Revista Statto

DOAR ÓRGÃOS, VAI MUITO MAIS ALÉM DO QUE SALVAR UMA VIDA

28/11/2020 às 11h07

Lidar com a morte de um ente querido é muito difícil. E fazer com que essa morte se transforme em esperança para as pessoas que aguardam anos, em uma fila de transplante de órgãos, é o que nos torna seres humanos.

O primeiro transplante de órgãos entre dois gêmeos idênticos, aconteceu nos Estado Unidos em 1954. Porém foi na década de 60 que os médicos descobriram um meio de realizar um transplante de órgãos entre não parentes, sem que houvesse rejeição. Mas os riscos eram altos e as chances de sobreviver após a cirurgia eram muito baixas. E foi a partir da década de 80 que os medicamentos imunossupressores (usados para evitar a rejeição do órgão transplantado), tiveram uma significativa evolução. Possibilitando a prática de transplantes de órgão e tecidos. No entanto, ainda faltava superar a falta de informação e o preconceito.

O transplante de órgãos no Brasil

O Brasil é referência mundial em transplantes e possui o maior sistema público de transplantes do mundo. Atualmente cerca de 96% dos procedimentos de todo o país são financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em números absolutos o Brasil é o segundo maior transplantador do mundo. Ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Existem dois tipos de doadores.

O primeiro é o doador vivo, que pode ser qualquer pessoa que queira doar, desde que não prejudique a sua própria saúde. Esse tipo de doador pode doar um dos rins, uma parte do fígado, parte da medula óssea ou uma parte do pulmão.

O segundo é o doador falecido, que são os pacientes com morte encefálica (perda completa e irreversível das funções corticais e de tronco cerebral). Nesse caso, deverá haver a autorização de um familiar. Sem essa autorização a doação não poderá ser realizada.

Um único doador tem a possibilidade de salvar ou melhorar a qualidade de vida de mais de vinte pessoas.

Os órgãos doados vão para pacientes que esperam por esse transplante e que aguardam em uma lista única, definida pela Central de Transplante da Secretaria de Saúde de cada estado e controlado pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

Se você quer ser um doador avise a sua família sobre o seu desejo

A morte de pessoas que amamos é uma dor imensurável. E diante de tanta tristeza, podemos fazer nascer algo maravilhoso. Todos nós podemos oferecer a condição para que outras pessoas tenham uma qualidade de vida melhor. Para que tenham a chance de continuar vivendo.

Vários são os sentimentos que acompanham quem aguarda por um doador. Aprender a conviver diariamente com o medo, insegurança, ansiedade, angústia e ao mesmo tempo não deixar que a fé abandone toda essa espera.

A expectativa faz parte do dia-a-dia de quem luta por um transplante. A possibilidade de uma segunda chance, é um dos infinitos sentimentos que acompanham cada uma das pessoas que vivem um dia de cada vez, esperando o recebimento de um coração, de um pulmão, um rim, tecido, córnea, fígado, ossos. Pessoas que dependem do amor do próximo.

Doar é muito mais do que salvar uma vida. É amor, é nobreza, é a condição que eu tenho de fazer com que a minha tristeza se transforme na felicidade de outra pessoa. É a condição de fazer com que aquela perda que eu tive, se transforme na oportunidade que outra pessoa tem para viver.

Transplante é sinônimo de humanidade e de esperança. É fazer com que o coração do seu filho permita que o filho de uma outra pessoa continue vivendo. É fazer com que a minha morte, seja a chance de manter viva outras vinte pessoas.

A doação de órgãos é o maior ato de amor e de generosidade com o próximo e consigo mesmo.

PARA O BOM CIUMENTO, MEIA INFORMAÇÃO BASTA

04/11/2020 às 09h22

Substantivo Masculino

Estado emocional complexo que envolve um sentimento penoso provocado em relação a uma pessoa de que se pretende o amor exclusivo; receio de que o ente amado dedique seu afeto a outrem; zelo.

Sentimento esse que acompanha o homem desde o início dos tempos. Várias são as passagens bíblicas que o citam. Tão grande é seu poder que pode causar um desassossego sombrio no interior de uma pessoa.

Shakespeare chamou o ciúme de “Monstro dos olhos verdes”.

Em português, deriva do grego ‘zelus’. ‘Zelumen’ no latim.

É importante não confundir zelar por alguém, em sentir ciúmes de alguém. Porque quem zela, cuida, protege. Zelar é estar muito mais preocupado com o bem-estar do outro do que o de si mesmo. Enquanto o ciúme, causa amargura, sofrimento e desconfiança, juntamente como o medo de ser traído e abandonado.

O ciúme pode virar um transtorno, indo do leve, ao moderado ou grave. E com a necessidade de ser tratado a partir do momento que incomoda a pessoa que o sente e o outro. O caso patológico, ocorre quando a pessoa ciumenta apresenta delírios de que está sendo traída pelo seu parceiro, acreditando fielmente em situações criadas apenas em sua mente.

O ciúme é possessivo. Ele controla e aprisiona. Muitas pessoas abandonam amizades, hábitos e chegam a renunciar ao emprego devido ao ciúme de seu parceiro. É um sentimento que pode vir acompanhado de violência verbal e até mesmo física. Além de uma total perda de privacidade, como ter suas bolsas e celulares vasculhados. E exigentes explicações de qualquer tipo de situação que a pessoa ciumenta julgue suspeita.

É fundamental entender e aceitar que o ciúme é um sentimento de total responsabilidade da pessoa que o sente. Seu parceiro não é culpado pelo seu ciúme, pela sua insegurança.

Cabe a cada um analisar a sua vida, seu relacionamento.

Conversar com seu parceiro é uma boa saída para começar a resolver o problema. Caso isso não dê certo se propõe intervenções psicológicas. A psicoterapia é de importante ajuda nas questões emocionais.

Mas seja qual for o motivo de todo esse ciúme, é importante saber que a origem dele está nas escolhas de cada um.

No livro “Pensar bem nos faz bem”! Editora Vozes – Mario Sergio Cortella diz:

Quem não gosta de gente que zela pelas nossas coisas”? (…). Mas temos que lembrar que a palavra “zelo”, originalmente no grego, significa ciúme, que algumas vezes encontra terreno na posse obsessiva. Ser ciumento é diferente de ser zeloso. Uma pessoa zelosa é aquela que cuida, mas não é aquela que esconde, que impede que o outro se aproxime, que impede que as outras pessoas tenham a condição de partilha.

Zelar por algo é fazer com que a integridade – de uma ideia, de um objeto, de uma pessoa, de um lugar – seja preservada, mantida inteira e, portanto, não tenha rachaduras, nem ameaças”.