Revista Statto

EXPOSIÇÃO VIRTUAL

19/10/2020 às 18h10

Tema: “Um álbum terapêutico virtual de foto-imagens”, de Arlete Brito e Antônio Miguel.

Lançamento: 21 de outubro

CCMW se reinventa e inaugura exposição virtual

O Centro Cultural Martha Watts abre espaço para a sua primeira exposição virtual. “Um álbum terapêutico virtual de foto-imagens”, dos fotógrafos Arlete Brito e Antônio Miguel, estará disponível a partir do dia 21 de outubro (quarta-feira) e será composta por 32 imagens, seguidas de explicações e referências sobre o modo de produção de cada uma.

Ambos mostram que a manipulação digital das fotografias pode apresentar excelentes resultados, ao mobilizar diferentes linguagens e significados. Ainda mais quando há histórias por trás desses processos criativos orientados pelo aforismo do “ver sem questionar” do filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein (1899-1951). “As imagens produzidas podem ser vistas como jogos casuais de linguagem que se abrem a significações múltiplas, diversas e surpreendentes para os leitores que se permitem vê-las”, explicam os autores da exposição.

A coordenadora do Centro Cultural Martha Watts, Joceli Cerqueira Lazier, explica que a ideia para uma exposição virtual foi uma alternativa para atrair o público do espaço cultural que está fechado devido a pandemia. “Fomos pegos de surpresa com a pandemia da Covid-19 e, assim, em consequência vivemos no isolamento social. Nossa equipe buscou utilizar as redes sociais e a Internet da melhor maneira possível. Tudo para ficarmos mais próximos do público que nos acompanha”, explica Joceli.

A primeira exposição virtual do Centro Cultural Martha Watts pode ser visitada nas plataformas Flickr https://bit.ly/3m1W7sH  e ISSU https://bit.ly/3kee5rA.

Sobre os autores

Arlete de Jesus Brito

Moradora de Piracicaba (SP), Arlete de Jesus Brito é professora-pesquisadora da Faculdade de Educação da Universidade Estadual Júlio de Mesquita Filho (UNESP) – Campus de Rio Claro (SP). É fotógrafa amadora. Já participou de exposições de arte e teve trabalhos fotográficos premiados.

Antonio Miguel

Morador de Campinas (SP), Antonio Miguel é professor-pesquisador da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), nas linhas de pesquisa Linguagem e Arte em Educação e Educação em Ciências, Matemática e Tecnologia, com inúmeros artigos, capítulos de livros e livros publicados ao longo de sua carreira acadêmica. Nos últimos cinco anos, Antonio Miguel vem se dedicando à produção de fotografias artísticas e às artes visuais digitais. É membro da Associação Piracicabana dos Artistas Plásticos (APAP) e participou de vários concursos e exposições promovidos por essa e outras associações.

Contatos:

Arlete de Jesus Brito: [email protected]

Antonio Miguel: [email protected]

Joceli Cerqueira Lazier: [email protected]

COVID-19: O NEGATIVISMO DAS AUTORIDADES MATOU 100 MIL BRASILEIROS

10/08/2020 às 12h09

A expectativa do governo brasileiro era que logo no início do segundo semestre deste ano, o número de casos do novo coronavírus no Brasil fosse diminuindo. Mas foi apenas uma ilusão. O dia 8 de agosto ficará marcado quando os órgãos de saúde pública registraram mais de 100 mil mortes pela doença, sendo a região Sudeste com maior número de óbitos acumulados.

As mortes pela Covid-19 no país, ao fazer uma comparação em tamanhos territoriais, conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), equivalem à toda população de Mairiporã (SP), com 100.179 habitantes. Em uma expressão grotesca, mas necessária, é como se todos os mairiporenses deixassem de existir.

Cem mil são números assustadores que representam a perda de entes queridos. Mortes de pessoas que eram namorados, tios, avôs, pais, mães e filhos. Muitas delas já realizaram sonhos e estavam aproveitando as conquistas, outras ainda faziam planos para longos anos que ainda teriam que ser vividos. As desigualdades socioeconômicas, educacionais e raciais são fatores para a gravidade dos óbitos, haja vista que o acesso para um adequado sistema de saúde ainda não é de todos.

Apresentar dados epidemiológicos sobre a Covid-19 é não ser omisso ou amenizar a situação trágica que assola, não só o Brasil, mas como todo o planeta. Pode-se destacar também que o vírus da ignorância ainda está presente em muita gente.

A sociedade brasileira ainda é gerada por autoridades políticas negativistas ao vírus, que comemoram um título de futebol ou que tentam provar medicamentos para a cura da Covid-19 sem comprovação científica.

Essas situações contrariam o artigo 196, da Constituição Federal, em que a saúde “é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

Já para o lado científico, o tempo para as descobertas das vacinas e medicamentos para a cura do coronavírus é crucial para os pesquisadores. Enquanto soluções ainda não são encontradas, a população tem como obrigação zelar não apenas pela sua saúde, mas para com todos que estão à sua volta. A boa saúde das pessoas depende muito da colaboração dos outros.

QUANDO VAMOS ENTENDER QUE A NUDEZ MOSTRA A NOSSA IMPORTÂNCIA?

05/08/2020 às 18h11

O corpo nu sempre foi tão polêmico em pleno século XXI. O que era para ser um assunto já bem estudado e lúcido pela sociedade, com os adventos da diversidade sexual e do erotismo, se tornou um deplorável retrocesso intelectual.

A nudez é muito mais que seios, vaginas e pênis. É o estudo do corpo humano para entender a sua origem, conhecer o seu interior e compreender a sua importância perante a uma sociedade, ainda, infelizmente, retrógrada em muitos aspectos sociais.

Muitas vezes classificadas como “vulgares”, “inapropriadas”, “pervertidas”, ou outros termos que já tenha ouvido ou explanado, saiba que estas imagens já ilustraram materiais didáticos, principalmente, no estudo da história da arte. Ou seja, existe uma familiaridade em torno do tema, não é desconhecido. O nu já pautou inúmeras pinturas e esculturas de grandes artistas de reconhecimento e admiração mundial, sendo apreciadas hoje em dia e lotando museus e espaços culturais.

Que o diga “Davi” (1504), de Michelangelo (1475-1564). Uma escultura que remete a uma passagem bíblica sobre a figura homônima à obra renascentista que derrota o gigante e arrogante Golias. Esta escultura tem um valor imensurável para as artes plásticas e traz Davi, com mais de cinco metros de altura, desnudo.

Ticiano Vecellio (1489-1576), um dos principais representantes da escola veneziana, também trouxe ao público o belo corpo da “Vênus de Urbino” (1538), em uma posição que representa o seu protesto à sua independência sexual. No Brasil, a idolatrada Tarsila do Amaral (1886-1973) retratou, em “Batizado de Macunaíma” (1956), o povo indígena e a cultura brasileira na forma como eles vivem: sem roupas e naturais ao próximo. Assim são suas vidas, suas origens e suas histórias.

Perceba que as obras citadas no parágrafo anterior se referem a produtos artísticos criados nos séculos passados por figuras que não tinham a pretensão de criar controvérsias para a sociedade à época. Eram registros para mostrar a história, a beleza e a força de um ser humano em meio aos transtornos ou desafios pessoais. Só com o passar dos tempos (leia-se séculos), que o corpo foi sendo tratado de forma polemizada.

Este autor que vos escreve, sempre se questiona: porque um homem pode tirar a sua camiseta em público e a mulher, ao fazer o mesmo, é discriminada ou rotulada com adjetivos baixos? Porque existem diferenciações quando se trata de dois corpos de gêneros diferentes? Porque a nudez é um tabu?

São tantas perguntas para poucas respostas. Talvez o processo de transformação social sobre a nudez dure por muito tempo, enquanto a ideologia religiosa for um dos pilares para o negativismo e assim bater na tecla do pecado.

HOMENAGEM ÀS VÍTIMAS DA COVID-19

21/07/2020 às 18h01

Cinco meses se passaram desde o início da pandemia da Covid-19 no Brasil, e não se imaginava na grande dor que a sociedade sentiria ao se despedir de um amigo ou ente querido. Os protocolos para o último adeus às vítimas também foram mais rígidos e restritos para evitar a contaminação.

Até o fechamento deste texto, o país registrava 80.120 mortes pelo coronavírus, segundo o boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde. Mortes de pessoas que eram namorados, tios, avôs, país, mães e filhos. Muitas delas já realizaram sonhos e estavam aproveitando as conquistas, outras ainda faziam planos para longos anos que ainda teriam que ser vividos.

Para deixar eternizada as boas lembranças das vítimas, o projeto virtual “Inumeráveis” está incumbido desta missão, ao publicar centenas de testemunhos dos respectivos familiares. Caso do jovem William Cohene Neder Júnior, 24 anos, descrito pelo namorado Weder Campos. “Doce, carinhoso e amoroso. Como qualquer pessoa, que cresceu no interior, William sonhava em ser famoso. A carreira de modelo brilhava os olhos do paulista. E ele levava jeito. As belezas, em aliança com sua vaidade, ajudavam e muito. Filho único, recebeu da mãe e da avó todo amor do mundo. Ambas eram loucas por William”, lembra o namorado.

Leal, protetor e apoiador também são características descritas por Maria Tayná, ao pai, Francisco Rodrigues de Almeida, 44 anos. “Um homem de muitos apelidos, mas a resposta mais imediata vinha quando era chamado de pai. Um homem extremamente sonhador, criativo, bagunceiro e brincalhão. Ele era amigo dos amigos dos filhos. Também ficou conhecido por sua inteligência. Não só achava importante ser crítico, como ensinava o mesmo aos filhos”, recorda a filha.

Devota e frequentadora da Igreja Católica, Dalva Maria Portilho da Mata, 59 anos, não passava um dia sequer sem tomar a benção da mãe, Gerogina. “Uma grande artesã, pelas mãos dela foram feitas as mais belas customizações. Como católica, serviu à igreja e fez belas obras. Era devota e cumpriu sua missão na Terra”, descreve a sobrinha, Vivian Alfaia.

Os bons momentos de Fabrício Sobral, 29 anos, serão sempre reavivados ao pequeno Arthur, que nasceu horas depois da morte do pai. “Um veterinário talentoso, torcedor do Fluminense e gente boa. Fabrício foi um cara prestativo, amável e sorridente. Dificilmente dizia não ou ficava mal-humorado”, conta o colega de trabalho, apenas identificado como Yuri.

Bisa, avó, mãe, esposa e amiga. Dona do sorriso mais gostoso e da gargalhada mais sincera. Sempre lúcida e bem-humorada, viveu uma vida plena e intensa. Com as mangas do seu quintal, fazia o melhor sorvete do planeta. Olhava a vida com abertura e curiosidade, mesmo com idade avançada continuou fazendo novos amigos. Gostava de contar muitas histórias e quando não sabia, de forma divertida, inventava”, relata Débora Teixeira sobre a avó, Yvonne Martins Teixeira, 103 anos.

Nota do autor: A coluna apresentou cinco testemunhos. Fica a nossa homenagem aos mais de 80 mil brasileiros que nos deixaram, além dos milhares ao redor do mundo.

Ficam apenas as saudades, boas memórias e o abraço a todos os familiares que perderam os seus entes queridos.

O LUGAR AO SOL E O AMOR POR DUAS CORES

25/06/2020 às 08h45

Vinte e cinco de junho se comemora o Dia Mundial do Vitiligo. A data, que foi estabelecida em 2011 e busca conscientizar a sociedade sobre a doença, não foi escolhida por acaso: na mesma data, lembra-se a morte do astro pop, Michael Jackson, uma das mais relevantes figuras públicas diagnosticada com vitiligo.

O vitiligo é uma doença não transmissível e autoimune caracterizada pela perda da coloração da pele. As manchas formam-se devido à ausência ou diminuição das células responsáveis pela formação da melanina.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, a doença afeta cerca de 1% da população mundial e 0,5% da brasileira. A ativista, Maika Celi, de 42 anos, faz parte desses percentuais. Foi após um acidente de moto, aos 22 anos, que os primeiros sintomas apareceram nos mesmos lugares machucados e cicatrizados. Tempos depois, ela reparou que as manchas se espalharam para outras partes do corpo. Foi aí que a moradora de Piracicaba, município localizado a cerca de 155 quilômetros da capital paulista, começou a desconfiar sobre o vitiligo, pois já era uma doença que acometia outro familiar. “Foi um susto, porque, em toda a minha vida, o meu maior medo era ter vitiligo”, lembra.

Diagnosticada com a doença, a sua trajetória foi marcada por vários tratamentos e, paralelamente, por preconceitos e olhares subjugados. “Todo tipo de preconceito vem pela falta de informação. A maior queixa das pessoas com vitiligo é a intolerância e olhares que, ao invés de acolherem, excluem”, comenta Maika.

Mas ela não se deixou abater para as situações. “Após sofrer um assédio no local de trabalho, eu entendi que a partir daquele momento eu não poderia mais me colocar como vítima do vitiligo e entendi também que eu precisava respeitar a minha nova identidade”, afirma.

Após este episódio, ela sentiu a necessidade de mudar o pensamento da sociedade e aumentar a autoestima das pessoas com a doença: criou há quase três anos o projeto virtual “Vitiligo – Meu Lugar ao Sol”. Disponível no Instagram e Facebook, Maika publica diariamente fotos e depoimentos de pessoas que vivem na mesma situação. O objetivo do projeto é trabalhar com quatro principais pilares que se baseiam na aceitação da doença, o amor-próprio, a informação sobre mitos e verdades e influenciar que as pessoas diagnosticadas não percam as oportunidades que vida possa proporcionar.

Atualmente, a ativista realiza em suas plataformas digitais o circuito de lives “Minha História de Superação” e a exposição “Este é o nosso lugar ao Sol”. “Muitas pessoas já passaram por elas e deixaram mensagens de amor e a importância da representatividade em todas as áreas de atuação. Tive a honra de receber em uma das lives a minha musa inspiradora, (a empresária) Luiza Brunet, que me inspira até hoje com sua forma de encarar o vitiligo”.

Com o projeto, vejo que muitas pessoas estão se libertando do peso que elas mesmas carregam pela vergonha da própria pele. As pessoas com vitiligo precisam se sentir amadas e acolhidas”, ressalta Maika, que também foi mentora de uma lei em Piracicaba que cria um dia específico (também 25 de junho) para a orientação e esclarecimento da sociedade e autoridades públicas sobre a doença

SINAL VERMELHO: CAMPANHA INCENTIVA DENÚNCIA CONTRA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA.

17/06/2020 às 20h15

Com o isolamento social devido à pandemia do coronavírus, os números de agressões contra as mulheres aumentaram. Porém, os índices de denúncias ainda não caminham paralelamente, isto porque a maioria das vítimas evitam denunciar seus agressores por receio de represálias.

Conforme dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os registros de violência cresceram 22,2% nos meses de março e abril. Para se ter uma ideia do tamanho do agravamento, no Acre, durante a pandemia, houve um aumento de 300%, e no Maranhão, com 150% a mais, enquanto ocorreu um decréscimo de 97% dos casos de denúncias.

Mas as denúncias tomarão mais fôlego se depender da campanha “Sinal Vermelho”, lançada pela Associação Brasileira de Magistrados (AMB), em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A iniciativa visa que a vítima desenhe um “X” vermelho na palma de sua mão – pode ser com um batom ou uma caneta esferográfica, por exemplo – e apresente a algum funcionário ou atendente de uma farmácia ou drogaria credenciada na campanha, que prontamente acionará a Polícia Militar, ligando 190.

Segundo a AMB, mais de nove mil farmácias aderiram à campanha (acesse a lista de redes de farmácias credenciadas no final deste artigo).

“Por uma questão de solidariedade, precisamos ajudar estas mulheres que ficam confinadas em suas residências com seus agressores. E porque escolhemos as farmácias? Porque são ambientes conhecidos, locais neutros e amistosos”, afirma a presidente da associação, Renata Gil.

Ela ainda ressalta que caso a vítima deseje não permanecer no estabelecimento, o atendente pode solicitar o nome e endereço dela e informar às autoridades policiais. “O atendente ou farmacêutico não tem responsabilidade de figurar como testemunha da ocorrência. Ele se torna apenas o comunicante”, ressalta.

Como fenômeno social, de acordo com o presidente do CNJ, o ministro Dias Toffoli, a violência doméstica e familiar demanda um enfrentamento caracterizado por ações integradas. “Integradas em diversas frentes e não restrita aos planos judiciários, civil e penal. O Conselho Nacional de Justiça, ciente da necessidade de promover tais ações, oferece por meio da Campanha Sinal Vermelho um canal alternativo e seguro de denúncia e acolhimento, e de combate à violência de gênero”, afirma Toffoli, ao destacar também que a Constituição Federal de 1988 tem como objetivo oferecer à mulher uma “vida livre, justa e plena de direitos”.

Confira, no link, a lista de rede de farmácias credenciadas na Campanha Sinal Vermelho:

https://bit.ly/2BgKNqC

RACISMO: DOENTIO, VIOLENTO E CRIMINOSO

04/06/2020 às 14h58

O racismo é uma das mais longas e piores pandemias existentes no planeta. O combate ao preconceito relacionado a cor da pele é uma luta da humanidade e independe de ideologias políticas. O racismo está presente em todos os lugares: na escola, no trabalho, na rua, na família. É um ato doentio, violento e criminoso.

As manifestações antirracistas que ocorrem em centenas de cidades dos Estados Unidos, desde a morte do ex-segurança negro George Floyd, em 25 de maio, são as maiores desde a década de 60, em que contava com a participação de líderes negros, como Martin Luther King e Malcon X. Para alguns, talvez seja mera comparação de tempo, mas compreenda-se que, sessenta anos depois, ainda é preciso sair às ruas para reivindicar pelo fim de um dos maiores atos contra a sociedade.

O caso de Floyd não é isolado. Inúmeros negros foram assassinados ou agredidos fisicamente ou verbalmente em todo o mundo. Ações que contrariam a Declaração Universal dos Direitos Humanos, adotada pela Organização das Nações Unidas, em 10 de dezembro de 1948, ao determinar que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos, sem distinção de raça, cor ou sexo.

A vítima sobrevivente do racismo é passível de marcas inimagináveis para aqueles que estão longe de sofrer este crime. Marcas como dores, tristezas e um mergulho nas profundezas dos sentimentos ordinários, isto porque ela passa a criar um pensamento negativo subjugado sobre sua própria identidade e corpo. É preciso e necessário, sendo assim, a adoção de políticas públicas e ações educativas para o combate ao preconceito racial, e que a sociedade entenda e esteja preparada para o serviço da promoção da igualdade, da justiça e do respeito às diversidades, reconhecendo o lugar ao mundo de todos os indivíduos.

INSPIRARTE: A CRIATIVIDADE EM TEMPOS DE PANDEMIA

28/05/2020 às 18h02

A pandemia do Covid-19 mudou a rotina da sociedade. Diversos segmentos foram afetados, em especial a arte e a cultura, que viu seus ateliês, museus e centros culturais serem fechados por tempo indeterminado ou até segunda ordem. Haja vista que a sobrevivência da categoria depende muitas vezes da participação popular.

O contato com o próximo se tornou menos frequente. Isto ocorre porque o distanciamento e o isolamento social foram os modos mais eficazes de se proteger e conter a propagação do coronavírus.

Estar sozinho pode ser uma tarefa árdua, mas também é a possibilidade de refletir e inspirar, seja nas mais diferentes categorias, em especial nas artes – um estudo divulgado pela Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, concluiu que pessoas que estão sós tendem a ser mais criativas. E a criatividade é a maior aliada das artes.

Baseado nessas definições, o Centro Cultural Martha Watts (CCMW), localizado em Piracicaba (SP), desenvolve a campanha virtual “InspirArte”. O objetivo do CCMW é propor a divulgação de trabalhos nas mais diferentes expressões artísticas, em suas mídias sociais, produzidas durante o isolamento social. Os artistas interessados podem enviar duas imagens de seus trabalhos para o e-mail: [email protected] conforme as seguintes orientações: uma imagem da obra ou uma foto da obra e outra do artista.

Vídeos de até 50 segundos também serão aceitos.

Após o recebimento e avaliação dos materiais pela equipe do CCMW, as imagens das obras serão postadas no Facebook e Instagram do Centro Cultural. As postagens ocorrem de segunda a sexta-feira, sendo uma por dia, seguida de uma breve biografia do artista.

Inicialmente, a campanha InspirArte estava programada para encerrar no dia 31 de maio, término da quarentena no Estado de São Paulo, mas o interesse dos artistas em querer divulgar seus trabalhos está tão alto que a equipe do CCMW decidiu manter a campanha ativa, sem uma data limite.

A coordenadora do Centro Cultural Martha Watts, Joceli de Fátima Cerqueira Lazier, explica que as produções podem sem oriundas de diversos lugares. “É a oportunidade de conhecer a cultura de diversos lugares e grupos sociais”, salienta Joceli. Com uma semana do início da campanha, até o fechamento deste texto a organização já recebeu cerca de 25 trabalhos de artistas dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, além da Finlândia, na Europa.

Sobre o Centro Cultural Martha Watts

Localizado na área central de Piracicaba, em um prédio centenário, o Centro Cultural Martha Watts é um espaço de múltiplas atividades culturais e de pesquisas, e preservação de acervos históricos. Exposições de artes e fotográficas, cursos, lançamentos de livros, audições musicais, saraus, reuniões e seminários fazem parte das programações mensais.

O público que entra para conhecer o local, com entrada gratuita, ainda tem a oportunidade de fazer um tour monitorado pelo museu Professora Jaïr de Araújo Lopes, que abriga o acervo de objetos, documentos, móveis e fotografias ligados à história do Colégio Piracicabano, primeira instituição metodista do Brasil, e pelo Espaço Memoria Piracicabana, que reúne acervos históricos esportivos, folclóricos, midiáticos e judiciários.

Saiba mais em www.unimep.br/ccmw

VIDEOSAÚDE DISTRIBUIDORA RECEBE INSCRIÇÕES PARA PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS

14/05/2020 às 14h16

 

A VideoSaúde Distribuidora abriu chamada pública para o recebimento de produções audiovisuais para serem incluídas no acervo o tema é “OLHARES SOBRE A COVID-19”. O objetivo da produtora é montar um acervo com filmes e vídeos que mostrem os impactos do coronavírus na sociedade civil, instituições e organizações. As inscrições se encerram no dia 31 de julho.

A VideoSaúde Distribuidora é ligada ao Instituto de Comunicação e Informática Científica e Tecnológica em Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (ICICT/FioCruz).

As inscrições são gratuitas e abertas ao público em geral, não há limite de inscrição de vídeos por participante e é obrigatória uma inscrição por produção, como informa o regulamento, que pode ser acessado na íntegra, além do formulário online de inscrição, no site do ICICT.

Conforme a administradora e integrante da comissão organizadora do projeto, Claudia Lima de Oliveira, a participação é válida para brasileiros e moradores de outros países que também enfrentam a pandemia do coronavírus.

Ela explica que, por enquanto, todos os vídeos recebidos serão incluídos no catálogo.

Ou seja, não passarão por nenhum critério de avaliação. “Intencionamos absorver todas as produções recebidas desde que se encaixem com a missão da VideoSaúde, que envolve a melhoria das condições de vida e saúde da população, o apoio às atividades de pesquisa, a difusão do conhecimento científico e tecnológico e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS)”, explica Claudia.

Os vídeos do projeto “Olhares sobre a Covid-19” também poderão ser exibidos em emissoras de televisão, internet e mídias digitais, eventos e exposições culturais e educativas, organizados pela FioCruz. A VideoSaúde Distribuidora conta com mais de oito mil produções em seu acervo de filmes e vídeos, constituindo um dos principais e mais diversificados repositórios audiovisuais sobre saúde e ciência dos pais.

Mais informações: https://portal.fiocruz.br/videosaude-distribuidora

“O ROUBO DO ENEM” É UMA AULA EM COMO FAZER O BOM JORNALISMO

07/05/2020 às 17h29

Já foi explícito nesta coluna sobre a atuação dos jornalistas para a busca da informação.

O trabalho da imprensa é intenso e fundamental para determinar o caminho a ser percorrido pela sociedade. Para os que não estão acostumados com os bastidores do jornalismo, o longa-metragem “Spotlight – Segredos Revelados” pode servir como referência. O filme, baseado em fatos reais, retrata a investigação de um jornal Norte Americano que revelou casos de pedofilia na Igreja Católica por seus sacerdotes. O grande furo de reportagem, com repercussão internacional, foi vencedor do Prêmio Politzer.

O processo de investigação durou meses. Diferente de um furo aqui no Brasil, em 2009, sobre o roubo de uma das principais avaliações para o ingresso em universidades, o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Os repórteres do jornal O Estado de S. Paulo, Renata Cafardo e Sérgio Pompeu, tiveram apenas um dia para investigar e divulgar o caso. Tudo isso começou quando Renata recebeu o telefonema dos criminosos oferecendo um exemplar para a divulgação, mediante o pagamento de R$ 50 mil.

Porém, este ato viola uma cláusula do Código de Ética do Jornalismo: o pagamento por fontes de informação. Renata desconversou sobre o pagamento e marcou um encontro em uma cafeteria. Lá, ela folheou o suposto ENEM e notou certas semelhanças nas questões que foram aplicadas em edições anteriores. Começou, então, uma corrida contra o tempo para as apurações com os criminosos e o Ministério da Educação, órgão responsável pela realização da prova. Horas depois, o governo federal confirmou que a prova furtada era a mesma que seria realizada três dias depois. Resultado: o exame foi cancelado.

A maratona das investigações pode ser encontrada no livro-reportagem “O Roubo do Enem”, escrito pela própria jornalista. É um livro que traz os bastidores e novas informações nunca reveladas ao público. A obra seria semelhante a outros livros reportagens lançadas no mercado editorial, se não fosse a experiência, o conhecimento e a grande memória de Renata para a produção. Dividida em 20 capítulos e 210 páginas, Renata apresenta a fundo a trajetória do ENEM, desde a sua criação, em 1998, passando por todas as mudanças ao longo de quase 20 anos – até a publicação do livro em 2017.

Ela ainda mostra ao leitor os diálogos, a tensão e os desafios enfrentados pelos gestores federais para que pudessem fazer do exame um marco educacional e referência para outros países, as ações dos bandidos para furtarem a prova na gráfica responsável pelas impressões e as ameaças de morte após a veiculação do caso, que levou a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo a implantar segurança para a jornalista.

A publicação é um caso de diálogo virtuoso entre imprensa e o poder, assim como intitula o prefácio assinado pelo jornalista e professor da Escola de Comunicação e Artes, da Universidade de São Paulo (ECA-USP), Eugênio Bucci. Pode salientar também que mostra aos leitores uma aula prática de como exercer um bom jornalismo, com ética e veracidade.

TEATRO DIGITAL: A SALVAÇÃO PARA COMPANHIAS (OU NÃO!)

30/04/2020 às 09h37

O isolamento social, consequência do Coronavírus em todo o mundo, afetou negativamente muitos segmentos. Que o diga a arte que, mesmo não sendo tão explorada pelos órgãos governamentais neste período, foi tão afetada quanto a ponto de fechar salas de espetáculos, ateliês e centros culturais.

Mas o ponto principal deste artigo se baseia no teatro, que neste momento teve que se reinventar para levar ao público a alegria e a dramaturgia autoral ou de grandes nomes das artes cênicas. É o chamado teatro digital, em que diversos grupos disponibilizam suas apresentações na Internet e de forma gratuita.

A exemplo de Os Satyros, grupo paulista e de credibilidade nacional, que aderiu à ideia. Os vídeos são carregados nas plataformas Vimeo e Youtube, e destacam cenas de espetáculos que foram sucessos de críticas. O mais recente arquivo carregado é o diálogo entre Fadoul e Elísio, no espetáculo Inocência, estreado em 2006, e que “aborda a solidão dos seres humanos em uma cidade grande, suas angústias e falta de perspectiva em uma sociedade que destruiu todas as grandes ideologias”, segundo a companhia. O espetáculo venceu o Prêmio APCA, na categoria “Melhor Espetáculo”.

Essa nova ferramenta de interação entre atores e espectadores foi bem aprovada, atingindo o objetivo proposto: angariar novos públicos, principalmente aqueles que não têm acesso a este tipo de cultura ou que não sentem a necessidade de frequentar casas de espetáculos – o que é uma pena este pensamento, pois visto diante ao cenário político e social, o teatro se torna um importante espaço para a reflexão, expressão, provocação, manifesto e resistência.

Ao mesmo tempo em que a ideia levanta a expectativa dos grupos na formação de plateias, a principal característica para manter este público, na rede virtual, é o recurso audiovisual. Nem sempre os grupos são adeptos as novas tecnologias, resultando em vídeos de baixa qualidade, com tremulações e sons e imagens ofuscadas. Estudos mostram que os 10 primeiros segundos dos vídeos são essenciais para prender a atenção dos internautas. Em tempos de grave pandemia mundial, os artistas não podem contar com o dinheiro dos ingressos, na maior parte o único sustento do teatro popular, sem apoio ou patrocínio. Sendo assim, quando não há uma boa produção, muitas vezes não existem resultados positivos, pois tudo deve ser feito paralelamente.

Outro obstáculo enfrentado no mundo virtual, em artigo escrito pelo diretor teatral Bruno Zambelli, é que a maioria dos grupos teatrais não possui prestígio essencial para ter grande visibilidade virtual. “A internet acaba acumulando público para grupos e espetáculos já consagrados enquanto obras menos conhecidas acabam se perdendo no vasto mar de informações que a internet carrega. Visto assim, a possibilidade de reinvenção acaba restrita ao prestígio e as possibilidades de quem já conta com um público cativo, construído através dos anos, deixando de lado a maioria dos artistas que vivem e sobrevivem anonimamente de seu ofício”, escreve.

Entretanto, para o teatro digital ser a salvação das companhias, assim como afirma o título deste texto, é necessário o apoio popular. Seja nas curtidas, compartilhamentos e divulgações dos conteúdos artísticos. Assim a arte vive e vive-se da arte.

O MAIOR EVENTO VIRTUAL NA LUTA CONTRA O COVID-19

23/04/2020 às 11h28

A música é sem dúvida um entretenimento, mas também uma linguagem artística capaz de influenciar pessoas sobre os mais diferentes aspectos. O desejo de mudança social em grupos em situação de vulnerabilidade talvez seja fator maior para artistas na composição de suas canções ou até mesmo nas realizações de festivais, em que todos se unem para uma causa. Exemplo do Live Aid, festival de rock organizado na Inglaterra e Estados Unidos pelos músicos Bob Geldof e Midge Ure, em julho de 1985, com o objetivo de arrecadar fundos para diminuir a fome na África. O evento marcou a história da música e reuniu grandes nomes da época, como Phil Collins, David Bowie e Queen.

Trinta e cinco anos depois, a população mundial enfrenta um novo desafio, sem precedentes. Desta vez, com as perdas humanas da pandemia de COVID-19. Um vírus poderoso que une, para o combate, as mais diversas alas médicas e sociais.

Inspirando-se no festival passado, a Organização das Nações Unidas (ONU), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Global Citizen, movimento social com o propósito de acabar com a pobreza até 2030, produziram um evento virtual que apoiasse os profissionais que estão na linha de frente na batalha contra a doença.

Assim foi criado o One World: Together At Home (Um Mundo: Juntos Em Casa), reunindo cantores em suas residências, sob a curadoria da estrela pop, Lady Gaga, no dia 18 de abril, como Paul McCartney, Beyoncé, Mick Jagger (Rolling Stones) e Steve Wonder. O evento foi uma importante campanha que utilizou as mídias sociais e arrecadou U$ 127 milhões. De acordo com a organização, U$ 55 milhões serão repassados ao Fundo de Resposta à Solidariedade, da OMS, e U$ 77,8 milhões para socorristas regionais e locais.

O One World: Together At Home foi um evento épico que possibilitou os apreciadores da boa música a conhecerem novos artistas e a entenderem a gravidade do Coronavírus. O encontro também foi o momento para intensificar o compromisso da sociedade com a saúde global e, assim, tornar o mundo um lugar mais seguro para todos.

CORA CORALINA AMOU A VIDA E NÃO DESISTIU DA LUTA

16/04/2020 às 10h05

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas foi o nome de batismo da grande poetisa goiana Cora Coralina (1889-1985). A pele rugosa e cabelos brancos são características marcantes dessa senhora que viveu por 95 anos – ela morreu há exatos 35 anos. Mas essa imagem passa em segundo plano diante as palavras intensas, ao mesmo tempo simples, de seus textos que encantaram os amantes da poesia brasileira.

Ela lançou o seu primeiro livro, “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”, aos 76 anos de idade, apesar de escrever desde a adolescência. O reconhecimento e a admiração popular em todo país vieram 14 anos depois, após um artigo de Carlos Drummond de Andrade, no Jornal do Brasil, enaltecendo o trabalho da poetisa.

Doceira de profissão, suas obras eram escritas no intervalo das produções de docinhos e destacavam a sua vida no interior de Goiás, do seu jeito de andar e caminhar por todos os desafios que a vida lhe impôs.

Um autorretrato literário pode ser encontrado no poema “Ofertas de Aninha”, em que ela se apresenta como “aquela mulher a quem o tempo muito ensinou. Ensinou a amar a vida, não desistir da luta, recomeçar na derrota. Renunciar as palavras e pensamentos negativos. Acreditar nos valores humanos. Ser otimista”.

Percebe-se que o poema percorre pela longa trajetória da autora: uma mulher simples, mas de alma rica, que não se importava se seria julgada em não seguir padrões e conceitos sociais estabelecidos.

Diante aos altos e baixos que ela possa ter enfrentado ao longo da vida, é necessário salientar que Cora Coralina foi a mulher que amou a vida e não desistiu da luta, deixando um grande legado na literatura brasileira.

JORNALISMO: A CATEGORIA FRENTE AOS ATAQUES POLÍTICOS E SOCIAIS

09/04/2020 às 09h44

O trabalho intenso da imprensa nunca esteve tão forte para desmascarar notícias e informações falsas, quanto a que se vê diariamente frente à pandemia do novo Coronavírus. É um momento atípico e delicado para os profissionais do jornalismo que trabalham diariamente por longas horas, em situações de riscos, na cobertura e apuração de fatos sobre o mal que acomete a sociedade.

Em planos gerais, a imprensa é fundamental para determinar o caminho a ser percorrido em meio aos atos de violência ou solidariedade. A prática do jornalismo é o motivo para não silenciar diante aos fatos de natureza qualquer. Um ato que provoca e responde as intrigas e dúvidas do seu povo.

No último dia 7 de abril foi celebrada a sua data, instituída no ano de 1931, em homenagem a morte do jornalista e médico Giovanni Battista Líbero Badaró por inimigos políticos, cem anos antes. Badaró foi diretor-geral do “Observador Constitucional”, veículo que defendia ideias liberais, e um dos principais oposicionistas do imperador Dom Pedro I, que criticava com veemência o seu trabalho jornalístico.

Mesmo passado séculos do fato, o repúdio com a imprensa ainda é muito frequente e incisivo, principalmente com o advento das redes sociais que detém o poder de aumentar ainda mais a pressão sobre os trabalhos dos profissionais.

Os jornalistas muitas vezes são alvos de ataques políticos e de simpatizantes do governo que tentam a obstrução para a livre divulgação da informação e aplicação de censura, considerados delitos contrários à sociedade e à legislação federal brasileira.

Faz-se ressaltar que, segundo a Constituição Federal de 1988, “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição. É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”.

De fato, nem todos são obrigados a entender o trabalho de uma imprensa séria. Críticas são bem-vindas, ainda mais quando são construtivas, visto que todos têm a liberdade de expressão e manifestação garantida, mas o trabalho livre também é direito dos profissionais da comunicação.

Todavia, a tudo o que foi escrito neste artigo, pede-se apenas compreensão e solidariedade: deixam-se de lado as ideologias dos veículos de comunicação e celebre, como igual, a sua importância e contribuição para uma sociedade justa e democrática. (Nota do autor: parabéns a todos os colegas jornalistas. Juntos, somos mais fortes).

PROJETO ERA VIRTUAL

02/04/2020 às 14h33

Conheça espaços culturais sem sair de casa

Os admiradores da cultura brasileira podem conhecer diferentes espaços culturais apenas com acesso a Internet, sem sair de casa e de forma gratuita. Usando uma tecnologia de interface entre usuário e objeto, o projeto ERA Virtual, criado pela empresa Empório de Relacionamentos Artísticos, possibilita acessar remotamente aproximadamente 40 museus, exposições temporárias e patrimônios culturais. O projeto permite com realismo e informação a divulgação e o conhecimento cultural, histórico e turístico de períodos não vividos pela atual sociedade.

A maioria dos locais apresentados está situada nas regiões Sudeste e Nordeste, e expressam o sentimento artístico e religioso de grandes nomes da arte nacional. Para trazer com mais detalhes ao leitor sobre o que é oferecido pelo projeto ERA Virtual, a coluna fez um tour pelo Museu de Sant’Ana, inaugurado em 2014 e instalado na antiga Cadeia Pública de Tiradentes (MG). Ele abriga cerca de 300 obras da figura religiosa, de várias regiões do país, eruditas e populares, dos mais variados estilos e técnicas, produzidas em sua maioria por artistas anônimos, entre os séculos 17 e 19.

Durante a visita virtual é possível visualizar em 360º e em terceira dimensão cada ponto do museu. Setas indicam o caminho a ser percorrido e com a possibilidade de ampliar as obras expostas por meio de um clique. O visitante ainda encontra textos e áudios explicativos sobre cada setor e cada obra em exposição.

Conforme explicam Rodrigo Coelho e Carla Sandim, idealizador e coordenadora de produção, respectivamente, do projeto ERA Virtual, “ao longo desses anos, cada novo museu tem sido um desafio, cada nova exposição tem sido um imenso prazer. Viajamos por todo o Brasil registrando as mais distintas e interessantes exposições, monumentos e belezas de nossas terras. Transpor museus, exposições e monumentos do patrimônio cultural brasileiro do mundo real para o virtual é o exercício de nossa equipe na busca da valorização do que somos.

Promover a plural identidade brasileira tem sido nosso ideal”.

O projeto custou, segundo os organizadores, cerca de R$ 720 mil e subsidiado por Leis Federal e Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais e empresas privadas. Acesse o projeto ERA

Virtual pelo site http://eravirtual.org/

A LITERATURA EM TEMPOS DE QUARENTENA

26/03/2020 às 15h10

A saúde em todo o planeta é crítica. São momentos que requerem cuidados sobre a pandemia do Coronavírus. O isolamento social em casa é uma das melhores alternativas para evitar a contaminação e a propagação do vírus. Diante a isso, a coluna selecionou cinco livros para aqueles com admiração pela leitura e na busca de distração e ocupação de tempo durante o período de quarentena. É a oportunidade de estimular o enriquecimento cultural de uma sociedade em tempos de alertas.

1) Ousadia em estar feliz (Dinael Corrêa de Campos; Ed. Novo Mundo)

A definição sobre a felicidade é tema central da obra que questiona as atitudes e comportamentos de um grupo diante aos desafios enfrentados no dia a dia, como a solidão, ambiente de trabalho, relações afetivas e emocionais. Segundo ao autor, todas essas situações são apresentadas por meio de 27 obras cinematográficas dos mais diferentes gêneros e da análise dos personagens. O tema felicidade é debatido sob a ótica das mais diversas correntes científicas. “Vivemos em uma era em que, se não tivermos claro para nós o que nos deixa alegres, seremos enredados na loucura do mundo contemporâneo, que fez da felicidade uma meta quase impossível de ser alcançada”, diz.

2) Desperte o líder que há em você (Maria Helena de Melo; Ed. Literare Books)

A liderança não é restrita e pode ser trabalhada por todos a partir das suas habilidades, virtudes, empatia e felicidade. A autora aborda assuntos como psicologia positiva, mudança de mindset, gestão de pessoas, comunicação organizacional e constelação sistêmica integrativa que, segundo Maria Helena, busca “trazer para o consciente o que estava inconsciente”, para auxiliar na solução de conflitos e desafios das convivências. “Não há idade para trabalharmos em prol do nosso melhoramento, nossa autotransformação e contribuirmos com um mundo melhor a partir de nós mesmos. Eu sonho com isso e acredito mesmo que podemos ser melhores”, diz.

3) Crônicas do Brasil Contemporâneo (José Sarney; Ed. A Girafa)

A obra apresenta, em inúmeros relatos, o olhar crônico de um cidadão de grande relevância para a política brasileira sobre a história atual do Brasil. O autor levanta questões, propõe soluções e manifesta seus apreços e desprezos com as mais diversas situações econômicas, políticas e festivas que ocorreram no país entre os anos 2000 e 2002. Sarney é um aclamado profissional da advocacia, atuação forte no âmbito jurídico, mas seus textos são leves, despojados e descontraídos. “Tudo realçado por elegante ironia e sóbria erudição”, diz.

4) Mulheres que correm com os lobos (Clarissa Pinkola Estés; Ed. Rocco)

Após a leitura da obra, muitas mulheres ao redor do mundo já foram instigadas a encontrar a “mulher selvagem” dentro de si. O livro, lançado há mais de duas décadas e meia, mescla histórias folclóricas com a essência da figura feminina na busca da valorização de sua própria trajetória, muitas vezes regadas ao medo, depressão, fragilidade e anseios. “Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da mulher selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos”, diz.

5) Não se iluda, não (Isabela Freitas; Ed. Intrínseca)

Na busca rápida pelo significado da palavra ilusão define-se como a falta de percepção ou de entendimento que prejudica os sentidos ou a mente. A partir deste significado, a autora explica como as pessoas se confundem com as situações criadas em torno do mundo real, que muitas vezes são propícias para erros, mas permite que os leitores tirem lições valiosas perante a isto e deem a volta por cima.

O livro é muito mais que um entretenimento, ele cumpre seu papel de ajudar diante as barreiras impostas no caminho da vida. “Eu garanto: a vida que você sempre sonhou pode se tornar real. Basta acreditar em si e se abrir para pessoas, sentimentos e oportunidades”, diz.

A CONTRIBUIÇÃO DE ROCHA NETTO AO FUTEBOL BRASILEIRO

20/03/2020 às 15h05

Apesar de ter sido criado em berços europeus, o futebol se tornou uma paixão com características brasileiras. Estudiosos e admiradores acreditam que este sentimento parte pela conquista de cinco Copas do Mundo – único país a alcançar esta marca. O futebol é uma identidade e cultura nacional. As datas das principais partidas, principalmente em época do campeonato mundial, são celebradas como feriados: as empresas encerram os expedientes mais cedo, muitas lojas fechadas, poucas pessoas nas ruas. Em resumo, o futebol cria uma manifestação de alegria e entusiasmo.

O esporte também se torna uma prática para revelação de novos talentos. Aqueles que pleiteiam uma carreira promissora no futebol se inspiram nos atuais e velhos craques que marcaram os anos de ouro com a participação de Pelé, Mané Garrincha, Zico e Sócrates. Eles tiveram forte contribuição para a construção da história do futebol no Brasil.

História que pode ser encontrada nos relatos de Delphim Ferreira da Rocha Netto (1913-2003), jornalista Ituense que viveu e criou apreço profundo por Piracicaba (SP).

Ele foi um entusiasta futebolístico que, aos seis anos de idade, iniciou a guardar recortes de jornais e figurinhas de seus jogadores favoritos. O que começou apenas por hobby, se transformou em um trabalho sério e dedicado em prol do futebol nacional – especialmente do seu time de coração, o Esporte Clube XV de Novembro.

Para ter uma ideia, o seu acervo, que foi constituído ao logo de quase 80 anos, era instalado em um imóvel separado da sua residência apenas para tal finalidade.

Um ano antes de sua morte, Rocha Netto doou todo o material para o Instituto Educacional Piracicabano. Sob a guarda e conservação do Centro Cultural Martha Watts, também em Piracicaba, hoje é considerado um dos mais completos acervos futebolísticos do país e extensa fonte de pesquisa para estudantes, jornalistas, historiadores, esportistas e demais interessados.

O acervo é composto por uma coleção com mais de 20 mil fotografias, flâmulas, fichas técnicas de jogos e dados biográficos de atletas. Os livros, as coleções de jornais e revistas especializadas existentes no acervo somam 30 mil textos. Também é possível encontrar raridades, como imagens do jornalista com personalidades do esporte, como o lendário jogador Arthur Friedenreich (1892-1969); além de registros da carreira de Pelé e da ex-jogadora de basquete, Magic Paula.

Os materiais que compõem o acervo Rocha Netto são delicados, frágeis, mas de grande importância e relevância para o futebol brasileiro. Recentemente, a instituição cultural divulgou o término da digitalização de todas as fotografias. O processo foi desenvolvido ao longo de cinco anos e teve como objetivo diminuir o contato manual com os arquivos.

Passados mais de um século após a criação do acervo é importante enaltecer o trabalho de uma equipe museológica para a preservação de materiais que contribuem para a cultura e educação – dois pilares para a formação de uma sociedade multisciente. Rocha Netto não está mais presente neste plano, mas, sem dúvida, está satisfeito e orgulhoso do trabalho desenvolvido.

Serviço – O acervo Rocha Netto está localizado no Centro Cultural Martha Watts (Rua Boa Morte, 1.257, Centro), em Piracicaba (SP). Entrada gratuita. Informações: (19)

Fone: 3124-1889 ou pelo site www.unimep.br/ccmw

65 ANOS SEM CARMEN MIRANDA: A MULHER QUE INFLUENCIOU O CARNAVAL E O BRASIL

09/03/2020 às 16h14

Em tempos de Carnaval, uma mulher se destaca há mais de nove décadas frente a clássicos que inspiram compositores e grupos carnavalescos: Maria do Carmo Miranda da Cunha.

Seu nome de batismo é pouco conhecido, quando nos referimos a Carmen Miranda, cuja morte completa 65 anos, em 2020.

Atriz, cantora e dançarina, Carmen nasceu no dia 9 de fevereiro de 1909, em Marco de Canaveses, município português com pouco mais de 53 mil habitantes. Mas sua estadia em terras de Cabral durou pouco tempo. Com apenas um ano de idade, Carmen, a mãe Maria Emília e a irmã Olinda mudaram-se para o Brasil, ao encontro do pai, José Maria Cunha.

Aos 15 anos, ela abandonou os estudos – em uma época que a frequência das mulheres nos colégios era banalizada – e passou a trabalhar em uma confecção de chapéus e turbantes, acessórios que lhe encantou e, futuramente, tornaram composições assíduas em seus figurinos.

Desde a adolescência tinha o sonho em ser uma artista. Em seus momentos de lazer, Carmen era convidada para cantar e dançar em pequenos bailes. Em 1929, ela foi apresentada ao compositor Josué de Barros, que percebeu de imediato o seu talento e a levou para se apresentar em clubes e casas de espetáculos. Juntos compuseram e gravaram “Não Vá Simbora”, canção que a consagrou nos rádios. A letra fala, hipoteticamente, do sentimento de uma mulher ao descobrir o pedido de divórcio por parte do marido, por um ato que ele supostamente tenha cometido.

A partir de então ficou nítido que o seu sonho foi realizado. Carmen Miranda passou a se apresentar em diversos países sul-americanos, lançou discos, entre eles incluindo as canções “Triste Jandaia” e “Pra Você Gostar de Mim”. Muitas de suas músicas tornaram-se marchinhas de Carnaval, atraindo olhares comerciais e populares para esta festa e sendo reverenciada, até hoje, em inúmeros blocos país afora.

Cinema – Em 1936, seu talento a levou ao mundo do cinema, estrelando a comédia musical “Alô, Alô Carnaval”, ao lado da irmã Aurora Miranda. Três anos depois, Carmen fez parte do elenco de “Banana da terra”, quando apareceu pela primeira vez caracterizada de baiana, com seus vestidos coloridos e extravagantes, brincos de argolas, balangandãs e turbantes com frutas. O figurino fez tanto sucesso que ela utilizou até o fim de sua vida, tornando-se marca registrada pessoal. Em 1940, estreou no cinema norte-americano, no filme “Serenata Tropical”, e foi a primeira artista sul-americana a ganhar uma estrela na Calçada da Fama, em Hollywood. Ao todo, Carmen Miranda fez 20 filmes.

Museu – Para preservar e lembrar a memória desta artista multifacetada, o Rio de Janeiro sedia um museu que leva o seu nome. O “Museu Carmen Miranda” possui um acervo com mais de três mil itens, sendo 1.391 fotografias e 461 peças de indumentárias, entre elas 220 bijuterias, 11 trajes completos de shows e filmes, oito cintos, cinco bolsas, 27 pares de sapatos e 38 turbantes. O espaço pertence à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Endereço: Avenida Rui Barbosa, Parque do Flamengo – Rio de Janeiro (RJ)).

Carmen Miranda morreu aos 46 anos em 5 de agosto de 1955, nos Estados Unidos, vítima de um colapso cardíaco.

INEZITA ROMPEU BARREIRAS E QUEBROU TABUS

06/03/2020 às 14h44

Inezita Barroso é uma lenda da música sertaneja. Seu talento não se compara a grandes nomes que surgem no cenário musical atual. Ela dedicou seu talento à sua paixão pela cultura brasileira.

Os mais jovens podem lembrá-la apenas como a célebre apresentadora do “Viola, Minha Viola”, um dos mais antigos programas musicais da televisão brasileira, exibido pela TV Cultura, mas Inezita Barroso foi uma artista de múltiplas facetas: atriz, apresentadora, instrumentista, cantora, folclorista e professora. Mas seu maior êxito foi porque era apenas mulher, e única. Em uma época que a música era predominantemente masculina, Inezita foi um ser humano frente ao seu tempo e conquistadora de espaços no rádio, televisão e palcos, pois enfrentava os quesitos impostos, sem se importar pelos julgamentos, padrões e conceitos sociais estabelecidos.

No início de sua trajetória artística, há mais de 60 anos, o termo feminismo ainda não era popularmente conhecido, mas Inezita Barroso foi uma das maiores feministas que o Brasil agraciou e respeitou. Seu repertório é vasto. Em seis décadas de carreira, ela gravou mais de 80 discos, deixando registrados sucessos como “Moda da Pinga” e “Lampião de Gás”.

Inezita Barroso foi uma das cantoras mais premiadas do país, consagrada com mais de 200 prêmios, entre eles o “Prêmio Sharp de Música” na categoria “Melhor Cantora Regional”, o “Grande Prêmio do Júri” do “Prêmio Movimento de Música” e o “Prêmio Roquette Pinto” como “Melhor Cantora de Rádio da Música Popular Brasileira”.

As cortinas do palco da vida se fecharam para Inezita em 2015, aos 90 anos, vítima de uma insuficiência respiratória. Mas seu legado foi registrado em documentário produzido pela TV Cultura em parceria com o Itaú Cultural, nascida por ocasião de uma exposição entre as organizações, lançado no ano passado, sob direção de Hélio Goldsztejn. No último dia 04 de março, data em que Inezita Barroso completaria 95 anos de idade, o material foi exibido em rede nacional pela primeira vez, na TV Cultura.

Com duração aproximada de 85 minutos, dezenas de artistas e influenciadores das artes estão presentes no documentário que ajudam a contar a história da vida e obra de Inezita. Ruth de Souza, Ary Toledo, Daniel, Nicete Bruno, Eva Wilma e Renato Teixeira são alguns dos nomes.

O material foi um tiro certeiro para homenagear o quase centenário daquela que foi a rainha da música caipira. E como diz a velha expressão: quem é rainha nunca perde a majestade. Infelizmente, não podemos mais dizer vida longa à Inezita Barroso, mas é certo contemplar sua trajetória que ficará eternamente gravada em nossas memórias e marcada como a mulher que rompeu barreiras e quebrou tabus.

O TEMPO PASSA E NÃO REPASSA

26/02/2020 às 21h33

Nossa vida é rotineira. De segunda a sexta-feira realizamos o cotidiano e, aos finais de semana, tentamos criar uma situação que está fora do nosso habitual.

A mídia nos traz notícias que não gostaríamos de lê-las e que assombram as nossas realidades. O feminicídio aumentou, o coronavírus matou e a sociedade pirou. A mulher denunciando o colega por estupro, o avião que saiu da pista e matou três passageiros e a suposta participação de filha na morte dos pais são alguns dos inúmeros assuntos veiculados.

O fim de casos como estes me parecem estar longe, por isso talvez nós precisássemos aprender a viver em Paz neste mundo conturbado. Apenas este autor que vos escreve vive essa experiência há 24 anos. Parece pouco tempo para quem já viveu 40, 50 ou 60 anos, mas estamos no mesmo barco e enfrentando as mesmas dificuldades (ou até piores).

Somos julgados o tempo todo por uma sociedade que não conhece a nossa realidade.

O pior é que muitos desses grupos enfrentam situações semelhantes, mas querem se fantasiar. Acreditar que seu modo de viver é superior ao nosso. Parece clichê, mas eu acredito na força da lei da vida no qual o mal que fazemos ao outro retorna em dobro para nós.

Costumo sempre dizer para que não se importe com o pensamento de terceiros.

Apenas você sabe do seu modo de vida, da sua índole e do seu caráter. Ser quem você é não lhe faz diferente, apenas um ser humano único em meio a este caos.

Passo por um momento de reflexão sobre as pessoas que estão a minha volta. E coincidentemente escrevo este texto no mesmo dia em que tive um sonho diferente.

Sou muito supersticioso e, sendo assim, fui buscar o seu significado e li o seguinte trecho: “Pode sugerir que é a hora de colocar algo para descansar ou enterrar o passado de uma vez por todas. Traz um aviso para deixar de sofrer por algo que já foi provado que não vale a pena”. Pode parecer difícil desapegar de algo que já está intenso em nosso interior, mas precisamos nos renovar e permitir o novo.

Já se passaram dois meses do início do ano, talvez então já possamos fazer um balanço das nossas ações positivas e/ou negativas. Precisamos nos perguntar: o que eu preciso mudar ou agregar nas minhas atitudes para o decorrer do ano? Já dizia Mahatma Gandhi: “Aprenda como se fosse viver para sempre, mas viva como se você fosse morrer amanhã”. Não perca tempo. O tempo passa e não repassa.