Revista Statto

MORRE RUBENS EWALD FILHO

22/06/2019 às 08h59

E qual o legado que estamos deixando?

Hoje a coluna é para refletir um pouco, está bem?

Nunca soube lidar muito bem com o tema morte ou algo nesse sentido. Ninguém sabe lidar, mas a realidade é que eu nunca passei pela situação de perder alguém que fosse muito próximo a mim. Não vim aqui discorrer exatamente sobre isso, mas te faço uma pergunta: qual o seu legado quando isso acontecer com você?

Não me leve a mal, não estou desejando isso para você! Mas quanto do que temos feito e vivido hoje ficará na mente e nas vidas das pessoas? Gosto de pensar que tudo o que fazemos gera frutos (bons ou ruins), e mais do que isso, o quanto esses frutos permanecem. Na quarta-feira, dia 19, faleceu o crítico de cinema e jornalista Rubens Ewald Filho e afirmo que ele deixou um fruto, um legado, que durará por muito tempo.

Ele internou no Hospital Samaritano, em São Paulo, em estado grave após sofrer um desmaio seguido de uma queda da escada, que, segundo fonte, foi causada por uma arritmia cardíaca, no dia 23 de maio e faleceu no dia quarta-feira, 19 de junho, no Dia do Cinema Brasileiro.

TRAJETÓRIA

Ewald nasceu em Santos e segundo ele em entrevista a outros veículos, ele desde criança tinha o hábito de anotar os filmes que assistia em um caderno, contendo o nome do diretor, elenco, roteirista e outras informações.

Sua carreira começou no jornal A Tribuna e então trabalhou em redações como Jornal da Tarde e o Estado de São Paulo, além de colaborador da VEJA nos anos 1990. Desde os anos 70 ele já se dedicava ao cinema, primeiro como ator, como no filme As Gatinhas (1970) e depois como roteirista. Isso deu uma grande base para entender como efetivamente funcionava esse universo do cinema e ainda em 1997 escreveu o livro Dicionário de Cineastas, que é uma obra de referência para críticos. Em seguida também escreveu novelas, como em Éramos Seis (1977), Gina (1978) e Drácula, uma História de Amor (1980). Sua última novela foi Iaiá Garcia, para a TV Cultura, em 1982.

Trabalhou na HBO no Brasil e apresentou programas em emissores como TV Cultura, Record, Band e no canal pago TNT. Ficou ainda mais conhecido quando passou a comentar a cerimônias do Oscar, desde 1983, primeiro na Globo, depois no SBT e, então no TNT. Ele teve sempre um estilo próprio, irônico e sempre com domínio do assunto e muito disso pode ser encontrado em seu livro O Oscar e Eu, de 2003, em que também se encontra os critérios sempre variáveis e discutíveis.

LEGADO

Sua contribuição também se deu em sua iniciativa, chamada Coleção Aplauso, que contou com mais de 100 volumes com críticas de teatro e cinema, roteiros de filmes, textos de dramaturgia e, principalmente, perfis de profissionais importantes do cenário artístico, como atores, cineastas, autores, que fica como um registro e pensamento de grande valor para compreensão e valorização da cultura brasileira.

Rubens Ewald Filho assim deixa seu legado, não apenas com seus livros, mas por toda a referência a diversos críticos, estudiosos de cinema, que de alguma forma ou outra são influenciados positivamente. Seu amor pela sétima arte marca seu nome, com toda a certeza e nos faz voltar ao início e nos fazer refletir sobre qual legado estamos deixando aqui!

FYRE FESTIVAL E O QUE PODEMOS APRENDER

13/06/2019 às 19h34

O documentário da Netflix é um ótimo case para todos os profissionais de comunicação, em especial o de eventos. Com o subtítulo “O Grande Evento que nunca aconteceu”, a produção retrata, através de depoimentos e imagens, todo o processo para idealização e organização (que não teve) do megaevento. Listei

SABER AONDE QUER CHEGAR

A ideia do Fyre Festival inicialmente era fazer a divulgação do lançamento de um aplicativo. Acontece que Billy McFaland (o empresário que idealizou tudo) se perdeu no meio (no início na verdade) do caminho e o evento de lançamento de tornou para ele o que seria o maior festival de luxo de música. Sem objetivos claros não tem como saber aonde se quer chegar! Aquele velho ditado já nos ensinava: para quem não saber o que quer, qualquer caminho basta. Fyre Festival é um exemplo disso.

PLANEJAR

Bom, talvez você não curta muito essa história de organização e planejamento. Mas quando falamos de eventos, isso é fundamental para que seja um sucesso! É o planejamento que permite uma maior visualização de cada atividade (que tem um motivo para ser feita) que levará ao seu objetivo! Por meio disso, você consegue listar todas as tarefas, e assim entender quanto tempo, qual a demanda financeira, e delegar as tarefas para que se dê conta.

A INFLUÊNCIA DOS INFLUENCIADORES

Todos já sabem disso, mas é preciso reforçar. O festival teve uma forte campanha de marketing nas redes sociais, contando com top models, influenciadores e celebridades, presentes não apenas no vídeo oficial, mas também em suas redes sociais pessoais. O engajamento foi orgânico e isso foi fundamental no processo. Os influenciadores, como em seu próprio nome, influenciam e afetam a vida das pessoas e, como em Fyre, a repercussão de um evento.

AMOR AO PRÓXIMO

O documentário tem um clima cômico trágico, mas é substituído por falas bastante sentimentais no final. Com o relato de Maryan Rolle, a dona do restaurante na ilha, fica difícil não se emocionar. Já havia percebendo ao longo do documentário, mas nesse momento notei como Billy de fato não se preocupava com as pessoas e todo o investimento que estavam fazendo. Precisamos aprender a ser mais empáticos e ter um olhar sobre o outro, ter um olhar sobre o ser humano e não apenas na profissão, na função, e naquilo que ela pode trazer de volta para você!

É um case para toda a comunicação, ensinando o que não fazer. No fim, ninguém lembra do aplicativo, já que não se tinha objetivos esclarecidos, um evento sem planejamento e uma publicidade prometendo algo que não sabiam como cumprir.

Documentário

Direção: Chris Smith

Ano: 2019

País: EUA