Revista Statto

A FACE NEGRA DO AMOR!

05/10/2020 às 13h16

Domingo à noite, estava eu sozinha em casa, sentada à beira da janela, tomando uma cervejinha e refletindo sobre minha ancestralidade, lendo páginas dispersas de Edgar Allan Poe, especificamente o conto “O Corvo”.

Especificamente nas entrelinhas onde todas as perguntas do Eu Lírico, o corvo respondia: “Nunca jamais”.

Lembrei-me dos meus amores perdidos, dos tempos de escola, da dor que o último amor me rendera. Larguei um olhar pela janela e perguntei ao infinito tempo; – Será mesmo que todo amor está aliado a dor? O corvo, saiu dos umbrais de Atenas, atravessou as frases, linhas, virgulas e pontos e repousou sobre um Ipê de fronte a minha janela.

Aquele animal preto, lustroso descrito como “infernal” por Poe, respondeu-me: “Não temas, eu sou tua consciência. Tu estás a sofrer porque algo em ti precisa ser resolvido”. Olhei nos olhos do corvo, ele, encarava-me com firmeza, senti um frio na coluna dorsal, mas resolvi contar-lhe minha história, certamente era um animal inteligente e quiçá poderia aliviar a minha dor de amor.

Contei-lhe:

– Caro, Corvo, veja bem a minha situação.

– Pensava eu que nunca sentiria o que a humanidade descreve como AMOR!

– Casei-me duas vezes, em ambas, fui submissa, escolhida e apenas seguia o fluxo do que me exigiam, literalmente escolhida como “pilar da família”.

– Quando me casei pela segunda vez, percebi que estava num círculo vicioso, um karma e nada mais fazia sentido em minha vida, a relação, o sentimento o sexo. E eu já não me sentia completa! O amor-próprio morrera a anos, mas, algo desejava lutar. Restava-me o divórcio, pois, tudo tem início meio e fim.

Aprendi que existe uma grande diferença entre Amor, Amar e Gostar.

Dizia para as amigas que jamais havia amado alguém. Uma mulher fria, assim me sentia. – Certa vez, sentada num bar, minha companhia me afagava aproximou-se um galanteador rapagão, pergunta-me se o lugar estava ocupado, senta-se e ocupa o espaço e também meu tempo.

– Escrevia mal, falava mal, sua beleza não era estonteante, soava tosco… jamais me relacionaria com tal rapagão, pensava!

Meses depois, estava eu apaixonada pelo tal sujeito, desprezava minhas ligações, suas respostas eram uníssonas, e as conversas monossilábicas, eventualmente me chamava. Quando estava comigo me tratava como uma princesa, não tinha olhos para mais ninguém, eu me sentia a mulher mais importante do universo ao seu lado, o sexo uma explosão de energia e química.

Eu sofria com a sua ausência e com a sua falta de interesse. Essa ausência matava meu coração a unhaços, pensava quando seria o próximo encontro. Quando por fim mal dormia, cai em si e passei a questionar tal conduta!

– Esse homem não tem nada de especial, não faz meu tipo porque, estou sofrendo então? – Sua voz, era aveludada, doce e serena. E, ativava minha memória afetiva, quando no passado perdi o grande amor de adolescência, ambas as vozes eram idênticas. Esse era sem dúvida o canal de conexão.

– Corvo amigo, há meses estou sofrendo, “mal de amor” e, por mais que tente esquecer não consigo, é mais forte! Hoje entendo certos relacionamentos abusivos, “é submissão, escravidão do amor”. O que posso eu fazer?

Minha cara disse o corvo: “aprenda a se amar, não podes dar a alguém aquilo que não possuis”. Aprenda com a dor e seja resiliente, ninguém more por abdicar de alguém não podemos possuir ninguém, a isso, a humanidade chama “livre arbítrio”.

Existem 3 fases do amor: – A primeira é o amor utópico, acontece na adolescência, onde tudo é possível, belo e fantástico. A segunda é o amor aliado a dor a submissão, ao estraçalhamento da alma, e ela dói justamente para que aprenda a se auto amar a se autovalorizar e aprenda o sentido de resiliência. Esse amor é o que prende a grande maioria das pessoas, pois, o medo as impossibilita de crescer, pensam que não existe chão firme baixo o vidro no pedestal onde colocastes o outro.

– Aprenda Alice, que é você quem deve estar no pedestal!

O terceiro amor é o encontro de almas gêmeas, poucos trilham o caminho das pedras para que abram espaço a este amor… Almas gêmeas são livres, são autoconfiantes e levam o relacionamento na paz sem cobranças, sem medo, sem insegurança. Ambos andas sobre as nuvens, almas que se encontram e vivem justas para a vida inteira.

-Se estás no segundo estágio, querida Alice! Seja grata, pois, tu tens que aprender sobre si não sobre o outro, olhe para você, reconheça-se no espelho! És a mulher mais forte do mundo, a mais destemida, és bela e inteligente, diga este mantra e convença sua mente, minha querida!

O amor é lindo e maravilhoso, mas ele começa em você!

O corvo então, soltou um grunhido, suas plumas ensinaram-se e o corvo retornou para as linhas e orações, foi cumprir sua missão nas leituras de Edgar Allan Poe repousando no justo momento do ponto final.

A NONA ROSA

25/09/2020 às 09h41

Helena, 30 anos, viúva duas vezes. Agora andava pela avenida estreita, Mariano Peixoto como há muito o fazia às 5 da manhã, enquanto todos dormiam Helena, apurava o passo para receber atendimento médico próximo de sua casa como de costume, 20 quarteirões!

Agora, Helena sentia-se muito mal, estava debilitada e fraca, sentia dores em todo seu corpo. Segundo o doutor, a pobre moça tinha uma semana e nada mais. Retornando à sua casa, ela chorava e soluçava pedindo a Deus que olhasse por ela e seus pobres filhos, sentia muita dor.

Chegando em casa, tomada em prantos pensava em seus 8 filhos que tivera com seus ex-maridos. Pensava também em seu atual esposo, era alcoólatra e fumava. Sua atual situação erra péssima, cirrose hepática, apontava o laudo médico, o pobre homem estava condenado a morte!

Não ajudava Helena em nada, a grana que ganhava na construção cível gastava antes mesmo de chegar em casa. A moça, para sustentar a família, seus 8 filhos o marido e a si, fazia salgados para festas infantis, costurava e lava roupas; oficio que aprendera ainda na infância e hoje ao menos lhe garantia o sustento. Uma mulher nobre, de um coração imenso!

Subia agora as escadas da fronte de sua casa, suas forças se esgotavam, estava fraca, pensava que talvez não passaria daquele dia! Com muito esforço, apoiando-se ao corrimão, pé a pé, lentamente subia os degraus. Observava com esmero e amor às nove rosas que plantara na primavera. Lágrimas lhe corriam pela face!

Helena, adorava rosas, seu perfume, suas cores, elas lhe traziam paz e a faziam recordar da infância, quando ajudava a mãe com o jardim, momentos únicos de afeto que não voltam mais!

Agora, com muita dificuldade dirige-se para a sua alcova, rastejando-se, repousa com dificuldade, o ar lhe faltava, recordou dos remédios que estavam sobre o aparador na sala da estar à direita. Não tinha forças para se levantar e em sua cama ficou estendida.

Ao amanhecer suas dores aumentavam, nada mais a pobre moça podia fazer era o ponto final, era o destino. Oito horas haviam se passado, agora, todos estavam ao redor de Helena, admirados e felizes com a chegada na nona rosa. Camila! Assim Helena a batizara, uma homenagem a sua querida mãe.

A LAGRIMA

12/09/2020 às 15h48

Certa vez encontrei uma moça de aproximadamente 23 anos, Amabili, mãe solteira, pobre e malparida, violada pelo padrasto há pelo menos 7 anos. Engravidará do infeliz!

Quando sua condição a delatara já com 5 meses de gestação, viu no medo uma oportunidade de contar a verdade e libertar-se do problema.

– Um escândalo!

Sabe-se que os vórtices de dor e medo são os melhores para se aparar as arestas dos problemas. Quanto maior o problema, mais fácil em resolve-lo – “é sacudindo o pé de coqueiro que se derrubam os frutos maduros e os podres”.

A família a beira do caos, punira-a …

A sociedade, um poço de egocentrismo julgava a moça sem sessar. – Mulher! “Certamente ela que se oferecerá para o padrasto”. Palavras do patriarcado.

– Uma vagabunda, se oferecia para o padrasto, pobre mãe, saia para trabalhar enquanto a filha deitava-se com seu marido. Esses zunzunzuns pairavam na cidade, entre às vizinhas e na Igreja!

Pobre Amabili, enredomada em dor e sofrimento a um hospício fora enviada …

Somente sua memória e imaginação lhe eram permitidos. Uma louca, demente, psicótica.

– Teve sua filha no hospício!

Esquizofrênica, humilhada, desacreditada sua filha no vaso sanitário tentou jogar! Por sorte, uma enfermeira a pobre criança, que por culpa de um destino cruel veio ao mundo, conseguiu socorrer.

Para a família enviada a pequena inocente fora, e mês a mês permitiam que ambas se vissem com severas restrições muitos olhos sobre as duas mantinham.

Amabili em remorsos, dor e sofrimento culpava-se … e quanto mais se culpava mais e mais caixas fechava em sua mente inconsciente … assim, anulavam sua vida que, aliás já estava dilacerada pelos traumas vividos!

Infelizmente, nesta sociedade do patriarcado é a mulher a culpada, inclusive por ser a VÍTIMA!

Meses passados, “com a sanidade mental controlada”, permitiram que Amabili e sua filha juntas ficassem. – A família articulava, pois, a pequena precisava de abrigo, leite, atenção.

Uma semana passada com a mãe, aparentemente tudo estava em equilíbrio…

Amabili, ao amamentar a criança, a observava, delineava sua história. Perdida em lembranças, foi até a sacada do quarto que habitava; pegou a menina pelas pernas e de cabeça para baixo, berrava a criatura, soltou-a!

Um ano e meio passado, encontrei uma jovem mulher um tanto quanto abatida sentada na poltrona de um ônibus, – estava no meu lugar! Sentei-me ao seu lado … e não pude deixar de perguntar sobre uma certa tatuagem que de longe chamava à atenção!

Uma lágrima tatuada no rosto, no lado esquerdo!

Uma moça meiga, adorável, mas que de longe via-se o sofrimento estampado nos olhos fundos e pálidos!

– Muito prazer, sou Amabili, e vou lhe contar minha história!

UM TOQUE DIVINO

01/09/2020 às 08h49

Conheci uma pessoa que dizia não acreditar em Deus, em sua divina misericórdia, muito menos em milagres, pois jamais o vira. Porém o amor de Deus não está nos grandes prodígios. A maior intervenção sobrenatural ocorre nos momentos em que nada faz sentido.

Um milagre precisa ser observado, ocorre a cada instante.

Um homem, descrente de tudo, pôs-se de pé, logo ao amanhecer o dia mal os primeiros raios solares tocavam a terra. E ele tomava seu rumo, caminhava depressa; percebeu que, conforme andava sobre a grama rasteira, o orvalho misturava-se às plantas. O branco tornava-se um verde brilhante, humedecido. Diminuiu o ritmo de sua caminhada, e observava detalhadamente o que acontecia.

Maravilhou-se, pois nunca havia reparado na beleza das gotículas de orvalho. Parou diante de uma pedra de cinco centímetros, era pontiaguda e lisa, tinha o formato de uma gota, o tempo polira-a. Em seu tom escuro, misturava-se com um charmoso perolado. Possuía certa luminosidade.

O homem prostrou-se diante a pedra; delicadamente à pós em suas mãos. Cobriu-a, como a ostra esconde sua pérola. Atônito, segurava-a ainda aquosa, entre os dedos polegar e o indicador. Caiu por terra ao ver o milagre; que, por suas mãos calorosas, realizava-se: a pedra secava lentamente.

No fundo, o homem sabia do fenômeno que acabara de presenciar, mas perguntava-se o porquê justo naquele instante. Assim, o milagre de Deus acontece na vida de cada um, sem sentido algum.

MEU CABELO BRANCO!

31/08/2020 às 09h46

Cheguei em casa, após um Domingo cansativo com os amigos!

Era tarde! – Iniciei meu ritual para tomar meu banho…

Peguei minha escova de cabelos e me pus a pentear frente ao espelho. “Um fio, um fio, um fiooo prateado”, reteve toda minha atenção, no meio da minha cabeça apontava reluzente…

Arranquei-o, segurei por alguns instantes… a sensação, não sei descrever muito bem, me dei conta de que já passava dos meus 30 anos. A velhice agora era eminente! “Meu Deus, eu, loira com um fio branco”.  Fiquei observando aquele fio por um tempo e me perdi num looping em minhas memórias.

Quando tinha 10 anos, sentada a penteadeira, brincando com minhas bonecas…. Olhava para o espelho, melhor para o futuro! Imaginava como seria quando eu encontrasse meu primeiro fio prateado.

Seria aos 30,40 ou 50, eu possuía a vantagem de ser loira, pensava!

E imaginava como seria minha vida, como seria meu corpo, onde estaria vivendo, casada, com filhos, o que estaria fazendo para sobreviver, o que eu pensaria da vida, se me lembraria do dia em que imaginei encontrar um fio prateado. Todas essas questões tomavam meu tempo, perdida em memórias.

– Oras porque vou-me preocupar com isso agora, tenho 10 anos, até esse dia chegar. (20, 30 talvez 40 anos, pareciam ser longos para uma criança de 10 anos).

Enfim, o dia chegou e nada do que havia imaginado se concretizara! Por Deus…

Agora, em casa, sozinha, frente ao espelho perdida em memórias, um frio corta a espinha dorsal eu queimei 30 anos de minha existência. Divorciada, sem filhos, sem um namorado e com perspectivas afetivas quase nulas.

Olhar para o passado é algo fascinante é como voltar no tempo quando se olha verdadeiramente com o coração aberto e com gratidão, é realmente como cortar o tempo e entrar em uma nova dimensão.

Essa dimensão é a avaliação da sua vida, o que você fez, como fez, porque fez. A parte mais importe é olhar com carinho com delicadeza e gratidão, pois tudo que você fez foi baseado no conhecimento que havia construído naquele momento.

Olhar para o futuro é desesperador, principalmente quando a solidão é sua companheira. A solidão é dolorosa e olhar para o futuro causa medo e insegurança…, mas ela também é mansa, te faz crescer e te coloca na posição de observador.

No fundo o que importa é como você vive!

E Fios brancos só revelam uma coisa: “o tempo passou”.

O JOÃO DE BARRO

19/08/2020 às 08h54

La da varanda, observava o entardecer.

O crepúsculo confortava-me a alma; aquelas cores que se entrelaçam, tudo tão belo, mas, ao mesmo tempo, tão sombrio. As vezes fico horas a observar a beleza triste da natureza; aquilo arrepia o corpo. Ouvi um tec – tec, procurei de onde vinha, não encontrei nada e retirei-me da varanda.

Cinco dias passados, e a curiosidade me matava; queria saber, a qualquer custo, o que era o tal tec – tec. Ouvia o barulho o tempo todo, das seis da manhã até as seis da tarde, só parava ao pôr-do-sol. Um dia resolvi observar, em detalhes, e me pus na varanda mais cedo. Procurei por toda parte o que era o barulhinho. Ficou tarde e, sem êxito, resolvi me retirar, mas, ao passar os olhos sobre os galhos de uma árvore, vi que as folhas escondiam uma caixa de água quadrada; em cima, havia uma casinha de João de barro, pequena, frágil, como a casca de um ovo, perfeita.

Como um João de Barro, tão pequeno, pode criar algo tão magnífico? Era uma obra divina! Só pode haver o dedo de Deus para existir no mundo coisa tão bonita! Porém não era a construção do forneiro que fazia o tec – tec. Por minutos, fiquei apreciando a obra de arte que não estava totalmente concluída, no entanto assim mesma era bela. Procurei com os olhos o construtor, não o vi no alto, e o tec – tec seguia.

Espichei o pescoço pelo muro da varanda; se não estava no alto, estava no chão! Encostado à arvore havia espelhos e pedaços de vidros, que, há três semanas, havíamos deixado à vista; antes, uma lona os cobria. Tiramo-la para que o sol pudesse secar a água acumulada: Prevenção contra o AEDES AEGYPTI.

Arrepiei-me quando vi; jamais pude imaginar que houvesse um amor tão platônico, e um animal pudesse expressá-lo. Era ele, o João de Barro! O forneiro bicava o vidro; a imagem, que se refletia no espelho, o deixara completamente apaixonado. Resolvi o mistério do tec – tec. Não foi um mistério de Agatha Christie…

Com o passar dos dias, percebi que o passarinho não só bicava, ele chorava por sua amada, cantava para seduzi-la e construía sozinho a casinha de barro, na esperança de libertar o reflexo. Nunca, jamais ouvi dizer que os animais têm ambição.

O forneiro era todo de uma cor só, marrom, era feio, tinha o rabo curto e desproporcional ao corpo e uma asa deformada. Por um momento, entendi o seu amor platônico por si mesmo.

Escureceu. Chovia muito. Escutei o tec – tec até a Meia Noite, depois caí no sono. Pela manhã, sete horas, corri para ver o que havia acontecido. Muitas arvores quebradas, outras caídas, lembrei-me dos vidros, tirei as folhas que os cobriam. Como o João de Barro iria namorar consigo mesmo? Os pedaços que já eram quebrados espedaçaram, como se um vendaval tivesse passado durante a escuridão. A casinha, no alto, feita de barro, não tinha imperfeição, estava intacta. Um galho podre escondia o corpinho feio que jazia no chão. Tinha uma estilha nos olhos, o bico todo dilacerado, e ensanguentado. O forneiro bicou tanto, na tentativa de tirar a amada do vidro…. Quebrou-o, mas ficou ali, inerte, morto.

Na casinha solitária pus seu corpinho, e ela se fechou para uma história de Amor!

LINDACIR

18/08/2020 às 10h43

Lindacir, 27 anos, separada do marido, mãe de sete filhos, casara-se aos dezessete, havia seis sete dias que o marido a abandonara, melhor, ela o abandonou, por ser ele um sujeito vagabundo e bêbado, que mal sustentava a família. Ela, agora, mais do que nunca precisava arrumar um emprego, para dar de comer aos pequenos, que, se fosse Deus tocar o coração dos vizinhos, não teriam nem um litro de leite para tomar.

Lindacir, que de linda, nada tinha, agora folheava os classificados de jornal, que havia ganhado da vizinha professora, que a ensinara a ler o pouco que sabia. Ela procurava uma vaga de qualquer coisa, que não exigisse estudo e nem bela aparência, pois se assim o fosse, as chances seriam mínimas.

Chamou sua atenção um anuncio, casa de família; precisava de empregada. “É este”, pensou ela. Conseguiu alguns trocados das vizinhas, pegou a condução no ponto mais próximo, dirigiu-se ao endereço que constava no anúncio, mas, ao chegar teve uma grande decepção. A “casa de família” era um prostíbulo, e a tal vaga, era para garota de programa.

Lindacir hesitou e, quando decidiu aceitar a proposta, foi encaminhada até a dona da “casa” ela olhou-a de alto a baixo, e lhe disse, que com aquela “beleza”, nem marinheiro na seca iria querer alguma coisa com ela.

Pobre Lindacir nem para meretriz serviria!

Como iria sustentar seus filhos, que a esta hora deveriam estar sovados de fome? Ela caminhava pelas calçadas, (estava sem dinheiro para a condução de volta), quando viu cair um embrulho, numa sacolinha de supermercado. Correu para ajuntar, pensando que fosse algo de comer, e grande foi a surpresa quando viu que nada tinha de comestível dentro daquele pacote, mas o que havia, isto sim, poderia comprar muitas coisas comestíveis e muitos litros de leite para seus filhos. Para azar, não do dela desta vez, mas sim de quem perdeu, o pacote que ela ajuntou, tinha uma enorme quantia em dinheiro, que poderia dar-lhe de comer até achar alguma coisa para fazer e ganhar dinheiro para o sustento de suas crianças.

Abraços

Paz e Luz