Revista Statto

AMAR É SOFRER?

04/09/2020 às 10h09

Não raras vezes, depositamos o ônus da nossa infelicidade nas mãos da pessoa que nos rejeita. Julgamo-nos traídos ou diminuídos quando alguém a quem tanto amamos não parece nos dar valor.

Por isso, muitos poetas e escritores associam amor com sofrimento. Será que isso é mesmo verdade?

Em realidade o que nos faz sofrer não é o amor que sentimos pelo outro- é o nosso apego.

A confusão é tão grande que, quando gostamos de alguém dizemos:

– Eu estou “apegado” a fulano. Será mesmo isso?

Apego e amor não são sinônimos, são antônimos, seguem direções diametralmente opostas.

O verdadeiro amor não prende, liberta!

Amar é permitir que o outro se distancie ou se afaste, se ele se sentir melhor assim.

Talvez você me pergunte:

Mas, Fernando, qual é a vantagem de se amar dessa maneira?

A primeira vantagem, obviamente, é a ausência de sofrimento.

Quando amamos de forma incondicional, livre, desprendida, nós não só libertamos o outro, mas também e principalmente nos libertamos.

Contudo, a grande vantagem de amar incondicionalmente é que quanto mais “soltarmos” o outro, mais ele tenderá a ficar junto a nós. Por outro lado, quanto mais queremos prender, mais ele se afasta.

É como tentarmos segurar um animalzinho de estimação no colo, ele fará tudo para se desprender. Contudo se apenas lhe oferecemos carinho, deixando-o livre, ele mesmo nos procurará. Espontaneamente.

Como diz Dr. Bezerra de Menezes; quando a humanidade descobrir que é muito mais vantajoso amar do que ser amado, todas as doenças desaparecerão da face da Terra”.