Revista Statto

NA SOLIDÃO, ESPERANÇA E FÉ

20/11/2020 às 15h54

A solidão é sorrateira. Chega sem pedir licença. Ela traz consigo a ansiedade, que faz morada e acelera o seu coração. A apatia se instala e noites insones se apresentam intermináveis.

Um turbilhão de pensamentos e questionamentos invadem a sua mente.

Você sabe que a vida tem esses contra-tempos e a solidão pode chegar a qualquer momento. E que é preciso ser forte para aproveitar cada segundo “como se não houvesse amanhã”, mas nesse exato instante você não reúne forças. Ainda não.

Nesse momento de profundo isolamento, você tenta refletir sobre a sua jornada e sobre quem você é.

Você se pergunta o porquê desse sentimento de solidão sem motivo aparente? Você até pensa na lei do retorno, mas se lembra de que nunca esteve ausente na vida das pessoas.

E continua não encontrando respostas. Lembra-se ainda da dedicação incansável aos seus amados. Perde as contas do quanto deixou de fazer por si mesma, por vontade própria, claro.

Reflete sobre a sua invisibilidade, sobre a sua pouca importância e a sua inutilidade perante ao mundo, pelo simples fato de estar envelhecendo. E também se pergunta se não estaria sendo trágica demais.

Em outro instante, você se recorda da alegria que sentiu, um dia desses, por ter conversado rapidamente com uma criança de quatro anos e que ela, esse ser incrível, que está acima da sua cabeça, vez ou outra, pensa em você com carinho, e se preocupa com o seu bem-estar. Isso é muito mais do que você poderia esperar. Você sorri.

De repente, como num insight, você lembra também que existe algo maior, invisível aos olhos e que sempre estará por perto, dentro de você, mesmo que você insista, inconscientemente, em esquecer.

O amor do universo por você. Ele traz a fé e a esperança que você precisa e isso te conforta.

O QUE REALMENTE IMPORTA?

16/08/2020 às 10h40

A vida é apaixonante, diversa, contraditória…

Nossa luta será sempre em busca de algo novo, de algo sensacional que nos aconteça, e da felicidade. Não há mal algum nisso, mas você já se perguntou por que realmente viemos ao mundo e por que as coisas acontecem de maneiras tão diversas aos nossos desejos?

Por que desejamos a eternidade e por que nunca estamos preparados para perder alguém?

Por que nunca estamos totalmente felizes?

Por que precisamos da aprovação e aceitação dos nossos pares?

São perguntas sem respostas, e que nos fazem refletir sobre o nosso lugar no mundo e o que fazemos da nossa vida quando deixamos de vivê-la em sua plenitude ao invés de nos importarmos com o modo como as pessoas nos veem.

Comecemos por tomar consciência de que as “coisas” que adquirimos, muitas vezes sem necessidade, são superficiais, efêmeras e não privilegiam a nossa essência.

Que o mundo é realmente contraditório e a indiferença se faz presente, mas ao mesmo tempo é repleto de pessoas com muito desprendimento, amor e compaixão pelo próximo.

Estamos aqui de passagem e nesse breve momento, torna-se necessário que consigamos estar em harmonia com tudo ao nosso redor. Provavelmente não alcançaremos o máximo que desejamos, mas podemos perpetuar o que fizermos de melhor para o bem de tantos.

Basta um olhar atento às pessoas que nos cercam e que carecem desse olhar afetuoso, ou de um gesto solidário, da nossa compaixão e da nossa escuta apaixonada.

Todos buscamos uma vida perfeita, mas o que de verdade nos torna plenos é o que fazemos para proporcionar o bem às pessoas, é a nossa paz e a nossa sintonia com a beleza do universo.

A isso damos o nome de felicidade!

09/07/2020 às 10h09

Talvez seja difícil manter a fé num mundo com tantas pessoas hostis e que não conseguem perdoar, mas é preciso seguir acreditando…

Nem sempre as coisas acontecem como desejamos, mas a clareza de que os planos são os melhores possíveis, é a certeza que precisamos.

Acredite! Todos têm capacidade para ressignificar e refazer o percurso. Todos têm capacidade para usar a resiliência consigo mesmo e praticar a empatia com os demais.

A simples ação de nos ajoelharmos para orar por algo ou por alguém, nos impulsiona à magnitude. Neste momento sublime e de intimidade com o nosso eu, podemos sentir a força do universo e a presença de Deus nos ouvindo, nos guiando e amparando.

É preciso reforçar e renovar a esperança de que dias melhores estão por vir trazendo mais boa-fé e perdão entre os homens.

Comecemos o dia com fé e desejando o bem. Acredite, tudo vai ficar mais fácil.

ESCRITORA DE BLUMENAU LANÇA LIVRO EM HOMENAGEM A NETO COM CONDIÇÃO GENÉTICA RARA.

25/06/2020 às 08h23

A escritora Lilia Monteiro lançou, no mês de maio, “Os Diários de Luke Wygand”, publicado pela Construtores de Memórias. Baseado em fatos reais, a partir do cotidiano da família Wygand, a autora se faz porta-voz do neto, o pequeno Luke. Pela perspectiva infantil, o leitor acompanhará os desafios de crescer com uma condição genética rara, num país onde há mais perspectiva de desenvolvimento.

Luke é o único filho do casal de ex-triatletas Richard e Carol, moradores da cidade de Broomfield, no Colorado, EUA. Seu nascimento, no dia 6 de julho de 2016, no estado americano da Flórida, foi cercado de preocupação. Após 28 horas de trabalho de parto, o bebê foi transferido com urgência para uma UTI Neonatal, onde ficou internado para uma série de exames, testes, além de cirurgias arriscadas.

Após três meses de internação, o diagnóstico conclusivo apontou para uma síndrome que compromete o desenvolvimento motor, denominada miopatia nemalínica. Seu quadro é dos mais severos e, desde os primeiros dias, Luke luta diariamente para superar as adversidades provocadas pela falta de tônus muscular. Embora tenha apresentado progresso nos últimos anos, sobretudo pelo esforço dos pais em proporcionar os melhores tratamentos físicos conhecidos, ele tem dificuldade para movimentar braços, pernas e pescoço, necessita de cuidado permanente e auxílio de aparelhos para respirar e se alimentar.

O livro “Os diários de Luke Wygand” foi concebido sob essa realidade complexa, que proporciona momentos de variadas sensações, com intervalos curtos entre picos de tensão, alívio, novos aprendizados e muito senso de gratidão. A narrativa de Lilia foge ao tom dramático comum às histórias de superação. Assim como no primeiro volume da série sobre o neto, intitulado “Os diários de um baby” (Oficina das Letras, 2017), a autora inspirou-se mais uma vez na maneira lúdica e amorosa que o jovem casal conduz a criação do filho, retratando os aprendizados que todos da família colhem a cada novo desafio (resumo no anexo do e-mail, arquivo intitulado “O despertar na UTI”). O resultado é um texto leve, criativo e sentimental.

“No princípio, pensei no livro como um conforto para minha filha Carol e seu marido. Na medida em que fui escrevendo, quis traduzir a admiração que tenho pela dedicação e zelo dela e os esforços do Richard para inventar soluções que deixam a vida do meu neto mais divertida”, comenta.

Prestes a completar 4 anos, Luke apresenta um ótimo desenvolvimento intelectual. Nas interações com familiares e amigos, reproduzidas no livro, Luke demonstra emoções e inteligência compatíveis com crianças até mais velhas do que ele. Em mais de um capítulo, a avó coruja deixa marcado o orgulho que sente pelas capacidades do neto. São momentos de diálogo entre os dois, em que ela compartilha ao neto a crença de que ainda o verá como cientista famoso.

“Luke nos surpreende diariamente com sua capacidade e vontade de aprender. Ele gosta de música em coreano, entende Português, Inglês e Espanhol, e conhece muitas palavras, transmitidas pelo talker (equipamento que converte toques do Luke em mensagens de áudio)” contou a avó e escritora.

Como autora das duas únicas obras literárias sobre miopatia nemalínica no Brasil, outro propósito de Lilia é sensibilizar o máximo de pessoas sobre a importância de haver mais investimentos em políticas públicas e pesquisas científicas voltadas ao apoio de famílias que convivem com portadores de doenças raras.

“Acredito que Luke possa ser uma referência para pessoas em situação parecida, que precisam do mínimo de acesso a soluções que viabilizem uma melhor qualidade de vida. Mais do que isso, acho que o exemplo da família da minha filha pode inspirar a melhora de qualquer relação de afeto”, disse.

Para o editor da obra Marcone Tavella, “ os leitores vão abraçar uma causa de amor, positiva, que irá refletir sobre a dimensão de suas próprias relações pessoais e os problemas mais complexos para darem mais valor à vida”.

Segundo o editor, não há fins lucrativos com a comercialização dos exemplares. O valor arrecadado, além de custear as despesas com o livro, irá apoiar causas que envolvam doenças raras. As vendas são feitas pelo site www.diariosdelukewygand.com, pelo valor de R$ 39,90.

Sobre miopatia nemalínica

As miopatias congênitas formam um grupo amplo, embora raro, de doenças neuromusculares. A mais frequente das miopatias é a nemalínica, que representa 17% dos casos. Ainda assim, esta doença genética atinge um percentual pequeno, um a cada 57 mil nascidos. Não há cura, no momento, para a síndrome, assim como são poucas as conclusões dos cientistas sobre essa ocorrência nos genes, o que deixa os pais e as famílias desamparadas de um apoio eficaz para lidarem com a questão.

Uma biópsia do músculo de uma pessoa com MN (miopatia nemalíca) mostra bastões lineares atípicos em meio às células musculares. Pessoas com MN normalmente experimentam desenvolvimento motor atrasado e fraqueza nos músculos dos braços, pernas, tronco, pescoço e rosto. Como visto pelo exemplo do Luke, a condição genética não afeta o intelecto e as emoções. O paciente pode ter um desenvolvimento cognitivo saudável e estabelecer boa comunicação, se estimulado.

Os tratamentos existentes restringem-se ao estímulo do desenvolvimento motor, da comunicação e no aumento da expectativa de vida do paciente. As opções de terapias variam entre ventilação noturna, tubo alimentar, fisioterapia, fonoaudiologia, atividade física, além do uso contínuo de antibióticos, uma vez que infecções pulmonares são frequentes.

Tão raro quanto pesquisas sobre miopatia nemalínica no Brasil são livros sobre a doença. No país, há apenas publicações sobre pesquisas científicas e, ainda assim, poucos exemplares disponíveis ao público. Até o lançamento de “Os diários de um baby”, da mesma Lilia Monteiro, não havia um título que mostrasse como pais podem lidar com situações envolvendo o diagnóstico de miopatia nemalínica em seus filhos, por exemplo.

Os principais laboratórios de pesquisa em genética com publicações sobre as miopatias estão em Boston, nos Estados Unidos, na Finlândia e na Austrália. No Brasil, os dois centros que investigam doenças neuromusculares estão situados na capital paulista, na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), ligada ao Hospital São Paulo, e no Instituto Central do Hospital das Clínicas, da USP (Universidade de São Paulo).

Sobre a autora

Lilia Monteiro graduou-se em Serviço Social pela Universidade Regional de Blumenau, Santa Catarina (Furb). Possui especialização em Metodologia de Trabalho com Crianças e Adolescentes e mestrado em Desenvolvimento Regional. Exerceu o cargo de Assistente Social no Hospital Santa Isabel, em Blumenau, até ingressar no Poder Judiciário de Santa Catarina. Em 2017, lançou o livro “Diários de um baby”, pela editora Oficina das Letras, edição que foi traduzida para a Língua Inglesa. A autora é natural de Niterói-RJ, mas mudou-se para o Sul há mais de 40 anos. Morou em Curitiba-PR, onde casou-se e teve três filhos e, atualmente, vive em Blumenau.

Sobre a Construtores de Memórias

Com sede em Florianópolis e atuação em todo país, a Construtores de Memórias é uma agência de narrativas especializada em produções biográficas e institucionais. Além de produções próprias, a marca presta serviços editoriais para publicação de obras de autores independentes.

Mais informações em www.construtoresdememorias.com.br

No Instagram, o perfil da empresa é o @construtoresdememorias.

GRATIDÃO

20/06/2020 às 13h21

Somos todos marinheiros de primeira viagem quando algo que não esperávamos aporta em nosso convés. São ondas revoltas, durante uma tempestade, que nos deixam à deriva.

Muitas vezes, diante da incredulidade, não sabemos o que dizer, o que fazer, e que caminho tomar. Mas Deus tem sempre um olhar carinhoso, que nos permite acreditar que tudo podemos quando nos fortalecemos Nele.

Algumas vezes a gente quer ser forte, e tenta não chorar para não entristecer quem está ao lado. Mas há que se confessar. É difícil!

Nos momentos solitários, a gente se entristece, se recente e de alguma forma tenta o conforto consigo mesmo, mas ele não vem. Outras vezes, para simplesmente desabafar, liga para alguém muito próximo e derrama muitas lágrimas.

Somos seres incompletos, imperfeitos, errantes. Falhamos quando, muitas vezes, não valorizamos o que temos ou quando o desamor toma conta dos nossos corações e é preciso estar sempre em vigília.

Mas temos a oportunidade de nos redimirmos, se acreditarmos que a vida deve ser vivida com ternura, esperança, delicadeza, fé e amor, apesar de tudo.

Podemos ser gratos pela família que temos, mesmo sabendo que nem sempre ela está de acordo com aquilo que acreditamos.

Podemos ser gratos pela nossa saúde, pelos nossos pais, pelos filhos, pelos netos, pelos amigos, por tudo, mas principalmente por ter a quem amar e por ser amado.

Se acreditarmos que somos pó da terra e um simples sopro pode nos levar para outra dimensão, esqueceremos as mágoas, a raiva, deixaremos a amargura de lado, viveremos apaixonadamente e sem medo de ser feliz.