Revista Statto

DEUS É BOM E AMOROSO

08/03/2019 às 15h09

Aqui no Calçadão tem um cantor que passa os dias a gritar, a todo pulmão, que “se você não fizer isso vai para o inferno”, que se “você não acreditar naquilo Deus vai te castigar” e outras ameaças terríveis!

Além do cantor ser bem fraquinho, suas ameaças são absurdas, pois quem leu qualquer coisa da Bíblia sabe que Deus é bom e amoroso, generoso e não vingativo.

Quando alguém reclama de seus berros, fica injuriado e só falta remeter o atrevido direto para o inferno. Afinal, ela é gerente do local!

Sei que as religiões, ao longo dos séculos, usaram dessas ameaças de inferno e castigos como forma de convencer tortamente as pessoas a agirem corretamente, de serem honestas. Mas, por Deus, isso já passou!

Deus nos deu livre arbítrio, ou seja, capacidade para decidir entre o bem e o mal, e nos indicou o caminho do bem e do mal, cabendo a cada um de nós assumir as responsabilidades pelas escolhas que fazemos.

Quem fizer o bem terá boas possibilidades de receber o bem, quem fizer o mal terá boas possibilidades de receber o mal, mas não há certeza nenhuma nesse sentido. Quanta gente boa sofre mais do que merece e quanta gente ruim se delicia com o que não merece!

Tem gente que adora ser ameaçado com fogo do inferno (nem sei se isso existe de fato ou é mera alegoria para assustar os trouxas!), como argumento para acreditar em Deus e fazer o bem, mas eu odeio isso e quem usa dessa técnica.

Existem tantas verdades, tantas histórias de amor, tantos exemplos de generosidade, tantas recompensas aos justos, porque diabos o cantor do Calçadão tem de passar vociferando e ameaçando com o demônio e o inferno?

Fale de amor, de generosidade, de respeito, de perdão, de solidariedade.

Tenho certeza que as pessoas te achariam menos chato e mais positivo.

Alguém vai dizer: Coitado, está ganhando a vida! Ok, mas não poderia ganhar a vida sem o demônio como argumento?

Meu pai já dizia: Quem muito chama o Demônio para os outros, acaba recebendo-o para si.

Pronto, falei!

Adede Y Castro

Por

@adedeycastro Santa Maria/RS

NEGOCIAR ATÉ QUE POSSÍVEL!

25/02/2019 às 17h49

Já começo dizendo que não apoio Maduro, pois ele é um idiota irresponsável e um criminoso, podendo ser acusado de genocídio do próprio povo.

Mas, surpresa, também não apoio, ao menos por ora, qualquer medida de caráter militar para invadir a Venezuela.

Existem limites, há muito ultrapassados, de respeito à soberania de um país, quando flagrantemente o povo está morrendo de fome, quem tem dinheiro não consegue comprar nada pois nada existe nas prateleiras dos mercados.

Alguns reclamam que o governo brasileiro acolhe venezuelanos que estão fugindo de seu país, outros que o governo brasileiro não invade a Venezuela para salvar o povo de lá. Ora, devemos salvar os venezuelanos ou não?

O exército venezuelano tem lançado bombas que atingem o território brasileiro, visando atingir seus cidadãos e alguns brasileiros que os apoiam e que pretendem ingressar naquele país.

Ao lançar bombas que atingem o território brasileiro, não estaria o exército venezuelano agredindo o Brasil e dando-lhe legitimidade para atacar? Mas, o governo brasileiro ao permitir que cidadãos venezuelanos postados em território brasileiro atirem pedras e bombas caseiras contra os soldados venezuelanos postados do outro lado da fronteira, não estaria apoiando agressões ao país vizinho?

Ou seja, a coisa é muito mais complexa do que parece, sendo uma solução simplista e irresponsável defender que os soldados brasileiros invadam a Venezuela!

Por isso acho que, por ora, agem bem as autoridades brasileiras em investir no diálogo, por maior que seja a vontade pessoal de atirar uma bomba na cara do ditador.

O governo tem que agir, como tem agido até agora, com visão de país, e não de vingador.

Recém iniciamos lenta e dolorosa saída de uma das mais sérias crises econômicas de nossa história, que deprimiu fortemente a atividade de empresas e gerou milhões de desempregos.

Tudo o que não precisamos, nessa hora, é uma guerra suicida, cara e socialmente insustentável com um país vizinho. Não se enganem, no momento em que houver invasão militar da Venezuela, China e Rússia vão mandar tropas. E, daí a lambança será enorme.

Todo mundo sabe a hora de entrar em uma guerra. Ninguém sabe a hora de sair.

Muita calma, pressão política e negociação diplomática que o ditador cai de maduro, mais cedo ou mais tarde.

Adede Y Castro

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@adedeycastro Santa Maria/RS

APROVEITADORES DA TRAGÉDIA DE BRUMADINHO

30/01/2019 às 22h03

Pensei em deixar passar alguns dias da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, para me manifestar sobre ela, até para ter uma visão mais ampla do assunto.Por evidente que sabemos da tragédia através dos meios de comunicação que, por mais sérios e honestos que sejam, sempre podem trazer embutidas opiniões pessoais distorcidas por visão parcial e interesses vários, entre eles, o político.

   Não sou daqueles que demonizam a atividade política, pois, essa é extremamente necessária para a aprovação de leis, fiscalização e direção das atividades de governo, mas, infelizmente, já temos notícias de pessoas que tentam tirar proveitos partidários da desgraça alheia.

   Alguém errou, e errou feio, porque atestou em dezembro de 2018 que a barragem de rejeitos estava estável e sem riscos de rompimento, e pouco mais de um mês depois ela rompe, sem que tenha havido nenhum terremoto, chuvas exageradas, atentados, etc.

   Mas, no momento, o mais importante é tentar salvar as vítimas e recolher os corpos, deixando às autoridades investigativas a função de fazer os levantamentos necessários para, em seguida, responsabilizar civil e criminalmente os eventuais culpados, que esses existem, sem dúvida.

   Não é momento para ataques a esse ou aquele governo, de reclamar de auxílios internacionais, tentar colocar forças de segurança em luta por “ibope”, destacar pequenas e insignificantes diferenças, ou seja, colocar fogo no circo.

   Pensem nas famílias destroçadas pela tragédia.

   Não estou advogando irresponsabilidades, apenas propondo uma trégua no ódio que grassou e grassa nas redes sociais entre direita e esquerda, entre eles e nós, entre ricos e pobres.

   Nesse momento somos todos Brumadinho!

   Passado o choque e concluídos os trabalhos mais urgentes de resgate de vítimas e de corpos, fica liberada a guerra de egos, as acusações mútuas com e sem provas, a carnificina político-partidária que, infelizmente, tem caracterizado nossas relações nos últimos três anos.

   Parem de tentar faturar política e partidariamente com a tragédia.

   Deus está vendo.

   Coisa mais feia e desumana!

Adede Y Castro

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@adedeycastro Santa Maria/RS

FAKE NEWS

16/01/2019 às 20h58

Na sociedade dita séria e consciente e, ultimamente, na classe política e nos órgãos de controle eleitoral, cresce a preocupação com as notícias falsas, as conhecidas “fake news”, melhor traduzidas como “notícias fabricadas”, que causam enormes prejuízos às pessoas, empresas e instituições.

Na verdade, notícias falsas ou fabricadas com o objetivo de prejudicar alguém sempre existiram, através de “bocas de Matilde”, cartas anônimas e boatos que correm “como rastilho de pólvora” sem que se possa identificar de onde vieram.

Muitas reputações ilibadas, e outras nem tanto, foram destruídas por fofocas e notícias falsas, enquanto outras foram construídas com base em qualidades não verdadeiras.

Claro que, modernamente, os meios de comunicação de massa, notadamente internet, e aí as redes sociais (muitas vezes mais parecidas com redes antissociais!), facilitam enormemente o alcance, a rapidez e, por consequência, os danos muito mais relevantes.

O controle sobre as “fake news” será extremamente difícil, talvez impossível, porque podem esbarrar no direito constitucional de livre manifestação (sem olvidar que liberdade de manifestação não implica em irresponsabilidade civil e penal pelo que se diz).

Vejam que não estamos falando de conceito desfavorável sobre arte, música, teatro, beleza física ou outro de caráter subjetivo, mas de fatos não verdadeiros que prejudiquem pessoas, como acusação de corrupção, cometimento de crime, etc., que não tenham base na realidade e que muitos de nós, por ingenuidade ou maldade, acabamos por criar ou divulgar.

Não desprezo a possibilidade de construção de algum instrumento legal que, a despeito de respeitar a liberdade de expressão, consiga minimamente limitar a criação e a divulgação de notícias fabricadas.

Mas, sem sombra de dúvida, apenas a responsabilidade, a honestidade e a consciência social de cada um poderá, de forma sustentável, reconstruir uma sociedade menos fofoqueira e mais solidária.
Sou um sonhador, fazer o quê?

 

 

Adede Y Castro

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@adedeycastro Santa Maria/RS

Canalha, ingrato, eu?

18/12/2018 às 06h00

Diz a história que os cabos eleitorais de Ademar de Barros, político paulista da década de 1950, afirmavam, antes a acusação de que ele era ladrão: “Rouba, mas faz! ” Eita, que falta de vergonha na cara!

Mas, por mais absurdo que seja, tem muita gente que defende o direito de roubar dos cofres públicos desde que o sujeito reparta, um “tiquinho”, com os pobres. Ou seja, seja uma espécie de Robin Hood. Só que quem mais perde nestes roubos são exatamente os mais pobres, quando deixam de receber saúde, educação, segurança e outros direitos básicos.

Eu não estaria autorizado a reclamar dos ladrões de dinheiro público se eles têm uma história, verdadeira ou falsa, de ter trabalhado pelo bem da Nação. Sou ingrato, canalha.

Por Deus, quando o sujeito se elege, é nomeado ou faz um concurso público, passa a ter inúmeras vantagens, justas e não justas, para exatamente administrar o dinheiro público com honestidade. Se fez alguma coisa, e normalmente faz, não fica imune à punição por delitos praticados, durante ou fora do cargo público.

Não advogo, tratar honestos da mesma forma que os desonestos, mas os ladrões de dinheiros públicos causam mais dano à sociedade do que os ladrões de rua, os assaltantes, os estupradores e traficantes. Todos são maus, mas os que receberam cargo público prometeram agir dentro da lei, de serem exemplos para o povo em geral. Destes é que esperamos os maiores gestos de honestidade e respeito, eles deveriam ser nossos espelhos de retidão de caráter.

Quando quem devia dar exemplo, está sendo processado diversas vezes e condenado outras tantas, exatamente porque meteu a mão nos recursos do povo, não é adequado exigir desse mesmo povo, que o desculpe, somente porque ele realizou obras para os quais foi eleito. Ou seja, apenas porque cumpriu sua obrigação.

Não me sinto devedor dos ladrões de dinheiro público. Ao contrário, eu, tu, nós, vós, eles, somos credores desses safados.
Não reconheço aos canalhas que roubaram e aos seus defensores, alguns beneficiados pelos roubos, o direito de me impingir a pecha de ingrato e canalha.

O que eu fiz pela sociedade? Nada, mas o fiz honestamente.

Calem-se!

Adede Y Castro

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@adedeycastro Santa Maria/RS

Feminicídio

30/10/2018 às 12h42

Tenho insistido, em tudo que escrevo, sobre a necessidade de se estabelecer uma relação de respeito pessoal, sexual, moral e físico entre homens e mulheres, correndo o risco, inclusive, de ser interpretado como contrário aos direitos das mulheres, o que absolutamente não é verdade.

Minha história de vida pessoal me permite dizer que amo as mulheres, pois tenho três filhas e uma netinha querida, e todos sabem o carinho que devoto a elas, apesar de algumas “reinações” próprias da condição humana.

Em vista disso, posso dizer que abomino qualquer tipo de violência contra as mulheres, seja praticada por estranhos e, pior ainda, por parceiros, maridos, namorados, ficantes ou qualquer que seja a condição, pois tal demonstra que o mundo ainda é muito injusto e desigual para com as representantes do sexo feminino.

Segundo notícia publicada no site do Tribunal de Justiça, no Estado do Rio Grande do Sul, mais de 150 processos por feminicídio, que é uma qualificadora do delito de homicídio, foram iniciados em 2016, sendo que no Brasil a taxa desse crime é de 4,8 para 100 mil mulheres – a quinta maior no mundo, segundo dados da Organização Mundial da Saúde.

Isso significa que, estatisticamente, a cada três dias, uma mulher é morta no Rio Grande do Sul por agressões perpetradas por homens, quase três por semana, mais de 12 por mês.

Ocorre que uma morte é muito mais que um número nas estatísticas, pois representa sofrimento, dor e descrença na espécie humana, que não evolui para respeitar-se mutuamente. Representa ainda crianças sem mãe, companheiros sem companheiras, solidão, desilusão na capacidade do amor, ódio e incompreensão.

A esse número absurdo de mortes de mulheres pela violência humana, devem se somar milhares que morrem sem atendimento médico e por falta de alimentação, por deficiências de vestimentas e descaso.

Dizem que é chato falar disso, mas não falar disso é criminoso, pois é no silêncio e na omissão que os agressores se criam, se agigantam e se escondem.

Um dia, espero que próximo, possamos parar de escrever sobre isso, e aí teremos um mundo bom, justo e igualitário para as mulheres.

Adede Y Castro

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@adedeycastro Santa Maria/RS

Imigração: um drama mundial

13/09/2018 às 12h05

Daniel Torres diz, na música Fruto do Suor, “tenho um filho desta terra, foi o amor sem passaporte”, e que “a baioneta desenhou fronteiras, a estupidez nos separou em bandeiras”.

No início dos tempos, o homem perambulava livremente pelas terras mais próximas e algumas bem distantes, na luta pela sobrevivência, até que fixaram, pela força, fronteiras geográficas, cidades, países e, com isso, limitações ao acesso.

Não sou ingênuo a ponto de defender total liberdade de ir e vir entre países, pois, certo ou errado, não existem políticas públicas de atendimento das necessidades sociais que resistam ao ingresso massivo de imigrantes, sem uma previsão de recursos adequada e suficiente.

Seria o mesmo que abrigar, em nossas casas, para moradia, alimentação, vestuário e tratamento médico, de todas as pessoas desprovidas de recursos. Temos determinado orçamento adaptado às nossas necessidades, e a chegada de visitantes permanentes “bagunça nosso coreto”.

Assim, não podemos olhar os imigrantes ou refugiados como inimigos, mas também não podemos fechar nossas portas e nossos corações para esse drama mundial que, em alguns países dito civilizados, implica em recolher à presídios e jaulas crianças com dois ou três anos, separados dos pais.

Claro está que qualquer prisão de pais implica em separá-los dos filhos, aqui ou no Japão, na África ou na China, mas é muito triste ver crianças jogadas como animais em jaulas, cobertas com folhas de alumínio e, dizem, em alguns casos, vítimas de abusos físicos e sexuais.

Não existe situação de crise que não possa suportar algum sentimento de solidariedade. Os antigos já diziam que “onde come um, come dois”, de maneira que um país como o nosso, com mais de 200 milhões de habitantes, certamente que não vai ficar mais quebrado do que já está se acolher, com carinho e solidariedade, alguns milhares de imigrantes.

Afinal, basta olhar para o lado e veremos, admirados, que somos um país de imigrantes!

Mais uma vez, Daniel Torres, nos ensina que “cada pedra, cada rua, tem um toque de imigrante, levantaram com seus sonhos, um país que não tem donos”.

Abra seu coração.

Adede Y Castro

Por

@adedeycastro Santa Maria/RS