Revista Statto

EMPODERAMENTO FEMININO NO TRÂNSITO

23/01/2020 às 18h12

“Ela adora flores, mas prefere respeito”. Com esta frase iniciamos a reflexão necessária sobre a participação feminina no trânsito, local tradicionalmente dominado pela figura masculina e carregado de preconceitos e jargões.

Por longo período os direitos femininos foram suprimidos pela cultura patriarcal dominante, no entanto, a partir das “ondas feministas”, muitas prerrogativas foram conquistadas, inclusive no trânsito e condução de veículos.

Para elucidar, relembramos que a Arábia Saudita, até meados do ano de 2018, proibia as mulheres de tirarem habilitação, somente permitindo tal direito a partir da força de movimentos sociais que reivindicavam a possibilidade.

No Brasil, historicamente, a primeira habilitação feminina foi concedida no ano de 1932, no Estado do Espírito Santo. Nota-se, a partir de tal dado, que o país, em comparação a outros, foi precursor neste sentido. No entanto, até os dias atuais o fato da mulher como condutora é alvo de preconceito, repercutindo, inclusive, na autoconfiança das motoristas.

Para rebater os preconceitos existentes, lançamos mão de dados fornecidos pelo DENATRAN, que em recente pesquisa, afirmou que 89% dos acidentes de trânsito são causados por homens, bem como 73% das mortes decorrentes de acidentes viários são de homens. Além disto, o número de infrações de trânsito que resultam em cobranças de multas e pontuações na CNH são predominantemente praticadas por homens.

No entanto, não se busca, com a presente reflexão, colocar a motorista em pilares de superioridade, mas, sim, ressaltar a necessidade de empatia e igualdade de tratamento, a fim de que a mulher condutora se sinta segura na condução veicular, tanto no âmbito particular, na utilização do seu veículo para uso cotidiano, como no exercício de atividade remunerada, ramo crescente no mercado brasileiro. Para tanto, se faz necessária a reflexão e conscientização de que, ainda que pareçam inofensivas, condutas preconceituosas podem gerar inúmeros abalos, com prejuízo à vida pessoal das condutoras e à segurança do trânsito.

Lembramos, ainda, que apesar dos direitos conquistados, também devemos observância aos deveres e, em que pese adorarmos usar salto alto, bem como aproveitar os minutinhos entre uma parada e outra para retocar a maquiagem, tais condutas podem ser enquadradas como infrações de trânsito, sujeitas à multa pecuniária e pontuação na CNH. Então, para evitar as citadas sanções e não colocar em risco a segurança viária, imprescindível a utilização de calçados firmes nos pés e dirigir com a necessária atenção, conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro.