Revista Statto

VALE A PENA LER DE NOVO

02/08/2019 às 13h50

5 LIVROS QUE VOCÊ PROVAVELMENTE FOI OBRIGADO A LER E DEVERIA LER DE NOVO

Hoje trouxe algumas indicações de livros que a maioria de nós provavelmente precisou ler no ensino fundamental e/ou médio e achou a leitura chata. Afinal, fomos obrigados e estava valendo nota. Contudo, as obras continuam sendo significantes e vale a pena a releitura, pois trazem, além de reflexões, histórias incríveis para passar o tempo e levar como bagagem para sua vida.

Os livros estão por ordem de ano de publicação, do mais antigo para o mais novo.

TIL (1872)

Sinopse: Uma fazenda do interior paulista do século XIX é o palco da estória de Til. Escrito em 1872, o romance retrata os costumes e a linguagem da vida rural da época, marcada pela escravidão e pela disputa de poder. Com este livro, José de Alencar, já então reconhecido pela sua obra Guarani, presta uma das maiores contribuições ao Regionalismo brasileiro. A jovem e bondosa Berta — que também é chamada de Inhá ou de Til — se vê, de repente, enredada em uma disputa entre o assassino de aluguel Jão Fera e o fazendeiro Luiz Galvão. Aos poucos, vão-se desvelando as conexões do passado entre essas três personagens e o misterioso Barroso, recém-chegado à província de Santa Bárbara. A heroína romântica Til nos conduz por uma narrativa de suspense, aventura, encontros e desencontros amorosos, em que a paisagem bucólica contrasta com um pano de fundo de segredos e desilusões.

Vale a pena mesmo? Se você gosta de novela, de uma trama bem elaborada, e daquelas viradas que te fazem quase que perder o fôlego, esse livro é ideal. Adianto que talvez seja preciso se esforçar um pouco no início, que é recheado de descrições e talvez seja cansativo; mas se insistir, logo estará envolvido com a história e ficará curioso para saber o que vai fazer acontecer.

DOM CASMURRO (1899)

Sinopse: Bentinho e Capitu são criados juntos e se apaixonam na adolescência. Mas a mãe dele, por força de uma promessa, decide enviá-lo ao seminário para que se torne padre. Lá o garoto conhece Escobar, de quem fica amigo íntimo. Algum tempo depois, tanto um como outro deixam a vida eclesiástica e se casam. Escobar com Sancha, e Bentinho com Capitu. Os dois casais vivem tranquilamente até a morte de Escobar, quando Bentinho começa a desconfiar da fidelidade de sua esposa e percebe a assombrosa semelhança do filho Ezequiel com o ex-companheiro de seminário.

Vale a pena mesmo? Um entre tantos motivos que comprovam a genialidade de Machado de Assis é o fato de que o conflito principal da história não se resolve no fim do livro, ou seja, o leitor é quem tira as próprias conclusões sobre o que acontece; e o pior, nunca saberemos a verdade, não é à toa que até hoje se discute a obra. Junto ao fato de ser um clássico, a leitura é quase que como um diálogo entre o personagem (narrador) e o leitor.

CAPITÃES DA AREIA (1937)

Sinopse: O romance, que retrata o cotidiano de um grupo de meninos de rua, procura mostrar não apenas os assaltos e as atitudes violentas de sua vida bestializada, mas também as aspirações e os pensamentos ingênuos, comuns a qualquer criança.

Vale a pena mesmo? Apesar de ser um romance, o livro revela uma situação social real, que é o descaso social com os meninos de rua e a questão do abandono. A leitura também flui muito bem e apesar do tema, é uma linda história e nos desperta para essa realidade.

SENTIMENTO DO MUNDO (1940)

Esse é para quem quiser se arriscar em um livro de poemas.

Sinopse: O livro permanece, tantos anos depois, ainda como um dos livros mais celebrados da carreira de Drummond. NÃO é para menos: o livro enfileira poemas clássicos como “Sentimento do mundo”, “Confidência do Itabirano”, “Poema da necessidade” – é possível que versos do livro inteiro tenham sido impressos no inconsciente literário brasileiro, tamanha é sua repercussão até hoje. Já estabelecido no Rio e observando o mundo (e a si mesmo) de uma perspectiva urbana, o Drummond de Sentimento do mundo oscila entre diversos polos: cidade x interior, atualidade x memórias, eu x mundo.

Vale a pena mesmo? Eu sei que poema pode ser algo bem chato e, principalmente, “difícil” de entender. Mas esse não é rebuscado assim e traz o olhar do poeta sobre o mundo à sua volta, em um contexto pós Primeira Guerra Mundial e enfrentava a ascensão de regimes totalitários, como na Alemanha, com Hitler, pois foram poemas escritos entre 1935 e 1940. Ele traz um olhar bastante crítico e significativamente político e de muita emoção, a leitura carrega todo esse sentimento do mundo.

O PEQUENO PRINCÍPE (1943)

Sinopse: Um piloto cai com seu avião no deserto e ali encontra uma criança loura e frágil. Ela diz ter vindo de um pequeno planeta distante. E ali, na convivência com o piloto perdido, os dois repensam os seus valores e encontram o sentido da vida. Com essa história mágica, sensível, comovente, às vezes triste, e só aparentemente infantil, o escritor francês Antoine de Saint-Exupéry criou há 70 anos um dos maiores clássicos da literatura universal. Não há adulto que não se comova ao se lembrar de quando o leu quando criança. Trata-se da maior obra existencialista do século XX, segundo Martin Heidegger. Livro mais traduzido da história, depois do Alcorão e da Bíblia, ele agora chega ao Brasil em nova edição, completa, com a tradução de Frei Betto e enriquecida com um caderno ilustrado sobre a obra e a curta e trágica vida do autor.

Vale a pena mesmo? Esse livro não é apenas uma história infantil, são ensinamentos para toda a vida. Além de uma leitura fácil e rápida, são abordados diversos temas profundos de uma forma leve e que de fato propõe uma reflexão ao leitor ao ponto de falarmos “esse não é um livro para criança”, não pelo conteúdo, mas pela profundidade.

INSTAGRAM ACABOU COM AS CURTIDAS

24/07/2019 às 08h52

O Instagram é uma das mais importantes redes sociais hoje e definitivamente é capaz de “causar”. Na quarta-feira, 17 de julho de 2019, ela iniciou um teste no Brasil que oculta o número de curtidas em fotos e visualizações de vídeos e dividiu as opiniões entre quem gostou da notícia e quem não.

Primeiramente, é preciso entender que a ocultação dos números não significa um fim definitivo das curtidas, como comentado por algumas pessoas, afinal, as curtidas continuam lá e cada usuário é capaz de visualizar clicando nas pessoas e vendo o número total de likes de cada publicação que ele fizer; a apenas os seguidores não conseguem ver o número exato.

Segundo uma pesquisa feita pela Royal Society for Public Health diz que o Instagram, foi apontada como a pior rede para saúde mental, por ser focada na imagem e gerar sentimentos de inadequação à vida perfeita, ansiedade por curtidas e depressão nos jovens. Esse teste, por tanto, conforme dito à imprensa pelo Instagram, tem como objetivo criar um ambiente com menor pressão, em que as pessoas se sintam confortáveis em se expressar e também, evitar a competição na plataforma.

E isso revela algo muito importante: que se trata de uma rede social, sobre comportamento, e não sobre ferramentas. Por se tratar de uma rede SOCIAL, o foco deve ser a socialização de fato, tanto nos comentários, quando no inbox, já que a interação por like se trata apenas de um clique. Um post agora não vai ser bom apenas pelo número de curtidas, mas pela sua relevância, o quantos as pessoas interagiram, e assim os comentários terão um grande peso daqui para gente. É o engajamento.

Para as agências de comunicação e influenciadores, isso pode impactar no trabalho deles, pois as curtidas e visualizações estão dentro dos KPIs utilizados para medir a capacidade de engajar dor criadores de conteúdo, pode ser uma métrica para a escolha daqueles que cabem melhor nas estratégias dos clientes.

O que inicialmente pode dificultar a mensuração e seleção dos números, já se sabe que eles não são capazes de medir a entrega de um canal ou campanha levando em conta apenas o número de curtidas. Ou seja, agora sim o olhar estará focado no conteúdo e comentários e como o criador de conteúdo é relevante e produza algo que agregue valor e façam sentido para os públicos.

Em suma, por enquanto se trata apenas de um teste, não é uma medida definitiva, mas que traz discussões e mudanças significativas. Assim como no episódio Nosedive (Queda Livre), de Black Mirror, em que os likes definem quem as pessoas são, é preciso refletir sobre como estamos imersos nesse mundo e como encaramos a vida que levamos com as redes sociais.

MORRE RUBENS EWALD FILHO

22/06/2019 às 08h59

E qual o legado que estamos deixando?

Hoje a coluna é para refletir um pouco, está bem?

Nunca soube lidar muito bem com o tema morte ou algo nesse sentido. Ninguém sabe lidar, mas a realidade é que eu nunca passei pela situação de perder alguém que fosse muito próximo a mim. Não vim aqui discorrer exatamente sobre isso, mas te faço uma pergunta: qual o seu legado quando isso acontecer com você?

Não me leve a mal, não estou desejando isso para você! Mas quanto do que temos feito e vivido hoje ficará na mente e nas vidas das pessoas? Gosto de pensar que tudo o que fazemos gera frutos (bons ou ruins), e mais do que isso, o quanto esses frutos permanecem. Na quarta-feira, dia 19, faleceu o crítico de cinema e jornalista Rubens Ewald Filho e afirmo que ele deixou um fruto, um legado, que durará por muito tempo.

Ele internou no Hospital Samaritano, em São Paulo, em estado grave após sofrer um desmaio seguido de uma queda da escada, que, segundo fonte, foi causada por uma arritmia cardíaca, no dia 23 de maio e faleceu no dia quarta-feira, 19 de junho, no Dia do Cinema Brasileiro.

TRAJETÓRIA

Ewald nasceu em Santos e segundo ele em entrevista a outros veículos, ele desde criança tinha o hábito de anotar os filmes que assistia em um caderno, contendo o nome do diretor, elenco, roteirista e outras informações.

Sua carreira começou no jornal A Tribuna e então trabalhou em redações como Jornal da Tarde e o Estado de São Paulo, além de colaborador da VEJA nos anos 1990. Desde os anos 70 ele já se dedicava ao cinema, primeiro como ator, como no filme As Gatinhas (1970) e depois como roteirista. Isso deu uma grande base para entender como efetivamente funcionava esse universo do cinema e ainda em 1997 escreveu o livro Dicionário de Cineastas, que é uma obra de referência para críticos. Em seguida também escreveu novelas, como em Éramos Seis (1977), Gina (1978) e Drácula, uma História de Amor (1980). Sua última novela foi Iaiá Garcia, para a TV Cultura, em 1982.

Trabalhou na HBO no Brasil e apresentou programas em emissores como TV Cultura, Record, Band e no canal pago TNT. Ficou ainda mais conhecido quando passou a comentar a cerimônias do Oscar, desde 1983, primeiro na Globo, depois no SBT e, então no TNT. Ele teve sempre um estilo próprio, irônico e sempre com domínio do assunto e muito disso pode ser encontrado em seu livro O Oscar e Eu, de 2003, em que também se encontra os critérios sempre variáveis e discutíveis.

LEGADO

Sua contribuição também se deu em sua iniciativa, chamada Coleção Aplauso, que contou com mais de 100 volumes com críticas de teatro e cinema, roteiros de filmes, textos de dramaturgia e, principalmente, perfis de profissionais importantes do cenário artístico, como atores, cineastas, autores, que fica como um registro e pensamento de grande valor para compreensão e valorização da cultura brasileira.

Rubens Ewald Filho assim deixa seu legado, não apenas com seus livros, mas por toda a referência a diversos críticos, estudiosos de cinema, que de alguma forma ou outra são influenciados positivamente. Seu amor pela sétima arte marca seu nome, com toda a certeza e nos faz voltar ao início e nos fazer refletir sobre qual legado estamos deixando aqui!

FYRE FESTIVAL E O QUE PODEMOS APRENDER

13/06/2019 às 19h34

O documentário da Netflix é um ótimo case para todos os profissionais de comunicação, em especial o de eventos. Com o subtítulo “O Grande Evento que nunca aconteceu”, a produção retrata, através de depoimentos e imagens, todo o processo para idealização e organização (que não teve) do megaevento. Listei

SABER AONDE QUER CHEGAR

A ideia do Fyre Festival inicialmente era fazer a divulgação do lançamento de um aplicativo. Acontece que Billy McFaland (o empresário que idealizou tudo) se perdeu no meio (no início na verdade) do caminho e o evento de lançamento de tornou para ele o que seria o maior festival de luxo de música. Sem objetivos claros não tem como saber aonde se quer chegar! Aquele velho ditado já nos ensinava: para quem não saber o que quer, qualquer caminho basta. Fyre Festival é um exemplo disso.

PLANEJAR

Bom, talvez você não curta muito essa história de organização e planejamento. Mas quando falamos de eventos, isso é fundamental para que seja um sucesso! É o planejamento que permite uma maior visualização de cada atividade (que tem um motivo para ser feita) que levará ao seu objetivo! Por meio disso, você consegue listar todas as tarefas, e assim entender quanto tempo, qual a demanda financeira, e delegar as tarefas para que se dê conta.

A INFLUÊNCIA DOS INFLUENCIADORES

Todos já sabem disso, mas é preciso reforçar. O festival teve uma forte campanha de marketing nas redes sociais, contando com top models, influenciadores e celebridades, presentes não apenas no vídeo oficial, mas também em suas redes sociais pessoais. O engajamento foi orgânico e isso foi fundamental no processo. Os influenciadores, como em seu próprio nome, influenciam e afetam a vida das pessoas e, como em Fyre, a repercussão de um evento.

AMOR AO PRÓXIMO

O documentário tem um clima cômico trágico, mas é substituído por falas bastante sentimentais no final. Com o relato de Maryan Rolle, a dona do restaurante na ilha, fica difícil não se emocionar. Já havia percebendo ao longo do documentário, mas nesse momento notei como Billy de fato não se preocupava com as pessoas e todo o investimento que estavam fazendo. Precisamos aprender a ser mais empáticos e ter um olhar sobre o outro, ter um olhar sobre o ser humano e não apenas na profissão, na função, e naquilo que ela pode trazer de volta para você!

É um case para toda a comunicação, ensinando o que não fazer. No fim, ninguém lembra do aplicativo, já que não se tinha objetivos esclarecidos, um evento sem planejamento e uma publicidade prometendo algo que não sabiam como cumprir.

Documentário

Direção: Chris Smith

Ano: 2019

País: EUA