Revista Statto

QUAL O ENREDO DA SUA VIDA?

24/08/2020 às 09h30

Chega um tempo que se torna necessário, essencial, acordar para a vida. Não a vida em pedaços, em cacos, mas a vida por inteiro, e se preocupar apenas com quem gosta da gente, quem nos procura, quem nos ouve, quem nos entende mesmo quando não concorda com a gente, quem nos respeita, quem nos orienta, quem nos admira mesmo nas pequeninas coisas, quem sente saudade, quem leva a gente no pensamento e no coração. Se importar menos com as pessoas que não agregam. Sabe aquela pessoa que você não vê a hora de abraçar? É com essa pessoa que você deve se importar.

Chega um tempo que a gente amadurece, cresce, e isso não tem nada a ver com idade, tem a ver com saber perceber a vida, enxergar com “olhos de ver”. E então num belo dia a gente descobre que quem mais gosta da gente às vezes nem é parente, nem amigo de infância. Pode ser alguém que cruza o nosso caminho assim de repente, pode ser também aquela pessoa com a qual você até pensava que nem podia contar. O importante mesmo é saber que você cativou aquele coração e uma parte de você vai permanecer ali dentro para sempre, não importa quantos invernos passarem, porque na verdade quando um coração se torna aquecido é verão o ano inteiro.

Quando a gente descobre aquilo que é essencial para nossa sobrevivência emocional, tudo se torna claro. A vida tem uma importância muito maior. Paramos de nos preocupar com o que não é essencial e começamos a nos respeitar mais. E que momento maravilhoso esse em que vivemos para termos essa tomada de consciência!

Todas as situações têm seu lado bom, basta que tenhamos olhos atentos. Vamos valorizar o hoje, pois o amanhã é (e sempre foi) incerto. O ontem já passou e não dá para mudar as situações dolorosas ou desastrosas que vivemos, mas dá para mudar nosso sentimento em relação a isso. O que temos em mão agora é o dia de hoje e podemos fazer dele um lindo dia. Respire fundo, feche os olhos e agradeça por estar aqui. Cada um de nós tem uma história para contar, repleta de risos, lágrimas, reviravoltas. Que no final de cada capítulo você possa perdoar, possa rir e relaxar e que lá no final, antes do “The End” você possa dizer: e fomos todos perdoados, amados e compreendidos, pois a vida é para sempre.

PASSEIO DE NOITINHA

23/07/2020 às 16h50

Quando eu era menina meu pai de vez em quando me levava para passear perto de casa. Minha mãe colocava em mim uns sapatinhos de laço, um vestidinho florido e lá ia eu. Eu e meu pai.

Ele me pegava pela mão, abria o portãozinho de casa e descíamos a rua. Eu nos meus passos miúdos, coração pulando alegremente, os cabelos soltos, o vento batendo neles delicadamente. Recordo muito do clima de outono, as flores e folhas caindo das árvores imensas, a pracinha onde os meninos da rua jogavam bola de gude.

Nós descíamos a rua devagar, e eu na minha meninice enxergava tudo muito grande: as pessoas, os carros, o pipoqueiro que ficava na esquina, os cachorros que latiam nos portões da vizinhança.

Eu olhava casa por casa, achando tudo bonito. Um telhado diferente, um portão, uma santinha iluminada em um oratório na parede (muito comum naquela época), um jardim colorido. Eram tantas novidades para uma cabecinha de criança! Pensava comigo mesma: quem mora dentro delas? Como são os móveis? De que cor são as paredes? Será que tem gatinhos? Um aquário? Quantas crianças brincam nesses quintais? Será que já jantaram? Assistem novela ou só gostam de filmes? Será que são felizes?

Esses passeios não aconteciam todo dia, por isso o encanto. Era uma época cheia de brincadeiras lúdicas, sem internet e de céu estrelado como nunca mais vi (depois que cresci).

Na volta do passeio eu sempre pedia para irmos pela outra calçada, para que eu pudesse olhar as outras casas e sonhar acordada com elas, com seus moradores, seus bichinhos de estimação, seus jardins.

Engraçado como esses momentos de alegria pueril marcam nossas memórias de forma permanente e tão vívida, de tal modo que eu chego a sentir o cheiro bom de comida na mesa em uma das tantas casas construídas nas minhas recordações.

SEJA QUEM VOCÊ NASCEU PARA SER

21/07/2020 às 14h22

A vida é um bem tão valioso e muitas vezes só nos damos conta disso quando ela está por um fio. Sabe aquela expressão “Eu era feliz e não sabia”? Pois é.

Acontece que muitas pessoas passam a vida no “automático”. Quando crianças descobrimos as maravilhas da vida: uma borboleta, uma flor, uma cor, as brincadeiras, as cantigas. Na infância aprendemos sobre a convivência, sobre amizade, sobre o amor, a alegria, a tristeza e sobre limites. Ouvimos muitos “nãos”, contestamos, teimamos, pois temos fome de conhecimento, queremos olhar, pegar, manusear, sentir o cheiro, o gosto, queremos ser nós mesmos. Não tememos o perigo, somos pura essência, somos alegria.

Com o passar dos anos somos moldados de acordo com os valores de nossa família e da sociedade. Aprendemos os costumes, adquirimos as crenças e herdamos uma bagagem cheia de procedimentos. Daí saímos para o mundo e tentamos encontrar pessoas com bagagens semelhantes, principalmente se nos sentimos confortáveis com tudo aquilo que assimilamos em casa. Caso contrário, procuramos por novos modelos de convivência.

Geralmente na adolescência ficamos atraídos pela aventura, formamos grupos, queremos fazer parte de algo que nos traga emoção. Alguns se perdem no meio do caminho devido à insegurança, baixa autoestima ou falta de apoio.

Na idade adulta seguimos os passos de nossos antepassados, formamos famílias, geramos filhos e queremos ser diferentes de nossos pais, mas muitas vezes, inconscientemente, tomamos as mesmas atitudes que eles com relação aos nossos filhos.

É um ciclo cheio de culpa, obrigações, crenças limitantes e moldes pré-determinados pela sociedade. Continuamos ouvindo muitos “nãos”. Então entramos no automático. Uma vida pré-fabricada.

É claro que muitos pais são excelentes, assim como muitos de nós estão satisfeitos em seguir o mesmo caminho que eles e não há nada de errado nisso. O problema é quando o indivíduo não se sente totalmente confortável dentro de seu mundo. Infelizmente muitos só se dão conta disso no final da vida.

É claro que esse é um assunto complexo, delicado e cheio de nuances. Cada ser é único e cheio de sentimentos, vontades e escolhas. Somos como caleidoscópios, repletos de cores e reflexos. Eu apenas gostaria de dizer que a vida é um bem de valor imensurável, é um tesouro que deve ser cuidado com todo o amor possível.

Portanto, tenha em mente que cada escolha feita por você vai refletir no seu presente e futuro. Faça escolhas de acordo com o seu coração. Não espere chegar no fim da linha para perceber que você desperdiçou a chance de ser quem você realmente é.

A vida é tão breve! Não perca seu tempo precioso com banalidades, culpa, inveja, temendo o que irão dizer sobre você (porque sempre irão pensar/falar de qualquer forma).

Seja aquilo que você deseja agora, enquanto há tempo. O tempo é efêmero, incerto. Acho que a beleza da vida é você poder usufrui-la com responsabilidade e amor.

O medo é um grande ceifador de sonhos e realizações. Enquanto você sofre por coisas que imagina, a vida passa.

Confie na vida, liberte-se, encontre aquela alegria de criança que ficou guardada no seu interior enquanto você se moldava à sociedade. Resgate seu verdadeiro eu e seja quem você nasceu para ser. Não é fácil, não é da noite para o dia, mas é possível. Escolha ser você.

AMOR E AUTOESTIMA

12/06/2020 às 18h39

Muito se fala sobre autoestima e amor-próprio. No papel parece que é tão fácil amar e respeitar a si mesmo, mas será que na vida real é tão fácil assim? Esse mês comemoramos o Dia dos Namorados. Fiquei aqui pensando nas datas comemorativas e nas pessoas que não se sente incluídas no contexto. Sabemos que no Natal muitos sentem-se tristes por estarem longe da família, solitários, sem motivos para comemoração. No Dia das Mães ou Dia dos Pais o mesmo acontece com quem já não tem a presença física de suas mães ou pais tão queridos.

Bem, no Dia dos Namorados acontece o mesmo. Para quem não tem um amor, mas lida bem com isso, a data é só um apelo comercial. Mas e para aqueles que sentem-se sozinhos, com baixa autoestima? A mídia nos bombardeia com mensagens de amor, comerciais reverenciando casais apaixonados e de alguma forma isso começa a causar desconforto e até uma certa tristeza em algumas pessoas.

Como lidar com esta data de forma que sua autoestima seja preservada e que você passe incólume por ela? Acredito que quando conseguimos nos respeitar, nos conhecer e acima de tudo, quando aprendemos a nos amar de verdade, nenhuma data, nenhuma crítica, nada pode nos abalar a ponto de nos entristecermos por não fazermos parte de um grupo, especialmente de uma data comemorativa. As comemorações passam, o amor concreto fica.

Como eu consigo me respeitar e me amar de verdade? Eu gosto de pensar nos sentimentos que uma criança costuma despertar em nós: doçura, inocência, alegria, encantamento, amor. Essa criança requer o auxílio de um adulto responsável que lhe preserve a vida, a saúde, o bem-estar através do acolhimento, dos cuidados de higiene, da alimentação, do exemplo construtivo, do carinho.

Pois bem, se cuidamos de um filho, qualquer criança que esteja sob nossos cuidados com todo amor e carinho, por que não cuidamos de nossa criança interior do mesmo modo? Sim, porque dentro de nós existe uma eterna criança que precisa de nossa atenção. Então quando você sentir que está “sobrando” em alguma situação ou lugar ou que você não faz parte daquela situação ou data comemorativa, não se deixe levar pela melancolia ou pela tristeza.

Pegue sua criança interior pela mão, olhe nos olhos dela e diga: “eu te amo para sempre, em todos os momentos estarei com você”. É fácil? Nem sempre. Cada um de nós tem um mundo interior complexo, com seus traumas, mágoas, dificuldades. Nossa sorte é que o amor cura tudo. O amor é o remédio mais eficaz que existe. O amor não mede distância ou tempo. O amor é a resposta. Sempre.

DE VOLTA À ORIGEM

23/05/2020 às 09h30

Estamos todos reclusos. Alguns mais, outros menos. Muitos não têm escolha: é o trabalho da linha de frente nos hospitais, clínicas, serviço de limpeza pública, delegacias, supermercados. Os que podem, ficam em casa.

Em casa ou nas ruas, somos todos reféns. O medo virou uma quase certeza. Rememoremos os nossos ancestrais, os homens das cavernas. Naquela época longínqua o medo era matéria essencial para a sobrevivência. O tempo passou, as coisas e o homem evoluíram, mas aquele medo que nos ajudava a sobreviver tem seu lugar reservado em nossa memória, em nossos ossos, em nossa pele. Mesmo nos dias de hoje parece que sempre estamos nos preparando para algum ataque (foram anos de prática). Além dos dinossauros, lidamos com guerras, caça às bruxas, terrorismo, vírus, bactérias, fobias.

Pensando nos dias de hoje, uma ameaça real suscitou o medo em toda face do planeta. Não, não é mais um “Blockbuster” sobre o fim do mundo. É a vida real. É só sair na janela para ver as pessoas nas ruas usando máscaras, luvas, se afastando uma das outras. É esse nosso cenário atual.

Voltamos à origem. No medo, na incerteza da sobrevivência, na impotência. Então devemos deixar o medo tomar conta de tudo e ficarmos de braços cruzados esperando algo fatídico e desconhecido nos tomar tudo o que temos e conhecemos? Claro que não. O voltar à origem é mais do que esse misto de sentimentos ruins perante o inimigo. É poder se redescobrir, encontrar a coragem e a força que todos temos dentro de nós. A capacidade de se reinventar, de persistir, de encorajar, de fortalecer e de amar. Quantos de nós estávamos tão atarefados que já nem conhecíamos mais a nossa própria casa? Não havia mais diálogo com aqueles que dividimos o mesmo teto, os mesmos sonhos. Não havia mais olhos nos olhos, a gratidão verdadeira, nem respeito à natureza. O consumir nos consumia.

Sim, voltamos à origem. A origem de todos os sentimentos, dos afetos e dos laços: o ser humano. Vamos vencer mais uma vez. E o medo? O medo será mais uma vez a válvula propulsora da evolução.

Como Oswaldo Montenegro bem disse em sua canção “Metade“:

“Que a força do medo que tenho

Não me impeça de ver o que anseio;

Que a morte de tudo em que acredito

Não me tape os ouvidos e a boca;

Porque metade de mim é o que eu grito,

Mas a outra metade é silêncio…”

AMOR AO PRÓXIMO

06/03/2020 às 16h17

É fácil amar ao próximo?

Um dos Dez Mandamentos recebidos por Moisés no Monte Sinai foi “amar a Deus Sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”.

O que podemos entender sobre “amar ao próximo como a si mesmo”? Muitas vezes é difícil se amar, quanto mais ao próximo! A autoestima é um processo de autoconhecimento, de se entender e se aceitar e nem sempre é fácil.

Em determinadas situações pode acontecer também de se amar ao próximo muito mais do que a si mesmo. O apego, a baixa autoestima, a carência torna o amor (mesmo que fraternal) um problema. Ama-se demais aos outros e menos a si mesmo.

Para que haja um equilíbrio é necessário se conhecer, refletir e se perguntar se o modo como eu trato o meu próximo é o mesmo modo pelo qual eu desejo ser tratado.

Se conseguirmos amar e respeitar ao próximo de verdade, que beleza de vida teremos!

Não mais o orgulho, a possessividade, a mágoa, a desilusão.

Aceitar é entender que cada ser é individual, tem suas limitações e preconceitos, pois somos todos alunos nessa escola chamada Terra.

Ainda acredito no ser humano por mais complexo que seja entendê-lo.

Um dia todos chegaremos lá! E o que significa isso, “chegar lá”? É saber que dentro de cada um de nós arde uma chama de amor.

Hoje ela pode estar quase apagada, devido aos inúmeros acontecimentos pelos quais passamos em nossas existências, mas sempre existe um alguém para nos dar a mão, nos ajudar na caminhada. Nunca estamos sozinhos e sempre é tempo de aprendermos a amar.

Lembre-se: as pessoas mais difíceis de serem amadas, as orgulhosas, as injustas, as amarguradas, as rancorosas são elas que mais precisam de amor. Que tal começar a olhar ao seu redor e doar um sorriso, um bom dia, uma gentileza?