Revista Statto

BONECAS ABAYOMI: SÍMBOLOS DE TRADIÇÃO E RESISTÊNCIA

21/11/2020 às 13h00

É fato indiscutível que a história de nossos afrodescendentes não começa com a escravidão. O sentimento de liberdade e de luta, principalmente o amor à vida que é tão presente nessa história que começa muito antes de nosso país.

Quando os negros começaram a ser escravizados e virem para o Brasil, ao atravessar o Oceano Atlântico nos navios negreiros, passavam por uma viagem muito difícil, com fome, sede, calor, canso e muito medo. As viagens duravam meses. Muito assustadas, as crianças choravam ao ver o desespero dos adultos.  Para acalentar seus pequenos, as mães negras, mesmo em meio a tanto medo, rasgavam com as suas próprias mãos as tiras de tecidos de suas saias e faziam bonecas para seus pequenos brincarem.

As bonecas eram feitas com cinco nós e enquanto davam os nós, as mães faziam preces e desejos para que sua criança tivesse um futuro com esperança, já sabendo que quando desembarcassem ao Brasil provavelmente seriam separados.  As abayomi eram feitas do tamanho que coubesse na palma da mão das crianças, pois assim não seriam retiradas da mesma pelos capatazes.

Sem costura alguma (apenas nós ou tranças), as bonecas não possuem demarcação de olho, nariz nem boca, isso para favorecer o reconhecimento das múltiplas etnias africanas

A palavra ABAYOMI, do ioruba, significa aquele que traz felicidade e alegria. Quando você dá uma boneca ABAYOMI para alguém, significa que você está oferecendo uma parte sua à pessoa.  E quando você ensina o outro a fazer a boneca pela história, surge a relação sócio afetiva que atravessa gerações e assim, ocorre o resgate da cultura africana.

A partir de todos estes elementos é possível ter uma dimensão da importância das bonecas Abayomi para história do Brasil e sua relação com o continente africano. Além de serem encantadoras, elas se colocam como elemento de afirmação das raízes da cultura a brasileira e também do poder e determinação das mulheres negras.

EXPRESSÕES RACISTAS UTILIZADAS NO COTIDIANO QUE VOCÊ NÃO SABIA

16/11/2020 às 09h36

Século 21. O ano é 2020. A história começa entre 1532 e 1549. A escravidão foi abolida no papel, porém mesmo após 300 anos da tal liberdade, o preconceito ainda é nitidamente existente em nossa sociedade.

Quando expressões como “a coisa tá preta” são tratadas com naturalidade, é sinal de que a opressão e o preconceito já estão enraizadas à visão de mundo das pessoas.

Uma história de um país marcado pela tristeza da escravidão não é algo que se apaga facilmente. Exemplo disso é a lista de expressões as quais as pessoas não percebem que utilizam conotação racista. Entre sutilezas, brincadeiras e aparentes elogios, a violência simbólica se amplia quando expressões como as elencadas a seguir são repetidas.

Cor de pele

Desde criança é ensinado que “cor de pele” é aquele lápis meio rosado, meio bege. Claro que o lápis não representa a pele de todas as pessoas, principalmente num país tão miscigenado quanto o Brasil, onde mais da população se declara parda ou negra.

Doméstica

Os negros eram vistos e tratados como animais que precisavam de constante “corretivos” para serem “domesticados”.

A dar com pau

Na época dos navios negreiros, muitos capturados preferiam morrer do que serem escravizados e faziam greve de fome no trajeto entre o continente africano e o Brasil. Para que não morressem de fome e obriga-los a se alimentar um “pau de comer” foi criado para jogar angu, sopa e comida pela boca de quem se recusasse a comer.

Mulata

A palavra na língua espanhola referia-se ao filhote macho do cruzamento de cavalo com jumenta ou jumento com égua.  A imensa carga preconceituosa e pejorativa é maior quando se diz “mulata tipo exportação”, reafirmando a visão do corpo da mulher negra como mercadoria.

Não sou tuas negas

Indica a forma de como a sociedade a percebe como a “qualquer uma” ou a de “todo mundo”; alguém que pode se fazer tudo. As escravas negras era literalmente propriedades dos homens brancos e utilizadas para satisfazer seus desejos sexuais em um tempo o qual assédios e estupros era não só recorrente como permitidos. O termo não só é profundamente racista como machista.

Denegrir

A raiz de seu significado é “tornar negro”, como algo maldoso e ofensivo, estragando ou manchando uma reputação; sinônimo de difamar.

A coisa tá preta

A fala racista se reflete na associação entre “preto” e uma situação desconfortável, desagradável, difícil, perigosa.

Serviço de preto

Mais uma vez a palavra preto aparece como algo ruim. Desta vez, representa uma tarefa malfeita, realizada de forma errada, em uma associação racista ao trabalho que seria realizado pelo negro.

Existem ainda aquelas expressões que são utilizadas com tanta naturalidade que muita gente sequer percebe a conotação negativa que tem para o negro. Por exemplo:

“Mercado negro”, “magia negra”, “lista negra” vou trabalhar porque hoje é “dia de branco” e “ovelha negra.

Que num futuro próximo essa triste história possa ficar apenas nos livros e ser deletada de nossa sociedade, que ainda persiste em viver embasadas em fundamentos machistas e extremamente racistas como sendo fundamentos da “família brasileira”.

ATÉ QUANDO SEREMOS VIOLENTADAS?!

06/11/2020 às 16h56

Apesar de grandes conquistas femininas, a mulher ter provado mais de milhares de vezes o seu poder de resiliência e conciliação das tarefas mais adversas, desde prover uma família a trocar fraldas, contar histórias e dar colo até a tomada de liderança numa multinacional, o machismo exacerbado de uma sociedade que se mostra cada vez mais doente nos afeta, nos machuca e nos deixa perplexas por fatos que sabemos não ser únicos.

Em pleno século 21, ainda temos que lidar com impasses medíocres e ainda ser incisivas e repetir milhões de vezes sendo taxadas de diversos nomes: quem ama não machuca, quem ama respeita, quem ama não mata e agora quem ama não estupra.

O estupro tem sido tratado com tanta naturalidade que assusta. A cultura da submissão invade até nossa intimidade, tornando o fato de sermos mulheres, termos que estar sempre atentas para andar na rua com medo; de assalto, de violência, de estupro.

A vítima de violência sexual sofre graves danos não só físicos mais mentais; se sente suja, invadida e além de lidar com os danos pessoais a sociedade condena a vítima como a “provocadora” ou “conivente” da agressão.

A verdade é que nós mulheres somos violentadas, assediadas, abusadas o TEMPO TODO. Partindo do princípio que criminoso não é só quem pratica o crime, mas também que o omite, quem é conivente e quem facilita, convido a você cara leitora a perguntar para todas as mulheres a sua volta e até para si, quantas vezes você não foi violentada ao longo de sua vida?

Seja na cantada “velada”, seja no serviço, seja por namorados que forçam situações, seja por amigos, quantas e quantas vezes não nos sentimos sozinhas, rebaixadas ou até mesmo sujas, por aceitar ou fingir que não ouviu ou não sofreu tal violência? Quantas e tantas mulheres que vão à delegacia e lá sofrem mais abusos quando as autoridades a mandam voltar para a casa e cuidar do lar e zelar pelo “bom” marido? Quantas jovens não sofrem caladas abusos por não terem oportunidade ou até por não terem amparo da sociedade para vítimas de violência contra a mulher.

A novidade, talvez não tão nova, mas que alvoroçou a mídia, foi o caso da jovem Mariana, dopada, estuprada por um empresário influente, que a justiça representada ali naquele momento pela promotoria e o juiz, permitiu que o advogado humilhasse a vítima mais uma vez, com palavras e dizeres distorcidos que atentavam contra a vítima.

Não, a jovem Mariana na verdade foi estuprada por 4 homens. O empresário nojento, o advogado que deveria ser investigado pelos seus atos inclusive com relação às mulheres de sua família diante à toda humilhação em que expressou à jovem, o promotor que ali estava e não esmiuçou sequer uma pausa; e por último o juiz que terminou o crime aceitando a tese de estupro culposo e absolver o nojento por falta de provas mesmo tendo no exame de corpo e delito ter o sêmen e sangue da jovem em suas roupas.

Até quando mulheres? Até quando nós vamos participar disso caladas? Até quando seremos violentadas e está tudo bem, porque meu marido é bom porque ele nem me bate mais?

Convido a todas para que façam uma reflexão sobre nosso poder. Sim, nós temos o poder. Vamos criar melhor nossos filhos. Vamos criar nossas filhas para estarem onde quiserem quando quiserem e como quiserem; que nossos meninos entendam que casa e filhos é tarefa do casal; que a jovem entenda que pode e deve falar não quando não estiver à vontade em determinado situação e que nossos meninos entendam que NÃO É NÃO; não vamos admitir mais que meninas, jovens e mulheres tenham que recorrer à justiça para combater quem teria defende-las. Chega!

Estupro culposo não existe e nunca existirá até porque NÃO se justifica o estupro! Não existe estuprar sem ter a intenção. Não se omitam diante dessa barbárie, diante das injustiças históricas contra nós, mulheres, q alguns, ainda tentam sustentar.

A sua ferida será a minha até que todas as feridas sejam curadas…

JUST ANOTHER WITCH…

30/10/2020 às 12h46

Mais um Halloween chegou… o divertido dia das Bruxas! Gostosuras e travessuras à parte, fica todo meu respeito e solidariedade a todas as bruxas que construíram nossa história, sim, mesmo que com final triste, as bruxas foram nada mais nada menos que as mulheres revolucionárias do século passado.

Fizeram questão de deixar não só a história, como também a palavra e tudo o que é correlacionado a ela, de uma forma distorcida, com magias negras e sacrifícios de crianças. Bruxas que andam de vassouras e tem verrugas enormes no nariz, assombram e raptam crianças indefesas; bruxas que fazem poções mágicas para matar as belas princesas; bruxas que sempre serão vilãs nesse mundo construído em cima da moral e dos bons costumes que eu ainda não sei bem quem determinou.

Minhas palavras hoje são para parabenizar as mulheres, que foram além de seu tempo e morreram em fogueiras da Santa Inquisição pois foram consideradas bruxas; mulheres que dominavam a alquimia, que respeitavam a natureza, tinham o dom da cura, eram bruxas!

Se a mulher era muito bela, muito alta ou muito esperta, já estava fadada à fogueira; se eram guerreiras, cantavam, dançavam, se destacavam… bruxas!

Mulheres ruivas demais, com marcas de nascença, com pintas pelo corpo… mulheres que riam, mulheres que amavam… todas bruxas!

Ainda enfrentamos inquisições mesmo que não santas e somos confrontadas onde muitas vezes somos até jogadas na fogueira pelo nosso dom: dom de ser mulher.

À todas nós, a você a mim, que não teríamos sobrevivido muito tempo, pois estaríamos construindo nossa história: Feliz dia das Bruxas!!!

Apenas mais uma bruxa…

POR QUE CELEBRAR A MEMÓRIA???

24/10/2020 às 09h42

Muitos nomes são dados para as festividades e celebrações que ocorrem durante os dias 31 de outubro a 2 de novembro. Recebem diversos nomes como o dia de Finados, Los Muertos, dizendo inclusive, feriado.  Não há cientificidade nas datas, muitas vezes a utilizam para atacar religiões e princípios; o fato é que independente de todo o contexto ao redor dessas datas seja religioso, seja ideológico ou não, trata-se de um momento em que o ser humano escolheu para homenagear quem já se foi.

Alguns vestem fantasias, outros fazem brincadeiras e saem a pedir doces, e muitos utilizam o dia para uma breve reflexão recheada de lembranças do que se foi.

Uma vez que a morte também é uma parte integrante de nossa jornada chamada vida, faz sentido que as pessoas de todo o mundo, de todas as culturas e origens diferentes tenham suas próprias festas reservadas para honrar aqueles que já faleceram. A data, que simboliza a lembrança e o legado de quem já se foi, é marcada por diversos costumes.

O ser humano como portador de sensações e de uma alma que é constantemente construída e descontruída, temos que despertar, independentemente de qualquer vivência ou crença, para nossa gratidão pelo o que veio antes, no caso nossos antepassados.

Nossa relação com os antepassados assume um caráter de reciprocidade. Ou seja, assim como somos influenciados por eles em diversos aspectos da vida, nossas atitudes no cotidiano também produzem efeito direto sobre sua condição no mundo espiritual.

Sendo assim, nosso estado de espírito, como nossas alegrias, se tornam a alegria dos antepassados e nossas tristezas, sua infelicidade.

Devemos fazer a seguinte reflexão: “Como sou a síntese de meus antepassados, as posturas que venho adotando estão contribuindo para a transformação e elevação do seu nível de consciência e espiritualidade, ou será que venho apenas repetindo de forma automática esses padrões de comportamento que se perpetuam geração após geração

A partir desse princípio, notamos que o verdadeiro a verdadeira homenagem e gratidão com os nossos antepassados, reconhecendo sua importância na formação individual e até em sua atuação na história e de como vivemos o dia a dia. O que sentimos é o que eles sentem. Portanto, devemos procurar preencher nossos dias com alegria e proporcionar alegria a outras pessoas.

Cuidar e preocupar-se verdadeiramente com a felicidade e bem-estar dos familiares e de nossos semelhantes, são práticas que alegram os antepassados.

Dessa forma, vamos conduzir nossos antepassados a este estado de espírito paradisíaco, buscando viver de forma alegre, sorrindo e provocando muitos sorrisos nas pessoas com nosso amor e práticas altruístas.

MAIS ELE AINDA NÃO ME BATEU…

20/10/2020 às 09h57

Apesar de grandes conquistas femininas, a mulher ter provado mais de milhares de vezes o seu poder de resiliência e conciliação das tarefas amis adversas, desde prover uma família a trocar fraldas, contar histórias e dar colo até a tomada de liderança numa multinacional, com nossa Legislação em constante mudança, aproveitamos o mês de outubro para validar uma luta que vem se arrastando desde nossa criação: a Luta conta a violência à mulher.

Em pleno século XXI ainda precisamos ser incisivas e repetir várias e várias e várias vezes: quem ama não machuca, quem ama respeita, quem ama não mata.

Sei o quanto é delicado este tema pois até para nós mulheres, conviver com a violência tornou-se uma normalidade de gênero. E neste momento de transição em que estamos em meio a conquistas e derrotas, quando alguém fala sobre violência, parte da população se sente ameaçada e em sua maioria das vezes nem sabe o porquê. A cultura da submissão e do medo enraizado em nós mulheres, nos fez por muito tempo vivenciar ou presenciar cenas de violência em que a explanação sobre tais atos sempre recaía sobre a própria vítima. E daí paramos. Cansamos. De sermos mal compreendidas. Muitas vezes a feminista era a mal-amada da família, a anarquista revolucionária e tantos outros rótulos mal elaborados e inseridos com tamanha ignorância, que por muitas vezes nós, cansadas, não reagimos.

Vivemos em um momento de transição. E quando a gente fala, parte da população se sente ameaçada e muitas vezes nem sabe o porquê. Sente-se acuada, com medo. E aí começa a criar uma reação em cima de mal-entendidos e, em geral, por falta de conhecimento.

Vira normal a gente ouvir que a Ana tomou um tapa na cara porque “também, com aquela roupinha curta está querendo o quê”? Ou que a Vera odeia o cabelo comprido, porém deixa crescer porque “tem que agradar o marido”. E a Sofia que ama jogar futebol, mas agora só assiste na TV (escondida) porque o namorado não acha que futebol é coisa de mulher. E a Fátima como mãe assiste o marido sair para o baile e voltar de madrugada “porque tem que cuidar dos filhos e além disso, está muito mal arrumada, vai acabar e perdendo o marido”, tendo que no outro dia lavar a roupa manchada de batom e muitas vezes deixar o café da manhã para o príncipe que vai acordar de ressaca e nem irá dizer bom dia. E nos calamos.

Diante de tais fatos ouço ainda assim: ele é um marido bom, sempre volta pra casa, “ajuda” a pagar as contas, ou então “nossa como seu marido é bonzinho, vai até ao mercado comprar as coisas “pra você””, enfim deduções que quando a vítima dessa agressão, sim agressão porque tudo o que relatei acima são agressões contra a mulher, decide desabafar ou falar que está sendo agredida a pergunta mais infeliz é: “nossa mas quando ele te bateu”?

E isso dói. Dói a cabeça, dói o coração, dói o fundo da alma. E vamos seguindo em frente sendo sabotadas, impedidas, questionadas, caladas.

Digo a você leitora, que se você se identificou com esse texto, procure ajuda nem que for em nosso blog, pois você está sendo agredida.

Lutar conta o sistema covarde e machista em que vivemos não te faz menos mulher; não te faz menos mãe; não te faz menos esposa e muito menos uma mulher fraca; dar voz às nossas conquistas é fazer jus do nosso Direito adquirido como ser humano que somos, livres, propondo divisão de tarefas domésticas, cuidado com a criação dos filhos, participação dos pais na escola, e sim, sonhar.

Que não fiquemos mais caldas quando ficamos sabendo que a Maria recebeu quatro tiros; Júlia, cinco facadas; e Tereza, perdeu o movimento de um braço de tanto que apanhou. Pensem que muitas outras perderam a vida diante de uma arma e quem estava apertando o gatilho, eram os homens que com elas conviviam… Exemplo de tantos outros companheiros, namorados e maridos no Brasil afora, assassinaram ou feriram Marias, Patrícias, Susetes e Eloás, convictos de que lavavam a honra do lar com sangue, Humilhações ou empurrões. E o início disso tudo foi: “mais ele é bom, não é agressor porque ela não me bateu…

Praticar o feminismo é reconhecer nossa liberdade. Você mulher, ou não, porque na verdade você ser humano que compartilha da ideia de que todos com suas diferenças possuem direitos iguais, vamos encarar o feminismo como um “exercício de transformação da sociedade”.

Eu sei que falar sobre tudo isso é como jogar um álcool sobre uma grande ferida aberta, que arde, dói, mas para que se cure, faz-se necessária. Vamos dar voz a nossa legitimidade da mulher como ser independente, iluminar com holofotes a causa, sem minimizar os episódios. É preciso avançar a discussão para os abusos que ocorrem dentro das casas e no entorno das vítimas, estatisticamente maioria absoluta nos registros de feminicídio.

Isso é muito sério e deve ser combatido. “Ninguém solta a mão de ninguém” talvez hoje tão atualizado, poderia ser complementado se um texto fosse com: sua dor é a minha dor, que só passará quando todas se curarem.

AO MESTRE, COM CARINHO

15/10/2020 às 08h51

Em tempos difíceis, tempos não tão difíceis, momentos tristes e felizes. O fato é que nossa vida foi construída em cima de aprendizados. Aprendizados de pessoas que construíram. Pessoas que deixavam seus filhos para cuidar de outros filhos; que passam doze, treze, quinze horas montando aulas, corrigindo provas, elaborando atividades e agora, aulas on-line.

Todas as pessoas, um dia, tiveram esse companheiro, educador e profissional nas diferentes etapas da vida, os quais desempenharam um papel fundamental na formação do autoconhecimento e profissional de todos nós.

Mostrar sempre o potencial de aluno, fazendo uma sociedade acreditar (e provar) que todos são capazes, é o objetivo principal do professor.

Posso dizer com propriedade de causa, que o professor que nos faz querer vencer os desafios e acreditar no ser humano.

Pode ser você professor, que lê esta matéria esteja cansado, pelos problemas, pelas adversidades e pela desvalorização.

Na contramão desse turbilhão de sentimentos, venho trazer registrar aqui o sentimento conquistado por diversas vezes e a mola propulsora do professor: gratidão.

Gratidão de alguém que praticou uma boa ação por te imitou; Gratidão de pessoas que chegaram onde almejavam porque suas lições ficaram para sempre;

Gratidão eterna de que superou a dor inspirada na sua história de vida, na sua coragem e na sua presteza.

A você, professor, o símbolo mais concreto de nosso Hino Nacional “Verás que um filho teu não foge à luta”;

Não só gratidão, mas admiração e aplausos incessantes a vocês que tem nas mãos as mais perigosas e eficazes armas de todo o mundo: seus alunos!!!

Vocês são especiais. A você mestres, meu carinho.

Feliz dia dos professores!

CRIANÇAS PARA TODO SEMPRE

11/10/2020 às 10h08

Passamos nossa infância com a ansiedade de nos tornarmos adultos. Crianças imitam seus pais, seus tios, o professor…, ficam procurando sempre uma referência para justificar ou até mesmo para almejar um modelo ideal de futuro.

Só que o tempo passa. E depois de muito tempo, que percebemos que o modelo ideal para nosso futuro nada mais é que a inocência e a magia que vivemos na infância. E ficamos tão preocupados com crescer e ter, quando na verdade o mais importante é VIVER para Ser. Viver o presente, viver as experiências, viver as descobertas, rir das adversidades, viver as aprendizagens. Viver com a criança que fomos “para a vida toda”. Viver para podermos ser no nosso futuro.

Meu pedido hoje é que vocês, diante de tantas lembranças de uma lembrança que não volta mais (porém poderia ter permanecido), aproveitassem esse dia das crianças para mostras às nossas crianças, a importância de ser criança, de viver o seu presente: mostrar-lhe que esta é a verdadeira chave para que ela seja o adulto que quer ser!

Vamos tornar nossas crianças conscientes de que os medos e as preocupações ocorrerão de fato, porém estarão preparados e acompanhados para que consigam superar cada desafio que a vida nos proporciona.

Que nossas crianças cresçam acreditando de que imaginar, criar e fantasiar são superpoderes mágicos que permanecem pela vida toda. Para que nossas crianças sejam os adultos que tanto queríamos ser.  Quanto mais livre viverem quanto criança, mais livres forem no seu espírito criativo, mais livres de espírito serão, de certo, em adultos. E serem adultos cientes de seu poder e sua liberdade de espírito consiste em serem exploradores, pessoas com grande capacidade adaptação, articulação e questionamentos. Serem adultos livres é o caminho para serem capazes de viver segundo aquilo que desejam e não seguindo o padrão ideal que uma sociedade lhes diz que tem que ser.

E nada melhor na vida do que sabermos qual a nossa essência e de sentirmos que a vivemos em todos os nossos instantes seja de superpoderes ou não.

Lembremos as crianças do valor de serem para toda vida.

E sejamos nós, crianças para todo o sempre!

Feliz Dia da Criança!

AGRADECE QUE CRESCE

06/10/2020 às 09h11

Em meio a tantos avanços tecnológicos, onde a ciência predomina e explica tudo (ou quase), estudos e pesquisas são publicadas diariamente, e mesmo assim, o homem não consegue elaborar uma teoria para desvendar um segredo tão intrigante para todos: o segredo do sucesso.

Após várias tentativas e erros de explicar e até desvendar esse segredo tão valioso e ao mesmo tempo tão complicado, precisei inserir em minha vida o que vou relatar para vocês como afirmação de que o segredo da felicidade é algo de tamanha simplicidade e ao mesmo tempo profundo. Se funcionou pra mim, creio que pode funcionar pra você também.

Pesquisas comprovam que os sentimentos são resultado daquilo que pensamos, portanto, estar ou não feliz torna-se resultado de nossos pensamentos.  Posso resumir toda a teoria para o segredo do sucesso e da tão sonhada felicidade em uma só palavra: gratidão.

A gratidão é, sem dúvida, um dos sentimentos mais puros e nobres que existem. Uma vez que sabem valorizar tudo o que possuem e tudo o que são, as pessoas gratas emitem um resultado positivo em seus pensamentos, o que reflete no seu material, tornando-as mais felizes e realizadas.

A pessoa grata tem a capacidade de agradecer e reconhecer um gesto de bondade, uma atitude de carinho, uma ajuda, um elogio, uma assistência, um presente, uma gentileza ou simplesmente tudo de bom que a vida oferece diariamente. O que deixou a humanidade tão distante desse sentimento foi a preocupação exacerbada do TER, esquecendo inclusive que este, depende muito do SER.

Nunca estamos satisfeitos com o que temos nem com o que somos. Porém o que prevalece é que queremos construir o SER no TER mais. Ter mais dinheiro, melhor trabalho, um carro melhor, um corpo mais bonito… deixando a essência do ser a mercê da sorte, tornando o sentimento de gratidão algo tão nobre e ao mesmo tempo tão distante da maioria das pessoas.

A partir do momento que começamos a ser gratos pelo que temos e aceitar melhor o que não temos passamos a ser mais felizes e de bem com a vida. A partir do momento que você agradece pelas coisas que têm começa a dar mais valor a elas em vez de tomá-las por certo.

Isso ajuda também a semear uma reflexão interna de perceber o quanto a sua vida é abençoada por ter muitas coisas que outros não têm oportunidade de ter.

Sei que estamos passando tempos difíceis. E daí me perguntam: como que vou agradecer se tudo está dando errado na minha vida? Essa é a grande sacada.

Agradecer quando estamos bem, felizes satisfeitos, é tarefa fácil. O grande desafio da humanidade é agradecer mesmo em meio às adversidades.

O entendimento dos fatos, o porquê de certas situações naquele momento foge de nosso entendimento. Ficamos revoltados, e nos momentos de turbulência já vem logo o pensamento: Todos nós passamos por momentos difíceis.

Pode ser por questão de doença, fim de um casamento, perda de uma pessoa querida ou pela perda do emprego por exemplo. Nessas horas tendemos a ficar com raiva e tristeza. Pensamento do “Por quê comigo”?

O grande segredo é que mesmos nesses momentos, por mais difíceis que sejam, devemos enxergar um ponto positivo pelo qual você seja grato por ele. Tudo de bom e ruim que acontece tem um ponto positivo. Que seja encarado como uma oportunidade de crescimento e desenvolvimento pessoal. Situações que estão ocorrendo para que seja mais forte. Para evolução pessoal.

Ser grato pelas coisas que acontecem na sua vida não significa que a vida é perfeita. A questão é perceber o que têm de bom e ser grato por isso.

Sempre que possível expresse gratidão às pessoas responsáveis por ter proporcionado um momento de felicidade na sua vida.

Em resumo, independente das dificuldades que você passa, nunca se esqueça de ser grato pelas coisas boas da sua vida e de agradecer às pessoas que fazem algo de bom para você.

Desde um simples muito obrigado até uma carta ou presente, fará bem para você e para quem recebe a gratidão. Uma ótima oportunidade de criar laços mais fortes com essa pessoa.

E não se esqueça: tudo o que ocorre em nossa vida é para a gente melhorar!