Revista Statto

MEDO OU ALÍVIO? OS IMPACTOS DO POSSÍVEL RETORNO ÀS AULAS PARA ALUNOS, RESPONSÁVEIS E PROFESSORES

16/08/2020 às 17h38

Muito se tem ouvido ultimamente sobre retorno às aulas, medidas de prevenção e melhores possibilidades para atender a todos, governantes, professores, responsáveis e alunos.

Mas será que é mesmo possível atender a todos com segurança?

Precisamos relembrar que estamos vivendo uma pandemia, que existe um vírus em circulação e que, por mais que muitos responsáveis dependam da escola não apenas como local de aprendizado, mas também como lugar seguro que oferece alimentação e cuidados nos momentos em que eles não podem oferecer, ainda assim o que precisamos colocar na balança é o bem-estar versus o atendimento de necessidades.

Algo que talvez não venha sendo considerado em primeiro plano é o impacto na saúde mental de nossas crianças, visto que responsáveis e professores não se sentem 100% seguros em estar na companhia uns dos outros, especialmente quando sabemos que os pequenos são grandes transmissores invisíveis do vírus que podem, em sua maioria, não representar riscos para si mesmos, entretanto, podem sim colocar em risco a saúde do corpo docente e dos familiares.

É claro que as crianças precisam de convívio social, é claro que brincar é importante, é claro que nosso ambiente de casa jamais substituirá a escola, é claro que nosso tempo e paciência jamais serão os mesmos dos nossos docentes, porém, precisamos aprender a respeitar o que é prioridade.

Pois, imaginem crianças inteligentes, com o convívio social em dia, com suas vidas retomando a normalidade e, repentinamente, tudo retrocede de forma que tenhamos que ceifá-los novamente e retornar ao isolamento social restrito?

Sim, precisamos avaliar as necessidades alheias, mas avaliemos que se nós, adultos, não temos as habilidades socioemocionais necessárias para lidar com isso, quem dirá nossos pequenos para viverem em um eterno trampolim social, onde eles não possuem o menor controle de suas vidinhas ou da escolha de com quem podem ou não conviver?

Agora é hora de reavaliar se vale mais uns meses de espera ou a possibilidade de mais um grande retrocesso que pode nos levar novamente ao abismo da incerteza.

Que todos possamos pensar juntos no assunto e que, no fim do processo, a melhor decisão prevaleça!

MATERNIDADE: ALGUMAS QUEREM, OUTRAS NÃO, E A PALAVRA DE ORDEM É RESPEITO

27/07/2020 às 10h32

Não devemos romantizar determinadas escolhas ou estilos de vida, mas também não precisamos demonizar as escolhas do outro.

Estive refletindo sobre algumas coisas nesses últimos dias e me dei conta da eterna dicotomia na qual temos levado a vida. As coisas têm sido a ferro e fogo, oito ou oitenta, ou você ama ou você odeia, parece que em nada existe um ponto que nos faça enxergar as escolhas alheias.

Poderia discorrer sobre muitas coisas, mas vou começar pela maternidade.

Sou psicóloga, mulher e mãe, minha profissão e a maternidade foram escolhas conscientes minhas, ainda que minha visão profissional seja acolher e defender mulheres que optam por respeitar sua identidade, seu corpo e suas escolhas, muitas vezes indo pelo caminho da não maternidade, algo cada vez mais comum, especialmente quando falamos de uma sociedade que nos impõe diversas coisas, entretanto, nos dá pouco ou nenhum suporte quanto à segurança e educação, por exemplo.

Mas até aí, okay, ninguém deve mesmo fazer escolhas pautadas na visão do outro, mas me dei conta de que ao defender essas mulheres, por vezes esqueço de enaltecer aquilo que tenho de tão valioso e que sei que ainda é o desejo de muitas, a benção de ser mãe.

Definitivamente não devemos romantizar a maternidade, devemos ser realistas e ao mesmo tempo tomarmos cuidado para não demonizarmos algo tão bacana para tanta gente.

Sim, serão noites em claro, criança que não mama no peito e nos faz sentir culpada, criança que é dependente demais do peito e não dá um descanso para a mãe, crianças que têm problemas de saúde, noites de sono mal dormidas, corpo em transformação, hormônios em ebulição, porém, quase não falamos mais da magia de ver sua barriga crescer, de sentir o neném mexer, de planejar cada detalhe, de olhar para ele a primeira vez e se sentir a mulher mais importante do mundo.

Esquecemos o que cada risada e descoberta nos faz sentir e como qualquer problema parece sumir automaticamente nesses momentos, esquecemos que eles vão chorar, nos irritar, nos fazer querer fugir, mas que também serão nossa principal razão para querer ficar, para querermos cuidar da saúde, pensar no futuro e desejarmos ser sempre mais, por nós, mas também para dar exemplo a eles e para que tenham orgulho.

Sim, a vida é feita de nuances, opiniões e escolhas e precisamos ter o cuidado de não colocar apenas um lado da história em foco. Caso contrário, passamos de um momento de imposição para outro e não é esse o ponto por onde devemos seguir, lutamos pelo direito de escolha sem julgamentos, por isso, não podemos olhar torto para aquelas que amam ser mães apenas porque o declamam isso abertamente, enquanto outras precisam justificar-se regularmente sobre seus porquês para não querer sê-lo.

A ideia é ser você, fazer suas escolhas, decidir como deseja viver sua vida, lembrando que tudo bem mudar de ideia no meio do caminho, mas, principalmente, tendo a certeza de que suas escolhas são apenas suas e não o resultado do medo de ser severamente julgada pelo que seja o “querer”.

Tome as rédeas da sua vida, exercite o seu poder de escolha, mas cuidado para não apontar o dedo a quem pense diferente. O mundo é feito de diversidade e, por isso, é tão gostoso viver.

PROJETO MOSTRA ÀS MENINAS QUE ELAS SÃO CAPAZES DE PROTAGONIZAR DESDE PEQUENAS

30/06/2020 às 09h44

Eis que estou olhando minhas mensagens no Instagram e me deparo com uma surpresa daquelas: na minha caixa de directs encontro uma mensagem de uma conta de nome “Minha pequena feminista”.

O nome, por si só, já me chamou a atenção, mas imaginem a minha surpresa quando percebi que a mensagem se tratava de um convite para colaborar com um lindo projeto, um clube de leituras para crianças de 3 a 12 anos com temáticas femininas.

Fiquei radiante, especialmente quando soube que o assunto da primeira caixinha de assinaturas seria o empoderamento e a valorização de crianças pretas.

Diante de todos os horrores que o racismo nos traz, um grupo de mulheres teve a preocupação de abordar o tema com crianças, o que pode contribuir consideravelmente para que tais garotas se desenvolvam com a autoestima bem mais elevada do que as que não tiveram acesso a esse material, o que me torna ainda mais grata.

Isto porque poderei participar não só do início do projeto, mas tive a oportunidade de escrever minha percepção sobre os livros para os pais, afinal, eles serão os agentes das mensagens dos livrinhos, independentemente de a criança já ser capaz ou não de ler sozinha.

As caixinhas de assinatura de julho já foram enviadas e já estou ansiosa para as próximas temáticas que o projeto irá abordar.

Com isso, registro minha admiração pelas mulheres que fundaram o projeto e a minha gratidão por ter meu trabalho reconhecido de forma a me tornar apta a ser convidada a fazer parte de algo que fará a diferença no futuro de muitas crianças.

Não deixem de conhecer o @minhapequenafeminista e disseminar esse lindo projeto que merece todo o reconhecimento.

Até a próxima!

QUE NOSSOS DEFEITOS NÃO ABAFEM O QUE HÁ DE BOM EM NÓS

08/06/2020 às 19h16

Dia desses fiz uma postagem em minhas redes sociais que visava que as participantes, todas mulheres, fizessem um elogio a si mesmas e marcassem amigas para fazerem o mesmo.

O resultado? Um grupo grande de mulheres respondendo e ao mesmo tempo se surpreendendo com suas respostas e a sensação de bem-estar que elas causavam em si mesmas.

Algumas apresentaram certa dificuldade em elogiar a si mesmas, mas em ambos os casos fica claro como nos acostumamos a lidar com os defeitos e nos esquecemos de que nossas qualidades merecem ser destacadas, reconhecidas e vez ou outra, relembradas.

Esse post acabou sendo uma espécie de experimento involuntário, pois não era essa a minha intenção inicial. Entretanto, em todos os casos vi o quanto as mulheres reconheceram a si mesmas com incríveis qualidades sobre suas personalidades.

Algumas, talvez, repetidas diversas vezes por pessoas próximas a elas, outras provavelmente bem identificadas por si em algum processo de autoconhecimento, mas nenhuma delas colocou atributos físicos, apenas de personalidade, o que pode indicar o quanto avançamos enquanto sociedade na compreensão de que nós vamos muito além da aparência.

Além disso, podemos destacar que não há padrões suficientes que definam o que deve ou não ser considerado bonito.

De qualquer maneira, fica clara uma mensagem: a de que nós, mulheres, precisamos deixar a rivalidade e o julgamento herdados pela sociedade e utilizarmos nosso poder motivador para nos fortalecermos por meio da união. Mas, principalmente, através da descoberta do amor próprio, ou como gosto de chamar, autoamor, até que chegue o momento em que não mais estaremos atadas às correntes sociais e psicológicas que nos impedem de seguirmos em frente e alçarmos voos maiores.

Seguiremos juntas!

O NOVO PADRÃO DE BELEZA É SE AMAR

22/05/2020 às 12h57

Tão lindo quanto o nome do artigo seria se, de fato, alcançássemos essa utopia.

Temos falado tanto da importância do autoamor, da construção e manutenção da autoestima, mas o que continuamos vendo sendo reforçado a todo momento é o padrão de beleza ou a imposição de formas de se vestir, de se comportar, de usar o cabelo ou de se maquiar.

E isso sem falarmos da aparência, daquilo que parece bonito aos olhos da maioria, seja por peso, cor da pele, aparência e textura dos cabelos, marcas que, porventura, a vida tenha deixado.

Tudo tão cobrado, tão questionado, mas parece que se esquecem que é impossível um padrão único quando o assunto é o ser humano.

Afinal, cada um tem a sua individualidade, aquilo que sente que lhe faz bem, aquilo que é importante para si.

Entenda, quando falamos de autoamor, falamos de algo que o indivíduo luta para aprender, pois a maioria aprende desde sempre a se odiar, a procurar por defeitos, a buscar coisas para mudar em si, o que não é necessariamente um problema se fosse algo que viesse por iniciativa da própria pessoa.

Entretanto, sabemos bem que, na maioria das vezes, aprendemos a querer mudar em nós aquilo que os outros apontam como estranho, errado ou fora de moda. Mas será que devemos mesmo sucumbir ao outro quando temos a opção de aprender a nos amar desde sempre?

Hoje estou aqui com um pedido simples de falar, porém, bem difícil de se colocar em prática, afinal, o que desejo é que possamos ensinar aos nossos filhos a se olharem como nós os olhamos.

Pois quem é pai ou mãe sabe bem que não há crianças no mundo mais lindas do que as nossas, que não enxergamos um defeito sequer, porque os olhamos com olhos de amor e é com esses mesmos olhos que devemos ensiná-los a se enxergarem.

Não sei ao certo, mas em algum momento a perfeição dos nossos vão dando lugar às críticas, no início pequeninas, do tipo: “prenda esse cabelo” ou “não coma tanto assim”, até que cheguem ao ponto daquelas frases que soam tão dolorosas, como, por exemplo, “se continuar nesse caminho, ninguém vai te querer”.

Triste falar isso, mas também é a mais pura realidade, então, hoje eu rogo para que a cada pensamento de crítica sobre si, pense em uma razão para se amar e, assim, vamos tentando transformar o padrão de beleza que hoje conhecemos em algo mais produtivo como aprender a se amar.

Um grande abraço e até a próxima!

COVID-19 GERA AUMENTO DE HIPOCONDRIA E TOC POR LIMPEZA

27/04/2020 às 09h31

Muito se ouve falar sobre Transtorno Obsessivo Compulsivo, mas o que pouco se sabe é que o TOC, como é conhecido, se caracteriza por um transtorno de ansiedade onde pensamentos obsessivos desencadeiam comportamentos compulsivos com diferentes conteúdos.

Sendo assim, pode prejudicar intensamente a vida do indivíduo que sofre com essa doença.

Pensando na pandemia atual que estamos vivendo, não poderia deixar de notar o quanto a Covid-19 (Coronavírus) pode se tornar um gatilho para pacientes com pré-disposição a desenvolver esse transtorno.

Não apenas o TOC de limpeza, onde o indivíduo desenvolve o comportamento compulsivo de higienização exagerada em decorrência do medo da contaminação, como também fobias irracionais e hipocondria têm seus quadros ativados ou potencializados pela possibilidade do adoecimento.

A realidade invadindo o irracional

Se por um lado temos uma ameaça real nos rondando, por outro lado o indivíduo pode desenvolver maneiras irracionais de lidar com tal ameaça.

Isto é, passar álcool em gel em todo o corpo, tomando banho a todo momento ou lavando as mãos excessivamente, o que também pode trazer malefícios.

Sim, os hábitos de higiene pessoal são nossos principais aliados nessa guerra contra o vírus, entretanto, não podemos facilitar os aparecimentos de outros transtornos.

Caso isso ocorra e você ou alguém próximo perceber que a situação saiu do controle, somente poderão ser adequadamente tratados com acompanhamento psicológico e, em alguns casos, psiquiátrico.

Então, para lidar com a situação, caso constate que que sua ansiedade está se tornando exagerada ou se está percebendo que está perdendo o controle sobre determinadas ações que executa, procure imediatamente ajuda especializada.

Os profissionais de psicologia são autorizados pelo Conselho Federal de Psicologia a oferecer orientação psicológica on-line, portanto, procure um profissional de sua confiança, seja ele gratuito ou particular e siga as instruções adequadas.

Não deixe que a sua crise aumente na mesma proporção da crise na saúde que vivemos atualmente!

DIA NACIONAL DO LIVRO INFANTIL: EU E VOCÊ FAZEMOS PARTE DELE

18/04/2020 às 15h38

Nessa semana, mais precisamente, dia 18 de abril, comemoramos o Dia Nacional do Livro Infantil, e não poderia deixar de escrever sobre isso.

Em 30 anos de vida, uma das minhas paixões mais sólidas é a Literatura, mas foi através de Monteiro Lobato e inúmeros autores que adaptaram historinhas como “Os Três Porquinhos” e “O Coelho e a Lebre” que percebi que um dos mundos em que eu queria viver se encontrava em páginas que tinham um odor peculiar e que, já na infância, adorava folhear rapidamente próximo ao nariz e deliciar-me com aquele cheiro.

E assim o fiz. Foram anos ouvindo historinhas ou lendo esses livros, até que um dia resolvi colocar os elementos da minha imaginação no papel, de forma a dar vida a tudo que eu acreditava.

Então, nasceu “Feiurinha Sabe Tudo”. Como numa espécie de sonho, aquele e-mail de aceite chegou e encheu meu coração de alegria, mas também de receio, afinal, quem era eu para esperar que minha história fosse lida?

Cada detalhe do processo de confecção do livro foi lindo, ver meus personagens ganhando forma foi uma verdadeira sensação de êxtase.

Tanto quando receber os livros, pegá-lo em minhas mãos, folhear e, então, ler para o meu filho, foi como se do nada me encontrasse em uma linda história contada por outra pessoa em um de meus livros favoritos, uma verdadeira forma de magia.

Mais um livro infantil para chamar de meu, de nosso

Poderia falar mais sobre o livro, mas seria injusta com o seguinte, meu querido “Josefino e o uso da rotina na busca de afeto e atenção parental”.

Meu segundo livro infantil que veio a ser uma porta para o reencontro entre pais e filhos, fazendo com que se lembrem de que a rotina e a atenção parental caminham lado a lado e que não há nada mais importante que o afeto.

Hoje posso me auto intitular AUTORA, isso mesmo, com letra maiúscula, pois assim como ser psicóloga, escrever era um sonho que parecia distante, mas que se realizou.

Também tenho outros títulos que não são para crianças, mas se me perguntam, com aquele sorriso inocente sobre essas obras infantis, ou uma mãe me fala que o filho perguntou se eu sou a tia que contou aquela história no livro é algo de imensurável valor.

Mais ainda é o abraço apertado e o brilho no olhar de quem se identifica com as linhas escritas por mim.

Então, em comemoração à esta data, rogo para que possamos preservar o brilho no olhar das crianças que se encantam com mundos, personagens desconhecidos e peculiares através do nosso árduo trabalho para levar até eles a fonte da imaginação.

Que todos possamos seguir lendo, sonhando e vivendo histórias por meio de páginas cuidadosamente e carinhosamente escritas e ilustradas, mas desde já, deixo aqui minha gratidão às editoras, principalmente aos leitores e todos àqueles que contribuem para que a arte da escrita e da leitura não morra jamais.

REALIDADE X IMAGINÁRIO: O QUE É SER MULHER NA ATUALIDADE

31/03/2020 às 14h35

Cá estava eu refletindo sobre um maravilhoso artigo que acabei de ler, “Mulheres, vivências e mercado de trabalho”. A autora, Elisabete Vasconcelos, professora e Mestre em História, nos leva a refletir sobre a situação da sociedade patriarcal e os impactos que ela sobrepõe a situação de trabalho de mulheres.

Mas, é claro que, durante a fala dela, quando a autora menciona a mulher empreendedora de classe média ou baixa, negra e periférica, meus olhos ficaram vidrados e ávidos por soluções que sabemos que estão longe de alcançarmos.

Como eu disse, o artigo é incrível, a autora escreveu muito bem, trouxe dados estatísticos e nos apresenta um cenário que muitos conhecemos, mas que decidimos ignorar por ser mais conveniente, afinal, quem liga para a boleira, para a decoradora, para a manicure, para a designer? Quem liga para a faxineira, passadeira ou a “secretária do lar”?

Tivemos um exemplo bem claro que a vida dessas pessoas, importam menos quando se fala em estatística, vide a doméstica que morreu porque a patroa estava infectada com um vírus contagioso, porém, não se permitiu ao luxo de fazer ela mesma os afazeres de casa, afinal, tempo para isso ela teria visto o tal isolamento. Mas, em contrapartida, talvez ela nem se lembre de como dar conta de suas coisas.

Não me leve a mal, todos precisam de emprego e não é pecado ter empregada, mas é necessário que se recorde com maior frequência que empregado é gente como você e que o que os diferencia na prática são os cargos, os salários, o bairro nobre ou o subúrbio e, é claro, a dignidade com a qual sobrevivem.

E quando tem criança envolvida?

“Como assim, ‘fulana’ não tem com quem deixar o filho e vai precisar faltar no trabalho? Que absurdo”!

Absurdo é ser julgado por ser obrigado a cuidar do bem-estar dos seus, sim, bem-estar, pois se em tempos de crise e isolamento a doméstica sai de casa, não é para passear e ao passo que se expõe à contaminação, expõe também aos seus familiares.

Eu poderia finalizar pedindo mais empatia, mas a palavra está ficando esgotada, então, termino com um sonoro: OLHE ALÉM DO SEU UMBIGO!

Quem sabe, assim, não damos mais um passo rumo à sociedade que eu acredito que mereço e quero acreditar que você também. Até a próxima!

MUITOS NÃO ACREDITAM, O QUE FAZER?

24/03/2020 às 09h57

A psicóloga e escritora esclarece a importância do “ficar em casa”, ressaltando a teimosia principalmente dos idosos de não acreditarem na possível realidade atual

Em meio a tão falada crise do Covid-19, estamos nos deparando com uma enorme corrente de pessoas dispostas a abrir mão da rotina e até mesmo das finanças, mesmo com todo receio de quanto tempo essa crise possa durar, o que é mais do que compreensível, pois todos temos contas a pagar e precisamos trabalhar para faturar.

Todavia, esse assunto eu já abordei em outro momento, cada um joga com as cartas que têm nas mãos, mas o grande questionamento é: como lidar com quem não acredita no momento de crise?

Sem citar as autoridades, que não estão fazendo sua parte como deveriam, temos ainda que lidar com os descrentes, os que acreditam que tudo não passa de um grande exagero e, principalmente, com os teimosos, compostos em sua maioria justamente pelo grupo de risco, os idosos.

Isso mesmo, muitos estão se mantendo reclusos, em verdadeira quarentena, eventos sendo cancelados, cidades e estados sem aulas e até mesmo o transporte intermunicipal está restrito, mas ainda assim há quem acredite em histeria e queira circular normalmente por supermercados, farmácias e visitar seus entes queridos.

Entendemos que não é fácil, mas o processo de conscientização se faz necessário, especialmente se nos colocarmos no lugar daqueles que não têm a opção de fazer quarentena. Nesse momento, precisamos ser duros com nossos idosos, isso é claro, se a informação não bastar, o que pelo visto não está ocorrendo.

Mortes estão ocorrendo, inúmeros doentes sintomáticos ou não, e a descrença pode ser uma grande aliada dessa pandemia, possibilitando contaminação em larga escala justamente para aqueles que não podem se dar ao luxo.

Chegou o momento de sermos pais de nossos pais e de nossos avôs, hora de usar a rigidez com uma dose de carinho, entretanto, lançar mão do pulso firme, pois se deixarmos nas mãos deles, a maioria vai optar por fazer o que bem entende.

Sim, os papeis se inverteram e é hora de protegermos os nossos como um dia eles nos protegeram. Vamos seguir firmes e aguardar a crise passar!