Revista Statto

SOLITUDE DURANTE AS VIAGENS

06/09/2019 às 08h55

MERGULHE NESTE HORIZONTE.

Eram 8 da manhã, 10 de março de 2019, acordei com o barulho da balada eletrônica junto com o meu hostel em Vilnius na Lituânia – se alguém se interessar B&B&B&B&B. E decidi ir para Trakai, uma cidade há 30 km de Vilnius, que foi a capital do Grão-Ducado da Lituânia nos anos de 1.321 a 1.323.

Fui até a rodoviária comprar a passagem, mais uma vez, ninguém entendia inglês ou sabia me explicar algo. Ao entrar na van, todos estavam viajando com alguém, apenas eu estava sozinha. Me perguntava por que o dia havia começado de ponta cabeça.

Ao descer na rodoviária, fui andando pela rua 84 Vytauto até o Lake Galvė (lago Galvė) e pela primeira vez vi um lago congelado. Não sei descrever a sensação de ver o lago todo branquinho.

Meu coração palpitou. Marcavam -2º com sensação térmica de -6º. E eu? Despreparada, sem roupa térmica. Naquele momento, pensei que morreria de frio.

Minha mente ficou sem pensamentos por minutos. Vazia. Apenas conseguiria sentir frio – e muito frio. Sentei na beira do lago e comecei a refletir sobre o que estava fazendo da minha vida: Aos 23 anos, estava em um país que nunca havia ouvido falar, em uma cidade de 6 mil habitantes que sequer sabia que existia. Senti nas minhas mãos a palavra LIBERDADE – podia fazer o que eu quisesse, ali, do outro lado do mundo, sem ninguém me conhecer ou sem ninguém opinar sobre a minha vida.

Consegui sentir no fundo da minha alma que eu era um passarinho livre. E eu, profissional da área de planejamento, que seguia a risco meus calendários, me vi sem rotina, podendo escolher meu itinerário e a que horas poderia comer. Mas ao mesmo tempo, haviam outros sentimentos juntos comigo: nunca havia me sentindo tão sozinha e perdida.

Mas nesse momento, percebi que na verdade, estava assim porque eu não gostava de sair comigo mesma – nunca tinha tentado. Nunca havia me chamado para jantar. Nunca tinha curtido andar sozinha. Nunca tinha percebido o quanto a minha própria companhia é divertida.

Andando pelos lagos Luka e Totoriškių, estava completamente sozinha, não havia nenhuma pessoa. E compreendi que aquela realidade seria a minha por mais 5 meses e eu precisava começar a ter momentos de solitude.

De frente para o castelo, com inúmeros mitos e histórias trágicas de amor, permiti um mergulho profundo na minha própria alma. Embarquei na jornada rumo ao meu autoconhecimento, encontrei luz e escuridão dentro de mim. Após uma tarde incrível, com uma visão extraordinária, revi a aceitação de mim mesma e meu amor-próprio.

Ao pegar o ônibus de volta, só conseguia agradecer pelo dia em que a forma de me relacionar comigo mesma mudou completamente.

Como está a sua relação com a solitude? O que te impede de curtir um momento consigo mesmo? Você não precisa viajar e estar em Trakai para pensar a respeito disto. Hoje é o dia ideal para você marcar um horário consigo mesmo na sua agenda!