Revista Statto

COMO COLOCAR A MEDITAÇÃO NA SUA VIDA? 7 DICAS ESSENCIAIS

02/09/2020 às 18h02

Realizar práticas meditativas de forma regular é extremamente importante para mantermos um estado mental positivo e estabilizado, assim como para nos fortalecer e prevenir que a mente nos domine – ao invés de nós a dominarmos, como deve ser. Afinal nossa mente é um instrumento, e nós é quem devemos escolher de forma consciente como reagir às situações ao invés de respondermos automaticamente, sem pensar.

Além disso, praticar meditação regularmente nos permite usarmos 100% da nossa capacidade atencional no nosso dia-a-dia, possibilitando resultados muito melhores em tudo o que nos propusermos a fazer de forma plena. No entanto, principalmente no início das práticas é normal nos debatermos com uma dificuldade de incorporar a meditação no nosso dia-a-dia. Assim, considerando esta dificuldade muito comum que diversos alunos me apresentam, gostaria de compartilhar com você 7 dicas essenciais que o ajudarão a incorporar a prática meditativa na sua rotina. Então vamos a elas?

A primeira dica é que, principalmente no início, usar ferramentas como o aplicativo gratuito Insight Timer ajuda muito a nos manter motivados a seguir em frente. Isso porque, em primeiro lugar, encontrar uma comunidade e até mesmo amigos que praticam usando o aplicativo, nos mobiliza muito a continuar, afinal somos seres gregários, que precisam e gostam de se relacionar. Além disso, ter práticas guiadas, de todos os estilos e gostos, podendo variar de prática todos os dias, é instigante, atiça nossa curiosidade e nos impede de cair em uma rotina monótona.

Tenho um amigo que costuma dizer que meditação é como Esporte: tem sempre um ou outro tipo que você gosta e realmente se identifica. Assim, lá no Insight Timer você encontra não apenas o meu perfil com mais de 40 conteúdos gratuitos, desde meditação para dormir, para iniciantes, para reduzir a ansiedade, o estresse, para desenvolver a autoconfiança, entre muitas outras, mas também diversos outros professores excelentes.

Não tenho dúvidas de que você facilmente encontrará a sua linha preferida. Finalmente, com este ou outros aplicativos similares, você consegue monitorar o seu avanço dia após dia, perceber padrões e assim definir as melhores estratégias que funcionam para você, por exemplo: descobrir quais horários você pratica mais, quanto tempo em média costuma meditar, qual tem sido sua frequência e dias preferidos, etc. Isso tudo sem esforço, já que as informações são criadas automaticamente. Conhecendo seus padrões você pode então usar isso a seu favor para definir a sua melhor rotina de meditação.

Agora, minha segunda dica para você é que sim, existem certos momentos do dia que são mais fáceis para meditar. É mais comum que estes momentos sejam pela manhã ou à noite, mas não existe uma regra única. Além disso, isso pode mudar ao longo da vida. Por exemplo, depois que eu tive minha filha, minha prática se intensificou no período da noite, depois que todos dormem e a casa está mais tranquila. Antes disso, eu meditava mais no período da manhã. Assim, com muita curiosidade e sem medo de errar experimente, tente, erre, encontre o seu melhor horário. Seria no meio da tarde? Antes de dormir? Logo ao acordar? E se com o tempo o seu horário mudar ou precisar ser alterado, não tem problema nenhum. O importante é praticar.

A terceira dica é usar o poder do hábito como forma de incorporar a meditação no seu dia-a-dia. Mas como fazer isso? O pulo do gato aqui é você encaixar a prática a encadeando com outros hábitos que você já tem. Por exemplo, acordar pela manhã, tomar um café e meditar. No meu caso, minha sequencia atual é escovar os dentes, meditar, ler e dormir. Note: os hábitos do período da noite de escovar os dentes, ler e dormir já existiam. Apenas aproveitei esta sequência para encaixar a meditação. Assim, quando não realizo uma ação, parece que está “faltando alguma coisa”. De forma prática convido você então a primeiramente descobrir um momento do dia ideal para realizar a sua meditação, em seguida, note que hábitos você já realiza neste período e então “encaixe” a prática junto com estes outros hábitos pré-existentes. E então, quanto mais você realizar a mesma sequência de hábitos, incluindo aí a meditação, mais esta trilha ficará marcada em seus circuitos cerebrais e assim, naturalmente o novo hábito será incorporado.

A quarta dica é: se comprometa a meditar todos os dias. Primeiro porque diversos estudos comprovam que a meditação tem um efeito em nós que dura aproximadamente em torno de 24 horas. Assim fazer todos os dias o ajudará a manter-se sob estes efeitos positivos permanentemente. Segundo porque quando nos comprometemos, por exemplo, a realiza-la dia sim, dia não, no dia “sim” acontece alguma coisa que impede você de meditar, daí no dia seguinte não é dia de meditar e no terceiro dia acontece outro imprevisto que o impede de praticar. Quando você vai ver você simplesmente parou a prática. Então, para não ter dúvida: todo dia é dia de meditar. Se falhar um dia ou outro, não tem problema. Também não precisa pegar pesado com você mesmo. Vão existir dias que simplesmente não conseguimos fazer e está tudo absolutamente bem. Usando esta técnica de se comprometer todos os dias, certamente a maioria dos dias você vai conseguir meditar, o que permitirá que você colha todos os benefícios que a meditação oferece, como: redução do estresse, melhora do sistema imunológico, redução da propensão à depressão, melhora da qualidade do sono, do relacionamento com os outros, promove mais estabilidade emocional, mais foco, clareza mental, aumenta a autoestima, o bom humor, e propicia um bem-estar psicológico geral.

A quinta dica é: se comprometa a meditar todos os dias no mesmo horário. Isso fortalecerá o seu hábito e facilitará a incorporação da meditação no seu dia-a-dia. É claro que você não precisa se frustrar caso não consiga realizar a prática exatamente na hora que se propôs. De novo, o importante é meditar. Definir um horário fixo é apenas mais uma ferramenta para ajudar você a atingir este objetivo final. Se ele for atingido de outras formas, excelente! Era isso o que queríamos.

Sexta dica: Seja gentil com você mesmo. Existem momentos da nossa vida que paramos de praticar por “n” motivos. Isso não significa que você nunca mais vai praticar. Muitas vezes você só precisa fazer alguns ajustes na sua nova rotina até adaptar-se novamente. Também não se cobre caso neste dia, ou em vários dias seguidos, você sinta que “não praticou bem”. Não existe não praticar bem. Pois quando você percebe que sua mente está dispersa, esta também é uma descoberta importante, uma autopercepção crucial que o permitirá se conhecer em maior profundidade e descobrir o que realmente se passa dentro de você.

Finalmente a última dica é: o mais importante é praticar. Não se apegue neste ou naquele formato: talvez você não tenha um “cantinho da meditação”, talvez você não consiga meditar 20 minutos todos os dias, ou ter um horário fixo para meditar, ou uma almofada própria para meditação, nada disso importa. Não importa onde, como, em qual horário, nem quanto tempo, mas sim praticar da forma que está dentro das suas possibilidades. Se for para a meditação ser mais uma coisa pela qual você se cobra e se sente mal consigo mesmo, então o sentido todo dela está errado. Meditação trata-se de ser gentil com você mesmo, com quem está ao seu redor, com se conhecer e tornar a sua vida melhor e mais feliz. Assim, estas dicas todas são apenas ferramentas que permitem que você chegue lá. Mas se isso não está funcionando para você, está tudo absolutamente bem também. Procure outro caminho, o seu caminho, a sua versão da felicidade e simplesmente seja muito, muito feliz!

Espero tê-lo ajudado, mas se você tiver qualquer dúvida, entre em contato comigo pelo Insight Timer (Juliana Zellauy Feres) ou pelo meu Instagram como @simplesmente.seja que será um prazer enorme ajudar você. Um grande abraço e até a próxima!

10 LIVROS PARA TURBINAR A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL DOS PEQUENOS

14/07/2020 às 10h52

Neste período de isolamento social as crianças menores também sofrem, passando por diversas emoções muitas vezes pouco familiares como a frustração, o medo, a angústia e a raiva. Mas como promover a Inteligência Emocional dos pequenos para que lidem melhor com as dificuldades do dia-a-dia?

Por trabalhar com comportamento e desenvolvimento humano, percebo que é perfeitamente natural os adultos sentirem esta dificuldade, já que nós também não fomos ensinados a como lidar com esta avalanche de sentimentos.

Para ajudar neste cenário, uma solução eficiente é usar os livros infantis para ajudar as crianças a serem mais inteligentes emocionalmente e lidarem com maior tranquilidade com estes desafios. De quebra, ainda nós adultos aprendemos com estas lindas histórias que tocam e promovem a reflexão. Dentre os melhores livros que abordam a temática para crianças até 5 anos de idade indico fortemente os top 10 a seguir. Para facilitar a sua busca, clicando no título você encontrará mais detalhes sobre cada uma destas extraordinárias histórias.

O Monstro das Cores (Anna Llennas)

Além de ajudar muito a entender algumas das nossas emoções básicas (alegria, tristeza, raiva medo e calma), este livro possui uma arte gráfica excepcional! Nesta história o Monstro das Cores faz uma grande bagunça com as suas emoções e precisa de ajuda para organizá-las adequadamente. Ideal para a criança entender o que são cada um destes sentimentos e em que momentos eles aparecem.

Vazio (Anna Llennas)

Neste outro livro da autora (verdade, sou fã!), ela aborda outro sentimento muito importante nas nossas vidas o “vazio”. Mais do que isso, mostra como podemos conviver tranquilamente com este sentimento e tirar um proveito muito positivo dele ao superamos nossas perdas e darmos um novo sentido a elas. Mensagem crucial para adultos e crianças. Ah! E neste livro a arte gráfica continua fenomenal.

Tenho Monstros na Barriga (Tonia Casarin)

Livro de uma autora brasileira que explica em detalhes em uma linguagem acessível o que são a alegria, a tristeza, a raiva, o medo, a coragem, a curiosidade, o orgulho e o ciúme. Além disso, também propõe algumas perguntas e exercícios para a criança refletir mais sobre os seus próprios sentimentos.

Tenho mais Monstros na Barriga (Tonia Casarin)

Depois do tremendo sucesso do primeiro livro (não é à toa), este segundo aborda outros sentimentos relevantes como o amor, a solidão, a inveja, a vergonha, a saudade, a ansiedade, a culpa e a frustração. Como no primeiro livro, este também inclui exercícios para fortalecer a inteligência emocional da garotada. Maravilhoso!

Pedro vira porco-espinho (Janaina Tokitaka)

Este livro bem-humorado trata da história de Pedro que vira porco-espinho sempre que sente raiva ou frustração. Mostra também alguns segredos que fazem com que ele volte a ser o Pedro. Leve e delicado.

O Homem que amava caixas (Stephen Michael King)

Este maravilhoso e sensível livro trata sobre o Amor, e como podemos expressá-lo de diferentes formas. Conta a história de um pai que sente dificuldade em verbalizar o seu amor pelo filho, mas que o expressa por meio das suas ações. Apaixonante!

Manu e Mila (André Neves)

Maravilhoso livro que trata da amizade entre Manu e Mila e a busca dos dois pela Alegria. Será que ela está escondida nas coisas pequenas ou nas coisas grandes? O livro aos poucos revela uma mensagem tocante tanto para adultos quanto para as crianças.

Apesar de Tudo (Dipacho)

Um sentimento pouco abordado, mas tão necessário em nossa vida é a persistência. É disso que este livro trata, mas vai além: aborda a amizade, a coragem, a perseverança, a paciência e a importância de lutar pelo que amamos. Como pano de fundo ainda aborda de maneira sutil a problemática causada pelas mudanças climáticas. Inovador e extremamente alinhado com os nossos tempos.

Se eu abrir esta porta agora (Alexandre Rampazo)

Apesar de ter um formato bem diferente e mais criativo que os livros tradicionais, mesmo assim este é um dos livros mais em conta desta lista graças ao patrocínio do Sesi-SP. Esta instigante história aborda o medo, a descoberta e as diferenças. Valendo-se da curiosidade infantil (e adulta), a história instiga o leitor a descobrir o que está por trás de cada porta e a trabalhar os seus medos. Minha filha ama. Realmente é imperdível!

Mirtilo não quer dormir (Sara Agostini e Marta Tonin)

Como o título explicita, este livro conta a história de Mirtilo, um gatinho que inventa mil desculpas para não dormir e que tem medo do escuro. Será que o seu quarto tem monstros? Papai e mamãe o ajudarão nesta descoberta. Insônia e dificuldade para dormir não são problemas exclusivos de adultos. De forma leve este livro tranquiliza as crianças e trata de maneira doce o momento do descanso.

Bônus: Amoras (Emicida)

Livro sensacional do rapper Emicida que trata da importância de reconhecermos nossa identidade e sentirmos orgulho de quem nós somos. De uma sensibilidade ímpar, seu texto reverbera a intenção de cultivar um mundo mais empático e melhor para todos. Extraordinário.

Gerenciar nossas emoções é um trabalho para a vida inteira, mas o importante é dar-se conta de que todas elas são importantes e essenciais para o nosso bem-estar. Mais do que ter QI (Quociente de Inteligência), estudos comprovam que o que faz real diferença para uma pessoa ser bem-sucedida é a sua Inteligência Emocional, ou seja, a sua capacidade de lidar com as frustrações, com as suas emoções e de se relacionar com os outros.

Por isso esse tema é tão importante para o desenvolvimento tanto das crianças quanto nos adultos. O bom é que, diferentemente do QI, a QE (Inteligência Emocional) pode ser desenvolvida em qualquer momento da nossa vida. Espero tê-lo ajudado com estas singelas dicas. Caso tenha interesse em aprofundar mais seus conhecimentos sobre o tema, convido você a participar do meu curso online para adultos “Inteligência Emocional na Prática”.

Um grande abraço e até a próxima!

SELEÇÃO DOS MELHORES LIVROS PARA TURBINAR SUA MENTE

24/06/2020 às 09h49

Aqui você encontra minha seleção especial de livros (apresentados também no meu Instagram @simplesmente.seja), que considero os melhores de todos para abrir, expandir e turbinar a sua mente.

Seja por proporcionarem insights poderosos, técnicas eficazes, estratégias extraordinárias, cada um deles apresenta algo incrível, que você descobrirá nas descrições abaixo.

Alguns, como “A Arte da Felicidade”, são bem difíceis de encontrar, assim, para facilitar o seu acesso a eles e para que possa conhecê-los em detalhes, clicando nos títulos você terá acesso direto ao site com as informações específicas de cada livro.

Como amo ler e compartilhar aprendizados, a cada semana você encontrará no meu perfil uma nova indicação. Boas leituras!

A Coragem de Ser Imperfeito (Brené Brown)

Na lista dos mais vendidos há tempos, neste best seller a pesquisadora de vulnerabilidade pioneira Brené Brown mostra que aceitar a nossa vulnerabilidade é a mais pura definição de coragem. Baseada em sua longa experiência científica e pessoal, Brené prova que as pessoas que se expõem são mais autênticas, criativas e realizadas. Mais do que isso, ela mostra como fazer isso com estratégias eficazes para se ter uma vida verdadeiramente plena. Imperdível!

Manual prático de Mindfulness (Marcelo Demarzo e Javier Garcia Campayo)

Para quem está iniciando suas práticas meditativas uma excelente dica, também da maravilhosa Editora Palas Athena, é o “Manual Prático de Mindfulness” do Marcelo Demarzo (com quem tive a honra de ser aluna) e do Javier García Campayo. Dentro das diversas modalidades de meditação, o Mindfulness não tem qualquer orientação religiosa e é totalmente embasado pela ciência. Este manual ajudará você a desenvolver a sua prática, navegando por assuntos fundamentais como: o que é o Mindfulness, quais são seus benefícios, como praticar, como enfrentar os problemas mais comuns nas práticas meditativas, como realizar o manejo das emoções, entre outros temas cruciais. Se você quer começar a praticar, este é o seu livro. Super recomendo!

Em busca de Sentido: Um psicólogo no campo de concentração (Viktor E. Frankl)

Nesta comovente biografia, Viktor conta a sua experiência em campos de extermínio durante a segunda guerra mundial. Trata-se de um testemunho impressionante capaz de nos trazer uma luz para situações difíceis, aparentemente sem sentido e, portanto, nos ajudar a refletir e a processar o que estamos vivendo de uma maneira positiva. Para deixar você com ainda mais vontade, deixo aqui um trecho: “Mesmo uma vítima desamparada, que não pode mudar, pode erguer-se acima de si mesma, crescer para além de si mesma e, assim, mudar-se a si mesma. Pode transformar a tragédia pessoal em triunfo”. Essencial para este nosso momento!

Viver a Catástrofe Total (Jon Kabat-Zinn)

O tema do livro “Viver à Catástrofe Total” tem tudo a ver com o que estamos passando no momento. Apesar do título impactante, este livro apresenta abordagens mente-corpo testadas pela medicina e oriundas da meditação e do yoga para combater o estresse, dar mais equilíbrio ao corpo e à mente e estimular o bem-estar e a cura. De acordo com o autor Jon Kabat-Zinn, considerado um dos “pais” do Mindfulness: “Para mim, enfrentar a catástrofe total significa encontrar e aprender a conviver com o que há́ de mais profundo e melhor e, em última análise, mais humano dentro de nós mesmos. (….) Catástrofe, aqui, não significa desastre, mas a pungente enormidade da nossa experiência de vida.” (Jon Kabat-Zinn). Além do seu conteúdo sensacional, o livro é da Editora Palas Athena, associação que é referência no desenvolvimento de atividades nas áreas da Cultura de Paz, Educação, Direitos Humanos, Meio Ambiente e Promoção Social. Quem compra os livros deles contribui diretamente para manter os trabalhos imprescindíveis que eles desenvolvem há 48 anos.

Como manter a mente sã (Philippa Perry)  

Neste livro de Philippa Perry, ela não traz respostas prontas, mas incentiva o leitor de forma muito prática a navegar com confiança e buscar as suas próprias respostas. O pequeno, mas transformador livro, inclui ainda uma série de exercícios para fortalecer nossa resiliência, aumentar nossa criatividade e nossa perspectiva. Super recomendo este, bem como outros livros desta série da The School of Life, que tratam de temas tão essenciais para a nossa vida de forma muito precisa e prática.

Minha História (Michelle Obama)

“Só se chega a algum lugar construindo uma realidade melhor, mesmo que de início, na nossa própria cabeça. Ou, como Barack disse aquela noite, podemos viver no mundo como ele é, mas ainda podemos trabalhar para criar o mundo que deveria ser.” Esta frase do livro “Minha História” de Michelle Obama resume bem o que sempre acreditei. Se você está em busca de um livro inspirador, a biografia de Michelle vale cada palavra, cada capítulo. Mostra uma mulher forte, inteligente, mãe, esposa, profissional de excelência e os bastidores por trás da política. Apresenta a garra de uma mulher para manter a família intacta, mesmo em meio às maiores turbulências. Mostra também humanidade, imperfeições (e quem não tem?) E muita superação de uma mulher rotulada por sua aparência física e origem social. Um exemplo de mulher que superou todas as expectativas que lhe impunham para ir além, muito além. O tipo de livro que você não consegue largar!

A arte da Felicidade: um Manual para a Vida (Dalai Lama e Howard C. Cutler)

“A Arte da Felicidade”, é uma leitura muito leve, porém transformadora, sendo muito mais uma conversa fascinante entre o Dalai Lama e o psiquiatra Howard C. Cutler. Tendo o lido pela primeira vez em 2001, não é exagero dizer que este livro foi determinante para a visão de mundo que tenho hoje. Para muito além das religiões, o livro ajuda a lidar com as dificuldades comuns a todos nós, tendo como pano de fundo uma base científica muito bem fundamentada. Mais do que uma busca egóica de felicidade individual a todo custo, o tom da conversa é a de que a busca da felicidade vai muito além de oferecer benefícios apenas ao indivíduo, mas também impacta positivamente a família dele e à sociedade como um todo. Para refletir, aquecer o coração e despertar nossa sabedoria (aquela mesma que já existe em cada um de nós). Sem dúvidas, este faz parte da minha lista dos top 5 (top 3 talvez?), de livros inesquecíveis! Por ser mais antigo, este livro é difícil de encontrar, mas você o encontrará no link clicando no título.

Como eu sempre digo: quando mudamos a nossa mente, mudamos o nosso mundo. E a leitura é uma ferramenta essencial neste nosso caminho para termos uma vida plena. Este é o melhor investimento que podemos fazer, já que o conhecimento ninguém pode tirar de você. Um grande abraço e boas leituras!

 

12 TENDÊNCIAS PÓS-PANDEMIA (PARTE 2)

29/05/2020 às 08h33

Na parte 1 deste artigo abordei 6 tendências pós-pandemia, incluindo intensificação da migração, redução do consumo de combustíveis fósseis, mudanças no mercado imobiliário, especialmente corporativo, maior aceitação e uso da educação à distância, expansão sem precedentes dos serviços digitais e busca por saúde mental, além do aprofundamento da nossa percepção de interdependência. Nesta segunda parte, gostaria de apresentar meus pontos de vista a respeito de outras 6 possíveis tendências pós-pandemia em relação a atuação empresarial, hábitos de consumo e impactos ambientais e comportamentais. Vamos a elas?

Aprofundamento das desigualdades sociais – O prognóstico infelizmente não é positivo e também não é novo, já que a desigualdade social tem aumentado há mais de 5 anos consecutivos no país, de acordo com a “Escala da Desigualdade” da FGV. No entanto, pelo menos à médio prazo, especialmente no Brasil, a tendência é de aprofundamento das diferenças sociais. Enquanto as classes mais altas devem voltar a consumir com força total por conta da demanda reprimida por meses, (haja vista China e França com suas filas quilométricas em frente à Zara e Louis Vuitton), as classes mais baixas irão sofrer ainda mais com o agravamento da crise e quebra das micros e pequenas empresas. Também podem ficar ainda mais proeminentes as diferenças em termos políticos e visão de mundo pelo abismo absurdo entre uma e outra realidade. Por outro lado, este aprofundamento deve levar a um aumento da consciência de que as desigualdades sociais são um péssimo negócio para a sociedade como um todo. Em relação a este último ponto, confesso que não sei se é uma tendência, mas certamente é um desejo pessoal muito forte.

Maior exigência quanto a responsabilidade social empresarial – De maneira global, o consumidor será cada vez mais exigente em relação a postura das empresas, cobrando uma responsabilidade social real, e não apenas “de fachada”. Muitas tem demonstrado agora mesmo o poder de fogo que tem, não apenas financeiro, mas de mobilização, mostrando que elas podem fazer muita diferença quando o tema está sendo realmente levado a sério. Não apenas vimos um recorde histórico das doações empresariais chegando a R$ 2,2 bilhões (só o Itaú Unibanco doou mais de 1 bilhão de reais para o combate ao Covid-19), como testemunhamos mudanças nos processos para produção maciça de álcool gel e outros equipamentos hospitalares, além da construção de hospitais de campanha com expertise e recursos empresariais. A régua subiu e os consumidores estão mais atentos em relação à diferença que estas organizações podem realmente fazer quando têm vontade e agem para além dos próprios interesses.

Intensificação do movimento “Do it yourself” – Outra forte tendência é a intensificação do movimento “Do it yourself” (DIY – faça você mesmo), que já estava em franco crescimento antes da pandemia e agora ganha um fôlego impressionante, graças também ao aprofundamento da crise financeira. Desde fazer pão em casa, cortar cabelo, consertar eletrônicos, reparos caseiros, cada vez as pessoas tem se virado e aprendido (na marra que seja) a resolverem os problemas do seu dia-a-dia. Para alguns pode ser uma obrigação, para outros um novo prazer. Mas o fato é que, passada a necessidade de distanciamento físico, a questão financeira pesará muito no fortalecimento desses novos hábitos.

Novo olhar para os ambientes naturais – Presenciamos também no mundo todo uma regeneração impressionante dos ambientes naturais que tiveram uma folga mais do que merecida da interferência humana. Não tenho dúvidas de que isso terá um impacto na percepção das pessoas do que estamos fazendo realmente com o planeta. Arrisco mesmo a dizer que, assim como ver a Terra da Lua como um pequeno ponto azul flutuando no céu causou um impacto extremamente significativo na nossa percepção de mundo, ver como ela pode se regenerar sem nossa interferência também terá um impacto muito importante. Isso pode tanto ser algo positivo, no sentido de nos sentirmos mais responsáveis e cientes sobre o impacto da nossa presença no planeta, como em outro extremo debelar ações eco-terroristas onde a velha ladainha “somos o vírus deste planeta” ganha força. É preciso estarmos atentos e educar a geração atual e as seguintes a compreender que somos partes do sistema e que, assim como podemos ser parte do problema, podemos e somos parte da solução. Além disso, mais do que nunca temos valorizado os ambientes naturais até mesmo para a nossa saúde mental. Quem não gostaria de estar na praia agora, em uma montanha, em um lugar outdoor e, de preferência, natural? Daí a que realmente sejam tomadas providências para manutenção destes ambientes existe uma grande diferença. Acredito sim que os países desenvolvidos intensificarão seus esforços nesta direção. Mas para os em desenvolvimento, como o Brasil, sou menos otimista a respeito, pelo menos no médio prazo.

Maior valorização da educação, da ciência e das informações de fontes confiáveis – A necessidade é gritante justamente por se tratar de uma questão de sobrevivência. Nunca foi tão escancarada a urgência de priorizarmos a educação e a ciência para sairmos deste buraco que estamos nos enfiando cada dia mais. Fake News, dados distorcidos, falta de investimento em ciências, falta de educação e ignorância, literalmente matam no mundo todo. Já é difícil tomar decisões quando existe este arcabouço por trás, conforme bem viram os países mais desenvolvidos do mundo. No nosso então, isso está mais do que exposto. As pessoas estão cada vez compreendendo mais como estes temas afetam diretamente o seu dia-a-dia e que não se trata de luxo, mas de necessidade básica.

Ampliação do olhar para a coletividade – Estamos sendo forçados a termos um olhar mais amplo, saindo do “eu” para o “nós”. Redesenhamos nossas vidas e atividades cotidianas em prol do bem comum, acentuando o conceito de que ninguém é uma ilha e de que somos interdependentes. Assim, não apenas veremos um grande florescimento da valorização do contato com o outro pós-pandemia, mas o senso de comunidade ganhará um impulso significativo que deve se intensificar ainda mais nas novas gerações. O uso do “eu”, o pensamento individual, egoísta, tende a não apenas cair em desuso, mas ser rechaçado, fazendo com que a percepção do olhar para o coletivo ganhe cada vez mais espaço. Não se trata de uma visão que será incorporada de um dia para o outro, mas tudo o que temos vivido nos últimos meses e o que viveremos ainda, aponta para uma única saída: nos unir, olhar para o outro, ou perecer.

Estes dois artigos não têm a intenção de dar previsões infalíveis, mas sim palpites sobre o que considero serem tendências plausíveis a partir da minha experiência como especialista em Sustentabilidade e Comportamento Humano. São muito mais um exercício de reflexão e convite ao diálogo do que um ponto final. Assim, permaneço sempre à disposição para a troca que nos enrique muito. Convido você a entrar em contato comigo pelo meu Instagram @simplesmente.seja e continuarmos esta conversa. Um grande abraço e até lá!

DOZE TENDÊNCIAS PÓS-PANDEMIA (PARTE 1)

23/05/2020 às 10h57

(Incluindo 2 oportunidades de trabalho)

Fazer previsões, como bem sabem os meteorologistas, é sempre um ato de coragem. No entanto, baseado nas evidências que temos até o momento, gostaria de compartilhar o meu ponto de vista a respeito do que será o nosso mundo pós-pandemia, incluindo oportunidades que estão se abrindo neste momento para quem busca outras alternativas de trabalho e geração de renda. Lembrando claro que este é o meu ponto de vista e que necessitamos de visões a partir de vários pontos para nos aproximar do que pode ser a realidade. Convido então você a refletirmos juntos:

  • 1 – Impacto sem precedentes do trabalho remoto – O trabalho remoto já é uma realidade hoje e cada vez mais. Até aqui, sem novidades. O que chama a atenção, no entanto, é o impacto que este novo modo laboral terá em diversas outras áreas:
  • a) Grandes centros empresariais começam a perder a sua função – Não que eles deixarão de existir, mas seu número deverá cair significativamente. Mesmo que a empresa opte por permitir o home-office um único dia da semana para cada um dos seus funcionários, a estimativa é de uma queda nos custos de 30%. Isso devido não apenas à economia com água e eletricidade, mas também limpeza, segurança e aluguel do espaço, além de outros recursos necessários para manter as instalações funcionando adequadamente. Além disso, comprovadamente, o trabalho em casa aumenta a produtividade dos funcionários ao invés de diminuir. A próxima questão é: o que será feito então com estes grandes edifícios?
  • b) Intensificação da migração – Algo que não vi sendo discutido e que certamente acontecerá devido à adesão maciça ao trabalho remoto é a intensificação da migração. As cidades que se sairão melhor aqui não são necessariamente as maiores, mas sim as que oferecem maior qualidade de vida. Note que isso terá um impacto também na tomada de decisão do poder público em relação à investimentos e priorização de políticas públicas. Cidades com menor qualidade de vida serão muito menos atrativas e perderão contribuintes. Assim, seja uma mudança para dentro do próprio país ou para o exterior, o trabalho remoto abre possibilidades sem precedentes. Posso trabalhar e ganhar meu dinheiro de qualquer lugar do mundo, isso inclui até mesmo morar em um barco, em um motor home ou mudar de cidade a cada mês.
  • c) Redução do consumo de combustíveis fósseis e suas consequências – Com mais pessoas trabalhando em casa e utilizando serviços online (desde consultas, cursos, compras, etc.), a redução do consumo de combustíveis é definitiva. A qualidade do ar melhora e o processo de adaptação das empresas petrolíferas se acelera. Muitas já haviam começado a investir pesadamente em fonte renováveis e agora deverão priorizar estes novos investimentos para manterem-se no mercado.
  • 2 – Educação à distância (EAD) – O que antes era o “plano B” virou o “plano A”. A educação precisa continuar e, neste sentido, a EAD veio para preencher este vácuo. Além disso, para muito além do ensino básico, as pessoas têm dado mais credibilidade e mais valor à educação contínua. Independente da sua área de atuação, é preciso estudar sempre para manter-se atualizado e não ficar para trás. Sem mencionar, é claro, o quanto é prazeroso o desenvolvimento pessoal e intelectual. Ademais, assim como o trabalho remoto, este novo cenário tem mostrado na prática os benefícios da EAD, sendo algum deles: uso mais eficiente do seu tempo (por que perder horas no trânsito para se descolar até a instituição de ensino?), possibilidade de personalização da rotina de aprendizado ao dia-a-dia de cada um, preços mais acessíveis.
  • 3 – Expansão de serviços digitais – Oportunidades à vista! – Com a tendência de pessoas ficando mais em casa, a busca por serviços online tem crescido de forma estrondosa. Seja uma consulta (médica, terapia, mentoria, coaching), cursos de qualquer área, desenvolvimento de softwares e aplicativos, varejo online ou oferta de entretenimento (inclusive com o uso de realidade aumentada). Apenas para citar um exemplo concreto, eu que antes da crise já estava migrando todos os meus serviços para o online, observei nas últimas semanas a demanda pelos nossos cursos, mentorias e conteúdos mais do que dobrar de um mês para o outro e continuar em franco crescimento. Além da tendência pela maior busca por serviços online este crescimento também está relacionado a tendência descrita no próximo item.
  • 4 – Cuidados com saúde e bem-estar mental em alta – Oportunidades à vista 2 – É um fato que o atual cenário tem disparado sentimentos de medo, ansiedade, angústia, solidão. Em casos mais graves tem mesmo gerado problemas mentais mais sérios como síndrome do pânico, transtornos de ansiedade, entre outros. Assim, nas últimas semanas tenho observado um aumento significativo na busca pelos nossos cursos de Inteligência Emocional, Mindfulness, Psicologia Positiva, além das nossas práticas meditativas gratuitas oferecidas pelo aplicativo Insight Timer, entre outros temas que oferecem as ferramentas necessárias para que as pessoas possam ser mais resilientes e enfrentar com confiança estes momentos incertos. Amigos psicólogos, coachs, mentores e terapeutas em geral também relataram um aumento colossal na demanda por atendimentos, estando hoje trabalhando mais do nunca. Nas últimas décadas as pessoas têm tido mais consciência sobre a necessidade de cuidar do seu corpo, nutrindo-se com alimentos mais saudáveis e praticando atividades físicas. Agora, finalmente as pessoas começam a despertar para fazer o mesmo com a sua saúde mental, compreendendo melhor a importância de nutrir-se com conteúdo mais positivos e exercitar a sua mente, como por exemplo, por meio das práticas meditativas.
  • 5 – Aprofundamento da nossa percepção de interdependência – Para quem ainda não percebeu, fica aqui a lição número 1 desta crise. Cada vez mais fica claro o quanto somos interdependentes e o quanto precisamos que o outro fique bem para ficarmos bem. Ninguém vive em uma bolha, nem mesmo uma cidade vive em uma bolha. Para que você esteja bem o outro precisa estar bem. Isso vale para questões tão importantes e amplas como o combate à corrupção, às desigualdades sociais e necessidade da inclusão digital, quanto para o dia-a-dia miúdo, onde se o seu vizinho ficar doente ele pode transmitir a doença para você e sua família, então não adianta ficar olhando apenas para o próprio umbigo. Enquanto a divisão nos enfraquece, as crises fortalecem alguns valores como a resiliência, a coragem e a união, já que nos obrigam a trabalhar junto para superar um desafio maior. Afinal, especialmente agora, trabalho coletivo não é apenas uma questão de empatia, mas de sobrevivência, como veremos no item a seguir.
  • 6 – Trabalho coletivo é questão de sobrevivência (muito além do poder público) – Todos nós temos visto iniciativas de solidariedade impressionantes acontecendo. Afinal trata-se, sem exageros, de uma questão de sobrevivência. Na comunidade Paraisópolis em São Paulo/SP, por exemplo, foi estabelecido um sistema de monitoramento de 21 mil residências que são observadas por 420 presidentes de rua. Estes presidentes tem a função de acompanhar os casos em no mínimo 50 casas na região sob sua responsabilidade, sendo priorizadas as casas com famílias mais carentes. Nas palavras de Gilson Rodrigues, líder comunitário, a ação foi pensada a partir do dia 19 março porque “a gente percebeu que o negócio seria grande e que as políticas públicas não chegariam às favelas. Então decidimos criar a nossa própria. ” Além disso, a comunidade se organizou para contratar 3 ambulâncias, sendo duas básicas e uma UTI, que ficam em tempo integral no local para atender quem for preciso. Rapidamente eles perceberam que não dava para esperar a boa vontade ou atuação do poder público e tomaram as providências necessárias. Isso diz muito sobre como a nossa liderança política tem atuado (ou não) e como tem sido vista pela nação. Com isso, não só estamos aprendendo uma dura lição que poderá ser utilizada em outras situações como o combate às mudanças climáticas, por exemplo, mas que também nos trará consequências muito interessantes para as próximas eleições.

Para apoiar o projeto da Paraisópolis acesse: https://www.esolidar.com/br/crowdfunding/detail/3-g10-apoie-paraisopolis-a-combater-o-corona-virus?lang=br

Estas são as 6 primeiras tendências que gostaria de compartilhar com você. Na segunda parte deste artigo abordarei outras 6 tendências pós-pandemia, entre elas relacionadas à atuação empresarial, hábitos de consumo, impactos ambientais e comportamentais (individuais e políticos). Até lá, adoraria conhecer o seu ponto de vista sobre o que estamos vivendo hoje e como você acredita que o mundo estará amanhã. Um grande abraço!

5 MITOS DA FELICIDADE (QUE O IMPEDEM DE SER FELIZ)

04/05/2020 às 08h41

Felicidade é um tema tão batido hoje em dia. Coachs, terapeutas, artistas, propagandas, influencers, todos alardeiam conhecer a fórmula da felicidade. Se você fizer isso e aquilo definitivamente será feliz e, melhor ainda, a partir de agora mesmo! Mágico e instantâneo. Nesta seara, é importante separarmos o joio do trigo e fazer algumas reflexões mais aprofundadas já que este tema, apesar de soar clichê, é tão crucial em nossas vidas.

Gostaria assim de compartilhar com você meus pontos de vista a respeito do que considero mitos da felicidade, que muitas vezes tem nos feito mais mal do que bem e, em última instância, até nos impedido de chegar lá.

1 – “Tudo está sob o seu controle: Ser feliz só depende de você”

Não que as pessoas que dizem esta frase estão querendo enganar você. Pelo contrário, muitas vezes elas têm uma intenção positiva genuína. No entanto, isso não a torna verdade. Não, a sua felicidade não depende só de você. Esta crença se chama “ilusão de suficiência”, ou seja, acreditar (erroneamente) que somos autossuficientes. E isso é falso primeiro porque ninguém é sozinho no mundo e se o fôssemos, seríamos completamente infelizes. Somos seres gregários, ou seja, seres que precisam do outro para viver e para estar bem. E o outro estar bem também influencia diretamente na nossa felicidade. A minha realização depende de outras pessoas. Imagine que está tudo absolutamente bem com você, mas não está nada bem com quem você mais ama. Você será realmente feliz?  Além disso, considere uma pessoa que está passando fome, não foi cuidada por ninguém, vive sozinha, que está no meio da violência: ser feliz só depende dela? Mesmo? Mas isso não significa que não temos nenhum controle, aqui é que está o segredo. As circunstâncias você não define, não dependem de você. Onde você nasceu, como foi criado, suas condições sociais, a sua genética, o seu temperamento, a forma de agir das pessoas ao seu redor, nada disso depende de você. O que depende sim de você é o que você irá fazer diante destas circunstâncias ou a partir delas: como você vai reagir (ou não) frente às dificuldades, quais lições irá aprender para se desenvolver, como irá tirar algum proveito positivo do que aconteceu. Isso sim você tem algum controle. E isso não significa que você tem que fazer isso sozinho. Ser feliz pode, e deve depender dos outros. Afinal, precisamos uns dos outros para sermos felizes. A sua autorealização depende das suas conexões com outras pessoas.

2 – “A vida tem sentido” – Não, a vida não tem um sentido. Não existe uma placa em lugar algum dizendo a você qual é o sentido da sua vida, porque você está aqui. Mas não ter um sentido pré-definido não significa que você não possa criar o seu próprio sentido. Assim, mais correto seria dizer: A vida não tem um sentido, você é que dá sentido a ela.

3 – “Quando eu conquistar X (preencha com o que você quiser), eu vou ser definitivamente feliz” – Infelizmente, isso não é verdade. Isso porque felicidade não é um ponto final, mas algo que encontramos em vários momentos da nossa vida. E então, naturalmente ela nos escapa, algo muda e ocorre um certo desequilíbrio. Vemos então o que está faltando ou o que está diferente e buscamos este novo equilíbrio, como uma dança, onde importa muito mais o percurso do que o final. Somos felizes muitas vezes em nossas vidas e não uma única e definitiva vez. Felicidade é um estado (algo transitório), em constante mudança. E isso não é ruim, é desafiador, nos instiga, nos move, nos desenvolve, nos impulsiona.

4 – “Para ser feliz, maximize as coisas positivas e elimine as coisas negativas da sua vida” – Isso não podia estar mais distante da realidade. Em Psicologia Positiva temos o conceito de Gratificação, que, de forma resumida, é, apesar dos altos e baixos de uma situação, apesar das emoções positivas e negativas acontecerem, no final nos sentimos gratos por aquela experiência. O sofrimento não é o oposto de felicidade, mas muitas vezes faz parte dela. Saber que você superou algo, que realizou algo que foi muito difícil, sofrido até, mas conseguiu triunfar, é um dos maiores êxtases que podemos ter. Fazer uma faculdade não é bom o tempo todo, ter um filho não é bom o tempo todo, estar em um relacionamento não é bom o tempo todo, enfrentar um câncer ou outra doença grave não é bom, mas quando você olha para trás e percebe que venceu aquele desafio então tudo vale a pena. Isso é felicidade. A dor, o sofrimento, nos levam ao autoconhecimento, ao crescimento e à autorrealização. Assim não tenha medo dos desafios, do sofrimento, ele sempre existirá para cada um de nós. E é justamente a partir dele que tiramos as mais valiosas lições. É com ele que amadurecemos, que aprendemos o quanto somos fortes, resilientes. Desenvolvemos novas habilidades e conhecimentos que nunca teríamos por vontade própria. Mas que definitivamente nos tornam melhores e, no final, mais felizes.

5 – “Para ser feliz, seja sempre otimista”! – As emoções no extremo nunca são boas. Saúde mental significa oscilar entre as emoções, fluir conforme as experiências e não manter a todo tempo a mesma emoção, independentemente da situação, inclusive a felicidade ou o otimismo. Ser otimista sempre significa se auto enganar, negligenciar ou subestimar situações críticas, se expor ao risco. Não significa é claro, que você não deva ser otimista. Esta é uma característica positiva. Apenas não o seja o tempo todo. Assim como uma pessoa constantemente triste pode ter uma doença como a depressão, ser feliz o tempo todo pode denotar outro distúrbio: a mania ou êxtase disfórico. Use a sua racionalidade para ponderar e avaliar cada situação adequadamente. O equilíbrio de uma virtude é sempre melhor do que os seus extremos.

Espero realmente ter provocado alguns insights importantes em você hoje. Caso queira trocar mais me procure no Instagram como @juliana_zellauy_feres ou então me envie um e-mail para contato@simplesmenteseja.com.br Vou adorar trocar com você. Afinal, ninguém é feliz sozinho.

COMO MINDFULNESS CONTRIBUI PARA A SUSTENTABILIDADE?

01/05/2020 às 17h44

Precisamos falar sobre Compaixão.

E é engraçado, porque quando falamos de Compaixão surgem dois sentimentos dentro da gente: um de que se trata de uma relação de desigualdade – tenho algo para oferecer a outra pessoa que não tem – o outro, que Compaixão é uma fraqueza, que você será considerado uma pessoa boba e vão se aproveitar de você por isso.

Eu trabalho com sustentabilidade há 18 anos e ao longo destes anos finalmente percebi que para termos resultados melhores em Sustentabilidade precisamos atuar na causa raiz dos nossos males: nossa mente.

Hoje estamos mergulhados em uma sociedade estressada, extremamente competitiva, focada no ego, ansiosa, nervosa, com depressão, estafa (burnout) e infelicidade geral. Isso impacta não só a própria pessoa e sua família, como também o relacionamento com todos ao seu redor gerando reflexos negativos na sua atitude perante o mundo. Mas como reverter isso? Como tratar a ansiedade, a competitividade, a raiva, o egoísmo?

Pratico meditação há 15 anos. Comecei a meditar no mesmo período que iniciei a faculdade de Gestão Ambiental e logo percebi o que a meditação faz por nós, como indivíduos e como sociedade: a mudança mental e emocional que ela proporciona. E é isso sobre isso que gostaria de falar com você hoje.

Para quem não está familiarizado, Mindfulness é uma palavra em inglês que pode ser traduzida como “consciência plena” ou “atenção plena”. De acordo com o psiquiatra Javier Garcia Campayo e o professor PhD Marcelo Demarzo: “Mindfulness é uma terapia secular sem qualquer reminiscência religiosa ou cultural, com uma sólida base científica”. Estes autores também afirmam que mindfulness não significa necessariamente uma prática meditativa, mas é um estado da mente humana “descrita por diversas tradições religiosas e presente em todos os indivíduos em maior ou menor intensidade”.

É uma ação intencional, uma capacidade de estar atento no presente com aceitação, flexibilidade e abertura à própria experiência. Pode ser praticado de maneira formal, por meio da meditação, ou informal, ou seja, com plena consciência ao executar as atividades do dia-a-dia, seja lavar a louça, tomar banho, caminhar, dirigir ou o que quer que seja, estando totalmente atento e aberto para o momento presente.

E o que Mindfulness tem a ver com Sustentabilidade? Bem, o fato é que diversos estudos comprovam que a sua prática nos ajuda a entender por que fazemos o que fazemos e a turbinar a nossa capacidade de ter empatia com outros seres (humanos ou não). Assim, naturalmente com o passar do tempo as pessoas que praticam meditação acabam por desenvolver um compromisso social mais profundo, devido também ao abrandamento da centralidade no ego.

Outra consequência é o que os cientistas chamam de desenvolvimento do “interser”, aquele sentimento de conexão com o todo e de pertencimento, que nos faz sentir parte da humanidade e do cosmos. Ele age como um antídoto para a crença errônea de que estamos separados do mundo, que também é em grande parte responsável pela origem desta sensação de sermos incompletos, de estarmos sozinhos, de falta de propósito. Assim, ao nos sentir parte do todo, nos sentimos responsáveis por um mundo melhor para todos.

A prática de Mindfulness – especialmente do Mindfulness para trabalhar a Compaixão – contribui para ambientes organizacionais menos tumultuados, competitivos e frios. Mais do que isso, facilita uma convivência mais harmônica, cooperativa e pacífica.

E o que é a Compaixão? É aquele sentimento quando você presencia o sofrimento do outro que aciona o seu ímpeto de ajudar.

No entanto, no nosso mundo atual, tão competitivo, muitas vezes a compaixão é tida como uma fraqueza ou, no máximo, uma relação de desigualdade, em que você apenas dá e o outro recebe. Mas, ao contrário, estudos comprovam que quem oferece compaixão não apenas lida melhor com emoções como a culpa, a raiva e a inveja, como desenvolve um contentamento e bem-estar psicológico duradouro.

Ela é a base do nosso sistema neurobiológico de satisfação, calma e segurança que é ativado quando temos um relacionamento de afeto e confiança, relações colaborativas e significativas. Este sistema é um contraponto para os nossos dois outros sistemas neurobiológicos: o de ameaça e proteção (que nos permite detectar as ameaças no mundo externo e produz emoções como a ansiedade, a raiva, o medo ou a aversão) e o sistema de conquista (que nos estimula a buscar o necessário para a vida, como abrigo e alimentos, mas também, quando em desequilíbrio, dinheiro, objetos e status).

Atualmente nossa sociedade tem demonstrado uma forte ativação dos sistemas de ameaça (que percebe o ambiente externo como ameaçador) e o de conquista (responsável pelo consumismo e a busca por status social), enquanto o sistema de calma e segurança são pouco ativados. Neste sentido, a compaixão serve como um antídoto ativando este último sistema, o único capaz de se contrapor aos outros dois e que nos possibilita desenvolver a verdadeira felicidade, que é algo que é possível e só se encontra dentro e não fora de nós.

Então, como Mindfulness pode contribuir para a Sustentabilidade? Além de nos ajudar a desapegar do intenso desejo de posse a acumulação, ele nos faz sermos mais gentis com nós mesmos e com os outros, reforça os laços afetivos e combate à descartabilidade que temos em relação aos objetos, mas também em relação às pessoas, situações e seres vivos – não tem valor para mim, então eu jogo fora. Passamos então a dotá-los de valor intrínseco e não monetário ou para atendimento do nosso ego apenas. Em última instância, fortalece os nossos sentimentos de conexão e de pertencimento com o todo, restaurando nossa paz e o sentimento do que é sagrado.

Mas falar sobre sagrado daí já é outro tabu, que fica para um próximo artigo. 😉 Até lá!

SORTEIO DE UMA ASSINATURA GRATUITA @SIMPLESMENTE.SEJA

01/04/2020 às 20h00

Diante da crise de saúde pública que vivemos e com o isolamento social que somo forçados a viver, estive pensando como poderia ajudar mais as pessoas neste momento de crise financeira e necessidade extrema de cuidados com nossa saúde mental…

Então firmamos uma parceria com o INSIGHT TIMER e vamos sortear uma assinatura PREMIUM POR 1 ANO, do melhor aplicativo de meditação e desenvolvimento pessoal do mundo!

Lá você encontra mais de 30.000 meditações, podcasts, músicas e cursos com os melhores professores do mundo para manter a sua estabilidade emocional, fortalecer seu autocontrole e evoluir sempre!

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Boa sorte!!?

USE AS EMOÇÕES “NEGATIVAS” A SEU FAVOR: RAIVA

16/03/2020 às 14h50

Nos artigos anteriores falamos sobre o que são e como lidar melhor com a ansiedade e a frustração. Hoje gostaria de falar com você sobre uma emoção que às vezes pode nos tirar completamente do controle e causar um grande estrago em nossas vidas: a raiva.

Mas antes de falar sobre ela, você já parou para pensar o que são exatamente as emoções?

Elas não apenas dão mais cor à nossa vida, mas as emoções são pacotes de informações que nos sinalizam algo muito importante e por isso é crucial saber identificar e analisar elas, para tirar o melhor proveito de cada uma e tomar as melhores decisões. Estes pacotes de informações são então, na verdade, o conhecimento acumulado não apenas das suas experiências passadas, mas também o conhecimento gerado pela evolução da espécie humana. Sendo conscientes ou inconscientes, as emoções são recheadas com milhões de informações e que, quando bem utilizadas, nos permitem responder de forma mais adequada aos desafios da vida. O que devemos evitar são os extremos das emoções, que, como tudo, quando em desequilíbrio pode causar um grande impacto negativo. Por exemplo, um medo que vira fobia, uma ansiedade constante que se transforma em uma ansiedade crônica ou uma tristeza que se transforma em depressão. Mas e como fazer isso? Como se prevenir contra estes extremos?

O segredo está na sabedoria, que, como vimos no artigo anterior, podemos definir como o equilíbrio entre a sua mente racional e a sua mente emocional. Bem, acredito que não preciso te convencer sobre a importância da nossa mente racional. Nossa cultura ocidental preza muito por ela, precisamos ser “racionais”, deixar as emoções de lado se queremos ter sucesso na vida, certo? Errado.

Errado porque a nossa mente emocional trabalha de mãos dadas com a nossa mente racional. Ter consciência das suas emoções e do que está por trás delas te permite avaliar as situações de maneira mais completa: que carreira você vai seguir, se fica ou sai de um emprego que te dá estabilidade para ser mais feliz, com quem namorar ou casar, onde viver, se deve arriscar um novo negócio, são todas decisões que não podem ser tomadas apenas com a razão, mas exigem intuição e sabedoria emocional.

Mas aqui, novamente, o segredo está na sabedoria: neste equilíbrio entre o seu racional e o seu emocional para que você tire o melhor de cada situação. Assim, também é importante racionalizar para não permitir que as emoções apenas governem a sua vida. Enquanto as emoções são uma resposta rápida do seu organismo, com base em tudo o que você já viveu, a razão permite uma análise detalhada, mas lenta, com uma profundidade necessária para avaliar minuciosamente cada situação. Por isso usar ambas a seu favor é tão fundamental.

Mas e a raiva, então? Qual é o seu papel? Qual é a mensagem por trás desta emoção?

A raiva é um sentimento de impotência, uma tentativa de controlar algo ou de que a situação fosse diferente e neste sentido é muito similar à frustração. A raiva em geral é disparada por uma sensação muitas vezes inconsciente de perigo, não apenas vindo de uma ameaça real, mas de forma mais comum, por uma potencial ameaça à nossa autoestima ou dignidade. Também é uma das emoções mais sedutoras e mais difíceis de controlar, pois ela nos inunda com argumentos muitos convincentes para justificar este sentimento.

No entanto, esta mesma força que cresce dentro de nós é responsável por nos impulsionar a agir para superar as dificuldades e o que está te fazendo mal. E neste sentido dá para canalizar a raiva de forma positiva. À princípio esta ideia pode te parecer estranha, mas na verdade você já viu isto acontecer milhares de vezes: uma pessoa indignada com situação social com raiva da injustiça acaba virando uma liderança super atuante, uma pessoa demitida decide virar o seu próprio chefe abrindo um negócio de sucesso; uma criança que teve uma infância difícil acaba se tornando um pai ou uma mãe incrível; uma pessoa que sofre com uma doença grave acaba a superando e saindo dela ainda mais fortalecido.

O que move estas pessoas à princípio é a raiva, é um “não aceitar” a situação. Isto é a raiva sendo canalizada de forma positiva. Claro, estas pessoas tinham a escolha de usar esta raiva para se fechar, fazer mal a si mesmas ou às outras pessoas ao seu redor, mas elas optaram (talvez até de forma inconsciente) por usá-la ao seu favor e por isso saíram vencedoras.

Então, qual é a melhor forma de lidar com a raiva? Quanto mais ruminamos sobre o que nos deixou com raiva, mais justificável nos parece esta emoção. Assim, quanto mais no início do processo você tomar uma atitude, mais efetivo será o resultado. E qual atitude seria esta? Parar de ruminar os motivos da raiva, contestar e reavaliar a situação de outra perspectiva é o antídoto mais poderoso para aplacar este sentimento e reduzir seu poder de ação sobre nós. E dar vazão à raiva pode ser uma boa solução? De jeito nenhum! As explosões de raiva estimulam ainda mais o nosso cérebro, podendo gerar até um sequestro emocional, ou seja, aquele momento quando perdemos totalmente o controle de nossas ações. Muito mais efetivo é primeiro esfriar e depois, de forma construtiva enfrentar a situação para resolver o problema. Assim, não é para eliminar a raiva, muito menos negar ela, mas agir quando você tiver equilibrado para responder de maneira apropriada à situação que você enfrenta.

Agora para te ajudar ainda mais, vamos à algumas dicas práticas para lidar com a raiva no seu dia-a-dia:

Primeiro, não defina nada enquanto estiver irritado para não responder à situação com uma intensidade desproporcional ao que ela pede. Para conseguir se acalmar rapidamente você pode utilizar diversas técnicas informais como a da Respiração, dos 3 passos, do Perdão ou a da Compaixão, todas disponíveis gratuitamente no meu perfil no aplicativo Insight Timer. Com a prática regular você vai conseguir ampliar o espaço entre o estímulo e a resposta onde, nas palavras de Jon Kabat-Zinn é o lugar onde reside nossa liberdade. Ou seja, você ainda vai sentir raiva, mas vai perceber que existe um espaço de tempo onde você pode escolher entre simplesmente reagir mecanicamente ou responder de forma consciente.

Outra possibilidade é você simplesmente se afastar da outra pessoa ou da situação que te causou raiva, se distrair, tirando a atenção do foco que te gerou este sentimento. Neste sentido, a atividade física ajuda por liberar hormônios importantes como a endorfina que nos relaxa e dá aquela sensação de bem-estar, assim, fazer uma caminhada por exemplo, é uma boa solução. Outras distrações como a TV, leitura, cinema, também ajudam nesta distração inicial para que você, depois de esfriar, possa pensar e agir com clareza de pensamentos.

Em seguida conteste e reavalie a situação como um observador externo sem se envolver emocionalmente com os fatos. Procure analisar a situação como alguém de fora, observando tanto o seu ponto de vista como o da outra pessoa envolvida de forma racional, sem ceder a autopiedade ou ao ataque.

Bem, como vimos, as emoções são essenciais, o que precisamos é estar atentos em relação as nossas atitudes ou reações que surgem a partir delas. Você pode sim escolher entre apenas reagir automaticamente ou responder de forma consciente. Quanto mais você praticar no seu dia-a-dia técnicas de observação e gestão das emoções, maior será o seu autocontrole e maior será a sua maturidade emocional.

Não se esqueça que há sempre opções para reagir a uma emoção, e quanto mais meios você tem para lidar com as emoções (como adquirir novos conhecimentos, ampliar seu autoconhecimento, realizar práticas meditativas regularmente), mais rica e mais significativa será a sua vida.

Espero sinceramente que eu tenha ajudado você a ter alguns insights e reflexões importantes. No que eu puder ajudar, estou à disposição. Um abraço e até a próxima!.

USE AS EMOÇÕES “NEGATIVAS” A SEU FAVOR – FRUSTRAÇÃO

17/02/2020 às 14h04

Como todos os seres humanos deste planeta, com certeza você já se sentiu frustrado. E talvez hoje mesmo já tenha passado por um momento de frustração. Mas se este sentimento é tão ruim, porque ele existe mesmo?

A frustração acontece quando a situação que vivemos é diferente do que o que esperávamos. É uma resposta emocional que surge quando alguns desejos e expectativas nossos não foram cumpridos. Está muito relacionada ao sentimento de decepção. É um descompasso entre as suas expectativas e a realidade. A frustração serve de alerta para tomarmos uma atitude em relação à uma determina situação que desgostamos. Neste sentido, ela provoca uma reação nos estimulando a nos reaproximar dos nossos desejos e expectativas. A partir das experiências de frustração é possível aprender, crescer e criar novas e melhores formas de agir no mundo.

Agora, existem alguns aspectos comuns entre as pessoas que frequentemente sentem frustração (veja se você se identifica com algum ou alguns deles:)

a) A pessoa percebe as situações vividas de forma distorcida, só conseguindo enxergar o lado negativo das situações, e não como elas realmente são.

b) A pessoa tem uma tendência a querer controlar todos os acontecimentos, numa busca incessante e irreal pela perfeição.

c) A pessoa se sente incapaz de suportar o desconforto que implica enfrentar situações que não corresponde às suas expectativas e por isso se frustra facilmente.

Mas existem antídotos para lidar com cada um destes aspectos:

No caso de perceber os acontecimentos apenas pelo seu lado negativo, é necessária uma mudança de perspectiva. Não é fácil, mas com a prática você conseguirá aprender a ver os dois lados de cada situação. Lembrando que a realidade não é boa ou má em si mesma, mas que, como vimos no artigo anterior, é a nossa percepção quem determina a nossa realidade.

Para quem tem uma tendência controladora ou de busca pela perfeição o antídoto é a aceitação, saber que ninguém é perfeito, que a perfeição em si não existe (o que é perfeito para mim não é para você, e tudo bem), mas que podemos sim, dar o melhor de nós em cada situação e se algo der errado, aprenderemos com isso e seremos pessoas melhores à partir destes aprendizados.

Já para quem não suporta o desconforto das situações difíceis da vida o antídoto é o fortalecimento da resiliência, ou seja, da capacidade de se recuperar ou se adaptar às dificuldades e às mudanças e aprender com elas. Neste sentido, as práticas meditativas auxiliam muito a desenvolver resiliência e a manter esta serenidade, que nos ajuda a encarar com sabedoria qualquer situação. Não significa que as dificuldades não existirão, elas sempre vão existir, mas significa que você conseguirá lidar com elas de uma maneira muito mais sábia e tranquila. Afinal, como já dizia um mestre, nós não podemos remover todas as pedras do nosso caminho, mas podemos sim proteger os nossos pés.

E por falar em sabedoria, você sabe o que ela é? A sabedoria é o equilíbrio entre a nossa mente racional e a nossa mente emocional. Ambas são necessárias para lidar com os desafios do nosso dia-a-dia. Não podemos pender nem apenas para um lado, nem para o outro. Por isso, você perceberá que a solução para colocar ao nosso favor emoções intensas como o estresse, a frustração e a ansiedade, é justamente trazê-las para o racional, não as suprimir, mas trazê-las para a sua consciência refletindo sobre o que elas sinalizam e o que pode ser feito à respeito. Neste sentido, trago para você algumas dicas práticas que te ajudarão a lidar melhor com a frustração:

1. Tenha em mente expectativas realistas. Se não for algo que você pode controlar, a aceitação (que não significa aprovação) é o caminho. Não significa que você está de acordo com o que aconteceu, mas que aceita a realidade dos fatos e lidará com eles a partir disso. Tenha clareza do seu poder de atuação, tomando a responsabilidade somente pelo que lhe cabe, ou seja: pelas suas próprias emoções, pensamentos e atitudes. Note que mesmo em uma situação que você não pode controlar, tomar a responsabilidade por aquilo que lhe cabe é sempre um ato de empoderamento. Uma vítima, não tem poder, está totalmente privada dele. Mas uma pessoa que toma a responsabilidade para si se empodera e pode tomar uma atitude mesmo em uma situação desfavorável e que não está sob o seu controle: seja mudar os seus planos tenho em vista um objetivo maior, ter uma reação diferente ou aprender com a experiência para ser alguém melhor.

2. Mude a sua perspectiva, mantendo o seu foco, ou seja, mantendo o seu objetivo maior. Recorde-se qual é o seu objetivo maior nesta situação. Por exemplo, se você esteve frustrado porque chegou atrasado para uma reunião importante, lembre-se que o seu objetivo maior é ter uma boa reunião. Então, ficar nervoso ou remoendo o que passou só vai te distanciar ainda mais do seu objetivo final. Da mesma forma, se você ficou frustrado por ter se desentendido com alguém, qual é o seu maior objetivo? Ter uma relação boa com essa pessoa? Ser feliz?

3. Perceba a frustração como algo que pode contribuir para o seu sucesso ao invés de sinalizar um “fracasso”. Use efetivamente os seus erros como lições para o seu sucesso. Parece cliché, mas esta é justamente a diferença entre as pessoas “na média” e as pessoas de alta performance. Elas efetivamente aprendem com os seus próprios erros e buscam se aprimorar a cada dia.

4. Quando não houver saída, quando a situação não está sob o seu controle de nenhuma forma, faça novos planos. Quando você aceita e reconhece que algo terminou ou não deu certo, você conseguirá definir novas metas tendo em mente o seu verdadeiro propósito.

Espero sinceramente que as reflexões e dicas de hoje tenham ajudado você de alguma forma. No próximo artigo falaremos de uma emoção que às vezes pode nos tirar totalmente do controle: a raiva. A boa notícia é que existem sim formas efetivas para que você esteja no controle e não as suas emoções. Ficou curioso? Para saber mais, encontro você lá!

USE AS EMOÇÕES “NEGATIVAS” A SEU FAVOR: ANSIEDADE

03/02/2020 às 15h26

Você já percebeu que é a nossa percepção quem determina a nossa realidade? Por exemplo, mesmo a dor física que pode ser extremamente desagradável para a maioria de nós, pode não ser e até causar prazer para outras pessoas. Uma mesma situação de desafio, seja um esporte radical ou alguma situação no trabalho, para alguns pode ser aterrorizante, para outros, ser estimulante. Percebe?

Não é a realidade em si quem determina se algo é bom ruim, mas como você interpreta esta realidade. O mesmo acontece com as nossas emoções negativas. É que claro que sentir emoções negativas não é agradável para ninguém, mas como as percebemos e agimos em relação a elas é a diferença entre ficar sofrendo ou tirar algo bom da situação vivida.

Muitas vezes temos esta percepção apenas quando o sentimento já foi embora, apenas quando saímos dele podemos olhar como um observador externo para entender o que foi aquilo. Quando estamos mergulhados na tristeza, na raiva, na ansiedade ou outra emoção negativa nossa percepção fica naturalmente “embaçada” porque muitos sentimentos e emoções afloram nos impedindo de ter uma perspectiva apurada sobre o assunto.

Agora, outro ponto crucial em relação às emoções negativas é que elas sinalizam algo muito importante para nós e, portanto, precisamos aprender a escutá-las e compreendê-las para podermos tirar o melhor proveito possível delas. Mas o que elas são e o que indicam exatamente? Neste e nos próximos artigos vamos tratar das 10 emoções ditas “negativas” mais comuns em nossas vidas: ansiedade, frustração, raiva, dor, sofrimento, tristeza, estresse, ressentimento, medo e inveja.

Começando pela ansiedade, você pode me perguntar: “Mas Juliana, a ansiedade não tem nada de bom! Porque ela existe? ”

Bom, para te responder isso, primeiro precisamos entender exatamente o que é esta emoção. A ansiedade é um estado de apreensão provocado pela antecipação de uma situação desagradável ou perigosa, seja este perigo real ou imaginário. Ela corresponde também a uma preocupação, uma vigilância para detectar perigos potenciais e pensar em formas de como você pode lidar com eles, projetando então soluções para cada situação.

Mas é claro que se antecipar a um projeto e planejar como resolvê-lo é útil, mas pensar pela milionésima vez que você vai falhar em realizar alguma coisa não apenas não é útil como pode te prejudicar. A ansiedade pode se transformar em um problema quando atinge um alto nível e muita regularidade, começando a interferir na nossa saúde e/ou nos nossos relacionamentos. Quando ela acontece de forma regular, em geral, pode não haver um fator propriamente dito que a desencadeie ou então ele é desproporcional ao que desencadeou estes sentimentos. Por exemplo, ficar ansioso porque você vai realizar uma apresentação importante no dia seguinte pode fazer sentido; mas ficar imaginando que as pessoas vão rir de você, que será um desastre e você será demitido trata-se apenas de imaginar algo e não uma situação real.

Então, como colocar a ansiedade a nosso favor? Neste caso, para a cura de um mal que essencialmente se trata de se “pré-ocupar”, de focar sempre neste futuro imaginário, as práticas meditativas regulares são essenciais, justamente por te ancorarem no agora, por te ajudarem a ser mais gentil com você mesmo e a entender as suas próprias experiências, deixando também mais claro o que são preocupações reais e o que são apenas imaginárias.

Além disso, existem duas estratégias que podem te ajudar a lidar melhor com a ansiedade:

1). Quando você estiver passando por um momento de ansiedade lembre-se de que os seus pensamentos não são irracionais, claro, mas também não são necessariamente verdadeiros. Eles são apenas projeções da sua mente e não refletem necessariamente a realidade. Então nestas horas, procure racionalizar, identificar o que você sente, dando um peso real para as suas preocupações. Pergunte-se: isso é útil? Pensar que você pode perder um compromisso importante no dia seguinte é útil, mas lembrar disso pela 27a vez e não poder fazer mais nada a respeito não é. Então seja gentil com você mesmo, não se pressionando mais do que a situação realmente exige.

2). Quando você está ansioso, mudar o foco da sua atenção é fundamental. Por exemplo, foque a sua atenção na respiração apenas. Vários estudos comprovam que mudar o foco da sua atenção, influencia diretamente no seu estado emocional. Você também pode usar a técnica “RAIN” (chuva em inglês): sendo “R” de reconhecer (ou seja, reconheça que você está sentindo naquele momento, de forma gentil com você mesmo), “A” de aceitar (aceite que você está passando por isso e que tudo bem, somos todos humanos e sempre enfrentamos desafios, todos os dias), “I” de investigar (investigue racionalmente porquê você está neste estado emocional) e “N” de não se identificar (não se identifique com esta emoção, procure desapegar e deixar ela ir, lembrando-se de que o que você está vivendo é apenas um estado mental passageiro e que agora, no presente, está tudo bem).

3). Fazer práticas meditativas regulares também ajuda muito a manter as suas emoções sob controle, assim você tira a sua mente desta ocupação no futuro e coloca ela justamente com o foco no aqui e agora, um lugar seguro e onde está tudo bem. Para começar a praticar, uma excelente dica é usar o aplicativo gratuito Insight Timer. Lá você encontra práticas para todos os gostos e estilos, além de músicas e podcasts. No meu perfil por exemplo você encontra meditações para diferentes momentos e necessidades, como para dormir bem, ter mais equilíbrio emocional, aumentar a autoestima, definir suas intenções para o dia, entre muitas outras. Para a ansiedade eu recomendo a você especialmente a prática “3 passos para a estabilidade emocional”. Tenho certeza de que com ela você se sentirá muito melhor. Depois poste como foi a experiência para você, que vou adorar saber!

No próximo artigo falaremos sobre uma emoção que surge quando nossas expectativas não condizem com a realidade e que é extremamente desconfortável: a frustração. Será que ela também tem seu lado positivo? Descobriremos isso juntos no próximo artigo. Até lá!