Revista Statto

DIDÁTICA DOS OPRESSORES

25/05/2020 às 21h03

A falta de educação, o descaramento e o total declínio pedagógico da elite brasileira trazem prejuízos incalculáveis para a consolidação da frágil democracia brasileira.

Nada melhor do que uma ameaça ao pobre para que a aristocracia patriota se manifeste com afinco. Pena essa determinação nada ter a ver com a qualidade de vida ou tão pouco com a saúde da patuleia.

Em meio a essa pandemia a verdadeira natureza da elite brasileira foi despida deixando clara e aparente suas vergonhas, ou melhor, seu total desdém por aqueles que precisam trabalhar para viver (aliás, quantos vocês conhecem que trabalham por higiene mental?).

Trata-se de uma manifestação egocêntrica e descarada da mentalidade facínora de patrões e empresários que demonstram de forma clara seu profundo desprezo pelo proletário, de nada vale a vida, tão pouco a morte dos empregados, desde que eles se mantenham seguros enquanto o peão continua a se arriscar para defender os privilégios de capatazes contemporâneos.

Em seus carros importados, filmados e blindados, quando vão trabalhar, se isolam na segurança de suas salas confortáveis repletos de regalias que a posição lhes permite, enquanto aqueles que garantem esse conforto muitas vezes; vão, trabalham, e voltam as suas casas por intermédio de lotações desumanas e, dada a atual conjuntura…. Insalubres.

Vejo os discursos inflamados das classes dominantes sempre confeitados com açucaradas palavras altruístas, mas entremeadas de verdades muito menos palatáveis.

Eles geralmente alegam que querem trabalhar, maaasss…. Eles trabalham? Essa gente hipócrita incapaz de liberar seus empregados por não terem o mínimo de traquejo para limpar suas privadas, aparar a grama ou cuidar dos próprios filhos. É essa gente que pede o fim da quarentena para o Brasil não quebrar?

Estão preocupados com o desenvolvimento econômico do país, ou com o quão sujas suas casas estão?

Acho que teriam muito mais respeito se ao menos tivessem moral de assumir suas intenções ao invés de fracassarem miseravelmente ao tentar demonstrar alguma empatia ou ação patriota.

Quando dizem precisamos voltar a trabalhar, estão de fato dizendo:

– Como vou viajar no fim do ano?

– Quem vai fazer minha comida?

– Quem vai lavar minha SUV?

No entanto, é preciso colhões para uma atitude dessas, e essa, é uma peculiaridade exclusiva da ralé.

Em fim…. Esse grupinho de “empáticos sociopatas” criticam veementemente o fechamento do comércio, a paralisação das atividades simplesmente defendendo que o dano a economia brasileira será infinitamente maior que o causado na saúde pública, inclusive parte dessa elite velhaca chegou a minimizar as perdas humanas provocadas pelo Covid-19.

A exemplo do empresário Junior Durski dono da rede de hamburgueria Madero (sócio do apresentador Luciano Huck, cabe ressaltar), que foi um dos primeiros a revelar sua posição, soltando verdadeiras perolas em um vídeo nas suas redes sociais, na visão desse “grande homem”, … O país não pode parar por conta de cinco ou sete mil mortes…

Na mesma pegada que seu amiguinho, o Sr Alexandre Guerra, um dos sócios dos restaurantes Giraffas, disse também em vídeo que: … ao invés de estarem com medo de pegar esse vírus, vocês deveriam também estar com medo de perder o emprego…

É lamentável concluir que em pleno século XXI, ainda persista a visão coronelista, pré-capitalista, avessa a todo e qualquer avanço social no sentido de diminuir a desigualdade evidente desse país.

Como disse Darcy Ribeiro: “Uma nação onde a classe dominante é composta por filhos de senhores de escravos, leva na alma o pendor do calejamento do senhor de escravos. Quem é o senhor de escravos? É aquele que compra um homem e tira a base do chicote todo o lucro que o infeliz pode dar”.

Enquanto o escravo, está condenado a lutar por sua liberdade.

O Sr.° de escravo está condicionado a usar os escravizados como carvão que queima para manter a produção e ter o máximo de lucro possível.

– Nota alguma semelhança? Eh meus amigos, infelizmente o Brasil já estava doente há muito tempo e em estado terminal bem antes dessa pandemia.

E infelizmente parece que não vai mudar tão cedo, pois como disse Paulo Freire: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido, é ser o opressor”.

Talvez por isso tenhamos a pior elite do mundo, completamente azeda, ranzinza, medíocre e preguiçosa.

A PORTA DE SAÍDA DE UM MUNDO A BEIRA DA DERROTA.

07/05/2020 às 17h22

A máscara da Morte Vermelha é um conto do escritor americano Edgar Allan Poe que retrata a seguinte situação:

Num reino distante uma grave epidemia se espalhava assolando toda a população era chamada de morte vermelha. Seu contagio era extremamente rápido e a morte era a única certeza, essa grande ameaça fez com que o príncipe se refugiasse com sua corte de amigos para um de seus castelos mais fortificados, com muros enormes rodeado de um vasto fosso profundo, onde após fortemente abastecido ordenou que selasse sua única entrada, deixando para traz seus súditos e reino entregues à própria sorte.

Após meses de reclusão com seus convidados vivendo de banquetes, bebidas, festas e orgias, no momento em que o inimigo invisível mais grassava a plebe desorientada no exterior da fortaleza impenetrável, o príncipe resolve brindar seus convidados com um baile de máscaras, e em meio ao frenesi das fantasias e bebidas, envolvidos pela música que cessou no momento em que o funesto relógio anuncia a meia noite com suas doze fúnebres badaladas…

Um torpor parecia envolver todos os convidados com exceção de um que não vestia fantasia alguma, sua pele avermelhada e face cadavérica causavam pavor, e logo após ceifar a vida do anfitrião denuncia sua condição de penetra, revelando-se aos demais… A morte vermelha havia conseguido entrar, e assim alcançou o seu propósito.

Indo além da genialidade literária de Edgar Poe, ele retrata com maestria uma das características, frente a uma nova epidemia… A de que nada é certo! Tudo é imprevisível. Exatamente o oposto ao desfile de certezas que vemos contra a morte vermelha do nosso tempo. Enquanto os mais brilhantes epidemiologistas alegam que ainda não se sabe o total potencial dessa nova ameaça, os nossos pseudossábios são peritos em nos mostrar por onde é a porta de saída, oferecendo “banquetes” emergenciais para uns enquanto outros são deixados para trás entregues à própria sorte.

Existem também aqueles que defendem a tese de que isso era previsível, não era exatamente uma condição inesperada, são os engenheiros de obra pronta…. Tão cobertos de suas razões, mas perfeitamente incapazes de mostrar a porta de saída.

Hoje a maior parte de nós vive em clausura, forçados a reinventar a relação conosco, com o próximo e até mesmo com a própria morte, hoje o medo chega mais forte, sem máscara, porque a morte deixou de ser um número para ter nome; antes se computavam mil e tantos mortos pelo Covid, hoje já se fala o pai do amigo, o vizinho do irmão, um primo, meu pai, minha mãe…

Hoje em dia presos em nossos “castelos”, tentamos não nos obscurecer girando em torno de nós mesmos, onde o tempo comprime o espaço, o físico aumenta e o espírito diminui em meio ao lento roçar dos dias sem futuro, olhamos para a porta das nossas casas, porem sabendo que essa também não é a de saída.

Em cautelosa perplexidade passamos a levar nossos dias aguardando alguém nos mostrar a porta de saída, agora vivemos um presente nunca antes imaginado, olhamos para trás e vimos o antigo normal como uma era longínqua, e miramos no amanhã com a incerteza de saber que o que nos manteve até aqui, não nos manterá daqui para frente.

O vazio que sentimos hoje é a ausência de certezas que buscavam uma nova relação com o viver. O vírus causa uma incerteza destrutiva que a tudo corrói, é possível sentir o gosto amargo da nossa ineficácia frente a um planeta à beira da derrota, e é nesse momento que grandes homens são chamados, não podemos permitir que o medo global alargue o campo da irracionalidade, não existem heróis, temos que encontrar a porta de saído por nós mesmos, antes que o penetra indesejado após se banquetear com os que estão fora do castelo, invada o baile de lives fazendo valer sua nefasta natureza.

É hora das nações se erguerem em prol de um bem comum, é hora dos líderes deixarem de lado suas tão valiosas soberanias limitadas e buscar com seus vizinhos supostamente inferiores uma coalizão de dignidade e solidariedade até que se consiga consubstanciar, todas as nações com o mesmo objetivo, até porque como muito já foi dito, o inimigo é comum e não respeita nenhum tipo de barreira.

Como Henry Kissinger disse de maneira brilhante: “Uma nova ordem mundial não pode ser concebida como uma medida de emergência, mas é necessária uma emergência para produzir uma nova ordem mundial”.

Bom… A emergência parece que já temos, a porta de saída quem sabe não seja o reforço das instituições multilaterais ao invés da sua desintegração, o reforça da colaboração internacional e não ao seu isolacionismo, talvez só talvez seja a busca da dignidade global e não da indecência mundial.

A ERA DO DISTANCIAMENTO SOCIAL

02/04/2020 às 21h14

Atualmente, estamos tentando nos afastar da multidão, e uma nova definição foi adicionada ao nosso cotidiano… O isolamento social!

O distanciamento social agora se tornou uma obrigatoriedade, mas será que essa já não era de fato a nossa realidade?

Há muito tempo o sexo é livre e incentivado, e o amor, retrogrado e antiquado, associado apenas a uma permuta lucrativa ofertado pelos que são mais abastados, onde a benção de uma gravidez se torna mais execrável que a contaminação por alguma DST instável.

Uma era onde perder o celular tornou-se mais escandaloso que perder a própria dignidade e valores. Aliás que valores?

Ah sim claro, os valores do século XXI, ter uma quantidade abissal de seguidores nas mídias sociais, ter uma opinião “lacradora” ao invés de reflexiva, provar a todo custo que a opinião do outro é pior do que a sua independentemente se a sua é minimamente útil ou promissora.

Na visão de hoje, o banheiro de um shopping é mais utilizado como estúdio fotográfico do que de fato para o que foi criado, tal qual os templos religiosos que se tornaram os lugares preferidos de “check in” ao invés de buscarem a pratica de manter pensamentos minimamente edificantes e atitudes afins.

Onde as pessoas temem mais o que seus vãos seguidores podem pensar de suas atitudes do que seus atos podem refletir em relação a sua própria consciência e em relação aos ensinamentos da sua própria devoção.

Nesse século o politicamente correto é mais importante que políticas públicas corretas, onde muita energia é direcionada para criminalizar as palavras aleijado, preto e favelado, e nenhuma ou muito pouca energia é posta em dar de fato acessibilidade, direitos iguais e melhor distribuição de renda a quem de fato é necessitado.

Uma era em que o serviço de entrega de alguma comilança é de longe muito mais eficiente que o serviço de emergência de uma ambulância.

Onde o que a outra veste, usa ou dirige, decide seu valor; e poder superá-lo no acúmulo e na ostentação de bens fictícios e passageiros é muito mais importante do que ter família ou se quer um amigo verdadeiro.

Aliás… A família tradicional de hoje, onde pais e mães trocam as reuniões familiares em torno à mesa, ignorando a oportunidade de fortalecerem seus lares, pelo entretenimento vazio dos seus próprios celulares, o que por sua vez, ensina as crianças a trocar os aqueles que os rodeiam na vida real, por um verdadeiro falacioso eterno amor virtual.

O que traduz os relacionamentos de hoje em dia, pois tanto homens quanto mulheres na grande maioria se envolvem em relacionamentos irresponsáveis sem nenhuma obrigação, tendo como meta o único “compromisso” de postar nas redes sociais as juras de um perecível amor eterno, transformando qualquer relação num majestoso ato de teatro com palco externo.

Parece que tudo se resume numa disputa incessante de notoriedade torpe, onde o mais popular ou mais seguido é o único detentor da verdadeira felicidade, mesmo estando rodeado de amizades vazias e amores sem sinceridade.

Onde uma lipoaspiração, silicone ou bariátrica tem mais valor que uma carreira universitária, onde a foto na academia tem mais valor do que a foto em família.

Sejamos todos muito bem-vindos a era do distanciamento social, agora amparados por lei, onde outrora agonizava a empatia, agora acaba de ser arruinada por uma nefasta pandemia.

… Maaaas seguindo o pensamento do grande Fernando pessoa quando disse que: “mordomos invisíveis administram a casa e a comida

Quem sabe médicos invisíveis por intermédio de todo esse caos não administraram a dose exata de Quimioterapia para curarem a falta de conexão emocional de um planeta que a muito esqueceu o verdadeiro significado da interação social?

O CISNE NEGRO E O CORONAVÍRUS

21/03/2020 às 10h09

Amigos leitores…

O filósofo Karl Popper certa vez descreveu a relação de realidade com a percepção humana, usando a metáfora dos cisnes brancos e dos cisnes negros para elucidar a patética limitação do nosso quadro mental, face à complexidade do mundo. Existia uma crença ocidental muito simples, a de que os cisnes eram brancos! E toda essa certeza caiu por terra quando os primeiros navegadores britânicos chegaram à Austrália e se depararam com cisnes negros. O mais perfeito exemplo de como a percepção humana “era” limitada.

Hoje o conceito dos cisnes negros é usado para designar um acontecimento de impacto desproporcionado ou um evento raro aparentemente inverossímil, para lá das expectativas normais históricas, científicas, financeiras ou tecnológicas.

Acredito humildemente se tratar do famigerado coronavírus, face a ele as nossas certezas se esvaem, até então vivíamos com o quadro mental de ter o controle de tudo, a economia, os recursos naturais, o próprio planeta  e de repente, o mundo vira de pernas para o ar.

O COVID-19 veio nos mostrar que o mundo é feito de incertezas e mudanças, que a nossa civilização é frágil, que a vida é precária, que o nosso sonho de tudo dominar acaba sempre dominado pela dura realidade.

O coronavírus é trágico porque mata, e cada morte é uma perda que nada pode reparar. É claro que podemos mencionar um valor imensurável de mortes por outros vírus, acidentes, bala perdida e etc., porém essas mortes já fazem parte do nosso quadro mental e por isso já não assusta, são tidas como “normais”. O que assusta é um vírus novo, desconhecido, e muito contagioso. E por isso o coronavírus é um acelerador do medo.

Mas o que de bom pode-se tirar de tudo isso?

Penso que esse tal vírus com potencial apocalíptico também tem o papel de questionar o nosso modo de vida.

Vivemos hoje com nosso quadro mental na civilização da pressa, do movimento contínuo, das viagens constantes, do consumo frenético e exploração ininterrupta dos recursos e com a eterna pachorra procrastinada de mudança de comportamentos.

Por décadas acompanhamos os parcos resultados das sucessivas conferências climáticas, das proclamações dos líderes, dos gritos inaudíveis de ativistas e pouco ou quase nada mudou. E de repente o cisne negro do coronavírus obriga a pisar no freio, a moderar a pressa, a consumir menos, a reduzir as reuniões, as conferências, reduzir as visitas aos centros comerciais e aos polos de consumo, obrigou-nos a ficar em casa, a refletir, a reinventar o trabalho à distância, a mudar hábitos, e porque não; questionar os fundamentos do nosso modelo de desenvolvimento econômico e social?

Por outro lado, não seria o COVID-19 o responsável por reduzir as emissões de CO² e contribuir para a estabilização do clima do mundo?

Vamos tirar férias do planeta e o planeta de nós… E isso não poderia ser considerado o início de um novo caminho?

Foi preciso um vírus letal para nos obrigar a repensar?!

Tal qual a peste negra do século XIX que desintegrou o modelo de produção feudal, o coronavírus pode levar à desintegração do modelo de capitalismo selvagem, sem regras, sem regulação, sem controle que periodicamente abala o planeta?

Quem sabe essa parada abrupta da economia global não nos leva a uma introspecção profunda e à geração de novos ideais?

O poeta alemão Hölderlin escreveu: “Quem atravessa o perigo toca a salvação.” Será que depois de atravessarmos o perigo do coronavírus e de lamentarmos cada uma das mortes que ele vai provocar, conseguiremos sair do perigo com novos hábitos de vida, mais cientes das nossas limitações e da nossa fragilidade.

Como disse o escritor inglês Gilbert Chesterton: “O despropósito do mundo advém do fato de nós nunca perguntarmos qual é o propósito”.

Essa é uma excelente oportunidade para deixarmos de viver numa civilização em que a pressa é tudo, e o objetivo…. Não é nada.

MUITO ALEM DO SAMBA, O CARNAVAL É UM ATO POLÍTICO!

02/03/2020 às 09h31

Amigo leitor!

Findou-se o carnaval, aclamado por muitos, desprezado por outros, mas certamente falado por todos. A festa mais emblemática do nosso país vai muito além dos sambas emblemáticos e das pompas da Sapucaí, festa que por natureza tem características tensas e muuuito intensas, ligada diretamente ao que acontece na sociedade por pautas identitárias como misógina, etnia, racismo e etc… É sim um movimento político e de múltiplos sentidos, mas acima de tudo uma grande festa.

Hoje em dia associado 100% ao samba temos uma dimensão do carnaval muito glamourizada, mas nem sempre foi assim, os primeiros indícios remontam ao ano de 1640, inspirada numa festa europeia conhecida como intrudo inspirada na Saturnália ainda mais antiga que remete aos primórdios do império romano, que basicamente eram os três dias que a igreja permitia aos fiéis literalmente enfiarem o pé na jaca, nos três dias que antecedem a quaresma (algo que sempre foi feito e a igreja apenas legitimou), um movimento feito no intuito de subverter o moral e a lógica da opressão ora imposta pela igreja, ora pelo governo, ora por ambos, sempre regado a muita música, ironia e protestos.

Um movimento que se espalhou pelo mundo e aqui claro, não poderia ser diferente.

A tão conhecida música de Chiquinha Gonzaga “abre alas” que é conhecida basicamente como um hino carnavalesco, foi composta em 1890, trinta anos antes da música “por telefone” de Ernesto dos Santos, o Donga. Que tem como marco o nascimento do samba por volta de 1916, até a explosão do carnaval nos anos 30, quando a praça XV, no Rio de Janeiro, é invadida pelos blocos, cordões e escolas de samba, com um formato muito parecido com o que temos na Sapucaí nos dias de hoje, que acabou virando vitrine do Brasil para o mundo, como o maior espetáculo da terra, que ironicamente sempre foi regida pela batuta bipolar do poder público, que ao mesmo tempo em que enaltecia a festa, perseguia os músicos e sambistas da época.

Nos dias de hoje, o carnaval se tornou uma profusão de ritmos, ancestralidade e cultura por todo o Brasil, a exemplo de Pernambuco com a “marchinha número um do vassourinhas”, composta por Joana Batista Ramos, uma mulher, negra, pobre e provavelmente filha de escravos, no clube vassourinhas em 1909, tocada no Brasil inteiro, com instrumentos de sopro e percussão; já na Bahia o grande destaque são os afoxés, conhecidos como os blocos afro, com caráter religioso, falando dos orixás e reproduzindo os toques dos terreiros nas ruas, sem mencionar os mestres, Dodô e Osmar, que criaram o trio elétrico e, deram início ao movimento conhecido como axé music, banhado na influência rítmica, dos toques de candomblé, mas sem abordar tanto a temática nas letras, além é claro do samba-reg, olodum, timbalada, marchinhas, frevo, samba e afoxé, tocados em todos os cantos do país. Hoje o carnaval permeia desde blocos tradicionais de marchinhas, até música pop do rádio com blocos emo, blocos punck, flutuando entre Rita Lee, David Bowie até Alceu Valença, etc… O que só torna ainda mais rico o nosso bom e velho carnaval.

Até quem “não gosta de carnaval”, de certa forma contribui com ele, pois tudo que subverte a lógica é carnaval, tudo que faz dançar, que faz cantar até perder a voz é carnaval, e querendo ou não tudo isso remete a um movimento político, ocupar o espaço público é político, por seu corpo nu ou subvertido nas ruas é político, tudo que flerta com a utopia de uma sociedade livre sem julgamento, sem cerceamento de liberdade é político, protestar com música e com arte… É político.

Esse é o nosso carnaval, onde o legitimo é a adversidade com aceitação e respeito.

Tudo que subverte a lógica é carnaval.

O carnaval é a grande herança popular do Brasil que leva cultura, arte e lazer gratuito a todos, é o maior grito de transgressão que uma sociedade subjugada pode dar.

Vida longa ao carnaval.

QUANDO CHEGA O FIM?

17/02/2020 às 09h31

“Se só acreditássemos no que vêem nossos olhos nossas convicções reduzir-se-iam a bem pouca coisa.”

Frase maravilhosa de um homem que muito me inspira, e de verdade acredito em cada palavra dela, a prova disso foi um fato que aconteceu comigo esses dias.

Recentemente perdi para a vida um bom e prezado amigo…. Excepcionalmente normal afinal esse é o desfecho do jogo. Embora não convivêssemos com frequência mantínhamos um laço extremamente sólido ao ver pelo nosso tratamento que onde estivéssemos nos cumprimentávamos com saudoso e sonoro IRAMÃÃÃO…

Enfim, tão logo após seu fenecimento precoce observei nas redes sociais postagens acaloradas e situacionistas de pessoas do todos os níveis de relacionamento até daquelas das quais só se mantinham uma relação formal ou profissional sem a mínima ou mesmo nenhuma pitada de intimismo…

Então percebi dentro da minha silenciosa indignação, que as pessoas não se entristecem por terem perdido alguém que lhe são caras, a grande maioria se mostra enternecida por não saber lidar com seus próprios sentimentos que variam desde saudades até culpa, passando por paixões mal resolvidas ou até mesmo aquele simples telefonema para saber se está tudo bem…

Talvez isso explique a célebre frase de Anne Frank “Os mortos recebem mais flores do que os vivos porque o remorso é mais forte que a gratidão.”

Em fim…. Em meio às inúmeras mensagens de: saudades eternas, para sempre fulano, sempre te amaremos e etc.

Eu simplesmente postei o seguinte:

“Meu bom e velho irmão… Tu és realmente um tremendo de um babaca, foi inventar de morrer agora? Logo agora? Sem avisar, sem nem mesmo dar uma dica? Com tanta coisa para fazer, assuntos a debater, ideias para trocar, cervejas para beber e você simplesmente me abandona no meio da partida?!

Agora me encontro aqui sozinho olhando para o tabuleiro esperando uma nova jogada que nunca vira… E você me conhecendo bem, sabe como esse tipo de frustração me perturba… Mas é como dizem por aí… “É a vida que segue…” Agora só me resta juntar as peças e guardar o tabuleiro, esperando o momento que nos encontraremos novamente, não para terminar aquela partida, mas talvez, quem sabe? Começar um novo jogo…

A maioria das pessoas acha que o oposto da vida é morrer…. Eu discordo respeitosamente, pois na minha humilde opinião o oposto da vida…. É não viver.

Em resumo acho que a vida é isso meu amigo irmão não morreu… Ele simplesmente viveu…”.

EM BUSCA DA FELICIDADE

05/01/2020 às 20h24

Amigos leitores.

Logo nos primeiros anos de vida já descobrimos que a tão falada felicidade é algo que parece estar bem perto de nós, só um pouco a frente, basta se esforçar um pouquinho, estender os braços e pronto…. Ela está ali!

Na escola ainda no primeiro ano do ensino básico a professora costumava dizer que o segundo ano que é legal, lá terão novos professores, novos colegas, novas matérias, as aulas são mais legais, a sala é mais ampla, os professores são mais dinâmicos e comunicativos, tudo lá é maravilhoso!!!

Deixando bem claro que:

Aqui não! Esse ano ninguém será feliz. Inclusive aos que não alcançarem a pontuação mínima no ano letiva para serem aprovados (os fracassados) não desfrutarão dessa felicidade suprema que é o segundo ano e terão que passar novamente pelo primeiro.

Muito bem…. Essas eram a ambições de uma criança, uma meta relativamente fácil de alcançar, afinal tratava-se apenas de um ano de dedicação para alcançar então aquela tal felicidade, é de fato uma meta muito simples.

Pois bem no primeiro dia de aula já naquele júbilo do segundo ano, era possível notar as paredes com decoração diferente, cadeiras mais espaçosas, sala mais ampla, e outras pequenices cotidianas, de fato tudo parecia ser melhor que o ano anterior mais daí a chamar isso de felicidade pera lá né!? Então a nova professora entra em sala se apresenta e começa um discurso de boas-vindas muito familiar, aliás exatamente o mesmo da professora do ano anterior só com algumas palavras mais elaboradas, que causassem maior impacto cheio de carga motivacional e um incentivo perene para se encontrar a felicidade que provavelmente viria no terceiro ano.

E assim foi mais um ano em busca da felicidade que provavelmente só viria no próximo ano letivo, no caso o terceiro, e ao chegar lá adivinhe? A meta mudava para o quarto, depois para o quinto e já no ensino médio, era o pré-vestibular e em seguida entrar numa faculdade, se formar na faculdade, conseguir um bom emprego e aí sim, finalmente encontrar a felicidade prometida.

E depois de algum tempo já formado, quando finalmente uma porta se abre no mercado de trabalho é a hora de correr para o abraço, mas depois de três meses de trabalho (ainda sem saborear a tal felicidade), percebe-se que sua área profissional é dividida em 16 níveis diferentes, mas que, com muita dedicação e empenho a cada dezoito meses no mínimo é possível talvez rolar uma promoção e assim contar um nível a menos na escalada.

E em média aos 60 anos de idade após ter alcançado somente o mísero cargo de gerente geral sênior, na mesa de um hospital após o primeiro infarto o sujeito tem um epifania e percebe que a felicidade naquela empresa é um direito exclusivo do presidente ou do CEO, e o único sentimento que lhe vem à cabeça é melhor agilizar essa cirurgia que ainda a muito a fazer para alcançar a felicidade de verdade.

E assim o sujeito passa do ensino fundamental à quase morte se preocupando com o que está por vir, em busca de uma felicidade prometida e esquece-se do fundamental… De viver o hoje, de prestar atenção aonde de fato a felicidade pode estar… No hoje, no agora, nas pequenas coisas do dia a dia que passam despercebidas por nós, da rosa que desabrochou no jardim, na recepção do seu cachorro quando chega em casa depois de um dia cheio de trabalho, do barulho da chuva num domingo acompanhado com chocolate quente e bolinhos, ou de uma tarde ensolarada e a casa sendo invadida pelo aroma de café fresco e bolo quentinho, então aproveite agora, seja o agora, faça acontecer agora.

O amanhã? Não se pode fazer nada, ele ainda nem existe.

O ontem? Não se pode fazer nada, ele já se foi.

Mas e o hoje???

Esse é o lugar onde se deve fazer alguma coisa, onde se deve viver, agir, aprender e errar, o único lugar onde de fato se pode ser feliz, somente agora se pode encontrar aquela pequena dose da tão buscada felicidade, e só por esse motivo, é chamado de… PRESENTE.

ESSA TAL LIBERDADE DE EXPRESSÃO

18/11/2019 às 08h58

Amigos leitores…

Ouço muita gente dizer:

– Eu sou assim mesmo falo o que penso, não sou uma pessoa falsa.

Ora…. É claro se deve falar o que pensa isso inclusive é uma extraordinária demonstração de caráter, agora o que não pode é se valer dessa premissa para ofender seu semelhante.

Um dos direitos fundamentais do homem, aqui no Brasil garantido no artigo quinto da Constituição Federal, a liberdade de expressão é o que garante a manifestação da opinião, pensamentos e ideias, sem que com isso sofra retaliações ou censuras, privilégio que se estende muito além das fronteiras brasileiras já que esse é um direito estabelecido mundialmente pela Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU.

Mas acima de tudo, a liberdade de expressão não é apenas um BENEFICIO do cidadão, é um direito conquistado, e como tal carregado de deveres e responsabilidades, e é exatamente nesse ponto que a maioria vem vacilando.

O fato de você poder falar não lhe dá o direito de agredir com sua fala, ou seja, posso dizer que lhe falta inteligência, mas nunca chamá-lo de burro!

– Então quer dizer que a liberdade de expressão não é assim tão livre?

… Bom, partindo do princípio que não existe direito absoluto… NÃO!!!

Esse conceito fica bem mais simples de compreender quando se acompanha o seguinte raciocínio:

Todo e qualquer direito devem ser revogados quando mal desfrutado, o direito de ir e vir, por exemplo, é tirado quando o sujeito cisma de desobedecer e lei, nem mesmo o direito a vida, o mais fundamental de todos os direitos, é absoluto, tiremos como exemplo hipotético um sociopata em potencial que coloca em risco a vida da população, basta uma ordem a um sniper que cumprindo estritamente a obrigação do seu dever e pronto… O terrorista perde seu direito a vida (nesse caso dando perfeito sentido a frese do celebre Capitão Kirk: As necessidades de muitos sobrepõem-se às necessidades de poucos… Ou a de um só.).

Logo, com a comunicação, essa tal liberdade de expressão segue os mesmos preceitos.

Mas antão como determinar o limite dessa minha liberdade? A princípio esse limite é dado pelo próprio caráter ou calibre da evolução moral de cada um, a boa e velha capacidade de empatia…  Aquela velha habilidade de se colocar no lugar dos outros, tão rara hoje em dia, lembra?

Mas no caso de ainda assim sentir dificuldade de como mensurar esses parâmetros e com eles estipular limites, pergunte-se, se o que está prestes a dizer fosse dito a você, como se sentiria? Seria agradável de ouvir? Acrescentaria algum valor? Traria algum tipo de benefício? Se alguma dessas respostas for não, o melhor mesmo é se calar.

Mas se mesmo assim, ainda achar dificuldade em controlar seus impulsos linguísticos no sentido abusivo da comunicação violenta, existe ainda um último recurso protetivo, o rigor da lei, siiiim…. Não pense que o que se fala não gera consequências, muito pelo contrário a partir do que é dito é que se começa a saber quem é o interlocutor de verdade.

Em suma…

“quando Pedro fala de João, conheço mais sobre Pedro do que sobre João.”

Não deixem que usem o nosso maravilhoso direito de se expressar como arma de disseminação de ódio gratuito, essa mudança começa em cada um de nós.

A CIDADE AINDA É MARAVILHOSA??

22/10/2019 às 11h36

Amigos leitores…

A maior característica do carioca é resistir…

Resistimos a Garotinho, Rosinha, Cesar Maia, Conde e Eduardo Paes…

Sobrevivemos aos tiroteios, tráfico, milícia, arrastão e muito mais.

Uma terra de difícil padrão, onde taxista escolhe corrida e o garçom tem sempre razão.

O Rio de janeiro é uma aventura, assim como Indiana Jones quando pisava numa pedra que dispara dardo, por aqui se pisar no boieiro errado, você é atirado paro o outro lado.

Para andar nas ruas da cidade o sujeito tem que ter disposição, e uma boa dose de sorte já que não adianta só prestar a atenção no chão, tem que ficar ligado principalmente na direção, e no caminho que se revela, porque Waze e Google Maps podem te levar para dentro da favela.

Caso isso aconteça, relaxa e tenta sair por uma via expressa; Avenida Brasil, linha vermelha e linha amarela, a faixa de gaza da cidade tão bela, palco de tiroteios dignos de países em guerra. Mas quando está em paz é só satisfação, fica até fácil sair na contramão, quanto tentar escapar do arrastão, a coisa só da ruim de verdade, se bater de frente com o blindado caveirão.

Aliás dirigir por aqui é realmente para quem tem anos de pratica, não só pelo péssimo estado das estradas, o caso é que muitos motoristas de caminhão se esquecem de baixar a caçamba quando estão em movimentação, e pegar estrada nessa condição… Coitadas das passarelas, que caem aos pedaços sozinhas, agora imagina com essa ajudinha!?

Mas os caminhões não são os vilões, nem o fiel dessa balança, afinal tem túnel que desmorona sem o auxílio de caçamba.

O transito é sempre perigoso, e por aqui não se ficar de bobeira, até porquê se der mole, como diferenciar a blitz falsa da verdadeira?

E ao estacionar fique de boa e mantendo a linha, o meu conselho é sempre ter um trocado no bolso para não arrumar caô com o falso flanelinha.

Mas se de carro está difícil, não pense que de bike é mais plausível.

Como já foi dito é prudente evitar as passarelas, elas já estão muito desgastadas, e nem ouse chegar perto de ciclovias quando o mar tiver nos dias de ressaca.

Mas é as praças admiráveis, sempre convidativas para um passeio, nesse caso o único problema é correr o risco de ser esfaqueado por um cracudo desordeiro.

Por aqui é bom sempre ficar ligado independente do caminho, seja para casa, faculdade ou para o trabalho, não importa a distância do barzinho, quando chegar, é bom avisar para todo mundo, porquê se vacilar o sequestro relâmpago te carrega em um segundo. E se teve a sorte de nessa modalidade não cair nenhuma vez, fique esperto com a clássica saidinha de banco do fim de mês.

Ah mas fala sério…. Qualquer grande metrópole tem esse tipo de treta, e além do mais, isso carioca tira de letra, afinal somos um povo devoto, apaixonados por samba, futebol, a muitos carnavais…. Aproposito é bom você também saber rezar para não dançar num eventual encontro de torcidas rivais.

E se a reza não for forte, melhor que as pernas sejam, e preste atenção no momento da fuga desenfreada com os bueiros explosivos, cracudos assassinos, com a passarela que desaba, e a ciclovia avacalhada.

E quando a polícia vier ajudar com seu poderio aéreo militar, não ouse achar que está protegido, inclusive o melhor mesmo é sair o quanto antes da área de conflito, assim que o helicóptero chegar tocando o terror, o melhor é ficar esperto; granadas costumam cair do seu interior.

E se na rua está difícil o melhor então é ficar em casa, afinal aqui sempre foi um ótimo lugar para seguir morando, é só não dar mole de comprar apartamento em prédio de miliciano.

E lógico, mantenha a disciplina para que não haja engano, e assim diminuir as chances do exército te confundir com bandido, de bandido te confundir com polícia, e polícia te confundir com miliciano. E que todos esses não confundam furadeira com pistola, nem guarda-chuva com fuzil.

Mas na moral, nada disso importa. O Rio continua sendo a cidade maravilhosa do Brasil.

TOXICIDADE DA MASCULINIDADE

20/09/2019 às 11h28

Meus caros leitores…

Meu brother, o que está acontecendo com essa rapaziada de hoje?

A masculinidade da galera tem andado muito abalada, esses dias um colega do trabalho fez aniversário e como de praxe foi comprado um bolinho para todos lancharem juntos e depois dos parabéns fizeram a infame pergunta.

– E aí está fazendo quantos anos?

E a resposta foi:

– Vinte três e meio… Acompanhado de um sorrisinho amarelo.

POWRRA…. Olha que exemplo de homem seguro!

É impressionante que em pleno século XXI ainda existam “homens” que tenham essa inópia absurda de autoafirmação, é por isso que muito marmanjo hoje em dia só consegue se sentir mais macho levantando a voz, “desafiando” seus desafetos em disputas tolas e ingênuas, gritando com crianças… Levantando a mão para mulheres… Com isso eu me pergunto será que isso é o que a maioria acredita que é ser homem?

Entendo perfeitamente que somos fruto de uma geração falida moralmente, e se libertar dos péssimos exemplos que tivemos na juventude e primeira infância não é de fato uma tarefa simples, afinal a galera que assim como eu é da década de oitenta se livrar de certos conceitos de masculinidade é deveras complicado, nós crescemos tendo como influencia boquinha da garrafa, piscina do Gugu e trapalhões; confesso que tenho vergonha de ter tido esse tipo de referência, maaas esse é o famoso aso de… É o que tem pra hoje!

E se não bastasse os absurdos veiculados abertamente pelas mídias de massa, ainda tem a verdadeira origem da masculinidade toxica da nossa geração…. Os pais, tanto pai quanto mãe que fique claro.

Eu e muitos que conversei e conheci, passaram pelas mesmíssimas coisas, os discursos maternos eram os mesmos para todos:

Se apanhar na rua, vai apanhar em casa de novo.

Filho meu não leva desaforo para casa.

Prenda suas cabras que meu cabrito está solto.

Engole esse choro.

E por aí vai…

E o exemplo de homem vindo de casa daquela época?

Prefiro filho bandido que veado.

Homem que é homem não chora.

Isso não é coisa de homem.

Rosa??? Nem pensar.

Em uma briga de escola na adolescência a preocupação do pai é saber se o filho apanhou.

Crescemos talhados pela linguagem da violência, o resultado não poderia ser mais óbvio, uma geração moralmente fraca e lamecha, moldada por atitudes intempestivas, nada reflexivas e vergonhosas para dizer o mínimo.

Que tal a partir de agora fecharmos um pacto?

Prove que você é Homem de verdade, seja sensível, ensine seus filhos homens respeito, a fazer os trabalhos domésticos, a lavar suas roupas, preparar sua comida, lavar louça, preparem-nos para quando crescerem procurarem uma Mulher como companheira e não um misto de mãe com empregada que faça sexo eventualmente, e quem sabe assim a maioria de nós sofra uma metamorfose convertendo-se do omi macho alfa para de fato HOMEM.

REORIENTANDO OS ISMOS

04/09/2019 às 09h35

Amigos leitores…

Hoje em dia tenho a impressão que vivemos em uma ferrenha competição entre homens e mulheres? Parece que vivemos em uma corrida brutal onde o importante não é vencer nem muito menos competir, e sim deixar o outro para traz, derrotar o oponente a todo custo… que loucura é essa?!

Vamos lá, primeiro quero deixar bem claro que não sou a favor do machismo, assim como também não sou a favor do feminismo, principalmente pela imagem deturpada que muitos e muitas vêm pregando com relação a esse último. Gosto muito de definições, claro que muitas são mutáveis, porém vamos tentar usar algumas definições para deixar claro esses dois movimentos;

Machismo pode ser definido como: Um sistema cultural baseado na crença de superioridade do homem com relação a mulher.

E o feminismo por sua vez, pode ser (ou deveria ser) definido como: Movimento em defesa da EQUIDADE de gêneros.

Entenderam? Atenção especial na palavra equidade que por de-fi-ni-ção é bem diferente de IGUALDADE.

Aceitar isso como verdade é um grande passo para o sucesso da “igualdade” de gêneros, porque acredite, não há nada de igual entre esses dois seres humanos; alguns pesquisadores mais conservadores simplesmente não compreendem como duas criaturas de constituições evolutivas tão distintas podem dividir a vida por anos.

Vamos do princípio… no período em que ainda vivíamos em cavernas, tínhamos responsabilidades bem definidas e veja como isso foi nos moldando.

Os homens eram responsáveis em procriar (para aumentar o bando) e alimentar toda a prole, para isso passávamos dias sozinhos na mata, em silêncio, escoltando, rastreando, e perseguindo a caça enfrentando todos os tipos de perigos (e entenda como perigo morte iminente), moldado por esse ambiente hostil desenvolvemos aptidões bem especificas, como senso de posicionamento, habilidade de imitar animais com perfeição para “chamar” ou afugentar a presa, alerta constante com uma incrível capacidade de explosão de força instantânea no caso da presa cismar de virar a casaca e se tornar o predador.

Já a mulher tinha como responsabilidade manter a fogueira acesa, a caverna asseada, preparar a alimentação e cuidar do bem-estar dos rebentos. Com isso elas desenvolveram uma capacidade de comunicação extraordinariamente sensível (que vai além das palavras), com o menor gemido de uma das crianças eram capazes de saber qual a necessidade dela quase que instantaneamente.

Essas habilidades estão presentes em todos nós até os dias de hoje, algumas bem mais úteis que outras no mundo moderno, ou seja; nós evoluímos para um tipo de GPS, prontos para explodir em força bruta, enquanto elas evoluíram para um tipo de sonar, capazes de captar tudo que está acontecendo num ambiente apenas com uma boa olhada…

Dentro desse contexto, eu pergunto: Quem está mais bem posicionado na cadeia evolutiva?

É amigão… deveríamos ser nós os homens que precisariam de igualdade de gênero, afinal ao meu entender reconhecer um pingo de sentimento que seja com um único olhar é muito mais civilizado que imitar um cachorro com imensa presteza.

Então que fique a reflexão, homes e mulheres são diferentes, aliás, todos somos diferentes, mas será que não são exatamente essas diferenças que temos de tão igual…? É hora de pararmos de disputar corridas violentas e caminharmos lado a lado de mãos dadas em busca de fato de uma igualdade realmente valiosa… A de sentimentos

Sugiro o seguinte, já que os movimentos “ismos” estão tão em evidência que tal unirmos a explosão masculina e a sensibilidade feminina em cada um de nós para defendermos o “ismo” mais importante… O humanismo.

O FIM DA BOA E VELHA CANTADA

24/08/2019 às 10h42

Caros legentes…

Já percebeu que a sensualidade se perdeu? Que a sedução acabou? Pois bem não sei se a culpa é dos Millennials munidos das mais eficientes armas de velocidade informacional, só sei que agora no alcance de um click tudo pode mudar.

O olho no olho acabou. Você consegue se lembrar de uma cantada onde os olhos se esbarravam e permaneciam em um contato intenso, lascivo, semi-malicioso, insinuante e inspirador, aquele que te da coragem acelera o coração e que te faz sentir o mais poderoso daquele lugar, tudo isso em alguns míseros segundos? É meu amigo é nessa hora que o bicho pega, ou melhor…. Pegava.

Hoje em dia quando o sujeito quer se relacionar com alguém o primeiro passo é lançar mão do celular e deslizar o polegar para um lado ou para o outro indicando que está ou não afim…. Tal qual você fazia tão friamente com o controle remoto da televisão desfilando pelos seus cento e tantos canais sem que nem um fosse minimamente capaz de prender sua atenção por alguns míseros instantes.

Se perdeu a expectativa, o friozinho na barriga, o medo de tentar e o orgulho de se superar ao arriscar em ser magnificamente rejeitado, uma vergonha majestosa comparada unicamente ao monumental achincalhamento dos amigos.

Gostava das fotografias que eternizavam momentos; míseras 12, 24 ou 36 poses que deviam ser muito bem empregadas para poder fazer o momento valer a pena pela eternidade, sem fazer ideia de como de fato a foto se revelaria. E quando por um milagre se conseguia a foto daquela gata que te desequilibrava? haaaa esse troféu era tratado como uma tela de Van Gogh, uma verdadeira obra de arte sem igual.

Esse sentimento também se perdeu dada a facilidade que se tem hoje em ter e dar uma foto, aliás, agora às trocam como quem trocava figurinha só que com imagens bem mais ousadas que as de outrora, diga-se de passagem.

Não pense que sou contra a tecnologia nem tão pouco a velocidade da informação, longe de mim, afinal esses foram os marcos do nosso tempo, porém…. Quanto mais fácil fica a nossa capacidade de comunicação, mais inábeis nos tornamos em nos comunicarmos.

Podem me chamar de antiquado, ou de romântico, mas o fato é… Aquela foto impressa de um sorriso meio ingênuo ainda hoje é mais sensual que os Nudes radiográficos trocados de forma tão frenética pelos usuários dos aplicativos atuais.

Então sugiro que nos tornemos novamente revolucionários, e acrescentemos uma boa dose de rebeldia… Da próxima vez que estiver na companhia de uma pessoa de verdade, pare de frente para ela olhe bem dentro dos seus olhos e diga…. Você é uma pessoa…

DEPRESSÃO OU INDUÇÃO

15/08/2019 às 08h40

Muito falada hoje em dia à depressão já passa a ser vista por muitos como realmente uma doença ou ao menos algo que demande um pouco mais de atenção, parece que pouco a pouco essa condição está ganhando espaço no campo da seriedade e deixando de ser visto por muitos como uma condição de mi mi mi ou frescura.

Considerada por especialistas como a doença do século XXI a depressão vem atacando tudo e a todos sem piedade e sem a menor distinção, aliás, um ótimo exemplo de despreconceito, já que para ela não importa, idade, sexo, religião, espécie, sistema operacional, etc.

Mas por que parece que essa danada está tão em alta? Será que as pessoas estão mais sensíveis? Mais suscetíveis? Mais emocionalmente fracas? Ou será que estamos sendo moldados e conduzidos mesmo que de maneira inconsciente para essa condição?

Pensa comigo…

Cientificamente comprovado que a mente humana tem um padrão de raciocínio e de comportamento que não consegue estipular parâmetros sem comparações, (aliás, hábito terrível na minha opinião, mas esse é assunto para outra matéria) por exemplo, se aparece um produto novo no mercado que seja único e exclusivo, não há como saber se ele é bom ou ruim, se custa caro ou barato, simplesmente porque não temos com o que compara-lo, e essas comparações geralmente não são baseadas naquilo que nos satisfaz, que nos faz bem, instintivamente essa comparação é baseada se aquilo que eu tenho ou posso ter é maior ou melhor do que aquilo que está sendo oferecido ou disputado, trocando em miúdos é mais ou menos assim, se seu cunhado tem um salário maior que o seu você, és um fracassado, e sua medida de sucesso se dará assim que seu salário for maior do que o dele, independente de quanto seja efetivamente e de quanto satisfeito você está ou não com a condição de vida proporcionada com seu salário atual.

Pois bem, tendo isso como base, voltamos a tão bendita depressão ou ao menos estado de tristeza crônica.

–– Como não me sentir deprimido quando instintivamente me ponho em comparação com meus amigos e vizinhos? Afinal eu particularmente não conheço ninguém que tenha fracassado em alguma coisa, ou seja, meus amigos sempre foram os mais espertos, os mais fortes, os que se deram bem, os que são prósperos e abastados, aliás, como todos são extremamente bem-sucedido em tudo aquilo que empreenderam…. Será que só eu sou o fracassado? Afinal meu carro é popular, meu salário é modesto, meu emprego é ruim, os negócios que tento empreender não vão para frente, os investimentos que fiz deram prejuízo, meu filho é o único que está mal na escola, sou o único que paga uma fortuna de imposto de renda, não conheço o restaurante novo, não viajei no mês passado…. Não, não e não é esse sentimento só piora quando a comparação se dá pelas famigeradas redes sociais, ahhhh, aiiii meu amigo, o suicídio é coisa certa, em terra de Facebook e Instagram todos vivem no país das maravilhas, onde tudo é perfeito, e o mundo conspira para que os outros sejam felizes e realizados sempre… Mas antes de continuar se faça uma única pergunta!

SERÁ MESMO?

…CLARO QUE NÃO, isso tudo não passa de uma mentira psicossocial virtualizada que molda brutalmente a massa para uma condição mais consumista e à medida que seu consumo não é saciado sua frustração aumenta, que por sua vez cria insatisfação o que gera uma tristeza profunda e um forte sentimento de desesperança diagnosticado como… Depressão…

Devemos nos libertar desses estereótipos imediatamente sob a pena de se não o fizermos, seremos eternos reféns desse ciclo hipnótico de ilusões sociovirtuais, onde o único resultado natural é a depressão, que possivelmente deixará de ser considerada uma doença psiquiátrica crônica e recorrente para se tornar um dos principais traços de característica da personalidade humana.

Há não ser é claro que isso já tenha acontecido e as pessoas simplesmente continuem me enganando postando que são poços de felicidade e de esperança sem fim…

Ou seja, seja você seja lá que você seja…

HACKER NÃO… TRABALHADOR INFORMAL

02/08/2019 às 08h49

Caros legentes…

Tem alguma coisa que não encaixa, ou está muito errada nisso tudo.

O hacker fantástico que manipulou, invadiu de forma criminosa, organizada e extremamente eficiente os celulares de grandes autoridades brasileiras são:

Um golpista, um DJ, uma manicure e um motorista?

Nada contra, não quero estereotipar a classe de ninguém, tão pouco a dos hackers, mas fala sério, da maneira como estava sendo vendida essa história, o que se imagina é que uma organização criminosa, com patrocinadores bilionários mantendo investimento na ordem de milhões… Sei lá; você imagina tipo Minority Report, com a equipe da Pâmela Landy, caçando Jason Bourne, e na realidade, o cara que causou esse salseiro todo estava em casa, sussa… Dando umas twittadas de boa?

Afinal, como disse o ministro Sérgio Moro, sobre os poderosos hackers, em sua audiência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), “Não é um adolescente com espinha na cara, na frente do computador [responsável pela invasão], mas sim um grupo criminoso organizado […] É um ataque às instituições”, alegou o ex-magistrado.

Daí a Polícia Federal apresenta pra sociedade os seguintes suspeitos:

Walter Delgatti Neto, conhecido como Vermelho, 30 anos, se diz investidor de bitcoins, mas coincidentemente o “investidor” tem passagens por falsidade ideológica, tráfico de drogas, estelionato, eh… Embora isso não seja exatamente uma “passagem criminal” ele também é (ou era) filiado ao partido democrata (DEM).

Gustavo Henrique Elias Santos, 28 anos, ex DJ que pooor acaaaso, tem passagem por receptação, falsificação de documentos e porte ilegal de arma

Suellen de Oliveira, suspeitamente limpa, sem passagem alguma (até agora), a esposa do ex DJ tem como atividade o ofício de manicure.

Danilo Cristiano Marques, ex motorista de UBER, (…ex motorista?…) de 33 anos, e que… Adivinhe?! Também, já foi condenado por roubo no passado.

Será que tudo isso foi fruto de uma brincadeira mau caráter, e extremamente habilidosa? Ou talvez um acidente de percurso, algo… Por acaaaaso? Afinal, é difícil de engolir que, um pequeno grupo de pessoas extraordinárias, possuidoras de habilidades incríveis, tendo como fonte principal de renda, a mais nobre arte do brasileiro, O BISCATE, sem apoio e com equipamentos pouco sofisticados, hackear a elite da classe política brasileira.

Afinal, de acordo com a Polícia Federal, em entrevista coletiva recente, os suspeitos teriam acessado mais de mil números de autoridades, entre eles, procuradores, ministros e os presidentes da Câmara, do Senado, e até mesmo da República.

A pergunta é: Como essa galerinha, com ocupações tão comuns, conseguiram hackear, toda a elite política brasileira, de maneira tão trivial, além de conseguir acesso a tantos números telefônicos, se valendo de artifícios tão modestos, de acordo com os próprios investigadores.

O que se sabe, é que brincadeira ou não, intencionalmente ou não, o fato é que a operação SPOOFING (nome da operação que significa falsificação tecnológica), apreendeu aproximadamente 100.000 reais, na casa de Gustavo Santos e Suellen de Oliveira, além de uma movimentação bancária muito suspeita, nas contas do casal. Afinal Gustavo Henrique, movimentou em torno de R$ 424 mil, entre abril e junho de 2018, e Suelen movimentou aproximadamente R$ 203 mil, entre março e maio deste ano, quantias que a Policia Federal, habilmente deduziu, ser incompatíveis com a renda declarada do casal, (a não ser que ele seja o ALOK e ninguém saiba).

Agora beleza, supondo que os golpistas, aparentemente comuns, tenham tido uma espécie de epifania e, adquirido habilidades extraordinárias, capazes de descobrir os segredos mais pérfidos dos outros… Surgem as perguntas: quem teve a ideia? Se foi uma encomenda, por que contratar “profissionais” com experiências tão distintas do serviço contratado? Quem contratou? Quem pagou? Com que intuito? Em fim…

Nosso excelentíssimo Ministro, deveria estar mais empenhado em buscar essas respostas, do que dar declarações inapropriadas ou bancar aquele acima do bem e do mal… Será que ele sabe que destruir provas de uma investigação é crime?!?!?

¶ Decreto Lei nº 2.848 de 07 de dezembro de 1940, artigo 305, é crime “destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor”.

Vai que… Ele falou essa aula né não?!

Como um Juiz de carreira, um juiz de Tribunal, com vasta experiência, consegue se perder de forma tão imatura, pelo que se pode ver, a magnífica carreira do nosso mais aclamado e impiedoso Juiz, caçador de corruptos, foi tão gloriosa quanto seu monumental fracasso, na qualidade de Ministro.

Em fim… Se não tá fácil, nem para o excelentíssimo Ministro da Justiça e Segurança Pública, imagina para os meros morais?!?!

5G VITIMA DE FAKE NEWS NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

24/07/2019 às 08h39

Meus caros leitores…

Já pararam para pensar por que a política do nosso país é considerada tão ruim?

A resposta talvez seja simples e todos saibamos, votar corretamente, para não elegermos um biltre qualquer que não faz a menor ideia de porque estão ali e que não tem se quer a decência de mentir para fingir que sabe.

Pois bem, agora preste atenção no que aconteceu em Sana Catariana região sul do Brasil.

Perceba o ponto de desespero do sujeito em mostrar serviço para justificar seu cargo, os deputados estaduais Marcius Machado de Partido da República (PR) e Nilso Berlanda de Partido Liberal (PL), provavelmente preocupados com o tempo ocioso que tinham… Trataram de arrumar um serviço e… Está lá!

Esses dois indivíduos tiveram a brilhante ideia de criar um projeto de lei (Nº 241.5/2019), para proibir os testes e a implementação do 5G (Quinta Geração de internet móvel), no estado de Santa Catarina, estabelecendo multa de até R$ 200 mil para quem instalar redes móveis de quinta geração.

Pois bem; eu não sei como funciona exatamente o trabalho dos deputados, mas imagino que não tenha nenhum chefe cobrando metas, exigindo um número mínimo de leis para serem apresentadas por mês e tal, de modo que pudesse ao menos “justificar” de forma menos vergonhosa esse “magnífico projeto”… Em fim.

O fato é que esses dois mandriões apresentaram esse projeto de lei com a premissa de proteger a nobre população de SC, porquê o 5G é perigoso e assassino, e sabe como eles chegaram a essa brilhante conclusão? Pasmem.

De acordo com as fontes de pesquisa deles: “A rede 5G é pior do que VC pode IMAGINAR | Dr Lair Ribeiro” no YouTube, isso mesmo no YOUTUBE, um vídeo de onze minutos da mais baixa charlatania dizendo que: “Morreram cerca de 500 pássaros em 2 minutos após um teste do famigerado 5G na Holanda”.

De fato, no final de 2018 na cidade de Haia na Holanda 337 aves foram encontradas mortas em um parque da cidade, a causa da morte das aves ainda é desconhecida, mas perceba que não houve menção a testes do 5G para uma nova rede móvel, logo, pode ser descartado como causa da morte.

E não para por aí, como se não pudesse ficar pior Machado diz que essa informação não é “fake news”, e que “há diversos estudos, inclusive com pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que comprovam que o 5G é de alguma forma nociva para a saúde humana”, entretanto o deputado não apresentou nenhum estudo nem os mencionou na justificativa do projeto de lei.

Diante de tanto vexame seu distinto companheiro Nilso Berlanda, tratou de tirar o corpo fora (ou tentar), depois de perceber o tamanho daaa…. Enfim. O mesmo pediu em requerimento ao presidente da ALESC (Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina) que “sejam tomadas as providências a fim de que seja retirada sua assinatura de apoio ao PL 0241.5/2019”, alegando que o projeto não é de autoria do seu mandato, e sim, de seu colega parlamentar Marcius Machado.

Não achando que a vergonha tenha sido suficiente, o deputado Marcius Machado declarou que o projeto de lei continuará na ALESC e não será retirado. O que nesse caso o próximo passo será enviar para diligências, ou seja: significa que o deputado vai repassá-la a um órgão que possa realizar estudos e coletar provas para tentar dar mais fundamento ao projeto de lei. O objetivo é ter uma ideia melhor dos estudos sobre o 5G, trabalho esse que deveria ter sido realizado antes da apresentação do projeto de lei, para ter um embasamento técnico e teórico do assunto, tendo em vista que a justificativa apresentada pelo deputado tem apenas uma página e cita somente sua fonte de dados axiomáticos…. um vídeo no YOUTUBE.

Um projeto de lei que tem como base um boato disseminado em redes sociais imagina agora se essa moda pega?

Ia ser lei atrás de lei…

  • Enfermeira espalhando vírus HIV. (Lei xxxx/xx multa para mulheres de roupa branca).
  • Envie essa mensagem e ganhe créditos: “Funciona mesmo, acabou de cair no meu”. (Lei xxxx/xx não caiu no meu? Multa para quem enviou).
  • A cada compartilhamento ela vai ganhar R$0,01. (Lei xxxx/xx multa para quem não compartilhar).

PS: Requerimento do deputado Nilso Berlanda pede que “sejam tomadas as providências a fim de que seja retirada sua assinatura de apoio”:

PARADOXO DA FALTA DE PROVIDÊNCIA

20/07/2019 às 10h29

Muito se tem falado sobre a reforma da previdência, quando eu era criança, ouvia os adultos falarem, como esperavam pelo momento em que se aposentariam, que naquela fase da vida, as férias seriam eternas, a vida enfim poderia ser curtida, e aproveitada ao máximo sem grandes preocupações.

Eu por minha vez, claro… imaginava ser sensacional, chegar aos 40 anos e, poder ter férias para sempre. (Sim, para uma criança 40 anos é fim da vida, aceita logo isso). Imagina só, poder ir para praia qualquer dia de semana, poder jogar bola a qualquer hora, visitar amigos, viajar… É de fato a descrição do paraíso, uma dádiva conquistada, somente por aqueles que se dedicaram ao máximo, na sublime arte da labuta.

Só que, na medida em que fui crescendo e aprendendo, cada vez que ouvia essa frase: “reforma da previdência” percebia que a tão falada e imaginada “férias vitalícias” estavam ficando cada vez mais distantes, também pudera, sempre que esse assunto vem à tona novamente, irrevogavelmente é citado um administrador satânico, de uma gestão passada, que por intermédio de algum canalha, desviou ou manipulou o fundo da previdência, e etc, etc.

Bom, à matemática é simples, quando eu era criança, lá no Campo Grande, adultos se aposentavam com 45, 50 anos, e logo agora que está chegando a minha vez (chegando que eu digo é, faltando mais ou menos 15 anos de contribuição, fora… o resto) a coisa muda de novo? Ai não né.

Imagino quantas reformas, ainda não acontecerão, até que finalmente chegue a minha vez, aliás, pensando bem… que vez?

Sejamos honestos e realistas, hoje a idade mínima, para a conquista, desse tão esperado benefício, é de 65 para eles e 60 para elas… fora o tempo mínimo de contribuição, além das outras contas, ora… nos próximos 15 anos, se for seguindo a proporção de crescimento da idade mínima atual, eu finalmente me aposentarei, com aproximadamente 198 anos, e finalmente poderei desfrutar, dos benefícios de ter dedicado uma vida inteira de trabalho e, produtividade, em prol do crescimento econômico da minha nação, poderei finalmente, desfrutar das delicias da melhor idade, e finalmente pôr em pratica, os planos que tinha na bela e ingênua inocência da juventude.

E o mais engraçado nem é isso, pensa comigo…

Fala sério, muita gente está na mesma situação, faltando pouco mais de uma década para conseguir a aposentadoria, e é muito provável que alguns profissionais de fato cheguem até lá, já algumas profissões, por si só tenho minhas dúvidas; Veja bem.

Tenho um tio que é ascensorista num grande prédio no centro do Rio, profissão nobre e de prestigio (é o que ele sempre diz), tenho certeza, de que um dia, de fato, tenha sido realmente de muita importância, ser responsável por comandar uma máquina dessas…

Maaaas, em fim, não sei quanto tempo falta para titio se aposentar, imagino que falte pouco, e que logo ele chega lá, já a profissão deeele… Bom esse com certeza vai se aposentar antes, afinal essa, é só mais umas das inúmeras profissões, que estão sendo devoradas pela modernização, dessas novas tecnologias sociopatas, que como tal tem um apetite voraz, consumindo tudo (e todos) que pode ser substituído, pelas maravilhas da fria automação.

Imagino titio, que não consegue, sequer compartilhar aquele vídeo, que ele achou engraçado no grupo da família, perdendo seu trabalho para um concorrente desse naipe?

E o mais irônico é que: Nesse caso, ele não perderia o emprego, o emprego que perderia o emprego, ou talvez e ainda mais midiático, a profissão tenha finalmente se aposentado?

Esse é o mundo em que vivemos, máquinas quase humanas, substituem seres humanos, pois governam suas habilidades, enquanto mentes desumanas, governam o destino de milhares de pessoas, que num passado distante, sonharam em se aposentar aos 40 anos de idade… Ou quiçá simplesmente… SE APOSENTAR.