Revista Statto

O MISTÉRIO DOS 20 E POUCOS ANOS

15/03/2020 às 10h14

A VIDA ESTÁ MEIO ENSOSSA…. AND I AM WAY TOO GANGSTA FOR THAT!

Pensando nos últimos 2 anos, parece que algo perdeu um pouco do brilho. Ali naquela virada dos 25-26, ou 26-27 anos. Particularmente depois de muitos acontecimentos negativos, é como se algo tivesse desbotado. Seria eu sensível demais, ou será que isso está acontecendo com outras pessoas? Numa pesquisa pela internet acabei encontrando um vídeo do Fred Elboni falando exatamente sobre essa sensação estranha de perda de euforia, do entusiasmo. Pensei é, está rolando com uma galera. Com essa geração. A primeira leva dos millennials.

Para quem é bastante intenso, ou sempre foi, isso causa um certo desespero, ao menos comigo. Você que antes sentia uma euforia com qualquer ideia de passeio, ou aventura, até com uma chuva caindo gerava algum tipo de prazer e bem-estar, agora parece não ver brilho em quase nada. Você já se assegurou que não é depressão. É simplesmente uma queda na intensidade das coisas, parece que tá tudo desbotando, sem graça mesmo, sem sentido. A quem fuja disso nas drogas, mas você apenas está tentando recuperar aquela pessoa que você costumava ser. Eu não pedi para mudar, porque está tudo diferente? Como se eu precisasse de mais complicações.

Ao mesmo tempo que escrevo, penso que poderia ir à praia hoje, me agilizar para fazer algo. Porém ficar em casa, confortável e segura, escrevendo esse texto parece bem mais interessante e convidativo para essa manhã. É mais ou menos assim: o trabalho e as ambições não parecem mais tão sensacionais, e não te movem mais. Uma perda de paixão. De motivação. Uma perda de gás. E você se questiona da onde eu vou tirar vontade agora? É impossível não se questionar, o porquê de tudo isso. Ouvi dizer em Niilismo, fase de transição que todo adulto passa ou deveria passar. Algo como, você começou a perceber mais a realidade da vida e isso é bastante frustrante, você saiu da caverna do Platão, da idealização, da fase que você só imaginava como as coisas deveriam ser lá fora, e esse desconhecimento te causava excitação, e vontade de desbravar. Mas você já está no mundão, e agora?

Você já estudou, viajou, namorou, se decepcionou, descobriu que suas crenças sobre amor eram baseadas em contos românticos, e que a realidade está bem longe de ser um sonho ou conto de fadas. Talvez você perdeu seu sonho, porque não conseguiu realiza-lo, ou simplesmente você não quer mais ele. Ele não reflete mais o seu eu. E o que você quer agora? Você muitas vezes nem sabe, e isso que mais causa essa sensação de estar perdido. Perdido tentando encontrar um sentindo para sua vida, para tudo isso.

Seria o excesso de tecnologia e informação, tudo parece tão ao alcance, tão fácil, tão chato. São tantas expectativas! Tantas cobranças! E consequentemente tantos julgamentos. Vivemos uma fase fútil e narcísica. E você pode se sentir perdido sobre o que ser e fazer, ou como deve parecer. Você pode se recusar a ser igual, a ser mais um, então você olha amigos bem ajustados, ou tentando, e não se identifica mais com eles. Aqueles encontros leves, sem planos, para rir e falar besteiras já não existem mais, porque agora são tantos requisitos para estar junto. A dificuldade em abrir mão do que se quer em prol de dividir momentos. Escuto frequentemente a frase, “estou aqui se quiser aparece”. E essa frieza aniquila qualquer resquício de entusiasmo que possa restar. São poucos os que como eu, ainda fazem esforço para estarem juntos. Todos têm a vida programada e organizada em metas agora. Inclusive o lazer! Eles podem até parecem estranhos para você. Mas então? Nem com os antigos amigos você se sente mais à vontade. Parece que não existe mais fluidez e espontaneidade.

Muitos millenials partilham das mesmas aflições. Assim como eu acho que o mundo lá fora está diferente. Está estranho. As pessoas também. Porque o modo de viver mudou. Os costumes, os padrões de beleza, de vida, e relacionamento se globalizaram. Estamos tentando entender as novas exigências. E eu não proponho uma solução final para esse texto, mesmo porque eu também estou no processo de compreensão. Dessa nova era. Dessa nova fase de amadurecimento. Tentando encontrar meu caminho. Minha verdade. Buscando uma razão. Uma desculpa. Um propósito. Um motivo maior que me mova outra vez. Ir ao psiquiatra, orar, meditar, fazer terapia, são alternativas válidas para garantir a nossa saúde mental e também reconexão com o verdadeiro “eu”.

A vida parece ter virando uma maratona de obrigações, sem um prêmio final. Talvez uma perda da capacidade de ser leve? De ver o sentido da vida? Acredito que no fundo, nossa geração como um todo está confusa, tentando encontrar um caminho, ficar bem (para muitos isso significa se adaptar), se compreender. Porque afinal, a vida não vem com manual de instrução. Apenas defini, que não quero me adaptar ao life style atual imposto, inconstante e frenético. Simplesmente porque adaptação significa acomodação, e isso não combina com quem quer viver a sua própria verdade, fiel ao seu modo de enxergar a vida. O que você anda fazendo da sua vida? Me deixe saber. Vamos trocar.