Revista Statto

CONTINUIDADE DO AGRONEGÓCIO LOCAL

19/03/2020 às 10h11

Entrando em no período da safra do arroz e às vésperas da colheita da soja, culturas predominantes em nossa região, mais uma vez é tempo de apreensão para toda a cadeia produtiva do agronegócio local. Quando se aproxima o momento de pagar a conta, criada pela compra dos insumos necessários à produção, em meio ao segundo ano consecutivo que teve o fator clima como obstáculo à melhor produtividade, está presente a incerteza de que os compromissos feitos poderão ou não ser quitados ou se os subsídios concedidos pelos fornecedores serão liquidados.

Iniciando pelos fornecedores de sementes, fertilizantes, máquinas, implementos agrícolas e tecnologia. Estas empresas fazem investimentos altos para ter em suas lojas os produtos destinados a atender a demanda do produtor rural na hora, no local e com a adequação que este consumidor deseja. Logicamente, organizar uma empresa para conseguir suprir tais necessidades tem um custo significativo, representado pelos compromissos firmados juntos aos seus fornecedores, sejam eles fabricantes, importadores entre outros, que normalmente são grandes corporações e, a maioria delas em nível de atuação internacional.

Por sua vez os produtores rurais entendem que o fator insumo agrícola é somente uma parte daquilo que precisam para produzir o que se propõe em termos de produtividade, lucratividade e rentabilidade, formando a tríade da produção. Há também os custos da força de trabalho, do manejo, da energia, dos financiamentos entre outros. Considerando que a tríade da produção terá seu índice máximo proporcionalmente à benevolência do clima, fica estabelecida a grande incógnita de cada ano de produção agrícola.

Acrescenta-se a apreensão do produtor rural os custos oriundos dos processadores representados pela agroindústria, como as empresas de limpeza, secagem e armazenagem de grãos, além das empresas que formam o segmento da agroindústria de transformação que na verdade é quem determina o quanto vale cada saca colhida. Este mercado possui alta dependência entre os atores da cadeia produtiva, além da vulnerabilidade provocada por outros mercados concorrentes e consumidores.

Certa vez numa palestra, mencionei que o produtor rural é um herói e os outros participantes da cadeia produtiva são a liga da justiça, pois, não há heróis sem a liga da justiça e não há a liga sem os heróis. Assim, há uma ligação íntima entre eles que precisa ser respeitada e cultivada. Cada um deve olhar para o seu negócio sim, mas também precisa entender o negócio do outro. Todos precisam estar saudáveis para que possam fazer o seu melhor em termos de serviço agregado, custo e qualidade.

No final pagar a conta é fundamental e todos querem a mesma coisa: a tríade da produção. Buscar auxílio não somente em soluções como produtos ou tecnologia, mas estabelecendo parceria profícua para construir um planejamento produtivo torna-se uma excelente forma de minimizar os riscos, envolvendo os parceiros, agregando conhecimentos necessários e úteis à cadeia produtiva ser uma grande oportunidade para a continuidade do agronegócio local.

MENTORIA, MITOS E VERDADES

19/03/2020 às 09h46

Quando Ulisses (Odisseu) rei de Ítaca partiu para guerra de Tróia seu filho Telêmaco foi forçado a viver sua infância longe do pai. No entanto, ainda muito jovem o menino iniciou uma jornada para encontrar seu pai. Desde a partida do rei, um sábio e amigo de confiança da família cuidou de Telêmaco desde pequeno e acompanhou o jovem na missão para encontrar o pai. O nome deste homem era Mentor. Esta história está descrita no poema épico Odisséia, atribuído a Homero, e segundo muitos dando origem ao mentoring.

No ambiente corporativo a prática da mentoria ainda está engatinhando. É possível identificar programas de mentoria sérios em algumas empresas e, analogamente a Telêmaco, que teve em Mentor, além de um fiel e cuidadoso amigo que o ajudou a reconhecer valores importantes na formação do caráter, um guia capaz de repassar toda a sua sabedoria nos desafios e momentos de tomada de decisão.

Há muitas dúvidas sobre o que efetivamente é um programa de mentoria, sobre quais são os benefícios que este pode trazer ao empresário e sobre o quanto pagar. Neste hiato, existem algumas confusões acontecendo e, particularmente, receio que a algumas promessas feitas possam impor dificuldade a um programa de mentoria profissional, o que pode induzir a banalização da mentoria assim como ocorreu com o coaching.

Uma forma de evitar que isso ocorra é identificar e reconhecer profissionais que tenham uma trajetória de conhecimento profundo e vivência sólida como mentores, bem como reconhecida capacidade de entrega de resultados. A formação do profissional precisa ser consistente e ampla. Há cursos de poucas horas, que em seu encerramento declaram seus participantes como um coach ou mentor. Sabe-se que uma qualificação como esta é construída a partir de uma longa trajetória de busca e aplicação de conhecimentos. É um processo de life long learning que avaliza e destaca os melhores profissionais da área.

O mentoring é um processo que serve para desenvolver líderes, preparar gestores e sucessores, para fortalecer a cultura organizacional, incentivar e enraizar o conceito de equipe entre os funcionários, entre outras funcionalidades, mas que impacta de forma muito profunda na organização e contribui sobremaneira para a obtenção de resultados mais efetivos.

Aproximadamente, 70% das empresas presentes na Fortune 500, da Revista de mesmo nome, possuem programas de mentoria. No Brasil a realidade ainda é outra, porém, as empresas que adotaram um programa de mentoração declaram ter obtido ganhos palpáveis e tangíveis. E, este resultado é possível quando estão alinhados um profissional com sólido conhecimento e experiência a outro com alto potencial para se desenvolver.

Um mentor deve ser capaz de orientar e conduzir o mentorado a atingir suas metas, agindo com mais eficiência e sabedoria. Também é responsável por auxiliar a manter o foco, instigar a reconhecer o maior número de variáveis num processo de tomada de decisão, criar e discutir cenários, elucidar dúvidas e indicar caminhos, são algumas das vantagens de se possuir um mentor.

Os preços deste investimento variam muito, e estão diretamente relacionados com a complexidade, envolvimento e tipo de mentoria. Há empresas que pagam mais de R$ 50 mil e outras que pagam R$ 1 mil para um programa de mentoria. É uma prática moderna, efetiva e que contribui muito com o desenvolvimento individual do mentorado, tanto em nível pessoal quanto profissional.

Se você busca desenvolvimento procure um mentor que tenha experiência, que possua vivência nos seus desafios e gaps; procure um mentor com disposição para ajudar e que queira compartilhar sua bagagem de maneira única e genuína; busque um mentor que tenha tempo e esteja engajado, que tenha uma escuta ativa, que seja um especialista em relações humanas, que saiba ouvir e que possa dedicar-se com esmero, lealdade e interesse pleno no seu desenvolvimento.

COMO O MUNDO ESTÁ VENDO O CELEIRO BRASIL

19/02/2020 às 12h29

Invariavelmente, evidencio as potencialidades locais e regionais do agronegócio nesta coluna. Também, em algumas oportunidades reservo textos para reflexão sobre tecnologia, inovação e tendências vinculadas ao tema. Especialmente nesta edição destaco o caminho indicado ao agronegócio brasileiro nas próximas décadas.

A opinião pública mundial ganha cada vez mais força em função de informações que ganham amplitude por meio dos veículos e meios de comunicação atuais. É crescente a rejeição aos alimentos que são produzidos com o auxílio de agrotóxicos. Sabe-se que muitos dos produtos utilizados para a produção agrícola e animal possui em suas formulações substâncias nocivas à saúde humana.

Por outro lado, há muitos mitos que se relacionam com esta realidade. Mas, o fato que importa é que as grandes indústrias do mundo já reconheceram movimentos dessa ordem e decidiram alterar estratégias para se manterem ativas no mercado global.

Ocorre que ao menos as três maiores empresas mundiais produtoras de químicos usados na agricultura, estão investindo cada vez mais em pesquisa e desenvolvimento nas soluções para a proteção de cultivos. Então, surgem novas alternativas para a agricultura e, o Brasil como um dos maiores mercados de produção agrícola desponta como um polo de investimentos de bilhões de euros.

O País se transformou num grande campo de testes para novas fórmulas e rótulos, e isso pode ser uma vantagem para os produtores brasileiros. O ponto central da discussão reside na evidência de que mais investimentos virão, tecnologias e soluções incrementais continuarão surgindo em larga escala por uma simples razão, o mundo precisa do Brasil produzindo alimentos para uma população global crescente.

A partir disso e afunilando para a realidade local, a sugestão é que os produtores entendam como se posicionar frente a tantas ofertas de soluções em benefício de seus negócios. Até pouco tempo, algumas empresas se esforçavam em entregar como diferencial competitivo assistência técnica ou atendimento individualizado e personalizado entre outros atrativos. Isso não basta atualmente.

E, para evitar que o mercado fique restrito somente a canibalização empresarial por preços, sugere-se ao agricultor local procurar identificar a empresa que está atualizada com estes movimentos do mercado mundial, que acompanha tendências, que conhece os pormenores das propriedades e que ante a um elevado número de possibilidades esteja efetivamente ao lado do produtor indicando a melhor técnica, o melhor manejo, o produto mais adequado àquela realidade, constituindo-se em um efetivo parceiro do empresário rural nesta missão de produzir alimentos para o mundo e claro gerar economia, produtividade e lucro.

O PODER FEMININO NO CAMPO

10/02/2020 às 10h57

O Brasil registra expressiva ampliação da participação feminina no espaço econômico-social. Em pouco mais de 10 anos, segundo o Senso Agropecuário de 2017, em 2006 as mulheres representavam 12% dos produtores rurais e, chegaram a 18% do total em 2017, dados do IBGE. O aumento da representatividade da mulher, num setor predominantemente masculino, tem como um cenário a compreensão que a mulher não é complementar ao homem. Elas fazem parte do mundo inteligente, produtivo e operativo dos negócios e, possuem uma orientação gigantesca para o resultado.

Nesta tendência, o mesmo senso evidenciou que 650 mil propriedades são geridas exclusivamente por mulheres, enquanto 1,06 milhão tem sua administração dividida entre o casal. Estes números indicam que 34% dos empreendimentos rurais brasileiros, têm a mulher como protagonista ou parceira na gestão. Outro indicador trazido pela pesquisa é que a maioria destas mulheres administra sozinha ou em parceria, possuem idade entre 24 e 45 anos.

Estas jovens estão em franco desenvolvimento de sua personalidade e capacitação profissional, aceitam desafios e tem nítido em sua estrutura de vida que estão se preparando para realizar o que lhe agrada e dá prazer. Isso se reforça com a chegada da agricultura 4.0, fortalecendo a inteligência feminina a partir da transformação tecnológica que está gerando oportunidades de inteligência artificial e automação. O agronegócio está em evolução acelerada, onde a tecnologia vem modificando padrões organizacionais e sociais e entregando novos desafios de gestão.

O poder da mulher como indivíduo de negócios faz, além de resultado, a harmonização para a transição entre duas realidades produtivas. A mulher tem um senso de autocrítica e de inclusão muito grande, por isso sua atuação emprega contribuição destacada nesse contexto. Um novo desenho a partir da construção das relações com o capital humano rural, a partir de seu engajamento e direcionamento evolutivo, confere à mulher esse destaque. O agronegócio é cada vez mais inteligência, capacidade, tecnologia e capacidade do que força física, trabalho com baixa exigência de qualificação e rudimentar.

A mulher chega com muita força e poder também a esta área econômica, não como coadjuvante, mas como protagonista responsável, ativa, hábil, determinada sem deixar de lado a graça que a vida lhe concedeu. A economia, a política, a sociedade precisa acompanhar mais este salto evolutivo humano-econômico e social, que acelera fortemente em direção a excelência no agronegócio.

EMPRESÁRIOS SANTAMARIENSES: ATENÇÃO

04/02/2020 às 11h45

Aproveitando a chegada de 2020, um ano que ainda resta nebuloso quanto ao reaquecimento da economia brasileira, destaco alguns fatores que devem constar como pontos de atenção nos planejamentos estratégicos de qualquer negócio. Há um perfil de consumidor que vem impondo mudanças na forma como colocamos nossos produtos e serviços no mercado. Acrescenta-se a isso, o nível altíssimo na disseminação das informações acessíveis, literalmente, na palma da mão deste consumidor.

Diversos dados apontam novas tendências na relação empresa x consumidor. Coloco em destaque algumas, pela sua representatividade na demanda de meus clientes: compras digitais e dispositivos móveis, experiência sensorial, relações de confiança, engajamento com questões sociais e ambientais e a redução da necessidade de posse. Assim, questões como conexões, informação instantânea, transparência, envelhecimento populacional, engajamento com questões maiores devem ter a atenção do empresário.

A informação instantânea via smartphone é uma realidade. O ponto central nessa perspectiva é o questionamento de como colocar o meu produto ou serviço alinhado com a velocidade e o imediatismo do usuário/cliente? Tudo é possível em nível de sistemas de informação, assim, é indispensável considerar isto como uma oportunidade e, antecipar-se a essas demandas, ampliando as possibilidades para o consumidor por este canal. Nesse viés, as compras sociais formalizadas pelo comércio eletrônico e as mídias sociais se entrelaçam. É senso comum que os consumidores são fortemente influenciados pelas informações que recebem nas mídias sociais. Possuir um canal de compra e de facilidades na empresa, que esteja nas mãos deste consumidor pode ser uma estratégia interessante para alavancar as vendas e, principalmente, para criar relações duradouras pela praticidade, agilidade e segurança.

Por outro lado, a hiperconectividade restringiu as relações humanas. Com isso as pessoas estão sentindo-se mais sozinhas. Mas isso, também pode ser uma enorme oportunidade, à medida que a empresa possa causar uma experiência de compra que acesse os sentimentos das pessoas. Hoje, causar uma forte impressão ao consumidor é essencial. Tal aspecto pode ser obtido na forma de impactar aquele consumidor, mesmo que ele sequer tenha pisado na empresa. Portanto, ativar os sentidos do consumidor é uma excelente maneira de causar esta experiência e, destacar definitivamente a sua marca no mindset do cliente.

Sabe-se que a confiança é um dos principais fatores de retenção dos clientes. Evidenciar o que é real nesse mundo virtual é outro desafio. A avalanche de informações traz consigo questionamentos e desconfiança. Desenvolver mecanismos e estratégias que consigam elevar o nível de confiança das pessoas é muito importante. Não basta cumprir as promessas, precisa haver o algo mais, a cereja do bolo. Confiança é tudo.

O engajamento em causas ambientais e sociais é outra característica de grande parte dos consumidores. Dessa forma, se a empresa demonstra que possui atitudes claras com relação a estes aspectos pode se destacar junto a este público. O cuidado que se precisa ter é fugir das ideologias ou ações que possam ser vistas como paliativo ou de pouco impacto. Pode ser uma iniciativa simples desde que esteja presente no DNA da empresa e, que pouco a pouco possa ir reforçando o posicionamento empresarial na sociedade.

As pessoas estão vivendo mais. Esta é a grande oportunidade que o aumento da expectativa de vida entrega aos negócios. Isso significa clientes que comprarão por mais tempo. Mas, não é uma relação de compra qualquer. É um público crescente e com demandas bem específicas que precisam ser mapeadas e monitoradas. Este nicho de clientes ainda possui um forte apelo de posse e valorização de marca. Por outro lado, a geração de consumidores que está começando a entrar em atividade, possui um desapego significativo com a questão da posse, eles querem usufruir naquele instante, naquela circunstância, não lhes interessa possuir e sim usar. Há uma tendência no investimento em experiências, quanto menos posse mais experiências, mais memórias.

Todas estas mudanças estão permeando nosso mercado. Cabe agora a você empresário promover sua autoanálise e questionar-se o quanto está preparado para o que está vindo. Lembre-se o mundo é dinâmico, o que fizemos ontem já ficou na história, como pensamos o futuro é que irá garantir nosso presente.

LUCRATIVIDADE COM A SOJA SEM DEPENDER TANTO DA BOLSA DE CHICAGO

06/01/2020 às 11h33

A pulsão agrícola brasileira confere ao País uma posição de destacada importância na produção mundial de alimentos. No mercado nacional a soja é tão representativa no contexto do agronegócio brasileiro quanto o país, em nível global, como um dos maiores produtores e exportadores desta importante commodity. Segundo a Food and Agriculture Organization – FAO, o Brasil responde por aproximadamente de 28% do total da produção desta oleaginosa no mundo. No cenário nacional, o Rio Grande do Sul ocupa a posição de terceiro maior produtor, estando atrás apenas dos estados de Mato Grosso e Paraná.

Quanto à produtividade média, o rendimento obtido com o grão no Rio Grande do Sul pouco ultrapassa as 56 sacas por hectare. Tal produtividade, mesmo estando acima da média nacional, não garante uma lucratividade ao produtor agrícola capaz de tranquilizá-lo frente às oscilações do valor desta commodity no mercado internacional.

A alta da demanda pelo grão nacional, paradoxalmente à queda do valor pago por unidade de saca pelas tradings resulta em atratividade, provocada pela elevação do dólar frente ao real, indicando um bom momento para este negócio. No entanto, ao verificar a variável da produtividade, evidencia-se um contraste marcante ao comparar a média da produtividade gaúcha (56,3 sacas por hectare) à média obtida por um produtor do município de Cruz Alta que obteve 123,88 sacas por hectare. Pela análise simples destes números percebe-se que ainda há muito a ser feito em prol da alta produção.

Nesse sentido, fatores como o manejo adequado do solo, uso inteligente da tecnologia, apoio nas instituições de pesquisa e desenvolvimento são aspectos que podem auxiliar na obtenção de índices mais interessantes quando se trata de produtividade. Ainda há uma parcela de produtores que resistem a profissionalização da atividade empresarial no campo. A falta de conhecimento sobre as condições ideais de solo, planta, clima e tecnologia ainda são responsáveis por puxar para baixo a produtividade da soja em solo gaúcho.

Embora para fins de enquadramento jurídico o negócio rural ainda possua uma estrutura menos densa que outras atividades, a complexidade da empresa rural assemelha-se a uma organização industrial. O negócio rural precisa continuar em evolução. Resta claro que o fator produtividade pode ser o grande “divisor de águas” no sentido de aliviar o produtor rural da pressão histórica que tem sido a expectativa dos valores indicados da Bolsa de Chicago ou dos entraves comerciais entre Estados Unidos e China, entre outras variantes que se impõe sobre o preço da soja brasileira.

Ao contrário do que ocorreu com a praticamente extinta produção do trigo ou das imensas dificuldades enfrentadas pelos produtores de arroz, a soja tem um grande apelo comercial em função da sua multifacetada aplicação na indústria. A discussão não se estabelece em quanto a produção da oleaginosa pode gerar de riqueza em todos os setores envolvidos na cadeia produtiva, mas no quanto ela pode agregar de valor a partir do melhor aproveitamento do seu potencial produtivo, especialmente pelo produtor rural.

UMA VIDA É FEITA DE PROPÓSITO

06/01/2020 às 10h46

Tendo chegado ao final de mais um ano, como é o hábito da grande maioria das pessoas, aproxima-se um período de reflexões. Acredito ser interessante realizar um “balanço” considerando todas as ações empreendidas, os esforços realizados, as relações estabelecidas e as findas, os investimentos de vida, dinheiro e inteligência feitos ao longo do ano que se encerra e, ao final desta matemática toda, poder analisar o resultado de tudo isso em coincidência com a trajetória histórica de cada um.

Entendo que a realização de existência de cada indivíduo deve ser relativizada de acordo com as potencialidades e aspirações próprias. Avaliar ou “julgar” esse balanço a partir do que efetivamente faz realidade para aquela individuação específica cabe somente ao protagonista da própria vida. Também creio que o sucesso está diretamente relacionado ao nível de plenitude auferida por cada pessoa neste curto trecho da vida, denominado ano de 2019. Os aplausos que recebemos ou deixamos de receber perdem o glamour quando o assunto é a realização pessoal, pois, o que importa é o núcleo, o interno o que está dentro e não as concepções sociais ou avaliações e julgamentos de terceiros.

Contratempos, erros, acertos, pequenas conquistas, novos objetivos e metas são aspectos de um conjunto de vida que induz a uma ação e determina a força motriz de cada pessoa. O quanto somos livres, autônomos e líderes de nós mesmos é o que vai indicar se o caminho está correto, se há possibilidade de ser vencedor é o próprio ponto de sucesso de cada indivíduo.  Não me refiro ao sucesso como posição profissional ou inserção empresarial de cada um nesse momento, mas o quanto estamos no comando de nossa máquina corpórea e inteligente no percurso da existência histórica.

“Hoje o tempo voa amor, escorre pelas mãos mesmo sem sentir, não há tempo que volte…” Este trecho de uma canção que ganhou projeção pela voz de Lulu Santos, move meu pensamento nesta época do ano. Que história estou criando? Quem consigo impactar de forma positiva? Como utilizo o presente de acordar e poder realizar todos os dias? Que legado estou deixando? Estas são algumas perguntas as quais tenho escritas e ano após ano as respondo. O mais incrível e gratificante é que em nenhum ano as respostas foram idênticas.

O tempo voa e lá se vai mais um dia, uma semana, um mês, um ano, uma década… uma vida. Porém, a cada dia temos o direito a mais uma página em branco para escrever uma nova história ou continuar aquela que ainda nos motiva. Há alguns dias ouvi de um empresário, a quem admiro, que pauta suas ações a partir de 3 princípios: motivação, sabedoria e fé. Compreendendo como “motivação” aquela força que propõe ânimo e vontade para realizar qualquer coisa, desde que isso faça sentido dentro do contexto de realização histórica individual; por sua vez a “sabedoria” se relaciona ao uso racional dos recursos disponíveis hoje e, aqui estão incluídos a saúde, a inteligência, a virtude e todos os demais insumos dos quais se dispõe; sobre a “fé”, não é aquela vinculada a nenhum dogma religioso, mas aquela crença fiel que auxilia na construção de um caminho sólido capaz de sustentar a realização dos projetos próprios, por mais que esse percurso precise ser avaliado e reajustado em determinados momentos e circunstâncias.

Penso que todo o princípio fundamental está na construção pessoal. O quanto cada indivíduo se investe naquilo que faz e o quanto investe em si mesmo é o parâmetro que vai determinar a grandeza da sua plenitude. Brownie Wise, que foi vice-presidente da Tupperware, teve como grande realização a criação de um conceito de marketing social a partir da premissa de vender utilizando a demonstração domiciliar dos produtos de sua empresa. Ela tem como uma de suas célebres expressões idiomáticas “se você quer construir um negócio, construa primeiro as pessoas”.

Esta expressão remete a racionalização do quão grande é nossa responsabilidade. Num primeiro momento em primeira pessoa, onde jamais devemos negligenciar a nós mesmos, pois, enquanto tivermos motivação, sabedoria e fé, sempre teremos a possibilidade de sucesso. Em seguida responsabilidade com as pessoas, especialmente, aquelas que atuam junto de nós e que contribuem com o projeto individual, seja este no plano familiar, de relacionamento ou empresarial. Esta responsabilidade a qual me refiro diz respeito ao conhecimento, porque é ali que reside o grande capital. A variável que vai se constituir no diferencial competitivo tanto na execução quanto no resultado final do projeto próprio. Quanto mais forte me faço, quanto mais forte construo a minha equipe, mais forte se torna meu projeto.

Assim, prezados leitores desejo a todos muita motivação, sabedoria e fé. Lembrando sempre que o que passou fez parte da construção histórica de cada um. O que fazemos hoje utilizando o presente da vida é o que pode nos garantir a possibilidade de continuar no caminho sempre com o máximo respeito e admiração do que está por vir. Que 2019 tenha deixado muito conhecimento enraizado e que 2020 seja um ano de fortes realizações. Boas festas.

A SOLUÇÃO PARA O AGRONEGÓCIO

11/12/2019 às 09h23

Chegado o início das atividades de plantio para as grandes culturas em nossa região, retomo a temática da gestão ligada à produção agrícola. Considerando que o cenário agrícola tem se caracterizado pela efervescência e mutabilidade constantes, torna-se natural que os desafios enfrentados por empresários da gestão do agronegócio são imensos e diversos, agravados pela carência de métodos profissionais para a administração do agronegócio.

Simultaneamente à inteligência empresarial voltada às estratégias capazes de detectar oportunidades para a compra e venda, é necessário adotar ações para corrigir deficiências e suprir carências ligadas às atividades de gestão. Possuir uma boa gestão do agronegócio não é uma tarefa fácil, sobretudo em um contexto no qual os produtores rurais precisam enfrentar diariamente uma série de desafios. Considerando a representatividade no número de propriedades rurais agriculturáveis da região, cujo perfil aponta para a falta de desenvolvimento em gestão e pelo baixo investimento em iniciativas, técnicas e métodos de gerenciamento, torna esse desafio ainda maior na realidade local.

Sendo o Brasil um campo fértil para quem atua nessa área é possível aproveitar esse cenário para desenvolver e ampliar o potencial econômico das propriedades rurais. É provável que os resultados alcançados possam ser bastante positivos desde que haja o aprimoramento na gestão do agronegócio, então desenvolver meios para detectar os problemas e encontrar soluções criativas é o primeiro passo para atingir um resultado positivo.

Algumas das adversidades que podem ser solucionadas ou minimizadas por uma gestão profissional: perda ou desperdício da produção nas fases de produção, pós-colheita e processamento; custos da produção representados por combustíveis, tipos de máquinas e equipamentos adequados ao porte da área; falta de mão de obra qualificada, onde os mais jovens, inclusive aqueles que nasceram ou eram ligados ao campo preferem buscar carreiras distanciadas deste setor, restando no campo pessoas que raramente tem formação ou não costuma ter conhecimento para operar máquinas ou ferramentas tecnológicas para cumprir importantes funções na propriedade, são uma realidade e constituem-se nas principais carências locais.

Havendo mudança de postura para aperfeiçoar a gestão do agronegócio pode ser o grande passo para ampliar os resultados do setor. A administração e o gerenciamento do empreendimento rural podem ser completamente potencializados se o gestor rural fizer uso do planejamento estratégico com um olhar atento aos principais processos do negócio a partir da análise de informações, uso de ferramentas e métodos e elaboração de relatórios para avaliar a saúde financeira e a produtividade da empresa para a tomada de decisão capaz de levar a empresa rural a aumentar seu potencial econômico tornando-se mais fortes e lucrativas

EMPRESA VIVA

10/12/2019 às 11h42

Seguindo a ideia expressa no último artigo, quero propor uma nova reflexão sobre como você está pensando e fazendo seu negócio. Novamente, o fio condutor do pensamento está centrado no cliente. Este ente é quem lhe entregará lucro ou vai conduzi-lo ao ostracismo empresarial. Um único aspecto poderá garantir a o sucesso de sua empresa: a experiência que você proporcionará ao seu cliente. Mas como acertar na iniciativa correta para promover uma experiência positiva aos seus clientes?

As empresas com melhores desempenhos possuem altos índices de relacionamento com seus clientes. Àquelas organizações que conseguem entregar motivos suficientes e irrefutáveis para que seus consumidores mantenham uma relação saudável e duradoura, estabelecem seus objetivos e elaboram seus planejamentos com foco no “por quê”. Procedendo dessa forma estruturam suas ações idealizando as razões pelas quais os clientes poderão desejar manter o vínculo com a marca, mas destacam que são importantes também o “como fazer” e “o quê fazer”, mas estes fatores são secundários ao primeiro.

Compartilhando alguns aspectos estratégicos de uma empresa gigante e líder nacional em seu segmento há anos, surge o conceito de “empresa viva”. Esta expressão indica o quão presente e disseminada está a cultura que tem o cliente como elemento central em suas iniciativas e, isso é nítido nas ações de todos os colaboradores e em todos processos organizacionais desta empresa. Uma organização como esta sabe de fato “servir o cliente” pela única razão que tudo o que foi idealizado e concebido teve como foco o “cliente”. Saber servir o cliente é uma arte que requer criatividade, foco, determinação e inteligência, pois somente assim a empresa poderá ter um resultado favorável.

O mercado infere que as estratégias de vendas são responsáveis por concretizar as vendas. No entanto, responsabilidade, gestão e educação corporativa são os fatores chave em um novo cenário de gestão. A visão empresarial capaz de gerar resultados precisa estar alicerçada na antecipação, ou seja, a empresa precisa estar preparada para desenvolver iniciativas capazes de fazê-la chegar à frente das demais, transformando-se em referência naquilo que é sua missão. Mas para que isso ocorra é imprescindível que todos estejam pensando e agindo em unidade de ação.

Por unidade de ação deve-se compreender o conjunto formado entre a concepção do negócio, planejamento e métodos estruturados com base na dinâmica do resultado. Alta performance somente é obtida se todas as pessoas e as ações tiverem a mesma direção, a mesma unidade. No que concerne às pessoas, estas devem estar preparadas para atuar de forma inteligente, proativa e dedicada. Investir em ações voltadas a educação corporativa pode ajudar a empresa nesse sentido porque o nível qualificação do corpo operativo irá determinar e realizar o todo necessário para que o resultado seja atingido.

Reflita como você está gerindo sua empresa. Se todos estes elementos ou ao menos alguns deles estão sendo observados e realizados. Em uma época como esta, intitulada por muitos como “crise” constitui-se em um excelente tempo para reforçar, redefinir ou alinhar as iniciativas organizacionais. Criatividade, perseverança, planejamento e ações fazem crescer os resultados e a solidez da empresa. Esteja sempre questionando o que você está fazendo para que o seu cliente tenha motivos para responder o “por quê” está mantendo vínculo com seu negócio. Aproveite cada instante ou oportunidade que o mercado oferece, pois, o quanto antes você considerar os fatores descritos neste artigo, mais rápido terá resultados saudáveis.

QUALIDADE A MESA

08/11/2019 às 17h32

 O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em conjunto com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária elaborou um conjunto de regulamentações que virou Lei e deve ser totalmente implementada até 2021. Esta normativa preconiza que todos os produtos hortifrutícolas comercializados in natura devem estar adequados a um conjunto de procedimentos relacionados à rastreabilidade. O que para o produtor pode ser uma dor de cabeça extra, para o consumidor há a possibilidade de se tornar a garantia de estar consumindo produtos com mais qualidade.

Um sistema completo de informação, da condução e da comercialização é à base da Lei, para a qual toda unidade produtiva precisa estar adequada, sob pena de não poder mais explorar sua atividade econômica. O problema de tudo isso é a deficiência e em alguns casos ausência de processos mais elaborados na cadeia produtiva dos hortifrutícolas. Muito por responsabilidade do produtor, que ainda resiste em adequar-se, e outra por conta das dificuldades e obstáculos criados pelos diversos órgãos reguladores, que contribui para a não observação de requisitos importantes no processo produtivo, somada a relativa falta de profissionalização na empresa rural.

Especialmente neste caso, o que está sendo exigido é a regulamentação na propriedade, com ênfase no caderno de campo. Este tem como objetivo registrar toda a rotina da produção, do plantio à colheita e, deve ser armazenado na propriedade para fins de possível fiscalização. Para a inobservância da Lei ainda não há clareza de quais seriam as punições no caso de eventuais inadequações, mas sabe-se que podem abranger desde advertência e multa ao produtor até apreensão do produto e suspensão da comercialização.

Se uma das faces apresenta preocupação ao produtor, por outro lado o consumidor é quem se beneficia com esta regulamentação. A observação e fiscalização estendida desde antes da produção até a comercialização, pode garantir maior qualidade dos produtos disponibilizados à mesa do consumidor brasileiro. Não há dúvida que a existência de mecanismos de controle elaborados sob preceitos de higiene e saúde dos gêneros alimentícios somente trará melhor qualidade produtos que consumimos. No entanto, é preciso estar atento se a adequação em todos os elos da cadeia produtiva não irá impactar de forma muito contundente nos custos de produção e, o consequente, aumento dos preços em demasia ao consumidor final.

Como há uma tendência da população no sentido de buscar uma alimentação mais saudável, com menos agressão ao homem e a natureza, penso que as medidas descritas no corpo da regulamentação venham a agregar consciência, qualidade e saúde ao consumidor. E, nossa região que congrega inúmeros pequenos produtores especialmente de hortaliças, pode gerar e entregar produtos com ganho em qualidade e rentabilidade.

DISNEYFICAÇÃO

08/11/2019 às 15h43

Nesta edição quero propor a reflexão sobre a expressão título da coluna e que há alguns anos vem sendo fonte de inspiração e controvérsias, mas que pode nos apresentar um insight para a compreensão do movimento bem-sucedido de alguns negócios atualmente. Se observarmos sob o prisma de David Harvey, britânico que estudou em Cambridge e, hoje ocupa cadeira de professor na City University of New York, o qual se utiliza desta expressão para tipificar a modificação dos espaços urbanos em função de uma perspectiva materialista-dialética do mundo dos negócios, concluímos que alguns lugares se modificaram para continuar sendo atrativo ao seu público e com isso se manter em alta.

A partir dessa perspectiva, sugiro a projeção de uma única imagem capaz de representar ou caracterizar algumas famosas cidades: Paris, Roma, Nova Iorque, Rio de Janeiro e Munique por exemplo. Tenho a certeza que mais de 99% dos leitores associaram os nomes das cidades a uma fotografia mental icônica como: Torre Eiffel, Coliseu, Central Park, Cristo Redentor e Oktoberfest ou cerveja no caso da última. O fato é que cada um destes encantadores destinos turísticos possui uma forma de associação muito forte com uma imagem alvo destacada que é imediatamente vinculada ao seu nome.

Para encaminhar a “disneyficação”, destaco o comportamento da geração Z e dos Millenials. Esta última geração presenciou a inserção do fenômeno internet no mundo, enquanto a geração Z nasceu em meio a este ambiente digital. No entanto, isso ganha importância quando destacamos as diferenças entre estas gerações no que se refere ao seu comportamento de compra, visto que tratamos de negócios. Os Millenialls são aquela parcela da população mundial que está compreendida entre os 19 e os 35 anos aproximadamente, e que tem o hábito de consumo que valoriza a “posse”, portanto, o comportamento de compra é voltado para adquirir. Já a geração Z, os nascidos a partir do ano 2000, está muito mais preocupada em ter uma experiência os agrade. As pessoas dessa geração não valorizam “possuir”, desde que tenha acesso a “usufruir”.

Talvez esta seja uma das razões da oportunidade de inovação nos negócios. O Ubber e o Airbnb são um exemplo de novos formatos de negócios voltados ao “usufruto” e não a posse. Nesse sentido é que o mercado está ganhando uma chance incrível de se reinventar. Com a velocidade da informação que temos hoje, se uma empresa conseguir criar uma atmosfera positiva, agradável, que agregue valor poderá sentir o poder da multiplicação de clientes.

Nesse sentido é que a “disneyficação” pode ajudar em muito no direcionamento do que é necessário fazer para crescer, prosperar, ganhar mais e ser sustentável. Considerando que a geração Z está se constituindo na próxima geração de compradores é preciso entender qual é o valor premente para eles. A experiência de uso pode determinar que esse cliente se mantenha vinculado à empresa. Esse cliente precisa estar sendo constantemente aquecido com ações que proporcionem experiências inigualáveis. É assim que a Disney se mantém altamente atrativa até hoje, porque, gera uma experiência de uso que fica gravada, impregnada na pessoa a partir de sensações que geram massagens emocionais, um prazer que, logicamente, o usuário vai desejar senti-lo novamente.

Então, a minha sugestão é: vamos tentar criar a nossa própria Disney. Vamos pensar no cliente mesmo antes dele entrar acessar o negócio, seja pela internet ou instalação física, independentemente do produto ou serviço do qual necessita ou que vendemos. Vamos oportunizar uma experiência única a este cliente, deixá-lo surpreso, boquiaberto, encantado e manter viva nossa marca em seus pensamentos. Assim, teremos a possibilidade de adquirir longevidade, maior lucratividade, mais clientes e pessoas dispostas a compartilhar a experiência que teve ao nosso lado.

CONECTIVIDADE NO CAMPO

07/10/2019 às 10h28

Seguindo a mesma linha editorial do artigo da última edição, abordaremos a questão da tecnologia no campo. O produtor rural está conectado à tecnologia da informação, esta é a conclusão dos pesquisadores do Sebrae a partir de pesquisa realizada no último ano. A investigação realizada em âmbito Brasil, estratificou aproximadamente 5 mil produtores rurais e, dentre os dados que mais chamou atenção é que 71% dos donos de microempresas rurais e 85% dos proprietários de empresas de pequeno porte no campo usam smartphones para acessar a web. No mesmo estudo destaca-se que 58% dos empresários rurais que informaram não utilizar a conexão de internet móvel, afirmam que não o fazem, predominantemente, porque não há provedor/sinal em sua região.

Noutra pesquisa da Associação Brasileira de Marketing Rural e Agronegócio (ABMRA), foi identificado que o número de aparelhos móveis com internet cresceu de 17% para 67% em quatro anos no Rio Grande do Sul, sendo esse índice superior a media brasileira em 11%. Fazendo uma breve análise destes dados, conclui-se que no Rio Grande do Sul a aceleração superior a media do país, indica que o smartphone se consolida como uma ferramenta de apoio à gestão nas propriedades rurais gaúchas, onde no Estado 87% dos produtores rurais usam internet como fonte de informação, contra apenas 63% no restante do país.

Um fator que está diretamente ligado ao perfil identificado pela pesquisa é o rejuvenescimento da decisão de compra no campo. A faixa etária média do tomador de decisão está entre os 26 e 35 anos de idade, representando 27% de quem tem o poder de decidir. A tecnologia tem se tornado um atrativo para a retenção dos jovens no campo e, além deles poderem auxiliar os pais na implementação de sistemas mais modernos relacionados à gestão e à produção agrícola, alimenta o desejo destes jovens em permanecer atuando no segmento agrícola.

A aproximação do campo às facilidades do meio urbano é uma das significativas vantagens trazidas pela tecnologia ao ambiente rural. Acesso a serviços bancários, compra de insumos, compartilhamento de dados e consultas técnicas, onde por meio do whatsapp pode-se enviar uma fotografia da planta ou do solo e, a partir desta identificar um efeito de ação de praga ou patógeno, com diagnóstico e indicação de tratamento são exemplos desta aproximação.

O fato é que as conexões trazem um sem fim de atrativos tendo a versatilidade para aplicar em todos os tamanhos de empresas rurais. Dispositivos conectados, uso de inteligência artificial e big data são algumas das tecnologias aplicadas para resolver problemas reais da cadeia produtiva (Derly Fialho, SEBRAE-RS). Também, a Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Rural e Irrigação, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), busca alternativas para ampliar a conectividade no campo. Segundo o secretário Fernando Camargo este é um recurso que pequenos e médios produtores do agronegócio precisam para a melhoria da sustentabilidade, da competitividade e para a motivação da sucessão familiar no campo.

Há um longo caminho para que se estabeleça o ponto ideal. Mas, percebe-se o movimento do produtor rural na direção de consumir a tecnologia para ampliar sua capacidade produtiva e econômica. Também, algumas iniciativas governamentais mostram certa sensibilidade do poder público para desenvolver esta variável no setor e a vocação brasileira para a produção agrícola que auxilia na alimentação dos cerca de 7,5 bilhões de pessoas que compõe a população mundial e, que segundo a FAO chegará a quase 10 bilhões de habitantes em 2050, encorpam a tendência ao desenvolvimento de tecnologias voltadas às atividades rurais no Brasil e ao retorno da força de trabalho qualificada ao campo.

 

 

Marcelo Pastoriza Tatsch, Dr.

Consultor em Estratégia, Gestão de Resultados e Desenvolvimento Humano

Professor Antonio Meneghetti Faculdade

Instagram: @marcelo.p.tatsch / tatsch.marcelo@gmail.com

COMO ACERTAR NAS DECISÕES?

07/10/2019 às 09h14

Na edição anterior propus algumas reflexões e questionamentos sobre como estamos gerindo nossos negócios. Agora pretendo discutir as fontes das informações que utilizamos para decidir. O poder de tomar decisões é o que move o ser humano e o diferencia entre todos os seus iguais. A partir desta compreensão, posso inferir que o homem evolui e se fortalece na proporção da qualidade das suas decisões.

Quando se trata da vida, as escolhas de cada indivíduo irão determinar sua completude e realização. Nos negócios, o líder é o responsável por tomar decisões que terão repercussão direta no resultado do empreendimento. Em qualquer uma destas esferas o processo de tomar decisão não é fácil, há riscos e uma vez realizada a escolha existem as conseqüências. O fato é que cada escolha implica numa renúncia. E, baseados em que informações estamos tomando nossas decisões?

As informações oriundas das variáveis escolhidas e do momento em que o decisor faz sua escolha determinam o caminho e, indicará para onde se está indo nem sempre é tarefa tranquila, pois envolve pessoas, responsabilidades, repercussões na sociedade, ganho ou perda de inteligência, efeitos na natureza, nas relações, na base econômica, enfim, há efeito para qualquer escolha.

Considerando que objetividade do tomador de decisão estará sempre influenciada pela sua própria subjetividade, afirmo que nossas decisões estarão sempre de certa forma contaminadas na origem, ou seja, não estamos completamente livres para decidir. Isso ocorre porque temos a propensão em buscar sempre no externo as respostas. As notícias dos diversos veículos de comunicação que nos bombardeiam minuto a minuto, os relatórios diários que recebemos da contabilidade, da produção, das vendas, do relacionamento com o cliente, entre outros. As crenças que trazemos ao longo das nossas vidas, os modelos formatados de felicidade, de lazer, de família, de amor, de amizades e tantos outros são os principais balizadores das nossas escolhas, que via de regra são racionais, emocionais ou uma combinação destas.

Confiar somente na racionalidade, considerando que esta é uma forma de organização do processo de pensamento que não é única e nem uniforme pode ser temerário. Como existem várias formas de organizar o pensamento, logo há inúmeras formas de racionalidade. Por outro prisma, se a decisão for proveniente das emoções, precisamos entender que uma gama de sensações e sentimentos irá orientar o processo de escolha. E, mesmo que a decisão seja fruto de um composto de ambas, também não é exata, porque tudo isso é externo ao próprio indivíduo.

Não estou aqui propondo uma corrente de abandono a todas estas fontes de informações que nos acompanham desde sempre e que tem sua validade sim. No entanto, sugiro ouvirmos, lermos, compreendermos o interno, aquilo que é ótimo para o “eu”, em primeira pessoa pura, única, sem pensamentos conjugados. A informação que vem de dentro, o critério da informação interna, este sim é particular, único, individual, portanto precisa ser considerado, porque quem tem a capacidade de saber o que é melhor para um indivíduo que ele próprio?

Considere o que te realiza, o que te deixa pleno, o que te entrega uma condição de satisfação indiscutível, o que te eleva, o que te torna mais, o que te faz essência e verdade. Estes são critérios de informação interna, os quais sugiro, sejam considerados junto com todos os demais. Assim, tem-se as variáveis de decisão submetidas a mais critérios e momentos, afinal, o que mais importa nesta passagem de vida do que viver de forma ampla e plena?

Esta fonte de informações interna também deve ser considerada no ambiente empresarial. Ouça e entenda a voz interna, aprenda como ela se manifesta, quando age, porque ali está a informação original, aquela que vai indicar de fato qual o melhor caminho, qual a escolha otimal.

 

 

Marcelo Pastoriza Tatsch, Dr.

Consultor em Estratégia, Gestão de Resultados e Desenvolvimento Humano

Professor Antonio Meneghetti Faculdade

Instagram: @marcelo.p.tatsch / tatsch.marcelo@gmail.com

AGRICULTURA 4.0

19/08/2019 às 09h33

Muito se comenta sobre tecnologia, conectividade, internet das coisas, expansão tecnológica de maneira ampla. Estes movimentos abordaram a indústria há alguns anos e, precisa ser pensada em nível de setor primário, especialmente, na agricultura, vocação brasileira. A agricultura 4.0 não é um tema incipiente em nível mundial e até mesmo no Brasil já se percebe construções nesse sentido.

A partir deste conceito chegará um tempo que as informações chegarão ao produtor real em tempo real, mesmo que este não esteja presente no campo. A utilização de imagens via satélite, drones, dados de instrumentos sensores contendo informações do solo como umidade, potencial de fertilização, nível de compactação, temperatura, velocidade do vento, entre outras informações estarão disponíveis em telas de computador e que poderão ser acessadas onde o produtor estiver desde que possua uma conexão de internet.

A grande vantagem deste nível de informações é a capacidade de ser exponencialmente mais assertivo na hora de produzir. O tipo de cultivar, o volume de fertilizantes e outros insumos poderão ser otimizados, gerando menor custo e maior produtividade, ou seja, entregando eficiência produtiva ao agricultor. A conectividade vai permear tudo o que conhecemos. O grande questionamento é a que ponto esse nível de conexão estará acessível a todos os portes de produtores – grandes, médios, pequenos e micro?

Evidentemente, hoje, o que se tem de mais avançado é de mais fácil aquisição pelos grandes produtores, que estão capitalizados, produzem numa escala que permite e exige alta tecnologia envolvida. No entanto, o que se percebe é que a medida que ocorre a evolução das variáveis tecnológicas, aquelas substituídas, naturalmente, tornam-se mais próximas dos demais produtores.

Dessa forma considero que a tecnologia da informação na agricultura inicia com a preocupação do produtor rural na formação de uma estrutura empresarial confiável. Assim, estará se preparando para receber, aprender e utilizar estes fatores que podem fazê-lo ampliar o potencial produtivo de seu agronegócio, pois, não é somente a capacidade de investimento que determina o sucesso na produção agrícola, mas também, aquela capaz de reduzir custos, otimizar recursos, melhorar o desempenho daquilo que se tem e, isso, é possível ocorrer com um bom planejamento estratégico.

Com isso, não há necessidade de temer o futuro ou ter receio de incorporar novidades aos seus negócios. Uma das melhores formas de atingir excelência é estar aberto a novas discussões, conhecer outros parâmetros, incorporar novos hábitos e comportamentos, sempre lembrando que tudo começa por intermédio do manager, do líder, do dono, do proprietário, do gestor ou qualquer outra terminologia que possa determinar o principal interessado no sucesso do negócio.

O fato é: a conectividade, a internet das coisas e a tecnologia desembarcaram no campo. Agora precisamos entendê-las, aprendê-las, utilizá-las e ganharmos com suas possibilidades. Aos grandes produtores, estes podem a partir de seus próprios recursos conhecer todo o manancial de oportunidades geradas por estas variáveis. Por outro lado, os demais podem fazer uso de arranjos produtivos, cooperativas e outros tipos de associações que possam atuar como agentes de intermediação e fomento dos fatores da agricultura 4.0.

Marcelo Pastoriza Tatsch, Dr.

Consultor em Estratégia, Gestão de Resultados e Desenvolvimento Humano

Professor Antonio Meneghetti Faculdade

Instagram: @marcelo.p.tatsch / tatsch.marcelo@gmail.com

LIDANDO COM A INCERTEZA

16/08/2019 às 17h36

Nos negócios há sempre a presença dos riscos. Os princípios subjacentes sobre os quais uma empresa é estruturada infere a necessidade de avaliar os riscos do empreendimento. E quando me refiro a riscos, afasto a condição de aventura. Esta última ocorre quando o motivado realizador se lança numa operação sem conhecer as principais e as maiores particularidades desta.

Os riscos caracterizam uma forma de incerteza e, caracterizamos risco quando há precedentes históricos na forma de eventos semelhantes, dos quais é possível estimar probabilidades, mesmo com certo grau de subjetividade, para quais podem ficar delineados resultados diferentes. Outra forma de incerteza é a estrutural. A partir desta consideramos a possibilidade, partindo da ausência ou da fragilidade de um evento, que possa indicar probabilidade apenas sendo possível projetar uma cadeia de raciocínio de causa e efeito.

Mesmo com significativas restrições um planejamento contemplando a construção de cenários pode ajudar os gestores a projetarem o que pode acontecer e, assim, realizar uma projeção de julgamento relativizada. Se por um lado um planejamento permite a “simulação controlada” de circunstâncias e, a isso nominamos riscos, a ausência deste pode ser considerada pura aventura.

Muitos fatores no ambiente de negócios exibem elementos de previsibilidade, especialmente aqueles onde as mudanças não se mostram velozes. Em contrapartida tal previsibilidade é drasticamente reduzida se o ambiente de negócios é volátil, mutável ou sensível a oscilação de variáveis externas que geram problemas.

O maior problema num ambiente de negócios é sua complexidade. Então o que pode efetivamente fazer a diferença para o negócio? A resposta está longe de ser direta. É preciso iniciar por questões simples como investigar o quanto se domina daquilo que se pretende empreender? Onde posso buscar informações, conhecimento efetivo do negócio? Quem já atua no segmento que pretendo e que obteve sucesso? Quais foram suas experiências? Estas experiências podem ser compartilhadas comigo?

Respondidos os questionamentos anteriores, ainda estaremos apenas seguindo vagarosamente ao encontro daquilo que é preciso para avaliar o risco do negócio. E, isso serve não somente para aqueles que desejam iniciar um empreendimento, mas também, para aqueles que já estão no percurso.

Depois de reunir este conhecimento base é necessário voltar a visão para dentro do negócio. Perguntar-se: tenho a estrutura mínima exigida? Qual minha força de trabalho? Qual a qualidade daquilo que irei entregar? Como obtenho diferenciação? Quando terei o reconhecimento do mercado? As repostas para tais questões são mais simples, pois são orgânicas. Como são particulares do negócio é possível potencializá-las.

Portanto, é complexo gerir um negócio, porém, com ações simples é possível torná-lo mais resistentes às incertezas que permeiam o ambiente. Há farta bibliografia, cases, empresas especializadas e profissionais que podem auxiliar o empreendedor a criar, a melhorar e a ampliar seu negócio. Nenhum negócio parte do primeiro degrau e logo em seguida é remetido ao trigésimo. O percurso é degrau a degrau, formando base sólida, estrutura adequada, força de trabalho competente, clientes positivos, marca reconhecida e assim, há a possibilidade de sustentar-se mesmo frente aos momentos de crise é muito maior.

 

 

 

Marcelo Pastoriza Tatsch, Dr.

Consultor em Estratégia, Gestão de Resultados e Desenvolvimento Humano

Professor Antonio Meneghetti Faculdade

Instagram: @marcelo.p.tatsch / tatsch.marcelo@gmail.com

AGRONEGÓCIO E AGRICULTURA FAMILIAR

19/06/2019 às 09h49

A agricultura familiar e o agronegócio guardam uma estreita relação de interdependência e complementaridade, uma vez que o agronegócio inclui a agricultura familiar. A partir de dois autores norte-americanos, John Davis e Ray Goldberg, que em 1957 criaram o termo conhecido como “agribusiness”, que no idioma nativo é denominado “agronegócio” e, desde aquele momento esta atividade é percebida de forma sistêmica e integrada e não de forma isolada como até então a agricultura e a pecuária eram tratadas.

Considerando que quase metade da população mundial, cerca de 3 bilhões de pessoas, vive em áreas rurais, onde desse total, cerca de 2,5 bilhões obtêm seu sustento da agricultura, pode-se inferir que esta atividade constitui-se numa força motriz da economia, sobretudo nos países em desenvolvimento. É nesse ponto que iremos centrar o objeto desta edição.

O que interessa na discussão agricultura familiar versus agronegócio não é o tamanho das propriedades, e sim sua gestão e sustentabilidade. Os modelos de produção não devem ser confrontados, no entanto, a evolução, inovação e integração podem ser espelhadas nas técnicas utilizadas no agronegócio. As atividades promovidas no entorno da agricultura familiar, embora distintas da não familiar, precisam ser analisadas e conduzidas com base na gestão da propriedade que, habitualmente, é compartilhada pela família onde a atividade produtiva agropecuária é a principal fonte geradora de renda, o que gera uma relação particular entre o agricultor familiar e a terra, seu local de trabalho e moradia.

Enquanto o agronegócio, por sua forma de gestão, mesmo enfrentando adversidades significativas como a alta competitividade em escala, mercados internacionais voláteis sob o ponto de vista da rentabilidade, as agruras do clima entre outros fatores, vêm se fortalecendo. A agricultura familiar por sua vez parece não conseguir encontrar seu ponto de ganho. Há muito a ser feito e, de maneira bem simples, com capacidade de tornar essa atividade um bom negócio.

Um exemplo é o mercado de produtos orgânicos que hoje ainda é um campo econômico em construção. No Rio Grande do Sul o mercado de produtos orgânicos possui uma longa tradição, onde as primeiras feiras de produtores ganharam espaço ainda na década de 1980. Porém, estas feiras não conseguem suprir a crescente demanda por produtos orgânicos e saudáveis em razão de serem esporádicas e limitadas a determinados locais e, normalmente, não conseguem divulgar de forma adequada.

Em Santa Maria, uma parceria entre a Universidade Federal de Santa Maria e a Emater conseguiu reunir produtores de alimentos orgânicos. A Feira de Produtos Orgânicos Ana Primavesi (engenheira agrônoma austríaca que, nos anos 1960 ingressou no departamento de Solos da UFSM e desenvolveu um trabalho pioneiro na perspectiva de produção mais saudável e ecológica) é realizada todas as quartas-feiras no turno da manhã dentro da própria UFSM. Mesmo com iniciativas como esta, a região central do Rio Grande Sul ainda não atingiu um nível de maturidade para compreender que este segmento há muito deixou de ser uma atividade eventual, mas constitui-se num negócio altamente lucrativo, desde que seja bem gerido.

É evidente que existem dificuldades para o setor, mas este tipo de produção de alimentos orgânicos muitas vezes apresenta uma demanda que os produtores não conseguem supri-la. Um exemplo é a produção, em um sítio no município de Porto Alegre, cuja proprietária é a nutricionista Rosane De Marco, especializada em pimentões coloridos, que a partir do reconhecimento deste mercado e do investimento em capacitações técnicas voltadas à atividade a levaram produzir, atualmente, cerca de uma tonelada de pimentões por mês que é insuficiente para atender a demanda que possui.

Nossa região ainda está adormecida e não percebeu o imenso potencial para esta variação na produção agrícola. E, a população do município está cada vez mais ávida ao consumo de alimentos saudáveis. A consciência de que o corpo sadio é o fundamento base para todo o resto está presente, basta verificar o aumento do número de academias de diversas modalidades, os grupos de corrida, os ciclistas, os remadores, os naturistas e tantos outros grupos adeptos a condições de vida saudável que ganham integrantes. Está aí uma excelente oportunidade de negócio.

 

Marcelo Pastoriza Tatsch, Dr.

Consultor em Estratégia, Gestão de Resultados e Desenvolvimento Humano

Professor Antonio Meneghetti Faculdade

Instagram: @marcelo.p.tatsch / tatsch.marcelo@gmail.com

FONTES RENOVÁVEIS DE ENERGIA

19/06/2019 às 09h10

Numa recente viagem ao Uruguai, chamou atenção os diversos parques eólicos instalados naquele país e que podem ser vistos nos campos ao longo das bem conservadas rodovias que atravessam o país. Destaca-se que em poucos anos a nação vizinha multiplicou vigorosamente os locais que reúnem esses “monumentos” a céu aberto. Atualmente, os mais de 40 parques eólicos são responsáveis por gerar aproximadamente 41% de toda a energia elétrica consumida no Uruguai.

Em pouco mais de uma década, o Uruguai tornou-se o país com maior proporção de eletricidade gerada a partir da energia eólica na América Latina e quarto no mundo, segundo o relatório elaborado pela REN 21 (Rede de Política de Energia Renovável para o século 21). Somada a esta posição de destaque em geração de energia a partir de fontes renováveis, houve a redução da vulnerabilidade às mudanças climáticas e às crescentes secas que afetam as hidroelétricas uruguaias.

Painéis para geração de energia fotovoltaica também são visíveis, embora ainda representem um percentual abaixo de 5% na produção de energia elétrica no país. Mas, cabe o destaque aos painéis de energia fotovoltaica vistos em pontos de ônibus ao longo das rodovias e em pontos específicos nas propriedades rurais. Recentemente, o aeroporto de Carrasco inaugurou uma usina de energia solar fotovoltaica, sendo pioneiro na América Latina. Percebe-se não somente a preocupação do poder público, mas também da iniciativa privada nesta direção.

Mas este pequeno relato é apenas uma provocação para algumas questões a serem debatidas em solo brasileiro. Por que não seguir o exemplo do vizinho mais meridional das Américas? Mesmo havendo políticas de incentivo são acanhadas as iniciativas nesse sentido no Brasil, ainda que a energia solar fotovoltaica tenha avançado fortemente no mundo, motivada pela conscientização da população em termos ambientais, pelo amadurecimento da tecnologia, pelaa queda de preço e também pelos diversos incentivos fiscais e políticos.

O ato precursor em termos de incentivo no País foi estabelecido por intermédio da Resolução Normativa 482/2012 da ANEEL, criando um sistema de compensação que permite que a energia produzida por painéis fotovoltaicos em uma unidade consumidora possa ser injetada na rede gerando créditos, que podem ser utilizados para abater no consumo de energia da unidade consumidora nos horários em que não estiver produzindo.

Por último foi criado o Programa de Desenvolvimento da Geração Distribuída de Energia Elétrica (ProGD), que visa estimular a geração de energia a partir das placas solares, e para isso estão disponíveis recursos que podem ser obtidos via Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, com juros atrativos e pagamento de longo prazo.

Mas esta comparação entre o Brasil e o Uruguai serve apenas para reforçar que não há efeito em reclamações. Como em qualquer iniciativa o poder de transformação está na ação. Esta sim tem o poder de modificar as circunstâncias e cenários desfavoráveis que acabam inibindo e limitando a evolução das empresas. Há que se munir de informações, coragem empresarial, apoio de técnicos e especialistas para superar as adversidades que nos são oferecidas e seguir os exemplos que deram certo.

 

Marcelo Pastoriza Tatsch, Dr.

Consultor em Estratégia, Gestão de Resultados e Desenvolvimento Humano

Professor Antonio Meneghetti Faculdade

Instagram: @marcelo.p.tatsch / tatsch.marcelo@gmail.com

LIDERANÇA, UMA QUESTÃO DE OPÇÃO

29/04/2019 às 09h44

Há poucos dias conversava com um amigo empresário sobre as 2 últimas pautas desta coluna. Na oportunidade meu interlocutor teceu comentários conjugando o artigo “Competitividade” ao “Adeus ano velho … Bem-vindo 2019”. Entre afirmações e questionamentos surgiram indagações: “como posso ser competitivo num cenário desses? Será que estou conduzindo as ações de minha empresa com o máximo de assertividade possível? Como posso ter certeza que sou a melhor liderança para o meu escopo de negócio?”

Certamente, os questionamentos desse amigo que irei chamá-lo ficticiamente de Pedro, são os mesmos de muitos outros empreendedores e empresários. De forma mais simples e direta o primeiro passo que deve ser dado para a solução das diversas problematizações que surgem nos negócios é reconhecer a capacidade de realização do líder.

Imediatamente, Pedro interrompeu argüindo: “desde antes da época da faculdade sempre ouvi que para ser líder precisa haver vocação. Depois, conhecendo e discutindo fatos e feitos de realizadores, tive a convicção que um líder se constrói a partir de necessidades ou oportunidades”. Estimulei-o a pensar em qual das hipóteses lhe parecia mais adequada, acrescentando ideias de alguns autores que estudaram exaustivamente o assunto.

O líder, em um determinado aspecto, já nasce com o dom, com a atitude que caracteriza os diferenciados. Depois, ao longo de sua existência ele pode reforçar esse aspecto de natureza que possui, a partir das interfaces que a vida o propõe, da formação escolar e acadêmica o que acaba estimulando o desenvolvimento de atitudes que o caracterizam como líder. Não é o resultado de uma carreira, de anos, mas é uma predisposição de natureza aperfeiçoada por meio da experiência (MENEGHETTI, 2013).

Há inúmeras definições, mas como não é o propósito deste artigo citá-las, faço uma síntese de diversos pensadores utilizando a afirmação de Crisóstomo (2008) na qual “líder é aquele que tem a capacidade de administrar pessoas e equipes, de personalidades diferentes, e gerenciá-las, mobilizando-as para objetivos comuns (CRISÓSTOMO, 2008)”.

A partir destas ideias principais, continuamos a reflexão sobre como prosperar sendo competitivos e tendo ações eficazes. Continuei sustentando que somente o líder é quem possui o possui o ponto de convergência. Pedro novamente questionou: como consigo isso? Como identifico esse ponto? Minhas respostas novamente seguem no sentido de reflexão a Pedro: líder é aquele indivíduo que consegue realizar e realizar-se, dando possibilidade a outros obterem essa liberdade e satisfação e, em conjunto realizando o bem geral.

Meneghetti (2013) consolida o líder como aquele que a partir do seu egoísmo (realiza aquilo que deseja) e ainda consegue realizar o interesse público quando desenvolve seu próprio negócio, deslocando bens, interesses, energia, gerando possibilidade de trabalho para outras pessoas, estimulando o crescimento social no sentido do progresso comum, destinado a devida proporção de todos os investimentos necessários ao business sempre possuindo a clareza da funcionalidade de cada elemento, de cada pessoa, de cada resultado.

Chegando próximo a conclusão, reforcei a Pedro que o líder, antes de tudo, é aquele em quem se percebe atitude, força, vontade de agir, que procura servir com excelência, que sabe harmonizar todas as partes mesmo num contexto turbulento. Em resumo, afirmo que liderança é fundamental para qualquer empreendimento. O sucesso está diretamente atrelado à capacidade do líder intuir, pensar e agir. Se você ousou em realizar seu sonho, seu potencial vital, seu egoísmo, provavelmente, há um líder em você.

Quanto mais você puder refletir acerca de suas capacidades e reforçá-las, mais você se desenvolverá enquanto liderança. Estude, faça cursos que se alinhem ao seu ponto de distinção, busque especialistas que o ajudem a potencializar suas virtudes e tenha negócios saudáveis, prósperos e rentáveis, para você; tenha um ambiente profícuo e desejado por profissionais referência e esteja na mente dos seus clientes e da sociedade como uma empresa séria, justa e reconhecida como quem sabe fazer melhor que qualquer outra aquilo a que você se propõe a realizar.

 

 

Marcelo Pastoriza Tatsch, Dr.

Consultor em Estratégia, Gestão de Resultados e Desenvolvimento Humano

Professor Antonio Meneghetti Faculdade

Instagram: @marcelo.p.tatsch / tatsch.marcelo@gmail.com

GESTÃO PROFISSIONAL

15/04/2019 às 11h26

Na edição anterior fiz menção às informações “além fronteiras” no aconselhamento aos profissionais envolvidos no agronegócio. Agora retomo parte desta linha propondo alguns questionamentos cujas respostas podem indicar aos envolvidos no setor se estão no caminho certo. A amplitude das oportunidades e ameaças desse mercado não admite repouso ou lentidão.

Muitas vezes ouvi relatos de produtores rurais e de empresários ligados ao setor que sentiam que demoravam em tomar algumas decisões e, como consequência disso, o resultado de suas iniciativas não atingia os efeitos pretendidos. A decisão mostra-se mais acertada à medida que o diagnóstico ofereça dados consistentes. E, o diagnóstico será tão mais preciso quanto maior a velocidade de obtenção dos dados e a agilidade na tomada de decisão. E quais os dados são relevantes? Como obtê-los? Quais instrumentos utilizar para analisá-los de forma transversal? Estas e tantas outras perguntas são feitas antes da tomada de qualquer iniciativa têm respostas diretas.

Se como premissa, ao menos anualmente, houver a realização do mapeamento de potencial de mercado já há um indicativo de que a empresa está adquirindo maturidade gerencial e está pensando seus próximos passos. A partir deste fundamento podem derivar outros que são igualmente simples, mas que podem gerar grande economia para o tomador de decisão. Como exemplos destacam-se o mapeamento de potencial de clientes e prospects. Uma vez conhecendo o potencial de mercado, de clientes e dos prospects e fazendo a utilização das informações resultantes em cruzamento com as oportunidades e ameaças desenhadas para o setor, diversos pontos de incerteza podem deixar de existir e, como principal ganho, há a clareza no indicativo de qual direção devem seguir as ações produtivas.

Se ficarem evidentes as iniciativas, basta elaborar um plano de execução bem simples, destacando fundamentalmente o que deve ser feito, o responsável pela atividade, as relações de entrega (anteriores e posteriores) e um cronograma de realização. A prática destes procedimentos uma vez aplicados de maneira regular cria um método capaz de criar um hábito de gestão muito saudável e eficiente para a empresa e seus envolvidos. A fim de facilitar a estruturação destas medidas podem ser utilizados vários templates disponíveis na internet. O uso destes, além de já apresentar um design prévio, pode ainda proporcionar a adequação para a realidade de cada negócio.

Avançando um pouco mais na gestão, podem ser criados indicadores de desempenho para, produtos, fornecedores, colaboradores, clientes e investimentos. Os benefícios destes indicadores se refletem na capacidade de medir se os aspectos que deram forma ao planejamento estão sendo cumpridos dentro de uma normalidade ou se apresentam distorção. Qualquer uma das respostas traz resultados positivos: se estão normais indica que o planejamento ficou consistente e todas as ações estão sendo realizadas dentro de critérios de previsibilidade e normalidade e, se apresentarem distorção tem-se a oportunidade do gestor agir de maneira corretiva para garantir o resultado estipulado.

Os aspectos que apresentei são o princípio de uma gestão voltada para o resultado. Há inúmeros outros métodos, variáveis e aspectos que podem ser explorados, chegando aos níveis de planejamento para a rede de influenciadores a governança societária. Portanto, ferramentas, métodos, conhecimento e caminhos existem, cabe aos profissionais do agronegócio incorporar novas técnicas de gestão à atividade produtiva e assim, multiplicar seus resultados e diminuir a crença simplista de que se o clima favorecer todo o resto se resolve.

Marcelo Pastoriza Tatsch, Dr.

Consultor em Estratégia, Gestão de Resultados e Desenvolvimento Humano

Professor Antonio Meneghetti Faculdade

Instagram: @marcelo.p.tatsch / tatsch.marcelo@gmail.com

ADEUS ANO VELHO… BEM-VINDO 2019

01/03/2019 às 14h17

Ficou para trás mais um ano. Agora em 2019, com forças, objetivos, metas e expectativas renovadas, inicie o último ano desta década. Lembrando que em 2010, o Brasil elegeu a primeira mulher presidente do País, a China tornou-se a segunda economia mundial e a Revista Time elegeu Mark Zuckerberg a personalidade daquele ano; em 2011 morreu Osama Bin Laden, a Bolsa de Nova Iorque fundiu-se à Bolsa de Frankfurt tornando a maior do mundo e teve a chegada da Netflix ao Brasil; em 2012 os cientistas do CERN anunciaram o Bóson de Higgs denominada a “Partícula de Deus” e houve a explosão das startups no Brasil; 2013 foi marcado pela renúncia do Papa Bento XVI dando lugar ao Papa Francisco (primeiro Papa argentino), morrem Hugo Chávez, Nelson Mandela e Margaret Tatcher e a Croácia aderiu à União Europeia; em 2014 o Brasil sediou a Copa do Mundo (com aquele estrondoso 7 x 1 na derrota para a Alemanha), mas recebeu a Spotify, a sonda Philae foi o primeiro objeto construído pelo homem a pousar num cometa e teve início a Operação Lava Jato; 2015 trouxe a crise migratória na Europa e o Brasil mergulhou numa forte recessão e também houve a chegada do Uber ao Brasil em São Paulo; já 2016 apresentou o empresário Donald Trump como presidente dos EUA e Dilma Roussef sucumbiu ao processo de impeachment; em 2017 o juiz Sérgio Moro condenou Lula à prisão e o Brasil começou a se restabelecer da recessão e, em 2018 Jair Bolsonaro foi eleito presidente do Brasil.

Com esta breve retrospectiva, percebe-se que aconteceram muitas coisas nestes últimos 9 anos e, a boa notícia é que devemos iniciar 2019 com a inflação sob controle, juros básicos em patamar mais baixo e, certamente, com uma sociedade mais vigilante para cobrar esforços fiscais e orçamentários do governo. Sabe-se também que há uma longa jornada a ser percorrida e que não há caminhos fáceis. É preciso ficar atento às tendências do mercado, planejar estratégias vantajosas para o seu negócio e trabalhar, trabalhar muito.

Uma boa maneira de começar o ano novo é estabelecer um minucioso planejamento para seu empreendimento. Há oportunidades de negócios lucrativos por todos os lados. No entanto, é preciso embasar seu planejamento empresarial considerando a situação atual do mercado, verificando quais tipos de negócios estão em alta, quais àqueles que estão consolidados e que se sustentam em perspectivas de longo prazo. Porém, não há nenhuma garantia de que aquilo que funcionou até hoje, continue trazendo êxito no futuro.

Encontrar problemas que não estão sendo devidamente resolvidos pelas empresas e tentar conceber formas para tornar esse tipo de solução mais eficiente, mais rápida ou mais barata é uma boa forma de começar a pensar diferente neste 2019. Outra sugestão é pensar como servir “melhor” seus clientes, a partir da entrega de soluções para os problemas que estes enfrentam. Outra perspectiva é vislumbrar oportunidades, analisando o que você faz melhor do que os outros e como poderia potencializar este talento próprio.

Dispare na frente da concorrência, não fique adormecido na zona de conforto, sempre há maneiras diferentes de fazer coisas que possam ser mais lucrativas para empresa e que tenham mais valor para o cliente. Pense nos negócios que continuam prosperando, diversifique. Invista em qualidade de vida, numa alimentação saudável e, há sim inúmeros negócios que podem utilizar este viés como ponto de ganho econômico, porque há muitas pessoas interessadas em manter uma alimentação de qualidade e vida melhor.

Há outro mercado que não liga para os altos e baixos da economia: o Pet. Mantém-se estável e aquecido, talvez por isso o Brasil ocupe a 4ª posição mundial em número de animais de estimação. Realidade virtual e economia compartilhada podem ser boas opções para diversificação, além dos negócios que envolvem beleza e tecnologia que também cresceu, mesmo em meio a recessão na economia brasileira.

Enfim, inicie este ano com a mente aberta, com a alma disposta a desafios, busque ser mais, acredite mais, arregace as mangas, tire as ideias do campo mental, elabore seu planejamento e “viva” 2019 com muita prosperidade em seu negócio.

A IMPORTÂNCIA DE CONHECER O CONTEXTO GLOBAL

26/02/2019 às 11h08

Expressiva parte das empresas nas quais desenvolvi atividades de consultoria ou assessoria, atuam diretamente no segmento do agronegócio ou possuem íntima relação com este setor econômico. No entanto quando se estabelece esta parceria, muitos empresários e gestores buscam alternativas e soluções às questões ligadas aos processos produtivos, de suporte ou ao desenvolvimento de métodos e técnicas que possam entregar um resultado melhor a partir das operações específicas do negócio.

No entanto, em razão das inúmeras adversidades que os produtores enfrentam atualmente, alguns já reconhecem que não basta fazer uso de tecnologia de ponta ou possuir processos bem delineados. Para que estes fatores possam de fato proporcionar o incremento desejado é necessário que as pessoas ligadas às coisas do campo também se desenvolvam e evoluam.

Talvez este seja o maior desafio, e que não fica explícito com facilidade, a ser superado pelos empresários e estruturas funcionais do setor. O que se percebe na grande maioria dos casos é a falta de consumo de informações que são relevantes aos negócios do campo. Rotineiramente, os envolvidos com a atividade rural buscam informações técnicas e tecnológicas sobre equipamentos, manejo, melhoramentos genéticos entre outros, e acabam não realizando a última parte: como isso tudo pode auxiliar o agronegócio na obtenção de melhores posicionamentos e resultados, considerando um cenário global?

Se por um prisma o agronegócio brasileiro é observado de perto pelos players do mercado mundial, sendo também um setor que contribui muito para a economia brasileira, ajudando a equilibrar inúmeras deficiências de produtividade, eficiência e gestão, por outro lado os operadores locais possuem dificuldade para enxergar e projetar o que se pode esperar de uma safra para outra. Quando se trata de Rio Grande do Sul esse contraste é ainda maior.

Os profissionais ligados ao campo precisam aprender a fazer esta leitura de forma mais ampla, de maneira macro orientada. Apenas para ilustrar, numa reunião com diversos produtores e técnicos do setor, questionei como estavam percebendo as relações comerciais fragilizadas entre os Estados Unidos e a China? Apenas uma, das 25 pessoas presentes esboçou uma resposta. A partir disso enfatizo que é imprescindível começar a conhecer cenários diversos, para que de fato possa haver um posicionamento mais sólido e confiável nas decisões e questões de gestão. Evitar que as queixas sobre os preços dos insumos, as adversidades climáticas, o baixo preço do produto sejam as principais pautas.

Acessar informações confiáveis, de fontes sérias que estão disponíveis em grande volume, discuti-las, entendê-las e projetar seus reflexos na nossa economia são aspectos fundamentais.

Mas para que isso ocorra é necessário que os profissionais do agronegócio se disponham a realizar esta busca de informações “além-fronteiras” e que possam repassar aos seus colaboradores envolvidos na gestão das empresas rurais e, que os empresários que prestam serviços aos produtores também entendam a amplitude de oportunidades e ameaças desse mercado tão sensível. Penso que se tivermos a força de seguir um caminho proativo, podemos superar mais um grande desafio e, o agronegócio terá novamente demonstrado a sua capacidade de se reinventar e de sobrepujar qualquer adversidade.

O AGRONEGÓCIO É E CONTINUARÁ SENDO UM BOM NEGÓCIO

18/12/2018 às 10h47

Este segmento produtivo tem passado por significativas transformações de ordem econômica, cultural, social, tecnológica, ambiental e mercadológica que impactam o meio rural. Mecanismo como a inteligência estratégica tornou-se um grande aliado das empresas que atuam antes, dentro e depois da porteira, quando se pensa em planejamento de médio e longo prazo. Mas, nem sempre foi assim.

Numa breve análise das últimas décadas, o Brasil migrou da condição de importador de alimentos para a configuração de ser um dos grandes provedores de alimento para o mundo. Isso ocorreu porque foram verificados aumentos substanciais na produção e na produtividade agropecuárias.

Quando se trata da agricultura brasileira, até meados do século passado, esta atividade era extremamente rudimentar. Produtos como a soja, era uma curiosidade no Brasil, portanto, não possuía nenhuma expressão para o mercado interno e, menos ainda para o comércio internacional. Naquela época, menos de 2% das propriedades rurais contavam com máquinas agrícolas. Esta escassez de tecnologia trazia muito sofrimento aos produtores e trabalhadores do campo e pouco se sabia sobre solo, fertilizantes, criação de animais, em condições mais lucrativas para os produtores.

O resultado desta combinação se refletia em baixo rendimento por hectare e pouco volume de produção. Neste momento também, o País caminhava sob um forte movimento de industrialização, trazendo consigo o crescimento das cidades e por consequência o aumento da população urbana.

A partir da inserção da tecnologia voltada às atividades do campo este cenário mudou muito. Em pouco mais de 40 anos, o Brasil teve sua produtividade aumentada de 38 milhões de toneladas/ano para 236 milhões de toneladas/ano. Enquanto a produtividade aumentou em mais de 6 vezes a área utilizada para produzir apenas dobrou.

A atividade pecuária também recebeu incrementos de produção e de produtividade nesse período. O rebanho brasileiro de gado bovino mais do que dobrou, enquanto a área de pastagens teve pequeno avanço. Todo esse cenário conduziu o Brasil a uma condição muito importante no cenário mundial do abastecimento de alimentos. Hoje, é um dos principais players na produção e no comércio de carne bovina mundial, comercializando quase 2 milhões de toneladas de carne bovina vendida a outros países.

Outras atividades pecuárias como a avicultura e a suinocultura prosperaram muito. Com 12,9 milhões de toneladas exportadas consolida o Brasil como o maior exportador mundial de frango e com mais de 3,7 milhões de toneladas dá a condição de quarto maior produtor e exportador mundial de suínos.

Com essa evolução toda dos setores produtivos, também ganharam importância no cenário nacional as atividades ligadas à produção de insumos, processamento e distribuição. Assim, o agronegócio destaca-se como uma das principais alavancas da economia brasileira, visto que em 2017 o agronegócio foi responsável por gerar mais que 23% do PIB do País e foi responsável por mais de 46% do valor das exportações. Também, no que se refere à geração de empregos relacionados ao agronegócio, somente a agroindústria e serviços relacionados empregaram em 2017, 4,12 milhões e 5,67 milhões de pessoas respectivamente.

Como a cultura da soja continua sendo o principal expoente brasileiro e também gaúcho é importante ao produtor rural ficar atento às inúmeras pesquisas relacionadas ao cultivo. Há muita tecnologia difundida capaz de melhorar a produtividade e, por consequência, a rentabilidade deste produto. A mecanização, as tecnologias de precisão e as técnicas de melhoramento de cultivares que se adequam às condições de solo e clima, tornando a soja mais resistente constituem-se nos principais fatores de sucesso.

Por outro lado, tecnologias relacionadas à correção e adubação de solos, delineando estratégias para otimizar o uso de corretivos e de fertilizantes têm contribuído para o crescimento da produtividade no campo. O fator “fertilizantes”, segundo pesquisa da Embrapa os fertilizantes são responsáveis pelo incremento de cerca de 40% na oferta de alimentos no mundo.

Assim, como a expectativa é que a população mundial atinja 8,5 bilhões de pessoas em 2030, o que corresponde num aumento de mais de 16% que em 2017. Há algumas projeções indicando forte expansão da classe média na população mundial e, isto infere aumento de renda, que implica em mudanças nos padrões de consumo resultando na expansão da demanda por carne, frutas e vegetais.

Especialmente a produção de soja deverá crescer no contexto mundial e nacional. Estima-se que em menos de 10 anos o Brasil produza acima de 290 milhões de toneladas de grãos e mais de 34 milhões de toneladas de carnes bovina, suína e de frango.

COMPETITIVIDADE

18/12/2018 às 10h32

Na edição anterior abordamos o tema competitividade. A partir disso é oportuno abordar alguns assuntos que muitas vezes podem se constituir em problema ao empresário, mas que frequentam uma linha secundária nas agendas das lideranças para tratamento e resolução. Admitimos que ter sucesso nos empreendimentos é altamente desafiador. No entanto, se o empresário tiver a clareza de que o sucesso pretendido passa, essencialmente, por suas ações e postura esse desafio se torna mais ameno.

Na maioria das vezes é sugerido que o empresário faça uma distinção entre a sua vida pessoal e a profissional. No entanto, esta receita além de ser um grande equívoco é algo impossível de realizar. O empresário será sempre empresário, independente do porte de seu negócio, do segmento de atuação e tantas outras classificações, ou seja, em qualquer momento e onde ele estiver é o responsável primeiro pela personalidade jurídica que optou por possuir.

O que muitas vezes causa desconforto são as situações problema que geram preocupações ao empresário e, que acaba consumindo sua tranquilidade, seu bem-estar, sua qualidade de vida e sua felicidade. Dessa forma o empresário, mesmo estando em seu momento de descanso, de lazer, de descontração não estará pleno nessas situações em função de algo que não esteja bem resolvido em seu negócio e que o afetará de maneira nociva.

Se situações como esta perdurarem por tempo demasiado, traz complicações maiores capazes de comprometer a pessoa jurídica e a pessoa física do empresário, além de afetar as pessoas e empresas de suas relações.

Para evitar isso, o empresário nunca deve subestimar o seu potencial de solução de problemas. Pode até haver a escassez de determinados recursos em certos momentos, mas a capacidade de correção do rumo está com o empresário. Há, que se ter presente, que uma empresa é uma extensão direta da pessoa de seu idealizador e, que todo o resto depende da compreensão e das ações tomadas a partir dessa premissa.

É comum empresários recorrerem a especialistas para eliminar problemas e até mesmo para definir os próximos passos. No entanto, o que se verifica é que estes profissionais, sejam eles terceiros ou colaboradores, não possuem o ponto exato do negócio. Isso, está somente nas mãos e mentes dos proprietários. Esta afirmativa não se refere a desprezar ou inferir que o empresário não necessite de técnicos para alinhar as ações necessárias, mas que ele precisa estar no centro de tudo e, entender que os especialistas o auxiliarão com seu repertório de ferramentas e técnicas, mas o líder é o empresário em primeira pessoa.

A liderança deve ser constantemente alimentada e desenvolvida. Portanto, cabe às empresas investir em desenvolvimento de gestão e de pessoas. Porém, não somente naquilo que é voltado ao seu corpo funcional ou às operações propriamente ditas, mas deve o empresário buscar qualificar-se, adquirir conhecimento que o reforce como o protagonista de sua empresa.

À medida que o principal líder se desenvolve a empresa obtém ponto de ganho maior, pois, quanto maior for seu conhecimento, maior será sua visão e assim, como o tomador de decisão, estará mais denso para decidir pela escolha que lhe dará o ponto ótimo.

Empresário: qualifique-se, estude, busque recursos e profissionais que possam reforçá-lo. Assim, você estará dando passos firmes e decisivos para o sucesso da sua empresa e para sua realização pessoal.

E AGORA?

31/10/2018 às 11h44

Em meio a um ambiente turbulento, o agronegócio no Brasil segue se fortalecendo. Segundo pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (CEPEA), são dois anos seguidos de alta no setor do agronegócio brasileiro. A estimativa de crescimento para o ano de 2018 é de 3,4% em comparação a 2017, que registrou uma taxa 7,6% de evolução. Assim, a atividade econômica, que inclui o setor primário e de indústrias antes da porteira (dos insumos) e depois da porteira, representa 21,2% da economia brasileira, segundo dados da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP).
Cenários como a greve dos caminhoneiros, que teve como resultante a elevação no custo dos fretes, o embate entre China e Estados Unidos, que culminou com o aumento dos preços dos insumos, especialmente, dos grãos destinados à produção de ração, a oscilação no preço do dólar, a polêmica envolvendo o uso dos defensivos agrícolas, assunto que afeta também segurança alimentar, saúde e o meio ambiente, supersafra nos EUA, quebra na produção de soja no Rio Grande do Sul e Argentina são alguns dos fatores que fazem parte desse imenso quebra-cabeças chamado agronegócio.

No Rio Grande do Sul, a menina dos olhos dos produtores do setor continua sendo a soja, muito em função do baixo preço obtido pelo arroz e pela grande demanda dessa cultivar no contexto internacional. Em 2017, a metade Sul do Estado, que sofreu com períodos de escassez de chuvas, este ano, traz nova perspectiva para os produtores. O plantio da soja iniciou em setembro, com condições favoráveis de umidade do solo e boa insolação, onde hoje as áreas estão sendo preparadas para a nova safra.

Para as criações, especialmente a bovinocultura, o clima tem produzido um quadro bem favorável para as pastagens de inverno. Com as temperaturas em elevação e predomínio do sol, há uma boa condição para o desenvolvimento das forrageiras de verão e para o campo nativo. Esses fatores reduzem a necessidade de oferta de silagem e de concentrado, diminuindo o custo de produção, o que é altamente desejado pelo produtor.

Mesmo frente a todos esses fatores, há cenários promissores resultantes da convergência histórica de variáveis aceleradoras no setor. O futuro do agronegócio precisa ser traçado a partir de projeções, possibilidades, oportunidades, condicionantes e conjecturas. Por essas razões, planejar, aplicar, mensurar, incrementar ou excluir e estabelecer pontos de convergência com as políticas agrícolas, pesquisa, tecnologia, especialmente àquela voltada a informações precisas e à adoção de inovações, gestão para resultados, principalmente em nível de campo, é fundamental.

O potencial do Brasil com seus mais de 90 milhões de hectares agriculturáveis se destaca como principal player do agronegócio mundial. No entanto, o setor primário apresenta desafios, com destaque à característica do setor e seu desarranjo produtivo, somado a heterogeneidade entre os produtores, com imenso desnível de qualidade, produtividade e resultado financeiro.

A gestão das propriedades rurais, especialmente as da metade Sul do Estado, carecem de desenvolvimento de ferramentas mais adequadas para sua administração. Embora existam empresas do setor com bom nível de maturidade gerencial, a capacidade para entregar resultados eficientes e sustentáveis está atrelada ao uso de métodos de gestão mais avançados, inclusive àqueles utilizados em outros segmentos econômicos.

Em suma, as empresas ligadas ao agronegócio precisam adquirir maturidade em gestão, pois somente os mais eficientes, independente do porte ou atividade, poderão evoluir e se tornar competitivos e sustentáveis.

COMPETITIVIDADE

31/10/2018 às 11h23

Em tempos tidos como difíceis no que tange a negócios, uma única alternativa resta para as empresas conseguirem prosperar: ser competitiva. No entanto, o que se impõe como grande dilema é como possuir uma diferenciação capaz de tornar cada negócio único e, assim, garantir sua prosperidade. Alguns aspectos são essenciais e, o um deles é ser reconhecido.

Sendo a empresa amplamente reconhecida por consumidores, concorrentes, parceiros e pela comunidade em geral, não há dúvida que isso pode trazer enorme vantagem competitiva para o negócio. Porém, esse reconhecimento precisa ser positivo, ou seja, as referências precisam ser inquestionavelmente favoráveis, caso existam presenças negativas apenas haverá o aceleramento do processo falimentar da empresa.

Ser o melhor naquilo que se propõe a fazer torna-se o único caminho viável para a obtenção do desejado reconhecimento. Ser o melhor significa que a empresa tem em suas estratégias, seus processos, seu foco e seus relacionamentos alinhados, a partir do comprometimento de todos com o próprio negócio e o total engajamento da empresa com o cliente.

Cliente satisfeito significa lucro, que por sua vez é garantia de autonomia para o negócio e capacidade de realização ao empresário e aos colaboradores. Hoje, é comum haver uma sensação de completo descompasso entre o que o cliente espera e o verdadeiro know how da empresa, e ainda, o papel das pessoas da empresa que deveriam promover esta aproximação. A questão toda se resume a falta de clareza do propósito de parte da empresa e da falta de acolhimento percebido pelo cliente.

Com essa dissonância, não há como se estabelecer a competitividade. A vivência de mais de 25 anos de mercado, dos quais ao menos 20 anos especialmente dedicados à Santa Maria e Região Centro Oeste do Estado do Rio Grande do Sul, permitiu a realização de um belo mapeamento dos principais fatores que impactam na obtenção ou não da competitividade das empresas desta macrorregião. Dois fatores destacam-se entre os demais: atendimento deficiente e negligência no planejamento.
Partindo do pressuposto que a essência de uma empresa é a sua capacidade de produzir serviço, pode-se inferir que tudo nela precisa ser construído sob esta ótica. E, nem sempre é o que ocorre. Muitas empresas acreditam tanto naquilo que supostamente sabem fazer, operar ou realizar que esquecem que cada cliente é um cliente, individualizá-lo e promover interação única com cada um é fundamental.

Por outro lado, conhecer a técnica de produção de modo simples, com o mínimo de meios com máximo de economia, de modo funcional, inovador e colocar ao dispor do cliente, para que este se sinta bem servido e convicto que pagou e recebeu vantagem pelo que adquiriu. Assim, finalizo utilizando Carl Jung para afirmar que conhecer todas as teorias e dominar todas as técnicas é essencial quando se trata do negócio, mas ao tocar uma alma humana seja apenas outra alma humana, quando se trata das relações com clientes, colaboradores e parceiros.