Revista Statto

ALGUNS VERBETES QUE ENRIQUECEM UMA REDAÇÃO E SEUS SIGNIFICADOS

29/10/2020 às 10h14

Certa vez, fui desafiada a criar uma lista de verbetes que enriquecem uma redação, com o intuito de auxiliar uma aluna do ensino fundamental que prestaria uma prova de admissão para um tradicional colégio de sua cidade. Creio que essa lista, ainda que parca, deva ser compartilhada com quem mais desejar frutificar textos, composições ou propostas dissertativas para concursos ou mesmo em sua escrita pessoal. Sabemos que o vocabulário é um aspecto de importante pontuação nas redações e que precisa ser valorizado. Vocabulário se adquire lendo, e lendo muito. De forma impulsionadora, ler artigos de qualidade (não necessariamente acadêmicos, mas cujos conteúdos são instigantes e valiosos, fartos) transforma nosso modo de escrever, de falar e de pensar. Assim, é pretensioso dizer que essa lista salvará um estudante e oferecerá a ele a tão sonhada vaga pretendida, sem que para isso ele tenha estudado previamente; mas ela poderá servir de apoio ou lembrete para os que vêm estudando e se dedicando com afinco. Seguem os verbetes que considero importantes:

Afora: Não confundir com “a fora”. Significa “além de”. Ex.: Afora minhas atividades escolares, tenho feito redações extraclasse para treinar para a prova de Português.

Em suma: Usa-se para conclusão. “Resumindo, concluindo”. Ex.: Em suma, acredito que as Olimpíadas são um evento importante para unir os povos por meio do esporte”.

Experiênciar: Vem de “experiência”. O mesmo que “experimentar”. É importante ao ser humano experiênciar viagens e outras atividades de lazer afora o trabalho e o estudo.

Por conseguinte: “Por consequência”. Por conseguinte, as castrações (ou esterilizações) evitaram comprovadamente o aumento na população de animais abandonados nas ruas.

Todavia: “Contudo, porém, entretanto”. Os gastos com limpeza urbana deverão ser administrados pela Prefeitura Municipal. Todavia, é importante conscientizar a população acerca da importância de não jogar lixo nas ruas.

Acerca: Sobre alguma coisa. Acerca das despesas do condomínio, comunico uma reunião geral.

Sobressair: Com dois S’s! Que se realça, que tem destaque. A pintura nova da casa de Jonas se sobressai em relação às de outras casas do bairro.

Sobressalto: Movimento brusco, gerado por emoção repentina e violenta. De sobressalto, o copo quebrou.

Incumbir: Encarregar a; encarrega-se. O delegado incumbiu ao policial a tarefa de dar voz de prisão ao suspeito.

Incutir: Inspirar, provocar. A nova lei incutiu na população um sentimento de desânimo e de desesperança na política.

Indeferir: Dar despacho contrário. O pedido de moradia foi indeferido (não foi aceito).

Deferir: Aprovar. O pedido de mais iluminação na Rua Xisto Veigas foi deferido (foi aceito).

Danoso: Que causa dano. A chuva forte foi danosa para os telhados das casas do bairro.

Declínio: Decadência. O declínio da Era Vargas iniciou com o atentado ao jornalista Carlos Lacerda.

Suscitar: Causar, provocar. A queda do muro de Berlim suscitou no fim da Guerra Fria e no primeiro passo no processo de reintegração da Alemanha.

Percalço: Transtorno, dificuldade. Apesar dos percalços, o estudante conseguiu se matricular na Universidade.

Livre-arbítrio: Capacidade individual de autodeterminação. Ex.: O ser humano tem o livre-arbítrio para decidir se quer agir corretamente ou se quer tentar obter vantagens que prejudicam seus semelhantes.

Intragar: Que não se pode suportar. É intragável a miséria dos povos de alguns países africanos.

Coagir: Forçar a. Os estudantes foram coagidos pelos policiais a deixar a manifestação e rumar para a delegacia.

Mediante: Por meio ou intermédio de. Mediante a ajuda do treinador, o time venceu a partida.

Bons estudos!

MORREU QUINO – MORRE UM POUCO DE NÓS, TAMBÉM

14/10/2020 às 08h51

A quarta-feira do dia 30 de setembro de 2020 amanheceu mais triste na Argentina.  O cartunista e ilustrador Joaquín Salvador Lavado ou, simplesmente, Quino, faleceu, aos 88 anos, deixando um legado tremendo e milhares de órfãos de seu talento ao redor do globo. O criador da questionadora Mafalda, uma jovem menininha preocupada com a paz mundial, que detesta sopa e ama os Beatles, bem objetivamente falando, nos deixou, sem uma confirmação de que mal foi o responsável por sua partida. Quino, como sua obra principal, era inteligente, irreverente e incrível, apesar de bastante tímido e reservado com sua vida pessoal.

Pode-se reconhecer a cultura argentina antes e depois de Mafalda, antes e depois de Quino. Nascido em 17 de julho de 1932, em Mendoza, província argentina, sabia, desde pequeno, que queria ser ilustrador. Quando tinha apenas 13 anos, perdeu sua mãe, e aí decidiu estudar na Escola de Belas Artes de sua cidade natal, a fim de tornar sua arte mais técnica. Após cumprir o serviço militar obrigatório, em 1954, rumou a Buenos Aires para fazer seu sonho de ser ilustrador se tornar realidade, pois a grande capital reservava a ele oportunidades maiores. A revista “Esto Es” foi a primeira a publicar sua primeira tira de humor. Outros diversos veículos exibiram tiras de sua autoria, como “Leoplán”, “TV Guía”, “Vea y Lea”, “Damas y Damitas”, “Usted”, “Panorama”, “Adán”, “Atlántida”, “Che”, o diário “Democracia”, entre outros (todos na Argentina, por enquanto). Seu primeiro livro compilado, Mundo Quino, foi publicado em 1963.

Mafalda, sua criação mais majestosa, surgiu devido a uma campanha publicitária. Era ideia criar um personagem com a letra inicial “M” para o cliente, a empresa de eletrodomésticos Mansfield. A publicidade não se desenvolveu, mas Quino resolveu publicar, mesmo assim, sua curiosa filhinha. Publicou-a, inicialmente, em “Leoplán” e, logo depois, em “Primera Plana”. Desses veículos, Mafalda logo se espalhou para o mundo todo, estampando, além de jornais e revistas em centenas de países, outros diversos produtos publicitários que necessitavam de um personagem crítico e de opinião forte para vender suas imagens.

O filósofo italiano Umberto Eco ficou tão fascinado pela menininha de sentimentos tão humanos que, na Itália de 1969, chamou-a de “Mafalda, a contestadora”, dizendo que não se tratava de apenas um personagem de histórias em quadrinhos, mas era, sem dúvida, A personagem dos anos 70. Quem lê Mafalda, mal consegue imaginar como uma criança pode ser tão solidária, tão pura de sentimentos e tão perspicaz. Mafalda é um pouco de todos os nossos sonhos utópicos, Mafalda é o que gostaríamos de ter sido e o que gostaríamos de ser, Mafalda é nossa alma pueril. “Questionadora” é pouco para ela. Mafalda é curiosa, inquieta, irônica, sempre em desconformidade com a humanidade… Mas com fé e esperança em sua geração.

Os amigos de Mafalda, Manolito, Susanita, Felipe, Miguelito e Libertad, assim como os pais de Mafalda, nos seus nem 40 anos, arrematam as historinhas de forma imponente e instigante. É impossível ler um quadrinho só de Mafalda, assim como é impossível odiar um personagem (até mesmo a tonta Susanita, que não pensa nos pobres e sonha apenas ser mãe, tem sua graça e beleza). Guille, o maninho de Mafalda, apaixonado por Brigitte Bardot, também é uma graça.

O livro “Toda Mafalda” era o deleite de diversos jovens e adultos dos anos 90 e 2000, pois continha 645 páginas com absolutamente todas as tiras já publicadas, até então. O filme “Mafalda”, animação com dublagem icônica, em espanhol, também impressiona e emociona.

Mafalda é encantadora, Quino é encantador. Arte e criador se mesclam, são mesmo filha e pai. O pensamento de Mafalda é o pensamento de Quino. Perder Quino é dar adeus a um artista clássico, mas também contemporâneo. Quino, em seu acanhamento, foi o cartunista e ilustrador mais nobre da Argentina, competindo pelo título da América Latina, talvez, com Mauricio de Sousa, da nossa Turma da Mônica. Mas não nos cabe eleger quem é o maior. Cabe-nos exaltar Quino e a magnitude de sua obra. Para sempre Joaquín Salvador Lavado, para sempre Quino! Seus quadrinhos críticos, políticos, afiados e astutos serão eternos, em nossas memórias e em nossos corações.

(Imagem de referência, pode conter direitos autorais)

Referência: https://www.infobae.com/cultura/2020/09/30/murio-quino-lloramos-todos/?outputType=amp-type

DIA 31 DE AGOSTO, DIA DO NUTRICIONISTA

27/08/2020 às 09h58

O nutricionista é o profissional que estuda para garantir o direito humano à alimentação adequada e saudável. Após a faculdade, onde aprende o verdadeiro valor dos alimentos, o nutricionista está pronto para assegurar que seus pacientes tenham um cardápio saudável, fazendo das refeições um verdadeiro ritual de bem-estar e aconchego. Afinal, alimentar-se bem, além de prazeroso, é um ato de amor consigo mesmo!

Esta data comemorativa foi escolhida porque nela se deu, no ano de 1949, a fundação da Associação Brasileira de Nutricionistas, no Rio de Janeiro e que, mais tarde, deu lugar à Fundação Brasileira de Nutricionistas, hoje ASBRAN – Associação Brasileira de Nutrição.

Ainda que muitas pessoas possam passar a vida toda sem consultar com um profissional da nutrição, o nutricionista, assim como o técnico em nutrição e dietética, pode auxiliar, e muito, pacientes que desejam ter uma vida mais equilibrada, aliando boa alimentação a exercícios físicos para manter o organismo saudável. O profissional da nutrição pode atuar em escolas, universidades, hospitais, restaurantes, no próprio consultório, na saúde pública e em quaisquer outros estabelecimentos que se preocupem com a alimentação balanceada. Mais do que luxo, ter um nutricionista por perto pode salvar vidas, nos casos de pacientes com distúrbios alimentares como anorexia ou bulimia, por exemplo, ou no caso de pacientes com restrição alimentar devido a outras doenças. Reconhecer o dia do nutricionista, o dia 31 de agosto, é valorizar a pessoa que estuda constantemente e se atualiza para informar a seus pacientes a importância de se comer bem, pois só mantemos nossas funções vitais a partir do combustível que ingerimos para nossas células, que realizam o trabalho diário de manter nosso corpo ativo e executando com qualidade todas as suas tarefas.

Evitar os profissionais da saúde pode ser um grave erro! Assim como os médicos de diferentes especialidades, que cuidam dos diversos órgãos da estrutura que nos move e nos sustenta, o corpo, o/a “nutri” é capaz de enxergar os alimentos com a riqueza que eles possuem, com a “lupa” que revela nutrientes como fibras, vitaminas, minerais, aminoácidos e demais componentes a fornecer o que precisamos para nos mantermos vivos.

Antigamente chamados de dietas, os planos alimentares para ganho de massa ou emagrecimento só podem ser planejados, desenvolvidos e articulados por um nutricionista. Não caia nessas de reproduzir cardápios malucos de revistas ou da internet, ou mesmo de copiar as receitas que o nutricionista da sua amiga preparou para ela! Cada paciente é único, e a partir da anamnese, de exames laboratoriais e da análise do estilo de vida da pessoa, o profissional pode, então, oferecer o melhor plano e as melhores receitas para as necessidades de cada um.

Fato: todo nutricionista irá recomendar a adoção de hábitos saudáveis, como exercícios físicos, e uma alimentação com base em alimentos naturais e nutritivos, como verduras, frutas, cereais, legumes e grãos. A OMS, Organização Mundial da Saúde (em inglês, WHO, World Health Organization), define saúde como “um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de doença ou de enfermidade”. Uma série de fatores englobam a saúde, e a maioria de nós pode considerar-se privilegiado por ter alimento à disposição sempre que há fome, o que já é grande benção e motivo de gratidão. Também a OMS informou que o consumo de alimentos ultraprocessados, como carnes embutidas, está correlacionado com o aparecimento de cânceres.

Quer mudar seu estilo de vida agora, por necessidade de mais saúde? Comece adotando novos hábitos e consultando seu nutricionista, que irá lhe auxiliar nessa caminhada.

Referências:

https://www.who.int/

DIA DO PEDAGOGO: LEMBRAR QUE EDUCAR É RESISTIR

19/05/2020 às 13h43

O pedagogo é o profissional que está habilitado a ensinar crianças, jovens e adultos nas primeiras fases da aprendizagem. Desde muito pequenas, as crianças têm ido à escola para desenvolver habilidades e raciocínio lógico que não conseguiriam desenvolver apenas em casa, com a família. O convívio com os pares é extremamente importante e é na escola, com a mediação do professor, que tudo é possível.

Muitas vezes, não sabemos que os professores da educação infantil, dos primeiros anos do ensino fundamental e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) são pedagogos. Comemorar o dia do pedagogo é bem mais que agradecer a esses profissionais que tanto se esmeram no direcionamento de quem está aprendendo as primeiras lições no mundo da alfabetização e do letramento. Como diria Paulo Freire, mestre e vulto da educação contemporânea, educar é bem mais do que transmitir conhecimento; é desejar que seus educandos despertem, buscando por si próprios o saber, com as ferramentas adequadas, possibilitadas pelos educadores. A educação é libertadora e é provavelmente a única “arma de paz” com que podemos lutar contra as vicissitudes da vida. É algo que não nos tiram e que nos leva mais longe no caminho da evolução. O conhecimento nutre a mente e a alma e nos torna mais fortes.

O profissional pedagogo, muito provavelmente, escolheu sua profissão muito antes de saber das dificuldades para desempenhá-la. As crianças que, logo cedo, brincam de dar aula para suas bonecas estão alimentando o desejo de, mais tarde, mediar o saber. É importante não romantizar a profissão, pois haverá muitos momentos difíceis a serem vivenciados em sala de aula. O professor enfrenta o descaso da administração pública, a fome, a miséria, a falta de recursos, o cansaço, a violência. Mas todo professor que ama sua profissão sabe desses percalços e os encara de peito aberto, mesmo que às vezes possa se deixar abater. O sorriso e a gratidão de seus alunos os fazem seguir em frente, muito porque ele acredita na educação como instrumento para mudar o mundo.

O pedagogo aprende, na faculdade, além de didática, disciplinas como psicologia da educação, sociologia da educação, história, matemática, geografia, artes, linguagem, entre várias outras, tudo para se abastecer de conhecimentos para poder auxiliar seus alunos a adentrarem no universo do conhecimento. Uma professora está presente nos primeiros passos das crianças, em suas primeiras descobertas e aventuras, e pode passar mais tempo com seus alunos do que os próprios familiares, que precisam trabalhar, no cenário atual. Ao mesmo tempo, alunos adolescentes e idosos que não completaram os estudos em tempo hábil têm uma nova chance de aprender e conquistar seus espaços no contexto da responsabilidade.

Assim, celebremos o dia 20 de maio com muito gosto e orgulho, valorizando nossos mestres e dando a eles o digno respeito. Eles merecem e agradecem.

13 DE ABRIL: DIA DO BEIJO (EM TEMPOS DE QUARENTENA)

13/04/2020 às 08h32

O beijo é uma manifestação de carinho das mais presentes em nossos relacionamentos. Seja ele no rosto, singelo e puro, seja ele na boca, fruto de nossas paixões e afetos amorosos, o beijo demonstra zelo, apreço e cuidado. Beijamos aqueles que amamos.

Deve ser desagradável e quase impossível beijar com ódio no coração, não é mesmo? A falta dessa demonstração, em tempos de afastamento social, pode gerar melancolia. O impacto de não podermos beijar as pessoas de nossas relações pode ser grande, porém, é o necessário para o momento.

Sabe-se que o temido vírus a que estamos combatendo se dispersa em gotículas de saliva, e muitos beijos podem deixar escapar saliva ou mesmo vir de troca de saliva. Considerando que muitas pessoas que incubam o vírus podem ser assintomáticas, a prevenção é pertinente e evitar os beijos pode, até mesmo, salvar vidas.

Mas como podemos demonstrar afeto sem o contato físico? É importante usarmos as palavras para enfatizar o quanto amamos nossos amigos, pais, filhos, netos, sobrinhos, esposas e maridos. Se antes não demonstrávamos tanto, se antes tínhamos dificuldade em expressar nossos sentimentos, ou deixávamos os elogios para depois, agora é o momento: “eu te considero”, “você é muito importante para mim”, “eu te amo”, são, mais do que nunca, essenciais.

Para os que não convivem conosco na mesma casa, a distância e a saudade podem ser aplacadas com vídeo chamadas e áudios carinhosos. Preocupar-se com o outro é cuidar do outro. E para os que estão próximos de nós, é preciso manter uma distância segura ou o uso de máscaras. Embora invisível, o perigo está à espreita.

O dia do beijo pode ser comemorado quando tudo se acalmar e se normalizar. Certamente viveremos outra era, o início da regeneração do Planeta, marcada pelo controle do Coronavírus e por mais precaução com nossa saúde e com nosso bem-estar. A preocupação com o que consumimos e com o modo que vivemos deverá ser constante.

Sabemos ser difícil, mas o resguardo parece ser a melhor opção para o momento; guardemos nossos beijos e abraços para um futuro bem próximo, que há de chegar a acalentar nossos corpos e corações.

14 DE MARÇO: DIA NACIONAL DOS ANIMAIS

14/03/2020 às 14h25

Eles são os verdadeiros donos do Planeta, os mestres da Natureza, aqueles que jamais fariam mal à casa que habitam. Julgados por muitos como inferiores, os animais são, na verdade, os seres mais puros e amorosos que habitam a Terra. Tão horrivelmente atacados por nós, homens, caçados, ameaçados e muitos já extintos, apesar de não possuírem racionalidade, eles sentem, sofrem e amam, mesmo que em diferente escala. A pergunta que deveríamos nos fazer é: Por que continuamos prejudicando criaturas que só estão conosco como irmãos de caminhada, e que possuem tantos direitos quanto nós de aqui estar?

O ser humano, do alto da sua suposta superioridade, aprendeu a explorar e a magoar muitos dos seus pares, o que dirá os animais. É muito difícil esperar compaixão e piedade dos humanos que, muitas vezes, não respeitam nem aos próprios semelhantes.

O filósofo alemão Arthur Schopenhauer estava certo quando disse que “o ser humano fez da Terra um inferno para os animais”, pois a falta de legislação apropriada para protegê-los e o próprio desrespeito humano para com esses seres geraram um verdadeiro pavor nas espécies em relação a nós, humanos. Pudera: quando conquistamos suas confianças, muitos de nós os traímos. Mas não gostaria que esse artigo fosse sobre a crueldade e a maldade.

Vamos louvar aqueles que tantas alegrias nos trazem: desde os insetos, tão importantes para a polinização e a manutenção da vida, passando pelos vertebrados mais simples, como pequenos anfíbios, até os répteis, as aves e os mamíferos, muitos de companhia, sem os quais não saberíamos enfrentar as mazelas do dia a dia.

Sem os animais não existiríamos, e não digo isso prevendo que sem eles não teríamos os não vitais carne e leite, por exemplo. Digo isso com a certeza de que a manutenção do planeta só se dá graças às criaturas que, muitas vezes, desprezamos.

O planeta viveria bem sem nossa presença, mas não sem a presença dos animais. Certos de que não queremos nossa extinção também, o que devemos fazer? Preservar toda e qualquer forma de vida, ainda que tenhamos a ela ojeriza. Mesmo uma barata, a quem costumamos detestar, tem uma razão de ser. Ou do que se alimentaria uma fofinha lagartixa?

Assim, vamos bem mais que comemorar essa data, fazer com que esses seres divinos sejam respeitados, valorizados e preservados. Há espaço para que convivamos em paz e harmonia, sabendo que os animais merecem a vida tanto quanto o ser humano.

Possivelmente eles chegaram aqui primeiro, e no momento que o homem compreender que eles não são nossos escravos, e sim companheiros, atingiremos o tão esperado Planeta de Regeneração.

PRODUTIVIDADE: COMO ATINGI-LA, DESDE QUE NÃO NOS COMPROMETA.

06/03/2020 às 11h42

O mercado profissional é competitivo, voraz e dotado de cobranças – isso todos sabemos. Que a produtividade o rege, isso está implícito. Países ditos de primeiro mundo são os com maior produtividade, e certamente o investimento em educação e em instrução é uma das chaves desse sucesso. Por outro lado, estar satisfeito com seu trabalho, ser reconhecido, bem remunerado e saudável também são princípios cabais quando se fala em produtividade eficaz.

A educação é uma proposição que determina o futuro de um coletivo. Crianças valorizadas desde bem pequenas, cujos saberes são reiterados e as potencialidades desenvolvidas logo cedo, possuem grandes chances de crescimento como adultos íntegros e felizes com suas vidas profissionais. Educar é conhecer as peculiaridades do indivíduo, é mostrar caminhos para que ele construa suas próprias aprendizagens, é possibilitar a cada um ser sujeito e protagonista de sua história, como bem disse o mestre Paulo Freire. Levar em conta a educação básica, reconhecê-la como alicerce e fomentar também o ensino superior são medidas essenciais para formar um país de trabalhadores satisfeitos. Do mesmo modo, remunerar bem esses profissionais se faz indispensável, pois quem trabalha bem consigo mesmo, tem condições de sustento, desenvolve e produz mais.

Contudo, o excesso de cobrança, a pressão para atingir metas e para manter uma produtividade alta pode atrapalhar a vida dos profissionais de diversas áreas. Trabalhar além do seu turno, em condições hostis ou sob pressão ou stress pode causar danos físicos e psicológicos irreversíveis. Mais do que “batedores de metas”, somos seres dotados de desejos e de sentimentos que precisam ser respeitados. Por mais que a tecnologia nos apresente recursos de vida artificial, a inteligência humana e sensível jamais será substituída.

Necessitamos manter nossa saúde física e mental acima de qualquer objetivo relacionado à produção. Trabalhadores sadios, que produzem, mas que prezam pelo lazer e pelo refazimento físico e mental, são os que fazem o coletivo crescer.

AUTOILUMINAÇÃO

03/03/2020 às 17h11

Muito se sabe sobre a importância do sol, astro-rei, a iluminar o Universo. Por meio dele é que toda a vida nos planetas se mantém (nós, seres humanos, inclusive, adquirimos nutrientes vitais para nosso bem-viver, como a vitamina D, através do sol). Mas há também um tipo de luz que a literatura espírita cita e que devemos cultivar: a autoiluminação. Trata-se de alimentar nosso sol interior, nossa luz própria que nos faz brilhar como seres únicos e caminhantes nessa trilha de aprendizado terreno e espiritual. Emmanuel, amado mentor de Chico Xavier, já nos dizia que a verdade é luz. Acrescento que o conhecimento é fagulha de igual importância, e não nos pode ser tirado. Assim, alimentar o brilho pessoal nessa jornada se faz com conhecimento, com caridade e com muito amor por tudo e por todos.

E como podemos adquirir conhecimento? Entre outras formas, através de literatura edificante que, no caso de algumas obras espirituais, tem base nos ensinamentos do Cristo. Não só o que é espírita leva sua marca; tudo que lemos e que nos fala de amor, que nos acrescenta, nos edifica, nos enriquece, não desmerece o próximo, vem dele; pois Jesus soube ser só amor por todas as criaturas. O conhecimento, fermento da alma, nos faz crescer como seres raciocinantes que buscam entendimento, compreensão, cultura. Ponderar, refletir, questionar também faz parte do crescimento elucidativo, pois um povo que aceita “verdades” sem se instruir, acaba reproduzindo comportamentos por vezes ultrapassados e mesmo nocivos, como tantos exemplos ruins praticados pelo homem na linha do tempo evolutiva.

Já a caridade, sem a qual não há salvação, já nos disse Jesus, se constitui em outro modo de alavancar nosso brilho interior e fazer-nos subir um ou mais degraus na escada da evolução. Ainda Emmanuel: “Ilumina a estrada de alguém e estarás iluminando a ti mesmo”. Ou seja, fazer o bem só nos faz bem, jamais nos atrasa, mesmo que esse mundo de concorrência nos queira fazer acreditar o contrário. Como nos diz o bonito provérbio, “fica sempre um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas”. Mas não é por obtermos benefícios indiretos que devemos praticar a caridade. Ainda que não “saíssemos ganhando”, ajudar o próximo seria sempre o certo a se fazer.

O espírito Lourdes Catherine, em psicografia no livro “Conviver e Melhorar”, de Francisco do Espírito Santo Neto, lembra-nos que ser caridoso com o intuito de conseguir uma bênção não é bondade; fazer o bem para obter benefícios é interesse. A maneira desprendida de ajudar o próximo é a verdadeira caridade e ela não precisa ser material. “Emprestar os ombros ou os ouvidos”, de maneira figurada, configura fraternidade e solidariedade verdadeiras.

E quanto ao amor? O amor está em tudo isso! É o mais sublime dos sentimentos. Não existe conhecimento sem amor e sem sede de aprender, não existe caridade sem amor e sem respeito por nossos irmãos. É importante considerarmos o amor próprio. Primeiramente, devemos amar a Deus, nosso Pai Maior e que conhece todas as nossas angústias; após, amar a nós mesmos, respeitando nossos sentimentos, nosso bom senso e nosso livre-arbítrio.

Amar sem restrições é nosso desafio. Não iremos amar como amou Jesus Cristo, Médico das Almas, pois estamos anos-luz de distância d’Ele – mas podemos tê-lo como modelo a ser seguido e regozijarmo-nos quando nos aproximamos uma centelha de seu exemplo.

Não seremos como Chico, não seremos como Divaldo, espíritos em missão. Mas podemos ser pequenos obreiros dessa seara divina, peças indispensáveis e únicas no orbe.