Revista Statto

ESPELHO D’ÁGUA

13/10/2020 às 10h41

Eu cresci acreditando em vários princípios como: seja sincera, faça aquilo que você acredita, seja humilde, pense no próximo…

Eu acredito que um dia, o que nos é ensinado vem à prova, e nos faz pensar se tudo o que já absorvemos até agora é realmente verdade.

A realidade dos relacionamentos humanos, me parece ser o oposto daquilo que costumamos ensinar para as crianças, porque se descobre que é encantador dizer o que o outro quer ouvir, é inteligente trabalhar com o que pode gerar mais dinheiro e que ser ambicioso e pensar somente em si significa sucesso.

Sinceramente nunca tinha reparado o quanto a humanidade admira aquilo que a afasta de ser humano. Quanto mais distante melhor.

O dente branco de cor não natural é bonito. O cabelo, o corpo, parecendo cada vez mais um robô, é o ideal.

O modelo de sucesso é o homem de terno, forte, intocável, que jamais se fragiliza. Ele passa confiança, porque não “se deixar levar” pelos sentimentos. Nos ilude e não nos faz encarar a nossa inexplicável existência, nossa finitude e fragilidade diante de um universo infinito.

Eu gostaria de simplesmente ser eu mesma, se é que isso é possível. Pensar como John Locke, que eu já fui uma “folha em branco”, mas honestamente penso que isso nunca aconteceu. As vezes penso que todos os meus modelos de sucesso e felicidade são embasados, mesmo que subconscientemente, naquilo que é de senso comum.

Então decidi que todos os dias vou me guiar com três perguntas: quais poderiam ser meus últimos pensamentos em vida? Do que será que eu me arrependeria? Do que será que eu me orgulharia?

Talvez encontrar estas respostas também possa de alguma forma te ajudar.

Talvez as respostas criem uma chave que vai abrir a porta para um caminho que te levará ao encontro com você mesmo, te conectando com seu verdadeiro EU, com honestidade e fazendo refletir a obra principal, ou seja; aquilo que você realmente é, mas não te deixam ser.