Revista Statto

A “VIDA LÍQUIDA”

01/09/2020 às 16h01

Como sabemos se uma vida valeu, ou não, à pena? Eu tenho uma opinião pessoal. Sendo particular, significa que não corresponde necessariamente à verdade, pois representa apenas uma visão pessoal deste que vos escreve. Cada um mede a valia da vida da forma que entende. Eu, pessoalmente, acredito na “Vida Líquida”.

Em nossas vidas, nosso quotidiano é geralmente preenchido por situações triviais, isentas de qualquer tipo de emoção mais vultosa. Um mundo monocromático e insípido, onde a regra é fazer todos os dias a mesma coisa. Eu comparo esse modo de vida a uma reta correspondente a uma equação do primeiro grau, linear e paralela ao eixo “x”, sempre retilínea e sem quaisquer sobressaltos. Uma senda totalmente previsível. Eu, prefiro que a essa alegoria seja acrescentada uma senoidal, a qual denomino de “senoidal da vida”.

Com o decorrer de nossas vidas, essa senoidal, por vezes, cruza a reta da normalidade, nos ofertando momentos de verdadeira emoção. Tais episódios variam de acordo com a personalidade de cada um, e podem ser representados de variadas formas; pelo compartilhamento de um bom vinho por um casal, à beira da praia; pelo privilégio de amar a mulher que preenche seus pensamentos mais puros; em chegar às neves mais elevadas de uma montanha; em assistir o nascer do sol; em presenciar o nascimento de um filho; enfim, depende de cada pessoa.

Contudo, algo é indiscutível. Quanto mais vezes essa “senoidal da vida” cortar a reta da insipidez, maior será o acúmulo de momentos de emoção vividos pela pessoa. Ao somatório desses momentos emotivos chamo de “Vida Líquida”. A “Vida Bruta”, portanto, é representada simplesmente pela quantidade de anos vividos pela pessoa, bem diferente da descrita no título desta matéria.

Assim, a busca por momentos nos quais ficamos arrebatados de tanta emoção devem ser buscados em vida, a fim de que em nosso momento mais lúgubre levemos conosco uma experiência de vida policromática, plena de sabores e emoções.

Por fim, concito a todos uma reflexão pessoal: “Será que a minha ‘Vida Líquida’, até hoje, pode ser considerada relevante?”.

CRESCIMENTO OU DESENVOLVIMENTO?

24/08/2020 às 08h55

Utilizados às vezes como sinônimos, os termos presentes no título deste artigo possuem uma diferença semântica entre eles que faz toda a diferença. Portanto, não podem ser confundidos. Você, caro leitor, é capaz de informar se o Brasil inclina-se mais ao Crescimento ou ao Desenvolvimento? Vou tentar esmiuçar melhor esses dois conceitos.

O que é Crescimento? Em resumo, pode-se entender que o crescimento é um estágio indispensável ao desenvolvimento. Logo, é razoável afirmar que o crescimento está em um nível anterior ao desenvolvimento. Crescimento não envolve amadurecimento ético ou moral, limitando-se somente à nuance quantitativa, como no aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de um país e na dinamização de seu parque tecnológico, entre diversos outros exemplos.

Em 2011, por exemplo, o PIB brasileiro chegou à sexta colocação no ranking global, representando um crescimento nítido em relação aos anos anteriores. Logo, crescimento representa tão somente aumento de volume, de tamanho ou de valor, entre outros aspectos meramente quantitativos. O Brasil, nesse ínterim, possui um enorme potencial para o seu crescimento, levando-se em conta peculiaridades próprias, como a sua grande população economicamente ativa, sua extensa área agricultável e as reservas de biodiversidade existentes em seus biomas.

Mas e o Desenvolvimento, o que significa? Desenvolvimento se refere a algo mais grandioso, no qual o fulcro reside na valorização do homem, no amadurecimento de seus sistemas sociais, e, em epílogo, no esforço dedicado ao alcance da melhoria da qualidade de vida da sociedade. Portanto, para que tais patamares sejam atingidos é necessário que, de forma oposta ao crescimento, haja um envolvimento ético e moral por parte dos cidadãos, na busca pelo bem comum.

Um bom exemplo desse nível de desenvolvimento pode ser representado pela própria constituição nipônica de 1947. Nela, profusos direitos liberais foram concedidos aos cidadãos, e a vontade popular foi alçada ao status de soberana, muito diferente de uma previsão constitucional meramente retórica. Na Terra do Sol Nascente, quando a sociedade fica descontente com a atuação de um parlamentar, por exemplo, pode empregar a ferramenta constitucional denominada recall, afastando o servidor em destaque. Tal previsão vai ao encontro da vontade popular e protege a sociedade de políticos, parlamentares ou burocratas mal intencionados ou ineficientes. Vale ressaltar que esse cenário constitucional criado teve ampla participação da própria sociedade japonesa, refletindo um claro amadurecimento social endógeno.

Dessa forma, o estamento de desenvolvimento de uma nação não pode ser expresso apenas por dados numéricos, é necessária a existência de um amadurecimento positivo da sociedade, sempre em busca do bem comum.

Por fim, pode-se concluir que para se chegar a um nível de desenvolvimento uma nação precisa que seu povo tenha valores éticos e morais bastante arraigados e praticados, almejando sempre o melhor para a sociedade nacional. Você, caro leitor, acredita que o Brasil um dia chegará ao estágio de país desenvolvido?