Revista Statto

TEM POESIA EM TUDO!

05/11/2020 às 09h22

Há poesia na imagem do pôr do sol eternizada pelo fotógrafo sensível. No som que o pianista tira de seu instrumento de cauda.  Tem poesia no movimento da bailarina num espetáculo de dança clássica. Há poesia na literatura dramática que fundamenta a interpretação de um ator ou atriz com intenção de fruir um texto. Há poesia na obra que compõe o acervo do museu.

Há poesia na paciência do professor para com seus alunos. Nos movimentos do coordenador de docentes, alunos e demais envolvidos com a educação. Há poesia na reunião de pais para tratar dos preciosos filhos ou tutelados. Há poesia na direção de uma instituição escolar.

Poesia pode ser encontrada na construção de um edifício. Quando os pedreiros, felizes da vida cantam e se encantam com a quantidade de concreto e com a composição do que futuramente será um lar ou lugar de trabalho, de lazer, de meditação, de acolhimento…

Há poesia no trabalho do profissional que asfalta as ruas. Seja em horário de pico ou às 23h50 na rua da sua casa. Tem poesia na passagem rápida dos coletores de resíduos que correm para alcançar os caminhões carregados do que em algum momento fora objeto de desejo de alguém.

Há poesia na energia de limpeza que a faxineira traz para o prédio onde trabalha, para a casa onde transforma e renova o clima. Há poesia na mudança de odor de um banheiro antes sujo, agora lavabo perfumado e pronto para ser novamente usado. Há poesia na casa que passou de empoeirada para aconchegante.

Há poesia no hospital que acolhe o paciente e lhe oferece recursos para que sare e volte para os braços dos seus. Há poesia na persistência do fisioterapeuta para com o doente devido AVC – ainda que revoltado não queira o bom trato. Há poesia na recuperação de alguém que reclamava de desconforto ao respirar.

Há poesia no café servido no balcão do shopping, na escolha do sapato, nas opções dadas pelo lojista quanto à compra de aparelhos de ginástica, há poesia na compra de um vestido de noiva, na prova do traje de gala, no jantar com a pessoa amada. Há poesia no fazer do cozinheiro e na mesa servida enquanto se papeia sobre nada para validar o tempo gasto com os amigos do coração.

Há poesia na viagem de avião rumo à tranquilidade das férias. Há poesia na barraca da praia onde se come o petisco mais saboroso de todos os tempos. Há poesia na pousada onde se recebe a primeira refeição do dia no quarto, e se levanta tarde para tomar banho de piscina olhando o mar.

Há poesia no nascer do sol, no anúncio de um novo dia.

Há poesia em tudo?

 

CANÍCULA ATROZ

15/10/2020 às 08h46

Era a expressão recorrente de um professor do ensino médio técnico, nos idos dos anos 90. Inesquecíveis: o mestre e a frase.

Com um físico forte, altura mediana, cabelos pretos, pele clara, na faixa dos 50 anos, ele ensinava contabilidade. Isso acontecia numa cidade do interior paulista, lugar extremamente quente e úmido, praticamente uma estufa! Ele entrava na sala transpirando, um pouco ofegante e assegurava “está uma canícula atroz”.  Nós adolescentes, apenas ríamos pela expressão estranha, pelo modo divertido como era dito, e sobretudo ríamos de nervoso por não sabermos o que significava aquilo.

Depois ele dizia: “o tempo é inexorável”. Continuávamos com o olhar ambíguo. Sem saber o que ele dizia. Nas primeiras aulas, quando repetiu as expressões, não queríamos demonstrar “fraqueza”, recorrendo a um dicionário. Ele se recusava a dizer o que significava e nós fingíamos desinteresse.

Depois de um certo tempo, isso nos incomodou porque ele continuava repetindo e nós continuávamos sem saber o que enunciava em específico. Aí já parecia pouco inteligente de nossa parte. Então, recorremos ao dicionário da língua portuguesa. E lá estava, para a primeira expressão: “calor muito forte, intolerável, cruel”; quanto à segunda expressão, referente ao tempo, “que não cede ou se abala diante de súplicas e rogos; inflexível, implacável”.

Depois disso, ficou fácil e até já concordávamos com ele. No entanto, ele trocava as expressões e passávamos mais algum tempo decifrando outras e outras palavras. Era assim que aprendíamos sobre as letras enquanto ele nos ensinava sobre os números.

O referido professor parecia compreender que a criança e o mestre, faz parte um do outro. Numa alusão a Rubem Alves, poderíamos dizer que o mestre no rigor da seriedade de seu ofício, brincando – de repente ensina, quem, de repente, brincando aprende!

Será que no ofício do (s) mestre (s) ou da (s) mestra (s) está incluso ultrapassar os limites do colégio para vir à nossa mente, vez ou outra, lembrar-nos da deliciosa brincadeira de apreender o mundo?

VAMOS FAZER ARTE?

28/09/2020 às 14h16

Quanta coisa bela pode-se fazer a partir da tinta, da argila, do barro, da lama, papel picado, pedaços de pano, cacos de vidro…, mas… a tinta vai sujar, com a tesoura vai se cortar, se cantar vai incomodar, se dançar vai mexer e transpirar, se tocar instrumento incomoda o vizinho daqui a vizinha dali. Se pular na cama elástica vai ter ideias de pular nos colchões da casa… quem nunca?!!!

Fazer arte parece trazer à tona ideia de incômodo. Se alguém se identifica com a arte para se expressar, poderá ser alguém que incomoda, e o desconforto é algo a ser evitado. Se o (a) jovem – na época do vestibular – escolher estudar Arte, poderá ser visto (a) como alguém que não escolheu uma profissão, será visto como artista. E que no fundo, apesar de muitos amarem a arte, e opinarem sobre sua importância, fazer arte pode ser visto pela maioria como algo menor. E o mais interessante é que isso ocorre no mundo inteiro.

Sir Ken Robinson, ex-patrono da London School of Contemporary Dance, fez uma palestra em 2016, em homenagem ao fundador dessa instituição e abordou a questão da necessidade de se reconhecer a importância de todas linguagens na educação “Não ensinamos matemática apenas para criar matemáticos e não ensinamos escrita apenas para criar a próxima geração de romancistas. O mesmo se aplica às artes. Nós os ensinamos a criar cidadãos bem preparados que podem aplicar as habilidades, conhecimentos e experiência do envolvimento nas artes em suas carreiras e vidas

Parece até que arte é algo totalmente à parte de nosso dia a dia, muito distante de nós. Mesmo até quem faz arte, às vezes, o faz inconsciente, no sentido de não ter noção da dimensão e do impacto que seu fazer artístico tem para a sociedade, ou do quanto proporciona de transformação na vida de cada pessoa.

A arte conecta alma, corpo, mente e movimenta todos. Uma manifestação artística impacta mentes, visões, transforma. Muitas vezes simplesmente cala. Ou, então, dá lugar à fala expressa por lágrimas. Não sabemos muito bem, explicar, certos impactos em nós frente ao extraordinário, mas sabemos quando se trata de arte, algo que nos tira de nosso lugar, transporta-nos enquanto nos alimenta.

Todos se beneficiam com o fenômeno chamado manifestação artística, seja nas dimensões humana, social, cultural, política ou econômica. Desde o pipoqueiro que fica na calçada esperando as pessoas entrarem no teatro ou sair dele, até o taxista ou transporte público que levará as pessoas até o local, ou trazê-las de volta para casa, serão favorecidos pela arte.

E se nos convidássemos a perceber a arte em tudo ao nosso redor? Como seria?

SABEDORIA DAS PESSOAS DA FAIXA ETÁRIA DE MEU AVÔ

18/08/2020 às 13h34

Meu avô de 84 anos disse uma única vez: “a árvore seca quando crianças sobem nela”. E nós amávamos as árvores!!! Por um bom tempo evitamos escalá-las!

Independente da visão de mundo sobre livre expressão do movimento infantil, que possa estar embutida no que disse, ele se expressou da maneira mais sábia possível para a ocasião. Nossos pais saiam e, às vezes – pediam para que nossos avós cuidassem de nós: quatro pequerruchos.

Em vez de despertar a rebeldia dos seres em pleno vapor, dispostos a realizar atividades dinâmicas e desafiadoras, que fariam exatamente o contrário do que pedisse, seu Izidoro utilizou-se daquele argumento convincente para a nossa idade: quatro a sete anos – ele sabia que jamais cometeríamos um crime contra a natureza.

Depois de adulta, tenho a sorte de ter por perto ou poder ouvir algo dito por uma pessoa de 84 anos, pouco mais, pouco menos. Pessoas idosas, mais experientes, mais vividas, ou como o leitor ou a leitora preferir, e saudáveis, tendem a ter uma frase concisa e de impacto na hora certa para a pessoa certa.

Uma grande amiga ouviu de um de seus clientes dessa faixa etária: “pare de correr atrás do próprio rabo e vá fazer mais disso que faz seus olhos brilharem”. Ele falava para uma advogada de 45 anos, com sólidos 15 anos de experiência no mercado, que sonhava em trabalhar com artesanato.

Outro senhor de 84 anos, ex-presidente de uma multinacional, fabricante de carros de luxo, dizia “as mulheres são muito mais inteligentes que nós [homens], é uma pena descobrirmos isso tão tarde”. Ele desfrutou de uma vida plena e abundante até seus 98 anos.

Recentemente, fazendo uma deliciosa meditação ativa em grupo, ouvi a Tati Malhado contar que um de seus alunos de 84 anos, há 12 em aulas com ela, disse: “eu trato a saúde e não a doença”! Vai me dizer que isso não é sabedoria? E tem mais, ela nos contou que nunca o viu doente!!!!

A sabedoria à flor da pele de pessoas sábias manifesta-se tanto nas frases curtas e cheias de sabor, quanto nas suas ações: os médicos de umas famosas e saudáveis bisavós irlandesas, (a mais nova com 84 anos) perguntava-lhes sempre qual era a marca do destilado que estavam tomando.

Se alguém nunca foi agraciado com uma frase inspiradora, divertida, revigorante, sábia… com tanto peso, poder e generosidade, vinda das “guardiãs de memórias que podem salvar vidas” (jornalista Jared Diamond – 75 anos), não sabe o que está perdendo!

POR QUE CORRO NO PARQUE?

26/07/2020 às 10h34

Porque quando corro tenho ideias. Durante a corrida, algo se movimenta em mim e me deixa mais feliz. Quando corro penso em tudo, penso em nada. Olho para fora e para dentro.

Hoje, correndo no parque, percebi energia moldando-se, energia descobrindo-se no movimento, construindo-se, destruindo-se, reconstruindo-se a cada minuto. Ao mesmo tempo em que me conectava com uma porção de outras pessoas que também parecem ser isso e que, também, corriam no parque em um lindo dia de sol.

Será que somos isso? Energia? Einstein dizia que tudo é energia, é isso mesmo? Ah, e de acordo com o fisioterapeuta e mestre em neurologia pela Unicamp, Prof. Rodrigo Dantas – há neurônios espalhados por cada cantinho do nosso corpo.

Quando surge em nós, por exemplo, vontade de estender o braço para tocar algo ou alguém, esse monte de neurônio do cérebro envia comandos para o braço – para que este faça isso. Ou seja, impulsos elétricos formam uma corrente para atingir objetivos. E, quando algo de fora nos é apresentado, os neurônios espalhados por nossos órgãos dos sentidos levam a informação ao nosso cérebro que responde com uma sensação A ou B.

Se estamos, a cada minuto, a cada segundo do nosso dia tendo sensações, e recebendo estímulos, seríamos mesmo uma espécie de corrente de energia ambulante? E se somos, como pode ser mais divertido?

Quando nos perguntam quem somos, dizemos nosso nome ou a nossa profissão. No entanto, será que somos só isso? Ou será que somos tudo isso, mas não paramos para pensar que estamos reduzindo tudo a isso?

Existem várias pessoas em nós? Ou somos um ser moldável às situações? Se há gosto em acordar tarde quando se está com vontade, acordar cedo quando se planeja, acordar naturalmente quando assim o acontecer, então, essa pessoa sou eu ou é você.

Se é verdadeiro sentir aquela vontade de não fazer nada, ou então de fazer tudo, ou de fazer só um pouco, e perceber que está tudo bem se fizer do jeito que for, então essa pessoa é você.

Se sair de casa, para dar uma volta no quarteirão, com ou sem a companhia do pet ou de outra pessoa, faz o coração cantar, então essa pessoa é você!

Desejar chuva quando está calor; pedir carinho quando se está sem amor; implorar por alívio quando sentir dor; sofrer junto quando se vê desamor; compartilhar texto libertador; desejar ao outro paz e amor; então essa pessoa sou eu e, também, você!

Você que deseja o bem, percebe desconfortos e que faz o possível para voltar a se alinhar com o bom, com a fluidez da vida, aprendendo com o que incomoda, e fazendo permanecer o que o conforta. Essa pessoa sou eu e, também, é você! E da essência do você em você compomos os “nós”!

Quando corro eu me encontro e encontro o outro. E você, por que corre no parque?

UM DOS MAIORES PRESENTES QUE ME DEI!

25/06/2020 às 08h33

A melhor coisa que fiz por mim foi ter descido a ladeira, em frente à minha casa, sentada num skate.

Aos 10 anos de idade, morava numa cidadezinha, no interior de São Paulo, que hoje se transformou numa espécie de Bairro do Braz da Capital, só que no interior do Estado. Havia uma ladeira bastante íngreme à direita de minha casa, asfaltada, e sem buracos. Numa das tardes, saí de casa para brincar com as crianças da rua e, dentre brincar de taco, futebol, vôlei, bolinha de gude, casinha, amarelinha, etc., resolvi brincar de descer a ladeira sentada no skate. Aquilo definiu o que deveria sentir para ser feliz e ter sucesso o resto da vida.

Juntamente com um de meus cinco irmãos, o filho do prefeito de uma cidade vizinha, morador da rua, e mais outro garoto de quem não me lembro do nome, caminhei em direção ao topo do morro. A ida representava a subida à glória. O encontro com o transcendental. Não me lembro do que é que conversávamos, já que criança conversa sobre tudo e não se lembra de nada. E depois reclama de não poder falar. Só sei que íamos animados. Ora saltitantes, ora distraídos, ora provocando as demais crianças com apelidos permitidos para a nossa idade – na época.

Ao chegar ao mais alto ponto da tão amada jornada, cada um sentou-se num skate. Eu, bem no centro da rua, pouco movimentada por carros, sentei-me no dito cujo. Estendi as pernas, calcanhares unidos e apoiados na ponta do brinquedo, e mãos paralelas no solo servindo de freios, posicionei-me. Esperei que dois dos três meninos dessem a largada, então, levantei as mãos e lá fui eu!

A descida deve ter durado uns 15 segundos. Algo muito rápido, conforme a física convencional. No entanto, nesse curto espaço de tempo, é como se o Universo tivesse aberto as portas de um mundo paralelo, para mim, e solicitado minha entrada. Experimentei o nada, o não pensamento. Senti uma profunda alegria, um prazer imenso. Um amor próprio inimaginável. E, um poder infinito, senti-me uma Deusa. Transcendi. Quando o skate parou, precisei aguardar alguns segundos para me recompor fisicamente, já que mental ou espiritualmente eu havia experimentado uma sensação que jamais esqueceria.

Hoje, sempre que quero revigorar as energias, resgatar sensação de ter o poder armazenado dentro de mim, como qualquer ser humano tem, dentre tantos momentos bons vividos, esse é um dos que trago para o meu presente. E, sempre que o revivo, percebo resultados surpreendentes em meu estado de espírito.

E então? Quais foram os presentes grandiosos que você recebeu de você?

VALE A PENA MUDAR POR MUDAR?

02/06/2020 às 10h50

Vale a pena e devemos mudar sempre, no entanto, se não vier de dentro só aumentará nossa insatisfação. Se buscarmos a nossa verdade antes de optarmos pela mudança, certamente encontraremos harmonia.

Há um conto, da tradição zen “O quebrador de pedras”, que aborda dentre outras questões, a insatisfação gerada na mudança pela mudança. Esse conto relata que havia um quebrador de pedras insatisfeito com a sua profissão e desejou mudar.

No instante em que pensou nisso, passou um ministro, acompanhado e bajulado por muitas pessoas. O quebrador de pedras ficou encantado, desejou ser o tal ministro e magicamente seu desejo foi atendido.

Por uns poucos instantes foi muito bem tratado, até ser abandonado por todos, que saíram disparados em outra direção. Ele descobriu que foram acolher o príncipe, mais importante que o ministro. Assim, o quebrador de pedras desejou ser o príncipe, não demorou e seu desejo foi realizado.

No entanto, foi outra vez abandonado. O quebrador descobre que fugiram dos raios do sol. Aí, deseja ser o sol, pois este, sim, é que é poderoso. E ele se torna sol com maravilhosos raios, iluminando, secando, torrando o que há na terra.

Até que algo se instala em sua frente e seus raios ficam impedidos de passar. Era uma nuvem. E o quebrador pensa: “a nuvem que é poderosa, não deixa o sol fazer nada”. Assim, transforma-se numa nuvem; porém em suas andanças é barrado por algo que o despedaça aos poucos.

Observa ter diante de si uma montanha rígida e imponente, impedindo seu trânsito. E pensa: “bom mesmo é ser montanha”. Não demora muito e se transforma numa montanha. Até que de repente ouve: “plim” “plim” “plim”… era um quebrador de pedras, fazendo valer seu valor.

É possível compreender, a partir do conto, que mudar por impulso, transforma o indivíduo num eterno insatisfeito. É preciso encontrar algo profundo capaz de sustentar a tão sonhada melhor maneira de viver.

Quando se descobre gosto pelo que se faz, identificando-se com esse dom, tudo se harmoniza no próprio ser e no entorno dele. Vive-se sem aflições, com mais consciência, enxerga-se a si e o outro como parte de um todo maior, além de que a sensação de pertencimento motiva a contribuir positivamente para o crescimento coletivo. Os sentimentos negativos são acolhidos e transformados pelo próprio ser antes de serem disparados ao mundo. Enfim, mais saúde, mais amor, mais vida.

COM OU SEM MÚSICA, MOVA-SE!

11/05/2020 às 18h35

Imagine-se acordando, levantando-se, fazendo aquele apoio com as mãos na cama, projetando levemente o tronco para frente e, num leve impulso com ou sem animação, estando plenamente à disposição para o início da jornada ou ainda em preparação, dormindo com os olhos abertos. Visualize-se caminhando em direção a algum outro lugar da casa, com a intenção de iniciar o dia.

Em seguida, após fazer todas as tarefas diárias, agendadas ou não, considere-se voltando ao merecido descanso. Desta vez sentando-se na cama, recolhendo-se e se apoiando para encontrar o maravilhoso aconchego.

Com ou sem música, o movimento está presente, inerente ao ser humano: esteja imóvel comunicando-se pelo olhar, apressando-se para não se molhar na chuva, ou saltando uma poça. Ou ainda com pressa escada acima para atender o telefone fixo que justo naquele momento resolveu tocar.

O que varia de pessoa para pessoa é a intensidade, a entrega para a atividade diária. Variam, também, a energia, a motivação, a leveza, a força ou a fragilidade na execução dos afazeres. Ah, inclua outros fatores relevantes: o ritmo, o foco, a precisão no agir – com mais ou menos capricho; mais ou menos cuidado.

Não se pode esquecer do elemento expressividade. Uns demonstram mais afeto pelos outros que também estão em movimento; outros apenas observam, mas não deixam de ser eficientes. Cada qual colocando o seu saber em ação. Do seu jeito, do seu modo peculiar.

Com ou sem música, mova-se. Seja elevando braços e calcanhares para pegar um livro no topo da estante, seja projetando os dois braços para a frente na condição de preparar a mesa para a refeição. Que tal se espreguiçar de vez em quando! Ou explorar movimentos inspirados pelo vento, pelo sol, pela mãe terra ou pela água do mar!

Se na oportunidade tiver música, por que não fazer uma combinação e desfrutar? Bem, caso não tenha música externa… o coração pode ajudar com a sabedoria que vai emanar e com o pulso firme que a força assim permitir. Agora, se optar por simplesmente acordar, trabalhar, dormir, o movimento vai persistir, não adianta fugir! Então, com ou sem música, mova-se!

LINGUAGEM CORRETA COMO FERRAMENTA DE INTERAÇÃO HARMONIOSA

30/04/2020 às 08h55

Transformamos positivamente nossas próprias vidas e a dos do nosso entorno quando filtramos informações antes de compartilhá-las. É possível sentir quando usamos a linguagem correta, e perceber quando o outro também o fez.

A linguagem correta nada mais é do que aquela que gera a paz, acordos, alegrias, aquela que promove vínculos entre as pessoas, alivia dores, aquela que afaga o coração. Fácil de reconhecê-la porque reverbera fisicamente em nosso corpo.

No campo da Filosofia, Sócrates (469-399 A/C) já propunha reflexões sobre o poder da palavra e consequentemente da linguagem. Ele já pedia para que seus discípulos submetessem suas mensagens às “peneiras da sabedoria” quando estivessem prestes a repassá-las a alguém.

Tratava-se das “peneiras” da verdade (ter certeza de que de fato ocorreu o que vai narrar); da bondade (vai contar algo bom, sobre alguém); e a da utilidade (o que será contado vai ser útil ao ouvinte). Assim, só se passaria adiante a narrativa que contemplasse os três critérios estabelecidos, contribuindo para multiplicação da energia do bem.

Quando se diz algo, a vibração das intenções, impressas nas palavras, atinge tanto o campo energético, quanto físico do interlocutor. E este terá seu estado emocional alterado positiva ou negativamente.

Isso não é novidade. Já fora realizado experimento científico com a água, a respeito da emissão de palavras de amor e palavras de ódio direcionadas ao líquido. No experimento, submeteram-se moléculas de água à vários sentimentos e pensamentos humanos; depois, com equipamentos especiais, fotografaram-se os cristais de água.

Resultado: água cristalina para amorosidade, e água turva para maus sentimentos. Daí então associar esse experimento à ideia de que, se a água se altera dessa forma, nosso corpo também sofre ou se beneficia com as vibrações a ele direcionadas, uma vez que nosso corpo é composto por, pelo menos, 60% de água.

Em meio ao turbilhão das exigências cotidianas, pode ser trabalhoso atentar-se à qualidade das intenções concretizadas nas palavras emitidas por nós, ou o quanto de palavras positivas e negativas falamos ou direcionamos a alguém num único dia. No entanto, a simples consciência desse fenômeno já é algo inspirador e que certamente aumenta nosso poder pessoal para interagir harmoniosamente os as outras pessoas!

É TEMPO DE EXPERIMENTAR MAIS TERNURA!

13/04/2020 às 13h42

Rica e encantadora é a nossa natureza humana, em si. Já é tempo de parar de lutar internamente! Parar de se esforçar! Parar de se sobrecarregar! É preciso deixar o (a) guerreiro (a)! Deixar a armadura, trocar tudo isso por ternura! Apenas ser!

Quem corre cansa, como dizia minha avó. Quem muito se esforça, força. Desperdiça energia e não se satisfaz porque acredita não ter recebido o devido valor. Fica com o peito vazio.

Se você vir a vida como uma luta, guerreará, portanto, precisará de campo de batalha. Assim, desde que se levantar até quando voltar para cama à noite, de fato, o Universo enviar-lhe-á uma verdadeira guerra: levantar será uma luta; quem interagir com você – independente do horário do dia – converter-se-á em inimigo; a rua será o próprio campo de batalha; o trabalho será sua escravidão; o (a) chefe será adversário; os clientes serão algozes; o (s) filho (s) tornar-se-á (ão) empecilho (s). E seu cônjuge, amante, companheiro (a), …? Quem será (ão) nesse cenário?

É hora de receber a tranquilidade, acolher a alegria, aceitar a paz e o prazer de ser você.  Abrir-se para o bom da vida, escolher somente o bem, ficar no bem. Daí o Universo entenderá que é disso que você gosta e enviará mais disso: o bem. Então, as boas oportunidades, as infinitas possibilidades de acesso à felicidade baterão à sua porta.

Chegou o momento de parar de tentar convencer o outro de que é lutando que se vence. É oportuno centrar-se em si, regar-se com ternura, olhar para a sensibilidade, intuição, sabedoria inerente ao que é humano, e dar vazão àquilo que muitos querem, mas só os fortes estão vivenciando: a doce cultura da harmonia, da cooperação, do verdadeiro respeito ao próximo (homem, mulher branco, preto, rico, pobre…), a cultura do amor.

Encha-se de amor por si mesmo (a). Uma vez que você já é o amor em pessoa. Os demais seguirão seu exemplo!  Não há necessidade de se justificar, de se explicar e querer que os outros sejam como imagina que deveria ser. Basta de se culpar, de se acelerar, de se pressionar, de se julgar. Basta de batalhar!

É tempo de encerrar a guerra dentro de si! Não há que lutar, mas aceitar que no seu melhor é que você poderá oferecer amor para o outro. Não existe “fazer o outro feliz”, o outro é que poderá ser feliz a partir das motivações e exemplos inspiradores e benevolentes que tiver. O mundo de paz a partir de hoje, já é seu! Aprecie-o!

VOCÊ JÁ SENTIU NA PELE A SUA HISTÓRIA?

06/04/2020 às 20h03

Sempre que tivermos a oportunidade, é crucial seguirmos a voz da alma, ou intuição, ou “insight”. Ela nos oferece a (s) chave (s) para a abertura das mais diversas portas. Ela decifra em poucas, e firmes, palavras o que devemos fazer. O tempo vai parar. E, sorte a sua se der ouvidos a ela e seguir seus conselhos.

Houve um tempo em que me sentia uma libélula com as asas molhadas. Ou como uma mosca presa na poça. Com um canto sufocado lá dentro. Como um ser que tudo vê, tudo sente, mas nada pode fazer.

Percebi que nada do que tinha aqui era meu. Nada disso era eu. No entanto, aos poucos fiz isso comigo mesma. Coloquei todos os outros dentro de mim e me expulsei daqui.

Depois, ficava perguntando-me por mim, procurando-me nas pessoas. E ninguém capaz, o suficiente, de me devolver a mim. Daí o sofrimento, as desilusões.  Seguia, incansavelmente, questionando-me pela minha morada, pelo paradeiro de minha alegria.

Até que um dia, dei-me conta de que tudo acontece no corpo, no próprio corpo. Foi quando comecei a ouvir a voz da minha história. Uma voz que gritava para ganhar o mundo. Aquela da qual sempre duvidara. Você já sentiu na pele a sua história?

Bem, pequena, com uns cinco anos, lembro-me de estar ciente de ser um indivíduo no planeta, mas sem a noção de que cada um tinha um potencial incrível para ser, ter e fazer o que quisesse.  Um potencial incrível para se curar, para amar (a si e ao próximo) e para agradecer. Em criança, não tinha essa noção – mas vivia na mais pura alegria. E tudo fluía.

Eis que, vendo os balões coloridos, espalhados pela casa, por causa da festa de aniversário de nove anos do meu filho, hoje, lembrei-me daquela alegria e curei-me as asas molhadas, a prisão na poça, soltei o canto, e tudo fiz porque sei que tudo posso, na Voz que me fortalece!

RELACIONAMENTO INTRAPESSOAL

29/03/2020 às 12h14

A manutenção de um bom relacionamento intrapessoal seguramente trará sucesso em todas as áreas da vida. Quando nos deparamos com uma situação ou um momento específico em que isso seja necessário, só a sabedoria, paciência e amor incondicional nos salvam. Uma vez que relacionamento intrapessoal, nada mais é do que o indivíduo se relacionando com ele mesmo, ou seja, 24 horas do dia, lembrando que a melhor companhia, e a voz que deve ser mais ouvida, é a que está dentro da própria pessoa.

Recebe-se, ao longo da vida, pouco ou nenhum estímulo para estabelecer relacionamento entre a pessoa e ela mesma. Raras vezes se aconselha o outro a fazer o que está sentindo ou a perguntar a si mesmo qual a melhor maneira de fazer algo. Pouco se induz a pessoa a pensar que ela precisa gostar dela, ter expectativas somente sobre o que ela faz por ela mesma. Evita-se estimular o outro a ter em si a melhor companhia, e dizer-lhe que não deve depender nem do outro e nem de circunstâncias para se fazer feliz. Por isso, tem-se dificuldade em saber como agir na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, no desconforto, na irritação e no prazer.

Nos momentos intensos ou não, soltamos nossas próprias mãos. Deixamos de compartilhar com nós mesmos em primeiro lugar, as boas ou más sensações. A melhor e maior companhia que se pode ter é deixada de lado, em detrimento do pensamento de que o outro é que vai proporcionar a nossa completude. Tentamos encontrar no outro um ouvido ou uma voz ou um olhar que poderíamos acessar em nós mesmos primeiro.

Uma amiga de profissão – com formação superior – foi apresentada à expressão: “relacionamento intrapessoal” no dia de uma prova oral diante de uma banca, num processo seletivo de vaga para trabalho. Não significa que não soubesse do que se tratava, apenas desconhecia a terminologia. Agora, se isto não fosse a barreira, será que ela conseguiria tratar do tema com desenvoltura? Será que eu ou você, no lugar dela, conseguiríamos desenvolver à altura os conhecimentos sobre esse tipo de relacionamento? Ela não foi contratada, e suspeita não ter sido aprovada por falta desse conhecimento!!!

Quando soube sobre o ocorrido, percebi que valia à pena tratar do tema. Será que há desconhecimento do termo? Será que o desconhecimento vai além do termo? Ou, será que, independente do nome dado à coisa, a situação é dramática, no que tange ao termo? Trata-se, no fundo, de ter consciência do que se faz, como se age e como se beneficia a si e ao próximo com esse autoconhecimento, vivendo em sociedade.

Como resolver isso? Vale começar perguntando-se: do que se gosta; o que incomoda; o que proporciona conforto, ou desconforto, por que, e quando; quais são as próprias facilidades, ou dificuldades; qual a sensação gerada frente a um elogio ou a uma crítica; o que se sente diante do erro ou do acerto; diante de um banquete; diante de uma determinada pessoa; fazendo o que se faz; não fazendo o que não se faz, enfim.

As respostas encontradas durante esse tipo de reflexão, contribuirão para o alcance do sucesso nas várias áreas da vida. Quando a pessoa se dá a chance de pensar no tipo de relação estabelecida consigo mesma, deixa de viver como um barquinho impulsionado ao sabor do vento, quando solto no centro de um riozinho.

Empodere-se e inspire os demais a fazerem o mesmo!!