Revista Statto

HOMESCHOOLING – UNSCHOOLING E A LIBERDADE DE SER

18/08/2020 às 13h45

Não é novidade para os pais que optaram pela Educação Domiciliar que a Instituição escolar não mais atende as necessidades das crianças no momento atual da sociedade. Por motivos pedagógicos, social, emocional e ambiente de integração e interação com a vida.

Mas as vantagens de não aderir ao sistema é que podemos viver uma vida mais autêntica e livre de amarras que antes nem percebíamos que estavam lá limitando as nossas vidas e dando um outro tom ao relacionamento com os nossos filhos, nossa família e até com nós mesmos.

Se quisermos obter uma cultura mais rica … devemos reconhecer toda a gama de potencialidades humanas, e assim criar um tecido social menos arbitrário, em que cada habilidade humana diversa e única encontrará um lugar adequado” Margaret Mead

Só o fato de você assumir a responsabilidade da Educação de seu filho já traz uma sensação de autonomia e liberdade. Porém algumas das vantagens, entre inúmeras, são:

  • Respeitar o ritmo natural da família e poder criar seus próprios horários. Caso o seu filho estiver doente ele terá o direito humano de descansar e se recuperar sem ser questionado.

Vocês podem diminuir o ritmo e descansar quando for preciso

  • Sem a pressão social e de terceiros – para chegar no horário, ir buscar no horário, estudar para a prova, fazer lição de casa, atender reuniões, comemorações da escola (nem sempre alinhada com os valores da família), uniforme/roupa em ordem determinado por forças externas e que só resta a todos seguir – o nível de stress irá reduzir consideravelmente, essa já não é uma grande vantagem?

O Ensino Domiciliar permite a cada família criar e respeitar seu próprio ritmo

  • Tempo e liberdade de conectar-se com os seus filhos. Sem a constante pressão externa o relacionamento com os seus filhos irá melhorar. Além disso vocês terão a oportunidade de passar mais tempo juntos criando a realidade de vocês dentro dos próprios interesses e condições familiares, o que irá estreitar os laços.
  • Você terá a maravilhosa oportunidade de testemunhar como os interesses naturais do seu filho se apresentam e se desenvolvem. Aproveite a Educação Domiciliar para dar ao seu filho o presente de LIBERDADE de aprendizado e de interesses naturais que é a trilha para desenvolver os talentos e viver uma vida com mais significado para ele mesmo.
  • Férias, feriados e finais de semana – Eu não sei você, mas eu fujo de lugares cheios!? Além de muitas vezes os preços serem mais altos, você paga mais e se diverte menos, filas, barulho, mais chances de tumultos, dificuldade para estacionar, pessoas mais irritadas.
  • Que delicia ir ao museu na Terça-feira à tarde, ir ao parque na Quarta-feira de manhã ou estar viajando com a família em pleno Setembro.
  • Autonomia sobre o próprio corpo, liberdade de expressão e conforto. Talvez para algumas crianças estudar descalço ou em roupas mais confortáveis é muita mais agradável e produtivo, poder levantar e ir beber água ou ir ao banheiro sem ter que pedir permissão eu acredito ser um direito de nascença do ser humano uma vez que são necessidades básicas.
  • Se você sempre quis autorizar o seu filho a ter o cabelo um pouco mais longo, ou a sua filha estava receosa de experimentar um corte de cabelo diferente e ser motivo de atenção desnecessária ou prejudicial, a Educação domiciliar traz essa possibilidade de forma mais tranquila.
  • Alinhamento com os Valores familiares – A cultura escolar muitas vezes esbarra com os valores e hábitos que queremos desenvolver em nossos filhos. No meu caso eu abomino o consumismo desenfreado, propaganda direcionada as crianças (mesmo de forma sutil), “junk food”, ou qualquer tipo de fanatismo ou idolatria. Quando você envia o seu filho para escola ele estará mais exposto a valores que foram aceitos pela sociedade sem ser questionados ou filtrados, e isto fara parte do dia a dia dele. Claro que você pode conversar e orientar o seu filho, mas não vamos subestimar a força da cultura popular e a frequência com que ela e exposta.

Todos os aspectos acima certamente contribuem para o relacionamento com o aprendizado ser mais positivo e divertido e uma vida mais autentica!!!

O que você acha? Eu adoraria ouvir a sua opinião.

SIMPLIFIQUE CRIANDO FILHOS DE MANEIRA CONSCIENTE

20/05/2020 às 20h31

Métodos disciplinares duros são mais dolorosos do que úteis: Enxergue as situações como uma oportunidade para educá-los, para eles crescerem, e uma chance para você simplesmente amá-los. Se seus pais eram disciplinadores, isso não significa que você precisa ser igual. A convivência com os nossos filhos deve ser alegre, e pode ser, quando priorizamos a conexão com os nossos filhos ao invés do controle.

A principal maneira de ensiná-los é pelo seu exemplo: Esta é a maneira principal de ensinar-lhes qualquer coisa, através do seu exemplo, como você se relaciona com o mundo. Se você quer ensiná-los a não brigar seja pacífico. Se você quer ensiná-los a ser boas pessoas, seja atencioso, amoroso e consciente de suas ações. Se você quer ensiná-los a não ficar muito tempo em frente as telas, faça o mesmo. Se você quer que eles sejam ativos, se alimentem de forma saudável, leiam, meditem … então você precisa fazer isso.  Converse com eles sobre o que você está fazendo o porquê e o que você aprende fazendo isso. Eles aprendem quase tudo o que as pessoas ao seu redor fazem. As crianças aprendem o que elas vivem!!!

A maneira mais poderosa de mudar o mundo e viver nossas vidas na frente dos nossos filhos da maneira que gostaríamos que o mundo fosse”. Graham White

Não se sinta obrigado a saber tudo: Embora você deve tentar fazer o seu melhor na vida, tenha a humildade de admitir que você não sabe tudo e nem tem a obrigação de saber. Na verdade, sabemos muito pouco. Eu não posso sempre achar que estou certa, nem posso fingir ter todas as respostas, mesmo que seja a mãe. Talvez nossos filhos saibam alguma coisa que nós não sabemos. Talvez possamos aprender juntos … mas comece dizendo: “Não tenho certeza, vamos descobrir!” Na mentalidade do não-saber é onde a aprendizagem começa, o espaço que podemos explorar juntos, o espaço onde nos tornamos abertos uns aos outros. Muitos pais (e pessoas em geral) vêm até você com a postura de que sabem exatamente o que estão fazendo, sabem as respostas. Isso não deixa espaço para mais nada.

Admita quando você está errado: Peça desculpas. Faça certo. Quando eu acho que estou certa, e insisto nisso … muitas vezes é quando estou errada. E isso já aconteceu várias vezes. O que aprendi é … em vez de continuar fingindo que estou certa, é muito melhor admitir que estou errada.

Diga adeus ao controle: No final, eles serão a pessoa que eles são, você não decide por eles. Cada criança já é uma pessoa totalmente formada quando é jovem. É claro que a cada ano eles continuam a crescer, mas suas personalidades quando jovens ainda são as mesmas à medida que envelhecem. Nós não moldamos essas crianças, elas já são elas mesmas. Eles escolherão seus próprios caminhos, decidirão qual estilo de vida eles querem e crescerão na direção que escolherem.  Não temos controle sobre nada disso. No final, é isso que nós, pais, precisamos aceitar – nós realmente não controlamos nossos filhos. Nós apenas tentamos guiá-los quando podemos. E ama-los por quem eles são. Eu também ainda estou aprendendo!

A maternidade é criar e celebrar a criança que você tem, não a criança que você pensou que teria. É sobre entender que ela é exatamente a pessoa que ela deve ser. E se você tiver sorte, ela pode ser o professor que a transformará na pessoa que você deveria ser”. The water giver

O APRENDIZADO ORGÂNICO É REAL

26/03/2020 às 09h25

 

Mudar o estado mental que limita a nossa vida por estar distorcido através de conceitos e paradigmas absorvidos inconscientemente através da cultura escolarizada é desescolarizar.

A escola não forma seres humanos completos, ela expandiu para a camada mais pobre da sociedade após a Revolução Industrial com o objetivo de   formar trabalhadores conformistas, utilizando um sistema autoritário, através de punição e recompensas, modelo patriarcal A segregação é feita através da faixa etária e classe social, limitando assim a nossa habilidade de se conectar com pessoas de todas as idades, interesses e classes sociais.

A liberdade de aprendizado de uma pessoa é parte de sua liberdade de pensamento, ainda mais básica do que sua liberdade de expressão” John Holt

Somos condicionados a viver no futuro pois a escola tradicional propõe que somos seres incompletos e inacabados até que o ciclo escolar esteja completo, esta mentalidade estabelecida após 12 anos convive com nós anos após a tão aguardada graduação e assim nos tornamos seres olhando para o futuro e perdendo o presente. E quanto mais cedo esse processo tiver início (2 ou 3 anos de idade) melhor, pois a criança não tem a oportunidade de desenvolver o ser, pois o fazer sobrepõe a essência e mais inconsciente ela se torna. Assim formamos uma sociedade ocupada e distraída e seres desconectados e insatisfeitos.

Este é o legado que queremos perpetuar?

A escolarização deixa de herança indivíduos com uma mente dependente e presa, acreditando que o seu valor e direito como ser está ligado a valores externos, valores esses, determinado por uma sociedade inconsciente – excesso de consumo, destruição ambiental, inequalidade, isolamento social, consumo de produtos químicos incluindo os agrotóxicos, declínio da Saúde mental, crianças crescendo longe dos pais. É essa a herança que o sistema escolar parece estar deixando! “Por isso a desescolarização não é somente uma filosofia educacional, mas um estilo de vida”.

Crescemos acreditando que a sabedoria está no acumulo de conhecimento externo que só seremos felizes se provarmos que somos capazes, se controlarmos o futuro, se pensarmos positivo, se os nossos valores forem reconhecidos e se acumularmos conhecimento, enfim enfatizamos o fazer em detrimento do ser! Claro que fazer tem o seu papel e o seu momento, mas esquecemos de lançar um olhar para dentro.

Buscamos tudo no mundo externo! Fomos condicionados pela cultura que nos cerca a não confiar nos nossos filhos e nem em nós mesmos, em uma camada tão profunda, que não detectamos essa falta nas decisões do nosso dia a dia.

A autoestima de uma criança é inteira, ela é extremamente fluida na sua vibração, ela passa de frustrada para feliz em apenas alguns instantes. A energia, a espontaneidade e a curiosidade é intrínseca, faz parte de quem ela é, ela não busca no mundo externo.

Onde e como tudo se perde no meio do caminho?

O fascinante sobre a desescolarização, é a liberdade e o estilo de vida baseado na confiança é viver no momento presente. Desescolarização é viver e aprender naturalmente, juntos, com amor e respeito.

Desescolarizar permite que as crianças descubram seus interesses e talentos, aqueles que realmente pertencem a elas, que as conduz a uma vida de amor pelo aprendizado constante.

A Segunda Revolução Industrial ocorreu por volta de 1860 a 1900, o modelo escolar não evoluiu muito nos últimos 100 anos, mas o mundo hoje é globalizado e informatizado. Estamos saindo da era do conhecimento e entrando na era da criatividade, os profissionais criativos, dinâmicos, de mentes livres e entusiasmados pelo aprendizado e descoberta será necessário, o conhecimento (fatos de memorização) estará disponível através da tecnologia (Ex: Google).

O ser está se sobressaindo uma vez que os robôs estão substituindo uma boa parte do fazer.

  • Ser dinâmico
  • Ser interessado
  • Ser flexível
  • Ser visionário
  • Ser criativo
  • Ser gentil
  • Ser comunicativo
  • Ser íntegro
  • Ser atencioso
  • Ser equilibrado
  • etc

A maioria dos empregos futuros que serão para as crianças que estão em idade escolar ainda não foram criados, e as escolas ainda não começaram a preparar essas crianças.

Nas sociedades “desenvolvidas” estamos tão acostumados a centralizar o controle sobre o aprendizado que se tornou funcionalmente invisível para nós, e a maioria das pessoas aceita isso como natural, inevitável e consistente com os princípios de Liberdade e Democracia” Carol Black – Emmy Award winning, escritora/diretora/produtora e co-criadora da série “Wonder Years”- Anos incríveis

O “Deschooling” (Desescolarizar) é um processo, leva tempo e autorreflexão. Algumas pessoas dizem que você deve considerar por volta de 1 mês para cada ano escolar. Levando em conta que esse é para o padrão Americano de 6 horas por dia na escola.

12 anos escola = 12 meses deschooling

Eu particularmente através da minha experiência digo que desescolarizar é um processo contínuo.

Alguns aspectos a serem considerados e que pode ajudar no início do processo de “Deschooling”

  • O aprendizado não é linear – Claro que nos assumirmos ser, pois este é o imposto pelo modelo escolar. Após tantos anos da escolarização e coagindo crianças de 2 ou 3 anos a “aprender”, não há oportunidade para testemunhar o aprendizado natural e espontâneo.
  • Valorizar o aprendizado com o corpo todo- A escola enfatiza o cérebro acima do corpo. Quando há estímulos sensoriais envolvido, a aprendizagem é real e orgânica e não um fato isolado memorizado. Somente ver a foto de uma flor ou ver, cheirar, observar como se move ao vento e tocar são experiências diferentes.
  • Socialização – As famílias ou indivíduos adeptos da educação alternativa não são indivíduos reclusos, na verdade eles não só realizam as mesmas atividades (atendem a eventos, festivais, participam de atividades extracurriculares, esportes, vão ao supermercado, a lojas etc), mas estão integrados e interagindo com pessoas de várias idades e estilos de vida. Não confundir socialização com socializar.
  • O papel da Natureza – De acordo com um estudo da “University of Essex” até mesmo 5 minutos de interação com a natureza pode produzir rápida melhora no bem-estar mental e auto estima, com os jovens experimentando maiores benefícios. Além disso brincar na natureza e com seus elementos traz benefícios para as crianças, entre elas a exposição a biodiversidade.
  • As qualidades que celebramos nos adultos são as que depreciamos nas crianças – Inibimos e depois cobramos, mas esperamos uma sociedade justa e equilibrada: o adulto é persistente, comunicativo, ativo e corajoso a criança é teimosa, não fica quieta é desobediente.

A desescolarização requer pais/cuidadores envolvidos, conscientes, integrados e confiantes.

Este estilo de vida não é para todos, mas eu acredito ser possível para muitos.

Mais sobre Deschooling leia:  “O Processo de Desescolarizar (Deschooling) como base para o Sucesso no Ensino Domiciliar (Homeschooling)”

MITOS DA SOCIALIZAÇÃO NO UNIVERSO INFANTIL

07/03/2020 às 11h04

A ação só tem significado no relacionamento, e sem entender o relacionamento, a ação em qualquer nível só gerará conflitos. A compreensão do relacionamento é infinitamente mais importante do que a busca de qualquer plano de ação.” – J. Krishnamurti

Eu como questionadora das relações e mensagens que a sociedade envia e cobra dos seres humanos e o resultado que tudo isso causa me fez concluir que o que vem sendo cultivado e propagado claramente não está dando bons resultados em ambas as esferas, tanto individual quanto coletiva. Indivíduos desconectados consigo mesmo, relações familiares de má qualidade, alto índice de depressão, baixa autoestima, ansiedade, bullying etc… E provavelmente assim como você eu também tinha muitas dúvidas em como introduzir o meu filho ao mundo “social” que para mim estava longe de ser o que eu chamo de saudável, e para piorar o quadro a palavra “socialização” está rodeada de mitos, falsa interpretação e uma pitada de rentabilidade. Sim o mercado que lucra com o seu medo e insegurança, e a socialização foi um dos aspectos (entre outros) que venho analisando através de muita leitura sobre desenvolvimento humano, pesquisando, observando meu filho, outras crianças, os adultos e a qualidade dos relacionamentos em geral.

Coloca na escola ou creche para socialização?

O objetivo da socialização é desenvolver o sentimento coletivo da solidariedade e espirito de cooperação, é um processo continuo que só se encerra na morte, realizando-se através da comunicação, sendo inicialmente pela “imitação”.

Queremos construir uma Sociedade competitiva ou uma Sociedade colaborativa para os nossos filhos? Uma pergunta que todos devemos fazer e alinhar a resposta com nossas ações.

Virou algo comum ouvir a frase, coloca na “escolinha” para socializar, como se criar um ambiente restrito com crianças da mesma faixa etária que ainda estão desenvolvendo suas habilidades sociais e precisam de um modelo adequado, e de relacionamento um a um na maior parte do tempo, fosse um ambiente favorável para uma sociabilidade e saúde mental saudável.

Provavelmente, o maior mito que evoluiu é a ideia de que socializar com pessoas (mesma idade) leva à socialização” Dr Gordon Neufeld developmental psychologist

Existem muitos mitos e conceitos errôneos sobre a socialização na primeira infância, em especial nos primeiros anos de vida, justamente a fase que a base está sendo formada. Estes mitos iniciaram com a Revolução industrial quando as fábricas precisavam de mão de obra, puderam então combinar duas vantagens, recrutar as mulheres para o mercado de trabalho enquanto preparavam as crianças para ser mão de obra no futuro através do sistema de escolarização, mas hoje o momento é outro.

É preciso entender e olhar de forma diferente para essa questão – Socialização

Como muitas coisas na vida mais não necessariamente quer dizer melhor, e isso também se aplica a relacionamentos, onde qualidade é mais importante que quantidade. A necessidade mais profunda do ser humano é ser aceito na sua autenticidade e sentir-se conectado com outros seres, de preferência com aqueles que tem um lugar importante na sua vida.

As crianças aprendem a se relacionar assim como elas aprendem a comer, falar e andar, através da imitação.

As crianças imitam e emulam – Se queremos que nossos filhos aprendam a ser civilizados uns com os outros, então eles precisam estar na presença de alguém que já desenvolveu as habilidades de cortesia, empatia, compaixão, cooperação, negociação, habilidades para resolver conflitos e ludicidade. Isso não vai acontecer quando eles estiverem com crianças da mesma idade – você e eu sabemos disso em nossos próprios dias de escola. Se estamos colocando nossas crianças bebês em creches “para socialização”, não poderíamos estar mais equivocados diz Pennie Brownlee “Advocate for the Culture of Kindness in early childhood

Apego e conexão – Além das crianças aprenderem através da imitação, a primeira infância é o momento de desenvolver e fortalecer a conexão, ter aconchego e entendimento do mundo ao seu redor e principalmente o apego a família. Ela deve ter seus sentimentos e necessidades validados, em um espaço seguro, para mostrar seus sentimentos e reações, enquanto for acolhida.

Devemos então refletir e nos perguntar honestamente se uma creche ou “Jardim da Infância” oferece um ambiente ideal para esse desenvolvimento nessa fase crucial que são os primeiros anos de vida.

Adaptação x Regressão – Quando uma criança ou bebê chora porque chega a creche ou jardim da infância ela está deixando claro seus desejos e necessidades, de que ela não quer se separar de quem é o seu porto seguro. Ela se adapta após alguns dias? Sim, mas é uma adaptação forçada após uma descarga de cortisol, e como ela não tem opção, ela irá se “adaptar o que é diferente de se desenvolver.

Pais e colegas– Não confie nos colegas para sustentar a autoestima de uma criança

Os pais, familiares próximos ou cuidador deve ser a principal figura com quem a criança desenvolve sua identidade, sociabilidade, autoestima. Aonde ela deve se sentir segura e aceita por quem ela é, e só assim ela terá a chance de se desenvolver como individuo único, com características e particularidades que fazem dela um indivíduo único e que poderá assim contribuir no âmbito social de maneira positiva, sentido se segura e com uma autoestima saudável, lembrando que uma pessoa com uma boa autoestima não sente necessidade de agredir, explorar ou enganar o outro para se sentir bem. Uma pessoa com uma boa saúde mental e uma autoestima saudável contribui para uma sociedade colaborativa.

Conclusão: Se você tiver o privilégio da opção, escolha ter seu filho por perto nos primeiros anos para ele poder correr para os seus braços, se sentir medo ou insegurança. Deixe ele sentir o seu apoio quando o sentimento dele for grande demais para ele, que ainda está desenvolvendo as habilidades de autorregulação e muitas vezes ainda não tem o vocabulário refinado para se expressar (na maioria das vezes nós adultos não temos). Permita ele estar aonde ele pode ficar à vontade e ter domínio do próprio espaço e assim desenvolver a segurança e autonomia.

Na primeira infância a base está sendo formada de como o seu filho irá perceber o mundo no decorrer da vida.

Para as famílias a qual a creche ou “Jardim da Infância” é uma necessidade, eu indico perguntar e observar pelo menos a alguns aspectos básicos:

  • A instituição utiliza a Comunicação Não Violenta (CNV)?
  • Qual o número de adultos em relação ao número de crianças?
  • Eles ainda utilizam o “cantinho do pensamento” como forma de isolamento e punição ao invés de entender o que a criança está sentindo e tentando comunicar?
  • Existe atividades diariamente ao ar livre e conexão com a natureza?
  • Qual o espaço físico em relação ao número de crianças?

Apesar de a criança muitas vezes não conseguir verbalizar ou mesmo identificar o que sente, não quer dizer que ela não está sendo impactada com o que ocorre ao seu redor.

Fonte de pesquisa: “Hold on to your Kids” Why parents need to matter more than peers – Dr Gordon Neufeld e Dr Gabor Maté

PRESERVE A CRIATIVIDADE DO SEU FILHO. ELE PRECISA DELA!

02/03/2020 às 09h05

Quando o “pré” na “pré-escola” é dado o seu significado correto, completo e legítimo, pode dar aos pais a segurança e força para focar nas primeiras experiências tão essenciais para manter o ser humano completo enquanto eles passam pela infância, adolescência e vida adulta. Uma visão holística se faz necessária.

Na ânsia de querer que todos sejam o mais inteligente possível e o mais rápido possível, nós exercemos um olhar equivocado nos primeiros anos de vida.

Ao contrário de muitas opiniões populares, quando aplicado à palavra escola, o prefixo “pré” não significa uma corrida experimental ou mesmo uma vantagem para todas as experiências que vão acontecer mais tarde na escola. Significa principalmente ANTES, indica o que deve acontecer na primeira infância (0-6anos), antes de iniciar a formação acadêmica.

Devido ao pensamento institucionalizado e escolarizado, muitos de nós perdemos a capacidade de reconhecer, imaginar e valorizar as experiências fundamentais que deve vir ANTES de uma criança assumir as tarefas escolares.

Nós destruímos o amor de aprender nas crianças, que é tão forte quando elas são pequenas, encorajando-as a trabalhar por recompensas mesquinhas e desprezíveis como estrelas, papéis marcados com 10 ou A aderidos à parede, certificados de honra, em suma, pela indigna satisfação de sentir que são melhores do que outras pessoas “. John Holt

O período pré-escolar atende seu proposito humano mais profundo quando cria um ambiente correto e alinhado para exercer aspectos e qualidades básicas para o desenvolvimento integral do ser humano. É preciso lembrar que a liberdade na infância deve ser preservada, é um momento precioso em que as crianças devem brincar, o aprendizado através da brincadeira envolve dois aspectos:

– Tempo abundante para a criança desenvolver as próprias ideias durante a brincadeira;

– Enriquecer o olhar dela em relação ao mundo através de leitura, contar estórias e Histórias, fantoches e marionetes, música, desenho, pintura e tempo na natureza.

Quando a prioridade na primeira Infância é a brincadeira, interação com a natureza, convivência familiar e um ritmo de vida calmo e intencional, fornece a criança a chance de desenvolver sua criatividade de forma equilibrada.  Apoia o desenvolvimento saudável geral da criança e as prepara para o trabalho do século XXI, onde a criatividade é altamente valiosa.

Acima de tudo, criar (educar) uma criança para ser livre significa levar em conta o momento adequado. Quando introduzimos uma atividade na qual a criança não está preparada para receber e administrar o novo elemento de forma independente, neste caso nos “treinamos” esta criança ao invés de criar um elemento que nutre a independência (empodera).

Brincar é o trabalho da criança!

O movimento corporal (pular, correr, dançar, girar, etc.…) forma sinapses que a criança irá mais tarde utilizar para ler, escrever, soletrar, resolver questões matemáticas, focar a atenção e desenvolver um pensamento criativo.

P – Proteção e Possibilidade: Sob circunstâncias favoráveis, surge uma sensação de possibilidade para a criança ao longo do tempo. Cabe aos pais (cuidadores) criar as configurações que otimizam esse tipo de autodescoberta.

R – Relacionamento familiar e Ritmo: A educação, a verdadeira, só pode acontecer quando há interação com o outro ser humano, especialmente para as crianças até os 7 anos. É a relação das crianças com os pais (cuidadores) que fornece não somente o conteúdo, mas também o contexto do aprendizado, e abre o caminho para elas terem um relacionamento saudável em um ambiente social.

E – Emergir: Entre o nascimento e os 7 anos de idade existe um momento quando a palavra “EU” é vocalizada, então a longa jornada para a independência se inicia. Quando uma criança percebe que não está sujeita a constantes pressões de maneira prescrita e esperada, é surpreendente ver como rapidamente e livremente ela se harmoniza com o ambiente a sua volta

Não se preocupe que as crianças nunca o escutem; tenha a preocupação de que eles estão sempre te observando”. Robert Fulghum