Revista Statto

CRIANÇAS CRIAM ESPERANÇAS

19/10/2020 às 18h03

Em meio à desesperança, ao caos, a agonia que burla nossa alegria, o sorriso de uma criança resplandece e causa uma revolução nos nossos pensamentos, inquietando os sentimentos ruins que insistem em impedir os adultos de prosseguir.

Crianças rimam com esperança. Elas são o bálsamo para a vida. Denotam inocência, fragilidade e, acreditem, resistência! Com seu jeitinho direto de ser, falam o que pensam e acreditam em tudo e em todos. Talvez seja isso que nos causa ensinamentos. Quando querem algo, lutam, brigam e argumentam até conseguirem.

Quando somos crianças, queremos ser adultos para fazermos o que quisermos. No entanto, ao chegarmos a essa fase tão desejada na infância, sentimos saudades do que fizemos, das brincadeiras, das bagunças, das quedas e dos longos e calorosos abraços dos nossos pais e familiares. Sentimos vontade de sermos criança de novo para fazermos tudo aquilo que não fizemos. Sentimos saudades de aproveitar mais o tempo com o nada, de apreciar a natureza ou os detalhes que fazem a diferença no olhar de uma criança.

As brincadeiras das crianças podem ser associadas à imaginação dos poetas. Elas brincam com as formas das nuvens, conversam com árvores e flores, têm amigos imaginários, manifestam fantasias fazendo da sua rotina um universo ímpar em mistérios do seu inconsciente. Os poetas se apropriam desse universo e poetizam com o passado, com as memórias de um tempo marcado pelas lembranças e pela saudade.

A criança representa o futuro, portanto, é uma fase que precisa ser amparada, cuidada e muito amada. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) criado em 1990, diz no Artigo 15 que “A criança e ao adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis”. Infelizmente, muitas crianças não têm esses direitos garantidos, não encontram no seio familiar o apoio e o carinho necessários para crescerem bem e felizes! Dalai-lama, líder espiritual do budismo tibetano, aponta que “Se a criança não receber a devida atenção, em geral, quando adulta, tem dificuldade de amar seus semelhantes”. Fato!

De acordo o estudo do médico e psicanalista Sigmund Freud (1856-1939), a criança “é capaz da maior parte das manifestações psíquicas do amor, por exemplo, a ternura, a dedicação e o ciúme”. Na criança, cabem todos os sentimentos. O piloto brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Sena (1960-1994) dizia que se a gente quisesse “modificar alguma coisa, é pelas crianças que devemos começar. Devemos respeitar e educar nossas crianças para que o futuro das nações e do planeta seja digno”. Assim, podemos pensar que o adulto que somos, é a criança que fomos.

Sabemos que a criança muda de comportamento de acordo à educação que recebe dos seus tutores e de acordo à sociedade a qual faz parte, mas independente de tais diferenças, criança é e sempre será criança. Há algo que a move. Há algo que nos move. Algo pintado de verde. Verde da cor da esperança. Esperança de dias melhores. Um mundo melhor para todos. Pessoas mais felizes, empáticas, solidárias e afetivas.

Portanto, tanto as crianças que vivem em nossa volta ou as que estão dentro de nós, criam esperança de um mundo mais aconchegante, como o ninho dos passarinhos. Falando em passarinho, o poeta brasileiro Mário Quintana (1906-1994) poetizou sabiamente que “Triste de quem não conserva nenhum vestígio da infância”.

SONETO DA CRIANÇA FELIZ
Ser criança é
Sentir a magia do sorriso pairar
É correr, pular, dançar
É por tudo se encantar.

Ser criança é
Inventar outras vidas
É falar com as nuvens
E com as estrelas tagarelar.

Não é fácil ser criança
Quando em tudo
Proibição há.

Por isso ouça a voz
Que há em você
E o sorriso transbordará.

UM DIA SONHEI

Um dia sonhei que da minha janela

Eu via crianças brincando nas ruas

Risadas e gargalhadas se misturavam

Com as mais poéticas travessuras.

As balas que existiam tinham sabor de laranja

De morango, de limão

E até de esperança.

O medo que existia era de ser descoberto

Depois de se esconder

Atrás de uma árvore na esquina

Da casa de portão aberto.

Os tiros que elas ouviam

Eram os dos traques no São João

Às vezes até oitenta disparos,

Disparavam o coração.

Um dia sonhei

Que da minha janela

Eu via as crianças

Dizendo que tinham um chão

Um chão para correr

Para jogar gude e pião

Para jogar bola sem querer ser campeão.

Um dia sonhei…

Ah, foi há muito tempo

Tempo da ilusão

Tempo em que pensava

Que não havia violência

Neste mundo vasto mundo

Onde me chamo solidão.

 

AMOR, AMAR… SEM ESSE SENTIMENTO NÃO DÁ

02/10/2020 às 19h59

Passam-se os tempos, os séculos, os anos, os dias… e a humanidade continua envolvida por um sentimento, único, mas que puxa tantos outros sentimentos bons: o amor!

Fonte de inspirações para muitos poetas e prosadores, o amor é universal, é uma mola que nos leva a tantos corações, é um elo com a natureza, com os animais, é o que nos impulsiona a viver e a querer o bem de nós mesmos.

Muitas são as narrativas em que o amor é o centro das atenções. Em Coríntios 13, por exemplo, ele é assim nos apresentado “O amor é paciente, é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor...”. Quantos ensinamentos tiramos dessa passagem e colocá-los em prática nem sempre é fácil. Saindo da Bíblia e partindo para a Literatura, temos em “Romeu e Julieta”, romance escrito pelo poeta inglês William Shakespeare, um amor que se eternizou e que inspira muitos românticos.

Ah, o amor!!! Em tempos tão contraditórios quanto estes que estamos vivendo, falarmos de amor e espalhá-lo em palavras, gestos, conselhos, poesias e tantas histórias que o têm como viés para a boa convivência e a paz, é um desafio.

A psicanalista e escritora Dorilda Souza (Salvador) enfatiza no livro “E por falar em amor” (2002) que quando o amor é cultivado “produz frutos, constrói amizades, abraça uma causa e cria ideias. Quem ama desculpa, pede desculpas a pais, a filhos, a marido, à esposa, a qualquer pessoa”. Assim, como apresentou Souza, o perdão seria o ato mais fantástico de nós seres humanos. É um ato de amor quebrar as barreiras negativas impostas pelos sentimentos que nos afastam dos outros e até de nós mesmos.

Para a escritora, enfermeira e psicanalista Luiza Moura, de Feira de Santana, Bahia, o amor é “tudo que eu não consigo explicar, mas que faz meu coração bater mais forte”. As palavras de Moura nos revelam como o corpo reage ao que sentimos. Ter nosso coração palpitando ao estar com quem gostamos e nos sentimos bem é amor. O amor circula em todos os espaços: no encontro com os amigos, no aconchego do nosso companheiro, na presença da família, no bem querer aos animais, no cuidado com a natureza, no ajudar o próximo, enfim, é um sentimento híbrido em emoções e cria oportunidades de caminharmos para a paz.

Nesse sentido, podemos pensar que onde há guerra, conflitos, vingança e desprezo, o amor se faz ausente. É preciso mudar paradigmas, olhar o outro como se estivesse olhando para nós mesmos, pois a lei da atração é certa, como disse Souza “criaturas amorosas não são como pessoas comuns que falam sobre coisas e sobre pessoas. Elas falam de ideias, de ideias para desenvolver ações sociais para o bem da coletividade”.

Pensar então na coletividade é um ato de amor. Muitas vezes, abdicamos de algo que gostamos ou que queremos a favor de um grupo. Na verdade, quando conseguimos chegar nesse patamar, a individualidade já não ocupa um lugar de destaque em nossa vida. Isso é amor. As manifestações, por exemplo, contra o racismo nos Estados Unidos são ações coletivas que fogem da individualidade. Unidos por um sentimento que deseja uma transformação positiva, os manifestantes querem um mundo melhor e igualitário a todos, independente da raça, do gênero, da cultura ou da crença religiosa. Essas ações nos revelam que o amor precisa reinar e onde ele está, há respeito, há direitos garantidos, há felicidade.

Portanto, espalhar gestos de amor, cuidar das nossas emoções e procurar fazer o bem, independente a quem seja, é deixar nosso coração, como nos disse Moura, bater mais forte de felicidade e de alegria. É preciso ver o outro como se o outro pudesse ser nós mesmos, pois, uma vez cultivado esse sentimento que derruba, metaforicamente, as barreiras, os frutos saudáveis nasceram e todos que os provarem nunca mais serão os mesmos. O amor vale a pena. Sempre! E viver sem ele… não dá!

AMAR É AMAR

O amor não precisa de renovação

Amar é amar

O amor é simples

Não se preocupa com luxo

Nem ostentação

Ele acalma

Ele engrandece

Ele é o maior dos sentimentos

Ir embora nem sempre dá não.

Já a paixão não

Ela precisa de renovação

Ostenta

Brilha

E nem sempre aceita o perdão.

NÃO NOS ENSINARAM A AMAR?

Somos Decolonizado.

De nós mesmos?

Estamos correndo o tempo todo

No tempo!

Corremos para pegar o ônibus

Corremos para pegar uma senha

Corremos para tudo

E estamos correndo dentro da gente

E nessa corrida

Atropelamos os sentimentos

Não nos atentamos para os sinais,

Vitais,

Que existem há tanto tempo

Dentro da gente…

Nem sempre ultrapassamos a barreira

As barreiras que nos impedem de Seguir, de lutar, de resistir

De exterminar o preconceito.

Temos que nos decolonizar

E fazer da nossa morada

Espaço de empoderamento

De fazer da nossa sociedade

Espaços de interação

Com nossa cultura, com as culturas Populares,

Pois estas sempre sendo

Marginalizadas

Resistem

E existem em espaços múltiplos.

O tempo? Agora.

O espaço? Decolonizado.

Dentro de nós

Fora de nós

O tempo? Agora

De decolonizar as raízes racistas

E excludentes!

Decolonizar pensamentos

Decolonizar gentes

Decolonizar espaços acadêmicos

Decolonizar ações

Para que meu mundo, nosso mundo

Nosso tempo

Seja poeticamente

Espaço de florescer!

Assim, ensinaremos tantas outras gentes a amar!

VAMOS AMARELAR A VIDA?

14/09/2020 às 11h34

Muitas são as campanhas que vão surgindo e fazendo parte do nosso calendário afetuoso. Em setembro, por exemplo, temos a marcante cor amarela que brota no mês da primavera. Primavera é a estação das flores, da renovação e da esperança. Portanto, termos uma campanha que circula em todo território nacional a favor da vida, da importância de estarmos presentes de alguma maneira no caminhar do outro, é pintar nossa existência também de amarelo. O amarelo que pinta os ipês, os girassóis, as rosas, as acácias, os cravos, os lírios-de-São-José, as madressilvas, os hibiscos, as amarelinhas, as gérberas, os crisântemos e tantas outras espécies que encantam e perfumam os jardins da vida. O amarelo que energiza nossa alma e nossas emoções.

Setembro Amarelo. Eu. O outro. Nós. O elo que nos une e fortalece a atenção. O cuidado. O diálogo. Setembro Amarelo é a campanha do amor e da empatia. Da prevenção. Da salvação. Segundo a Cartilha “Suicídio: Informando para prevenir” organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria, o Brasil é o oitavo país onde ocorre mais suicídio. É difícil de aceitar que em um país onde as pessoas são tão calorosas, gostam de festas e de alegria, um país tropical, ainda temos a solidão, a desesperança, o desespero e o desamparo como fatores que levam muitas pessoas a buscarem a “solução” trágica para seus problemas e inquietações. Essa epidemia silenciosa caminha entre nós, no nosso círculo de convivência, até mesmo na nossa própria casa.

O sobrevivente George Fley (filho de suicida) diz que o setembro Amarelo salva vidas. A dele foi salva também. Sentiu a dor da alma, algo inexplicável de narrar. Para ele, o primeiro passo para mudar os pensamentos é perdoar a si mesmo. Por mais difícil que a vida pareça, ela sempre vale a pena, pois tudo se resolve! Devemos pensar que há milhares de pessoas lutando pela vida diariamente em algum leito de hospital. É muito contraditório isso, uns querendo partir, outros dando tudo para ficar!

O suicídio, para o filósofo e representante do existencialismo francês Jean Paul-Sartre (1905-1980), é um ato que impedirá todas as ações futuras de liberdade. Ao dizer que “a morte jamais é aquilo que dá à vida seu sentido: pelo contrário, é aquilo que, por princípio, suprime da vida toda significação”, Sartre então nos explica que nossos problemas devem ser resolvidos na vida, a morte não é, pois, a solução. Foi o que afirmou o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935) ao dizer que “nunca encarei o suicídio como uma solução, porque eu odeio a vida por amor a ela”.

É importante frisar que a autoestima é o comando das nossas vidas. Estar e sentir-se bem, ter amigos, realizar desejos e projetos, sentir a felicidade em coisas simples e, acima de tudo, sentir-se importante são ações que regulam a autoestima. Qualquer desequilíbrio pode acarretar em sensações e emoções que nem sempre, sozinhos, conseguiremos resolver.

Então, vamos amarelar este setembro, colorir com a cor vibrante do Sol os corações que nos clamam e nos chamam em silêncio. Um olhar, um abraço, uma palavra ou mesmo um firme aperto de mão, muitas vezes, é o que o outro precisa naquele momento. Não deixemos que o maior roubo aconteça: o da raça humana, como nos lembra o escritor e filósofo franco-suíço Jean Jacques Rousseau (1712-1778) ao afirmar que o “suicídio é o roubo da raça humana”. Portanto, que venham Setembros Amarelos durante todo ano, durante todo tempo, durante nossa vida toda.

 ADVERBIANDO

Estamos nesta vida

Não só para brincar

Temos amigos e companheiros

Para deles cuidar

Amor

Carinho

Atenção

Sentimentos de uma vida toda

E não somente de uma estação.

Estamos nesta vida

Para a felicidade conquistar

Vivemos o tempo inteiro

Buscando os sonhos realizar.

Aqui e agora

Hoje e sempre

Amanhã e depois

Buscaremos sempre

Vivermos contentes

Driblando os desafios

Para nunca desanimar

Nestes importantes momentos

dos advérbios de tempo

O BOM DA VIDA

O bom da vida

É perceber

Que ela tem

Cheiro

Cor

E sabor!

É sentir o vento leve

A nos tocar.

É cantar

Dançar

Sorrir

Fazer novos amigos

E os de sempre cultivar!

O bom da vida é saber

Que temos

Com quem contar.

Aproveitar todos os segundos

Pois sem sabermos a hora

Ela irá nos deixar!

ABRAÇO É A POESIA DOS CORPOS

31/08/2020 às 09h14

A chegada inesperada da pandemia nos trouxe mudanças bruscas no nosso comportamento. Um deles é o afastamento social que transformou nossa rotina, nossas relações com a família e com os amigos. Assim, tivemos que manter o contato com o outro através do virtual, da distância, do não presencial. E aquele toque no outro, aquele abraço caloroso, cheio de energia boa… não é cabível!

O abraço é uma das manifestações mais simbólica e significa que nós apresentamos. É com ele que mostramos nossa saudade e a alegria em rever quem amamos, é com ele que perdoamos e somos perdoados, que dizemos “sim”, que mostramos quão importante aquele momento é. Ao abraçarmos, liberamos um hormônio chamado ocitocina que alivia o estresse, então, abraço também é saúde, é bem-estar! É com o abraço que fazemos e firmamos nossos laços de amizade e sentimos que não estamos só…

Foi assim que surgiu, para nossa alegria, o Dia do Abraço! Pois é, abraço tem dia sim, não para que possamos interagir com o outro nessa data somente, mas, especialmente, para nos lembrar que esta ação de envolver o outro em nossos braços é uma forma de afeto, de dizer “estou aqui com você, pois você é importante”. Dia 22 de maio é então a data que comemora essa ação tão linda de nós seres humanos. Surgiu a partir de uma solicitação desesperada do austríaco Juan Man em 2004 quando, ao desembarcar num aeroporto, não tinha ninguém para recepcioná-lo, para trocar essa energia entre os corpos através do abraço. Assim, ele fez um apelo escrevendo em um papelão o pedido de um abraço grátis! Após viralização do ato, as pessoas sensibilizadas pelo apelo do austríaco começaram também a espalhar a mensagem de afeto para que todos soubessem a importância de um simples ato.

Portanto, assim como Man, tantas pessoas têm suas bagagens cheias de problemas e de solidão, querem um gesto de carinho para terem motivação para continuarem a viagem… da vida!

Embora existam países onde o abraço não exista, o seu surgimento, de acordo Mario Prata, data de pouco tempo. Segundo o escritor, dramaturgo e jornalista, foi no início do século XX, na Itália, que os italianos começaram a se abraçar para que pudessem descobrir, através de afagos e tapinhas nas costas, se o outro estava armado! De lá para cá, muitas outras intenções foram surgindo para que esse gesto pudesse ser trocado. Ainda bem! Surpreendentemente, temos ainda povos que não se tocam, não se abraçam, mesmo com intenções não tão afetivas.

E os brasileiros? Como andam de abraço? Somos conhecidos como o povo caloroso, pois abraçamos todos sem termos algo para comemorar! Mas, nestes tempos tão difíceis, cujo vírus está a circular, não podemos envolver o outro em nossos braços. Mas tudo isso vai passar, e aquele contato gostoso, aquela troca boa de energia voltará a acontecer, pois somos emoção e gostamos de nos abraçar. No entanto, enquanto ainda não podemos juntos estar, vamos dando abraços virtuais através de palavras de amor, de afeto e de motivação. Vamos mostrar como o outro é importante para nós e falar que depois da pandemia estaremos assim, de braços abertos para o receber com toda nossa alegria, pois abraço é a poesia dos nossos corpos e da nossa alma!

ABRAÇO É UM LAÇO

O Abraço, devaneio de tantos poetas,

Aquece a alma e a voz

Permite a troca de energia… de calor… do sabor gostoso de sentir a felicidade nos braços de quem amamos…

O Abraço é o Beijo entre os corpos

Que se atraem pelo desejo e a vontade de estar juntos

Abraço tem que ser forte

Firme

Com vontade

Contrário disso…

É um desperdício,

Não é Abraço!

É simplesmente a vontade de não tocar o outro…

Abraço é um laço

De amizade, de paixão, de amor e carinho

Abraço nos teus braços é a mais louca ilusão…

Quero-te sempre aqui, meus em teus braços,

Nem que seja nos pensamentos que me levam até você!

NO SEU ABRAÇO

No seu abraço

encontro a energia

para sair da nostalgia

da solidão.

No seu abraço

Encontro meu ninho

A fuga do medo

E o aconchego

Que aquece as emoções.

No seu abraço

Sou amor

Fantasia

A perfeita magia

Da minha imaginação.

A INCRÍVEL ARTE DA ESCRITA

20/08/2020 às 08h59

O ser humano é composto de razão e de múltiplas emoções e sentimentos, é portanto, um ser híbrido, complexo. Por conta disso, muitas vezes, entra em constante desequilíbrio e precisa de intervenções para conseguir seguir o fluxo da vida de forma mais saudável e feliz. Nesse momento, além da ajuda de profissionais como psicólogos e terapeutas, a arte entra em ação.

A arte da escrita. Escrita é arte, é autoconhecimento e ajuda a gerir as emoções. Escrever é relatar as impressões diante da vida como o livro “Quarto de despejo” da autora Carolina Maria de Jesus, um diário que revela o cotidiano da autora e da cidade onde viveu. Já o poeta chileno, Pablo Neruda, nos diz que  “Escrever é fácil. Você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio, você coloca ideias”. Assim, escrever diários, poesias, reflexões, histórias dentre outros textos, é, acima de tudo, uma forma de dialogar com você mesmo, de externar o que move o coração, a mente!

Diariamente, passamos por situações que desejaríamos guardar para sempre em nossa vida, em nossa memória. Seja o encontro com pessoas queridas, as surpresas que nos tiram o fôlego, as palavras lindas que queremos ouvir todos os dias e tudo que nos faz bem. E onde registrar tudo isso? Com um lápis  e papel, podemos eternizar nossas memórias, guardá-las para que tudo que foi ou é importante seja relembrado sempre que possível.

A escrita acompanha as comunidades desde os anos 3500 a 3000, na Suméria, antes de Cristo. Claro que nessa epóca, eram os símbolos que representam a comunicação escrita e surgiram pela necessidade de registrar em tábuas de argilas o que entrava nas comunidades. Mais adiante, foi a vez do Egito apresentar suas primeiras inscrições através dos hieróglifos. Até chegar ao que conhecemos hoje como alfabeto, os registros escritos passaram por inúmeras transformações. Os gregos, por exemplo, aperfeiçoaram as letras para as vogais. Enfim, conhecer a história da escrita e sua evolução é conhecer a história da humanidade, as culturas, as diversidades humanas!

Nesse sentido, podemos dizer que a escrita nos move e nos movemos o mundo. A escrita registra pensamentos, palavras de esperança, de amor e de amizade. Escrever é isso…, é externar o que sentimos e nossa interação com o mundo exterior. Se para os poetas, escritores, a escrita é a ferramenta a qual seus imaginários são polarizados, disseminados, as pessoas “não poetas” também se valem dessa ferramenta para inúmeras situações. Como arte, a escrita é, também, pensamentos grafados.

Assim, não precisamos seguir o caminho de Aristóteles ou de tantos outros filósofos e escritores que se valem da escrita para alcançar o outro, mas que possamos ter a escrita como uma aliada para o diálogo e para a viagem para dentro de nós mesmos, pois escrever possibilita um encontro maravilhoso com nosso íntimo, nossas ideias e este turbilhão de emoções que nos inquietam e nos sustentam. Portanto, em tempos de pandemia cujo isolamento físico é necessário, lápis e papel na mão faz bem, aquietam nossos corações!

Boa viagem e como nos dizem os versos:

ESCREVER É…

Escrever é

Eternizar as emoções

É transportar sentimentos

Para outros corações.

Eu, a palavra, os poemas

“Escrever é fácil

Você começa com uma letra maiúscula

E termina com um ponto final.

No meio você coloca ideias” (1*).

Ideias recheadas de sentimentos,

De amores, dores de doce ilusão

Que vêm moldando as razões

E buscando dar vida ao sopro dos corações

Através da palavra

Que chega e finca

A mensagem de sua essência

Com elegância e rispidez.

A palavra vem

E poeticamente

“As palavras me tocam e eu as toco,

 Depositando no papel” (2*)

o que há em nós.

E silenciosamente

Faz moradia no meu EU

E me apresenta em ordem desordenada

Os versos que fazem moradia em mim

Revelando minha voz

Revelando minha língua

Que corta meus medos que emudecem meus segredos.

“Da língua cortada,

Digo tudo,

Amasso o silêncio” (3*)

Que me persegue

Eclodindo em mim

Os desejos mais estranhos da minha alma.

No silêncio

Busco meus versos

Busco busco busco…

E vou guardando-os em palavras escritas

Nos mais belos sentimentos

Formando poemas

Com rimas

Sem rimas

Eu, palavra

Eu, versos

Eu, um todo poema sem fim

Sem ponto final

Porque o final

Nós o construímos

De todo sentimento.

Pablo Neruda.

Miriam Alves.

3.Conceição Evaristo.

VIAJAR É ENCHER A BAGAGEM DE FELICIDADE

29/06/2020 às 08h42

Esperamos ansiosamente pelas férias, por feriados e finais de semana para sairmos da nossa cidade e irmos para lugares desejados. “Viajar é trocar a roupa da alma” como disse nosso poetinha: Mário Quintana (1909 – 1994), é o encontro com outras culturas, com outros povos e outras estações. Viajar é reencontro, é abraçar calorosamente quem há tempos não vemos, é matar a saudade de quem amamos e reacender a chama da felicidade que, às vezes, está adormecida por causa das nossas obrigações e da nossa rotina.

Viajamos para tudo: estudar, trabalhar, distrair, fazer intercâmbio, relaxar, esquecer (tentar) um amor ou visitar pessoas e lugares. Não importa o motivo! Ser viajante é retornar para casa diferente ou não voltar, pois, jamais seremos os mesmos depois de uma partida. Para o escritor, compositor e viajante norte-americano Paul Frederic Bowles (1919 -1 999), o viajante é aquele que não tem medo de se perder, é aquele que jamais retorna à casa que o viu partir, porque após uma viagem estaremos mudados, nossos pensamentos serão outros, nossa mente estará mais leve e nossas emoções mais estabilizadas.

Há quem viaje com os livros através das narrativas fantásticas e nessas leituras, encontra-se com personagens que oportunizam a troca de saberes, de culturas, de fantasias. Personagens como Romeu e Julieta (William Shakespeare) que nos remetem a Verona, na Itália, palco de um amor que se eternizou na literatura; Capitão Rodrigo e Ana Terra (Érico Veríssimo) que através da obra “O tempo e o vento” nos leva aos campos do Rio Grande do Sul ou ainda Augusto e Carolina (Joaquim Manoel de Macedo) personagens da obra “A moreninha” cuja narrativa se desenvolveu no Rio de Janeiro. Enfim, viajar é possível quando estamos com um livro na mão.

No entanto, além de conhecermos outros lugares, viajar é estar mais perto de nós mesmos, é buscar o equilíbrio desestabilizado, é adentrar à nossa subjetividade. Essa viagem é muito mais difícil. O poeta Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987), em seu poema “O homem; as viagens”, já dizia que ir a Marte seria muito mais fácil do que viajarmos para dentro de nós mesmos.

Ir ao encontro dos nossos medos é um desafio que nem um navio nem um avião chegariam tão rápidos e fáceis. Encontrar uma pessoa diferente da que externamos é difícil. Difícil ainda dialogarmos com ela e perceber que ela… é o próprio viajante. Assim, para o professor Rodrigo Castro Orellana, da Universidade Complutense de Madrid, esse “viajante se singulariza precisamente ao permanecer longe do abrigo de qualquer porto seguro. Sua vocação não consiste em voltar a casa com boas notícias, presentes exóticos e narrações nostálgicas de mundos maravilhosos”, por isso esse pensamento que viaja em nosso universo morre metaforicamente inúmeras vezes no caminho que fazemos. Ocorrem mudanças, auto avaliações. Externam ideias mais seguras de um viajante que se encontra cotidianamente com ele mesmo.

Portanto, a cada viagem que fazemos, através de qualquer meio de transporte, através dos livros ou mesmo no nosso mundo interior, driblando as emoções que pesam, é carregar uma bagagem (a vida) repleta de sonhos, alegrias e transformações.

A vida é, pois, a maior e mais linda viagem que todos os seres vivos podem fazer. A vida é um direito. A liberdade é um direito. Viajar é desvendar mistérios do mundo.

SOU PASSAGEIRA DO TREM

Sou passageira do trem

Estou de passagem

Neste trem chamado vida.

Parti de um local definido pelo tempo

Indefinido pelo amor

E sigo…

E olho os trilhos

Por onde este trem me leva

Paro em muitas estações

São tantas emoções

E busco força nas mãos em minha volta

E vou seguindo

E sigo.

São muitas janelas que o trem apresenta

E poe elas

O vento entra

Sussurra baixinho em meus ouvidos

Parece falar algo

E toca a minha pele

Arrepio-me!

E suas palavras, suaves e tocantes

Penetram minhas veias

Aquecendo intensamente meu sangue de sentimentos.

O TREM

A vida

Minha partida

Minha chegada

Chegada onde mesmo?

Sou apenas uma passageira

Em busca de emoções

Das cores que brilham

No arco-íris das Nações

Neste trem vou seguindo

Estou indo

Indo.

Sinto-me pertencente a esta viagem

Tão curta… finita

E vou

Vou vou vou

Ainda não desci do trem.

ESTRADA LIMITADA

Que nunca nos falte

A vontade de amar

A vontade de sorrir

A vontade de prosseguir.

Que nunca nos falte

O ar fresco das manhãs

O sorriso de felicidade

E nossa luta pela igualdade

Nesta estrada limitada

Sinuosa

E atrevida

Chamada

FLORES EM VIDA É AFETO RECEBIDO

28/05/2020 às 09h44

Por mais que gostemos de ganhar presentes de longa durabilidade, não há gesto mais lindo em mandar flores a quem amamos ou admiramos. As flores, belas, perfumadas e instigantes pelos formatos e cores, são temas para a inspiração poética e, claro, está presente nos momentos de desculpas ou mesmo de intenção romântica. Do latim flos, as flores representam inúmeros sentimentos, dentre eles, o amor.

No entanto, o gesto de oferecer flores não é atitude dos tempos modernos. Desde a antiga Grécia, esse ato afetuoso já existia e tinha inúmeras finalidades como recompensar alguém por um trabalho feito até homenagear pessoas de grande importância para o indivíduo. Também no antigo Egito, as pessoas tinham costumes de colocar flores nos túmulos como forma de homenagear os que partiram. Já no reinado da rainha Vitória da Inglaterra (1837-1901), as flores eram usadas para representar sentimentos e desejos, a partir do tipo, da cor, do tamanho e do aroma. Essa prática se expandiu e tornou-se hábito de presentear a quem amamos dando origem ao Valentine’s Day ou Dia dos Namorados, comemorado aqui no Brasil dia 12 de junho.

Essa comemoração surgiu da narrativa lendária de que, após a proibição de casamentos pelo Imperador Cláudio II (214 d.C – 270 d.C), por acreditar que no combate à guerra os homens solteiros teriam mais êxito da vitória, um bispo chamado Valentin continuou celebrando as uniões matrimoniais às escondidas. Após ser descoberto pelo Imperador, teria tido um fim trágico: condenado à morte depois de preso. No entanto, os jovens, ao saberem de sua prisão, enviavam para ele flores como forma de dizer que o amavam. Assim, surgiu essa data tão desejada e esperada pelos casais e que é encantada pela beleza das flores.

Entretanto, mesmo com essa denotação, o ato de presentear com flores causa muitas reflexões para poetas e músicos, principalmente. O Papa Francisco (1938) disse em um discurso em 2016 que o ser humano “briga com os vivos e leva flores para os mortos”. Reflexão esta presente também na obra O Diário de Anne Frank cuja narradora desabafa dizendo que “os mortos recebem mais flores do que os vivos porque o remorso é mais forte que a gratidão”.

Assim, podemos repensar que o ato de presentear com uma flor roubada do jardim alheio ou com um lindo ramalhete de rosas vermelhas tem que fazer parte da nossa rotina também. Não que deixemos de homenagear nossos entes queridos ou conhecidos que partem para outro plano, mas que possamos mostrar a quem nos acompanha nesta jornada da vida com gesto tão simples e de grande valor emocional, independente, também, de ser Dia dos Namorados ou não.

A escritora Cora Coralina (1889- 1985) ao dizer “Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores” nos reforça a beleza das flores e a leveza que elas trouxeram para seu coração. As flores acalmam a alma, embeleza nossos lares, perfumam nossa vida.

Em contrapartida em presentear ou sermos presenteados com flores, podemos cultivar essa maravilha da natureza para deixarmos nosso ambiente mais bonito e harmonioso. Não importa se temos espaço suficiente ou não, ter uma flor dentro da nossa casa já nos traz a sensação de paz. O poeta, dramaturgo e ator William Shakespeare (1564 – 1616) nos deixou a seguinte reflexão: “O tempo é algo que não volta atrás, por isso plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores”, por isso, mesmo que não recebamos flores em vida, podemos sim perfumar nosso coração com a beleza que elas nos oferecem, podemos sim ser jardineiros e encantar cada vez mais nossa vida, pois flores é afeto recebido e podemos ser afetuosos com nós mesmos!

   DE TODAS AS FLORES

Estas flores chamadas mães

Que nascem em qualquer jardim

jardins secretos

Jardins inférteis

Jardins de cactos ou dos colibris.

Estas flores chamadas mães

Têm o perfume dos boticários

A essência da própria vida

E o mais belo dos sentimentos

Que gera elo nas margaridas.

De todas as flores deste solo de amor

Rosas

Azaleias

Bromélias

Flor de lis

Jasmim ou Marjorie

E outras lindas flores

Desse espetaculoso jardim

Tem o néctar que as abelhas

Levam para a colmeia alimentar.

AS FLORES DO CORAÇÃO

Quão belas são as flores

De todas as cores

Azul, rosa, vermelha, branca e amarela

Enfeitando os jardins

Exalando perfumes

Que encantam os corações sensíveis

E que buscam na insensibilidade humana

Exalar amores.

Quão belas são as flores

Que povoam seu coração

Numa mistura de cores e cheiros

Encantam as emoções.

Quão belas são as flores que te envolvem

numa mistura de amor e perdão!

Quão belas são as flores

E precisamos ganhá-las em vida

Porque flores é vida

Vida em amores.

A VIDA TEM MAIS SABOR COM PERSISTÊNCIA

18/05/2020 às 10h20

Todos os dias, a vida nos dá desafios. Alguns mais leves os quais podemos resolvê-los sem grandes ações, outros, muito mais complexos, os quais nos exigem determinação, enfrentamento e, claro, persistência! E desistir desses desafios não faz parte da vida de quem acredita que pode realizar sonhos e de quem deseja um mundo melhor.

Desistir desses desafios é entregar os pontos, é certifica-se de que não há forças nem motivação para ir em busca das realizações: o primeiro emprego ou um emprego melhor, concluir os estudos básicos e/ou inserir-se em uma universidade, publicar um livro, fazer a viagem dos sonhos, comprar um bem durável ou até mesmo realizar pequenas ações diárias. Persistir, do latim “persistere”, significa continuar com firmeza, ou seja, independentemente das pedras que encontremos em nossa caminhada, parodiando o poema “No meio do caminho” do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), devemos seguir, enfrentar nossos próprios medos, pois não há vitória sem lutas, sem obstáculos.

A persistência, já dizia o ator, produtor, compositor e diretor britânico Charles Chaplin (1889-1977) “é o caminho do êxito”. E por esse caminho devemos seguir, acreditar que somos capazes das vitórias nas nossas batalhas diárias.

Pensar que existe o impossível e por isso não conseguiremos ir além dos sonhos, dos projetos idealizados em nossa mente, é calar nossa voz, nossos desejos, pois tudo é possível de realização. Somos como borboletas em casulo ao desejar algo para nós. Há fases e, em alguns momentos, teremos que retornar ao ponto inicial das nossas ações, o que difere do fluxo da metamorfose que não há retorno, pois temos a transformação em nossas mãos. Aceitar que o caminho seguido não deu certo para a realização de tal objetivo e escolher outro percurso, muitas vezes mais difícil, é persistir, é não aceitar o ostracismo de um casulo que não concluirá a transformação da borboleta, é não aprender com os erros, enfim, é não querer voar com fazem as mais lindas crisálidas nos jardins da vida.

Aproveitar as oportunidades que surgem para impulsionar nossos sonhos é necessário para estarmos bem e cientes de que não estamos deixando nossos desejos escorrerem pelas nossas mãos, pois outra oportunidade poderá custar a surgir de novo. A pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954) dizia que “Nada é absoluto. Tudo muda, tudo se move, tudo gira, tudo voa e desaparece. Cada tic tac é um segundo da vida que passa, foge, e não se repete. E há nele tanta intensidade, tanto interesse, que o problema é só sabê-lo viver”, assim, podemos pensar como líquida é a oportunidade e como efêmero é o nosso tempo para deixarmos nossos projetos de vida guardados em uma gaveta empoeirada da memória ou da vontade.

Persistir, em tempos de pandemia ou não, é amar-se, é desejar ocupar tantos outros espaços possíveis dos nossos desejos. Persistir é antes de tudo, saber que tudo é possível, com pedras ou não, em casulos ou não, tudo pode ganhar asas, basta acreditarmos que o principal escultor da nossa vida somos nós mesmos. Somos nós os responsáveis pelo sabor que daremos a nossa trajetória.

NÃO DESISTIR É O LEMA

Quando tudo parecer perdido, clame

Quando tudo parecer difícil, chame

Quando tudo parecer impossível, siga

Quando tudo parecer inseguro, pare

Quando tudo for tudo de difícil

Feche os olhos

Encontre você em algum lugar do passado

Veja os obstáculos

Veja o nada em construção,

Veja onde você estava.

Quando tudo parecer que parece sem sentido

Pense que você é um ser em construção

Que precisa de sonhos

Para impulsionar a razão.

Quando tudo parecer tão fácil, desconfie

Quando tudo parecer tranquilo, agradeça

Quando tudo parecer sincero, observe

Quando tudo parecer perfeito, questione.

Desistir é o lema

De quem passa pela vida

Sem buscar respostas

Desistir é o verbo que não se conjuga

Na voz dos vencedores.

VOCÊ É CAPAZ

Você é capaz

De abrir a janela

De ligar a luz

De fechar a janela

E de apagar a luz.

Você é capaz

De plantar uma rosa

De oferecer ajuda

De molhar uma planta

E estender a mão.

Você é capaz

De mudar sua história

De sair da inércia

De escolher seus amigos

E de oferecer abrigo.

Você é capaz

De não aceitar o que está pronto

De não ouvir blasfêmias

De dizer sim ou não

E de seguir seu rumo.

Você é capaz

Capaz de sorrir

De amar

De sentir

De ser o que quiser

Basta saber

Que você

É capaz!

SAUDADE: BORDADO DO CORAÇÃO

05/05/2020 às 20h10

Além de tantos sentimentos que sentimos, alguns bons outros nem tanto, ainda temos aquele que faz doer o peito, faz as lágrimas rolarem e, muitas vezes, faz a solidão comandar: a saudade.

Na escrita poética, assim como nas canções de amor, a saudade é uma das principais inspirações dos poetas. Saudade da infância, de um grande amor, de um familiar ou amigo, da terra natal entre tantos outros temas presentes em poemas em qualquer época vivida pelos escribas da arte literária. É, pois, a saudade, que não deixa a memória apagar momentos ímpares de alegria e de prazer eu tivemos.

Em latim, o termo saudade (solitatem) vem da palavra solidão, depois, passando pelo galego-português “soidade” deu origem às escritas arcaicas “soidade” e “soudade”, que influenciada pelos termos “saúde” e “saudar” deram origem à palavra que usamos atualmente: saudade. No entanto, em outras línguas, não há uma tradução para o termo. É a sétima palavra da língua portuguesa mais difícil de ser traduzida.

Para quem acha que não há um dia oficial para comemorarmos a saudade enganou-se. Aqui no Brasil, temos o dia 30 de janeiro para valorizar esse sentimento nostálgico, mas de grande importância para que as recordações não desapareçam. Ademais, acredito que sentimos saudades daquilo que nos fez feliz e que deixou um grande vazio em nossas vidas e nos nossos corações. Por isso, nem sempre o que recordarmos sentimentos saudades.

A psicóloga Rita Gallegari nos alerta sobre a forma negativa como a saudade pode impactar na vida das pessoas. Não podemos, pois, deixar de sentir saudade, mas ela nos remete a algo que já passou e por isso, podemos nos prender a essa “ausência”.  Nossa mente, segundo a psicóloga, funciona nos três tempos: passado, presente e futuro, que são invenções da nossa mente. Assim, quando nos concentramos, especificamente no passado, isso nos tira a possibilidade de viver o agora. Precisamos viver o presente, pois é o momento privilegiado, adequado para termos uma vida mais proveitosa e prazerosa. É importante termos uma relação saudável com a saudade, mas não podemos deixar de lado o tempo de hoje.

De acordo o teólogo, pedagogo, poeta e filósofo brasileiro Rubem Alves (1933-2014), o que está escrito no coração a gente não esquece, por isso não precisamos de agenda. O que amamos ficará eternamente em nossa memória. Portanto, deixemos a saudade invadir nossas vidas de forma saudável, pois precisamos dela para impulsionar nosso futuro e nossa caminhada uma vez que a poesia já dizia que a saudade é um bordado de linhas tecidas pelo coração. Assim, saudade rima com amor e amor rima com afetividade.

DE TUDO ISSO EU TENHO SAUDADE

Dos seus sorrisos

É o que mais tenho saudade

Do cabelo prateado amarrado

No alto da cabeça

do vestido de algodão

Florido

Rimando com as flores do campo aberto

Lá longe no sertão

É a vovó das histórias encantadas

que trazia à tona

As fadas, bruxas e borboletas

Que alegravam a minha imaginação.

Era meu livro vivo

Livro feito gente

Que tem o amor

Como centro das emoções

De tudo isso

Eu tenho saudade.

RETRATO E O TATO

Chegará um tempo

Que a saudade de nós

Será sentida

Ao olharem nosso retrato

E o tocarem pelas mãos tremidas!

Sentirão, levemente, nossas vidas

O nosso olhar

O sorriso discreto

Os trejeitos sentidos e percebidos

por quem ali está!

Chegará um tempo

Que haverá retrato nosso

Em algum canto a empoeirar

E nenhum outro tato

Sentirá aquela vida

Que em um passado distante

Despertou a despedida.

PESSOAS SÃO COMO PERFUMES

27/04/2020 às 08h44

O perfume, do latim “per fumum” (através do fumo) surgiu no Egito a partir da necessidade de aromatizar o corpo humano. É uma mistura de óleos, água e álcool que tem como finalidade proporcionar cheiros agradáveis duradouros, principalmente nas pessoas.

No entanto, há, poeticamente, pessoas perfumadas naturalmente cujo cheiro vem das palavras de amor e de conforto como das boas ações que desenvolvem na sociedade, no companheirismo e na honestidade, no coração bom e puro.

De origem baiana, Irmã Dulce, (1914-1992) que dedicou toda sua vida cuidando dos pobres e dos necessitados, dizia que “quem espalha amor não tem tempo nem disposição para jogar pedras”. Ela era perfumada na alma, nas ações e nas palavras.

Partindo para o anonimato, vemos, diariamente, pessoas que deixam um pouco do seu tempo para levarem alegria e palavras de otimismo a quem precisa. É o caso, por exemplo, do projeto DOUTORES DA ALEGRIA idealizado pelo palhaço, ator e empreendedor social Wellington Nogueira em 1991. A associação Doutores da Alegria é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos e transita pela área da saúde, da cultura e da assistência social. Mundialmente é reconhecida pelas suas ações que ajudam a melhorar a vida de crianças, adolescentes e adultos. Os participantes dos DOUTORES DA ALEGRIA são pessoas perfumadas.

Nos últimos meses, presenciamos pelos veículos midiáticos, várias campanhas em prol dos necessitados por conta do novo coronavírus e do impacto do isolamento social. Pessoas, de diversas classes sociais, ajudam como podem doando alimentos e roupas através dos postos de arrecadação em diversas cidades brasileiras assim como por Drive-Thru.

Parece que essas tragédias surgem para testar nós seres humanos e a nossa relação com o outro. Relação essa que deve ser pautada na solidariedade. É importante salientar que na Antiguidade Clássica éculo (VIII A/C. e o século VI D/C) foram encontrados os primeiros registros sobre valor da solidariedade que se contraporiam à teoria individualista do sofista Protágoras (81 A/C. –  411 A/C.) que dizia que “o homem é medida de todas as coisas, das que são o que são, e das que não são o que não são”, isto é, bastava só viver em sociedade sem precisar ser necessário para ela, valorizando assim o individualismo. Sobre o individualismo, Nelson Mandela (1918- 2013) sonhava com o dia em que todos levantariam e compreenderiam que todos eram irmãos. Assim, todos viveriam pela busca da paz, na propagação do amor e no respeito ao outro. Todos seriam pessoas perfumadas.

Portanto, perfumarmos os ambientes pelos quais passamos não é difícil, não precisamos dessas fragrâncias mercadológicas para perfumarmos o outro com palavras de otimismo e de fé, com o escutar, com o doar um pouco do tempo para estar com o outro, mesmo a longas distâncias, mesmo com o isolamento social, necessário para a não propagação do vírus mortal. É necessário abrirmos nossos corações para que os sentimentos bons façam morada e criem pontes entre outros corações que precisam, muitas vezes, só de umas gotinhas da nossa atenção.

 

PESSOAS PERFUMADAS

Pessoas perfumadas

são aquelas

que te mostram a dureza da vida

através das pétalas das flores!

As flores do coração

Quão belas são as flores

De todas as cores

Azul, rosa, vermelha, branca e amarela

Enfeitando os jardins

Exalando perfumes

Que encantam os corações sensíveis

E que buscam na insensibilidade humana

Exalar amores.

Quão belas são as flores

Que povoam seu coração

Numa mistura de cores e cheiros

Encantam as emoções.

Quão belas são as flores que te envolvem numa mistura de amor e perdão!

Quão belas são as flores

E precisamos ganhá-las em vida

Porque flores é vida

Vida em amores.

BICHINHO NOSSO DE TODO DIA

13/04/2020 às 14h40

Quem nunca ouviu ou disse a frase-clichê que o cachorro é o melhor amigo do homem? Pois é, nossos amiguinhos desenvolvem por nós um sentimento humano: o afeto. Pesquisas austríacas comprovam que os cães desenvolvem suas personalidades baseadas nas dos seus donos, então, o carinho e o amor que recebem são refletidos em seus comportamentos.

Assim, se um cão é bem tratado, amado, ele retribuirá em forma de afeto. Esperar ansiosamente o dono chegar a casa é um entre tantos exemplos que podemos citar sobre esse sentimento tão puro que nossos bichinhos apresentam em sua rotina.

Cães agressivos têm um histórico que comprova a forma negativa de que foram tratados. Muitas são as raças usadas para serem violentas e imbatíveis. Recentemente, vimos a terrível história, não ficcional, de seres humanos, seres pensantes, vale ressaltar aqui, ou seja, o homem, que usavam cães de raça Pit Bull em rinha na Grande São Paulo. Felizmente, voluntários de uma ONG conseguiram salvar alguns desses animais.

Mesmo existindo leis que protegem nossos animais, diariamente ficamos sabendo de histórias terríveis cometidas contra eles, principalmente, pelos seus donos. A principal, lei que protege os animais, é a Lei Federal 9.605/98, conhecida como Lei dos Crimes Ambientais: Art. 32 – Praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. Lei que vai ao encontro do pregava São Francisco de Assis (1182- 1226) ao dizer que “todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem. Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida”.

Em contrapartida, temos histórias fantásticas da interação homem x animal que deixariam feliz São Francisco de Assis. No Brasil, atualmente, temos quase quatro milhões, entre cães e gatos, em situação de vulnerabilidade, de acordo o Instituto Pet Brasil, órgão criado em 2013. Esse órgão tem como principal objetivo fortalecer a relação entre os homens e os animais de estimação.

Muitos são os filmes que encantam crianças e adultos sobre a amizade entre pessoas e animais de estimação: Quatro vidas de um cão, Marley & Eu, Sempre ao seu lado, juntos para sempre, enfim, inúmeras ficções (ou quase ficção) encantam essa relação que é milenar. Saindo das telinhas para a vida real, essa relação não é diferente.

Pessoas resgatam esses bichinhos das ruas diariamente. É o caso de “Belinha”, uma cadelinha adolescente que foi adotada na cidade de Feira de Santana, recentemente. Ela vivia nas redondezas de um condomínio de classe média e sempre que o portão abria para os moradores entrarem, lá ia Belinha (nome dado por alguns moradores) atrás dos carros e entrava. Alguns condôminos a alimentam e a tratavam bem, infelizmente, outros não a queriam dentro do espaço, pois ela seria uma “ameaça” para as crianças. Em uma tarde de constante conflito entre os moradores, uma condômina pegou Belinha, que estava em uma rua ao lado, e a levou para uma amiga que a adotou. Belinha hoje vive feliz, é amada e ama sua nova família. Essa é uma dentre tantas outras de final feliz com nossos bichinhos que vivem nas ruas.

Amar é o sentimento mais lindo e forte que temos, mas, para a nossa felicidade, nossos animais de estimação também desenvolvem emoções e sentimentos únicos com os seus donos. E não importa como nós estamos: alegres ou tristes, ricos ou pobres, não importa! Eles criam uma relação cujo elo é a afetividade. Temos muito a aprender com eles e, sinceramente, quem nunca se debruçou em uma relação como essa, não sabe a gostosa sensação de ser amado, INCONDICIONALMENTE.

AMOR INCONDICIONAL

O amor não se explica

Ele simplesmente acontece

Um latido

Um olhar que pede

Pede amor

Pede carinho

Pede atenção.

O amor não se explica

Não escolhemos quem amar

Mas quando o amor nos encontra

Não podemos escapar!

NOSSO LEGADO

Algumas pessoas nascem para cuidar

De outras pessoas

Outras pessoas nascem para cuidar dos animais

Gostam de ver a natureza viva

E respeitada em sua dimensão.

Já outras pessoas preferem a música

A dança

Ou ainda qualquer forma de arte

Contanto que tenham interação

Com a mente, o corpo e a alma,

Interação da arte com vida.

Algumas pessoas gostam de seguir padrões

Seguem regras e até ostentação

Outras preferem de viver sem moldes

Liberdade é o seu lema

Harmonia, paz e alegria

Caminham juntas todos os dias.

Há pessoas que amam o mar, o céu e as estrelas

De lá e de cá

De luzes e de cores

Que fazem brilhar a amplitude da vida… do amar!

Há pessoas que adoram andar descalças

Pisar na areia úmida da praia

Sentir os ouriços do mar

Que fazem a imaginação devanear.

Outras pessoas preferem andar de salto alto

Tocando o chão com canções de passos lentos ou rápidos

E fazem onomatopeias prosperarem!

Há pessoas que preferem o toque das mãos

Já outras preferem a tela da televisão

Há pessoas como eu

Gostam de gente

De bicho

De música

De céu e de mar

De andar descalças e de salto alto

De pegar na mão

De sentir a areia fria beijada pelo mar

Há pessoas como eu

Nasceram para lutar

Preferem o amor à solidão

E ainda têm a poesia como inspiração!

Há pessoas que têm o legado

De fazer dos versos

A cantiga da razão!

IDOSO: LIVRO DE NARRATIVAS MEMORÁVEIS

06/04/2020 às 21h07

Quem nunca sentou no chão para ouvir as lindas e incríveis narrativas dos seus avós? E ainda desejou que as férias chegassem logo para estar ao lado de quem sempre dizia “sim” aos desejos e vontades? Pois é, todos nós temos nas lembranças da nossa infância um carinho vindo de alguém com idade avançada, com passos mais lentos e com incansáveis histórias narradas no final do dia.

Envelhecer é algo que muita gente não quer. No entanto, quem não envelhece, morre cedo. Não estou falando do envelhecimento da alma, mas do marcado pelo tempo cronológico.

Mas como envelhecer bem num país onde ser idoso é não ter espaço mais para circular socialmente? Infelizmente, muitos são os relatos de famílias que não cuidam daqueles que dedicaram uma vida toda para criar seus filhos, seus netos. A prova disso são os albergues e asilos lotados que não comportam mais novos moradores.

Há uma música chamada “Couro de boi” (Teddy Vieira e Palmeira) que nos faz refletir sobre a forma como tratamos nossos entes. É fato que toda ação tem uma reação, então, da mesma forma que tratamos nossos pais, consequentemente, seremos tratados pelos nossos filhos, pois há muito de nós neles.

No entanto, muitos idosos aproveitam o tempo voltando a estudar ou trabalham em atividades que lhes dão prazer em exercer, aliás, muitos ainda trabalham para sustentar a família.

Infelizmente, o idoso, esse livro de narrativas memoráveis, precisou que se criassem um dia para homenageá-lo, ou melhor, um dia para reflexão sobre a importância de respeitar e valorizar aqueles que não pertencem mais ao grupo dos “jovens”. A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou, em 2016, uma campanha global a fim de despertar a conscientização sobre os perigos dos estereótipos voltados para o  envelhecimento e marcou o dia 1 de outubro como “Dia Internacional das Pessoas Idosas”.

Assim, podemos pensar em nossos avós, nossos bisavôs e como eles enfrentam ou enfrentaram o preconceito social. Isso incomodou a ativista americana Maggie Kuhn (1905 – 1995), fundadora do movimento das Panteras Cinzas. Esse movimento ia além dos direitos dos idosos, pois como a ativista mesmo dizia “as mudanças sociais são fundamentais para eliminar a injustiça, a discriminação e a opressão em nossa sociedade atual”.

Embora tenhamos o Estatuto do Idoso criado em 2003, ainda estamos longe de vermos nossos queridos idosos terem seus direitos, de fato, garantidos, mas, os direitos que deveriam, incialmente, prevalecer, é o de ser amado, cuidado, respeitados pelas pessoas mais próximas, pelas pessoas que eles amam e que cuidaram.

Há, de acordo Kuhn, seis mitos que precisam ser rompidos sobre os idosos: Que é uma doença envelhecer, que são estúpidos e inúteis, são impotentes, que não transam e que todos são iguais. Acredito que se o primeiro citado começar a ser dissolvido, os demais deixarão de existir, pois envelhecer é sinônimo de VIDA.

Assim, como disse o poeta humanitário, americano, Samuel Ullman (1840-1924) envelhecer é “deixar de viver nossos ideais, nossos desejos e entusiasmo”, pois quando deixamos isso acabar dentro de nós, aí sim somos pessoas que morremos para nós mesmos e silenciamos de vez as lindas narrativas que nos fazem sonhar e acreditar num mundo melhor.

O MAIS LINDO SORRISO

Cheguei de viagem.

Estive muito tempo fora

Longe das minhas raízes

“Porque amanhã não haverá mais

Nenhum resto de esperança”

Tudo estava mudado.

Minha primeira escola,

Não existia mais.

A casa dos meus avós,

Não existia mais.

O vendedor de pipoca com seu carrinho azul,

Não existia mais.

A benzedeira da rua 15 de Novembro,

Não existia mais.

Percorri

As ruas daquela cidade

Buscando intimidade

Buscando minhas raízes.

Percorri por muito tempo

E no final da última rua encontrei

O mais belo sorriso

Com seus cabelos brancos, olhos distantes e sorriso feliz

Abracei aquela que representa minha RAIZ.

MEMÓRIAS MEMORÁVEIS

Ah infância feliz

Corri

Cai

Segui

Banhei-me com os cantos dos colibris

Peguei as estrelas do céu, contei-as e fiz

Mil pedidos!

Ah infância feliz

Tomei banho de mangueira

Pulei

Dancei

Cantei

Frio senti

E na alegria me divertir!

Infância viva nas minhas memórias

Memórias memoráveis de uma adulta feliz

UMA VOZ QUE ECOOU

30/03/2020 às 15h51

 

“Mexeu com uma, mexeu com todas”… Nos últimos tempos, essa frase tão presente em discursos feministas, em desabafos de mulheres que, cansadas de presenciar ou mesmo de experimentar essa violência que aterroriza a todas nós por muitos e muitos anos, propagou-se incrivelmente por toda a sociedade. Confesso que, inicialmente, pensava que era “coisa” da mídia ou de quem só queria aparecer (onde eu não sei), mas depois, pensei em uma mulher que atravessou noites de tormenta, enfrentou os mais terríveis medos e obstáculos que existiam dentro de sua própria casa, dentro dela mesma!

Pensei em uma mulher, de passado forte, de poucas risadas e quase nenhum sonho, em uma mulher que abafou as músicas de sua vida, pois estas traziam lembranças de épocas de outrora, tempos de inocência e alegria… “Mexeu com uma, mexeu com todas” martelava em mim e eu continuava a pensar nesta mulher que andava com correntes invisíveis, enjaulada em seus pensamentos! Senti que precisava me mexer, que precisava romper a barreira que nos separava: eu, mulher de sonhos, de força e de aço; ela, mulher de medos, frágil em esperança, triste em suas andanças. Resolvi dissolver essa mulher que existia dentro de mim… e partir! Ecoei minha voz, pois, como dizem meus versos abaixo:

O silêncio é o tormento das palavras presas quando se quer gritar e o mundo te sufoca”.

Como disse Frida Kahlo, “Quem lhe deu a verdade absoluta? Não há nada absoluto. Tudo se transforma, tudo se move, tudo revoluciona, tudo voa e vai…” e fui! Tornei-me, então, mulher, uma mulher que resolveu assumir ela mesma, que deixou a voz de dentro dela ecoar, resolvi, assim, voar e buscar minha felicidade. Como os versos de Clarice Lispector que diz “Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:

– E daí? EU ADORO VOAR” e, poeticamente, segui meus passos com minhas asas abertas.

Este desabafo faz parte das minhas experiências como mulher e das batalhas que precisei traçar para chegar até aqui…. Um dia partir, abandonei, literalmente, uma vida em preto e branco, uma vida sem sonhos, sem voz, sem vez. Hoje? Hoje estou aqui, ainda andando… andando, mas com a cabeça erguida e realizando sonhos, desejos e.… devaneando sobre tudo que envolve a vida, rimando e “desrimando”, sorrindo em versos e principalmente, sendo feliz! Afinal, “mexeu com uma, mexeu com todas”!

NÃO SOU OBRIGADA

Não sou obrigada a gostar de azul

Quando eu gosto é da cor rosa

Não sou obrigada

a gosta da cor rosa

Quando eu gosto da azul.

Não sou obrigada a beijar sua boca

Se prefiro mesmo beijar outra boca

Não sou obrigada a aceitar

o desrespeito

Quando venho há séculos lutando

pelo meu respeito

Pelo respeito das mulheres

Que sofreram e sofrem opressão.

Não sou obrigada

a ignorar as ofensas

Os gritos

E até as cicatrizes

Do corpo

Da alma

Pois eu prefiro é andar

De cabeça e pensamentos livres.

Não sou obrigada a ocupar cargos menores

A ter minha voz silenciada

Se prefiro mesmo é gritar

Não me impeça a seguir

Se minhas mãos e pés preferem

Percorrer lugares quaisquer.

Não sou obrigada a seguir padrões

Que me permitem cortar minhas asas

Prefiro mesmo

é sair das amarras

E deixar minhas asas libertas

Voando onde eu quero chegar.

Assim, não me obrigue a nada

Pois neste mundo

Prefiro voar!

EM TEMPOS DE PANDEMIA, ONDE ESTÁ O AFETO?

22/03/2020 às 17h05

As últimas semanas estão sendo marcadas por um inimigo invisível: um vírus mortal. O mundo quase todo parou. Nossa rotina mudou e sair de casa seria é uma proibição federal. É um momento de repensar a vida, de estar mais próximo à família e, claro, redobrar os cuidados com todos os entes queridos.

Mas é só abrir as manchetes, é lá estão as informações que nos partem o coração. De um lado, o crescente número de infectados, e o mais triste, muitos deles não conseguem sobreviver; do outro lado, em meio a essa pandemia mundial, a ganância pelo dinheiro que coloca em xeque a vida de terceiros. Falsificação de produtos de higiene se banalizou em muitas regiões! Que triste! A vida deu um giro de 360 graus.

É tempo de pararmos e refletirmos como estamos andando, para onde estamos indo e como tratamos o outro. A forma como nós tratamos e cuidamos do próximo, mesmo sem conhecê-lo, revela quem realmente somos e como cuidamos de nós mesmo.

O médium brasileiro Chico Xavier já dizia que “a caridade é um exercício espiritual. Quem pratica o bem coloca em movimento as forças da alma”, portanto, ajudar é amar-se. Sendo assim, ainda pensando neste caos em que a humanidade está enfrentando, temos pessoas de luz, pessoas do bem que com afeto e dedicação estão ajudando a curar as feridas do corpo e da alma, estão estendendo a mão e melhorando a vida daqueles que, por algum motivo, precisa de ajuda.

Recentemente, muitas cidades do Brasil e de outros países, tiveram pessoas que foram às janelas de seus lares agradecer e homenagear, através do panelaço, aos profissionais da saúde, da segurança, os comerciantes e tantos outros seres humanos que arriscam sua vida para salvar e cuidar dos outros. Lindo demais ver cenas assim! Nesses gestos têm afeto, têm amor e igualdade. Nosso querido Jesus já dizia que “meu mandamento é este: Amem-se uns aos outros como eu os amei” (João 15:12), assim, podemos dizer que as ações substituem as palavras destes anjos que não param de cuidar. As ações revelam o amor ao próximo que de uma forma ou de outra, a qualquer momento, voltará para o fazedor das coisas boas da vida.

Portanto, às pessoas que ainda não perceberam o teor da gravidade, é preciso conhecer o que é reciprocidade, palavra está tão forte e simples de escrever, mais simples ainda é o seu papel exercer. Como disse o filósofo Kant, devemos sempre agir em favor do outro como se estivéssemos nos dirigindo a nós mesmos. Então, seja com a crise atual, ou em outra situação, ser você no corpo do outro é antes de tudo um ato de saber, de saber que o amor mora nos corações de quem valoriza a vida em qualquer dimensão, pois num ato recíproco do bem nossa humanidade tonar-se cada vez mais HUMANA!

INIMIGO (IN)VISÍVEL

Vivemos em guerra

Isso é fato

Jornais, poesias e redes sociais

Abordam temas que são bem reais

Mas o homem

Que se sente imponente em seu trono poderio

Não consegue perceber

Ou simplesmente não quer ver

Que todos precisam mudar

A lama já provou que daqui do chão

Muita coisa é ilusão

O fogo se alastrou

E o tempo dos homens quase nada salvou

A água inundou

Casas bairros e com lágrimas se misturou

E o que mudamos?

É preciso acordar

Pois toda ação consequência trará!

Ele chegou

E nem o amor ele perdoou

Está beirando nossas casas

Nossas vidas

E após sentir o nosso medo

Em busca de vidas ele está

É um inimigo silencioso

Que está custando a passar

Por isso é necessário

A união afirmar

É uma luta coletiva

E todos precisam ganhar!

NÃO DESISTIR É O LEMA

Quando tudo parecer perdido, clame

Quando tudo parecer difícil, chame

Quando tudo parecer impossível, siga

Quando tudo parecer inseguro, pare

Quando tudo for tudo de difícil

Feche os olhos

Encontre você em algum lugar do passado

Veja os obstáculos

Veja o nada em construção,

Veja onde você estava.

Quando tudo parecer que parece sem sentido

Pense que você é um ser em construção

Que precisa de sonhos

Para impulsionar a razão.

Quando tudo parecer tão fácil, desconfie

Quando tudo parecer tranquilo, agradeça

Quando tudo parecer sincero, observe

Quando tudo parecer perfeito, questione.

Desistir é o lema

De quem passa pela vida

Sem buscar respostas

Desistir é o verbo que não se conjuga

Na voz dos vencedores.

HÍBRIDO EM SENTIMENTO

16/03/2020 às 08h54

Quem nunca recorreu em algum momento da vida a um poema? E, principalmente, a um poema que fala sobre o amor, saudade, carinho? Em muitas situações, somos tomados por sentimentos que precisam ser externados e, muitas vezes, faltam-nos palavras para nos expressar. Afinal, existem palavras suficientes que podem traduzir as nossas emoções? Que possam traduzir nosso amor, nosso afeto? Que possam traduzir a saudade que sentimos de alguém? Para tentar responder a algumas dessas inquietações, alguns poetas arriscam respondê-las através dos seus versos, através da poesia.

Poetas como Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Conceição Evaristo, Vinícius de Morais, Adélia Prado e tantos outros que aqui não cabem elencar dedicaram seus versos para falar da humanidade e do combustível que a move: o amor. Sentimento que amolece e aproxima pessoas. Sentimento que se hibridiza com a razão. Como nos versos de Luiz Vaz de Camões em “Amor é fogo que arde e não se ver”, sim, ele é sentido e externado em ações que se misturam à diversa realidade e se concretiza.

A poesia, embora nem todos percebam a força de suas metáforas, estabelece uma conexão muito próxima com o mundo, com as pessoas e até com ela mesma, o que provoca diferentes repercussões em todos. Ela tem ainda um grande papel social: a formação da identidade do cidadão visto que, além dos temas supracitados, ainda temos uma gama de questões sociais e, consequentemente, da história da humanidade.

Assim, podemos dizer que o texto poético é híbrido, isso é, mistura emoção e razão, traz a diversidade num mesmo texto, quebra barreiras artísticas da antiguidade, utiliza-se da intertextualidade (diálogos entre textos), enfim, o hibridismo está nas culturas atuais da nossa contemporaneidade, pois segundo Stuart Hall, o hibridismo é “poderosa fonte criativa, produzindo novas formas de culturas, mais apropriada à modernidade tardia que às velhas e contestadas identidades do passado” (HALL, 2005, p.91). Portanto, encontrarmos poesias híbridas é, antes de tudo, encontrarmos os mais variados sentimentos e impressões sobre nossas vidas, sobre nossas identidades.

No entanto, o amor na poesia é vista por vários ângulos, depende do olhar de quem a lê e de quem a escreveu. O importante na leitura da poesia é percebermos que sua linguagem (híbrida) não se encerra nela mesma e que cada vez que bebemos da fonte daqueles versos, sentimentos vão se misturando, renovando-se e, acima de tudo, tornando o leitor mais proficiente na arte de se encontrar através do texto poético. Vejamos algumas poesias que considero híbridas na arte do amor, do afeto:

COMO EU TE AMEI

Te amei como o pôr do sol ama a noite

A ponto de iluminar e aquecer

A Terra

Te amei como o fim da tarde

Ama a chegada da Lua

Que do alto clareia as ruas, escuras!

Te amei como o toque do orvalho

Que umedece as pétalas das rosas

Das rosas, rosas, brancas e amarelas

Te amei como o azul do céu

Que se sobrepõe sobre o azul do mar

Tornando uma obra prima

Para meus olhos.

Te amei como os pássaros precisam das copas das árvores

Para fazer seus ninhos

Cuidar de seus filhos

Levar música à floresta solitária e fria

Te amei como o beijo do beija-flor

Que busca o néctar no mais íntimo da flor

Te amei…

Te amei em algum lugar do passado

Em algum momento passado!

Mas dessa vez

Conjugarei o verbo intransitivo

No futuro do presente,

Outra vez!

LOUCO AMOR

Louco amor de chegada

Constrói

Eleva-se

Divide

Soma e multiplica

Engrandece

Sorriso

Pluraliza-se.

Louco amor de partida

Diminui

Enlouquece

Desvanece

Cala-se

Transforma e aponta

Distancia-se

Bloqueia

Solidão

Singular.

Louco amor.

MULHER: ÍCONE EM AFETOS

08/03/2020 às 11h02

Afetividade e mulher são elementos intrínsecos. Não há como falar sobre afeto e não lembrarmos das mulheres. Não há como falarmos de mulheres e não pensarmos em afeto.  Talvez a maternidade seja o ponto de referência que une os dois.

Depois de uma jornada de trabalho intensa, a mulher, mãe, ainda consegue gerenciar suas emoções. Entre a atenção ao filho, à atenção ao companheiro e ainda driblar com as tarefas domésticas, ela está ali: mostrando-se firme e forte, afetuosa, carinhosa quando, na verdade, o que queria era explodir! Mas ele, o afeto, vai costurando poeticamente as linhas das suas emoções e uma boa conversa e um olhar verdadeiro mostram a força dessa relação. Relação esta que se constrói com amor e cumplicidade.

Posso citar aqui inúmeras mulheres que em meio ao caos social ainda lutaram e lutam por uma vida melhor para seus filhos, para sua própria vida. No entanto, citarei uma que é referência para tantas outras mulheres: Carolina Maria de Jesus (1914-1977). Escritora, mulher negra, mãe solteira, catadora de papel e moradora da favela do Canindé, é um ótimo exemplo de resistência à desigualdade social que poderia, perfeitamente, tê-la poupado de conhecer o afeto aos filhos, a ela e às letras. Como bem disse Baruch Spinoza, filósofo holandês nascido no ano de 1632, “é a partir dos afetos que podemos sair da servidão, alcançar a liberdade e a virtude”. Assim, podemos entender as emoções que impulsionaram a vida de Carolina e tantas outras mulheres que, como ela, buscam no afeto uma forma de enfrentar os desafios diários.

Nesse sentido, a mulher é e sempre será um sustento para as emoções ou quem sabe são as emoções que sustentam a nós, mulheres, não que o sexo masculino não o seja, mas pensando como nós mulheres viemos, historicamente, através dos séculos, rompendo (ou tentando) barreiras e buscando a igualdade de gêneros, sabemos que são as nossas emoções que nos movem, que nos moldam e que nos fazem resistentes, mesmo em meio a tantas desigualdades que ainda passamos e temos que enfrentar.

Se Carolina é um ícone de luta, cabe a nós buscarmos essa força intrínseca que há dentro de cada uma de nós para que possamos ser, de fato, plenamente felizes e realizadas!

Assim, quero registrar aqui meu afeto a todas as mulheres que, como eu, lutam diariamente para sermos mais ouvidas, para sermos mais respeitadas pelos nossos parceiros, lutamos pela igualdade de gênero e por nossa liberdade. Liberdade do corpo e da alma, liberdade dos nossos pensamentos e principalmente, dos nossos sentimentos.

Sejamos Carolinas diariamente.

 

LUTAS E SORRISOS

(Poema em homenagem a todas as mulheres)

Meu sorriso define a mulher

Que sou

A mulher que eu me tornei

Depois das tempestades as quais eu passei.

Chorei

Lutei

Por muitas vezes me desesperei

E sozinha na multidão

Eu me perdi

E olhando uma face no espelho em frente a mim

Sorri

E depois daquele dia

Procurei cuidar de mim!

AFETIVIDADE E OS LAÇOS DE AMIZADE

25/02/2020 às 16h49

A palavra afetividade vem de afeto e se relaciona com todos os sentimentos e ações que envolvem carinho, respeito, empatia e tantos outros que permeiam os seres humanos.

Através do afeto, podemos criar laços de amizades para a vida inteira. É como a personagem do livro “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) que aborda de forma cativante e envolvente como a amizade nasce e nos ensina como nutri-la de forma prazerosa em nossas vidas. É o que revela a seguinte passagem: “Se você vier às quatro da tarde, por exemplo, começarei a ser feliz desde as três”. Seria então o afeto que prepara o coração para o amor chegar? Para estreitar os laços de amizade? Para a boa relação em grupo?

Sem dúvidas! O afeto é a porta de entrada para todos os sentimentos bons. Na falta dele, podemos pensar o quanto temos que evoluir para nos tornarmos pessoas mais sociáveis, afetivas e, claro, mais felizes. Ele (o afeto) encurta distâncias e permite aos nossos corações fazerem festa por estarmos com quem gostamos.

A afetividade é tão importante em nossas vidas que é terreno de estudo para diversas áreas do conhecimento. O psicólogo e filósofo francês Henri Wallon (1879-1962) atribuiu a afetividade ao próprio desenvolvimento do ser humano. Para ele, a afetividade se manifesta a partir de três elementos cruciais para fortalecer esse sentimento: emoção (seria a primeira manifestação da afetividade), a paixão (o autocontrole) e o sentimento (envolve a cognição). Assim, podemos observar que as várias áreas do conhecimento humano têm curiosidade em desvendar o mistério desse sentimento que oportuniza situações e ações tão boas entre nós, embora saibamos que os animais irracionais também desenvolvem esse tipo de estímulo em seu próprio grupo ou com os seres humanos (discussões posteriores).

Assim, pensando a sala de aula, Wallon ainda nos apresenta a tese de que os sentimentos contaminam o ambiente, isto é, se há afetividade e diálogo entre os educadores e seus alunos, gerando com isso, um ambiente é propício para as boas relações e oportuniza de forma mais positiva o aprendizado dos educandos.

Portanto, o ambiente é o responsável ao longo das nossas vidas para o surgimento da afetividade e, consequentemente, das boas relações de amizades. Assim, podemos ainda pensar que todo indivíduo tem a sementinha que germinará o afeto: o abraço, a palavra, o toque das mãos, o olhar bem no fundo do olho, o ouvir! Basta cada um se posicionar no lugar do outro e pensar que o outro poderia ser você. Acredito que isso poderia ser um exercício para que o afeto, de fato, floresça e dê bons frutos como devaneava o nosso Pequeno Príncipe.

 

 “ABRAÇO É UM LAÇO”

O Abraço, devaneio de tantos poetas,

Aquece a alma e a voz

Permite a troca de energia… de calor…

do sabor gostoso de sentir a felicidade nos braços

de quem amamos…

O Abraço é o Beijo entre os corpos

Que se atraem pelo desejo e a vontade de estar juntos

Abraço tem que ser forte

Firme

Com vontade

Contrário disso…

É um desperdício,

Não é Abraço!

É simplesmente a vontade de não tocar o outro…

Abraço é um laço

De amizade, de paixão, de amor e carinho

Abraço nos teus braços é a mais louca ilusão…

Quero-te sempre aqui, meus em teus braços,

Nem que seja nos pensamentos que me levam até você!

AFETIVIDADE

11/02/2020 às 08h41

Assim como os pais são exemplos para seus filhos, os professores são, também, referências para seus alunos. Nesse sentido, é de extrema importância que algumas competências e habilidades sempre estejam presentes na sala de aula a fim de facilitar o aprendizado dos educandos.

Assim, uma boa relação entre professor e aluno já se inicia pela afetividade. Mesmo com os desafios presentes no espaço escolar, o profissional da educação deve tentar vencê-los: o olhar nos olhos, a atenção e o diálogo facilitam e oportunizam um espaço mais humanizado. Como afirma Augusto Cury, ” um excelente educador não é um ser humano perfeito, mas aquele que tem a serenidade para se esvaziar e a sensibilidade para aprender”. Por isso, é de suma importância que o professor propicie um ambiente saudável para todos.

Compartilhar novidades, usar recursos variados para prender a atenção dos seus alunos e promover o incentivo à leitura são fundamentais para dinamizar as aulas e interagir os educandos com o professor e com os outros    estudantes. Paulo Freire já dizia que “ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar oportunidades para a sua construção”, portanto, o educador deve criar inúmeras possibilidades para que seu educando tenha, de fato, aprendido, de acordo ao seu tempo e suas demandas de aprendizado, pois sabemos que cada indivíduo constrói o conhecimento de forma diferente.

Portanto, para que realmente o aprendizado aconteça, é necessário que o educador conheça o Projeto Político Pedagógico da escola, conheça seus alunos e oportunizem a formação do estudante crítico e reflexivo.

Nesse sentido, tornar-se-ão cidadãos não só para o campo profissional, mas principalmente para o lado humanitário e social, pois, ainda de acordo com Freire ” não há saber mais nem saber menos, há saberes diferentes”.

A afetividade deve estar em todos os lugares: no seio familiar, no ambiente escolar, nas ruas, no trabalho, enfim, é um sentimento que não se esgota e, quanto mais agimos com afeto, mas energias boas retornam para nós!