Revista Statto

MEMÓRIA COLETIVA

14/08/2020 às 15h45

Quando eu era criança um dos meus momentos favoritos era saborear um iogurte, gelado, cremoso e de morango. Nada me deixava mais feliz e satisfeita do que um iogurte. Na minha época de criança lá pelo fim dos anos 1970, lembro de apenas um tipo, o “bandejão” e tinha ameixa e morango. Que criança gosta de ameixa?

Hoje quando vou ao supermercado eu me confundo, são muitas marcas e tipos diferentes de iogurte. Tem de garrafa, de pote, de balde, com mel, com aveia, grego, com pedaços sem pedaços, com flocos e granola e claro tem os de bandejão, mas o gosto não é o mesmo.

Esses dias postei em um grupo nas redes sociais uma foto minha com cinco anos tirada no Jardim, aquelas de final do ano. Geralmente com um globo encima da mesa ou um telefone, pois é, está mesma.

Estava eu com um tope gigante xadrez em tons de azul e vermelho, descabelada, claro, sem alguns dentes, as famosas “janelinhas” e foi então que a curiosidade começou. Amigas comentaram que a merenda daquela escola era excelente, tinha bolo de fubá, ovo mexido, mirinda de uva e o iogurte de bandejão mais gostoso do mundo.

Não era possível que depois de 42 anos o iogurte bandejão ainda fazia parte da nossa memória coletiva. Nenhuma de nós tinha esquecido o sabor daquele iogurte de morango. Aposto que muitas como eu o buscavam desesperadas no supermercado e não o encontravam.

Nem grego, nem flan, nem mousse, nem com aveia ou light. Só queríamos o sabor daquela “bandejão” outra vez. Mas será que é o bandejão de morango ou a nossa infância que queremos de volta? Por esses dias comentei ainda que as crianças de hoje em nada se parecem conosco, as crianças dos anos 70.

Não só atingidos pela pandemia, mas antes disso tudo acontecer as crianças já buscavam muito mais aventuras tecnológicas e virtuais do que presenciais. Nada de brincar na rua como nós brincávamos de “taco”, patins, de funda com as bolinhas de “cinamomo” ou as bolhas de sabão. Não vejo as meninas escrevendo em diários ou com bonecas como nós quando sonhávamos em chegar o Natal para ganhar um Susie ou Barbie. Elas dançam em aplicativos imitando desafios e dublam frases sem sentido muitas vezes. Elas se reúnem para conversar na “call” e esse é o diário delas.

Quem de nós não procurava ovos de lesma, explodia a flor Maria Sem Vergonha ou usava suas pétalas como grandes unhas pintadas de vermelho. Hoje as meninas pintam as unhas de vermelho se quiserem, elas não precisam de pétalas, se quiserem brincar de “comidinha” vão até a cozinha e brincam de “master chef” não precisam usar barro para cozinhar em panelinhas imaginárias. A s crianças de hoje acontecem…. Não consigo imaginar um convite para o meu filho para caçar ovos de lesma ou para explodir a Maria Sem Vergonha, ele vai rir e muito porque ele pode dirigir um carro virtualmente e liderar missões no Afeganistão.

Muito mais que imaginação e sonhos elas tem atitudes. Elas podem e podem porque nós permitimos. Nós somos da geração que um olhar era o suficiente para a brincadeira terminar, não eram necessárias palavras até porque as palavras eram poucas. Não tínhamos escolha, vestíamos o que nos compravam, comíamos o que tinha na mesa, íamos onde nossos pais permitiam.

As crianças de hoje não vão se não querem ir, comem o que gostam, tem opinião dentro de casa e são ouvidas, vestem o que lhes convém e estão por dentro da moda. Não querem “pagar mico”.

O que mais me surpreende é que as crianças de hoje são crianças fortes emocionalmente, elas têm uma opinião consciente, sabem do que estão falando, estão bem informadas sobre seus direitos, sobre os acontecimentos do mundo e sobre o que querem para seu futuro. Não se escondem ou choram pelos cantos como que costumava fazer e tantas da minha época, elas desafiam, explicam e cobram. Esse é o mundo que permitimos a elas e o mundo que estão vivendo. Nada para depois, tudo é urgente. O presente de hoje daqui a um ano já estará defasado. “ Não me compre nada com menos de 32G” e eu ficava feliz com o “bandejão” de morango.

Sim, trocávamos figurinhas que vinham no chiclete, colecionávamos papeis de carta, pulávamos elástico e eles precisam de “gift card”, senha do wi fi, likes, seguidores, e muitos gigas. Espero sinceramente que esta geração possa aprender mais do que nós conseguimos e não pela dor como muitos de nós, mas pelo amor. Como aprender e valorizar quando se tem tudo a seu dispor?

Nós como pais estamos sempre presentes, inventando brincadeiras novas e não deixando que o virtual os abrace demais mesmo sabendo que essa é a época deles e isso faz parte da infância que eles compartilham. Mesmo sendo um disparate eu continuo convidando para compartilhar um bandejão, explodir a Maria Sem Vergonha que nunca mais nem vi, para fazer um boneco de argila ou “papel machê” eu insisto para fazer ele caber no meu mundo por que eu ainda não consigo me encaixar no dele.

Sinto falta da minha infância assim como todas as amigas que comentaram na minha foto e ainda lembram de momentos da nossa memória coletiva, no futuro sei que nossas crianças também terão suas memórias coletivas, muito diferentes das nossas. Talvez não com um céu tão azul, nem com os hematomas pelos tombos de bicicleta, nem os arranhões por subir em árvore, e muito menos com o “bandejão”.

AS MULHERES E O UNIVERSO MÁGICO DO BANHEIRO

04/06/2020 às 15h54

Elas vão juntas ao banheiro, seja em festas, formaturas, casamentos ou jantares. O que fazem e porque vão juntas? Poucos entendem, mas é um ritual. O banheiro é um confessionário.

Mulheres convidam somente mulheres que confiam ou simpatizam para ir ao banheiro, não são convidadas aquelas pelas quais não temos afinidade porque ir “juntas ao banheiro” é um ato de cumplicidade imensa.

Um comprometimento sem fim, um posto a ser conquistado. As paredes do banheiro são testemunhas de confidências, ideias e opiniões, julgamentos também, claro que sim. Não deveriam, mas são. Regra de ouro do banheiro, nunca julgue.

Lembro uma vez que em uma formatura fomos todas ao confessionário, éramos umas seis, mas uma delas não conhecíamos bem, era namorada de um amigo e não fazia parte das nossas “afinidades” mas cometemos o erro de convidar por educação, nunca o faça. Não seja educada nessas horas e lembre se: leve ao banheiro somente as amigas do “coração”.

Pois uma de nossas amigas tinha recentemente “colocado” silicone e mostrou as outras como tinha ficado. Ela estava feliz pois o silicone era uma conquista. Estava com autoestima elevada, confiante e sentindo se, talvez pela primeira vez em anos, linda!

Não é fácil despir se, não é fácil tirar a armadura, mas ela o fez, afinal éramos todas “mulheres”, éramos todas amigas. Ao menos era isso que pensávamos.

Uma de nós, curiosa, pediu para tocar o silicone da amiga, apertou para saber como parecia, como era a textura, e todas rimos. A novata se fechou, não sorriu nem menos tentou interagir e logo percebi, companhia errada para ir ao banheiro.

Pois na segunda –feira estava espalhado no escritório a difamação, éramos um bando de degeneradas que tocavam umas nas outras no banheiro, uma escória.

Eu avisei! Pensei comigo. Não importa que pensem que você é insensível ou sem educação, não convide para ir ao banheiro mulheres com a qual não tem afinidade, amizade ou confiança.

No banheiro, retocamos a maquiagem, choramos, contamos nossos problemas, sonhos e esperanças. O ato de irmos juntas ao banheiro confirma que podemos ir juntas a qualquer lugar.

Quem vai com você ao banheiro pode estar com você em qualquer situação e por isso esse convite é um posto a ser conquistado.

Para os homens pode ser estranho ou engraçado, mas nós não competimos, não neste momento. Não imagino nem nos mais remotos sonhos, homens indo ao banheiro juntos, não é da natureza deles.

Mas nós mulheres, somos mais “desencanadas” e quem sabe até solidárias pois sentimos quando nossas amigas não estão bem e o convite para ir ao banheiro é uma “deixa” para conversar pois neste confessionário podemos nos desvencilhar de tantas amarras que nos sufocam no cotidiano.

Não existe a “mais bonita”, nem a “mais vitoriosa” todas, por um instante, são iguais, dentro do mesmo universo mágico que nos permite tirar a “armadura”.

Só queremos rir, perguntar se o batom é matte? Nude? Se a roupa é nova e comentar “como ficou bem”. Fofocas, e mais fofocas. Relacionamentos novos, fins de relacionamento. Chefe legal, chefe chato. Ex mulher, ex namorado, enteado, filho, cachorro.

Falamos da série que acabou, do carro que foi para o mecânico, das férias, do silicone, afogamos mágoas, abraçamos, choramos e até socorremos as amigas de pileque.

Aconselhamos e somos aconselhadas, mas nunca, nunca em hipótese alguma, julgamos, o banheiro confessionário é um universo sem julgamentos.

O que acontece no banheiro, fica no banheiro e por isso que quem divide isso é tão importante. Porque deve existir além da amizade a sonoridade, a boa companhia, a compreensão, o afeto e principalmente o silêncio, o que falamos fica lá, preso nos ladrilhos, no espelho, não será comentado, morre assim que passamos a porta para voltar ao salão.

O BEIJO DAS PRINCESAS

03/06/2020 às 16h01

Assistindo um filme nesses dias longos de quarentena percebi que esperei o tempo todo por um beijo dos protagonistas, idas e vindas, desencontros, brigas e o beijo nada. Quando finalmente aconteceu eu vibrei como um menino assistindo o gol do seu time do coração.

Para mim era um gol, finalmente tinha dado certo, todos os desencontros, brigas e idas e vindas tinham dado certo. O beijo era como um desfecho feliz. Um selamento de que vai acabar bem e acabar bem é o que todos queremos. Quem não quer um final feliz?

As princesas são despertadas com beijo. Branca de Neve despertou da morte e Bela Adormecida do seu sono de beleza, até mesmo os sapos são transformados em príncipes quando beijados. Talvez o beijo desperte o melhor de nós.

Está certo que não existem serpentes nem rãs que são despertadas com um beijo e isso nos faz pensar que o mundo masculino é mais simples por que até os sapos recebem beijos muito diferente de nós que precisamos ser princesas para sermos beijadas.

Quantos sapos já beijamos, muitos não deixaram de ser sapos, continuaram exatamente iguais e nós seguimos ao lado deles mesmo assim. Por teimosia? Não. Simplesmente porque aceitamos, nos adaptamos, nos remodelamos para caber no mundo deles, mas nós mulheres parece que sempre devemos uma satisfação à sociedade.

A frase machista: “ Vou te trocar por duas de vinte” já não serve mais porque duas de vinte não dão conta de tudo que uma de 40 é capaz. Os homens temem as mulheres da nossa geração. Nós arregaçamos as mangas e vamos à luta, trabalhamos oito horas ou mais para garantir o sustento, chegamos em casa e temos o nosso segundo turno, roupa, louça, janta, tema escolar, supermercado e seguimos.

Saio do trabalho, passo no supermercado, faço a janta, ajudo o filho no tema de casa e ainda tenho tempo para ler um livro ou ver um filme. Somos as mulheres “polvo” muitas coisas ao mesmo tempo. Isso sem falar nas contas, nas estratégias feitas para o pagamento de todas, nossa vida se transformou em uma eterna corrida contra o tempo.

Nos sobrecarregamos de tarefas porque delegar é difícil, ele não vai saber comprar a marca de sabão em pó que eu gosto, nem a marca do café que ele gosta, ele não “pechincha” nem sabe os dias de promoção. E claro ele não vai se importar como nós mulheres vamos porque somos as “princesas” das listas e dos dias de preço baixo, nós nos importamos.

Aproveitamos o tempo ao máximo, as vezes um aliado, outras um inimigo, mas não desistimos, aprendemos a aproveitar os segundos e sabemos que eles importam. As mulheres modernas esqueceram que o beijo é sim importante, nos colocamos em último lugar por que antes de nós existe uma lista de coisas e pessoas.

Eu posso, escuto isso todos os dias de mim mesma, eu posso, só mais um pouco, eu posso, aquela grana que ia fazer a unha, pode esperar, eu posso. Preciso contratar o jardineiro para aparar essa grama, não eu posso. Tenho que dividir as tarefas aqui em casa. Não! Eu posso, eu faço. E o “eu posso” vai se prolongando e nós esperamos que alguém nos pegue pelo braço e diga “ ei chega”! Mas ninguém diz por que sabem que nós podemos.

E esse “eu posso” vai se estender por uma vida inteira se permitirmos. Enquanto alguns se divertem, assistem televisão, fazem caminhadas, pedaladas, conversam com amigos, o “eu posso mais um pouco” vai além das nossas limitações.

Não deveríamos ser amadas pela nossa aparência, não deveríamos ser beijadas pela foto que está no nosso perfil nas redes sociais, mas sim por quem somos diariamente. Não importa se estou descabelada, ou com a roupa da faxina, se meu filho derramou molho na minha roupa ou acordei com rosto “amassado” o que deveria importar é o quanto me dedico e trabalho para o bem-estar daqueles que amo. O beijo deveria ser o prêmio de quem eu sou e não de como me pareço.

Mas os príncipes são visuais eles admiram o que podem ver mesmo que tudo isso seja uma grande mentira. A Branca de Neve tão linda com seus lábios rosados ou a Aurora no seu eterno sono, cabelos impecáveis, pele de porcelana. Essas mulheres não existem mais. Beijem as mulheres que amam vocês como elas beijam os sapos.

OS QUATRO COMPROMISSOS

06/05/2020 às 18h31

Por esses dias de “quarentena” aproveitei para ler uns livros que tinha guardado e ainda não tinha oportunidade de ler. Um em especial que ganhei de uma amiga querida chamado “ Os quatro compromissos” escrito por Don Miguel Ruiz, escritor e espiritualista mexicano.

O livro compartilha os ensinamentos da Filosofia Tolteca. Os Toltecas viveram há milhares de anos no sul do México, eram uma raça com grandes cientistas e artistas que lutavam para conservar a sabedoria espiritual dos estimados “nagual”, antigos mestres. Por milênios precisaram esconder a sabedoria ancestral por causa da conquista europeia e pelo despreparo de alguns em usá-la.

Mas quais seriam os quatro compromissos e como podem nos ajudar nos dias atuais?

Seja impecável com a sua palavra

O primeiro compromisso talvez seja o mais difícil, parece simples, mas é poderoso e exigente pois a palavra é o poder que temos de criar. Criar expectativas, esperança, compromisso. A palavra é o dom direto de Deus e por isso devemos ter muito cuidado como e quando usamos. Não é apenas um som ou um símbolo, é força, o poder que possuímos de expressão e comunicação, ela é a projeção dos nossos sonhos e planos, portanto é energia pura.

Uma pessoa humilde e sem instrução pode ter muito mais energia na palavra do que uma pessoa letrada pois este compromisso é a intenção que temos, a pureza do nosso coração. A intenção da palavra em curar, em amparar e não iludir ou maldizer. Não devemos dizer o que não sentimos, para isso temos o silêncio. Não diga o que não sente verdadeiramente, não prometa o que não pode cumprir e não desperte amor se não pretende ficar.

Use as palavras para selar seu destino com a melhor das suas intenções. E procure sempre condizer suas palavras com as suas atitudes. Não fale uma coisa e faça outra. Seja seu espelho e espelho para aqueles que estão à sua volta e o admiram. Nada mais triste que a decepção com aqueles que admiramos, seja por conduta ou palavra. O vaso quebrado nunca mais volta a ser um vaso e quando remendado sua aparência se torna a piorar. Não existe restauração nos relacionamentos por mais que fingimos ter.

Não leve nada para o lado pessoal

Na maioria das vezes não conseguimos separar as correções de caráter profissional das críticas à nossa pessoa. Mas existe uma grande diferença, difícil não sermos orientados na vida por alguém, começando em casa por nossos pais. Não é porque minha mãe me corrige que não me ama. Meu pai critica as notas escolares do filho, mas isso não tem nada a ver com sentimentos que tem por ele, e por amá-lo sabe que pode exigir e ter mais rendimento dele. As críticas não são pessoais nem pejorativas.

Seja ponderado e saiba fazer a triagem correta de críticas construtivas de maledicência, depreciação e ofensa. Nestes casos não o aceite. Não as tome para si porque você sabe o seu valor e se ainda não sabe, procure urgentemente saber. Muitas vezes a carga negativa direcionada a nós não é para nós, mas emitida por alguém que está passando por problemas. Não absorva. E quando receber uma crítica, escute, analise, muitas vezes os verdadeiros amigos nos criticam porque nos amam e sabem que devemos e podemos ser melhores.

Não tire conclusões

Não tire conclusões precipitadas, nós somos campeões nisso! Julgamentos, conclusões, análises. Devemos sempre analisar com muita calma o que ouvimos, pois, as histórias tem muitos lados, não podemos julgar ninguém. Não sabemos os motivos, as circunstâncias que faz com que cada um tome as suas decisões. Lembro de um caso quando morávamos no interior que uma vizinha contou a outra que a mesma estava sendo traída, esperando que ela desandasse a chorar ou começasse a maldizer o marido a mesma simplesmente disse “ no coração não se manda”.  Quem tem essa serenidade, essa calma em uma situação como essa? Alguém que espera para ouvir a versão do marido. Alguém que analisa a situação de todos seus ângulos e não se deixa levar pela ira de uma história que pode ser caluniosa, mentirosa e difamatória.

Dê o melhor de si

As vezes somos obrigados a fazer uma tarefa que não queremos, mas fazer nosso trabalho, qualquer que seja com excelência nos torna mais fortes e competentes em qualquer área. Seja qual for o seu trabalho ele é digno por isso o faça com perfeição. Quando se propuser a fazer algo o faça com entusiasmo ou não faça. Quando nos comprometemos com algo descobrimos a verdade oculta que existe em cada atribuição. Quando comecei a trabalhar na empresa do meu pai eu tinha 13 anos e pensei que ele fosse me colocar com ele na diretoria ou como telefonista, mas ele me colocou para fazer café, e eu pensava que me trabalho era tão pequeno e ordinário, mas com o tempo percebi a alegria das pessoas quando eu chegava, elas sabiam que teriam café e foi assim que vi que tinha importância sim. Hoje além de valorizar quem faz o café eu me dedico em tudo o que eu faço, desde a tarefa mais simples até a considerada mais importante por que na verdade as tarefas de todos estão elencadas como engrenagens por isso todas são importantes. Quando for fazer algo dê o seu melhor sempre.

DOMINGO DE RAMOS

12/04/2020 às 09h49

Neste Domingo de Ramos, fim da quaresma com certeza, mesmo em tempo de pandemia, muitas pessoas não irão refletir, não irão perdoar, nem esquecer. Muitas ainda estarão agarradas a frase “eu avisei” ou “ eu tinha razão”. Não abrirão seus armários para doar o que não serve mais, não abrirão sua mente nem seu coração para um novo tempo.

Assim como eu, que poderia ter feito mais e não fiz, muitas pessoas irão usar as famosas desculpas da falta de tempo, dinheiro e agora a mais nova, chamada “coronavírus”, as desculpas são as melhores aliadas para nos representar e ausentar nossa culpa por não fazermos o que deveria ser feito.

Eu confesso que antes da pandemia ia com meu filho todos os domingos na missa, mas era por que ele não podia faltar devido as aulas de catequese e só por isso. Independentemente de qualquer religião Deus existe na fé de cada um e muitas vezes esquecemos disso por completo. Eu esses dias me lembrei “Dele” por que fui levada às pressas para o hospital e pensei que fosse um infarto, lembrei Dele quando meu pai adoeceu e tenho lembrado dele com maior frequência desde que a pandemia começou.

Em tempos de isolamento talvez tenha falado mais com Ele e tenho pensado nos motivos que o Fez entregar seu único filho para nos salvar. Olha que bobagem Deus fez! Toda época de Páscoa eu reclamo com Deus e Lhe digo. Que bobagem, de nada adiantou, somos tão egoístas e torpes, orgulhosos e ignorantes.

Mas Deus a seu modo me faz pensar, ao menos uma vez por ano, nessa época Ele me faz refletir que a Páscoa além de tudo que representa é uma grande lição de vida. Uma lição que nos ensina que a vida é cheia de altos e baixos e que a roda sempre gira. Hoje estou no topo, mas amanhã posso estar embaixo.

Domingo de Ramos, Jesus entrou em Jerusalém, montado em um jumento. O povo se juntou para dar-lhe as boas vindas e muitas pessoas colocaram ramos e mantos no chão diante de Jesus (Mateus 21:8-9) Ele era o Messias, o salvador, o Prometido de Deus.

Segunda, Terça e Quarta, Jesus debateu com líderes religiosos, expulsou mercadores do templo, ensinou sobre ressureição, sobre o fim dos dias, sobre pagamentos de impostos e amaldiçoou uma figueira por que não dava frutos.

Quinta – feira foi a sua última ceia dentre seus doze apóstolos, Jesus reparte o pão e adverte “ um de vocês irá me trair”. Fico imaginando a sua tristeza, não podemos pensar que Jesus não se entristecia, ou sentia medo, se assim fosse não seria tentado no deserto. Foi tentado mas por ser forte em seu propósito não cedeu. Quantas vezes Jesus deve ter se perguntado. Sou eu mesmo o Filho de Deus? Sou Eu o Escolhido realmente?

Quantas vezes nos perguntamos, se sou feito à imagem e semelhança de Deus e sou Seu filho por que passo por tantas complicações? Por que Deus sabe o que cada um necessita para seu crescimento e somos todos escolhidos assim como Jesus, mas será que estamos fazendo a nossa parte como Filhos de Deus?

Será que estou sendo gentil, estou respeitando meus semelhantes? Estou fazendo o que deveria ser feito sem me desviar do meu propósito?

Sexta-feira Santa Jesus é interrogado, espancado e crucificado, não tem piedade dos homens, não é socorrido por Deus, e traído por um dos seus, é negado três vezes e renegado perante a um ladrão, “Jesus ou Barrabas” a autoridade “lava as mãos” e que comece a crucificação.

Muitas vezes estamos rodeados de amigos, roupas caras, festas, influências, mas e quando estamos embaixo da roda?

Quem irá nos beijar a face, quem irá nos negar três vezes, quem ficará conosco até o fim?

Quero dizer com isso que nada somos, não importa nossos títulos, nossos bens, nossa aparência, tudo acaba. Em tempos de “coronavírus” talvez isso tenha ficado mais claro para alguns que pensam que o “status” pode comprar, manipular e coagir. Não pode.

Nessa Páscoa devemos refletir um pouco mais sobre as nossas atitudes, que papel estamos desempenhando? Somos aquele que beija a face, o que o nega três vezes como Pedro? Lavamos as nossas mãos diante dos problemas como Pôncio Pilatos? Ou estamos firmes em nossos propósitos e na nossa fé?

Não são as coisas, são as pessoas. Daqui não levaremos nada, apenas os bons momentos que passamos ao lado dos que amamos. Nessa Páscoa, abra seu armário, doe o que não serve mais, abra seu coração e perdoe quem precisa ser perdoado, libere a mágoa, esqueça os que não tiveram palavras gentis e não seja como eles, abra a sua mente para aceitar as pessoas que são diferentes de você e ame até não aguentar mais e quando pensar que não pode mais, ame mais um pouco. Porque de amor ninguém morre, que todos nós possamos ressuscitar nesta Páscoa, que todas as nossas qualidades que estavam adormecidas possam renascer para uma vida melhor para nós e para os nossos.

ETERNO ENQUANTO DURE

09/04/2020 às 16h58

Por esses dias, fazendo compras em um supermercado, encontrei uma velha amiga que não via há muito tempo. Ela então falou de si, dos filhos, do marido, da casa, do trabalho e da vida fitness. Eu seguia observando a sua narrativa, já sem paciência, confesso, ela finalmente, percebendo seu egocentrismo, resolveu perguntar sobre o meu casamento e eu respondi secamente: “Acabou”!

Ela fez uma cara de lástima e com piedade me disse: “Que pena que não deu certo”! E pensei: “Não deu certo? Sim, deu certo! Então, como e por que não deu certo”?

Para muitos, é difícil compreender que existem ciclos, e esses ciclos são feitos de início, meio e fim, e muitas vezes, o fim nada mais é do que um novo começo.

Em especial nos relacionamentos em que juramos fidelidade e, mais que isso, prometemos e esperamos lealdade, a lealdade que nos faz permanecer na pobreza e na riqueza, na saúde e na doença, nos bons e maus momentos, ou seja, juramos lealdade à pessoa com a qual escolhemos passar o resto da nossa vida. Mas romper essa esperança e juramento é muito doloroso e triste.

Ninguém se une pensando que vai terminar. Quando nos unimos a alguém, queremos e torcemos muito que seja para sempre, mas “o para sempre, sempre acaba” e o importante é o que fazemos desse relacionamento que acabou: será mais um item para a lista dos fracassos ou vamos aprender e racionalizar esse fim?

A frase já nos diz tudo: “Que seja eterno enquanto dure”. O famoso poeta Vinicius de Moraes nos deixou de forma tão generosa essa ideia de que o importante é a qualidade de vida que temos ao lado de alguém e não a quantidade de vida. Anos infelizes, frustrados, infelicidades e traições não contam para um relacionamento saudável.

“Felizes para sempre” é um conto de fadas que já não existe mais, e isso não é um problema, muito menos “infelizes para sempre”.

Adquirimos a maturidade ao saber a hora em que a caminhada cessou e é tempo de caminhar em outra estrada, seja sozinha ou acompanhada.

O tempo que passamos ao lado de alguém, todas as nossas risadas, sonhos, momentos incríveis e inesquecíveis são provas de que tudo deu certo sim, tudo valeu a pena, a diferença é que durou o tempo necessário.

Cada lembrança que faz você sorrir comprova que o relacionamento durou o tempo necessário e foi eterno na medida certa.

HABITAREI NA CASA DO SENHOR POR LONGOS DIAS

04/04/2020 às 09h42

Quando Rei Davi escreveu o Salmo 23 ele estava em um oásis à noite cercado por tropas do rei inimigo e por isso este Salmo é tão poderoso, rezado nas horas de aflição para afastar de nosso coração todos os temores, é uma das orações mais poderosas e nos restaura a alma pois somos tomados pela fé. David era o irmão mais novo, entre os numerosos filhos de Jessé, foi escolhido pelo pai para ser pastor, segundo o profeta Samuel quando inspirado por forças divinas matava as feras para defender as ovelhas do seu rebanho.

O salmo 23 talvez seja o salmo mais simples e reconfortante e nenhum outro expressa tão fielmente a confiança que temos em Deus, “o Senhor é meu pastor e nada me faltará” se tenho fé e acredito em Deus nada me falta pois Deus proverá, posso descansar em verdes pastos e Ele me guiará por águas tranquilas, por que Deus é paz, tudo pode desmoronar à nossa volta, mas a confiança em Deus nos faz forte com a certeza que a tempestade vai passar.

É a extensão da vida, do nosso nascimento até o eterno descanso, a certeza que se formos acometidos por injustiças por amor ao nome de Deus seremos justiçados por que Ele nos guiará pelas veredas da justiça, nos momentos de desesperação não temeremos mal algum por que temos fé.

E o salmo segue com “a tua vara e o teu cajado me consolam” aí está a maior expressão que Deus é pai, por que tanto a “vara” como o “cajado” eram instrumentos usados pelo pastor, a vara para afugentar os predadores naturais e o cajado para puxar as pernas das ovelhas quando caíam ou estavam presas, então Deus não somente nos salva mas também nos corrige em nossos erros e enganos, o pastor é o único protetor que elas tem contra seus inimigos por isso ele deve ser hábil em usar tais instrumentos para que as suas ovelhas estejam salvas,  portanto Deus quer nos dizer “ fique tranquilo pois Eu sou por ti, estarei vigiando e te cuidando em todos os momentos mas se estiveres errado estarei aqui para te ensinar”

“Preparas uma mesa na presença dos meus inimigos”, Deus me dá força, me faça forte diariamente para que eu possa prosseguir diante das adversidades, das calúnias, das difamações diante aos meus inimigos, me proteja daqueles que estão disfarçados em pele de cordeiro e faça com que eu saiba discernir o bom do mau. “Unge a minha cabeça com óleo” azeite usado no ferimento das ovelhas, portanto Deus não pode permitir que não haja sofrimento, mas com certeza irá nos curar em todos os momentos que precisarmos.

E a frase mais reconfortante para que tenhamos a certeza que nossos entes queridos estarão ao lado do Senhor quando partirem por que este Salmo tão esclarecedor e reconfortante nos diz: “habitarei na casa do Senhor por longos dias” essa é a aliança de Deus conosco, quando não estivermos mais neste mundo, nesta casa que habitamos estaremos sendo recebidos por Deus em sua casa, seremos guiados com bondade e misericórdia e habitaremos na casa do Senhor por longos dias, voltaremos a casa de nosso Pai onde seremos recebidos com alegria por que Deus é infinitamente bom e misericordioso.

TEMPO, VOU TE PEGAR LÁ FORA!

30/03/2020 às 14h27

Dizem que temos cinco medos fundamentais, e sei que o primeiro do ranking é a morte, mas eu não, eu temo o tempo.

Dizem que ele é sábio, que é o melhor juiz, que cura tudo, mas na verdade acho que ele brinca e se diverte, que nos julga e maltrata.

Acredito que nunca farei as pazes com o tempo e quando tiver a oportunidade farei como nos tempos de dissabores da escola. Lhe direi: “Tempo, me espere que vou te pegar lá fora”!

E darei a maior surra já vista no “tempo” por que acho que isso ele merece, sim, uma boa lição para que prove do seu veneno.

Ainda ontem brincava sem camisa jogando taco ou futebol com meus amigos da rua e hoje já não sei como me vestir por que minha idade é de senhora e meu pensamento de menina.

Ainda ontem tinha meu pai jovem trocando a lâmpada da sala e hoje o tempo o tirou de mim.

As mãos lindas da minha mãe que nos serviam o café da tarde hoje não são mais as mesmas e enrugadas tecem nossas mantas de inverno, encho meus olhos de água quando as vejo, por que sei, tempo seu maldito, está passando rápido para me castigar.

Quando eu era criança e com apenas cinco anos queria fugir de casa meu pai me falou de você. Me disse que ”tudo tem seu tempo”. Um dia você terá a sua casa e o seu dinheiro para fazer o que quiser. E hoje só o que quero é voltar aos cinco anos e ver meus pais jovens outra vez.

Meu pai gostava de me ensinar sobre o tempo e foram muitas lições. Tem tempo de dormir e de brincar, de ir à escola e descansar, tempo de colher e de plantar, tempo de amar e recolher se, tudo tem seu tempo dizia meu pai, mas ele não me explicou o quanto você é sádico e injusto.

Meu pai não me disse que quando você precisa passar rápido se arrasta como quem carrega grilhões e quando deve correr você desacelera propositadamente para nos ver sofrer, ansiosos pela espera e aflitos por respostas.

Ninguém me disse que você tem “tempo” todo o “tempo do mundo” para nos observar, nos rondar e à espreita nos conduzir como peças do seu xadrez.

Sei que por segundos já fez amores se desencontrarem, por minutos entregou pessoas amadas para os braços da morte, por diversão nos faz sempre estar atrasados e nunca por mais que tentamos conseguimos vencer essa dialética de ritmo que só tu tens.

Por fim quero deixar claro que para mim não és juiz, nem remédio e muito menos rei. Es sim carrasco! Nunca ouviste meus pedidos.

Tempo passe devagar, estou ao lado de quem amo.

Eu queria então todo o “tempo do mundo”, mas tu “cafajeste” voava e novamente eu me via só.

Me escutaste quando pedi para passar rápido pois tinha medo do escuro e da solidão da noite, ou esperava pelas notas das provas. Não! Passava por mim, desfilando, irônico, bem devagar sem fazer nenhuma questão de ter minha amizade.

Sei que não gosta de mim e eu nunca farei as pazes contigo “tempo”. Nunca o perdoarei por ser arrogante e soberbo. Vou lutar contigo até o fim e ouvirás o comentário das pessoas.

“Parece que o tempo não passa para ela”

E essa será a minha vingança.

EXISTE A FAMÍLIA QUE NASCEMOS E A FAMÍLIA QUE ESCOLHEMOS PERTENCER

26/03/2020 às 10h24

Uma das palavras mais fortes e reconfortantes do nosso vocabulário é a família, nela encontramos estrutura, apoio, aconchego, compreensão e amor, mas nem sempre é assim e nem tudo é perfeição, a quem diga que “parente é serpente”, que não existe família ideal ou que nasceu na família errada, mas na verdade o destino nunca erra o endereço e nascemos na família que pertencemos, pois, essas pessoas até as que temos menos afinidade, irão nos auxiliar em nossa evolução.

A palavra família vem do latim “famulus” e significa grupo de escravos ou servos pertencentes ao mesmo patrão, bem diferente do conceito que temos, afinal a família ao longo do tempo veio se ajustando, se modernizando, evoluindo conforme o desenvolvimento da sociedade, por isso digo que a família é tão generosa e receptiva que ela se molda as necessidades dos seus entes queridos e mesmo assim nos enraivecemos, batemos pé e gritamos, “odeio a minha família”, muito já ouvi “tenho vergonha da minha mãe”, “eu não gosto do meu pai”, “ meus irmãos são uns carrascos” mas infelizmente todos estes que podemos odiar um dia e muitas vezes até com razão, todos estes estarão conosco pela eternidade pois com eles dividimos algo intransferível que é nosso DNA.

Nosso DNA está presente em cada um deles, seja no sorriso da mãe, no olhar do pai, nas mãos do irmão, ele está nos unindo de alguma forma e isso não podemos negar, não podemos negar nosso “sangue” por mais difícil que seja a aceitação esses entes serão os mais próximos que você terá para o resto da sua vida e vocês estão interligados por causa de uma necessidade que todos temos que se chama “ Karma”.

Karma em sânscrito quer dizer “ação”, como muitos pensam não é ruim e nunca foi pois o “karma” é a oportunidade de aprender, de evoluir, de passar por uma etapa, por isso nascemos exatamente na família certa, estamos ligados além do DNA por afinidades e rejeições por que na família está nosso maior “Karma” ou seja nossa maior chance de evoluir espiritualmente, são os familiares que nos dão a maior chance de crescimento, de ação, de modificação, aprendizado e desenvolvimento.

Podemos notar duas situações, aqueles que temos afinidade e aqueles que rechaçamos, que não conseguimos conviver de jeito nenhum. A afinidade é quando a relação é harmônica, feliz, fácil, sem cobranças, com entendimento, tolerância, e o  “karma” é quando a relação é conturbada, conflitante, insuportável e são destes que devemos nos aproximar, dos que temos menos afinidade, daqueles que guardamos mágoa, os que não conseguimos perdoar, são com essas pessoas e da experiências vividas com elas que devemos resgatar nosso “karma”, devemos reverter esse tsunami de sentimentos ruins, aprender, amar e compreender para o nosso próprio desenvolvimento.

Deus na sua bondade infinita nos colocou em uma família para aprendermos amar aqueles com quem um dia tivemos dívidas e desentendimentos mas não nos deixou só, ao nosso lado dentro da família também inseriu anjos para amenizar nosso sofrimento e permitir que assim possamos evoluir resgatando estes débitos com aqueles que tanto nos magoam, estes anjos em forma de filhos, noras, genros, pai, irmãos, mãe, tios, primos estão ao nosso dispor para nos compreender, amar e fazer com que nosso “karma” não seja tão pesado.

Quando somos crianças não temos voz ativa, temos que nos moldar a vontade de nossos pais ou tutores, mas quando crescemos nos cercamos de quem nos faz feliz, nos cercamos da família que escolhemos, dos amigos, do marido ou da esposa, da família do companheiro, estamos criando laços que estamos escolhendo para nossa vida e isso não quer dizer que estamos livres do “Karma” ele continua nos ensinando a evoluir.

Resumindo a nossa vivência é aprender mais e mais, seja pelo amor ou pela dor, mas aprendendo, seja com gosto ou a duras penas por isso devemos aproveitar ao máximo as experiências que o Universo nos envia, com tolerância, com a capacidade de amor e com empatia por que a lição será dada de qualquer forma, você terá que aprender nessa ou na próxima então o que está em jogo é a sua capacidade de adaptação diante das adversidades.

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL, UM EXERCÍCIO DIÁRIO

19/03/2020 às 18h10

Meu primeiro registro de inteligência emocional foi aos três anos, quando percebi que o rosto do meu pai estava transfigurado, de um jovem lindo e ruivo de apenas 26 anos estava se transformando em um senhor severo e carrancudo, eu de criança livre passei rapidamente para a criança adaptada, guardei meus brinquedos e me recolhi, algo estava errado.

Assim funciona nossa inteligência emocional, é a capacidade de reconhecer e avaliar os nossos sentimentos e o sentimento dos outros, e o mais importante, a capacidade de lidarmos com todas essas informações.

Daniel Goleman, jornalista científico especializado nessa área, elenca os cinco pilares da Inteligência Emocional (IE):

– Conhecer as próprias emoções, parece fácil, mas não é. Acredito que seja mais fácil conhecer o outro do que conhecer a si mesmo e a estrada é longa pois o autoconhecimento é um exercício diário;

– Controlar as emoções. Analisar as emoções e saber como administrar seus estímulos é tarefa para toda a vida. “Step by step”, passinhos de bebê para transmutar as emoções e ponderar sentimentos. Um bom líder é aquele que sabe primeiramente administrar as suas emoções.

– Automotivação, como disse anteriormente a inteligência emocional é um exercício que deve ser praticado diariamente, talvez você ainda não se sinta capaz da automotivação, mas tente, pense positivo, evite usar palavras negativas para definir seu dia, quando alguém perguntar sobre seu trabalho ou sobre seu relacionamento pessoal procure palavras positivas, seja generoso consigo mesmo. Seja gentil com você. Seja capaz de se olhar no espelho e elencar qualidades que você pensa possuir, diga em voz alta. Se motive. Fale para você mesmo “ hoje será um dia maravilhoso”!

– Empatia – saber se colocar no lugar do outro. Eu confesso que não era empática, principalmente com as mães, não entendia a falta no trabalho, a correria no fim do dia para buscar os filhos na escola. Somente sendo mãe que pude entender esse amor incondicional e ser empática. Então muitas vezes a empatia chega em nossa vida quando também passamos por determinadas situações e aprendizados. Se você tem dificuldade para ser empático, tente substituir aquela pessoa que está passando por algum problema ou lhe pedindo algo por alguém que você ame muito. Se fosse meu pai ou minha mãe, meu filho, minha irmã. Será que estou tratando as pessoas como eu gostaria de ser tratado ou como eu gostaria que tratassem os que eu amo?

– Saber se relacionar interpessoalmente – acho que a palavra chave aqui é respeito. Respeito é a base das boas relações, eu não preciso gostar, nem conviver, nem admirar mas o respeito está em primeiro lugar, quando me relaciono com alguém, no trabalho, na vizinhança, no posto de gasolina ou supermercado, eu não preciso ser o mais simpático, não que isso não seja importante mas se eu demonstrar respeito já é a base do meu relacionamento interpessoal.

Sabendo os cinco pilares da IE você já consegue praticar diariamente essa ferramenta tão necessária e importante. Seja em casa, no trabalho, na liderança e gestão de pessoas, em sala de aula, enfim a IE é usada para tudo na nossa vida. Afinal ela realiza um processo de descobrimento interior que se materializa através de atitudes e comportamentos sociais.

Eu quero que as pessoas me vejam desequilibrada? Estressada?

Qual imagem eu quero que tenham de mim? Focada? Racional?

Pense nisso. Como eu quero que as pessoas me vejam? Que tipo de impressão eu quero deixar na memória das pessoas?

Todos temos um temperamento, explosivo, impulsivo, ciumento, agressivo mas será que tem que ser sempre assim? Será que no decorrer da nossa existência não é melhor ir em busca do equilíbrio e ir corrigindo esses deslizes comportamentais? A IE faz isso. Ela amadurece nosso comportamento por que saberemos como lidar com todos estes sentimentos de forma prática e racional.

Comece hoje a praticar a sua IE, é um exercício diário, mas você não vai se arrepender.

A ARTE DE NÃO EXISTIR

18/03/2020 às 14h44

Desde muito cedo precisei aprender a “não existir”, não vistos, não lembrados. Em um mundo cruel e desumano o melhor é não existir. Já que nascer não é uma opção podemos criar mecanismos de defesa para sofrer menos. Desde que nasci vivo em um castelo sob a mira de um gigante feroz de loucos e expressivos olhos azuis.  Não sei quem são meus familiares e se realmente os tenho. Não sei por que fomos aprisionados neste triste castelo.

Uma das serviçais me confidenciou que o gigante tem olhos atrás da cabeça e por este motivo não importa o que façamos para nos esconder, ele sempre nos achará. O gigante apesar de feroz, não é mau. É bipolar o que o torna pior.

Os maus sempre são maus e sabemos o que esperar deles, mas os bipolares são imprevisíveis, um sorriso pode não ser um sorriso e um tapa pode ser um carinho. As agressões podem ser sim manifestações carinhosas, até que você acostuma por que pensa que está sendo amada.

Nos adaptamos há tudo, somos frágeis, não temos para onde ir. Somos propriedade do “gigante”. Com o tempo aprendi a falar o necessário e medir muito bem as palavras por que o “gigante” é temperamental e por mais inocente que sejam as minhas ideias ele pode se ofender ou chorar por dias e, inundar o castelo. Ele nunca está errado por que a culpa das coisas erradas, sempre são transferidas para nós que somos crianças, pequenas, miúdas, sozinhas. Quem vai acreditar em nós? Parece que sempre inventamos mirabolantes histórias.

Na maioria das vezes quando me chama, nunca pelo nome, não é para castigar, mas para lhe ajudar em alguma tarefa. Como tem muitos serviçais é normal que não saiba meu nome e não lhe culpo por isso, na verdade somos números, não saber nomes é melhor para quem não quer existir.

Ele me chama de “menina azul”, talvez por que seja a cor do meu único vestido eu também não questiono, nunca o questionamos, não o encaramos, aceitamos apenas.

– Menina azul, coce as minhas costas!

Essa tarefa eu odiava, isso por que as suas costas não tinham fim, caminhava pelos relevos das suas costas, sapateando ou então com um ancinho ia recolhendo tudo que via pela frente. Ele ria, estava feliz! E eu também ficava por que sabia que a sua felicidade não nos traria problemas. Nos sentíamos vitoriosos quando vencíamos o dia, mais um dia sem ele nos causar hematomas.

– Menina azul, corte as minhas unhas!

Pobre de mim!

– Menina azul, lave meu cabelo!

Eu gostava de lavar seus cabelos e como gostava! Podia mergulhar e deslizar por seus cachos dourados.

– Escove meus dentes!

Os dentes era uma tarefa árdua, ele tinha uma brincadeira cruel de “engolir e cuspir” e eu odiava ser engolida, ficar presa entre seus dentes, sentir seu hálito, tudo eu odiava. Mas ele ria, e por mais dolorosa que fosse a brincadeira eu me sentia feliz por ele.

– Cante para mim, Menina Azul.

Cantar era a tarefa mais difícil por que precisava escolher muito bem o repertório para ele não chorar e inundar o castelo. Por fim o que ele mais gostava.

– Menina Azul, conte uma história.

E era nessas horas, as únicas, que tinha pena dele, por um instante eu conseguia sentir um pouco de carinho por que na verdade o gigante era uma criança sem amor. Deitava com seus longos cabelos trançados por mim e fechava seus grandes olhos azuis, antes de adormecer me amarrava em seus cabelos e dizia: “Menina vele meu sono” e eu ficava calada e amarrada as suas madeixas cuidando para que nada o perturbasse.

Eu não podia me mexer, tossir, suspirar, sentir fome, ir ao banheiro. Eram horas de imobilidade e foi nessas horas que comecei a praticar a arte de não existir.

Primeira regra, não faça barulho, nunca! Aprenda a caminhar em silencio, como os gatos. Espirrar é proibido é extremante proibido, assim como tossir. Não fale, escreva em pequenos papéis que depois você possa engolir.

Limpe suas digitais, em qualquer lugar que estiver, não deixe nada que contenha seu DNA, saliva, digitais, pegadas, fios de cabelo. Lave tudo que usar, copos e pratos. Coma pouco e não produza lixo.

Não deixe vestígios. Não deixe que percebam que você esteve presente. Aproveite a noite para transitar por que nas sombras é mais fácil se esconder, não durma, o sono é traidor, tire pequenos cochilos em um lugar de total segurança, se possível trancada em lugares pequenos e de difícil acesso.

Não é fácil praticar a arte de não existir, mas depois que você se tornar invisível será viciante, aos poucos observar será mais gratificante do que ser observado e você terá a certeza que é substituível e outros farão as suas atividades. Você será substituído por alguém mais jovem, mais bonito, mais acessível.

Não contarão histórias lindas como você, nem cantarão notas tão afinadas, talvez não sejam tão inocentes mas desempenharão suas tarefas e só isso importa.

Ao chegar à maioridade fugi do castelo, não sou mais propriedade do gigante, sou dona de mim, tento esquecer os anos que convivi com ele, alguns dias consigo, outros não. Ele continua soberano em seu reino. As vezes escuto sua voz gritando ao longe “menina azul”, mas não sou eu que corro ao seu encontro e ele sequer percebe.

AMOR É TUDO, MAS NEM TUDO É AMOR

16/03/2020 às 09h12

 

Fomos criados com uma ideia errônea que alguns sentimentos e atitudes são por amor, mas nada que fere, humilha ou abala pode ser amor. Muitos de nós vindos de famílias com grande desgaste emocional, com relacionamentos perturbados, alcoolismo, violência doméstica pensamos inconscientemente que este tipo de comportamento é normal e adequado, e na vida adulta procuramos estes estereótipos para nos relacionar continuando assim nosso círculo vicioso. Cuidado!

Cuidado com os relacionamentos abusivos, muitos pensam que o relacionamento doente é apenas aquele com agressões físicas, mas não é verdade, consideramos abusivo todo relacionamento com agressão mental, psicológica, física e sexual, portanto na maioria das vezes este tipo de relacionamento é muito sutil e muitos nem sabem que estão passando e vivendo este tipo de relacionamento.

Ciúme não é amor e é importante que isso fique claro pois escutamos muitas vezes que “ciúme é o tempero do amor”, mas na verdade o respeito sempre será a base do amor, sem ele o amor não existe, imponha limites, você tem amigos sim! Não existe nenhum problema em ter amigos, em se relacionar com outras pessoas, seu celular é seu, privado, assim como as suas redes sociais, tem muitos casais que gostam de compartilhar o perfil nas redes sociais, ótimo, mas que seja de comum acordo e não por ciúme excessivo.

A velha desculpa me preocupo com você não justifica mais o ciúme, não justifica alguém querer mudar seus gostos, suas roupas, se você gosta de roupas chamativas ou curtas com certeza ele te conheceu assim e não faz sentido querer que você mude pela insegurança dele, não mude a sua essência, seja você em todas as ocasiões.

Não abandone seus amigos ou deixe de cumprimenta-los em público, amigos verdadeiros valem mais que ouro, são sim bens preciosos, por que um dia o casamento acaba, os filhos crescem, se mudam, mas os amigos não, eles sempre estarão com você de um modo ou outro, muitos terminam seus relacionamentos e se encontram completamente sós. Por quê? Por que abandonaram seus amigos por estarem em um relacionamento, amigos não são descartáveis os mantenha em sua vida, não é errado pelo contrário.

Se você se sente pressionada, angustiada, se ama mas existem dúvidas, se a alegria é passageira e a tristeza constante, se de repente fica pensando na roupa que usar para não causar discussões? Preste atenção nos sintomas de um relacionamento doente:

Mudanças de humor:  não existe estabilidade no relacionamento, você está sempre se perguntando “ como ele estará hoje”? As vezes gentil e de uma hora para outra rude e agressivo, você não precisa passar por esta insegurança de não saber como lidar com as oscilações de humor de outra pessoa.

Humilhação: se a pessoa com quem você se relaciona te critica em público e faz com que você se sinta constrangida, pule fora. Precisamos de apoio assim como devemos apoiar, críticas excessivas são crueldade e não incentivo.

Controle: Não existe segredos em relacionamentos saudáveis, mas algumas coisas somente você precisa saber, não deixe ninguém interferir em suas decisões, você tem um relacionamento, não um pai, você é adulta e não precisa pedir permissão para visitar uma amiga, ir ao cinema ou comprar as suas coisas.

Culpa: algumas pessoas tem o dom de inverter uma situação, rapidinho passam de errados para a vítima da história, transferem a culpa deles para você.

Exibicionismo: existem coisas que são a dois e para os dois, ninguém precisa saber, se você se relaciona com alguém que conta a sua intimidade para outras pessoas, preste atenção.

Por fim procure ajuda, analise os fatos primeiramente para saber se você está em um relacionamento abusivo, ponha limites e se quer continuar neste relacionamento, explique o quanto se sente desconfortável e que certas atitudes devem ser contornadas para que o relacionamento seja sadio para ambos, a vida é muito curta para perdermos nossa juventude, saúde mental e física por conta de relacionamentos abusivos, lembre-se quem ama não mata, não destrói, não humilha, não fere quem ama protege e respeita, amor é tudo nessa vida mas nem tudo é amor.

MEUS SENTIMENTOS SÃO UM TREM DESCARRILHADO

12/03/2020 às 08h46

Por muitas vezes precisei engolir palavras com um copo de whisky, sem gelo. Precisei cortar a pele para que a dor fosse embora, precisei guardar todas as expectativas dentro da gaveta de nome “ ainda não foi dessa vez”. Mergulhei de cabeça em piscinas sem água, apostei minha vida por pessoas sem alma e jurei lealdade para contadores de história.

Eu me enganei inúmeras vezes e ainda me engano, por que sou de carne e osso e meus sonhos não são robóticos. Eu não sei quando parar de acreditar. Eu não sei dizer, “não”. Eu sempre me dou. Me doo tanto que já não existe limite, nem hora, nem lugar, mas retorno para casa de mãos vazias.

Eu não sou vítima. Assim é meu temperamento, sou flexível, maleável, adaptável. Eu não sou solitária. Sempre estou cercada de pessoas, mas sou sozinha.

Tenho fome, tenho frio, mas não reclamo, eu sorrio.

Dentro do meu peito mora um pássaro que as vezes bate as asas e ensaia um voo. Mas logo se recolhe. Das vezes que alçou voo teve suas asas cortadas.  Ainda bate as asas para não esquecer quem foi, mas não tem mais a coragem de voar.

Na terra de onde vim, não tem maldades. Não existe palavras desconectadas de intenção, tudo é verdade. Meu lugar é um grande quintal verde, chamado aconchego. Desde que aqui cheguei, onde tudo parece fumaça, as pessoas não têm tempo, elas mentem e julgam. Sorriem e maltratam. Abraçam e condenam.

Escuto uma voz incessante. Não desanime e eu peço, me abrace. Vá ao médico. Me abrace. Você é mais forte que isso. Me abrace.

Nos meus olhos cabem um rio, mas ninguém vê.  Quando tudo dorme, e a cidade silencia, eu deixo que meu rio se derrame sobre o parapeito da janela. Leva um pouco de mim e segue seu curso. A lua é minha confidente nestas noites de rio, ela sabe que dentro de mim existe muita água.

Água de pranto, água salgada, água de mágoa, água de amar.

De tanto amar meus sentimentos às vezes são como um trem descarrilhado. São como cartas sem destinatário, elas voltam. Sempre voltam as minhas cartas.

As expectativas foram carregadas com sucesso mas nunca superadas. Amor exigente esse que busca a perfeição nos detalhes e se depara com a ingratidão travestida de sinceridade.

Me abrace. Me abrace. Me abrace.

Silêncio. Vento. Solidão.

É tempo dos lobos, eles chegam à noite e devoram o coração dos mansos.

Não há mais tempo. Foi se o tempo da delicadeza. Morremos nós.

O QUE APRENDI COM A MINHA MÃE

09/03/2020 às 10h18

Mãe, ser do sexo feminino, progenitora que gera uma vida ou adota. Mas a palavra mãe na verdade é uma misto de muitas emoções, só de pronunciar a palavra mãe já conforta nossos corações. Ser chamada de mãe então é indescritível.

Eu que por 35 anos somente chamei pela minha mãe, quando fui chamada de mãe consegui entender o que queria dizer essa palavra e tudo que existe por detrás dela. Quando fui chamada de mãe deixei de ser tão crítica, deixei de pensar que mãe cria os filhos como que quem joga as sementes de abobora no pátio e deixa crescer, entendi o apego da minha mãe por nossa família e os esforços e sacrifícios por nos manter unidos, entendi por que ela ia no meu quarto à noite para me cobrir nos dias frios, por que sempre dizia “ vai chover leva uma sombrinha”, aprendi que conselhos de mãe são avisos de Deus e que uma oração feita por nossa mãe arrebenta as portas do céu. Entendi a sua angústia quando ia dormir na casa de uma amiga e o motivo dela não dormir quando eu saía à noite, a sua implicância com algumas amizades e o temor por minhas escolhas.

Somente sendo mãe pude entender o que é não dormir quando o filho tem cólicas, o desespero de correr para o médico quando tem febre, quantas vezes chorei escondida quando o deixei na “creche”, pude entender o que ela sentia e percebi que filhos não são sementes de abobora, filhos dão muito trabalho, despendemos tempo, dedicação, suor e lágrimas.

Ser mãe é padecer no paraíso! É sim. Quando você for mãe nunca mais será a mesma, sua vida será tomada de sentimentos maravilhosos e de preocupações constantes também. Se eu não tivesse uma mãe positiva e otimista eu não teria essa força interior e não seria a mãe que me tornei.

Aprendi com a minha mãe a viver um dia de cada vez, que amanhã é outro dia e que nenhum problema vale a nossa paz. Aprendi a fazer bolos, tricôt, crochê, a ouvir músicas francesas, adorar comida macrobiótica, aprendi que a maquiagem sempre é uma aliada e devemos estar sempre maquiadas na alegria e na tristeza, nem que seja com um batom e rímel para levantar a moral. Minha mãe me ensinou sobre literatura e filmes clássicos, que nada nem ninguém pode nos entristecer e que a tristeza deve ter um limite e nunca tomar conta de nossa vida, ela existe e nos deixa mais fortes, mas nunca deve ser constante.

Ninguém ama tanto a vida como a minha mãe, ela sempre se agarrou na esperança de um dia melhor para sobreviver e assim nos ensinou, amanhã é um novo dia e temos uma nova chance de fazer tudo diferente. Não importa o tempo nem a idade o que importa é começar e termos um final feliz pois esse final depende somente de nós.

Essa energia e amor pela vida ela nos ensinou, essa certeza de um mundo melhor, não nos ensinou a cozinhar ou passar roupa, não nos deu bonecas de presente, mas livros e mais livros, literatura, filosofia, arte, música, idiomas e fé, muita fé, em Deus e em nós, por que Deus não ajuda quem não se ajuda.

Ainda escuto seus conselhos: Estude, estude e estude e depois trabalhe, tire sua força do trabalho, seja livre e não dependa de ninguém, fale outros idiomas, case por amor, se não der certo, case de novo por que nada é irreversível, somente a morte e a morte em vida é a mais triste. Não desista! Mesmo quando a vida te dizer “não” diga “sim” para vida, por que você pode, filho meu pode tudo. De todas as coisas que aprendi com a minha mãe a melhor de todas foi a sua presença, aprendi que sempre pude contar com ela em todos os momentos, ela sempre estava presente quando todos já tinham ido. Ela sempre estará presente.

COPAS DAS ÁRVORES

06/03/2020 às 12h07

Aprendemos desde a tenra idade, através de nossos pais, avós, educadores tudo o que é certo e o que não é, somos orientados a todo momento a usar as palavras mágicas, “obrigada”, “por favor”, “desculpa” e “com licença”. Um grande e difícil aprendizado é sobre nossos limites, um aprendizado importante, árduo e tão necessário para que a convivência social seja saudável. Mas mesmo com tanta informação, muitas vezes não aprendemos ou fingimos não entender os limites que devemos respeitar.

Quando eu era adolescente meu pai em uma de nossas discussões me disse “ você tem tudo, menos limites” confesso que na hora achei bonito, eu era uma adolescente rebelde e não ter limites era justamente o meu lema. Mas no decorrer do tempo percebi que não ter limites estava se transformando em um hábito antiético, a falta de limites nos faz pensar que podemos tudo, beber demais, correr demais, falar demais, espionar bolsos, mexer em celular, “stalkear’ as redes sociais, questionar, proibir … proibir? Como vamos proibir alguém maior de idade de ser quem é?

Quando conhecemos alguém e escolhemos nos relacionar devemos prestar atenção nos hábitos, nas amizades e gostos por que depois de estarmos envolvidos emocionalmente parece injusto querer que essa pessoa não tenha os mesmos hábitos, ou não se comunique com seus amigos ou não beba ou coma tal coisa por que nos desagrada, e não adianta se jogar no chão e gritar, a tática que funcionava tão bem com nossos pais não funciona mais na vida adulta.

Para mim foi árduo compreender o limítrofe, foi uma lição que não aprendi na infância e não por falta de vontade dos meus pais, mas por que eu não quis, eu era repreendida, eu ia de castigo, mas a lição nunca era aprendida e o que não se aprender por amor, a dor ensina e ensina de uma forma para nunca esquecermos. Aprendi com a vida e foi muito duro perder as pessoas que amava pela falta de limites, eu não entendia que a individualidade existe e que o amor também precisa ser individual algumas vezes.

Um dia, meu pai e eu, fomos ao zoológico, eu com 39 anos e ainda sem limites e ele com seus 62, sentamos em um banco, ele gentilmente me trouxe um guaraná como nos tempos da infância e querendo me dizer algo iniciou uma conversa, como era de seu temperamento, despretensiosa:

– Está tudo bem contigo? Ele disse enquanto olhava para o céu.

– Mais ou menos, soube que vamos nos separar, não soube?

– Não!

– Pois é, ele me pediu a separação. Estou amadurecendo a ideia ainda. Separada com um filho de 9 meses, não vai ser fácil.

– Bom, não vai desistir, não é?

-Não eu vou lutar por ele até o fim.

– Não foi isso que eu quis dizer. Não pode lutar por alguém que pede uma separação. Quis dizer para não desistir do “amor”.

Eu respirei, um longo e profundo suspiro e ele continuou:

– Case de novo, e case de novo se for preciso, mas não desista de ser feliz e de amar alguém.

– Isso é um conselho? Ele sabia que odiava os conselhos.

– Não, desde os cinco anos não te dou mais conselhos. Mas quero aproveitar esse nosso tempo para te dizer que quanto mais observo as árvores mais eu gosto delas. São silenciosas, fortes, dão frutos, abrigam os pássaros e o mais fascinante de tudo, já percebeu que quando estão lado a lado elas crescem, mas cada uma no seu espaço? Elas não invadem o espaço uma das outras e por que será, não é? Ah por que elas têm limites! Sabia que algumas param de crescer em respeito ao espaço e a individualidade das árvores vizinhas? Não deve ser fácil para elas eu imagino, mas elas fazem esse esforço por respeito.

– Isso é um conselho.

– Se ainda houver tempo de aprender, aprenda!

Depois disso ficamos em silêncio por um longo período, sabia que ele queria que eu fosse como a tal árvore, sabia que todas aquelas palavras eram para mim, talvez como forma de aprendizado já que para uma mulher de 39 anos não cabe palmadas, nem “cadeira da vergonha”, mas aquele diálogo me deu mais vergonha que a cadeira e doeu mais que a palmada.

Logo depois ele faleceu, e eu percebi que talvez essa fosse a sua maior preocupação em relação a mim, o que o mundo faria comigo já que eu ainda não tinha limites, o quanto mais eu iria sofrer até aprender que cada pessoa tem a sua individualidade, o seu mundo, os seus amigos e isso não as afasta de mim.

ANTES DE COMPROMETER SE CONHEÇA SEU CORAÇÃO

28/02/2020 às 10h49

Antes de nos comprometermos com alguém devemos conhecer nosso coração, nossos limites e sonhos. Como vamos amar alguém antes de amar nós mesmos, antes de nos presentearmos, de sermos gratos e orgulhosos de nós?

Procuramos pela alma gêmea mas esquecemos que somos individuais, precisamos ser fortes, inteiros para depois amar alguém, não podemos esperar que outra pessoa nos complete, que outra pessoa nos faça feliz, temos que ser felizes por nós mesmos, pelo que somos, pelas atitudes que tomamos, por nossas conquistas e até mesmo pelos desafios que encontraremos pelo caminho.

A outra pessoa é um complemento da nossa felicidade, mas antes disso precisamos saber quem somos e o que queremos, se realmente queremos nos comprometer com alguém, se nosso coração é um coração aventureiro que irá embarcar em muitas viagens, se é um coração introvertido que prefere momentos de reflexão e solidão ou um coração latente que cabe muitos amigos e adora uma festa.

Antes de assumir uma relação é necessário saber se estamos prontos para tal compromisso, se a pessoa que vamos nos comprometer tem os mesmos planos e ambições que nós, se poderemos caminhar na mesma direção. Muitas pessoas por medo da solidão ou para esquecer um amor não correspondido decidem entrar em uma relação, mas amor não é opção e sim certeza. Não existe dúvidas no amor.

Saber o que realmente queremos não é tarefa fácil mas se pelo soubermos o que não queremos já é metade do caminho andado, se soubermos que nosso coração é romântico e sonhador não entraremos em uma relação pragmática por que com certeza vamos nos decepcionar. Não podemos tolerar relações tóxicas, não podemos nos dedicar 100% e receber 20% em troca e o amor é troca? Sim é troca também, sem exigências e cobranças, mas com reconhecimento e gratidão.

Por isso conhecer nosso coração é tão importante, saber nossos limites, o que buscamos, o que podemos suportar, tem coisas que machucam demais um coração mesmo que o amor também seja ceder, precisamos saber até que ponto nosso coração está preparado para isso, por isso medite, analise e conheça seu coração antes de se apaixonar. Saiba quem você para depois querer saber que é o outro por que você é a pessoa mais importante da sua vida.

AMOR COM AMOR SE PAGA

24/02/2020 às 15h42

O amar é tão grandioso, mas as vezes é tão sutil que nem percebemos, mas ele está presente mesmo que nas pequenas atitudes, nos detalhes, no olhar e até nas palavras que não foram ditas, mas eternizadas em nosso coração, o amar é um ato de coragem, de desapego, de humildade e servidão.

O verdadeiro amor, o mais sublime sentimento e não aquele mundano e cheio de paixão, aquele fugaz e orgulhoso, mas o verdadeiro, aquele incondicional e filantrópico, esse amor que pensamos nunca encontrar ou que existe apenas na ficção, muitas vezes é tão imperceptível e discreto que não percebemos, mas está ao nosso redor todo o tempo.

“Love is in the air” sim! Por mais guerras, conflitos, violência, catástrofes que existir o amor sempre estará ao nosso redor nos lembrando que podemos e devemos ser melhores, mas nós estamos cientes disso? Ou estamos nos brutalizando e banalizando nossos sentimentos e nosso coração?

Esse amor sem vaidade e sem interesse, está presente nas mensagens que recebemos, sabe aquele grupo da família que você quer sair por que não suporta tantas mensagens por dia? O amor está ali dizendo “ bom dia”, está presente no colega de trabalho que vai buscar café e traz um pra você, no marido que acorda mais cedo e deixa o café preparado, na esposa que passa a camisa no calor de 40 graus, no filho que faz aquele desenho caprichado e escreve “ eu te amo”, no colega que tira foto da matéria no quadro e manda pelo “Whats” ou liga para saber por que você faltou, o amor está naquele bolo de laranja feito pela avó, no telefonema da mãe para saber se você pegou chuva na saída do trabalho ou se já chegou em casa, na preocupação do pai mesmo quando você já tem idade para se cuidar sozinho.

O amor está até mesmo no desconhecido que ao passar por você na rua sorri, na senhora que senta ao seu lado no banco e conta a “vida”, no motorista do ônibus que vendo a sua corridinha para não perder a condução o espera, na caixa do supermercado, no motorista do aplicativo, no porteiro do prédio, o amor está presente em forma de gentileza, de atenção, de servidão, mas nós não percebemos.

Não percebemos por que estamos ocupados, por que pensamos que é obrigação do garçom nos servir bem, é dever do motorista esperar, a senhora chata do banco é carente e por isso quer conversar com alguém, o motorista do aplicativo deve ser bem-educado ou o avaliarei mal, temos explicação para tudo quando na verdade poderíamos estar desfrutando e agradecendo esses “carinhos” diários que recebemos.

Se pudéssemos pagar o amor como seria? Acredito que o amor com amor se paga, então nestes casos poderíamos desacelerar um pouco e retribuir as gentilezas que recebemos diariamente, acredito que estamos vivendo em um mundo acelerado, que nos cobra cada vez mais, um mundo que nos faz ser desconfiados e rudes e muitas vezes não observamos nada além dos nossos boletos, nossas crises existenciais, nossos problemas, nosso próprio ego mas devemos analisar, aproveitar e pagar com amor todas essas delicadezas que nos sãos oferecidas.

PRECISO QUE SEJAS FELIZ!

20/02/2020 às 08h59

Uma das mais belas cartas de amor escrita pelo escritor Victor Hugo (1802-1885) para sua amada, a atriz Juliette Drouet (1806-1883),

Preciso que tenhas saúde, que me ames, que sejas feliz. Preciso de ti, da tua saúde, do teu amor, da tua felicidade”.

O amor verdadeiro quer que você se cuide, se ame, que tenha saúde por isso muitas vezes as mães incansavelmente repetem a frase “ leva um casaquinho, vai esfriar” preciso que tenhas saúde, “ como foi seu dia”? Preciso que sejas feliz.

O amor verdadeiro não exige obrigações, não escraviza, ele quer que seu dia seja feliz enquanto não está ao seu lado, que você se divirta com seus amigos, que vá ao cabelereiro, que passeie e se reencontre com ele revigorada por que ele precisa também da sua felicidade.

Um relacionamento em que um não está feliz não é um bom relacionamento por que o amor verdadeiro precisa da sua felicidade para se manter vivo, ele não tem dúvidas, não existe espaço para desconfiança, mas sim certezas que devem ser compartilhadas.

Sendo assim você precisa da sua própria felicidade, das suas conquistas, dos seus planos e projetos para compartilhar para que o relacionamento possa agregar conhecimento e valores e ser alimentado diariamente, regado com motivação e apoio.

Preciso do teu amor, da tua saúde, da tua felicidade, preciso de ti inteira, fortalecida, realizada para que assim possa me amar para que eu não seja um peso nem o centro da sua vida, preciso ser bálsamo e não tormento, preciso ser alegria e não melancolia, preciso da tua saúde para que juntos possamos prosseguir com nossos planos, preciso de ti, mas não como salvação e sim como complemento da minha felicidade.

E por fim preciso que me ames, mas esse amor precisa ser pela admiração que sentes por mim, pelo meu caráter, por meus talentos, pela maneira que te trato, pelo respeito que sinto e tenho por ti, pelas palavras que escolho para conversar contigo, palavras polidas, delicadas, carinhosas, pelas atitudes que tenho contigo nos pequenos detalhes do nosso cotidiano, preciso que me ames com mesmo amor e respeito que sinto por ti.