Revista Statto

TERAPIA TRANSPESSOAL

13/09/2020 às 11h02

 

Antes de começar o curso de Terapia Transpessoal eu não tinha ideia do que se tratava. A única coisa que tinha em mente era que eu queria estudar algo sobre o comportamento humano e aplicar isso na minha vida, depois de quase 20 anos que fiz minha primeira faculdade eu sentia uma enorme vontade de fazer algo que fosse de encontro com meu propósito, estava justamente nessa busca por sentido da vida, assim como milhares de pessoas espalhadas pelo mundo. Mais fazer uma faculdade por 4,5 anos definitivamente não estava nos meus planos, não porque estou escolhendo o caminho mais curto, mais simplesmente porque não surgiu a vontade de passar por esse processo novamente.

Foi então que em uma das minhas pesquisas por coincidência, ou não, eu me deparei com a Terapia Transpessoal, de cara me interessei muito. Se tem mercado de trabalho ou não, se paga bem ou não, se as pessoas conhecem e vão me apoiar ou não, realmente não me importa nesse atual momento da minha vida, pela primeira vez eu tomei uma decisão que nasceu por um proposito maior que é me ajudar a resolver minhas próprias  questões e conflitos, para que eu possa acompanhar outras pessoas nessa jornada da vida, ou seja o laboratório sou eu, sou eu também minha primeira cliente, claro que não há como viver todas as experiências humanas nesse contexto, mais o grau de consciência que tenho hoje e que vai se ampliando com o passar do tempo estou me tornando um acompanhante de Alma, tal qual chamamos na Terapia Transpessoal.

O Terapeuta Transpessoal não é um profissional que conhece o manual completo das patologias ou tem conhecimento sobre psicologia acadêmica. São pessoas conscientes, despertas, que já observaram seus conflitos internos, e sentem- se dispostos a escutar de forma amorosa outras pessoas.

A Terapia Transpessoal trabalha o ser humano como um todo, integrando mente, corpo e espírito. O termo Transpessoal significa além do pessoal, é outra forma de se referir ao espiritual, porém não se baseia em nenhuma crença religiosa e nem seguimento de pessoas supostamente iluminadas, mais faz referência ao amor que brota quando o ser humano está conectado a sua essência, um amor consciente e não condicionado por nenhum tipo de comportamento alheio.

Quando você atinge essa expansão de consciência você sai da superficialidade da mente onde se encontram todos os problemas, isso não quer dizer que a pessoa está isenta de qualquer dificuldade, perturbação, conflito, porém, eles ganham uma dimensão bem menor dentro de uma esfera onde o amor e a lucidez são a bússola indicando o caminho a seguir.

O paciente com o passar do acompanhamento terapêutico utiliza de recursos próprios e ganha autonomia para lidar com qualquer situação por mais difícil que seja. Não há fórmulas prontas, o terapeuta Transpessoal não cura ninguém, pois cada pessoa cura a si mesmo, o que ele faz é abrir espaço de consciência para que nasça um novo EU.

Durante os primeiros seis meses de curso venho sendo acompanhada por uma tutoria semanal que na verdade mais é uma sessão terapêutica do que uma aula, o qual estamos acostumados. Claro que conceitos e teorias são apresentados, mais o foco é “cuidar” do aluno orientá-lo a estar no presente, por isso o Mindfulness é uma das grandes ferramentas utilizadas.

Os resultados em mim já são visíveis, não só para mim que sou a grande criadora da minha nova versão, mais também pelos olhos das outras pessoas, isso mostra a eficácia do trabalho que está sendo realizado, nesse período venho realizando algumas técnicas como a meditação, visualização, escrita consciente, e muita auto-observação. Ou seja, não há recursos fora de mim, claro que a Terapia Transpessoal pode utilizar de outras técnicas, terapias corporais, ioga, massagem terapêutica entre outras para ajudar a pessoa no seu processo individual, o que quero relatar é que temos tudo dentro de nós, as respostas, as curas, nosso Universo Interior é vasto e capaz de produzir mudanças e revoluções e incalculáveis.

Para finalizar posso dizer que para ajudar um ser humano em crise não é preciso ter todas as respostas mesmo porque os pacientes são despertadores dos nossos próprios caminhos, sempre haverá uma troca, e ter esse olhar enriquece essa profissão que crescer cada dia mais, e na minha opinião isso é maravilhoso, não porque cresce a demanda por profissionais mais sim porque cresce o número de pessoas buscando a expansão da consciência e automaticamente se capacitando para ajudar quem precisa.

Ajudando o outro, você ajuda a si mesmo.

DEPRESSÃO NA VISÃO DA TERAPIA TRANSPESSOAL

16/08/2020 às 18h39

A depressão é um dos maiores transtornos psicológicos dos tempos modernos, embora deve ser tratada com medicação adequada, exercícios, mudança de estilo de vida para eliminar os sintomas, temos que observar as mensagens que ela traz, pois algo na relação com nós mesmos, com o outro, com o mundo está desalinhado, em desequilíbrio. Nesse aspecto devemos considerá-la como oportunidade para superar obstáculos que nos impedem de viver uma vida mais plena.

A depressão é a perda do coração, a perda da conexão com nossa essência, é um sentimento de pesar que normalmente deriva da repressão da raiva e de ressentimentos.

Também está intimamente ligada as perdas, como eu já disse a primeira perda é a perda do coração que normalmente está relacionada a tristeza e fracasso que acompanha perdas específicas, como a perda de um ente querido, perda de um trabalho, perda da autoestima, perda das posses, perda das ilusões, e por aí vai.

O que de mensagem principal que eu quero falar a respeito da depressão, não é o seu conceito, e seus sintomas, mais o que precisamos saber em qualquer situação de vida é que todos nós, ou grande maioria de nós colocamos nossos pontos de referência, aqueles que nos dão segurança no outro, ou nas coisas ou nas situações.

Então se qualquer um desses pontos de referência virem a faltar, ou a falhar, nosso mundo desaba, não estamos preparados para perda, não sabemos olhar para a natureza e ver que tudo está em constante transformação, e mudança, e que nós fazemos parte disso.

As marcas da Existência pelos ensinamentos Budistas nos dizem que pela lei da Impermanência, nada permanece igual no plano externo, tudo está em constante transformação, até mesmo o Eu que pensamos ser está em constante mudança, e que o sofrimento é inerente a vida humana.

O sofrimento acompanha o homem no nascimento, na doença, na velhice, na morte, sofremos por não alcançar o que queremos, ou porque somos obrigados a enfrentar o que não queremos, ou porque não conseguimos controlar as circunstâncias.

Ou seja, se tudo está em processo contínuo de mudança, é impossível controlar o que acontece. Não existe nada a que possamos nos agarrar que nos proporcione significado, segurança ou satisfação duradoura. Ter consciência dessa forma de ver a realidade pode não sanar uma dor profunda, mais pode ser o início para encará-la de frente, e transcendê-la.

O tratamento da depressão pela Terapia Transpessoal consiste num conjunto de abordagens, onde vamos identificar sua causa ou possíveis causas e descobrir quais as narrações, construções mentais, interpretações que fazemos diante da experiência que vivemos.

Quais os sentimentos que há por traz das narrações depressivas e trabalhar com eles, seja dor, raiva, medo, impotência, tristeza entre outros.

Quando tratamos esses sentimentos de forma fluida, eles se tornam um caminho a percorrer, quando nós os reprimimos eles se tornam uma barreira.

Nesse sentido a prática da meditação é uma ferramenta essencial, pois ela nos ajuda a não dar ênfase a essas narrações, vamos aos poucos calar nosso crítico interno, aquela voz que está sempre dizendo coisas negativas acerca de nós mesmos e da realidade, que o mundo é ruim, que as pessoas são más, ou que eu não sou bom o bastante.

Vamos desenvolver a Atenção Plena para lidar com as facetas da mente. O que isso significa?

Estar presente, praticar a presença…, mas como assim?

É fácil saber quando não estamos presentes, quando corpo e mente não se encontram, quando você fala, faz, ou até escuta algo, mais a mente está vivendo coisas do futuro e passado.

A Atenção Plena desenvolve em nós um ceticismo saudável para com as facetas da nossa mente, pois acredite, a sua mente, mente…

Não confie totalmente nela! Questione sempre que for possível, é claro que inúmeros acontecimentos nos causam tristeza, mais se não for o caso, e você se sentir triste, duvide desse sentimento, ou de pensamentos que te causam maior tristeza, mude o que está fazendo ou pensando e tente ver o que acontece, a prática vai te mostrar que na maior parte das vezes sua mente está criando ilusões. E não estou falando aqui de apenas pensar positivo, pois não funciona, os pensamentos negativos funcionam em nós de duas formas, ou são interpretações equivocadas da realidade, ou são uma seta para que ficamos em alerta a respeito do que estamos sentindo para ter essa qualidade de pensamentos, se for esse o caso, não convém eliminá-los, e sim, substitui-los sempre que possível e investigar sua causa.

E por fim eu diria para abandonar os pontos de referências que apoiamos nossa felicidade, podemos amar a vida que temos, as pessoas o trabalho, a casa que vivemos, mais com consciência que se ela amanhã não for a mesma, se por exemplo   um vírus surgir e tudo que parecia estável se encontra fora do seu controle, e você tiver que mudar de cidade, mudar de país, vender sua casa, mudar de relacionamento, a vida vai seguir seu fluxo…e temos que nos adaptar a ele.

Eu sei que falar é fácil, mais não vejo outro meio de seguir a vida por mais tortuosa que seja seu percurso. Não espere tudo ficar em harmonia para se sentir bem, se sinta bem, faça isso por você e paz e a harmonia virá.

TRANCE E O ESTADOS ALTERADOS DE CONSCIÊNCIA

20/05/2020 às 18h17

Quando eu li o artigo da Mariana Verzaro Neurocientista, eu fiquei impressionada, até então eu não conseguia explicar o motivo  da música “Trance” mexer tanto comigo, desde muito nova gostava de música eletrônica, mais foi o trance  que é uma vertente da música eletrônica que trouxe experiências fantásticas e a maioria delas em momentos aleatórios como por exemplo, durante o  trabalho em plena terça feira, com fones de ouvido e passando uma pilha de roupas ou até mesmo um dia em que eu estava limpando o jardim da casa que eu trabalhava na época, momentos nada sugestivos digamos assim para  entrar em estados de consciência diferentes do normal, ouvindo música.

Bem, no artigo da neurocientista, ela cita algo que veio a conectar a minha experiência com a música. “O trance é um dos estilos musicais que revive o conceito original da música onde os ritmos são usados para alterar estados de consciência e trazer a espiritualidade e dissociação.”

Inúmeras vezes ao ouvir uma música trance eu chorei de emoção, eu me “perdi na música” ou dancei me levando pelas ondas progressivas do ritmo.

Todas essas sensações não são meras coincidências, o trance pode trazer um transe hipnótico no ouvinte, por isso a origem do seu nome.

Quantas vezes eu tentei falar explicar para amigas ou pessoas próximas mais nunca consegui de fato, o quanto a música me eleva para estados ampliados de consciência, onde sinto a energia vibrar em todo meu corpo principalmente no topo da cabeça.

A explicação é, o trance é mais voltado para a percepção sensorial do que racional, o objetivo é despertar emoções e estados mentais sem o uso das palavras ou sem compreensão das mesmas.

Eu também amo a música trance com vocal, porque ao contrário do que as pessoas podem pensar, muitas das letras falam de amor, e nos conectam com algo maior, já ouvi músicas que mais parecem uma prece, ou a voz de Deus nas entrelinhas da melodia.

O que mais me chamou nesse artigo e o que me levou a escrever esse texto, é que, primeiro eu AMO Trance, e no fim das contas somos conectados com aquilo que ressoa do nosso coração e não da nossa mente, e o trance me conectou com o caminho da Terapia Transpessoal.

O que tem haver uma coisa com a outra?

A objeto de estudo da Terapia é justamente esse estado alterado de Consciência, pois é nesse estado que na terapia chamamos de Transpessoal vamos conseguir efeitos poderosos de cura, não so a nível pessoal, como a expansão da consciência entre outros benefícios.

Estados alterados de consciência se consegue de diversas formas como exemplo, meditação, técnicas respiratórias (respiração holoscópica), uso de certas plantas, drogas, religião, músicas, e etc.

Existe uma associação muito grande ao uso de drogas e as raves espalhadas pelo mundo, talvez um dos motivos que a música eletrônica é “mal vista” por muitos. Mais o fato é que esse estilo musical, no caso o Trance ou diria o Puro trance e não suas vertentes, é uma música estudada para estimular as ondas theta do cérebro, ondas que no sono nos levam para os sonhos, para outras dimensões de realidade, ondas que podem ajudar a aliviar stress, sendo assim um alivio para uma mente barulhenta.

Muitos podem pensar, como assim você vai relaxar ouvindo trance? A resposta é sim, há uma dissociação do corpo e mente, você literalmente “viaja ” na música, por isso tantas vezes falo, o trance me eleva, eleva meu estado de espirito, me conecta com a fonte numa vibração alta, que muitas vezes me faz chorar, e não é um choro de tristeza e nem de alegria, é um choro de gratidão por me sentir parte de um todo, e grata por entrar nesse estado de graça.

GANHAR O MUNDO É GANHAR A SI MESMO

11/05/2020 às 09h40

Olhando para o meu passado, eu posso dizer que falhei em vários pontos e escolhas da minha vida, sim tive várias conquistas também, mais o foco desse texto é a seguinte reflexão

Faz diferença se alcançamos nosso propósito externo? Se fomos bem-sucedidos ou se fracassamos?

“Ganhar o mundo e perder a alma” será o melhor caminho?

E se eu falhar no meu propósito externo e ter pleno sucesso em meu propósito interno?

Eu tenho muita gratidão pelos meus pais, eles são incríveis e fizeram tudo para que eu fosse uma pessoa de sucesso, me incentivaram, me apoiaram, e falando francamente me bancaram por 26 anos, isso mesmo. Eu saí de casa com 26 anos de idade para morar fora do pais.

Com essa idade eu senti o peso de ter “fracassado” na minha carreira, foi duro de aceitar e assimilar, na verdade eu só consegui olhar para essa questão depois que comecei a fazer terapia. Eu descobri várias coisas sobre mim, inclusive que eu não gosto de Turismo, (meu curso de graduação) agências, vendas, competição, então como eu poderia me formar me algo que engloba tudo isso?

Hoje está bem claro que eu jamais ia ter sucesso nessa área, porque simplesmente eu não tenho nenhuma afinidade com a mesma. Na verdade, não gosto da ideia de ser empregada e nem de ser chefe de ninguém lidar com ambiente de empresas, cumprir horários, passar o dia todo trancada em um escritório, enfim, tenho uma lista de coisas que eu não me encaixo nesse mundo engessado de trabalho, principalmente que essa engrenagem não desperta aquilo que temos de mais precioso, o Ser e não o Ter.

Cheguei em Londres em 2007, com a intenção de ficar dois anos, trabalhar, comprar um imóvel e voltar para o Brasil,  fiz outra escolha errada, não a de ter vindo pra Londres, mais de  ter investido meu tempo, meu suor ( fiz muita faxina por aqui) vivendo no piloto automático, trabalhando em função de um “sonho” que não exatamente iria me trazer felicidade satisfação, talvez   “segurança” de alguma forma,  Não vejo essa objetivo mais como foco de uma vida toda, a essa altura eu nem sabia quem eu era, o que me fazia bem, me apoiava em pessoas, nunca em mim mesma.

No ano de 2010 de volta ao Brasil tive que vender o que eu já tinha pago nesse apto e voltei a estaca zero, na verdade pior ainda, porque a essa altura eu estava com 30 anos, sem experiência na área do Turismo, ou em qualquer outra, sem grana e desmotivada.

Voltei pra Londres em 2012 para sofrer um pouquinho mais até aprender. Isso mesmo, o Universo vai te testar até você aprender a lição. Obrigada Deus, porque meu aprendizado, minhas quedas e superações foram e são muito leves comparadas as pessoas que passam por tragédias, problemas de saúde ou perdas dolorosas.

Mais uma vez entrei no ciclo vicioso de trabalhar sem motivação, apenas como meta o dinheiro no final da semana, com essa atitude eu só reafirmei meu fracasso financeiro. Mais nem tudo foi ruim, consegui me bancar e ser independente, consegui viver a montanha russa de emoções que é morar longe do seu pais de origem, convivi com pessoas que me ensinaram aquilo que eu não quero ser, conheci a solidão em muitas ocasiões, e aprendi a lidar com ela, mais também vivi intensamente,

Encontrei um companheiro que conseguiu tirar de mim o meu melhor e meu pior lado, passei   a enxergar minha sombra, meu ego minhas máscaras…, minhas dores, mais também minha natureza suave e radiante e toda minha sabedoria interna.

Nasceu a flor de lótus em meio ao lama

E hoje agradeço ao meu “fracasso externo” pois foi atravessando, observando, acolhendo todas essas sensações não muito agradáveis que hoje eu falo em transformação, renascimento… e tenho agora a sensação de que estou começando a viver a melhor versão de mim mesma. Não que esteja tudo resolvido, a verdade é que nunca estará, é apenas o início de uma nova etapa, jornada em que vou acompanhar pessoas, despertar nelas a sabedoria interna que por experiência própria eu sei que existe.

Na Terapia Transpessoal o terapeuta é um paciente profundo. A terapia nunca vai cessar para mim. Estou em constante análise dos meus próprios processos internos.

O ponto de conclusão sobre fracassar ou não, ser bem-sucedido ou não é.

O proposito externo está condenado a fracassar mais cedo ou mais tarde, simplesmente porque está sujeito a impermanência de todas as coisas, ao contrário do propósito interno, que traz satisfação duradoura.

Quando falo de proposito interno falo de inúmeras coisas, uma delas é me sentir parte de um todo, me sentir conectada com a criação, viver mais no presente, compreender que a morte não existe, olhar o outro com menos julgamentos, ser mais minha amiga, aceitar que fracassei, que errei e erro, estar do meu lado nessas ocasiões, não entrar em  jogos de competição e Egos pois se não prestamos atenção somos arrastados invisivelmente, pois o jogo de quem pode mais, quem é mais, nos convida a entrar, sentar e tomar café e quando você se distrai está pagando uma fortuna por um relógio que faz a mesma função do seu celular, mais como você aceitou o convite feito pelo Ego, você acaba comprando, e olha que eu não caio nessa a muito tempo,

O propósito interno faz você perceber que está tudo bem do jeito que está, que você tem recursos para lidar com qualquer situação que lhe apresente, mesmo que esta seja dolorosa, você flui com o fluxo da vida, e mesmo tendo metas, objetivos e sonhos, não existe pressão interna e nem externa para atingi-los.

Foi através do fracasso externo que voltei para o meu proposito interno. E hoje construindo outros sonhos vejo que mesmo que eles não se concretizem o caminho pode ser tão gratificante quanto o fim, não tenho expectativa que algo lá na frente vai me preencher pois estou vivendo conectada com algo maior, os interesses não são mais guiados puramente pelo meu interesse pessoal, não me identifico mais com meu melodrama interno, ou seja não dou poder aquela voz que quer me colocar para baixo, ou que quer ser vítima das situações.

Então se eu puder dar um conselho seria, invista em si mesmo, olhe de perto quem você é, com suas sombras e suas luzes. Pergunte a si mesmo. Quem eu sou? O que eu quero? O que me move nesse mundo? O que tenho que mudar. Por experiência própria, a resposta virá, o nosso Inconsciente trabalha a nosso favor se soubermos nos conectar a ele, conviva com sua dor, aceite por vezes que a arrogância, a inveja, o egoísmo nem sempre está fora, muitas vezes começou em mim aquilo que eu criticava no outro, o problema nunca está no outro, está em mim, as vezes dói descobrir que eu não sou uma pessoa tão boa quanto achava, tão evoluída, tão espiritualizada, quanto eu achava. Um dos ensinamentos que a terapia Transpessoal me trouxe foi, não negue seu Ego, por causa de um ideal de pessoa “amorosa e espiritual” quando isso acontece o que se revela é um “espiritualismo” que nada mais é que um Ego reprimido e disfarçado de santo, isso pode até provocar neuroses e distúrbios. Vemos muitos “mestres espirituais” e “líderes religiosos” que pregam uma coisa e fazem outra, porque reprimem aquilo que precisa ser vivido e superado, ou transcendido.

Mais isso não está só nos mestres não. Fazemos isso o tempo todo, reprimimos a nossa vontade, não vivemos as experiências que queremos, e apontamos o dedo para o outro que se permite ser e viver da forma que não é “bem vista” pela sociedade

E se você se der conta disso já está começando a se descobrir e se livrar da dor, do vazio, da angustia, porque eu posso dizer que pelo menos até onde eu cheguei é espetacular, não há dinheiro, nem casa, nem “segurança” nem viagem para lugar nenhum que se compare a essa experiência de crescer em sabedoria.

O QUE FAZER COM A DANÇA DE OPOSTOS?

09/04/2020 às 08h50

Sempre fiquei intrigada em ter quer escolher um lado das coisas, em ter que opinar sobre tudo e pegar um lado para defender ou atacar, tomar posição, partido, ou mesmo a escolha de nenhuma das opções também é outra escolha.

Acho que desde pequena, sempre fui calada, e observadora, quase nunca falava, preferia ver, ouvir do que emitir minha opinião, quando criança essa atitude era normal digamos assim, aceita. Mais com o passar do tempo comecei a perceber que para ser “aceita” vi que era necessário falar mesmo quando eu não achava relevante. Para não parecer sonsa, “sem personalidade” comecei a falar o que as pessoas queriam ouvir na maioria das vezes, opinar, dar conselhos e pegar um dos lados, isso é certo, isso é errado, isso bom, isso e mal, isso e feio isso é bonito, isso é de Deus, isso é do diabo… e por aí vai.

Durante muito tempo eu estive em um desses lados, para me sentir confortável protegida, e para fazer parte, seja de um grupo de amigos, da faculdade, grupo de trabalho ou grupo familiar.

De um tempo para cá comecei a estudar e ver que não precisamos estar nesse jogo, escolher lado nenhum, nem opinar, nem criticar e muito menos julgar, por mais que uma situação pareça ir totalmente contra nossos princípios. Comecei a me sentir melhor por estar em uma neutralidade, e olha que mesmo assim as pessoas julgam e dizem que você não pode ser assim, afinal não escolher, ficar no meio, ficar neutra, ficar em cima do muro, isso é para os fracos, para quem não quer se comprometer, pra quem tem medo de opinar, pra quem não sabe o quer, o legal são as pessoas que falam o que pensam, que são decididas naquilo que acreditam e vão até o fim para defender seu ponto de vista, doa a quem doer, e ainda se intitulam de boca cheia “Eu sou sincera” ” Eu falo mesmo”.

Eu mesma pensava isso de mim e queria atitudes que as vezes eu tomava ou falava justamente para sair desse local de imparcialidade que é visto na maioria das vezes como fragilidade.

Mais hoje vejo que uma coisa é você ser indiferente, que é uma mistura de desinibição e desinteresse, outra coisa é você procurar um ponto de intermédio entre os polos e mesmo assim vê-los vibrar, o que quero dizer é, você observa as coisas e acontecimentos ao seu redor, sem um Sim e sem um Não apaixonados, sem identificação. Se preferir falar, tudo bem, mais não com a paixão de quem não vê o todo, as partes, o outro lado.

Eu por exemplo acho extremamente importante as mulheres se apoiarem, buscarem seus direitos e espaços, nem vou entrar no mérito feminista, a meu ver a mulher acima de tudo precisa buscar dentro de si sua autonomia, sua força, sua paz, sua beleza, e a partir daí tudo ao seu redor modifica, pode ainda sim ter desigualdades, mais até essa diferença será vista sob outro ângulo.

Ou seja, eu não estou em nenhum dos lados desse embate quando eu tomo essa postura, e vida que segue.

Se a gente olhar bem, tudo pode ser observado de fora, sem pegar pra si um parte, pois quase na maioria das vezes alguém sai ofendido, insatisfeito, chateado, humilhado. Se a gente olhar com cuidado as polaridades juntas formam uma unidade, por exemplo, o feio e o bonito são coisas “separadas”, porém, um não existe sem o outro, se não houver o bonito que parâmetro vamos ter para dizer que algo é feio, a luz e a escuridão, só existe escuridão porque existe luz, são coisas “separadas” que formam uma unidade, pois um, não existe sem o outro, o julgamento só nos humanos o fazemos.

Aprofundando mais esse assunto, eu diria que nosso Ego não permite ver a unidade, a consciência separa tudo em opostos e nos coloca em constante conflito, e por isso constantemente estamos optando por um dos polos, mais ai que está o começo de uma grande transformação, começar a treinar nossa mente, a ver a vida, seja lá qual for a situação, até mesmo uma doença que não é algo ruim nem bom, simplesmente é…. não classificar  as coisas, vê-las de forma a aceitar o que elas trazem, venho colocando isso em prática principalmente agora nesse período do Corona vírus.

Se a gente ver bem, tudo isso traz uma mensagem para nós, eu só lamento quem não para pra pensar nisso, independentemente de estar ou não com o vírus, esse desequilíbrio tem algo a nos dizer, a doença a eminência da morte, vem pra derreter nosso Ego, pra nos fazer calar, ouvir, pensar, e a atitude de muitos revela o que está dentro, o que precisa melhorar, mudar, agir.

Será necessário entrar em pânico e causar o pânico para outras pessoas, e vejo que muitas vezes esse pânico está em atitudes sutis que aparentam inofensivas mais que na verdade carregam medo e incerteza de pessoas que também não sabem o que fazer, mais se não sabe o que fazer, melhor não fazer nada, por outro lado também ficar indiferente ao que está passando não é saudável, uma vez que você nega algo que precisa ser olhado de frente. Esconder ou fingir que está tudo bem não vai derrotar o “inimigo”

Quando estamos sob pressão, se permitirmos que a obscuridade, a dor e as dificuldades sejam os nossos mestres, podemos descobrir grandes dons.

Daí as palavras de Joseph Campbell:

Só mediante a descida ao abismo, recuperamos os tesouros da vida.

Ali onde tropeças, está o teu tesouro.

A mesma caverna onde te assusta entrar

É a fonte do que Vive plenamente a tua vida”.

Assim, pode acontecer que muitos dos planos que fizemos na vida e muitas coisas que queríamos fazer não se concretizem. Mas os lugares onde fomos acabarão por ser os mais adequados para nós. A confiança em algo maior que nos guia e nos sustenta é a base para nos apoiarmos perante qualquer dificuldade no caminho.

Ver a dança dos opostos como algo que devemos integrar dentro de nós, é um caminho a ser percorrido.

Hoje busco a cada dia dar menos poder as polaridades, principalmente quando está todo mundo dizendo que isso é certo ou errado, desconfie, questione, pense, e observe, e só observe mesmo.

O objetivo do ser humano é tomar consciência das coisas, não mudar as coisas. Não há nada a mudar a não ser a própria visão, essa visão que é capaz de observar diferentes polos: paz e guerra, saúde e doença como sendo o mesmo.

SERÁ QUE VOU SER FELIZ VIAJANDO PARA ILHAS MALDIVAS?

01/03/2020 às 23h29

Desde que nascemos procuramos evoluir, quando bebê instintivamente buscamos nossa Evolução em todos os aspectos e na fase adulta vem a carreira, os relacionamentos, o reconhecimento, e para alguns um sentido maior de sua existência, todas as fases implicam atingir algo que não tínhamos no estágio anterior.

Nesse meio termo que se chama vida, vamos ter momentos felizes, momentos de prazer, momentos de alegria, satisfação, seja pelas conquistas ou pelas próprias experiências que vamos passar dentro do ambiente familiar, de amigos, de trabalho de laser.

Poderíamos estar no melhor momento da Humanidade, temos um avanço tecnológico jamais visto, temos todos os recursos disponíveis para ter uma vida ” FELIZ”, mesmo ainda com imensas desigualdades, a humanidade no geral, usufrui desse avanço. Então, o porquê de tantos conflitos internos e problemas entre nós? Qual a razão de tanta dor, não dor física, mais uma dor que deriva de um vazio que não é preenchido por bens e conquistas materiais.

Quem nunca ouviu falar de pessoas com muito dinheiro   muita fama, muito prestígio que chegou no “topo” e não avistou nada lá de cima. Não há nada de errado em ter dinheiro, em ter fama, em ter sucesso. Ter faz parte do mundo em que vivemos, do estilo de vida que levamos, e compra momentos felizes claro…mais não compra bem-estar duradouro, não compra alegria genuína, que brota num ser que está bem por estar vivo, não garante e não promove a Evolução, como seres humanos que precisamos adquirir para viver nesse mundo.

O engraçado disso tudo é que existe uma pressão para sermos felizes, para estarmos bem, para nos darmos bem na vida, muitas vezes a pressão vem de dentro de nós, porque essa felicidade é vendida a todo momento, nos comercias, pelas blogueiras que mostram uma vida “surreal” pelos jogadores de futebol, pela mídia em geral, pelas fotos de viagens “incríveis” com um perfeição e felicidade que nos fazem vibrar e trabalhar muito para “comprar essa felicidade”.

Apesar do tom irônico, não acho que isso seja errado, não existe certo ou errado, cada pessoa busca viver da forma que quiser, e apesar de venderem gato por lebre na minha opinião, a questão maior e que eu venho trabalhando internamente é; eu não preciso ser feliz a todo momento, o que posso sim, é conseguir uma extraordinária falta de conflitos mentais, trabalhando naquilo que acredito.

Não preciso me matar de trabalhar para conquistar bens materiais e nem me dar bem, para ter reconhecimento da sociedade ou parecer que minha vida é incrível aos olhos dos outros, e não dos meus.

O número de pessoas depressivas e ansiosas, o número de suicídios, crises do pânico, vem crescendo a cada dia, a cada ano algo no nosso estilo de viver não está compatível com nossa humanidade, a meu ver pela incapacidade de reconhecer o amor em nós, nossa essência, nossa ligação com o Divino, a transcendência, a espiritualidade que não necessariamente passa pela religiosidade e se passar está ok também. A vida humana materialmente falando, não tem sentido.

O ponto que quero chegar é que, buscar a Evolução como ser humano, nos capacita a ter uma vida mais leve, nos traz a serenidade de que a felicidade é algo que vem e vai, a frustração faz parte, e deve ser entendida, a comparação com o outro nos distancia da nossa autenticidade.

Tudo bem se eu fizer uma viagem incrível pra Ilhas  Maldivas , ou se eu fizer um passeio incrível com minha família, pra Caldas Novas Goiás, estado onde nasci e que foram as melhores férias da minha vida; ou de repente, falando mais da minha vida atual, morando em Londres, eu não tinha outra opção, a não ser uma prainha que fica aqui perto, que todo brasileiro que mora na Inglaterra conhece, que se chama Bournemouth; a água é super gelada, o céu quase sempre nublado, quase não dá pra entrar no mar, mas eu já fui várias vezes  e tive momentos maravilhosos lá, mas foi o que deu pra fazer durante anos.

Bournemouth, Caldas e Ilhas Maldivas (no meu caso), são extremas escolhas, e não seria difícil optar por Maldivas, lugar realmente é incrível e muito menos incrível, mas que faz nossa cabeça viajar para esse lugar é o enorme marketing de blogueiras, atrizes, famosos no geral, com suas fotos e corpos esculturais em hotéis/bangalôs, que te fazem flutuar naquele mar de cor deslumbrante, não que o lugar não seja lindo, realmente é um espetáculo e enche nossos olhos.

Mas a questão é, que em ambas situações eu posso ser feliz ou não, porque meu parâmetro não é o dinheiro, o status, ou a praia, ou o tempo, ou a selfie, ou a caminhada naquela passarela de madeira com a vista de 360 graus para o mar, com direito a postar nos stories do Instagram, e ainda por cima, matar muitos amigos de inveja, tudo isso está fora de mim, meu parâmetro é meu estado interior.

Entendendo meu momento, aceitando aquilo que dar para ser feito e vivido, e olha que eu posso estar triste e, talvez nunca poder passar férias em Maldivas, durante toda minha vida, mas até esse momento tem que ser entendido com consciência e lidar com a frustração e entender que eu posso ter inúmeros sonhos e desejos e trabalhar para consegui-los.

O mais precioso é investir na construção de um “EU sólido”, sei que essa mensagem não é para todos, nem todos estão preparados para entender, mas também está tudo bem, tudo certo, quanto mais pessoas começarem a pensar assim e treinar a mente para ver a vida como ela é, isso é Evolução.

E a Evolução traz valores mais altos, mais ligados a um bem maior, amor maior, vivendo prazeres, se for possível, mas sem colocar neles o dever de nos preencher porque infelizmente não possuem essa função.

A receita de bolo não existe, cada um tem seu meio próprio para tirar as lentes que nos impedem de ver o real, mais dia ou menos dia, uma voz vai emergir e, te fazer refletir um pouco mais sobre o sentido da vida, que vai muito mais além de comer, beber, namorar, casar, procriar e morrer, e mesmo ainda não achando o sentido o propósito da vida, só de sair da linha de produção de zumbis, já é um grande salto Evolutivo.

Um dica que venho aprendendo com a Terapia Transpessoal, é focar no presente, a nossa mente sempre vai querer nos tirar do momento mais precioso que temos – “O Agora”, por isso o livro o – “O Poder o Agora” – que mudou minha vida, assim como de milhares de pessoas espalhadas pelo mundo, um livro que a meu ver, tem uma simplicidade, ao mesmo tempo uma profundidade, capaz de ativar a visão de uma realidade que está a nossa frente, mas não conseguimos ver, sem que algo nos toque e ligue a chave para abrir as  portas da percepção na nossa psique.

Uma das grandes lições que o livro me deixou, “Aceite as coisas como são, há momentos desagradáveis, insatisfatórios, e difíceis, mas aceitá-los como são te dará uma liberdade interior sem igual, trabalhe com as dificuldades e não contra elas“.

O que significa para mim aceitar as coisas como são.

Primeiramente, não resistir, isso significa, “entregar”, entregar, é dizer para você mesmo. Ok, eu estou vivendo um drama, uma tragédia, um colapso, mas eu assumo a responsabilidade sobre minha vida, eu vou fazer o que tiver que fazer, sem culpar o outro, vou sofrer o que tiver que sofrer. Isso não é conformismo, isso é entregar, porque chega um momento que realmente a melhor atitude é “Ação pela não Ação“, ou seja, não pensar e não fazer nada para mudar o presente, e com a dor, parar de lamentar para si mesma e para os outros, meditar, orar.

Não basta seguir as modas e modelos, que querem nos convencer que, pensando positivo tudo melhora, esse é apenas um dos passos, particularmente acho que temos que conviver com nossos anjos e demônios, nossa sombra e nossa luz, nosso positivo e negativo, nosso Yin e Yang. Então pensar positivo diante de coisas drásticas nem sempre soa com honestidade a nós mesmos.

Segundo, não se anestesiar, tentando fugir da dor, e o número de anestésicos são imensos, consumo exagerado, celular, remédios, álcool, drogas, televisão, internet, comida, falar e se preocupar com a vida alheia e não com a sua, esses são alguns exemplos que se você não prestar bem atenção, silenciosamente roubam a sua presença de momentos que você tem que viver, sem nada que te faça se sentir melhor, porque simplesmente temos que viver momentos de tristeza também, de dor, de medo, de angústia, de solidão, e não tentar fugir disso, porque a vida é sábia, se você tentar fugir, os acontecimentos vão vir novamente, e talvez de forma mais difícil para que você encare aquilo que “foi varrido” pra debaixo do tapete.

Quando você olha para dentro, ou vamos usar uma das belas frases do nosso mestre Jesus Cristo,” Orai e Vigiai”, ele quis dizer: vigie você mesmo, perceba a si mesmo, sua mente, seu comportamento, nada disso que falei acima é novidade, mais é algo que precisamos lembrar, porque o mundo quer nos distrair de nós e estar fora de nós é estar fora da essência que somos, do Deus que habita em nós que é puro amor.