Revista Statto

Muito além do “Reto, reto, toda vida”

31/10/2018 às 10h59

Sobre tudo que Florianópolis oferece, proporciona, cada um tem seu conceito. Natureza deslumbrante, que acalma ao mesmo tempo que incita sentimentos. Sim, temos! Culinária peculiar, banhada a frutos do mar e que arrebanha os mais variados paladares. Sim, está aqui! Tradição e arte, como as rendas artesanalmente trançadas e musicadas por senhorinhas na calçada, com o bilro. Sim, estão nas localidades mais nativas!

E um dialeto próprio, termos, palavras, sotaque, e linguagem peculiar. “Ó-lhó-lhó” (surpresa) !!! Sim, em “abastança”(fartura)! Os manezinhos “dazumbanho” nesse quesito.

“Nego”, “nega”, não tô querendo ser “impiliquenta” (impliquenta) ou “achincachar” (rebaixar ou ridicularizar) todos que fazem essa língua ter vida própria. Vocês nem deveriam ter criado o termo “istepô” (não presta), pois não se encaixa à linguagem crua floripana e muito menos a vocês. Vou apenas socializar expressões, pois não quero mais “boca mole”(tanso) como em alguns momentos me sinto: – “Tash” tolo…. “ên-ên-ên”….!

“Moquirido”, não é “bobiça” (bobagem)! Apenas “tô com pensão” (preocupada) e não quero que “pintem o caneco” (aprontem) com vocês. Até mesmo “cadequê” (porque), uma “nisquinha” (pouquinho) de conhecimento não faz mal a ninguém.
Não vou de forma alguma “te rabeitar todo” (enganar).

Mas a língua, com minidicionários e vídeos na Rede Mundial de Computadores, para um melhor entendimento, não é o mais difícil. Tudo piora pela velocidade com que os termos são pronunciados em sequência.
Há segundo relatos, três velocidades de sotaque:

Tapera via túnel (linha de ônibus bem popular aqui), que é aquela com velocidade moderada, controlada pelo radar, mas carregada; velocidade ancião, que só os nativos entendem de primeira, ou seja, a conversa é entre A e B, C não entra; e a última é a do Mister M, de mascarado, e que é falseado pelo “sh” no meio e no final das palavras. Entendeshste? Não tô “às brincas” (brincadeira). Até agora apenas dei uma “abridêra” (aperitivo)! E com muito medo de “rabar” (errar).

Assim, espero que não tenha “atoxado” (encher muito), e nem “bifado” (roubado) seu tempo no “dijaoge” (dia de hoje ou agora há pouco).

Aos nativos, peço desculpa, caso venha a ser mal interpretada. Não estou de jeito nenhum querendo “cosca no lombo” (apanhar). Todas essas observações valem sim para ressaltar a belezura da autenticidade desse lugar. A vocês ainda peço que não deixem que nós, estrangeiros a sua cultura, minemos gírias e acabemos com essa riqueza toda.
Acredito que as linhas acima irão servir para muitos, já que estou “adivinhando chuva” (prevendo) que num tempo perto ou longe, de “zica” (bicicleta) ou não, obedecendo as cores do “sinaleiro” (sinaleira), mesmo pegando “fila” (engarrafamento), vindo “reto, reto, toda vida”, você chegará aqui! E “Ó-lhó-lhó”!!!!!

Grazy Braga

Por

@grazibraga610Florianópolis/SC

Uma extensão de vários lugares

13/09/2018 às 06h19

Como meta, Florianópolis está na pauta de muitos. Como opção de estilo de vida ainda mais, seja pelas belezas naturais, ou pela oferta das sensações de paz e de prosperidade. Aliada à opção de melhores condições e chances de trabalho, a capital de Santa Catarina torna-se um reduto de seres de todos os lugares.
Nesse sentido, acredita-se que o codinome Ilha da Magia não se limita às lendas de “Bruxas de Franklin Cascaes”, contadas pelos antigos moradores. Ao transitar o cotidiano da Cidade Criativa da Unesco, percebe-se que os nativos, ou estão em seus redutos, ou realmente, já são em menor número. Porém, ainda são eles os responsáveis por deixar a convivência com tudo que Florianópolis oferece ainda mais mágico, seja pelo linguajar, pelo sotaque, pelas trajetórias de vida, seja pelas estórias de pescador.

A economia da capital catarinense é fundamentalmente baseada na tecnologia da informação, no turismo e nos serviços. Tanto que a Newsweek – revista semanal norte-americana – considerou que o município é uma das “dez cidades mais dinâmicas do mundo”, enquanto que o Índice de Cidades Empreendedoras (ICE), elaborado pela filial brasileira da ONG norte-americana Endeavor, elegeu a cidade como o melhor ambiente para o empreendedorismo no país.

Assim, Florianópolis constitui-se como uma segunda casa para muitos gaúchos, paulistas, baianos, mineiros, paranaenses, argentinos, uruguaios, estadunidenses e europeus. Notoriamente, e de certa forma surpreendente, é raro um ambiente de trabalho ou atuação econômica em que não há participação de ex-turistas que ficaram ou de muitos que voltaram. Eles estão dirigindo Uber, lotados em ambientes públicos, a postos no comércio e serviços, ou atuando em inovações rentáveis.
Enfim, os quilômetros de areia e de água azul céu, a imensidão de matas verdes, o sobe e desce de morros, o vai e vem pelas orlas são mais intensos com toda a miscigenação de cultura, valores, cores, crenças e rituais.

Com certeza, bruxa alguma de Cascaes sequer imaginou tamanha magia que a Ilha se tornou.

 

Grazy Braga

Por

@grazibraga610Florianópolis/SC