Revista Statto

Conscientização é a palavra-chave

30/10/2018 às 10h22

Até 2025, a produção de lixo no mundo deve ter um aumento de cerca de 1,3 bilhões de toneladas, segundo as estimativas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Esse dado mostra que a gestão dos resíduos e o descarte correto de materiais são cada vez mais imprescindíveis para que a população mundial caminhe para um desenvolvimento sustentável.

Como se só esse dado já não fosse alarmante, cientistas alertam que há mais de cinco trilhões de pedaços plásticos flutuando no mar, e outras oito milhões de toneladas do material são despejadas no oceano todos os anos na forma de garrafas, embalagens e outros resíduos plásticos carregados pelos rios e pela chuva.

Você já parou para pensar seriamente sobre isso? E o que cada um de nós pode fazer para diminuir esses índices? A resposta já sabemos: maior conscientização sobre o descarte desses resíduos.

E foi conscientização a palavra chave que levou a designer santa-mariense Mariana Pinheiro, 32 anos, a desenvolver produtos que não prejudiquem o meio ambiente.

Mariana formou-se em Design de Produtos na UFN – Universidade Franciscana – em 2010. Especializou-se em Design de Estamparia na UFSM – Universidade Federal de Santa Maria. Em 2014, foi para os Estados Unidos fazer mestrado em Desenho Industrial no Instituto de Tecnologia de Rochester em Nova York. Seu projeto consistia em criar produtos nas áreas de acessibilidade e de Internet das coisas.

Em julho deste ano, desembarcou novamente em solo brasileiro. Mais precisamente em Santa Maria, onde permanece até dezembro.

Na cidade, Mariana vem realizando Workshops de Design Circular, trabalhando com sistemas circulares, e não lineares, para o uso e o descarte da matéria prima. “No sistema circular não ocorre o descarte, os materiais preservam seus valores em diversos ciclos de uso”, explica a especialista.

Mariana reforça, no entanto, que o mais importante é a conscientização, e que a utiliza para mostrar o impacto que o descarte do plástico causa no meio ambiente. “Com a conscientização, ocorrerá a mudança de hábito para o não consumo ou para a sua diminuição. Além disso, nos workshops eu também ensino as alternativas de como trabalhar com as embalagens e sacolas plásticas, através do derretimento do plástico em formas tridimensionais, bem como bidimensionais planas em forma de tecidos”, esclarece.

A ideia, segundo a designer, é mostrar as técnicas para que qualquer pessoa possa fazer, usando materiais como um ferro de passar roupa. “Pode-se criar inúmeros produtos, como por exemplo, uma sacola retornável para usar nas compras e não precisar mais das sacolinhas”, enfatiza. Com os tutoriais, os workshops e as trocas de conhecimentos, ela pretende fazer com que um maior número de pessoas aprendam técnicas que são bem simples, ficando à criação a cargo de cada um.

O primeiro produto reciclável desenvolvido por Mariana foi uma capa de chuva, utilizando técnicas ensinadas num workshop para a criação de um produto funcional, e onde também ocorreu a demonstração de como podem ser feitos outros objetos.

A capa de chuva foi confeccionada com plástico bolha e com embalagens plásticas, que são encontradas na cozinha, no quarto e no banheiro de uma casa, como shampoo, amaciante, etc. “Mesmo que a capa seja de plástico, esse material já não vai mais estar no meio ambiente. Você passou a ser responsável por ele e não vai deixá-lo ir para um destino indeterminado”, adianta Mariana.

Apesar de já existir um sistema de reciclagem em vários países, a demanda da produção de plástico é muito grande. Por isso, a designer sempre reforça a parte da conscientização, mesmo sabendo que isso ainda é muito complexo para que aconteça de uma hora para outra, porque é assim que eles nos são oferecidos.

No caminho certo

Antes de começar a trabalhar com reciclagem, Mariana pesquisou muito na Internet e realizou pesquisas de campo, caminhando pelas ruas das cidades e em feiras, onde se deparou com muito plástico jogado no chão. Mas o que reforçou mesmo essa necessidade de conscientização foi uma atividade da qual participou no dia 15 de setembro, Dia Mundial das Praias Limpas. Na ocasião, um grupo de pessoas do Caminho dos Faróis organizou uma caminhada na praia da Barra do Chuí e, durante dois dias, recolheram 1.5 toneladas de lixo do local. Mas o que mais chocou a designer, foi o lixo que o mar estava devolvendo e que continha embalagens escritas em chinês, japonês, norueguês. “Não era somente o lixo do banhista que estava li. Nosso lixo estava misturado com o lixo do mundo e isso mostra que não existem fronteiras, ele vai para todos os lugares”, lamenta, enfatizando que a atividade mostrou que ela estava mesmo no caminho certo.

Mariana deu início à criação de seus produtos no mestrado em Desenho Industrial, que estava frequentando nos Estados Unidos. Num determinado momento, teve que decidir qual seria o processo de manufatura quando eles fossem para a indústria, e se deu conta que seus produtos seriam feitos de plástico.

E esse foi o ponto de partida para que ela começasse a pensar: Será que esses produtos estão corretos? Será que esse processo de manufatura é legal para o mundo?

A resposta surgiu quando retornou a Santa Maria e percebeu que nosso lixo estava jogado nas calçadas, nas ruas, e isso começou a incomodá-la. E o incômodo deu lugar à decisão de realizar o Workshop sobre Design Circular. “Foi a combinação de ter que tomar uma decisão sobre o processo de manufatura dos produtos que eu estava envolvida, e enxergar que Santa Maria ainda faz diferente da população do Canadá e dos Estados Unidos. Lá, a gente não vê lixo no chão, apesar de existir lixo lá e no mundo inteiro. Então, resolvi falar sobre esse assunto com engenheiros, designers, profissionais de qualquer área, pois esse assunto envolve todos no workshop”, esclarece.

Mariana representa o Precious Plastic – plástico precioso -, movimento mundial, que surgiu na Holanda, e onde aprendeu todas as técnicas e soluções para o problema de poluição de plásticos. O ensinamento é Open Source, isto é, eles possibilitam informação gratuita para que todos no mundo possam usufruir desses ensinamentos.

Produtos na área da saúde

Antes de começar a trabalhar com reciclagem, Mariana estava desenvolvendo produtos para crianças com algum tipo de necessidade especial, principalmente os autistas e os com Síndrome de Down.

Seus produtos eram educativos e voltados para a Internet das Coisas, que é quando, através da Internet, há uma conexão entre o produto e os objetos. “Os produtos que desenvolvi para a área de terapia e acessibilidade eram conectados para que durante a terapia e o brincar pudesse ser feita à calibragem da brincadeira. Um exemplo, se a criança X gosta de mais luz, mais sol é feita uma configuração para isso. A partir daí, calibramos os produtos e os brinquedos e coletamos dados para que a terapeuta e os pais analisassem o progresso de cada criança ao longo do tempo”, comenta, mostrando-se satisfeita com os resultados.

E não é para menos. Suas criações estão em fase prototipal, isto é, estão sendo testados protótipos em instituições. Esse é o caso dos Moonpads, discos grandes de silicone, com tecnologia dentro, desenvolvidos para guiar crianças autistas de um ponto A para um ponto B. “Esses protótipos estão tendo uma repercussão muito boa. Os terapeutas estão usando diariamente, e tem gente que quer mais protótipos”, festeja.

Mariana esclarece que esses produtos não são recicláveis, pois, naquela época, ela não tinha foco no seu atual estudo. No entanto, defende o fato de que o silicone utilizado neles é muito durável, apesar de não ser reciclável, não é descartável e dura muitos anos.

Durante o desenvolvimento dos Moonpads, ocorreu um projeto social também. “Estávamos envolvendo as comunidades das instituições de terapias com crianças, terapeutas, pais e a universidade. No final do projeto, foi ensinada a técnica de como desenvolver os produtos de silicone na sexta série de uma escola. Eles aprenderam o processo, fizeram suas próprias criações e entregaram para a comunidade. Uniram-se todos os nichos da comunidade para fazer um produto”, enfatiza.

Mariana já desenvolveu vários outros produtos. Muitos deles tiveram reconhecimento e receberam prêmios pelo impacto social e educativo. Os Moonpads foram selecionados para uma exposição em Dubai, nos Emirados Árabes. “Consegui levar os produtos da academia para outros ambientes e, futuramente, para o mercado”, comemora entusiasmada.

Para a designer, isso é a prova que o Open Source pode se repetir em qualquer lugar. E inclusive está sendo testado no Brasil e em Santa Maria.

Quem quiser conhecer mais os projetos de Mariana Pinheiro é só entrar no site mari-pinheiro.com

 

Clotilde Gama

Por

@clotildegama Santa Maria/RS

O poder místico e espiritual dos gatos

26/10/2018 às 15h26

Não tenho gato em casa. Minha convivência mais próxima com eles foi durante a infância. Hoje, meu contato com os felinos é através das amigas. Quando nós reunimos, elas falam de seus filhos gatos e eu do meu cachorrinho José Carlos. Embora meu salsichinha tenha falecido há dois anos, ele ainda é assunto das nossas reuniões, onde cada uma quer contar as peraltices e qualidades de seus pets. Mesmo não tendo um gato, os acho muito mimosos e fofinhos.

Adoro vê-los dormindo, ronronando. Para mim, eles têm um ar de mistério no seu jeito calmo de andar, se mexendo sem fazer barulho. E nada mais bonito que um olho de gato. Trazem um certo mistério. Para muitos, eles são místicos.

Não há como negar. Curiosos e divertidos, os felinos sempre fazem muito sucesso. Temas relacionados com os gatos já foram abordados em diversos estudos. Um deles, da Universidade de Missouri, identificou seus quatro perfis possíveis: sociável, afetuoso, mal-humorado e tímido. Em outro, da Universidade de Carroll, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão que os donos desses pets são menos extrovertidos que os de cachorros.

Uma questão, que acho interessantíssima, é com relação à espiritualidade deles. Muitas pesquisas falam sobre isso: a energia boa que eles trazem e como podem reduzir o risco de um ataque cardíaco, controlar a pressão arterial e auxiliar na produção de oxitocina no cérebro. E, quem tem um bichano em casa, concorda com isso. Uma delas é Nara Scalcon. “Eles estão sempre perto da minha mãe que é idosa. E quanto ela está doente, aí sim não saem do lado dela. Ficam com os olhos fixos nela, como se estivessem cuidando”, conta dizendo, enfaticamente, que acredita que eles transmitem uma energia muito boa. E olha que a Nara é novata no quesito tutora de gatos. Tudo começou há um ano. Ela nunca se imaginou rodeada por eles. Hoje tem quatro. A primeira foi a Neni.

Depois, veio a Mini que chegou com uma surpresa, ou melhor, duas. Foi que nem um Kinder Ovo. Grávida, deu à luz a dois gatinhos, a Ursa e a Amarela, que iam para adoção, mas acabaram ficando. Agora, Nara se diz apaixonada. A casa é deles. E eles têm cuidados especiais como ração, vacinas, carinho, muito carinho, etc.

Os dons desses felinos há muito tempo já são conhecidos. Os antigos egípcios, que o digam, pois os tratavam como deuses. Na mitologia egípcia, Bastet (palavra grega para gato) é uma divindade solar, deusa da fertilidade e protetora das mulheres. Para os budistas, eles são seres iluminados, que transmitem harmonia, aliviando tristezas com seus olhares.
O ronronar dos gatos, para alguns especialistas, tem poder terapêutico no alívio do estresse e ansiedade, transmitindo calma e tranquilidade aos donos. Além disso, o ritmo das pessoas desacelera quando ficam com um bichano ronronando no colo.
E será que é verdade que eles enxergam espíritos? Para a ciência, o que eles têm é a capacidade de enxergar frequências, que não são visíveis aos olhos humanos. Possivelmente, é por isso que o gato, às vezes, interage com alguma coisa que você não vê.

Clotilde Gama

Por

@clotildegama Santa Maria/RS

Seu pet está gordo?

12/09/2018 às 15h28

Sou apaixonada por cachorros. De todas as raças, de todos os tamanhos. Sou daquelas que para os tutores na rua para fazer perguntas. Não resisto aos pets. E quando são gordinhos então, nem se fala. Faço voz de criança, quero passar a mão…. Adoro vê-los rebolando, ou melhor, tentando com aquelas ancas volumosas. Acho um charme. Mas tenho consciência que não podem engordar muito, faz mal para a saúde deles e precisam de cuidados especiais.

Muitos são os motivos que levam um cachorro a engordar. Entre eles estão o sedentarismo e o excesso de oferta de alimento ou de alimentos de consumo humano, que são impróprios para cães. Algumas doenças endócrinas também podem levar ao aumento do apetite e do ganho de peso como, por exemplo, o hiperadrenocorticismo e o hipotireoidismo, respectivamente.

“Os tutores devem estar atentos à quantidade de alimento que está sendo ofertada ao cão. Deve-se seguir a recomendação da embalagem da ração sobre a porção a ser oferecida conforme o peso do animal. Essa quantia pode ser dividida em duas ou até quatro porções ao dia, dessa maneira o cãozinho irá sentir mais saciedade”, ensina a veterinária Sabrina Bäumer, enfatizando que “é importante que o cão seja alimentado sempre pela mesma pessoa para que não sejam dadas porções extras de alimento. Devemos evitar os petiscos em excesso, assim como alimentos humanos, como pão, biscoitos, doces e frituras, por exemplo”. Quando seu pet estiver gordo, o ideal é levá-lo para uma avaliação com o veterinário, que indicará uma ração light de boa qualidade ou, até mesmo, uma medicamentosa com mais fibras e menos gorduras e calorias.

“Além disso, podem ser feitos exames para pesquisar possíveis doenças que causam a obesidade. Caso o animal seja acostumado a receber petiscos como recompensa, atualmente existem no mercado alguns biscoitos light e com fibras, que devem ser ofertados com moderação. Estimular o animal com brincadeiras e caminhadas é muito importante para que ele se exercite mais”, alerta Sabrina.

Algumas frutas e verduras também são uma boa opção, mas devem ser oferecidas em pouca quantidade. “O açúcar natural delas pode engordar o animal. Além disso, temos que evitar as que são tóxicas para eles: a carambola pode causar insuficiência renal; uvas podem levar a falência renal aguda; cebola pode causar anemia grave; maçã e pera devem ser oferecidas sem as sementes, pois liberam ácido cianídrico; abacate deve ser oferecido com moderação, pois possui alto teor de gordura. Frutas cítricas podem ser oferecidas desde que o animal não tenha gastrite ou alguma intolerância individual, como vômito após a ingestão, por exemplo. Cenoura, tomate, alface, abobrinha, banana, brócolis, kiwi, mamão, melão e melancia são boas opções e geralmente tem boa aceitação pelos pets”, receita Sabrina.

Existe ainda a possibilidade de uma alimentação natural, que é 100% caseira, porém, salienta a veterinária, ela exige assessoria e supervisão de um nutricionista canino que irá formular uma dieta que forneça todos os requisitos nutricionais do animal, caso contrário à saúde dele pode ser colocada em risco A obesidade pode causar osteoartrite (prejudicando as
articulações e a coluna), pancreatite, alterações hepáticas, lesões nos ligamentos do joelho, elevar a pressão arterial, colesterol e triglicerídeos, agravar doenças respiratórias e cardíacas e desencadear resistência insulínica que pode acarretar o diabetes mellitus.

“Devido a todos esses efeitos negativos no organismo, a obesidade reduz a expectativa de vida do animal em até dois anos. Além disso, caso ele seja submetido a um procedimento que necessite ser sedado ou anestesiado, o risco de complicações se torna maior. A obesidade reduz a capacidade respiratória do animal devido a diminuição da complacência torácica e dificuldade de movimentação do diafragma. A gordura nos tecidos da faringe e da língua pode levar à obstrução das vias aéreas após o uso de sedativos ou tranquilizantes ou durante a indução da anestesia. Outro fator importante é que alguns fármacos possuem a capacidade de se acumular no tecido adiposo, prolongando a eliminação destes e, por consequência, a recuperação da anestesia. Por isso é muito importante que nesses casos ele seja acompanhado por um anestesista veterinário capacitado que irá monitorá-lo constantemente e estará preparado para contornar as intercorrências que possam surgir durante o procedimento anestésico”, comentou Sabrina, que é especialista em Anestesiologia Veterinária e mestra em Clínica e Cirurgia Veterinária (ênfase em anestesiologia).

Caminhadas para emagrecer

A educadora física Laura da Rosa sabe muito bem como é cuidar de um pet gordinho. Seu Toddy da raça dachshund, mais conhecida como salsichinha, começou a engordar quando tinha três anos de idade. Coincidência ou não, o aumento no peso ocorreu logo depois que iniciou um tratamento a base de corticoide por causa um problema na pele dele. “Ele chegou a pesar 14 quilos, o dobro de um peso normal para a raça”, conta. Toddynho faleceu há quatro anos, mas a tutora lembra muito bem o que ele comia. “Ração era a base, adorava cenoura e sempre dávamos um pedaço do que estávamos comendo, porque ele sabia ficar sentadinho de pé e achávamos lindo”, conta emocionada Laura fazendo uma mea-culpa dizendo que “aí foi o erro…”

Se alimentar somente de ração para obesos e fazer caminhadas foram os procedimentos adotados por ela para emagrecer Toddynho. Mas não foi fácil. “Foi muito difícil porque ele também tinha problema de coração, então eu não podia caminhar muito com ele, obeso e cardíaco, tinha que ser leve, mas emagreceu quatro quilos, chegou a 10”, enfatiza.

Hoje Laura ameniza a saudades que sente de Toddynho com seu outro salsichinha, o Bonny. E será que ele também está engordando? “Olha a gente cuida, mas deu uma engordada já, mas tendo caminhar mais e ele frequenta a creche uma vez na semana onde brinca com os amiguinhos”, conta sorridente. A alimentação do Bonny, além de ração, inclui cenoura todos os dias.

Clotilde Gama

Por

@clotildegama Santa Maria/RS