Revista Statto

A SANIDADE EM SER LOUCA

01/11/2020 às 10h12

Hoje me chamaram de louca.

Nunca gostei de ser chamada de louca, sempre me incomodei, era como se não pertencesse, como se fosse diferente, e ainda não tivesse alcançado a linha de chegada – a linha dos normais, dos crescidos.

Mas hoje foi diferente.

Enxerguei um novo significado ao ser chamada de louca. 

  • Sou louca sim, porque escuto os meus sonhos e desejos.
  • Sou louca sim, porque me permito experimentar tudo de novo e curioso que o mundo e as pessoas têm a me oferecer.
  • Sou louca, porque assumo que tenho medo, mas luto para superá-lo.
  • Sou louca porque se for necessário recomeço do zero.
  • Sou louca porque busco e acredito na paz e no amor sim.
  • Sou louca porque não me acomodo com as situações. Porque se não está bom, busco encontrar uma solução, vou fundo, e busco entender o que está errado.
  • Sou louca porque me entrego para aquilo que tenho a minha frente. Sinto e vivo.
  • Sou louca porque me questiono.
  • Sou louca porque busco enxergar sim, bondade em todos aqueles que cruzam meu caminho.
  • Sou louca porque tenho esperança.

Enfim, sou louca porque não quero tomar como certo, apenas porque me foi dito, aquilo que não questionei, vivi ou experimentei.

Portanto se ser louca, é ser autêntica, e mais do que isso, escutar a minha voz interna, e arriscar e sair dos padrões pré-estabelecidos (pelos outros para mim, irônico não?), e seguir o desejo da minha alma, então podem me chamar de louca sim.

Sigo meu caminho, feliz alguns dias, outros nem tanto, mas sigo me escutando.

Afinal, estou aqui para aprender, para sentir, para viver.

Augusto Cury menciona que cada um de nós possui características físicas diferentes, então como podemos esperar e supor que todos tenhamos os mesmos ideias, sonhos e desejos- não seria isso algo imposto, e o qual muitos de nós tomamos como certo?

Mas será então que não é esse o motivo, que hoje, muitos sofrem de uma angústia, de um vazio?

Não existe recompensa, não existe receita, ou linha de chegada – a vida não é matemática, onde 2 + 2 resulta em 4;

Temos que achar a nossa soma, a nossa receita, que nos traga paz e felicidade.

Cada um tem a sua, basta buscá-la.

É trabalhoso, as vezes doloroso.

Mas recompensador.

Como já dizia o poeta E.E. Cummings:

Não ser ninguém a não ser você mesmo,

num mundo que faz todo o possível, noite e dia,

para transformá-lo em outra pessoa

significa travar a batalha mais dura

que um ser humano pode enfrentar;

e, essencialmente, jamais parar de lutar“.

Vivemos, aprendemos e mudamos com cada experiência e interação que temos.  Então como podemos sempre permanecer os mesmos?

Sou apenas um aprendiz desta vida, vou errar, acertar, mas sempre tentar.

Aliás, diga-se de passagem, enquanto não conhecer quem ditou o que é ser normal, não vou sossegar e tomar o normal como certo.

Afinal é na loucura que mora a verdade, pois lá não existem camadas de censura.

Mas então é aí que vejo que de louca não tenho nada, infelizmente.

E que talvez seja sim, é muito normal.

Mas, uma coisa é certa, continuo sim, minha caminhada para me tornar cada vez mais louca, cada vez mais eu.