Revista Statto

AS MANHÃS ENXUGAM AS LÁGRIMAS DAS NOITES ANGUSTIANTES

24/08/2020 às 09h20

Nenhuma dor resistirá à força do amor. Nenhuma escuridão perdurará perante a face fulgurante da luz. Nenhum choro roubará para sempre o espaço reservado aos sorrisos.

Ao iniciar esse texto com afirmações tão fortes e verdadeiras, gostaria que você refletisse sobre os dias que se passaram nessa sua existência e, num exercício intencional, atestasse a veracidade dessas tais sentenças, extraídas da experiência, da vida vivida, bem como da análise das realidades mais diversas.

Na Bíblia Sagrada, especificamente em Salmos 30:5, diz-se: “[…] o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria”.

Essa é uma convocação à fé, à esperança e à paciência. Fé de que o Criador não nos fez com o objetivo de apenas chorarmos, de vivermos em agonia constante, afogados em lágrimas e soterrados no desespero. Fomos feitos para sorrir, para vivermos em harmonia uns com os outros e com a natureza. Essa é a lei do Universo. Contudo, às vezes é preciso esperar, mas uma espera otimista, sem jamais perder de vista o futuro que se deseja, distante dos momentos de tristeza e coladinho com a felicidade reluzente. A esperança nos salva do abismo traiçoeiro. Além disso, como dito antes, é preciso paciência. Há um Universo inteiro funcionando, com todas as suas peculiaridades e necessidades. Nem sempre as coisas nos acontecerão de imediato. A paciência amacia o nosso assento enquanto esperamos por dias melhores.

É tido em Salmos 107:35: “ (Deus) Converte o deserto em lagos e a terra seca, em nascentes”.

Não há nada que não possa ser feito aos ricos em fé, esperança e paciência. A crença nisso pode mudar vidas, restaurar sorrisos e afastar para sempre as angústias. Nós somos os nossos pensamentos.

Robison Sá, autor do livro 10 receitas para uma vida melhor.

O FRACASSO CONTEMPLADO DA JANELA DO MEDO

03/08/2020 às 09h14

O tempo tem avançado e, com esse avanço, a vida tem retrocedido. O mundo é assombrado constantemente pela névoa do medo, por nevoeiros de angústias intermináveis, de choros inacabáveis. As pessoas passaram a ser o prato principal da depressão, da automutilação, do suicídio. Essas são algumas das lombadas que fizeram a vida descarrilar e as almas serem tragadas para uma espécie de abismo macabro da existência.

Quem vive no medo é, ao mesmo tempo, carcereiro e prisioneiro de si mesmo. O medo corrompe a essência humana e faz com que os sonhos não se mutem a planos fundamentados e, consequentemente, realizados. A lente do medo não permite enxergar oportunidades de mudança vital, de sucesso profissional, de amores transcendentais. É esse mesmo medo que algema os indivíduos e os mantêm afastados da ação, da prosperidade.

O relógio já badalou, anunciando a hora de enfrentar aquilo que lhe atormenta. Reúna forças e o seu mais poderoso exército e siga para o campo de batalha. Em casa, sozinho e assustado, certamente não se vence uma batalha contra inimigos tão poderosos.

Nessa visão, escrevi a poesia A Janela do Medo, com o objetivo de provocar a reflexão, o autoconhecimento e o enfrentamento dos demônios que, dia após dia, lhe assombram e lhe tiram a paz.

Boa leitura.

A JANELA DO MEDO

O clarão da janela parecia sempre o convidar

como um braço que gesticulava e o atraía.

O café da manhã pela garganta a deslizar

aquecia aquele corpo esquecido do tempo em que sorria.

Carregava demônios do medo presos ao seu calcanhar

e tentava segurar os seus passos que sempre fugiam,

assombrados pelo medo incessante de errar

e de viver em permanente agonia.

Lá fora ele via o novo a vida a embalar.

Tudo aquilo sem dúvida o seduzia,

mas se saísse e viesse a fracassar?

Não via como conseguir essa alforria

da escravidão do medo prestes a lhe esgoelar.

Era preferível viver em constante euforia

e o sucesso dos atrevidos sempre enxergar.

Com certeza não lhe havia mal maior do que a sua covardia

e nem um dia sem a presença da vontade de se enterrar.

A vida passava veloz e ele nem via

a sua alma do corpo lutando para se desgarrar.

O seu fim acelerava, sempre longe da alegria.

Não tinha o que comemorar,

ninguém um abraço lhe daria,

e da janela do medo começou foi a orar

na esperança de que em outro mundo o seu mal acabaria.

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Robison Sá, autor do livro 10 receitas para uma vida melhor.

O PODER INSUPERÁVEL DO BEM

14/06/2020 às 11h00

Tratar o outro com desprezo, indiferença ou ira é se cobrir com o lençol impenetrável do mal. O Universo tem leis muito severas quanto aos nossos sentimentos: você receberá aquilo que, de todo o coração, desejar. E não estou falando do que desejar somente para si; apenas de desejar, inclusive, para o outro.

Sabendo disso, devemos praticar sentimentos benignos, agir de forma benigna. Isso pode precisar de exercícios constantes, de vigílias permanentes. Todos somos, ora ou outra, passíveis de recaídas. Nesses momentos, a lembrança de que receberemos moedas equivalentes às lançadas nos cofres do Universo será de grande valia.

A grande ideia por detrás da Criação é a de que o ser humano consiga viver em paz, praticando a solidariedade, ajudando uns aos outros, prosperando juntos, evoluindo espiritualmente, respeitando a natureza e os seus recursos, convivendo harmonicamente como membros de uma imensa família que reside numa mesma casa: a Terra.

Como disse Leon Tolstói: “A alegria de fazer o bem é a única felicidade verdadeira”.

A vida inteira muda com a prática do bem. Quando damos, recebemos. Quando cuidamos do outro, recebemos o cuidado de alguém. Quando sorrimos para uma pessoa, recebemos um maravilhoso sorriso de volta. Quando alimentamos uma pessoa faminta, nossa dispensa é recompensada com fartura. As leis universais, escritas pelo Criador, respondem aos nossos desejos mais profundos. Essa resposta pode não vir de imediato, mas isso não significa que as engrenagens do tempo e do sobrenatural não estejam girando.

O generoso sempre prosperará; quem oferece ajuda ao necessitado, conforto receberá”. Provérbios 11:25

Não há poder que supere a bondade: meio pelo qual o crescimento humano se eleva a patamares transcendentais.

LIVRO 10 RECEITAS PARA UMA VIDA MELHOR

03/06/2020 às 13h33

As “10 Receitas Para Uma Vida Melhor” levarão até você os ingredientes para tornar sua vida mais feliz, pacífica e abundante.

O livro traz conselhos práticos e objetivos, num diálogo amigável com o autor, traçando um mapa simples até sua libertação das angústias, sua melhor compreensão da vida e de tudo aquilo que o cerca, deixando claro o que você realmente deverá perseguir para chegar a uma vida melhor.

Robison Sá, professor, escritor e leitor assíduo do mundo, acumula a experiência de suas vivências na docência, palco constante da leitura de vidas reais, de projetos vitais descobertos ou em progresso, além de carregar consigo as vidas escritas nas páginas dos incontáveis livros lidos ao longo de sua existência e nas centenas de textos por ele escritos.

AS DÚVIDAS SÃO AS ALGEMAS DO SUCESSO

03/06/2020 às 13h30

A vitória não chegará aos que se omitiram de tentar. Isolados no quarto, com medo de pisar fora e correr o risco de fracassar, aqueles que se vestem com o manto do medo jamais sentirão o sabor doce e inebriante do sucesso.

Toda vitória exige uma luta anterior, talvez muito mais que uma. Veja o exemplo de Thomas Edison, que após 1200 experiências conseguiu inventar a lâmpada elétrica. Após 1200 experiências. Certamente, dúvidas pairaram sobre a mente do gênio, responsável por diversos outros inventos importantes, mas ele combateu todas elas e, persistentemente, caindo e se reerguendo, venceu.

Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar”. (William Shakespeare)

É preciso, antes de tudo, coragem para sair do porão. É preciso, após as consequentes quedas, se reerguer e continuar lutando por aquilo que realmente acredita ser possível alcançar e, acima de tudo, deseja alcançar. Um passo dado já lhe coloca à frente do ponto por você ocupado quando na inércia.

O própria Thomas uma vez disse: “Nossa maior fraqueza está em desistir. O caminho mais certo de vencer é tentar mais uma vez”.

Para tentar mais uma vez é preciso desconstruir alguns conselhos malditos, dados por pessoas que aparentam querer o seu bem, mas, na verdade, não aguentariam a sua conquista. É preciso ensurdecer-se para esse tipo de gente, afastar-se delas, gritar com o seu eu mais pessimista para que ele também se cale. Dê mais um passo, depois mais outro, mais um e, mesmo lentamente, o seu destino ficará cada vez mais próximo.

Vencer pode não ser fácil, mas repousar no fracasso sem nem ao menos tentar, amargando as próprias dúvidas, é saborear a morte enquanto ainda se vive.

A CAMINHADA NOS PRESENTEIA COM A SABEDORIA

23/05/2020 às 18h07

Estamos sempre nos movendo para algum lugar. Às vezes, com destino certo; outras vezes, sem rumo. Caminhando, nos deparamos com situações que nos convidam a refletir, a pensar soluções, a aprender, a experimentar a sabedoria.

A cada pedaço de caminho, mudamos. Não conseguimos andar dois passos e ainda assim sermos os mesmos. A mudança é inevitável aos aprendentes.

Aprendemos com os nossos tropeços, com o nosso levantar. Aprendemos com a contemplação das coisas ao nosso redor, com as infindáveis lições da natureza e com os mistérios do mundo espiritual. Aprendemos com a ignorância e com a inteligência. Aprendemos com o outro e conosco. A cada pegada, mais maduros seremos.

Certa vez, Ana Lins dos Guimarães Peixoto, mais conhecida como Cora Coralina, disse: “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”.

Corremos o risco de chegarmos vazios se não aproveitarmos as lições do caminho. Nada colheremos se o plantio não for feito durante a jornada. Jornada finita, é bom lembrar. As nossas pegadas também significam tempo decorrido, vida passada, encurtada.

Cora também enunciou uma vez que “O saber se aprende com os mestres. A Sabedoria, com o corriqueiro da vida”.

Parafraseando o compositor e cantor Geraldo Vandré: é caminhando e observando e seguindo as lições. O ser humano, em sua essência, foi criado para evoluir, para prosperar, para se desenvolver a cada dia. Ele foi criado para se tornar sábio, de espírito elevado, compreendendo o plano que vai além de sua própria vida, reconhecendo a beleza e a riqueza da Criação, rumando a um mundo puro, evoluído, fraterno, bom e feliz.

Aprendamos isso na caminhada.

APENAS TEMOS O AGORA

22/05/2020 às 09h02

O futuro é algo desafiador, chamativo, querido, enigmático, mas incerto. Esperamos por dias ainda não nascidos, esperamos que eles realmente venham, mas nem sempre virão.

Esses dias, em um dos meus Devaneios, refleti sobre isso:

Apenas temos o agora. Vivemos projetando o futuro, sonhando com dias de sucesso e prosperidade. Tudo isso é válido, desde que não nos esqueçamos do agora: único momento realmente certo. Antes de se projetar ao futuro, viva o agora, sinta o agora, faça isso agora.

A vida é um projeto, sabemos, e como tal, precisa ser pensada, planejada. Precisamos saber aonde ir, para que os ventos do tempo não nos conduzam a lugares inesperados. Contudo, o fato de escolhermos o destino, traçarmos as rotas e iniciarmos a jornada não significa, necessariamente, que teremos tempo suficiente para chegarmos ao destino desejado. A vida é finita, mas não é etiquetada com o seu prazo de validade, o último dia para o seu fim.

Assim sendo, escolhamos o destino, tracemos as rotas, mas aproveitemos cada segundo da viagem.

Devemos sentir o cheiro do agora, vislumbrar suas cores, deixar o coração pulsar com os seus amores, ser naquele instante o que muitos levarão uma vida inteira para ser, pois, em termos de tempo, somente temos o agora, certo e aconchegante, pronto para receber a nossa vida em suas mãos e nos fazer tão felizes quanto pudermos imaginar.

Apenas temos o agora.

HÁ UM COMEÇO PARA CADA FIM

18/05/2020 às 10h12

As engrenagens do tempo estão girando, espremendo as lágrimas dos nossos olhos, enxugando-as, após. Nesse trem imparável, somos passageiros, vagantes que rumam esperançosos em busca de ares cheirosos, de vidas nascentes, de sorrisos florescentes, da paz que cremos não ter chegado ao fim.

O mundo está caótico, apocalíptico, assustador. As ruas não são mais seguras, as pessoas são intocáveis, o ar exala o cheiro da morte. As distâncias parecem ser inatingíveis e os caminhos a serem percorridos nos causam calafrios. Damos murros no invisível, a fim de socar os malditos assassinos que nos têm causado tantos males, mas são tentativas tolas, vãs.

Contudo, em meio a tanta destruição, persiste a esperança e, embalada na esperança, a fé. Temos que acreditar em dias melhores e para isso contamos com a contribuição do nosso grande herói e bandido: o tempo. Suas engrenagens não param. A cada rotação, uma nova esperança, um novo dia, a crença firme de que tudo vai passar.

Sabemos que não estamos vagando para o mesmo mundo, mas para um Mundo Novo, ainda um tanto desconhecido, mas, com certeza, com ares cheirosos e com vidas pulsantes.

O Novo Mundo, como podemos projetar a partir de cenas observadas no atual, será um mundo de mais empatia, de mais amor ao próximo, de união, de combate ao supérfluo e de valorização daquilo que realmente importa. Essa é a nossa fé.

O mundo para o qual as engrenagens do tempo nos empurram é mais solidário, menos egoísta; mais paciente, menos acelerado; mais puro, menos contaminado por sentimentos ruins; respeitoso e respeitado; desfragmentado e muito mais conectado com a espiritualidade. Haverá um cinturão de mãos dadas ao redor desse Novo Mundo. É o que esperamos.

É essa esperança que nos mantém caminhando, vencendo as distâncias, os medos, as angústias. É ela que nos mantém de pé. É a fé de que o plantio está sendo feito e que, em pouco tempo, sorrisos brotarão da terra, a paz reinará, vidas novas surgirão e nos restarão apenas as lembranças desse tempo macabro e todas as lições que, cuidadosamente, conseguimos extrair dele.

SUBSTITUA O TÉDIO PELO ÓCIO CRIATIVO

19/03/2020 às 15h03

Há algum tempo, escrevi uma reflexão que dizia:

Tédio é a agonia de passar um tempo consigo mesmo”. Robison Sá (Meus Devaneios)

Não é novidade ouvirmos, diariamente, frases como “Aff, que tédio, essa vida”! “Não há nada para fazer”. “Alguém me tira do tédio”? As pessoas se habituaram à uma vida de correria, de ocupação total do tempo, a ponto de não aguentarem alguns minutos ociosos. Para evitar o tempo livre, embrenham-se nas redes sociais, assistem aos mais variados vídeos no Youtube, visualizam status e stories, “folheiam” as páginas do Facebook e percorrem cada post do Instagram.

O ser humano tem tapado os buracos do tempo e corrido para o mais longe possível de si mesmo. Alguns minutos em silêncio, sozinho, sem coisas para fazer, e o tédio ataca.

Deixa-se de observar, contudo, que quanto mais se preenche o tempo ocioso, menos espaços para a criação restarão. Os grandes pensamentos filosóficos, a criação de grandes poemas, obras de arte e muitas descobertas científicas foram concebidas no ócio. É preciso tempo para pensar, para refletir, para inventar, para inovar. Há, em todo o mundo, um movimento crescente em busca da aquisição de tempo ocioso justamente sob a prerrogativa da criatividade. Se retirarmos o tempo livre das pessoas, poderemos estar condenando o mundo ao bloqueio do progresso ou, ainda pior, o empurrando ao regresso lento, mas constante.

O ócio também é espaço para reflexão, para o autoconhecimento, para a resolução de problemas pessoais e para pensar alternativas que contribuam para a auto evolução. Nesses momentos, podemos mergulhar em Devaneios, contemplando a vida em sua essência, enxergando cada detalhe das nebulosas cenas do cotidiano, aprendendo com elas.

Não se pode deixar de lado, também, as maravilhas recreativas que podem ser produzidas nesses momentos, seja para passear em parques com um filho, sentar no banco da praça com uma boa amiga, assistir ao pôr-do-sol com o esposo ou namorado, ver documentários de qualidade, ler um bom livro, tomar sorvete etc.

O cérebro humano não é multitarefa, como os computadores modernos. Apesar de fazermos muita coisa ao mesmo tempo, o que ocorre é uma priorização de algumas tarefas, enquanto outras são postas em segundo plano. Daí a importância do tempo livre, principalmente se, nesse momento, houver uma faxina no cérebro, deixando-o livre de interferências, focando apenas em uma atividade por vez, e que esta seja a mais importante, criativa e produtiva possível.

Julgar o tempo consigo mesmo um tédio chega a ser assustador. A partir de agora, lembre-se do quão valoroso o ócio é, de como podemos transformar a nossa vida e o mundo inteiro nesses momentos. Não permita que esse espaço tão importante seja desperdiçado com coisas tão fúteis. Comece varrendo do seu dia todas as banalidades. Planeje o seu tempo ocioso. Crie! Divirta-se! Evolua!

 

O CONTÁGIO DE UM SORRISO

17/02/2020 às 08h35

Não é preciso muito para fazer a diferença em sua própria vida e na vida daqueles que o ladeiam. Tudo começa com um querer, com um desejo. Quanto posto em prática, o querer se transforma numa máquina poderosa de mutação da realidade existente e consegue imprimir coisas maravilhosas no plano concreto.

Lembro-me de ter escrito, certa vez, um “Devaneio” que dizia:

O tempo e o querer são a máquina e a tinta para a impressão de sonhos”.

Sim, o tempo é uma variável superimportante na equação da vida. A tentativa de acelerar descontroladamente as suas realizações, além da frustação por não conseguir tal feito, poderá lhe apresentar à depressão ou a males correlatos. Queira, aja, mas respeite o tempo de realização.

Bem, sabemos que maus exemplos têm se alastrado pelo mundo e transformado a sociedade em algo assustador, com expectativas de um futuro ainda pior. Porém, não são apenas os maus exemplos que contaminam as pessoas, os bons, também, podem ser disseminados a distâncias inimagináveis.

Não consigo me esquecer do subtítulo do filme “Patch Adams: O Amor é Contagioso”. É incrível como conseguimos injetar nos outros, boas doses de amor, de compaixão, de solidariedade, de carinho, de perdão, de bondade. Tudo isso, uma vez que o recipiente humano é finito, transborda e, derramando, acaba encharcando outras pessoas. O mundo seria bem melhor se todos estivessem encharcados de bons comportamentos, de bons exemplos, de amor.

Na maioria das vezes, o amor – fonte de bons comportamentos – tem o seu início com um sorriso. Este, por sua vez, acolhe, promove o abraço das almas, acalenta o próximo e alivia o seu emissário. O sorriso é algo contagiante, é algo arrebatador. Certa vez escrevi uma poesia intitulada O Contágio de Um Sorriso, a qual transcrevo a seguir na tentativa de evidenciar o poder maravilhoso de um simples sorriso.

Boa leitura.

 

Quando menos se esperava,

a noite fria chegou.

Levou o sol que raiava,

roubou da vida o amor.

A luz se encolheu nas trevas,

do mundo levou-se a cor.

Rostos sepultados na relva,

vida que não desabrochou.

Lágrimas lavavam as faces,

predominante tristeza.

Sorrisos eram disfarces,

exceções da natureza.

Alguém naquela paisagem

tropeçou na alegria,

embarcou numa viagem,

um sorriso se abria.

Um vírus contagiante

espalhou-se tão veloz,

como um coração de um amante

ao ouvir do outro a voz.

Feito a lâmina de uma Katana,

a luz fatiou a noite,

carregada de esperança,

soprando ventos de açoite.

O sorriso vagueava,

espalhando sua prole.

A tristeza na estrada

amargava a própria morte.

Gotas de tinta jorravam,

recolorindo o trajeto.

O rebelde escutava

o amor já bem mais perto.

Naquele arbusto tão íntimo,

sem surpresa aparente,

um diamante tão fino

esperava atraente.

Tudo foi modificado.

Tudo foi recolorido.

No tempo foi registrado

O contágio de um sorriso.