Revista Statto

O TERRORISMO AMERICANO

20/05/2020 às 08h49

Quando trazemos à tona os pensamentos atribuídos aos Estados Unidos da América, vemos que as características dadas a esse país o estabelece como uma pátria perfeita e digna de ser seguida e apoiada, independentemente do que façam.

Essa imagem de “nação perfeita” é constituída pela própria mídia, através de filmes, livros, quadrinhos e discursos televisivos, assim como o grande discurso de George W. Bush de 20 de setembro de 2001, que indaga o motivo do ataque terrorista de 11 de setembro e que ele mesmo responde: “Eles odeiam nossa liberdade, nossa liberdade religiosa, nossa liberdade de expressão, nossa liberdade para votar”.

E ainda coloca, posteriormente, seu país como uma pátria “mal compreendida e odiada” sem razões eminentes, pois eles eram “bons”, porém “Até que ponto eram bons realmente”? Indaga o professor emérito estadunidense da Universidade da Califórnia de San Diego, escritor e cientista político Chalmers Johnson e ainda continua indagando em seu livro Blowback: “Se somos tão bons, por que inspiramos tanto ódio no exterior? O que fizemos para que houvesse tanta reação contra nós”? De acordo com Chalmers, as retaliações contra os Estados Unidos são apenas um “efeito bumerangue” resultante de não cumprimentos de políticas pós-Guerra Fria.

Nós, brasileiros, não possuímos esse olhar crítico aos atentados, pois somos afetados pelo “Efeito de Primazia”, assim explanado pelos Ph.D.’s Jack Schafer e Marvin Karlins, onde palavras atribuídas por terceiros afetam nossa percepção da realidade sobre algum assunto.

Nesse caso, os “terceiros” é a mídia, que cria filtros, nos quais fazem enxergarmos o mundo da forma desejada por ela. Um exemplo do “Efeito de Primazia” é o próprio Capitão América, personagem criado pela Marvel Comics, que estabelece uma imagem sobre o estadunidense como implacável, valente e, principalmente, um “herói” que salva o mundo, colocando seus adversários como “inimigos e causa das tragédias mundiais”.

O termo “Terrorismo” tem como significado “o modo de impor à vontade por meio do uso do terror” ou até mesmo “o emprego sistemático da violência para fins políticos”.

Quando trazemos esse termo à tona em plena contemporaneidade, podemos atribuí-lo a diversas ações de políticas externas estadunidenses, como, por exemplo, o ataque de 02 de janeiro de 2020, em Bagdá, ordenado pelo presidente Donald Trump, que matou um comboio de sete homens, entre eles estava o general Qassem Soleimani.

O Pentágono alegou, sem profundidade informática, que foi uma ordem do presidente, para que não houvesse um certo levante do Irã contra o seu país.

A imposição desse ataque mostra ao mundo o poder dos Estados Unidos e as consequências de não ser a favor de seus ideais. O termo “blowback” ou “efeito bumerang” criado por Chalmers Johnson foi trocado pelo termo “guerra contra o terror”, colocando a palavra “terrorismo” como uma atribuição a todos que forem contra os Estados unidos, e o termo de Chalmers só é resgatado após uma tragédia para reflexão dos atentados ocorridos em território estadunidense.

Portanto todas as ações exteriores negativas dos Estados Unidos são tidas como ações antiterroristas e todas as retaliações ou defesas dessas ações são tidas como “terrorismo” ao olhar dos países aliados aos Estados Unidos, ou seja, a maioria dos países existentes, inclusive, em sua maior parte, participantes da Organização das Nações Unidas (ONU).

Toda essa hipocrisia só pode ser mudada por meio de votos de penalidade política imposta pelos próprios países aliados, no momento em que seus representantes políticos abrirem os olhos para esses fatos.