Revista Statto

TRAGO O SEU AMOR DE VOLTA!

23/11/2020 às 17h30

Aos 23 anos de idade o grande compositor Cazuza nos encanta cantando:

Eu quero a sorte de um amor tranquilo

Com sabor de fruta mordida

Nós na batida, no embalo da rede

Matando a sede na saliva

Ser teu pão, ser tua comida

Todo o amor que houver nesta vida

E algum trocado pra dar garantia…”

E quem não gostaria de ter a sorte de um amor tranquilo?!

A grande verdade é que todos nós queremos basicamente as mesmas coisas: Desejamos um grande amor, desejamos carinho, desejamos cumplicidade, desejamos alguém que cuide da gente, alguém que nos compreenda… Mas o que nós estamos fazendo para que isso ocorra? O que nós temos oferecido ao outro? O que temos oferecido a nós mesmos?

Parece que não temos nos esforçado muito… E os relacionamentos não têm sido construídos para durar… E assim disse o Sociólogo Polonês Zygmunt Bauman: “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar“.

Segundo Bauman, líquidos mudam de forma muito rapidamente, sob a menor pressão. Na verdade, são incapazes de manter a mesma forma por muito tempo. No atual estágio “líquido” da modernidade, os líquidos são deliberadamente impedidos de se solidificarem. Ou seja, o impulso de transgredir, de substituir, de acelerar a circulação de mercadorias rentáveis não dá ao fluxo uma oportunidade de abrandar, nem o tempo necessário para condensar e solidificar-se em formas estáveis, com uma maior expectativa de vida.

Mas daí, então, as pessoas se perguntam: onde estaria o segredo?! Será que devemos fazer tudo que o parceiro deseja sempre? Ou entrar na brincadeira de fingir quem se importa menos?

Regina Navarro Lins, Psicanalista e especialista em relacionamentos, “acredita que o casamento convencional é uma instituição fadada à extinção”. De todo modo, eu, Luiza Moura, penso que “o amor e os relacionamentos devem estar para além dessas fórmulas prontas… Nem sumir, nem “grudar”… Nem excessos, nem faltas… Devemos aprender a ajustar as nossas bagagens de vida com as bagagens de vida do outro, aprender a ter um pouco mais de paciência e empatia… É necessária reciprocidade”!

O professor doutor Clovis de Barros diz que “o amor não se ganha só com um “Eu Te Amo”, e sim com atitudes, respeito e carinho”!

Eu, particularmente ainda acredito em relacionamentos mais sólidos!

Mas antes de qualquer coisa precisamos entender que a felicidade que buscamos começa onde raramente procuramos, ela está dentro de nós mesmos! Se quer mesmo encontrar o amor da sua vida, pare de iniciar as buscas pelo lado de fora! Esqueça as fórmulas rápidas, prontas e mágicas. Continue correndo atrás do amor, mas primeiramente corra atrás do seu amor próprio. Se cuide e se queira bem!

É fundamental se amar antes de desejar que o outro te ame e, além disso, faz-se necessário estar disposto a compartilhar esse amor, lembrando sempre que ele não vem acompanhado com manual de instruções ou garantias e que talvez seja justamente esse mistério que o torne tão incrível e surpreendente!

O QUE VOCÊ ESTÁ ESPERANDO PARA VIVER?

17/03/2020 às 08h49

Há sempre uma linha bem tênue entre a vida e a morte e somos todos “equilibristas”, mas parece que tememos sempre a queda de um lado ou do outro. É comum declararmos o nosso medo da morte, do que chamamos de “desconhecido”, mas o que não notamos é que parece temermos muito mais a vida.

Vivemos nos limitando o tempo todo, temos muito medo de arriscar, nos burlamos, inventamos desculpas, nos ocupamos muitas vezes com coisas desnecessárias ou substituíveis, nos afastamos das pessoas que amamos e não nos damos a oportunidade de tantos bons novos vínculos de amizade.

Evitamos fazer o que gostamos, deixamos de atender os nossos desejos, esquecemos os sonhos e ofuscamos as nossas emoções. Não nos preocupamos com o outro, não nos preocupamos com nós mesmos. Substituímos nossos planos de vida por prazeres imediatos e sem conteúdo, na pressa em nos preenchermos da vida “padronizada”, que insistimos que temos que expor nas “vitrines” da sociedade.

O grande problema disso tudo é que quando menos esperamos a vida passa. Infelizmente é principalmente a proximidade com a morte que nos faz perceber que temos muito mais medo de viver do que temos de morrer, nesse instante vemos tudo que poderíamos ter feito e não fizemos e em muitos casos é experimentando esse medo que conseguimos a coragem que não buscamos antes.

Em 2012 a enfermeira australiana Brownie Ware, que cuidava de pacientes terminais, guiada pela pergunta: “E se você for morrer amanhã, de que se arrepende”? Publica o livro “The Top Five Regrets of the Dying” (Os cinco maiores arrependimentos antes de morrer), baseado nos depoimentos dos pacientes. De forma bem resumida eles citam que: Gostariam de ter tido a coragem de viverem uma vida fiel a eles mesmos, e não a vida que os outros esperavam deles; gostariam de não terem trabalhado tanto; gostariam de terem tido a coragem de expressarem seus sentimentos; gostariam de terem mantido contato com seus amigos mais antigos e; gostariam de terem sido mais felizes. Mas será que precisamos mesmo esperar acontecer alguma coisa para vivermos intensamente as nossas vidas?

Acho muito válido ouvirmos depoimentos de pessoas que aprenderam o valor da vida, talvez fatos assim sirvam para que não precisemos entrar em contato com situações semelhantes para aprendermos também que a vida é para viver! Precisamos buscar coragem para enfrentarmos esse desconhecido, sabendo saborear inclusive os seus mistérios, entendendo que nada disso é tão linear, teremos sempre altos e baixos, mas é inclusive isso que nos mantem vivos. É importante lembrarmos que mesmo diante dos contrastes da vida e das dificuldades em entendermos as nossas limitações e ignorância devemos buscar apreciar a dádiva de existir e o que isso pode nos proporcionar. Vamos ter atitudes enquanto há tempo, buscar a felicidade, o prazer, a liberdade de sermos quem queremos ser.

Vamos sentir mais, demonstrar mais e valorizar mais o que realmente importa!

RETROCEDER PARA AVANÇAR

03/02/2020 às 17h45

Vivemos um período onde tudo acontece de uma maneira absurdamente rápida, desde os avanços tecnológicos à construção de relacionamentos. Não nos preocupamos sequer com o significado que os sentimentos têm, aliás já não queremos entender nem mesmo o significado das palavras, usamos simplesmente como nos convém, ou de alguma maneira que estranhamente possa nos parecer mais interessante. Por exemplo, o funk começou a utilizar o termo “recalque” como “inveja”, fugindo totalmente do conceito psicanalítico original, mas quem se importa com isso?! O imediatismo fala mais alto! É “a moda”, o momento que vale. Dessa mesma forma ocorre com o termo “desapego”, usamos para justificar a construção de relacionamentos superficiais, para não se ter o “trabalho” de alicerçar uma relação e, assim seguimos numa eterna competição de quem se importa menos.

Os diversos aplicativos de relacionamentos disponíveis nos convidam cada vez mais à busca de relações rápidas e “sem compromisso”. É um tal de “seguir”, “parar de seguir”, “dar like”, “não dar mais like”, “dar match”, não “dar match” e um dia se jura amor eterno no outro dia está “bloqueado” das redes sociais. São muitos “touchs” e poucos toques, muitos emojis e poucas emoções verdadeiras. Isso tudo sem mencionar ainda as diversas mensagens subliminares por trás de tantos megapixels do jogo de des(interesses), que parece ganhar quem consegue demonstrar menos sentimento.

Fuja do “padrão” e demonstre sim!

No final das contas qual prêmio é dado ao vencedor e a quem tem agradado essa disputa?! Tantos “smiles” distribuídos para tão raros sorrisos legítimos. Se a competição é para mostrar quem se importa menos poderíamos começar não nos importando em fugir dessas novas regras…. Vamos demonstrar, mandar textos longos, falar “eu te amo”, abraçar, cuidar e, claro amar! E se precisar chorar às vezes que seja como consequência de se deixar cativar e não como já vem nos ocorrendo pelo medo de tentar. Que sejamos bregas, piegas, mas felizes.

Na dúvida sobre o que fazer com o outro basta pensar no que gostaríamos para nós mesmos. É importante lembrar de ter responsabilidade e sensibilidade sobre as emoções e sentimentos das outras pessoas. Explorar um pouco mais a capacidade de nos posicionarmos no lugar do outro para compreendermos a sua realidade interna. Quer dizer: o segredo está em mais amor e empatia, resgatando seu significado mais puro e, menos desapego, especialmente esse já tão distorcido e distante do seu conceito real.

 

O (IN)VISÍVEL NAS ENTRELINHAS

02/02/2020 às 18h05

Quem não deseja viver um grande amor?! Aquele amor bobo e mesmo exagerado! Que não se importa com que os outros vão pensar e não mede esforços para demonstrar que nessa vida mais vale o que a alma tocar…

Se parar para pensar bem sobre isso todos nós gostaríamos basicamente das mesmas coisas: desejamos amar e ser amados, desejamos carinho, desejamos cumplicidade, desejamos alguém que cuide da gente e alguém que nos compreenda, mas o único problema é que não temos nos esforçado muito para que isso ocorra, não temos nos preocupado muito com o outro e só observamos a urgência dos nossos desejos, entretanto precisamos salientar aqui que como diz o Tom Jobim “é impossível ser feliz sozinho!”. É necessário lembrar de algumas palavrinhas mágicas como empatia, respeito e reciprocidade.

Além de tudo isso é de suma importância, também, dar lugar à solidificação dos sentimentos com calma, cuidado e atenção, em doses homeopáticas, pois essa pressa e liquidez descritas pelo sociólogo polonês Zygmunt Bauman não parecem estar fazendo bem para a nossa sociedade. Poderíamos ao invés de nos acomodar diante disso e continuar aceitando passivamente a não durabilidade dos sentimentos e das relações, rever as nossas atitudes e valorizar o que realmente precisa ser valorizado.

O tempero que dá o sabor

Não acredito também que devamos nos preocupar em buscar relacionamentos como os que são exibidos em comerciais de margarina e para ser bem sincera nem sei se alguém realmente gostaria de algo tão linear e clichê. O ideal é justamente a mistura entre o amor essencialmente puro e desprovido de paixões, descrito pelo filósofo Platão e, aquele amor já recheado de desejo e paixão retratado desde a Deusa grega do amor e da beleza, Afrodite. Ou ainda, aquele amor mais despreocupado com conceituações onde o sentimento simplesmente prevaleça! Já disse o Machado de Assis: “Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.”

É imperioso lembrar apenas que apesar de não devermos utilizar fórmulas prontas para a construção e manutenção dos relacionamentos, ainda assim devemos aprender a ajustar as nossas bagagens de vida com as bagagens do outro, evitando tanto os excessos quanto as faltas. Desse modo destacou o professor doutor Clovis de Barros que o amor não se ganha só com um “Eu te amo”, e sim com atitudes, respeito e carinho.

Antes que o tempo acabe que tal pararmos para sentir a vida?!