendo ou tirar algo bom da situação vivida.

Muitas vezes temos esta percepção apenas quando o sentimento já foi embora, apenas quando saímos dele podemos olhar como um observador externo para entender o que foi aquilo. Quando estamos mergulhados na tristeza, na raiva, na ansiedade ou outra emoção negativa nossa percepção fica naturalmente “embaçada” porque muitos sentimentos e emoções afloram nos impedindo de ter uma perspectiva apurada sobre o assunto.

Agora, outro ponto crucial em relação às emoções negativas é que elas sinalizam algo muito importante para nós e, portanto, precisamos aprender a escutá-las e compreendê-las para podermos tirar o melhor proveito possível delas. Mas o que elas são e o que indicam exatamente? Neste e nos próximos artigos vamos tratar das 10 emoções ditas “negativas” mais comuns em nossas vidas: ansiedade, frustração, raiva, dor, sofrimento, tristeza, estresse, ressentimento, medo e inveja.

Começando pela ansiedade, você pode me perguntar: “Mas Juliana, a ansiedade não tem nada de bom! Porque ela existe? ”

Bom, para te responder isso, primeiro precisamos entender exatamente o que é esta emoção. A ansiedade é um estado de apreensão provocado pela antecipação de uma situação desagradável ou perigosa, seja este perigo real ou imaginário. Ela corresponde também a uma preocupação, uma vigilância para detectar perigos potenciais e pensar em formas de como você pode lidar com eles, projetando então soluções para cada situação.

Mas é claro que se antecipar a um projeto e planejar como resolvê-lo é útil, mas pensar pela milionésima vez que você vai falhar em realizar alguma coisa não apenas não é útil como pode te prejudicar. A ansiedade pode se transformar em um problema quando atinge um alto nível e muita regularidade, começando a interferir na nossa saúde e/ou nos nossos relacionamentos. Quando ela acontece de forma regular, em geral, pode não haver um fator propriamente dito que a desencadeie ou então ele é desproporcional ao que desencadeou estes sentimentos. Por exemplo, ficar ansioso porque você vai realizar uma apresentação importante no dia seguinte pode fazer sentido; mas ficar imaginando que as pessoas vão rir de você, que será um desastre e você será demitido trata-se apenas de imaginar algo e não uma situação real.

Então, como colocar a ansiedade a nosso favor? Neste caso, para a cura de um mal que essencialmente se trata de se “pré-ocupar”, de focar sempre neste futuro imaginário, as práticas meditativas regulares são essenciais, justamente por te ancorarem no agora, por te ajudarem a ser mais gentil com você mesmo e a entender as suas próprias experiências, deixando também mais claro o que são preocupações reais e o que são apenas imaginárias.

Além disso, existem duas estratégias que podem te ajudar a lidar melhor com a ansiedade:

1). Quando você estiver passando por um momento de ansiedade lembre-se de que os seus pensamentos não são irracionais, claro, mas também não são necessariamente verdadeiros. Eles são apenas projeções da sua mente e não refletem necessariamente a realidade. Então nestas horas, procure racionalizar, identificar o que você sente, dando um peso real para as suas preocupações. Pergunte-se: isso é útil? Pensar que você pode perder um compromisso importante no dia seguinte é útil, mas lembrar disso pela 27a vez e não poder fazer mais nada a respeito não é. Então seja gentil com você mesmo, não se pressionando mais do que a situação realmente exige.

2). Quando você está ansioso, mudar o foco da sua atenção é fundamental. Por exemplo, foque a sua atenção na respiração apenas. Vários estudos comprovam que mudar o foco da sua atenção, influencia diretamente no seu estado emocional. Você também pode usar a técnica “RAIN” (chuva em inglês): sendo “R” de reconhecer (ou seja, reconheça que você está sentindo naquele momento, de forma gentil com você mesmo), “A” de aceitar (aceite que você está passando por isso e que tudo bem, somos todos humanos e sempre enfrentamos desafios, todos os dias), “I” de investigar (investigue racionalmente porquê você está neste estado emocional) e “N” de não se identificar (não se identifique com esta emoção, procure desapegar e deixar ela ir, lembrando-se de que o que você está vivendo é apenas um estado mental passageiro e que agora, no presente, está tudo bem).

3). Fazer práticas meditativas regulares também ajuda muito a manter as suas emoções sob controle, assim você tira a sua mente desta ocupação no futuro e coloca ela justamente com o foco no aqui e agora, um lugar seguro e onde está tudo bem. Para começar a praticar, uma excelente dica é usar o aplicativo gratuito Insight Timer. Lá você encontra práticas para todos os gostos e estilos, além de músicas e podcasts. No meu perfil por exemplo você encontra meditações para diferentes momentos e necessidades, como para dormir bem, ter mais equilíbrio emocional, aumentar a autoestima, definir suas intenções para o dia, entre muitas outras. Para a ansiedade eu recomendo a você especialmente a prática “3 passos para a estabilidade emocional”. Tenho certeza de que com ela você se sentirá muito melhor. Depois poste como foi a experiência para você, que vou adorar saber!

No próximo artigo falaremos sobre uma emoção que surge quando nossas expectativas não condizem com a realidade e que é extremamente desconfortável: a frustração. Será que ela também tem seu lado positivo? Descobriremos isso juntos no próximo artigo. Até lá!