Revista Statto

UM ANO DESAFIADOR

16/11/2020 às 09h11

Esse foi um ano bem desafiador, mas também de muito aprendizado. Vejo momentos de crise como os mais propícios para os aprendizados mais profundos, pois “quando a água bate na b.… a gente aprende a nadar”.

Ficar mais tempo em casa e trabalhar em escala de revezamento me levou a ficar mais tempo com Victória (para pais que amam os livros, ver a filha começar a ler foi indescritível), a cuidar melhor da casa, a rever o relacionamento familiar e.…, definitivamente, me levou a olhar para a minha vida financeira. Uma frase ressoava em minha mente havia algum tempo “Se o salário não é suficiente, talvez você tenha um padrão de vida acima da sua realidade”.

Descobri que preciso de muito menos para viver, e que sou capaz de poupar para ter um futuro mais confortável. Fui levada a refletir sobre questões como:

“E se eu morrer quem pagará a escola da Victória”?

“E se o marido morrer como cuidarei de tudo sozinha”?

“Quais são nossos planos para o futuro”?

“E se o casamento não der certo? O que faremos”?

“Infidelidade financeira mina o casamento? O que é isso”?

E essa visão prática da vida que continua me levou a pensar mais sobre legado. É claro que ter patrimônio é importante, mas antes disso, saber cuidar do que é conquistado (educação financeira) é mais importante ainda, caso contrário, não seria realidade que mais de 33% dos ganhadores da loteria perdem tudo após alguns anos.

Descobri que a reserva financeira de 6 a 12 meses de gastos fixos é uma coisa, e carteira de investimento com aplicações de curto, médio e longo prazo é outra coisa. O rebalanceamento da carteira e a revisão de serviços é algo para se fazer uma vez por ano. Consegui rever despesas como plano de saúde, seguro de vida e consumo, e percebi como gastos sem planejamento minavam minhas finanças. A criatividade é sempre muito bem-vinda: se eu posso fazer uma festa de aniversário planejada em casa por mil, porque fazer no buffet por quatro mil? Tarifa bancária? Nunca mais. Inacreditavelmente, vi que setenta reais viram cem mil, e setecentos viram um milhão, com paciência e disciplina. Sim, viver de renda é possível, é o dinheiro trabalhando para você. No início, o movimento para mudar o que eu pensava sobre dinheiro era descomunal: acordava às quatro da manhã para estudar, pois era o único horário que eu tinha. Porém, com o passar do tempo, incorporei o assunto na rotina ao eliminar interesses agora sem sentido.

O mais difícil nesse processo é dar o primeiro passo.

E como falei de aprendizados profundos no início, retomo aqui com a descoberta mais simples e esclarecedora de todas: percebi internamente como o meu desejo colabora com o sentido externo da visão ao tentar me convencer que eu “preciso” de algo que vejo.  Nesse raciocínio minha atitude era realizar meu desejo, e não uma necessidade, ou seja, eu inventava uma necessidade, que era somente um desejo, o que sabotava meus planos. Isso me escravizava.

Muitas vezes vai parecer que você está na contramão: os amigos se endividando com a casa própria, viagens e o carro novo, e você desfrutando uma vida mais simples e guardando dinheiro para o futuro, mas é assim mesmo. “Enriquecer é uma questão de escolha”, Gustavo Cerbasi.

No final você encontrará sua tribo e sairá vencedor: fortalecido com a sua força de vontade e com um patrimônio em crescimento.

Isso significa você mais forte, uma sociedade mais forte, e um país mais forte.

Bora evoluir em corpo, mente e espírito.

Uma grande semana!

VOCÊ SABIA QUE POSSUI CAPACIDADE INATA E NATUREZA DIVINA?

02/11/2020 às 18h08

Era uma vez, um professor que trabalhava em uma escola distante, e todos os dias tinha que atravessar um cemitério. Um dia, por ter trabalhado até mais tarde, voltou à noite para casa. E ao passar pelo cemitério, caiu numa vala profunda e larga. O professor tentou sair, pulou, gritou, mas como viu que não conseguia e ninguém passava para ajudar, resolveu se sentar em um canto e esperar até o dia seguinte.

Passado um tempo, um outro homem caiu no mesmo buraco. Tentou sair, mas escorregava de volta para o buraco. O professor sentado no canto, vendo o sofrimento do homem resolveu dizer: “- Não vai adiantar, você não vai conseguir sair daqui”. O homem, imaginando tratar-se de um fantasma, ficou com tanto medo que deu um salto inacreditável, e conseguiu sair do buraco.

Moral da história: existe uma força adormecida dentro de nós, e por causa dela conseguimos realizar coisas inimagináveis quando passamos por dificuldades. Inclusive, eu acredito que é na dificuldade que realmente nos conhecemos, porque colocamos para fora o que tem dentro.

Isso me faz lembrar alguns desafios que passei em minha vida como: depressão, desemprego, solidão, doença e morte de ente querido, separação, tristeza, desafios no casamento, maternidade…

E também me lembro como consegui vencê-los e conviver com eles. Com certeza você nesse momento pode se lembrar de algum desafio superado, e recordar que conseguiu ver uma saída para algo que acreditava ser insolúvel.

Buda afirma “que todos os seres sencientes possuem natureza búdica”, ou seja, tem o conhecimento necessário para se tornar um ser iluminado como Ele. Entretanto, acabamos apegados a pensamentos materialistas e caímos nas armadilhas das nossas sementes cármicas. Ou seja, fico acomodada em minha situação atual colocando a culpa em pessoas ou fatores externos, presa nos desejos e na ignorância de mim mesma, ou simplesmente não consigo escutar a voz da consciência e intuição. Nesse último caso, existe um ditado chinês que diz: “Reconhecer os ladrões como pais”, isto é, eu acabo seguindo os ladrões (meus desejos) e não a consciência.

Esses ladrões seriam de dois tipos: os internos representados pelos nossos desejos, emoções e conhecimentos enraizados, e os externos representados pelos nossos cinco sentidos (audição, visão, olfato, tato, paladar).

O que acontece na prática é que ficamos presos nessas vibrações e pensamentos produzindo sementes cármicas negativas. Isso explica alguns comportamentos e sentimentos nocivos que não conseguimos mudar, e muitas vezes nem admitir que possuímos como:  preguiça, gula, egoísmo, maldade, ciúme, inveja, rivalidade, competição, narcisismo, ódio, raiva, traição, e tantos outros.

O sexto patriarca, mestre do zen budismo, dá um exemplo muito simples sobre como chegar a nossa verdadeira essência: assim como as nuvens cobrem os raios do sol e precisam do vento para dissipá-las, nós precisamos do conhecimento da Verdade para nossa iluminação”.

O primeiro passo para isso é o reconhecimento de nossa natureza búdica. E depois precisamos trilhar o caminho da Verdade, para assim manter atitudes corretas e afastar pensamentos falsos e dúvidas enraizadas.

Sempre me pergunto: mas COMO trilhar esse caminho efetivamente e na prática no dia-a-dia? Como sair desse círculo vicioso e plantar sementes cármicas positivas? Algo que me chamou a atenção após começar a estudar a vida de seres iluminados foi que eles são solitários. Não existe iluminação em grupo. Cada ser trilha o seu caminho. Cada ser nasce e morre sozinho. Cada ser carrega seu fardo e seus aprendizados, e ninguém pode fazer o meu caminho por mim. Isso significa sair do rebanho, e assim, ser banido.

O oposto da solidão é a multidão. Por isso, cito a psicologia de massa de Freud e Reich, situação em que o ser perde sua individualidade, e passa a agir conforme o rebanho, sem pensar, pois, a massa possui capacidade intelectual reduzida e necessita das ilusões, das imagens fortes e dos exageros. Ela tem sede de seguir um senhor. Essa situação é visível através de greves, guerras, exército, governos, igrejas, movimentos sociais, sejam virtuais ou reais. Eles retiram você do caminho, pois não possuem como objetivo a evolução. Pelo contrário, eles objetivam utilizar a sua energia e o seu corpo para um fim egoísta de controle, de poder. Se os líderes estivessem realmente interessados na evolução do ser humano, seriam os primeiros a se despojarem do poder. Isso não significa que o líder é o culpado pelo meu destino, pois a responsabilidade da vida é minha, assim como o corpo é meu.

É muito difícil aceitar, mas cada ser “escolhe” (mesmo que limitado pelo país, cultura, costumes, corpo físico e até pelas sementes cármicas do passado) o que quer cumprir nessa etapa.

Quando eu escolho me cuidar, me alimentar bem, fazer exercício, cuidar da saúde mental, ser proativo na sociedade, eu não ajudo somente a mim mesmo, mas a minha família, a cidade onde moro, o patrão que me emprega, o Estado, o país, o mundo. Entretanto, o contrário também é verdadeiro. Eu quero dizer que as nossas escolhas têm reflexos uns nos outros. E ao refletir, descobri que estou no local certo, na hora certa, e com as pessoas certas, pois elas são as ferramentas perfeitas para a minha superação e ascensão nessa caminhada.

Lembre-se: você possui capacidade inata e natureza búdica. O que um ser humano conseguiu realizar, você também consegue. Inspire-se em grandes almas e muito boa sorte!

Eu desejo muita inspiração divina no seu caminho!

UM SENTIMENTO DE REJEIÇÃO

19/10/2020 às 19h10

Quando vejo uma criança berrando na companhia dos pais irritados puxando a criança pela mão me lembro de Elisa, e um sentimento de compaixão invade a minha alma.

O comportamento social era estressante. Ela não conseguia se relacionar com as crianças de forma igual. Não havia reciprocidade. Ela não fazia contato visual, não conseguia travar um diálogo com seus pares, enfileirava os brinquedos.

Se recusava a vestir o uniforme, jogava a comida no chão, não queria tomar banho, se recusava a fazer a tarefa, mordia os amigos na escola, se jogava no chão quando o pai ia buscá-la, era agressiva.

Elisa era mandona nas brincadeiras. Apontava o dedo quando queria mostrar alguma coisa, e pegava na sua mão para te levar até o que desejava.

Os olhares de reprovação eram sempre para mim, afinal eu não dava limites para essa criança, filha única, sabe como é né? Manda nos pais, mimada.

Ela ficava muito desconfortável em locais cheios e barulhentos. Se incomodava com etiqueta de roupa, e coisas simples como cortar as unhas e lavar o cabelo.

Eu sempre perguntava ao pediatra: “Doutor, ela é muito agitada, é assim mesmo”? “Quando ela crescer passa” – ele dizia.

Na primeira consulta quando ela entrava correndo na sala o médico sempre perguntava: “Ela é sempre assim”?

O pediatra ao vê-la com o dedo na boca disse: “Criança que chupa o dedo não presta”. Na hora lembrei de um irmão que chupava o devo: inteligente, duas faculdades, bem-sucedido, tem família, filhos e amigos. Não tinha nada de errado com ele. Mudei de médico sem saber que isso se chama estereotipia.

Ela se distraia com tudo. Impossível realizar tarefas sem um adulto no comando.

Os brinquedos chamavam mais sua atenção do que as pessoas ao redor.

Eu já havia percebido que o amadurecimento dela era mais demorado em comparação às crianças da sua idade.  Ela é mais infantil.

Aos quatro anos ela teve dois desmaios em um intervalo de 4 meses, foi internada para exames e nada, tudo normal. Era estresse. Falta de diagnóstico.

Ela é extremamente franca. Muito pura, não enxerga malícia, não entende piadas, somente o sentido literal das coisas.

É bastante apegada à rotina.

Perto dos cinco anos começou a acordar em pânico no meio da noite, sem nos reconhecer ou saber o que estava acontecendo. Chamado de terror noturno. Diagnosticado como epilepsia.

Em uma viagem à cidade vizinha com o pai surtou no caminho se debatendo no carro, chorando e chamando a mãe desesperadamente.

Nas férias, após passar por uma situação de alteração de rotina ficou extremamente estressada, e chegou a passar mal, vomitou e quase desmaiou. Após relatar os fatos a   psicopedagoga que a acompanhava veio a sugestão de procurar um neurologista especialista em desenvolvimento cerebral infantil.

Com certeza havia algo muito errado. E tivemos o verdadeiro diagnóstico: Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Sono, e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Após período de luto, porque um diagnóstico desses não é fácil de ser ouvido para uma mãe, iniciamos o tratamento com medicamentos, terapia ABA (Applied Behavior Analysis) e adequação de rotinas.

Embora desafiador, o diagnóstico e o laudo médico nos deram abertura para escolher novas possibilidades para o pequeno ser, que hoje está infinitamente melhor.  A questão é que a falta do diagnóstico precoce pode estar no futuro associado a situações mais graves como fobia social, transtorno do pânico, transtorno bipolar, transtorno opositor desafiador, depressão, suicídio, vícios, e muitas outras comorbidades associadas ao TEA.

Ninguém escolhe ser assim, e nem os pais tem culpa. É tanto genético quanto hereditário. O motivo do tratamento precoce é preventivo.

Sabe aquele colega de trabalho estranho, antissocial ou inadequado, tímido ou expansivo demais, com problemas de relacionamento, com insônia, inteligente, que começou três faculdades e não terminou nenhuma? Pois é, pode ser que esse “ser de outro planeta” simplesmente se comporte dessa maneira porque não consegue se expressar de outra forma.

A criança com TEA precisa principalmente de você pai e mãe, do seu amor incondicional, que a fará sentir-se amada do jeito que é, e assim ela aceita suas diferenças. Muitas transformações podem surgir dessa compreensão.

Independe da situação que se encontre, ou do motivo que o levou a ler esse artigo, acredite, tudo vem para nossa evolução em corpo, mente e espirito.

Um Grande Abraço Azul!