Revista Statto

9 DICAS SOBRE COMO AJUDAR PESSOAS QUE ACHAM QUE A ÚNICA SAÍDA É A MORTE

15/09/2020 às 16h47

Um dia todos nós ouviremos ou identificaremos um pedido de socorro e vale a pena saber como ajudar.

Desde 2014, o Centro de Valorização da Vida (CVV) no mês de setembro uma campanha para conscientizar as pessoas sobre o suicídio e suas formas de prevenção. É um tema complexo de um problema de saúde pública e para surpresa de muitos, é mais comum do que muitas pessoas pensam.

O número de suicídios no Brasil é alarmante. De acordo com dados de especialistas, pesquisas e notícias de órgãos confiáveis, a cada 45 minutos ocorre um suicídio, em 3 segundos um brasileiro pratica um atento contra a própria vida e todos os dias são 32 brasileiros que perdem a vida em decorrência do suicídio.

Dessa forma, pelo menos uma vez na vida você ouvirá essas palavras de alguém que você ama ou conhece: “A vida não faz mais sentido”; “ Não aguento mais viver dessa forma”; “ Quero morrer”; “Valho mais morto, do que vivo”.

Certamente, alguma vez você terá a chance de salvar a vida de alguém que está em sofrimento psicológico grave e que por algum motivo, confidencia suas dores e desesperanças para você. Portanto, saiba reconhecer esses pedidos de socorro de alguém que não está em condições de tomar as próprias decisões:

Esses 9 tópicos te ajudam a entender sobre como ajudar pessoas que acham que a única saída é a morte

  • Saiba que as pessoas não querem morrer, mas desejam acabar com a dor que sentem num determinado momento. É como se a vida e o sofrimento não tivessem ligação, assim seria como se fosse possível matar somente o sofrimento e não acabar com a própria vida;
  • Lembre-se que a frase “Quem quer morrer não fala” é um mito. Na maioria das vezes, as pessoas que tentam ou conseguem cometer suicídio, falaram sobre o seu desejo de morrer para outras pessoas, mas foram desacreditadas. Provavelmente, externalizar esses pensamentos, foi a única forma que esse indivíduo encontrou para pedir socorro;
  • Ouça sem julgar. Esteja de ouvidos “abertos” para acolher as dores de alguém que se encontra sem esperança nesse momento da vida;
  • Não aumente a culpa. Não diga que isso é frescura, falta de religião, que a família vai ficar muito triste ou que amanhã, tudo vai passar. Pessoas que pensam em suicídio já se sentem muito culpadas por tudo;
  • Não minimize a dor. Jamais diga frases como “Você tem tudo e está reclamando a toa”, “Pessoas doentes dariam tudo para ter uma saúde como a sua”, “Deus vai te castigar”, “Amanhã, tudo ficará bem”, etc;
  • Resgate. Se você tem vínculo e histórias que foram compartilhadas, vale a pena trazer à tona as memórias e os bons momentos, como uma forma de resgatar a ternura pela vida;
  • Oriente sobre a necessidade de buscar ajuda profissional. É necessário buscar auxílio especializado com psiquiatra e psicólogo para cuidar dessa pessoa e também para dividir a responsabilidade de cuidar de alguém num momento tão fragilizado;
  • Se a pessoa não puder decidir sozinha, agende os profissionais de saúde mental e o (a) acompanhe nas consultas. Muitas vezes, as pessoas com ideações suicidas perdem a força de buscar ou “frequentar” ajuda. Uma forma bem eficaz é acompanhar essas pessoas em suas consultas iniciais;
  • Se preciso “quebre a confiança” pois, em último caso, é melhor contar um segredo do que perder um amigo (a) para sempre. Se você seguiu todas as orientações mencionadas até aqui e mesmo assim o seu amigo (a) ou alguém que você ama continuar resistente em buscar ajuda profissional, vale a pena informar seus parentes mais próximos.

Saiba que 90% das tentativas de suicídio podem ser prevenidas. Portanto, essas informações devem chegar aos amigos, familiares e até ao ambiente de trabalho de qualquer pessoa.

Um dia todos nós ouviremos ou identificaremos um pedido de socorro e vale a pena saber como ajudar. E acreditamos que munidos de informações, todos nós poderemos prevenir tentativas ou suicídios de amigos ou das pessoas que amamos.

Desabafo: sou uma dessas pessoas que ama a vida, mas um dia isso pode mudar e gostaria muito que meus amigos e familiares soubessem dessas informações, cuidados e como proceder se eu perder a esperança em tudo e sentir vontade de desistir.

Hoje pode não ser eu ou você, mas certamente é alguém que está perto de nós e precisa do nosso acolhimento e cuidado. Compartilhe essas informações, abram seus corações e cuide dos amigos ou familiares que pensam em desistir da vida. Acolha e mostre que se importa até que essa pessoa seja capaz de entender que há sempre outra saída, sempre tem outro jeito e que a vida sempre merece mais uma chance.

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Edição e revisão: Rafael Henrique da Silva (Jornalista – MTB: 0089369/SP)

5 FILMES QUE GERAM REFLEXÕES E PRENDEM ATENÇÃO DE QUEM SE INTERESSA EM ENTENDER A SOCIEDADE

17/08/2020 às 22h25

Existem diversas formas de entender a sociedade e uma das principais é pelas histórias contadas em filmes. Quer conhecer uma seleção de obras interessantes e que prendem a sua atenção? Puxa a cadeira, pega o café, pão de queijo e um bolo para essa leitura e depois, começar a maratona dos filmes. Preparados?

O mês de agosto é muito especial para todos os psicólogos. No dia 27, é comemorado o Dia do Psicólogo e na forma de enaltecer e homenagear aos profissionais e colegas, resolvemos separar dicas de filmes que mostram a complexidade e conflitos referente ao funcionamento psíquico dos seres humanos.

Preparem-se, seguidores e leitores. Os filmes que selecionamos trazem muitas reflexões, emoções e as capacidades da mente. Se você é apaixonado pela área, vem fazer parte dessa leitura com a gente!

A Garota Dinamarquesa

O filme gera muito impacto por ser uma história de 1931. Com grandes impactos e reflexões na sociedade desde aquela época, podemos dizer que esse tabu ainda ronda a história do século XXI: a cirurgia de mudança de sexo. O filme conta a história de Lili Elbe, provavelmente a primeira transexual a submeter-se pela cirurgia.

Para sempre Alice

Uma história emocionante que envolve empatia e família. Alice, uma professora de linguística, aos 50 anos é diagnosticada com Alzheimer e sua família abraça causa como forma de cuidado e carinho com Alice. A reflexão proposta pelo filme nos faz pensar na importância do olhar com o outro e colocar a empatia e amor em primeiro lugar com todas as pessoas, principalmente as que estão sempre ao nosso lado.

Melhor é impossível

O filme relata a história de um escritor com TOC – Transtorno Obsessivo Compulsivo. Por ser uma pessoa fechada e com poucos amigos, encontra uma série de dificuldades em manter a sua rotina. A história nos leva à reflexão sobre certos hábitos diários.

Uma Mente Brilhante

Uma obra de fevereiro de 2002. Com apenas 21 aos, John Forbes Nash Jr. é certificado como um gênio da matemática recebe uma missão do governo, que envolve criptografia. Mas, com o tempo, John Nash (Russell Crowe) começa ter sinais de alucinações, misturando a realidade com ficção.

Cisne Negro

Uma obra muito repercutida, que gerou grandes reflexões entre a sociedade no ano de 2011. Sim, estamos falando de Cisne Negro. É uma bela história de uma mulher que ganhou a missão de interpretar dois papeis: o Cisne Branco e Negro. Com isso, a dualidade começou a ganhar presença na sua vida, causando diversas consequências nos campos pessoais e profissionais.

Os filmes geram grandes reflexões entre nós, fato. Antes de tudo, a importância de conhecer e colocar um pouco mais em prática os pontos abordados durante as explicações nos levam à curiosidade maior: no mundo de hoje, temos empatia pelo próximo e um olhar mais atendo à nossa mente?

Saiba que, identificar quando nós ou o próximo necessita de ajuda profissional é muito importante para o início do tratamento e A Psicanalista Online está aqui para te ajudar em informações e acompanhamento profissional. Se você precisar de ajuda profissional, entre em contato pelo e-mail: [email protected].

Agora, conta pra gente nos comentários desse texto o que achou dessa seleção de filmes extremamente brilhante, que tal? E não deixe de compartilhar com todos os amigos.

Redação, edição e revisão: Rafael Henrique da Silva (Jornalista – MTB: 0089369/SP)

CARTA DE UMA PSICÓLOGA PARA SEUS PACIENTES

04/08/2020 às 19h52

Essa é uma carta da psicóloga e psicanalista Elisângela Siqueira para seus pacientes e leitores. A inspiração surgiu por conta do mês de agosto, que é comemorado no dia 27 o Dia do Psicólogo. Essa introdução é para te preparar para um emocionante e sincero texto que expressa o carinho da profissional pelos seus pacientes e o quão é grata por ter escolhido essa profissão. E, vamos além de gratidão pela profissão, que claro, faz parte. Vamos de crença. Acreditar no trabalho desenvolvido faz toda a diferença no resultado final.

Queridos leitores, com vocês, uma carta de uma psicóloga realizada para todos os seus pacientes:

Foi uma prazerosa viagem no tempo relembrar as histórias em 19 anos de carreira. Sou uma mulher de muita sorte por ter escolhido essa profissão”, diz a autora do texto.

Nas férias de julho, precisei modernizar o meu site e fazia parte atualizar o meu currículo, afinal assim como tantas profissões, a psicologia e a psicanálise não são diferentes e estamos sempre estudando, mas normalmente eu esqueço de colocar no currículo os cursos novos. A vida corrida é a causadora disso.

Por coincidência, os certificados ficam em uma caixa junto com as agendas dos anos anteriores e lá encontrei minhas 19 agendas de trabalho. E claro, fui folear todas. Lá estão todas as pessoas que passaram por mim nesses quase 20 anos de carreira e que guardo com muito carinho.

Senti saudades de cada um que esteve comigo. Foi uma prazerosa viagem no tempo. É verdade que eu não me lembrava mais que dia nos encontrávamos, segundas ou as sextas-feiras. Mas eu me lembro muito bem de todas as histórias que passaram pela minha vida.

Eu sei que vocês seguiram os seus caminhos e eu tive o privilégio de acompanhar essa transformação e devido a isso, sou uma mulher de muita sorte por ter escolhido essa profissão.

Eu vi chegarem despedaçados e confusos e acompanhei cada choro, assim como todos os sorrisos que davam quando tudo começava a fazer sentido no processo da terapia. Presenciei vocês se fortalecendo, fazendo as pazes com o passado e conscientes que o futuro pode ser muito bom e que depende totalmente de cada um.

E nesses momentos eu já não cabia mais na vida de vocês, afinal se tornaram completos e seguros e partiram.

Essa partida significa que o trabalho foi bem feito e todos os pacientes internalizaram o processo terapêutico e, portanto, chegou a hora de voar, assim como fazem os filhos quando saem da casa dos pais.

Mas, depois desse depoimento, preciso dizer que foi por cada encerramento do tratamento e por todas as partidas que eu me fortaleci como profissional para continuar com o meu trabalho que tanto acredito.

Somente agora, depois de 19 anos de carreira, pude me dar conta que foram muitas as pessoas que estiveram comigo. Não é possível fazer esse cálculo, afinal, os pacientes não são números, mas são vidas cheia de histórias e complexidades.

Sim, eu também sou gente e sinto saudade do paciente quando ele termina o processo da terapia. O meu trabalho nunca acaba quando termina e por onde vou, levo um pedacinho de vocês comigo. Acreditem!

Agradeço a todos os pacientes que estiveram comigo ao longo de todos esses anos e aos que estão nesse momento. Sempre tocam a minha alma em todos os atendimentos!

Com muito carinho, Elisângela.

Introdução e revisão: Rafael Henrique da Silva – Jornalista – MTB: 0089369/SP

NA PANDEMIA DO COVID-19, AS MULHERES ENFRENTAM DOIS MEDOS O VÍRUS E A VIOLÊNCIA

06/07/2020 às 13h35

Conheça o cenário em que as mulheres enfrentam por conta do isolamento social e como registrar a denúncia.

Por conta do confinamento causado pela pandemia do Covid-19, as mulheres enfrentam um duplo medo: um vírus assustador e a violência doméstica.

Pesquisas apontam que as denúncias de violência doméstica cresceram em todo país neste período de isolamento social, mesmo com a queda de registros telefônicos em todos os estados. Esse fato se deu por conta de o medo da mulher realizar a denúncia com o agressor presente.

De acordo com um levantamento realizado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública – FBSP, o número de denúncias de violência contra a mulher cresceu principalmente em seis estados brasileiros em comparação à 2019, são eles: São Paulo, Acre, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Pará.

São dados preocupantes e alarmantes para uma sociedade que já é recheada de preconceitos e violência. Para atentar a população sobre esse crescimento, diversos Institutos, Empresas e Militantes criaram conteúdos para diversos veículos e mídias sociais que demonstram o que é considerado violência doméstica e com o objetivo de conscientização e, em casos mais sérios, de denúncias.

Para denunciar, ligue para o número 180. Este serviço público e gratuito é uma Central de Atendimento à mulher em situação vulnerável e o seu registro é realizada de forma anônima/confidencial. Caso você esteja em outro país, consulte o número de telefone para denúncias clicando aqui: https://www.gov.br/mdh/pt-br/navegue-por-temas/politicas-para-mulheres/ligue-180

E é possível realizar a denúncia também pelo 190 – Polícia Militar, serviço público e gratuito.

E para você que ainda não conhece sobre o assunto, deixamos como dica fundamental o site do Instituto Maria da Penha, organização sem fins lucrativos (ONG) lançada em 2009, que tem como um dos propósitos elevar a qualidade de vida física, emocional e intelectual das mulheres. Para conhecer, é só clicar aqui: https://www.institutomariadapenha.org.br/quem-somos.html

Acreditamos em um mundo justo e de igualdade. Estamos lutando para o melhor e pedimos atenção à assuntos importantes como este.

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Acesse também o site: www.apsicanalistaonline.com.br

E-mail: [email protected]

Psicóloga e Psicanalista responsável: Elisângela Aparecida Siqueira – CRP: 06/59103

Texto: Rafael Henrique da Silva (Jornalista – MTB: 0089369/SP)

O QUE SERÁ DE MIM QUANDO MEU FILHO (A) CRESCER?

29/06/2020 às 14h32

Certa vez, em um bate-papo despretensioso com uma grande amiga e mãe de gêmeos, ela me disse: “Não sei o que vou ser quando eles crescerem”. Em um primeiro momento essa frase me soou um pouco indigesta. Fiquei espantada com essa reflexão.

Pensei que, antes da maternidade, estamos empoderadas de identidades como grandes mulheres, profissionais, amigas e ocupamos um lugar na sociedade. Enfim, somos tudo que podemos ser num contexto “sócio-político-econômico-espiritual-familiar”.

Conversamos um pouco mais sobre sua preocupação, mas não aprofundamos o tema. Nos despedimos e fiquei pensando nessa indagação: “Não sei o que vou ser quando meus filhos crescerem”. Fiz essa pergunta a mim mesma e confesso que minhas respostas foram bem vagas. Pensei que com todo o tempo que me sobrará quando meu filho não depender mais de mim, que posso ser astronauta, física, arqueóloga, musicista, veterinária ou o que eu quiser. Pensei nessas possibilidades, porque todas essas profissões eu desconheço. Mas, me sobrando tempo poderia me aprofundar em todos esses temas e eu acharia um máximo.

Lembrei-me da primeira semana que meu filho foi à escola. Tinha apenas 1 ano e 6 meses. Tinha confiança extrema nessa escola para entregar meu filho e nessa fase de adaptação ficaria duas horas por dia, das 13h às 15h. Essa foi nossa grande primeira separação, com as primeiras duas horas com a sensação de “Não sei o que vou fazer quando meu filho crescer”. Obvio que ele chorou um pouquinho na porta da escola para se despedir e sai com o coração aos pedaços. Como psicóloga, sempre disse que os filhos são para o mundo e antes de ser mãe, achava que essa missão era fácil por ser óbvia. Aí, aí…

Voltei para a casa, não quis assumir compromissos neste dia, pois talvez meu filho chorasse tanto que precisasse voltar para a escola e busca-lo mais cedo que o previsto. Já em casa, senti um estranhamento estar com os braços vazios. Ambiente com bebês tem um cheiro muito especial, um cheirinho delicado, encontramos apenas o cheiro de bebê e pela primeira vez nesse tempo todo, nos deparamos com a ausência dele. E me veio novamente a pergunta: “O que vou fazer quando meu filho crescer”?

Fiz um café e nesse dia meu marido também estava nessa missão comigo. Juntos sempre! Foi ideia dele colocá-lo na escola, afinal, como um bom pai, consegue preparar mais facilmente o filho para o mundo. Finalmente tomamos o café para aliviar o vazio e esperar o tempo passar e por alguns momentos achei que o relógio estivesse quebrado, pois essas duas horas não passavam.

E chegou a hora de buscá-lo. Imaginamos que nos contariam que ele chorou, pediu e implorou pelos pais e todas as fantasias que rondam na grande primeira separação entre nós. Entretanto, a professora e os colaboradores da escola disseram que ele tinha ficado muito bem. Comeu, brincou e explorou o ambiente. Confesso que fiquei um tanto perplexa, pois a separação para ele foi menos difícil do que para nós.

E depois de passada a perplexidade, pensei que foi menos difícil para ele porque estamos fazendo um bom trabalho e por isso conseguiu se desprender de nós com certa facilidade. Confia no amor que sentimos por ele a ponto de estar seguro que voltaremos no fim do dia para busca-lo. E é assim que deve ser, pois bons pais colocam os filhos para fora do ninho. O nosso maior desafio é prepará-los para as adversidades da vida e do mundo lá fora.

Quando ele nasceu tive que reorganizar toda a minha vida. Diminuir minha agenda, fazer o tempo durar mais, ver menos meus amigos, deixar as leituras de lado, assistir menos filmes, entre diversas outras adaptações. Fiz toda uma organização para ele ficar bem acomodado na minha vida e, de repente, ele está se independendo. Já não precisa de fraldas, colo e se diverte sozinho ou com os amigos. E a mãe já não é tão necessária e começa a sobrar tempo, aquele que comentamos a pouco.

Claro que continuarei a ser mãe, psicóloga, esposa, amiga e tudo que eu já sou. Entretanto, fiz o tempo esticar tanto nos últimos anos que sobrará horas do meu dia, e, com todo o tempo que sobrar, talvez eu possa ser astronauta, física, arqueóloga, veterinária e até cantora, tudo junto. Quem sabe?

E se fizermos um bom papel de mãe e pai, certamente os filhos irão embora algum dia e carregarão dentro deles tudo o que conseguimos passar de bom e sempre voltarão quando quiserem, precisarem ou sentirem saudades.

Depois de cumprirmos essa missão com êxito, nos sobrará o tempo e seremos melhores em qualquer coisa que decidirmos fazer. Depois da maternidade, mudamos nosso olhar sobre o mundo, somos menos exigentes, mais gentis, persistentes e, sobretudo, mais fortes. Sendo mais guerreiras, qualquer desafio ou sonho parece possível de ser alcançado, afinal, se conseguirmos colocar nossos filhos em um bom caminho e prepará-los para as dificuldades do mundo, todo o resto é possível.

Edição e revisão: Rafael Henrique da Silva

(Jornalista – MTB: 0089369/SP)

AS CRIANÇAS SÃO AS QUE MAIS SOFREM EMOCIONALMENTE DURANTE A PANDEMIA?

15/05/2020 às 16h59

Numa época não muito distante, acreditava-se que a infância era a melhor época da vida. Imaginava-se que a criança não sentia tristeza, angustia ou desejos. Entretanto, Freud diz que os primeiros anos de vida são caóticos para todos os indivíduos.

Talvez as crianças sejam as que mais sofrem durante a pandemia. Não pelos mesmos motivos dos adultos, mas, por ainda não compreenderem de fato o que está acontecendo. Na infância, tudo que não é compreendido pela via cognitiva, é imaginado e fantasiado e, dependendo do funcionamento psíquico da criança, as fantasias podem ter cunho depressivos, como, por exemplo:  mamãe e papai vão morrer, eu também vou morrer.

As fantasias infantis também podem ter sintomas de ansiedade ou punição “eu sou uma criança má, a culpa é minha”. O aparelho psíquico é muito complexo e é sabido que cada criança vai fazer a sua “leitura” sobre a realidade que vem enfrentando. Sabemos que na infância, o real e o imaginário se confundem e criam grande confusão e sofrimento em suas mentes.

Às vezes, nós, pais e mães estamos tão empenhados em mostrarmos tranquilidade diante do caos que tentamos não mostrar nossas angústias e preocupações, até porque dá um certo receio de enxergar nos pequenos a confusão, medo e tristeza.

Nesse momento, é preciso ajudar nossas crianças. Em algumas situações, podem gerar traumas profundos, ignorar os medos e sofrimento trazido por elas. Essas características podem ser fontes de caos mental para os pequenos, que se sentirão sozinhos para resolverem suas angustias caso não deixemos um espaço de conversa e acolhimento.

Portanto, vamos cuidar da saúde mental de nossas crianças nesse momento de pandemia? Acompanhem as dicas que separei para vocês:

  • Pergunte para ela como se sente em relação à mudança de rotina e a questão da distância dos amigos por não frequentar a escola. Ouça, atentamente…. As crianças, assim como nós, precisam ser ouvidas e compreendidas;
  • O desenho e brincadeiras são excelentes fontes de comunicação entre a criança e o adulto. Peça para ela desenhar sobre as suas vivências durante a pandemia e brinque com o (s) filho (s) usando brinquedos de casinha, panelinha, carrinhos etc. É no desenhar e brincar que a criança conta sobre si e consegue elaborar suas preocupações;
  • Acolha as preocupações, dúvidas e angústias que as crianças trazem, mesmo que pareçam pequenas. É uma forma que a criança encontra de ser ouvida;
  • Explique de forma simples o que é Covid-19 e como se prevenir. As crianças aprendem bem rápido;
  • Evite assistir aos noticiários quando estiverem por perto;
  • Caso a família precise diminuir gastos durante a pandemia, explique de forma clara para o (s) filho(s). É importante que todos saibam e colaborem;
  • Estabelecer uma rotina na quarentena é importante, como horários de alimentação, tarefas escolares, acordar e dormir etc. Lembrando, dentro do possível de ser seguido por toda família;
  • Deixar espaço aberto para conversarem sobre a pandemia e medidas tomadas por toda família para atravessar essa fase difícil. Tudo o que é falado e explicado contribui para a (s) criança(s) compreender a realidade;
  • Manter a esperança. Afinal, sabemos que tudo isso vai passar e é importante que as crianças saibam e acreditem que esses dias chegarão.

Todas as crianças precisam de nossa atenção e cuidado nesse momento. Também sofrem diante desse cenário que nos foi imposto e ao contrário de nós, não conseguem compreender a realidade como ela é. Sabemos que algumas vivências podem marcar para sempre a vida das pessoas e se cuidarmos bem de nossas crianças, essa cicatriz emocional feita em época de pandemia será pequena.

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Edição e revisão: Rafael Henrique da Silva (MTB: 0089369/SP)

CENÁRIO DE PANDEMIA: VOCÊ JÁ CONSEGUIU PERCEBER O SOFRIMENTO MENTAL DO(S) SEU(S) FILHO(S)?

08/05/2020 às 16h17

Esse também é um bom momento para compreenderem que viver não é tarefa fácil e exige de todos resiliência, sabedoria, paciência e calma.

Estamos atravessando a pior época da pandemia do Covid-19 aqui no Brasil. Observamos atônitos o aumento do número de infectados e mortos, falta de leitos, respiradores para as vítimas e ausência de EPIs (Equipamento de proteção individual) para os profissionais de saúde, estes que estão na linha de frente.

Diante desse cenário caótico, nós, mães e pais, apresentamos outras preocupações. Tais como: colocar as crianças para assistirem as aulas EAD (novo ambiente para a maioria das famílias, sem esquecer as desigualdades do país), manter a casa organizada, comida pronta, ir ao mercado para fazer a compra da semana e não voltar contaminado, lavar as compras, desinfectar a casa, manter os horários das refeições de acordar e dormir, pensar em garantir o sustento da família, entre tantas outras preocupações.

Diante desse contexto, sinto-me uma bailarina que faz movimentos perfeitos e sincronizados, mesmo sentindo dores pelo corpo todo e pela alma, querendo transmitir a “leveza” da dança. Esse momento atípico, de uma pandemia instalada no mundo, lembra os espetáculos das bailarinas e bailarinos, pois é mais ou menos isso que fazemos com as crianças. Nós, pais e mães, embora tenhamos dores, medo e preocupações, não podemos demonstrar aos filhos, assim como esses profissionais que não demonstram suas dores ao público.

Não penso que é necessário escancarar a realidade nua e crua para eles, mas é obvio que já entenderam que há algo diferente acontecendo. Estão longe da escola, amigos, parentes e sem as atividades rotineiras.

A dureza da realidade tem fragilizado toda a humanidade, portanto, mostrar esse cenário para as crianças seria cruel, assim como apontar somente a “leveza” e “doçura” diante desse caos seria falsidade.

É importante falar sobre a pandemia de uma forma que entendam e não é preciso entrar na questão de mortes. Mas, precisam aprender a se protegerem do vírus, de forma que se preparem para a ‘nova vida’. A verdade é a forma mais acertada e justa para com as crianças.

Esse também é um bom momento para compreenderem que viver não é tarefa fácil e exige de todos resiliência, sabedoria, paciência e calma. Mas, sobretudo, que a vida tem um grande poder de se renovar e se reinventar, mesmo depois do caos.

Somos pais e mães e é importante que nunca faltemos com a verdade e recursos para fazermos de nossos filhos, seres humanos capazes de lidarem com as mazelas da vida. Dessa forma, poderão transformar o mundo num lugar melhor do que hoje para se viver.

Edição e revisão: Rafael Henrique da Silva (MTB: 0089369/SP)

ATENDIMENTO PSICÓLOGO E PSICANALÍTICO ESPECIALIZADO PARA BRASILEIROS NO EXTERIOR

17/04/2020 às 17h01
Crédito imagem: cottonbro – Pexels

Encontramos brasileiros em todos os cantos do mundo, fato. Segundo a última pesquisa realizada pelo IBGE, estima-se que mais de 500 mil brasileiros vivem no exterior. Muitos realizando sonhos que planejaram desde a adolescência: conhecer o mundo e morar fora do país de origem. Essa fase na vida do ser humano é muito famosa e notamos que cresce a cada dia.

Para que isso aconteça, é preciso um planejamento minucioso, estudar o país que deseja residir, preparação da saúde física e mental. Afinal, estamos falando de uma mudança considerada radical em diversos aspectos, principalmente a adaptação das adversidades, alimentação e cultura do lugar que será sua casa pelos próximos anos.

Mesmo com todo desejo em viver essa experiência, é comum um ponto de insegurança do que poderá acontecer e claro, a saudade dos familiares, amigos, animais etc. que ficam no Brasil.

Entendendo todo esse cenário, é possível identificar que, mesmo cuidando minuciosamente de todos esses detalhes, brasileiros que chegam ou já moram no exterior buscam por atendimento psicológico/psicanalista online para cuidar da saúde mental e auxiliar nessa empreitada.

Muitos buscam esse amparo com profissionais brasileiros e é compreensível por conta de conhecer o seu idioma de origem, entender que o paciente está vivendo em uma cultura totalmente diferente e a lembranças de conversar sobre os costumes brasileiros.

Portanto, o A Psicanalista Online detém de um time de especialistas alinhado e preparado no atendimento psicológico/psicanalítico online para brasileiros que residem no exterior. Consulte o nosso site www.apsicanalistaonline.com.br e conheça mais sobre o projeto.

Texto: Rafael Henrique da Silva – MTB: 0089369/SP

JÁ IMAGINARAM QUE CUIDAR DA SAÚDE MENTAL É TÃO IMPORTANTE QUANTO CUIDAR DO NOSSO CORPO?

23/03/2020 às 17h30

Talvez encontremos publicações nas redes sociais com hashtags #partiucuidardasaúdemental. Vamos conversar sobre essa tendência?

É comum encontrar fotos nas redes sociais das pessoas com suas roupas fitness e as hashtags #partiuacadamemia, #partiucuidardocorpinho ou #dehojeestapago. Não há problema algum em ser uma pessoa focada em academia ou alimentação saudável, muito pelo contrário. Todos nós sabemos da importância de atividades físicas e dos esportes em nossas vidas. Não há qualquer dúvida sobre os benefícios que os exercícios trazem para o corpo e alma, sendo assim, se faz necessário praticá-lo.

A reflexão proposta neste artigo é que, infelizmente, a saúde mental nunca ocupou um lugar de destaque quando falamos dos cuidados importantes e até indispensáveis conosco. Vivemos em uma época em que os pais dividem suas responsabilidades em cuidar e acalmar seus filhos com aparelhos eletrônicos e apresentando vídeos ou jogos para a criança se distrair, por exemplo. Tempos também de adolescentes que se cortam escondido dos pais. Época que os adultos estão tristes, insatisfeitos e ansiosos pela rotina e excesso de trabalho.

Mesmo diante de todo esse cenário de sofrimento mental que atinge todas as idades, pouco se fala sobre a importância de cuidar do psiquismo. Freud já afirmava que o Homem não é dono dos seus próprios pensamentos, ou seja, pode-se afirmar que o ser humano não tem o controle sobre sua mente, seus sintomas e o seu funcionamento psíquico.

E é através da psicanálise que podemos nos encontrar e conhecer a nossa alma. E assim será possível compreender os nossos desejos inconscientes e processos mentais, encontrando uma solução saudável para os sintomas como depressão, ansiedade, melancolia, transtorno de déficit de atenção, transtornos alimentares, somatização, transtorno obsessivo compulsivo etc.

Reforçando o nosso propósito nesta leitura: é indispensável exercícios físicos, entretanto, somos seres indivisíveis e nossa alma segue conosco em todos os lugares, ruas, chuvas, fazendas, cidades, países e inclusive nas academias, quadras e campos de esportes e tatames. Sendo assim, em época de excesso de informações, inclusive sobre saúde mental, ainda encontramos pessoas que postam suas fotos nas redes sociais sorrindo, mas, lamentando suas dores. É possível encontrar abdomens trincados e corações partidos ou bumbuns sem celulite e corpo quase sem alma.

Seremos uma sociedade mais saudável quando a importância de cuidar da alma seja tão digna e importante quanto postar as fotos em redes sociais. Talvez, quando compreendermos que cuidar da saúde mental é tão relevante quanto cuidar da saúde física, encontraremos possíveis postagens com hashtags #partiucuidardaminhaalma, #partiumeconhecer ou #fuifazeraspazescomminhaalma.

Para finalizar, a nossa reflexão é: nosso corpo só é lindo quanto existe uma alma feliz dentro dele. Talvez cheguemos numa época que a alma trabalhada em terapia/psicanálise seja tão ou mais importante quanto a busca de um corpo perfeito.

Edição e Revisão: Rafael Henrique da Silva – Jornalista. MTB: 0089369/SP

Imagem: cottonbro – Pexels