Revista Statto

POR QUE CRITICAMOS TANTO OS OUTROS?

16/11/2020 às 09h50

 

Uma das coisas que a gente mais vê em frases prontas de Facebook e memes é o famoso “toma conta da sua vida” – geralmente acompanhado de uma “sua inveja faz a minha fama”. Beleza! Mas porque as pessoas têm essa obsessão com mandar as pessoas tomarem conta da vida delas?

Por que essa obsessão pelo fato de outras pessoas darem opiniões na nossa vida? Pois é, aqui é mais profundo. Mas passa por uma mistura de medo da crítica com o ato de criticar. A fofoca, a maledicência, a falta de empatia. Ou seja, é mesmo complicado.

Por que parece ser mais agradável falar da vida da fulana do que resolver um problema pessoal meu – que pode estar se arrastando por anos? Simples, porque no problema do outro não existe envolvimento emocional. Ou seja, eu consigo ser claro, racional e límpido nas minhas ideias quando eu penso que a minha amiga precisa parar de correr atrás do cara que a usa descaradamente, mas não consigo olhar para o meu casamento – que se arrasta pacientemente por anos, por exemplo. Assim, é uma espécie de dissociação.

Falar da vida alheia é prazeroso porque nos dá uma sensação – obviamente falsa – de poder e controle. Se eu der um pitaco e a pessoa considerar a minha opinião, eu sou importante. E para um monte de pessoas que não conseguem enxergar a própria importância, ser isso para alguém parece bem interessante.

O segundo ponto é o controle. Se eu acho que o mundo deveria ser povoado de plantas – porque eu acho bonito, porque faz bem para o planeta ou porque sim – vou tentar influenciar o máximo de pessoas ao meu redor e pensar como eu e criar o meu fictício mundo ideal – no caso, um mundo Garden. Então, se eu entrar na casa da minha filha e ver que ela deixou morrer o seu cacto, esse será um ponto de crítica. Como assim você não vê o mundo como eu vejo? Eu estou obviamente certa sobre as plantas serem legais.

Certa porque, cara pálida? É só a sua pequena e limitada visão de mundo. O controle também aparece nas relações de poder. A casa da minha filha é impecável e parece que ela vive muito bem sem mim. Ou seja, eu não tenho mais tanto interesse ou importância para ela? Como assim? Espera aí, vamos arrumar uma coisa aqui para eu mostrar para ela quem é que manda! Palhaçada.

Bom, resumindo, existem motivos para o prazer da crítica ao outro, mas, o principal é: que ponto (ou pontos) difícil da minha vida eu não estou observando e cuidando para precisar achar isso nos outros? Ai sim entra o “toma conta da sua vida”. Assuma os problemas e as questões. Entenda o que está errado, o que causa desconforto e simplesmente aceite que aquilo existe. Perceba o quanto é difícil resolver algumas coisas na sua existência, coisas que muitas vezes são facilmente resolvidas pelos outros, até mesmo para ter empatia pelas questões alheias e, depois, de fato, cuide disso! Cuide de você, do que você gosta e mude. Você vai perceber que às vezes só te falta mesmo é coragem.

A EGRÉGORA FEMININA

04/11/2020 às 13h46

As mulheres são uma força da natureza. Uma energia incrível (e muito mal compreendida) do mundo. Mal compreendida não, mas deturpada mesmo. Essa deturpação começou quando um homem das cavernas se deu conta de que quem trazia os bebês, os novos seres humanos, à Terra, eram as mulheres. Que quem organizava aonde eles iriam dormir, o que iriam comer, se iriam morrer naquele dia, eram as mulheres. Imagina a cara de desespero dele pensando “Essas mulheres vão mandar no mundo, preciso fazer alguma coisa”. Foi lá, deu um tacape na cabeça dela e pensou “Bom, pelo menos eu sou mais forte fisicamente”.

E é claro que não é a verdade. Existem diferentes graus de força, em diferentes gêneros e sexos. Mas por gerações e gerações somos ensinadas que lugar de mulher é na cozinha e todos os clichês machistas que eu não vou continuar escrevendo porque todo mundo já sabe, né! E o machismo dominou o mundo.

Hoje, quando vemos uma mulher ser assassinada por um homem que “não suportou” o fim de relacionamento, sabemos quem são os fracos. E porque esses homens das cavernas – que não são todos, graças a Deus – ainda vivem por aí e fazem o que fazem.

Mas e aí, o que nós mulheres podemos fazer? Simples, união. Uma das características do masculino da qual abrimos mão foi a união. Os homens se juntam e se ajudam e isso faz com que coisas boas aconteçam. As mulheres, por traços culturais, aprendem a competir. A ver quem está mais magra, quem é mais alta, quem em mais gominhos no abdômen. Mas não somos ensinadas e nos unir. Isso porque, se uma mulher sozinha traz uma vida ao mundo, imagina duas, três, quatro, 3 bilhões?

A egrégora do feminino é isso. Ela existe, é real, mas nem todas as mulheres já fazem parte dela. Mulheres precisam se ajudar, principalmente contra o machismo. Nós educamos os homens. Nós criamos os meninos, que serão os homens do futuro e nossas atitudes é que vão, aos poucos, mudar isso. Quando eu fico brava com o homem que me traiu – e não com a “vagabunda” que ele arrumou – aí eu entendi tudo. Quando eu falo de uma amiga que vende bolinhos no meu Instagram bombado, quando eu dou emprego a uma mulher – mesmo que ela ainda queira engravidar ou tenha filhos; quando eu ajudo uma mulher a se sentir linda naquele dia ruim, eu estou fazendo parte da egrégora do feminino. E quando isso acontece o mundo anda muito melhor.

Não quero um mundo sem homens, Deus me livre. O mundo não é equilíbrio se não tiver as duas energias. Precisamos deles para nos abrir latas de palmito, trocar as lâmpadas…espera aí, nada disso. Precisamos da energia deles, assim como eles precisam da nossa. Esse equilíbrio é a nossa paz. É a nossa essência cuidadora, seguidora, é amor. Mas precisamos corrigir o erro histórico de chamar a mulher de “sexo frágil”. O erro histórico de que a nossa força, mais sutil, é fraqueza. Isso, e só isso, nos levará ao sucesso, ao futuro e ao verdadeiro equilíbrio mundial. Força mulherada (e homarada), ainda temos muito chão pela frente!