Revista Statto

VOCÊ CRIA A SUA TIMELINE

13/09/2020 às 10h24
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Quando eu tinha quinze anos queria logo ter dezoito. Para mim, dezoito vinha como promessa de liberdade.

Imagino que você pensava mais ou menos assim se nasceu em meados de 60…70…80 talvez não.

Eu tinha sonhos. Muitos sonhos doidos. E acredito que você também. Ainda os tenho.

Adolescente sempre sonha com alguma coisa. Sonhos adolescentes podem ser até parecidos. Em geral, poucos desses sonhos se realizam.

Minha adolescência foi menos agitada do que uma criança pode querer. E mais complicada que um adulto pode prever. Nada fácil.

Uma adolescência cheia de desacertos, truncada por muita responsabilidade emocional antes do tempo da maturação.

Cresci com a noção exata: ultrapassar meus limites só se fosse para beneficiar o coletivo familiar. Ou então, para trazer alguma medalha de ouro para casa. Feito que sinceramente, não me recordo de ter realizado. Desde adolescente, não consigo pensar em benefícios individuais. Ou ganhamos todos ou eu prefiro perder.

Sobrevivi à ataques de ansiedade, duvidas, culpas, medos, pelamor, tudo desnecessário, agora eu sei.

Tinha uma personalidade dramática, forte demais em contrapartida com a baixa autoestima. E uma vontade de deitar na cama e morrer. Preguiçosa também, fato. Vai que, por isso não morri, por pura preguiça.

Em torno dos meus trinta, já casada e mãe de 3 filhas, aí sim, o bicho pegou! Tive depressão e como brinde, síndrome do pânico. Natureba com exceções racionais, procuro métodos com os quais me sinto conectada, e nessa busca, encontrei a homeopatia. Tratamento iniciado, em uma das consultas ouvi do médico, Dr. Augusto, a quem só tenho gratidão, o alerta desconcertante e decisivo para quem hoje sou:

Fácil querer morrer, não? Difícil é ter coragem para viver”.

Um soco no nariz teria entortado menos a minha cara. De tacho, como ficou, certeza!

Desde então, desentortei o pescoço, olhei para os lados e resolvi viver. Adversários no caminho? Muitos!

Dos imaginários aos reais e o mais cruel: eu.

Fiz Tai-Chi para me curar da depressão e pânico, com as artes marciais aprendi algumas regrinhas.

Uma delas é aproveitar a energia desprendida nos golpes do adversário, transmutar essa energia em força para vencer a luta.

Outro princípio é não perder o equilíbrio. 100% de apoio nos pés, mesmo que em algum momento um deles não esteja no chão.

Não gosto muito de regras. Mas admito que servem para colocar ordem em uma possível bagunça. Tenho uma regra que gosto, aprendida com meu mestre de Tai-Chi, Daniel Lee: a alegria e a tristeza estão em uma balança imaginária, jamais podemos colocar mais peso em qualquer um dos lados. As emoções devem estar sempre equilibradas. Lembra quando você aprontava alguma e sua mãe falava: “Está rindo muito, já estou vendo, logo mais vai chorar”. Se a sua não falava isso, sorte a sua. Exemplo simples de falta de equilíbrio: minha mãe teve dois acidentes vasculares cerebrais. O primeiro, hemorrágico: discutiu com o gerente do banco. No dia seguinte baixou hospital. O segundo, isquêmico: Marcelo, meu irmão, comentou que ia ser pai. No dia seguinte baixou hospital. Pode acreditar: a raiva e a alegria mal dosadas foram responsáveis pelo estrago!

Não é difícil compreender. Tudo passa e nós pagamos com os efeitos das nossas ações. Podemos ser o rascunho ou a arte final. O artista somos nós. Temos as ferramentas cedidas pelo Grande Criador.

O que você quer está além do véu da ilusão. Não existe modelo correto a ser seguido. Existem fórmulas que podem ser aprendidas, mas não há receita perfeita.

A primeira coisa que coloquei na minha prática diária foi o não me culpo e não me culpe. Isso não quer dizer que sou condescendente com todos meus erros. Se eu errei, errei e pronto. Sou honesta e justa comigo mesma. Não me culpe pelo seu erro. Se você errou seja honesto com você. Não me maltrato mais. Não permito ser maltratada.

Procuro o meio termo entre estar relaxada e atenta. Aprendi a contemplar para mais tarde, realizar. Aprendi a focar minha mente em objetivos. Aprendi também: se não tenho objetivo no momento, dane-se, espero um outro momento. Nem todos meus objetivos serão realidade. E mesmo assim, a minha realidade pode ser até melhor. Tudo bem. Nem tudo o tempo resolve. Desculpe, se disseram o contrário. Acredito que o tempo passa, mas quem resolve somos nós.

Já ganhei um ano em um dia bem vivido. Já perdi um ano em dias mal vividos. Parei com a neurose ensinada, quase obrigatória de viver cada segundo intensamente. Vivo apenas. Intensamente ou não. Plenamente sim, eu vivo!

Se eu tiver vontade, desperdiço meu tempo. Me entrego ao ócio da contemplação. Depois desfruto da plenitude do movimento. Então, naturalmente a ação acontece. Não sou obrigada, não preciso estar taquicardicamente feliz o tempo todo. Sou feliz, muito, mas nem todo dia é dia de circo.

O sofrimento pode ser real ou invenção do imaginário. Sofro na medida, se for real. Desapego do sofrimento, se for excesso de criatividade da minha cabeça.

Desapego de alegrias muito saltitantes e emoções superficiais.

Não crio GRAN-DES expectativas. Nem para mim nem para os outros. Expectativas são saudáveis na medida certa e como um lembrete do possível.

No mais, tudo é transitório. Em trânsito. Ilusório.

O que fica? O que você acha que fica de verdade, como sinopse de tantas informações na sua timeline?

Fica só o que É. O que É, independe da matéria e da alegria momentânea.

É a sua essência liberta do Ego. É o prazer que a gente tanto procura.

ÔPA, isso É real. É você!