Revista Statto

FANTASMAS DO PASSADO: A PRESENTIFICAÇÃO DA DOR EMOCIONAL

20/11/2020 às 13h56

Indivíduos que desenvolveram algum trauma, apresentam bloqueios emocionais, onde a marca principal é o aprisionamento de memórias dolorosas, impedindo a presentificação da vida e consequentemente repercutindo na saúde psicofísica do indivíduo. Em outras palavras, no trauma, a experiência é bloqueada, sendo vivenciada e presentificada recorrentemente de forma intrusiva no cotidiano da pessoa, como se o evento tivesse ocorrido naquele mesmo dia, com toda a carga psicossomática, vivendo o indivíduo preso em uma armadilha dos fantasmas de suas vivências mal elaboradas.

A revivescência do trauma é a própria presentificação da dor visceral e lancinante.

Por este motivo, ressalto a importância do reprocessamento dos conflitos internos e dores emocionais através da reorganização de um sentido destas memórias aflitivas e emoções disfuncionais, objetivando reconquistar a homeostase psíquica, a reorganização do ser, a reestruturação cognitiva do trauma objetivando a dessensibilização e ressignificação destas dores emocionais. A importância da ressignificação consiste em observar e sentir o acontecimento traumático de um outro ponto de vista, de uma outra perspectiva através de um trabalho psicoterapêutico.

Há dois tipos de traumas emocionais: aquele pontual, mas devastador. Contudo, tem outro tipo de trauma que, embora de pouca intensidade, vai se sedimentando pouco a pouco e resultando na formação de uma lesão emocional profunda resultante de situações estressogenas sobrepostas e mal elaboradas dia após dia, mesmo sem que haja a percepção deste fato.

Não importando o tipo de trauma, o trabalho psicoterapêutico, através de suas técnicas transforma a areia da concha em pérola, aproveitando uma experiência de sofrimento devastador em fortalecimento da autoestima, na promoção do autodesenvolvimento e no fortalecimento da resiliência para que nos tornemos mais preparados diante das adversidades da vida.

Trabalhar a dor não é uma tarefa fácil. No entanto, este processo libera dores presentificadas e resistências, exorciza fantasmas, tornando-nos mais conscientes de nossa capacidade de superação e fortaleza.

O PSICÓLOGO E SUA INTERVENÇÃO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE E DO BEM-ESTAR

13/11/2020 às 09h15

O psicólogo é um profissional da saúde habilitado e com inscrição na Ordem dos Psicólogos, possuindo conhecimento e domínio de competências especificas para trabalhar determinadas queixas ou necessidades apresentadas por indivíduos, grupos e organizações, tendo como objetivo a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar psicobiofísico, social, relacional e espiritual do paciente ou cliente.

Seu trabalho abrange todas as esferas da vida: individual, familiar, profissional e social, e em todos os contextos e fases do desenvolvimento humano: infância, adolescência, adultez e velhice, bem como em situações especificas de prevenção e de crise já deflagrada.

A intervenção profissional do psicólogo e seu campo de atuação especifico englobam condições de reabilitação, prevenção, diagnose e suporte psicológico em diferentes situações e contextos, sejam estes individuais ou comunitários, utilizando instrumentos específicos de avaliação, tais como os testes e técnicas psicológicas, dentre outros.

Algumas atividades psicológicas podem também ser desenvolvidas online através do e-mail, msn e skype. Para este fim, o psicólogo, em seu site de atendimento online, deve apresentar o selo do Conselho Federal de Psicologia. Portanto, sites de Psicologia que não apresentam o selo do CFP não podem realizar procedimento online.

Atuação:

O psicólogo atua nas áreas clínica, social e comunitária, organizacional e do trabalho, hospitalar e da saúde, jurídica, escolar e educacional, bem como em ensino e pesquisa em Psicologia. Um dos pontos de atuação do psicólogo de relevante importância trata-se da psicoeducação e psicoprevenção e o trabalho realizado na construção de políticas públicas que beneficiem a comunidade. Em vista disto, o psicólogo tem papel fundamental na promoção da saúde e do bem-estar em contexto individual e social.

Quando procurar o psicólogo?

Diante de uma problemática na vida do indivíduo, via de regra, o psicólogo é o último a ser procurado.

Culturalmente, existem algumas crenças que permeiam a figura do psicólogo, tais como: “quem procura um psicólogo é porque não é normal” ou “a pessoa não tem a capacidade de resolver os seus próprios problemas”, sendo, portanto, classificada como pessoa “incompetente”, conflituosa, problemática, frágil ou com poucos recursos internos.

Hoje, este panorama já está começando a mudar e as pessoas percebem até mesmo como condição de status frequentar um psicólogo. Na realidade os motivos deveriam ser outros, como o autoconhecimento, por exemplo.

Outra questão que dificulta a “cultura do psicólogo” é que a acessibilidade deste profissional é restrita a alguns grupos sociais com determinadas condições socioeconômicas.

Infelizmente boa parte da população não tem condições econômicas de ser acompanhada por um profissional da Psicologia, mas com certeza, todos precisamos, visto que o interessante seria mesmo um trabalho preventivo, além do autoconhecimento para uma vida mais satisfatória e feliz e não apenas quando o problema já foi deflagrado. Infelizmente não temos (ainda) uma cultura preventiva no tocante às questões psicológicas.

Em quais situações um psicólogo pode ajudar?

O profissional da Psicologia possui qualificação profissional dentro do âmbito de sua competência para ajudar em:

Problemas emocionais e afetivos;

Traumas;

Dificuldades interpessoais e de relacionamento;

Recursos para desenvolvimento da resiliência;

Orientação psicológica;

Aconselhamento psicológico; – Distúrbios psicológicos ou psiquiátricos tais como: transtornos de ansiedade, depressão, fobias, síndrome de estresse pós-traumático, distúrbios alimentares.

Problemas de aprendizagem e inclusão escolar;

Dificuldades na escolha profissional;

Dificuldades familiares;

Problemas e dificuldades concernentes a fases especificas do desenvolvimento humano, tais como a adolescência, senescência, etc e seus desafios;

Problemas e dificuldades em momentos específicos da vida tais como matrimônio, nascimento de filho, viuvez, aposentadoria;

No tocante ao aconselhamento psicológico, gostaria de ressaltar que o psicólogo não toma decisões pelo paciente, mas avalia, questiona e proporciona através da reflexão e percepção diante das possibilidades que se apresentam, bem como de suas consequências, o que este deseja para sua vida e o que é melhor para si. Em vista disto, o próprio paciente faz suas escolhas e se responsabiliza por estas.

Caso você tenha se identificado com algum item acima, seria interessante procurar um psicólogo.

Email: [email protected]

“Ter uma consulta psicológica não é o mesmo que conversar com um amigo”

Além de ter qualificação teórico-técnica, o psicólogo se orienta de acordo com os pressupostos do código de ética profissional, observando e respeitando as normas e regras deontológicas que regulam a profissão, tendo como premissa básica a seriedade, a pontualidade, o respeito e o profissionalismo que balizam o fazer psicológico.

Através de técnicas especificas, o cliente ou paciente resolve a problemática ou queixa que o levou a procurar um profissional da Psicologia, além de proporcionar e viabilizar uma melhor compreensão e percepção de si mesmo e do mundo que o cerca, promovendo seu autoconhecimento e crescimento em todas as esferas da vida, desenvolvendo a própria autonomia e auto estima, e portanto favorecendo mudanças positivas em sua vida.

CARACTERÍSTICAS E SINAIS DE RELACIONAMENTOS ABUSIVOS

11/10/2020 às 16h42

 

Quando nos apaixonamos, tudo parece mágico. Quando vemos a pessoa amada, o coração bate mais forte, as borboletas se multiplicam no estômago e sentimo-nos ao mesmo tempo frágeis e fortes, capazes de tudo para conquistarmos a pessoa amada; o mundo é nosso e o universo cabe na palma de nossos sentimentos.

No início, quase sempre tudo são flores e, sendo assim, é esperado que no estágio inicial de um relacionamento, tenhamos a tendência a idealizar a pessoa amada e não perceber os seus defeitos.

Aqui cito alguns exemplos que podem configurar uma possível percepção distorcida, muito comum quando estamos apaixonados:

“Ela não é controladora, apenas não quer me perder”.

“Ele não tenta me isolar socialmente, quer apenas mais tempo de privacidade comigo”.

“Ela não cultiva o diálogo, porque afinal de contas, o amor fala mais alto e não só com palavras podemos dizer ao outro o quanto o amamos”.

“Ele não é agressivo, apenas teve um dia pouco favorável; depois tudo muda, ele volta “ao normal”, me manda flores e me faz um convite para um jantar romântico”.

“Ela faz aquela confusão porque você se atrasou, mas logo pede perdão, diz que te ama e que estava na TPM, te prometendo de “pé-junto” que a cena não vai se repetir.”

Relacionamentos interpessoais são complexos e um aprendizado constante. Muitas das características citadas acima podem fazer parte de qualquer convívio. Para a saúde de um relacionamento acontecer, as partes envolvidas devem assumir a responsabilidade por suas atitudes, sempre revisitando as possíveis causas dos desajustes e refletindo quanto a melhor maneira de manter o equilíbrio e aprender com os erros. Uma relação é um “contrato” feito por duas ou mais pessoas, onde a atitude de cada um não deve ultrapassar os limites do bom senso e do equilíbrio. É o dar e o receber afeto e companheirismo, pois, do contrário, o prognóstico relacional não é bom, e as chances das estruturas ruírem e das pessoas se machucarem são factíveis.

Sendo assim, esteja atento a estes sinais a seguir. Eles objetivam dar uma luz para você verificar se está (ou não) em um relacionamento toxico:

Te hostiliza e/ou humilha

Ele(a) deprecia o que você faz, não reconhece seus esforços e tenta te colocar em uma situação de inferioridade em relação a ele(a). Isto porque a pessoa que abusa normalmente teve uma história de abuso e maus-tratos, tendendo a reproduzir o mesmo em seus relacionamentos.

Extremamente ciumento, controlador e possessivo

Tudo que é extremo não é normal, não se tratando de comportamento protetivo, e sim possessivo. O tipo ciumento excessivo vai procurar bilhetinhos, vasculhar o celular para verificar alguma mensagem inapropriada, seguir a pessoa, etc. Estes são sinais de que seu relacionamento está doente, pois a base de qualquer convívio é a confiança. Se você não confia no seu parceiro, tem algo de errado; vale a pena trabalhar este aspecto.

Utiliza-se de ameaças quando você subentende ou diz claramente que vai terminar o relacionamento

Pessoas controladoras e manipuladoras indubitavelmente são imaturas, egoístas e de baixa autoestima. Toda relação manipuladora pode ser preditiva de prejuízos maiores, portanto, fique atento(a) quando ele(a) não respeitar sua decisão em por um ponto final na relação. Birras, chantagens emocionais, agressões psicológicas, morais e até físicas, infelizmente, podem fazer parte do repertório do abusador(a).

Utiliza-se de chantagem emocional ou intimidações mesquinhas para conseguir o seu intento

Pessoas com perfil abusador em um primeiro momento geralmente são generosas, apresentando disponibilidade até mesmo para resolver seus problemas. No entanto, isto pode não passar de estratégia para mascarar as possíveis reais intenções: conhecer suas fragilidades. Estas vulnerabilidades poderão ser utilizadas contra você no momento certo. Portanto, não confie nas pessoas em um primeiro momento. Lembre-se do antigo ditado popular: “Para conhecer uma pessoa temos que, pelo menos, comer 1kg de sal com ela”.

Tenta te convencer que você está ficando louco(a), para ter razão

Mesmo que não tenha razão, a pessoa com perfil abusivo irá tentar provar de todos os modos que ele(a) está com a razão, nem que para isso diga que o parceiro perdeu a capacidade racional. Além disto, se faz de vítima, fazendo o outro sentir-se culpado diante das situações que geraram o conflito.

Te afasta de amigos e familiares, reduzindo e empobrecendo seu universo relacional e sua vida social

É muito importante trabalhar a autoeficácia e independência, emocional e, principalmente, financeira. Nunca dependa do outro para tudo. Em relacionamentos abusivos, a redução da vida social tem o propósito de aumentar o controle e a manipulação contra você.

Não tem o hábito de cultivar o diálogo, e diante deste se “altera” com facilidade

Quando um dos parceiros procura o outro para discutir a relação, pode ser o estopim para uma briga. Isto deriva do fato de que uma pessoa com perfil abusador não vai querer de forma alguma que suas falhas ou defeitos sejam apontados. Eles sempre procuram reverter a situação a favor deles, mas quando o aspecto “negativo” se torna plausível, eles “perdem a cabeça”. Sendo assim, evitam discutir a relação, pois isto ameaçaria tirá-los do comando ou controle da situação.

Apresenta arrependimentos transitórios, prometendo mudanças comportamentais que dificilmente se cumprem

Mudança de hábitos é algo que não acontece repentinamente, sendo necessário trabalho e envolvimento da pessoa para a modelagem de novos comportamentos.

Importante:

Não existe relacionamento sem conflitos, já que as pessoas são diferentes. Além disto, nas dinâmicas relacionais, entram em jogo muitas questões, como uma dose de ciúme que nos faz sentir amados, aquela preocupação e atitudes protetivas que traduzem acolhimento.

As discussões, quando acontecem, devem sempre objetivar um ponto de encontro para o diálogo e o crescimento do casal.

Mas quando o respeito deixa de existir, é hora de repensar a relação, pois este é o campo fértil não somente para a violência física, tão combatida no nosso meio social onde a maior parte das vitimas são, inquestionavelmente, as mulheres, mas existe também outros tipos de violência, tais como: a psicológica, a patrimonial, o preconceito de gênero, a violência moral e a sexual. A terapia de casal é muito indicada, mas caso perceba que a relação chegou ao limite, medidas institucionais devem ser tomadas.

NASCIMENTOS SÃO FACTÍVEIS, MORTES SÃO IRREMEDIÁVEIS E RENASCIMENTOS SÃO IMPRESCINDÍVEIS

04/10/2020 às 09h57

Nascimento, morte e renascimento são um único processo dentro de uma mesma vida. Nossas experiências, vivências, emoções e sentimentos não estão somente em nossa memória recente, mas também naquela mais profunda e que interconecta consciente e inconsciente.

Morremos e renascemos muitas e muitas vezes. O que era apropriado e atribuído por nós como legítimo, muitas vezes não espelha mais nossas convicções e não se alinha no momento com nossas necessidades existenciais. E então, precisamos florescer das cinzas para criar novos direcionamentos, novas razões, sentidos e propostas. Em outras palavras, para criar e apoderar-se de uma nova vida, aquela que desejamos.

Cada dia é um recomeço, em que nos é dada uma nova oportunidade de fazermos diferente. Este é um momento de reflexão sobre a nossa vida, para nos desvencilharmos do que nos prejudica, nos causa sofrimento, dor ou pesar.

Desapeguemo-nos de tudo aquilo que não nos valoriza, pois apego é causa de muito sofrimento. Deixemos partir aquilo que não nos corresponde; que não é mais ou porventura nunca foi. Não precisamos carregar conosco o que é morto, deteriorado, passado e (ultra)passado. A vida é rica e com novas raízes vem novas flores, novos perfumes e outros ornamentos.

Nascimentos são factíveis, mortes são irremediáveis e renascimentos são imprescindíveis.

Em nossa fragilidade existencial, atualizações sempre resultam em um certo estranhamento com relação ao que um dia fomos, de nossas antigas escolhas, atitudes e comportamentos do passado. Isto porque vida é feita de pequenos paradoxos que se complementam harmonicamente: construção e desconstrução; chegada e partida; começos e términos; atividade e contemplação, o eterno retorno de tudo o que existe. O vazio e a completude, o tudo e o nada característico da condição humana.

As coisas vão se transformando, e o “destino” também, pois somos seres infinitos como parte integrante do universo que é vida em movimento. Tantas vezes nos surpreendemos com nossa mudança de rota de tudo o que era certeza absoluta.

Quais certezas carregamos conosco se as coisas são mutáveis, inclusive nós mesmos?

SOBRE A PAZ QUE DESEJAMOS

28/09/2020 às 09h02

Para a paz que desejamos, estamos de fato fazendo a nossa parte ou querendo a nossa parte?

Durante o processo de subjetivação da humanidade, o homem buscou a paz nas contingencias do mundo, no que este pode oferecer para proporcionar bem-estar e harmonia. Mas, estamos oferecendo o nosso contributo para essa paz que queremos?

Tudo o que ocorre no mundo externo é uma projeção do nosso mundo interno. Na prática, não existe uma separação entre interno e externo, entre individual e coletivo. Vivemos uma dicotomia acreditando que tudo é separado. Na realidade, todas as questões sociais que perpassam a humanidade são a manifestação, a “materialização” de nossos conteúdos, de nossas questões e de nossos conflitos. A paz, como qualquer outro aspecto, deve ser compreendida como processo interrelacional, onde existe interligação entre fatos e pessoas, de como somos e estamos no mundo e de suas manifestações.

A questão crucial é que jamais encontraremos a paz fora de nós, pois esta nasce de um movimento interno e se manifesta em nossas relações a partir das contribuições que fazemos para a materialização da proposta de mundo que desejamos. No entanto, sempre “nadamos contra a maré” da verdadeira paz. Ainda não a vivenciamos, pois o “eu quero”, o “eu sou”, o “eu tenho” e todo o movimento do ego que dissocia o homem do próprio homem é gerador de conflitos e isto não é um fenômeno social atual. Em seu percurso existencial, o homem sempre apresentou atritos de todas as espécies, sendo observados comportamentos e condutas característicos geradores de contendas em qualquer época, cultura, território ou espaço social e por motivos vários. Sempre houve conflito, o homem nunca soube viver em paz, embora deseje a paz.

Reflexão transmutativa:

Ultimamente observa-se um processo crescente de espiritualização, contemporaneamente a tanto egocentrismo. Estamos de fato nos espiritualizando ou se trata apenas de uma “persona” social para maquiar o mal-estar generalizado Estamos de fato fazendo a nossa parte ou apenas querendo a nossa parte? Não precisamos somente dar um sentido de paz à nossa vida, mas sobretudo encontrar um sentido de paz no mundo em que vivemos, oferecendo o nosso contributo, pois como disse Mahatma Gandhi: “Seja você a mudança que deseja ver no mundo“.

E como tudo é uma construção, para a paz não é diferente.

REJEIÇÃO, A DOR MAIS INTENSA: COMO ENFRENTÁ-LA E SUPERÁ-LA

23/09/2020 às 18h20

Desde a mais tenra idade, o sofrimento emocional vez ou outra nos (re) visita. As dores emocionais mais comuns são: a rejeição, decepções, frustrações, mágoas, ressentimentos, dentre outras. Estas experiências fazem parte da condição de todo ser humano, sendo a meu ver a rejeição a dor mais intensa e profunda.

A dor emocional é um mecanismo de defesa, é um processo natural para o fortalecimento da própria resiliência. Quando o padecimento nos bate à porta temos três escolhas: fugir, enfrentar ou estar no limbo, sem nada fazer e sem nada mudar. E você, tem fugido, enfrentado ou permanecido no comodismo de suas dores emocionais? Fugir e permanecer no limbo são as piores opções. O primeiro passo para sua superação é o seu enfrentamento.

Como enfrentar a dor da rejeição?

O discurso de uma paciente X diz muito sobre o processo de conscientização e enfrentamento desta dor:

Alguma coisa quer gritar aqui dentro de mim; me sufoca, esbraveja, se revolta, se contorce. Não consigo compreender toda essa angústia. Acho que vou explodir. Existe algum remédio para essa dor”? Indagou-me a paciente sobre o processo delicado que estava vivenciando.

Naquele discurso coabitavam sentimentos dolorosos, conflitos sufocados e incontidos, a busca por um lenitivo, por uma saída, uma espécie de parto daqueles sentimentos reprimidos que vinham à luz. E onde se busca lenitivo existe dor. E no caso especifico, era a dor emocional incontida e cortante, que ultimamente se expressava também em constantes dores de cabeça e em outros pontos específicos de dor corporal, bem como em noites mal dormidas. Isto porque estruturas cerebrais responsáveis pelo mecanismo da dor física são as mesmas estruturas envolvidas com a dor emocional, não existindo separatividade anatômica. Em outras palavras, uma dor física pode desencadear uma dor emocional e vice-versa.

Especificamente no que concerne à dor da rejeição, esta não é um processo fácil. Isto porque as feridas emocionais que ocasionaram estas dores podem ser profundas, fazendo parte da história de vida do indivíduo. Quando adultos, diante de situações de rejeição, evocamos experiências passadas mal cicatrizadas, muitas vezes relegadas ao esquecimento através de mecanismos psíquicos de defesa, tamanha a dor. Vale à pena salientar que algumas vezes é a percepção de rejeição que ocasiona esta ferida emocional e não a rejeição em si. A percepção do não se sentir aceito, amado ou benquisto durante o processo de estruturação infantil pode ocasionar sentimentos de desvalorização e desamor, o que irá dificultar sobremaneira nos relacionamentos interpessoais futuros. Quando a dor não é elaborada, ela torna-se mais viva que nunca.

Como superar a dor da rejeição?

Somente aliviar a dor não é o suficiente, mas aprofundar em seus conteúdos, em suas raízes, na matriz geradora; este trabalho nem sempre é fácil e geralmente é doloroso, mas imprescindível para a cura, respeitando sempre o limiar de dor emocional de cada um. Neste contexto, trabalham-se aspectos estruturantes da autoimagem e autoestima, bem como suas ressignificações através de técnicas psicológicas específicas.

Sentimentos mal elaborados não desaparecem espontaneamente, mas buscam um meio de expressão. Uma comparação muito pertinente é quando jogamos a sujeira para debaixo do tapete. Quando a escondemos ou a negamos, a sujeira não desaparece, muito pelo contrário, se acumulará, chegando a um ponto em que não poderá mais ser contida. O mesmo acontece com o nosso corpo quando negamos, escondemos, postergamos ou não enfrentamos nossos incômodos. Esta postura dificulta o trabalho das dores emocionais pendentes. Em contrapartida, estas irão buscar meios de expressão “ilícitos” e os preferidos serão as doenças psicossomáticas, dos mecanismos de defesa do ego e do escapismo para anestesiar a dor.

Não jogue sua dor emocional para debaixo do tapete“, pois o que você nega ou esconde cria vida e força; o que você traz à luz através do trabalho de autoconhecimento, de conscientização de suas próprias fragilidades, é o caminho seguro para uma melhor qualidade de vida, saúde, equilíbrio, harmonia, paz interior e bem-estar. Negar ou esconder a dor emocional é uma postura infantilizada, pois a criança acredita que fechando os olhos, o que ela vê deixa de existir. Deste modo, a melhor forma de enfrentar a dor da rejeição é encarando-a de frente e fortalecendo a autoestima e o amor próprio. Sinceramente, não há outro caminho.

RELAÇÃO ENTRE ESTRESSE E CORTISOL: ACELERAÇÃO DO ENVELHECIMENTO E EXCESSO DE PESO

12/09/2020 às 14h09

O estresse crônico libera altas taxas de cortisol, sendo uma das causas do envelhecimento precoce, inclusive prejudicando no processo de emagrecimento. Além disto, cortisol em excesso provocado pelo estresse é a causa do famoso “branco” em alguns alunos no momento de exames escolares. Saiba aqui o que é o estresse, como ele age, o que provoca no organismo e quais estratégias de enfrentamento utilizar para uma melhor qualidade de vida.

O cortisol ativa respostas do corpo ante situações de emergência, transmitindo impulsos nervosos ao hipotálamo para ajudar na resposta física aos problemas, aumentando a pressão arterial e o açúcar no sangue, propiciando, portanto, energia muscular para a fuga. Por este motivo, o cortisol é chamado de hormônio do estresse. Em proporções normais, este hormônio é fundamental para o bom funcionamento do corpo, melhorando a capacidade integrativa do organismo com o meio, bem como buscando restaurar a homeostase, ou seja, o equilíbrio interno após um evento estressante.

Embora o cortisol seja necessário em nosso organismo, quando este se encontra em excesso no sangue, poderá causar danos à saúde. No caso de estresse prolongado, o organismo terá seus processos fisiológicos desregularizados, podendo causar aumento do risco de: obesidade, hipertensão, diabetes, infarto, derrame, aumento do colesterol, pressão alta, elevados índices de triglicerídeos, imunossupressão (sistema imunológico baixo), alteração dos padrões de sono, dores musculares, fibromialgia, depressão, entre outros. A exposição a longo prazo ao cortisol resultará na danificação das células do hipocampo, levando a diminuição da capacidade de aprendizagem e colocando em risco os sistemas de cognição.

Qual a relação entre níveis de cortisol e estresse?

O estresse se caracteriza como um quadro externo que altera o estado fisiológico de equilíbrio de um organismo, causando disfunções em diversos sistemas do corpo, entre eles, o circulatório, o nervoso e o endócrino.

Podemos ter dois tipos de estresse: o físico e o mental

O estresse físico é aquele que agride de alguma forma a estrutura fisiológica do corpo humano. Por exemplo: exercícios físicos desregularizados ou supressão alimentar prolongada. No caso do estresse mental, o desequilíbrio ocorre através da elevação da atividade cerebral e no aumento de neurotransmissores que aumentam o estado de vigília do corpo, propiciando o estado de alerta. Vale a pena salientar que o estresse físico e mental está intrinsecamente relacionado.

Uma vez que o estresse é pontual, superada a questão, os níveis hormonais e o processo fisiológico voltar à normalidade, mas quando este se prolonga, os níveis de cortisol no organismo disparam, causando, como relatado anteriormente, inúmeros danos à saúde, dentre eles, a memória.

Através deste mecanismo de regulação, explicamos o famigerado “branco” que os alunos têm antes das provas, que sob pressão do estresse não se lembram da questão, mas que depois da prova, vem à tona todos os conteúdos momentaneamente esquecidos.

A relação entre estresse e cortisol é tão grande, que é possível medir o nível de estresse através da taxa de cortisol na saliva. No entanto, o exame mais comum para detectar sua taxa é o de sangue, sendo feito pela manhã.

Emagrecimento e Estresse:

Diante de situações estressantes prolongadas, o que é caracterizado pelo estresse crônico, o organismo vai acumular açúcar no sangue para prepará-lo para a fuga ou luta. O cérebro traduz a informação de que existe uma ameaça ambiental e por este motivo, o açúcar deverá ser acumulado e transformado em tecido adiposo, principalmente na região abdominal. Por este motivo, quem vive constantemente sob pressão psíquica, não consegue obter bons resultados no processo de emagrecimento, devido ao açúcar constantemente liberado na corrente sanguínea.

Envelhecimento precoce e estresse:

O envelhecimento é um processo normal e faz parte do ciclo de desenvolvimento humano, iniciando-se em torno dos 25 anos, quando começa a diminuição hormonal. O processo de envelhecimento cutâneo é multifatorial e podemos enumerar: fatores genéticos, ambientais, estilo de vida, etc., no entanto, estresse prolongado aumenta o nível de cortisol no sangue além do normal, provocando a oxidação celular que vai produzir radicais livres. Portanto, para ter um envelhecimento saudável, é necessário rever o estilo de vida e saber administrar o estresse. Altas taxas de cortisol é um vilão quando o assunto é rejuvenescimento cutâneo.

E agora, que sabemos um pouco sobre o cortisol e sua relação com o estresse, eis o ponto mais importante, ou seja, o prático: como fazer para equilibrar o nível de cortisol no sangue?

Para termos nosso equilíbrio bioquímico, psicofisiológico e hormonal, é imprescindível adotarmos uma conduta de vida mais harmoniosa seja no campo físico ou mental. Alguns fatores deverão ser evitados, outros, estimulados. Devemos procurar desenvolver uma conduta mais positiva e saudável perante a vida, procurando o autoconhecimento, revendo nossos hábitos e resolvendo nossas questões pessoais e relacionais que são geradores de estresse. Fique atento aos sinais que seu corpo emite, pois, o sintoma é a linguagem do corpo. Caso perceba que existe algo errado, procure um médico.

Fatores que devem ser evitados:

Privação de sono, exercício físico intenso, fome prolongada (dietas feitas por conta própria, sem acompanhamento profissional), dieta com grande restrição calórica (ocasiona diminuição da massa muscular corporal) e excesso de cafeína.

Fatores que devem fazer parte do nosso cotidiano:

Consumir proteína magra, praticar exercícios físicos (sempre com acompanhamento profissional), ter uma boa noite de sono, fazer caminhadas ao ar livre, meditação, musicoterapia, técnicas de respiração, massoterapia e ioga são bastante recomendáveis. Importante ter uma alimentação rica em Ômega 3 (encontradas nos peixes como o salmão e o atum), incluir também magnésio, vitamina C, fosfatidilserina na dieta e fazer psicoterapia.

PARA REFLETIR: Mude sua filosofia de vida, procurando entender a causa do seu estresse. Não existe cura sem mudança interior. Portanto, reveja seus hábitos, pois recursos paliativos não resolvem o problema.

DISSECANDO A ALMA FEMININA

02/09/2020 às 08h30

Mulher…

Teia da vida que fia retalhos prateados que nos une ao transcendental. Mulher, portadora do cálice da vida em seu ventre, gineceu que recebe a semente, e que acaricia e envolve em seus fulcros internos o estofo do calor da vida que se oferece generosa no desabrochar da criação.

Mulher…

Ciclos rítmicos que se alternam, que se unem, que se fecham ou que procriam. Ciclo menstrual, gestacional, das estações do ano; ciclos energéticos, da lua e das marés. Ciclos cósmicos, da harmonia e do infinito.

Mulher…

O mistério da vida é a essência feminina, é o poder da (re)criação.

O que seria a expressão do ser feminino em sua completude, em sua integridade? Impossível decifrar, dissecar, interpretar.

Mulher…

Mulher é mistério, sinergia equilibrante e alquímica. Quando solstício se torna receptáculo que prende, mas não sufoca, que hipnotiza, mas não embriaga, que convida, mas não intima, que cede, mas não concede. Quando sinódica, se (re)conecta e se (re)alinha, eclipsando sentimentos complexos e sutis para ser portal divino do tecido da vida em seu templo sagrado.

Mulher…

Mulher é feita do pó das estrelas, da lua de prata, descritível pelos poetas, incompreensível em sua profundidade. Senhora de si, seguindo os próprios cânones de sua intuição e sabedoria interna. Como a lua, apresenta várias faces: às vezes minguante, nova, cheia e crescente, mas sempre surpreendente.

Mulher…

Em suas facetas várias, reveste-se nos arquétipos do começo, meio e fim, do tríplice feminino: o florescer juvenil e suas potencialidades de criação, a mulher fértil e o poder de vida interno, e a mulher senil, com sua sabedoria, que unidas, promovem uma grande força, se complementam e se harmonizam em um todo integrado.

ANOREXIA NERVOSA: SER MAGRO (A) NÃO É SINÔNIMO DE FELICIDADE

12/08/2020 às 17h26

Padrões de beleza mudam de acordo com a época, cultura e necessidades. Nos tempos atuais, devido ao apelo à venda de produtos de emagrecimento e rejuvenescimento pela indústria cosmética e da moda, foram criadas necessidades e padrões estabelecidos para que nos encaixemos sem nenhum questionamento. A mídia e as redes sociais também contribuíram de maneira significativa no aumento de pessoas insatisfeitas com suas aparências e buscando um ideal de beleza que somente existe nos programas de Photoshop. Esta insatisfação com o corpo, por medo da rejeição, por não estar nos critérios dos padrões de beleza impostos pela ditadura da magreza, deu espaço para o aumento de casos de Anorexia Nervosa, um dos transtornos com mais índices de morte.

Por este motivo, este artigo tem a finalidade de informar as famílias e a sociedade para a gravidade deste transtorno, de modo que possam se envolver de maneira construtiva e empática acerca dos padrões inatingíveis criados pela mídia e que são geradores de comparação, sofrimento e transtornos. Objetiva igualmente que os familiares estejam atentos aos sinais e características de quem sofre de Anorexia Nervosa para caso identifique algum familiar com os comportamentos que serão elucidados, a família busque ajuda e tratamento, visto que a pessoa com Anorexia não se percebe doente.

A Anorexia Nervosa é um transtorno alimentar e psicológico que acomete principalmente mulheres na faixa etária entre o final da adolescência e o início da idade adulta. É um dos transtornos mentais com alta taxa de mortalidade, superando inclusive a Depressão e a Esquizofrenia. A pessoa pode ir a óbito por desnutrição, parada cardíaca ou suicídio. Um dos pontos problemáticos da Anorexia Nervosa é que a pessoa não se percebe doente, inclusive sendo difícil convence-lo(a) de que precisa de ajuda urgente, de tratamento médico e psicológico.

A Anorexia Nervosa apresenta 3 características bastante peculiares:

Percepção distorcida da autoimagem:

Por mais magra que a pessoa esteja, ela se sente, se percebe e se vê acima do peso ou obesa.

Comportamento obsessivo e restrição alimentar:

A pessoa apresenta uma verdadeira obsessão em estar magro(a), apresentando comportamentos obsessivo-compulsivos para continuar emagrecendo. Contudo, para quem sofre de Anorexia, este ideal de magreza, o “peso ideal” nunca é alcançado e enquanto isto a pessoa vai definhando e se consumindo cada vez mais, podendo chegar à inanição.

Comportamento de esquiva alimentar por medo do ganho de peso:

Comportamento de evitação em participar das refeições familiares por medo de observação e supervisão, contar calorias, verificar constantemente o peso na balança, dietas rígidas e jejuns prolongados, olhar-se compulsivamente no espelho, abuso de alimentos termogênicos, laxantes, anfetaminas, diuréticos e atividades físicas extenuantes. Caso se alimente, faz indução do vômito provocado por sentimento de culpa, de auto traição.

Obs.: O comer compulsivo seguido da indução de vômito é mais comum na Bulimia; contudo, também pode acontecer na Anorexia, agravando-a, devido à restrição alimentar.

  • Amenorréia (suspensão da menstruação);
  • Risco de infertilidade;
  • Devido à acidez estomacal, os constantes vômitos danificam o esôfago e os dentes;
  • Risco de desenvolvimento de problemas ósseos, como a Osteoporose;
  • Queda de cabelos e quebra de unhas;
  • Anemia;
  • Desidratação;
  • Falta de energia, sensação de esgotamento e desmaios;
  • Baixa do sistema imunitário;
  • Problemas cardíacos;
  • Circulação sanguínea precária;
  • Devido à desnutrição extrema, risco de morte por falência múltipla de órgãos;
  • Dependendo da gravidade, algumas complicações clínica podem ser irreversíveis.
  • Complicações Psicológicas:
  • Probabilidade em desenvolver transtornos depressivos;
  • Probabilidade em desenvolver transtornos ansiosos como o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC);
  • Alterações de humor;
  • Risco de morte por suicídio;

As causas são genéticas e psicossociais, estando diretamente relacionada aos padrões de beleza impostos pela sociedade e que são inatingíveis.

O tratamento da Anorexia Nervosa envolve uma equipe multidisciplinar composta por Nutricionista, Psicólogo, Endocrinologista e Psiquiatra. A Psicoterapia cognitivo comportamental e a sistêmica têm se mostrado bastante eficientes. Quanto à medicação, o psiquiatra pode receitar antidepressivos como inibidores seletivos de recaptaçao da serotonina e em casos mais graves, os anti-psicóticos.

Cuidado com as críticas destrutivas:

Não há nada mais cruel, que atormente e mine a autoestima de uma pessoa que as críticas destrutivas. Observações como: “você está muito feia com este corpo”, “você precisa emagrecer”, “Você já se olhou no espelho?”, “Você está ridícula com este biquíni”, “Você ultrapassou dos limites, já é hora de emagrecer!”, “olha a sua amiga, ela está bonita, está magra”, englobando também as críticas em outros ambientes sociais e práticas que infelizmente não são incomuns como o bullying nas escolas, utilizando apelidos e segregando a pessoa por conta do seu peso. Estes comportamentos não agregam em nada, podendo destruir a autoestima e ser o gancho eliciador para o desenvolvimento da Anorexia, principalmente em adolescentes. Portanto, muito cuidado com críticas destrutivas seja em casa, nas escolas ou no ambiente de trabalho. Cada um é um ser único e especial. Ninguém precisa seguir nenhum padrão de beleza para ser feliz e ser aceito. Entenda que beleza vai muito mais além de um “corpo perfeito”.

Este artigo tem função informativa e psicoeducativa, não substituindo o diagnóstico profissional. Caso se identifique com os sintomas elucidados, procure ajuda médica e psicoterapêutica.

NOSSOS TRÊS CÉREBROS E COMO NOS COMPORTAMOS DE ACORDO COM CADA UM DELES

03/08/2020 às 21h10

A teoria do cérebro trino foi criada na década de 70 pelo médico americano MacLean. Esta teoria consiste, em linhas gerais, que não possuímos apenas 1 cérebro, mas três estruturas cerebrais com funções específicas. Estas estruturas ou formações anatômicas que constituiem o cérebro trino são o R-Complex (Cérebro reptiliano), o Sistema Límbico (Cérebro emocional) e o Neocórtex (Cérebro Racional). Cada cérebro se desenvolveu em épocas distintas, estando diretamente relacionado com as necessidades de cada época evolutiva.

Mas, quais seriam as funções de cada estrutura cerebral e por quais comportamentos estas seriam responsáveis? Até que ponto estas estruturas não somente influenciariam, mas “comandariam” nossos comportamentos cotidianos? Poderíamos ter o livre arbítrio no comando destas estruturas e seus comportamentos inerentes?

Não levando em conta as características de personalidade e da cultura em que cada pessoa está inserida, psiconeurofisiologicamente as pessoas geralmente não têm noção exata porque se comportam de tal maneira, porque tomam determinadas decisões precipitadas ou porque agem com impulsividade ou medo exacerbado em determinadas circunstâncias.

Você saberia explicar porque ficamos “cegos de raiva” e depois nos arrependemos da forma como reagimos? Você acredita que todas as suas decisões são realmente racionais? Você saberia explicar além das elucidações idiossincráticas e culturais porque as mulheres são mais emotivas?

Gostaria de deixar bem claro que estas informações que serão colocadas aqui não terão o intuito de legitimar nenhum comportamento que não é admissível em sociedade; muito pelo contrário. Este esclarecimento é exatamente para que tomemos consciência e reflitamos como se processam nossas reações e emoções a nível cerebral e como estas influenciam em nossos comportamentos, a fim de trabalhá-las, objetivando baixar o índice de violência e agressividade em geral.

No aspecto relacional, objetiva compreender e trabalhar comportamentos de impulsividade, tais como decisões precipitadas que possam arruinar a autoimagem ou de outrem, bem como destruir relacionamentos que poderiam ser pacíficos e duradouros. Por outras palavras, melhorar a convivência em sociedade através da conscientização e do autoconhecimento tendo como premissa a conservação do nosso bem maior: a vida.

Vamos conhecer cada uma destas estruturas e por quais comportamentos são responsáveis:

R- Complex:

Também conhecido como cérebro reptiliano, é o responsável por nossos instintos de sobrevivência, funções vitais, conservação, defesa e reprodução da espécie. Também é responsável pelos 5 sentidos, musculatura lisa, pressão sanguínea, arcos reflexos, a sensação de fome e saciedade, a salivação, os processos digestivos, o sono, a necessidade de sexo, a respiração, a manutenção dos batimentos cardíacos, o espirro, bem como pela manutenção da homeostase ou equilíbrio do organismo como um todo. Aqui não temos o comando, pois não decidimos acerca dos nossos batimentos cardíacos, respiração ou processos digestivos que estão no comando do sistema neurovegetativo.

É no cérebro reptiliano que o medo está predominantemente instalado e vivenciado, atuando nos mecanismos filogenéticos de luta e fuga. Todos estes instintos se encontram também nos répteis. Anatomicamente, o cérebro reptiliano é formado pela medula espinhal e pelo tronco encefálico.

Esta estrutura cerebral está relacionada aos comportamentos de territorialidade, necessidade de poder, competição e dominação. Em outras palavras, no cérebro reptiliano, os outros e o ambiente em dadas circunstâncias são percebidos e interpretados como ameaçadores, provocando reatividade como a agressão.

Sendo assim, você reconhece estes comportamentos em nossa sociedade atual? Na sua opinião, até que ponto de fato evoluímos? Somos de fato tão racionais assim?

Sistema Límbico:

Também conhecido por cérebro emocional, é responsável por respostas emocionais e sua regulação, bem como por experiências sensoriais, sonhos, aprendizado, imaginação e memória. Uma estrutura muito importante que compõe o Sistema Límbico é a amígdala cerebral, estando diretamente relacionada ao controle dos impulsos. No conhecido “sequestro da amígdala”, é a emoção que comanda o cérebro. Neste momento, a pessoa “sai de si”, a “vista escurece”, a pessoa fica “cega de raiva”, reage desproporcionalmente ao fator desencadeante de estresse, fala o que não deveria falar e faz algo que certamente se arrependerá amargamente. Isto porque o Neocórtex, o qual irei falar no tópico a seguir, não participa deste processo e consequentemente não ocorre nenhuma racionalização do ato naquele momento específico, pois as emoções de reatividade e agressividade estão no comando, à “flor da pele”.

Cérebro Racional:

Também conhecido como Neocórtex, evolutivamente é o cérebro mais recente, a última camada ou estrutura que recobre os outros dois cérebros. O Neocórtex é diferenciado nos mamíferos e primatas, apresentando sulcos, fissuras e giros. Está diretamente relacionado ao desenvolvimento da linguagem, ao pensamento abstrato, aos movimentos voluntários, habilidades motoras e funções executivas como raciocínio, resolução de problemas, planejamentos e conclusões lógicas.

Aprendendo a gerenciar as emoções:

É impossível controlar as emoções, como escutamos recorrentemente. Contudo, você pode sim e deve aprender a gerenciá-las, administrá-las e consequentemente mudar sua conduta em um momento de muita raiva e estresse negativo. Isto não é somente possível, mas necessário. Sendo assim, quando sentir que está “saindo de si”, aprenda a ativar o córtex pré-frontal, parte integrante do Neocórtex que é responsável pelo seu “juízo”, pela avaliação racional do evento estressor. Durante o “sequestro da amígdala”, esta parte racional está bloqueada, necessitando ser ativada para que as ações não sejam regidas somente pelo “calor das emoções”.

Existem muitas técnicas para que num possível sequestro da amígdala, você não estrague a sua vida ou de outras pessoas. Explicarei melhor sobre estas técnicas em um outro momento, mas colocarei aqui duas bastante simples, mas que funcionam: a respiração profunda, a resolução de um pequeno cálculo matemático ou fazer algum planejamento são dicas que podem fazer a diferença em um momento de muita raiva. O contar até 10, embora muito simples, oferece um espaço de tempo para a ativação de áreas cerebrais responsáveis pela racionalidade. Em outras palavras, a estratégia fundamental para não “perder a cabeça” naquele momento estressor é a mudança de foco, enquanto você ganha tempo para ativar outras regiões do cérebro responsáveis por um olhar mais racional daquela situação e suas consequências.

No entanto, caso você seja uma pessoa excessivamente impulsiva, é necessário fazer uma avaliação profissional e realizar treinos com técnicas específicas. Entenda que problemas, desafios, diferenças ou resolução de conflitos nunca serão solucionados no “calor das emoções”. Portanto, é imprescindível desenvolver a inteligência emocional e o gerenciamento de suas emoções.

Reitero que a forma como reagimos emocionalmente irá repercutir de maneira positiva ou negativa em nossa qualidade de vida e por uma sociedade mais saudável também. E você já sabe, como, porque e em quais circunstâncias precisa fazê-lo.

QUANDO TUDO ESTÁ OU PARECE PERDIDO

21/07/2020 às 18h21

Há certos momentos que temos vontade de colocar abaixo o que construímos até então, para recomeçar do zero, na chance de que desta vez as coisas saiam melhor. Quando o desânimo proveniente de uma perda bate à porta, todas as nossas ilusões parecem perdidas, a fé se esconde em algum lugar em meio às ruínas à nossa volta; verificamos um certo desamparo e angústia onde tudo parece perdido, desfeito, irrecuperável, sem conserto ou sem remédio. A vida nos desafia com um belo xeque-mate.

No entanto, diante do “leite derramado”, do “cristal quebrado”, do quebra-cabeças que não encaixa mais, da peça que perdeu o sentido; onde tudo se desfez ou feneceu, não há muito que ser feito: é preciso se erguer, lutar e vencer. A vida requer de nós essa coragem, esta força que brota em nossas veias, da resiliência que é esculpida com inúmeros golpes que a vida nos impõe. Golpes não causam somente cicatrizes, mas também esculpem uma grande obra de arte na sua maior força e magnitude. Existem perdas as quais realmente não antevemos nada de positivo, e estas podem ser difíceis de ser elaboradas, trabalhadas. A dor afetivo-emocional de cada um é algo muito subjetivo, nunca podendo ser valorada ou julgada.

Aprimorar-se com as dificuldades! Muito simples falar, mas em meio a uma crise, seja de que ordem for, o caos interno em um primeiro instante não nos deixa criar estratégias e soluções, ou até mesmo vislumbrar algo de positivo. Mas acredite: sempre há algum aspecto bom. Força e coragem! A vida é para os que não se entregam mesmo com todas as vulnerabilidades. E que estas sejam a nossa força. Portanto, afrontemos os problemas de cabeça erguida e sem perder a fé na vida, acreditando em uma força maior.

Afinal de contas, muitas vezes é somente esta convicção o que nos resta naquele exato momento.

PODEMOS TER MUITAS VIDAS EM UMA ÚNICA VIDA

15/07/2020 às 15h57

Durante nossa existência temos duas escolhas: podermos escrever a história que queremos para nós ou sermos simples espectadores de um cenário que indiretamente é também escolhido por nós. Temos que ser mais ativos diante da vida. Chegou a hora de escrever sua história de próprio punho e ter a vida que sempre sonhou sem responsabilizar ninguém a não ser a si mesmo.

Podemos ter muitas vidas em uma única vida.

E temos.

Durante nossa existência, sofremos inúmeras transmutações, perdas, conquistas e ganhos que foram formando a nossa personalidade, construindo o que somos hoje. Nossa criança se desenvolveu, e então, dizemos adeus ao corpo infantil e as brincadeiras, para dar espaço ao adolescente com suas mudanças e novas adaptações, recriando assim um mundo novo e um outro olhar mais adaptado diante das exigências daquele contexto.

Lutamos e enlutamos.

Saímos da primavera dos sonhos infantis para o verão cálido da adolescência desafiadora. Esta fase, é pura efervescência, êxtase e mistério. Acreditamos que tudo podemos; sonhamos, empreendemos, buscamos, experimentamos, nos iludimos; enlutamos nossos “pais-heróis”, questionamos o sistema e buscamos construir um espaço no mundo a partir de nossas convicções.

De repente, aquele tempo adolescente passa, sem sentirmos, sem querermos, sem nos darmos conta; em um piscar de olhos, assim como passam as estações do ano, a vida passa… E então, entra em cena o nosso adulto, com novas propostas, responsabilidades, desenvolvendo seus papéis sociais (ou não), tendo seus conflitos e interesses próprios do “outono da vida”.

E então, Envelhecemos.

E com a velhice, chega o inverno, um tanto sombrio, porém tranquilo. Gélido, mas acolhedor. Momento de grandes reflexões, de viver recordações; mas também de atividades muito significativas e não menos propiciadoras ao crescimento interno e evolução do ser. No entanto, o mais importante que quero dizer é que entre as quatro estações da vida temos duas escolhas: podemos escrever a estória que queremos para nós ou sermos simples espectadores de um cenário que indiretamente é também escolhido por nós e que vivemos suas consequências, muitas vezes insatisfeitos e vitimizados por nós mesmos.

Então, olhamos para trás e avaliamos nossas escolhas e vivências. De algumas, nos arrependemos por termos vivido, já de outras, por termos “esquecido” de viver; algumas covardes em investir, ou mesmo ponderados demais para se deixar envolver. A vida é assim, pois embora, durante o nosso percurso existencial, muitos de nós morram simbolicamente no decorrer dos anos para que nos adaptemos a uma nova realidade, tudo muda, mas nunca deixamos de ser nós mesmos em essência.

Misteriosamente encontraremos sempre, quando quisermos, na memória, cada fase vivida. E se quisermos, encontraremos sempre uma folha em branco para escrevermos uma nova estória. Basta sabermos que podemos.

E podemos.

Para refletir: A vida é processo criativo em constantes mudanças. O mais importante é não vivenciarmos as “estações da vida” de qualquer jeito, pois um dia, elas serão as suas lembranças.

NAS PEQUENAS COISAS QUE ESTÃO O NOSSO TESOURO E NA PAZ ENCONTRAMOS NOSSO OURO

14/07/2020 às 08h52

Eu sabia, mas só agora compreendi que são nas pequenas coisas que estão o nosso tesouro e que somente na paz poderemos encontrar o nosso ouro. Dizem que somente valorizamos as coisas quando as perdemos. De fato, infelizmente e de maneira geral, é somente na dimensão da falta que percebemos e entendemos o quanto aquilo era tão caro para nós. Às vezes penso que ainda não compreendemos a essência da vida.

Empreender, estabelecer objetivos, ter sonhos e desejos, bater metas são a motivação e a mola propulsora para a realização de nossas aspirações e isto é saudável. Contudo, estar sempre insatisfeito com o que foi conquistado, buscando novos triunfos sem uma pausa para usufruir destas conquistas, é como alucinar na miragem do deserto, sentindo fome e sede existencial enquanto se contempla o oásis do que ainda não se tem. É um viver de enganos.

Sabemos que a vida é feita de riscos e de inúmeras adaptações que sedimentadas nos tornam mais fortes e resilientes. E como o equilíbrio se encontra no caminho do meio, gostaria de abordar o outro lado da moeda sem fazer nenhuma apologia a acomodações ou zonas de conforto. A questão é que estamos sempre buscando mais. E mais. Porque? Parece que temos o prazer em decretar uma guerra interna conosco e sem pausas para recreio. É como se sentíssemos falta de algo que tantas vezes não sabemos identificar, dai a importância de uma psicoterapia. Chega um momento em que precisamos dar um tempo a nós mesmos, precisamos de uma pausa para refletirmos acerca dos nossos comportamentos e insatisfações.

Por que nunca estamos satisfeitos com as nossas aquisições, com os nossos progressos? Corroboro, não estou fazendo referência a nenhuma acomodação. Certamente, é importante buscarmos novos horizontes, tecer novas histórias, rebuscar novos argumentos e significações para nossas vivências obsoletas e para nossa evolução.

O sentimento de insatisfação precede as nossas buscas, as nossas conquistas, o alvorecer de novos horizontes. A insatisfação é mobilizadora de mudanças e progresso, mas tantas vezes esquecemos de alimentar as nossas raízes na seiva consistente das relações, no enraizar de situações gratificantes e verdadeiras, ao invés da ânsia devastadora do buscar incessante de novos arranjos em nossas vidas, salvo quando algo está muito desgastado, deteriorado ou que nos cause pesar, dor ou falta de sentido e perspectiva. Indubitavelmente estamos nos configurando cada vez mais frenéticos, imediatistas e descartáveis, nos esquecendo que a felicidade está no aqui e no agora, habita dentro de nós e não precisa de tanto para reconhecer o quanto “temos”, mas que pouco usufruímos.

Bem sei que a insatisfação é a companheira inseparável da humanidade. Sendo assim, gostaria de fazer uma apologia às pequenas coisas e à paz em nossos corações. Por que não dar uma oportunidade à paz de espirito ao ver um pôr do sol no fim de uma tarde colorida? Por que não tirar um momento somente seu para uma meditação, uma técnica de respiração ou uma caminhada relaxante? Que tal abraçar teus companheiros de luta, de jornada, aqueles que sabem teus defeitos e virtudes e mesmo assim te amam? Que tal valorizar o sorriso de uma criança, um olhar de amor de um animalzinho? Por que não abraçar de peito e alma o que a vida te oferta hoje, agora, neste presente momento?

Vamos dar uma chance à nossa paz interior. Não deixe para usufruir de suas conquistas amanhã, não as valorize somente quando as perdes. Desperte para a vida. Algumas vezes, é melhor catar conchas coloridas ao som das águas do mar que tentar pescar aquela estrela inalcançável.

ATRAVÉS DO PERDÃO, TRANSFORME A SUA DOR EM ALGO BENÉFICO PARA VOCÊ E PARA A SOCIEDADE

09/07/2020 às 10h26

O perdão é um tema muito debatido, seja no aspecto religioso, ético, moral e psicológico. Estar disponível para perdoar os erros dos outros parece clichê, embora muitas vezes não estejamos preparados para este movimento em nossas vidas. A nossa autoconsciência ainda não abrangeu a capacidade de adotarmos uma postura de não retaliação, pois caminhamos ainda a passos lentos nesta trajetória do verdadeiro sentido do perdão, aquele que não permite a reverberação do que ocasionou a dor física e emocional.

Tantas vezes, relutamos em permanecer paralisados no que nos feriu, e dependendo da gravidade e intensidade do ocorrido, consequências danosas podem parecer irreversíveis seja no campo material que emocional, tornando-se difíceis de serem administradas. É exatamente neste ponto que precisamos assumir a responsabilidade para com nosso bem-estar. Então, você deve estar se questionando: “Como assim, o outro me fez mal e eu ainda tenho que me responsabilizar e perdoar por tudo que aconteceu? Eu sou vítima disto tudo! Falar da dor do outro é muito fácil, mas somente eu sei as consequências do mal que até agora sinto na pele e que você sentiria o mesmo se estivesse no meu lugar!”

Não estou desmerecendo em momento algum que você foi vítima de um abuso, de uma agressão, de algo que a lesionou, que a subtraiu, a feriu ou a machucou enquanto pessoa. Muito pelo contrário, é legítimo. O que quero dizer é que você precisa trabalhar está dor, permitindo-se sair da situação de “vitima” para elaborar o ocorrido e encerrar uma etapa dolorosa em prol de uma caminhada mais leve em sua vida. Assumir responsabilidade para consigo não significa menosprezar sua experiência, tampouco esquecer as agressões de qualquer natureza. Perdoar não é esquecer ou ter amizade com a pessoa que te prejudicou ou te feriu, mas sim uma decisão consciente de libertar-se de um peso que você não tem obrigação de carregar e a você foi destinado sem sua permissão.

Transforme a sua dor em algo benéfico para você e para a sociedade

De acordo com a Psicanálise, em linhas gerais, a sublimação é um mecanismo de defesa do ego e uma de suas “utilidades” seria transformar a angústia represada, o que não foi elaborado, o que nos prejudicou, em algo útil para nós e para a sociedade, sendo, por exemplo, o desejo de vingança e os sentimentos de mágoa, ódio e rancor experienciado em algo benéfico. Por exemplo: pessoas que foram abusadas sexualmente, poderiam ajudar outras que sofreram deste mesmo abuso. Pessoas que chegaram ao fundo do poço, que desenvolveram uma Depressão profunda ou tentaram o suicídio, poderiam acolher com mais compreensão e empatia a dor do outro, compreendendo os seus processos. Do mesmo modo, perdoar poderia ter este sentido de reciclar o lixo emocional em uma obra de arte de grande valor pessoal e social.

A dor emocional, o sofrimento, a raiva, o pesar e a angústia, se sublimados constroem belas obras de artes, edificam abrigos humanos, enxugam lágrimas e transformam tristeza e pesar em satisfação e gosto de viver. Obras de arte, trabalhos sociais e intelectuais são desenvolvidos através do processo de sublimação. Infelizmente, nem todos os acontecimentos são sublimados, sendo alguns represados e outros canalizados em sintomas, que é uma forma de linguagem importante a ser considerada e trabalhada. Contudo, o mais importante quando o assunto é elaborar o processo do perdão, é saber que o maior beneficiado nesta dinâmica de , será você mesmo, pois estará se limpando de um entulho que não é seu e ao mesmo tempo (e porque não?!), sendo um agente de transformação do mundo em que vivemos.

 

PANDEMIA, REFORMA ÍNTIMA E COLETIVA: FOMOS COLOCADOS NA “CADEIRINHA DO PENSAMENTO”?

30/06/2020 às 10h16

Tudo o que nos acontece apresenta várias facetas e percepções e com a pandemia do coronavírus não é diferente. Infelizmente, muitas pessoas estão doentes, outras morrendo, há muito sofrimento, perdas, lutos e desequilíbrios de todos os tipos. O desemprego e a fome se agravaram, as vulnerabilidades se acentuaram; parece que o mundo virou de ponta cabeça e que estamos sendo testados enquanto humanidade, acerca da nossa capacidade de sermos compassivos, benevolentes, empáticos, menos egoístas e individualistas. Não estou desconsiderando em nenhum momento os aspectos destrutivos da pandemia que precisam de reparação, mas existe um outro ponto a ser considerado e que acredito valha a pena uma reflexão.

Poderemos até não aceitar, mas o fato é que o coronavírus de uma certa forma está nos oportunizando um momento de reflexão e reforma íntima; um momento para nos conscientizarmos da organização vigente, seja esta econômica, política e social, bem como acerca da forma como interagimos com os outros em um sentido mais genuíno. Partindo da perspectiva desta oportunidade de mudanças profundas enquanto seres humanos, sequer consideraria um castigo o confinamento que nos oportuniza refletir acerca da vida que estamos levando, do que estamos fazendo, de como estamos vivendo e nos comportando; do individualismo, da falta de comprometimento e empatia. Mais que isto, da falta de amor mesmo, e isto vale para todos nós, sem exceção. Estamos no mesmo barco, dividindo o mesmo palco, com os mesmos dramas, dificuldades e consequências, não sendo o momento propício para lições de moral ou atribuir culpados e sim para grandes aprendizados e o principal ainda não aprendemos verdadeiramente.

Já estamos tão vulneráveis e machucados com tantas perdas, que precisamos nos acolher, nos dar as mãos, nos curar e principalmente aprender a amar. Precisamos aprender a ter uma visão sistêmica dos fatos que nos acontecem enquanto humanidade pois numa teia de aranha quando se toca num fio, toda a teia estremece.

A pandemia nos confinou em nossas casas e tenho a impressão de que chegamos a tal ponto de falta de conscientização, que uma doença de proporções mundiais nos colocou numa espécie de “cadeirinha do pensamento” como crianças birrentas e recalcitrantes que teimam em reincidir nos mesmos erros, em não querer evoluir, passar para a etapa seguinte, sendo imprescindível uma pausa forçada para reflexão e sendo necessário um confinamento obrigatório para organizarmos a desordem que existe no mundo e que parte de dentro de cada um de nós.

Acredito que tudo isto está acontecendo para aprendermos a valorizar a vida, a reconhecermos nossa finitude neste plano, da importância de olharmos para dentro, para ouvirmos nossa voz interior, para nos conscientizarmos da importância dos verdadeiros laços, para valorizarmos as reais interações sociais que acontecem olho no olho, no abraço e no encontro genuíno com o outro.

Sim, era necessário nos distanciarmos compulsoriamente por pelo menos um metro daqueles que estavam ao nosso lado para reconhecermos a sua importância, o seu valor, do momento sagrado da companhia do outro.

Foi necessário que nos enclausurássemos para refletirmos sobre tantos aspectos da vida, para mudanças que urgem por se materializarem em nosso cotidiano, para os reais valores e as reais necessidades, para darmos a devida atenção do que estava sendo deixado de lado.

E paradoxalmente só abrimos os olhos para as grandes verdades da vida diante de um estremecimento estrutural. Espero que este momento solipsista seja propulsor de uma reforma individual e promova grandes mudanças coletivas e isto vale para todos nós, reitero. Talvez depois desta pandemia possamos priorizar o que é essencial para nós e para a humanidade também.

Enquanto isto, estamos assim, como crianças que somos, na “cadeirinha do pensamento” para refletirmos sobre todo este caos que, queiramos ou não teima em existir dentro de cada um de nós e externalizando lá fora.

AS 8 CARACTERÍSTICAS DAS PESSOAS EMOCIONALMENTE INTELIGENTES

21/06/2020 às 12h03

Embora tenhamos condicionamentos genéticos de base, em nossa realidade atual e suas mudanças ambientais, novos fatores entraram em cena. Hoje, além da sobrevivência física propriamente dita, o homem necessita desenvolver capacidades que caracterizam a chamada Inteligência Emocional. Saiba quais as 8 características das pessoas emocionalmente inteligentes, observe as que você já possui e aquelas que precisa desenvolver:

As nossas emoções são multideterminadas e envolvem fatores filogenéticos, ontogenéticos e culturais. Deste modo, a herança genética está em parte diretamente relacionada com o nosso patrimônio comportamental, ou seja, como reagimos a determinados estímulos, desempenhando um papel primordial na história da sobrevivência de nossa espécie, tais como comportamentos específicos de agressividade, atenção, foco e estratégia.

Embora tenhamos condicionamentos genéticos de base, em nossa realidade atual e suas mudanças ambientais, novos fatores entraram em cena. Hoje, além da sobrevivência física propriamente dita, o homem necessita desenvolver capacidades que caracterizam a chamada Inteligência Emocional.

Veja quais são as 8 características e observe as que você já possui e aquelas que precisa desenvolver:

Autocontrole:

A reação aos fatos está diretamente relacionada à nossa estória de vida e de como lidamos com as frustrações, situações desconfortáveis e até mesmo traumáticas. O mais importante não é a experiência em si, que “provoca” e/ou promove a reação emotiva, mas o sentido e significado que atribuímos àquela experiência, bem como nosso estado emocional naquele momento especifico e características de personalidade. A dica é avaliar os acontecimentos com cautela para que não ajamos de maneira precipitada.

Empatia:

A empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Tendo esta capacidade desenvolvida, indubitavelmente teremos qualidade em nossos relacionamentos interpessoais, o que interfere também na melhoria da nossa qualidade de vida.

Compaixão:

Está diretamente relacionada com a empatia, mas vai além desta. Na compaixão, não somente temos a capacidade de ver através da perspectiva do outro, mas de agir em favor deste, colocando em prática ações benéficas de modo a suprimir o sofrimento do outro.

Automotivação:

A automotivação é a capacidade de manter o otimismo mesmo diante de situações adversas. Sendo assim, pessoas que desenvolveram está habilidade tem facilidade em alcançar seus objetivos.

Autoconhecimento:

Pessoas emocionalmente inteligentes possuem autoconhecimento e por este motivo são mais felizes, pois procuram detectar e aproveitar os aspectos positivos das circunstancias e o aprendizado dos acontecimentos menos agradáveis. Elas vivem o hoje, o agora, não se lamentando do passado, nem antecipando o futuro. Em outras palavras, estas pessoas trabalham suas dificuldades no momento em que estas aparecem, não guardando sentimentos mal resolvidos, sendo auto avaliativas, apresentando senso de crítica e maturidade.

Resiliência Psicológica:

Esta é uma habilidade importantíssima no que concerne à Inteligência Emocional. Pessoas resilientes são aquelas que tem consciência de que a vida humana apresenta revezes, mas que sabem transformar as adversidades em oportunidades e aprendizado, tendo, portanto, postura otimista e capacidade psicoadaptativa.

Habilidade nos relacionamentos interpessoais:

Pessoas que apresentam está competência são úteis a si e aos outros. São diplomáticas e carismáticas, possuindo consequentemente melhor desempenho social e relacional.

Assertividade:

Caracterizam também as pessoas emocionalmente inteligentes a capacidade de ter atitudes assertivas, de ser autoconfiantes e de se responsabilizarem pelo que lhes acontece; elas sabem onde querem chegar utilizando para este fim estratégias definidas e coerentes com o fim a ser alcançado.

Reflexão transmutativa:

A maneira como administramos nossas emoções vai definir a nossa qualidade de vida, sendo esta, portanto, uma competência importantíssima a ser desenvolvida, não sendo aconselhável reprimi-las, mas clarificá-las de modo a trabalhá-las em suas significações profundas e conteúdos subjacentes.

Assim como a explosão emocional não é indicada, a implosão emocional muito menos. Não devemos acumular emoções mal trabalhadas, já que estas antes ou depois irão procurar meios de expressão principalmente através das doenças psicossomáticas e comportamentos disfuncionais.

HIBRISTOFILIA: ATRAÇÃO SEXUAL POR HOMENS CRIMINOSOS

14/06/2020 às 12h07

No meu último artigo: Violência contra a mulher: causas, consequências e serviços de ajuda, publicado em um dos portais em que sou colunista, li alguns comentários que relatavam que as mulheres eram violentadas por serem atraídas por homens de má conduta, agressivos e até mesmo criminosos. Depois de agredidas, as mesmas iriam chorar suas dores e magoas para as Instituições reivindicando seus Direitos.

Justificar que mulheres são agredidas porque são atraídas por homens de má conduta, trata-se de um posicionamento bastante perigoso, pois neste fundamento, pôr a mulher ser responsável por suas escolhas, ela mereceria justa punição por qualquer dano que acontecesse a ela. Estas idéias e crenças generalizantes difundidas sem questionamentos podem intensificar a violência contra a mulher, podendo ser fator preditivo para fazer cair por terra todas as conquistas realizadas por elas até então no campo da vida pratica e no campo das mentalidades.

Sim, existem mulheres que são atraídas por homens “fora da lei” e criminosos, inclusive existem investidas por parte delas de propostas de envolvimento amoroso e até mesmo pedidos de casamento. No entanto, neste caso trata-se de um grupo restrito de mulheres que apresentam um tipo de parafilia: a hibristofilia. A Hibristofilia, em linhas gerais, seria a admiração, interesse, atração sexual e volição de envolvimento sentimental por homens criminosos e delinquentes. Uma pequena parcela com distúrbios representa todas as mulheres? Seriam todas as mulheres hibristofilicas? Seguindo este argumento, torna-se explicito que mais uma vez a mulher é a culpada pela violência que lhe é perpetrada, visto que é ela quem procede às más escolhas para sua vida. Toda generalização é pouco inteligente, além de perigosa, principalmente quando tratamos do ser humano.

Ainda não existe uma explicação científica para a hibristofilia. No entanto, o que se sabe é que esta parafilia está relacionada com perfil de mulheres que provavelmente sofreram traumas de infância, perdas e lutos mal elaborados, abuso sexual e negligencia. Sendo assim, uma das hipóteses para explicar o comportamento de mulheres que sofrem de hibristofilia seria a necessidade de sentir fortaleza, sensação de domínio e poder envolvendo-se em situações perigosas através daquele perfil de homem. Além disto, na concepção delas, existiria baixo limiar de rejeição por parte deles, pela própria situação em que os mesmos se encontram. Este fato denuncia nestas mulheres uma estruturação psíquica fragilizada, em que existe a necessidade do outro para afirmá-las em suas necessidades de segurança, poder e domínio.

Que as mulheres não somente queiram respeito, mas que sobretudo saibam se respeitar para que os direitos históricos e conquistas adquiridas por elas no decorrer do tempo não sejam perdidos. E que sobretudo o comportamento de um grupo específico de mulheres com transtornos parafílicos não seja a referência principal do modelo de feminilidade, até mesmo porque a atração por criminosos, vagabundos, bandidos e assassinos não é regra geral entre as mulheres, mas sim de um grupo especifico que sofrem de um distúrbio e que, portanto, necessitam de tratamento.

VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER: SENSIBILIZAÇÃO E ERRADICAÇÃO

09/06/2020 às 19h56

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a violência é definida como o “uso intencional da força ou poder em uma forma de ameaça ou efetivamente, contra si mesmo, outra pessoa ou grupo ou comunidade, que ocasiona ou tem grandes probabilidades de ocasionar lesão, morte, dano psíquico, alterações do desenvolvimento ou privações” (OMS, 2002)

No entanto, apesar de todos os esforços empreendidos por muitas mulheres no decorrer da História, a violência contra elas ainda subsiste, faz parte do nosso convívio hodierno, de nossas raízes socioculturais, algumas vezes veladas, silenciosas e difíceis de ser identificadas (como a violência psicológica); já outras, são totalmente ostensivas.

É inegável que a mulher foi historicamente um grupo excluído e marginalizado. Neste processo sócio histórico, a violência contra elas deve ser percebida e interpretada como uma construção sociocultural, mas infelizmente foi internalizada perigosamente como algo normal e legitimado. Por se tratar de uma construção social, a violência de gênero pode ser desconstruída. Sendo assim, a medida a ser tomada seria educar os meninos acerca do respeito à mulher principalmente nas escolas, visto que o substrato das mudanças que precisamos chama-se educação e respeito à cidadania.

A educação para transformações sociais é importante, visto que quando se é negado o direito do outro de ter liberdade responsável dentro da sociedade em que construímos relações, inegavelmente serão criados estereótipos que repercutirão para todos, através da imposição de uma cultura de dominação. Vale à pena salientar que onde há dominação e imposição de poder, também há violação de direitos humanos e consequentemente violência, constrangimento, conflitos, sentimento de posse e objetificação do outro.

Apesar de todas as lutas, ainda existem mulheres que diante da violência física, psicológica, sexual e patrimonial não denunciam a violência. Diante deste contexto, surge dentre outras, uma reflexão, talvez a mais intrigante: quais seriam as motivações para que algumas mulheres não denunciassem as agressões sofridas, principalmente por seus parceiros? A questão é complexa e qualquer explicação generalista seria simplista e reducionista. Entre algumas explicações, existe a crença de que os assuntos de ordem familiar, mesmo em se tratando de violência devem permanecer entre seus integrantes, pois de acordo com esta concepção, estes conflitos configurados por agressões devem permanecer no âmbito da esfera doméstica. A outra questão trata-se do ciclo da violência, muito corriqueiro.

O QUE É O CICLO DA VIOLÊNCIA?

O ciclo da violência se caracteriza por um padrão de agressão caracterizado por 3 fases distintas:

  • Fase 1 – Criação e aumento da tensão até um ponto crítico, que conduz à violência deflagrada e seguida da fase de amor ou reconciliação.
  • Fase 2 – Fase de tensão, o comportamento do homem se torna diferente, mais ríspido e intolerante. Nesta fase, ocorre a agressão propriamente dita, seja física, psicológica, sexual ou mista.
  • Fase 3 – A da parcimônia. Nesta fase, o homem demonstra arrependimento do que fez e tenta se redimir, procurando contornar a situação através da amorosidade e do companheirismo. Normalmente ele diz à mulher que estava passando por momentos difíceis no trabalho ou em outras áreas da sua vida, tentando, deste modo justificar seu comportamento através do estresse diário, assumindo posturas de arrependimento e mudando seu comportamento de modo que a mulher não rompa com a relação.

Como nesta última fase o parceiro se desculpou e se redimiu, a mulher acredita que não mais ocorrerão comportamentos agressivos, retornando à sua rotina normal e permanecendo na relação. No entanto, com o tempo pode iniciar-se novamente a fase 1, que é a de tensão seguida por novas agressões, reiniciando assim todo o ciclo da violência.

NOMOFOBIA E TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO DE CHECAGEM SERIAM O MESMO DISTÚRBIO?

03/06/2020 às 10h09

Não é nenhuma novidade que o problema da internet não se limita somente à busca de autoafirmação e de compensações que não conseguimos administrar na vida real. Esta perpassa também as dinâmicas relacionais que geralmente são superficiais via internet, visto que estes “vínculos” afetivo-emocionais projetam idealizações e fantasias, repercutindo nas reais significações que estas possam ter e abranger.

A internet viabilizou muito a nossa vida, tornando-a mais prática, otimizando o nosso tempo, mas se usada de forma negativa, de maneira não conscientizada, esta também é propiciadora de distúrbios como a Nomofobia.

A Nomofobia é um Transtorno do controle dos impulsos, é uma compulsão, é o medo irracional de permanecer desconectado do mundo virtual, causando dependência e como sendo um vício é de se esperar que cause muitas repercussões negativas nas relações interpessoais (principalmente as familiares) e de desempenho, sejam acadêmicas ou laborativas. Não menos importante corroborar a miríade sintomatológica da Síndrome de Abstinência que esta acarreta e que são praticamente as mesmas dos Transtornos de Ansiedade: sudorese, taquicardia, insônia, irritabilidade, preocupação constante (no caso da Nomofobia, de permanecer desconectado), tensão muscular, insegurança, angústia, dentre outros.

Em outras palavras, não é à toa que a Nomofobia está muito relacionada aos Transtornos de Ansiedade, bem como aos quadros depressivos, seja porque estes quadros psicopatológicos já eram preexistentes, sendo a Nomofobia uma comorbidade, ou porque o próprio vicio nestas ferramentas tecnológicas proporcionariam o desenvolvimento dos Transtornos de Ansiedade ou a Depressão.

Contudo, tenho observado em minha prática clínica que a Nomofobia apresenta uma extrema semelhança com o Transtorno Obsessivo Compulsivo (na modalidade de verificação ou checagem).

Vejamos as semelhanças:

  • Na Nomofobia existe uma obsessão, uma vontade recorrente em estar na internet, nos jogos e nos chats, bem como uma compulsão para a checagem de e-mails e para verificação de likes e compartilhamentos;
  • No Transtorno Obsessivo Compulsivo, o diagnóstico é realizado exatamente pela presença de obsessões e compulsões ou a modalidade mista destes dois elementos;
  • Na Nomofobia, a compulsão na checagem de emails e de mensagens, por exemplo, aliviam temporariamente a ansiedade causada pelo pensamento obsessivo da verificação destes emails ou mensagens;
  • No Transtorno Obsessivo Compulsivo, temos o mesmo ritual de conferência muito significativo, onde algo precisa ser checado várias vezes, causando muito sofrimento psíquico;
  • Ambas as patologias afetam todas as áreas da vida do indivíduo, ocasionando sofrimento;

E então, Nomofobia e Transtorno Obsessivo Compulsivo de checagem se tratariam do mesmo distúrbio?

Existe uma distinção bastante sutil entre as verificações na Nomofobia e no TOC (modalidade de checagem). Neste último, por mais que se verifique se a porta da casa ou do carro foi fechada, ou que se desligou o ferro de engomar ou as luzes da casa, a pessoa não se convence deste fato, retornando inúmeras vezes para checar. No caso da Nomofobia, apesar do indivíduo verificar várias vezes os e-mails, as mensagens, as notificações, ele está convencido de que o e-mail ou a mensagem chegou ou não, mas não consegue deixar de verificar constantemente por se tratar de um vício.

A VIDA APRESENTA TAMANHA FRAGILIDADE QUE NÃO COMPORTA O PESO DA ARROGÂNCIA E DO ORGULHO, TÃO COMUNS EM NOSSA CONDUTA.

23/05/2020 às 11h20

Todos apresentamos algo em comum: estamos nesta vida em uma situação de vulnerabilidade, de suscetibilidade; nunca saberemos o que acontecerá amanhã ou mesmo daqui alguns instantes. Será que de fato somos autossuficientes? A vida apresenta tamanha fragilidade que não comporta o peso da arrogância e do orgulho tão comuns em nossas condutas.

A vida, em sua sabedoria não nos concedeu autonomia total exatamente para que através desta condição de fragilidade, tenhamos a oportunidade de desenvolver a solidariedade e o amor ao próximo. Sim, somos todos frágeis. De uma hora para outra a vida poderá mudar drasticamente, seja através de uma doença, um acidente ou perdas de todas as espécies, levando com elas as certezas que nos mantínhamos seguros e adaptados. Mas seguros exatamente do que? Acontecimentos podem mudar completamente a rota de nossas vidas exigindo-nos novas adaptações e aprendizados.

Infelizmente, o ser humano não aprendeu que nos tornamos mais fortes quando nos damos as mãos, quando somos empáticos com a condição do outro, situação que quiçá poderá ser exatamente a nossa em um futuro vindouro. Cedo ou tarde a vida cobrará nossas posturas, não por vingança, mas por metodologia educativa, visto que o progresso é o caminho e o objetivo de todos é a evolução do ser. E não há como fugir: cada ação nos encontrará na curva da estrada; ninguém planta limões esperando colher morangos; ninguém espera colher carinho e aconchego onde semeou negligência e rejeição.

As regras são tão simples, claras e consistentes em suas demonstrações, mas reiteramos em não as reconhecer, muito menos respeitá-las. Às vezes não custa nada sermos gentis, amorosos, acolhedores ou atenciosos com um ser que naquele momento está sendo testado pela vida (ou não necessariamente). Tantas vezes uma palavra de conforto, um olhar, um abraço ou um aperto de mão demonstram a importância que temos para o outro num enlace de humanidade. Sentir-se compreendido e acolhido reconforta sobremaneira o nosso lar interno, aquecendo a lareira do nosso coração, nos inspirando em melodias enternecedoras nos tons da esperança e da paz de espírito.

No entanto, a questão não se delimita somente aos valores morais que precisamos cultivar, vai muito mais além. Quando somos indulgentes para com o outro, estaremos facilitando para estas vivências que permitirão o desenvolvimento de representações mentais de benevolência em seu repertório psíquico que de alguma maneira ou em alguma circunstância beneficiará a outra pessoa e consequentemente o mundo, pois hoje em dia gestos de carinho e solidariedade genuínos são os produtos mais raros e caros que podem existir.

E apesar do seu “alto valor” financeiro, eles não se encontram em vitrines de luxo, mas somente em corações nobres.

A MALEDICÊNCIA E O TRIPLO FILTRO DE SÓCRATES

19/05/2020 às 14h20

Sócrates, um filósofo grego, explicitou em um diálogo com um amigo, como podemos lidar de maneira inteligente com a fofoca. Neste discurso, ele explica que toda e qualquer informação que nos chega deve passar criteriosamente por três filtros. Confira a interessante proposta deste sábio filósofo ateniense.

A famigerada maledicência, também conhecida popularmente como fofoca, é um dos problemas interpessoais e relacionais mais antigos que se tem conhecimento, sendo uma postura antiética e irresponsável. Por este motivo, é uma atitude que pode promover consequências funestas ou mesmo desagradáveis. A fofoca pode estar relacionada com a falsidade e a inveja, e deste modo ser geradora de intrigas, conflitos e discórdia.

A fofoca existe desde tempos imemoráveis, quando o homem desenvolveu a linguagem, provavelmente no paleolítico. Sendo assim, o processo de comunicação não é só uma inclinação natural do ser humano, mas faz parte da sua natureza intrínseca. Somos dotados de linguagem e está obviamente nos permite estar sempre em comunicação, em interação, em socialização, em troca de informações, tendo como objetivo facilitar a vida.

Mas, até que ponto esta comunicação é benéfica ultrapassando os limites da ética e do relacionamento saudável com os demais, chegando mesmo a desrespeitar os limites da integridade e da moralidade nos nossos relacionamentos?

Sócrates, um filósofo grego, explicitou em um diálogo com um amigo, como podemos lidar de maneira inteligente com a maledicência. Neste discurso, ele explica que toda e qualquer informação que nos chega devem passar criteriosamente pelos filtros da VERDADE, BONDADE E UTILIDADE, para que desta forma possa ser propagada.

Em outras palavras, a informação a ser passada adiante para outras pessoas deve:

  • Ser absolutamente um fato verídico, sem alterações ou deturpações ou interpretações subjetivas da realidade;
  • Deve ter como objetivo precípuo um ato de bondade, com o propósito de ajudar e servir o próximo, ou seja, que não almeje prejudicar ou manchar a imagem de pessoas, grupos, sociedades ou organizações;
  • E por último, que seja sempre uma informação obrigatoriamente útil para favorecer as pessoas e a comunidade; 

A fofoca surge por motivos diversos: porque queremos ser aceitos em um grupo, porque queremos chamar atenção dos outros, por vingança, ciúme, ou simplesmente porque queremos “passar o tempo”.

No entanto, o motivo principal é o de não termos objetivos definidos, ou seja, além de estarmos nos espelhando nos outros, estamos principalmente desocupados.

Então, quando estamos desocupados e insatisfeitos conosco, sem objetivos e propósitos de vida, nossa autoestima baixa e percebemos a vida do outro mais interessante, dando espaço a outros sentimentos como a inveja e o ressentimento. Como já relatei em outro texto, todos nós somos únicos e especiais. Ao observar a vida do outro, nossa vida fica esquecida, trava, não se desenvolve e nem prospera, já que não estamos focando nos nossos propósitos.

Faça sua vida mais interessante, mais fascinante, pois você também possui muitas qualidades e recursos. Desenvolva-os.

A fofoca também tem outro ponto negativo: torna qualquer ambiente hostil, seja na vida pessoal ou social, pois ela fere o direito das pessoas, trazendo consequências negativas, algumas vezes irreparáveis. Todo mundo sabe como uma fofoca começa, daí ela vai se distorcendo de tal maneira tal qual como na brincadeira do telefone sem fio; com sedimentações de informações adicionais e distorções.

No final de tudo, ninguém sabe como se chegou a uma estória totalmente diferente e cheia de criatividade; muito menos se sabe quem disse, quem inventou e propagou.

A fofoca não tem identidade.

Porém, certamente existem pessoas prejudicadas e com imagens manchadas, sendo difícil contornar a situação ou até mesmo revertê-la. Então, para que se envolver em situações infrutíferas ou danosas? Que tal ocuparmos o nosso tempo com algo que nos beneficie?

Devemos rever nossas posturas e valores, nos posicionarmos como pessoas de bem e para o bem, semeando sempre a concórdia e a paz, sendo instrumento de crescimento e bem-estar comum. Para este fim, precisamos filtrar os boatos, as informações que nos chegam, não interagindo com as fofocas e nem fazendo julgamentos precipitados.

Utilizar sempre o filtro da verdade, bondade e utilidade. Se assim o fizermos, nos absteremos dos julgamentos precipitados, das antipatias infundadas e das aversões interpessoais sem critérios. (…)porque os outros disseram…(…)porque o outro fez isto ou aquilo, nesse “disse-me-disse” que não leva a nada de bom.

Acredito que devemos discutir idéias, propósitos, situações. Discutir sobre questões políticas e sociais, e não discutir sobre o comportamento direto das pessoas; pior, opinar sobre a vida delas sem ter consentimento das mesmas e sem acrescentar nada que as beneficiem.

O mundo necessita de pensadores, de questionadores, de avaliadores, de pessoas que façam a diferença, que se preocupem com coisas essenciais, que promovam mudanças e que se preocupem com os outros de forma positiva e responsável.

Para refletir:

Como disse Freud: “Quando eu falo do outro, na realidade eu estou falando mais de mim que do outro.” Não esqueça: é de uma pequena fagulha que se provoca um incêndio. Portanto, quando for emitir ou receber alguma informação não esqueça se você está utilizando os três filtros: VERDADE, BONDADE E UTILIDADE.

Abraços transmutadores,

NÃO TEMAS A TUA SOLIDÃO, MAS SIM O DESPREZO DE QUEM NÃO TE CORRESPONDES

04/05/2020 às 14h20

Não tenhas medo da tua ausência ou da tua “presença desértica” em meio a tua solidão, dentre o nada do cenário que se apresenta no teu ser. Outrossim, tenhas receio é do desprezo de quem “está contigo” e que na tua presença se faz ausência. A vida é feita de tantas contradições que muitas vezes não conseguimos administrar; tantas incongruências que outrora fazia algum sentido. Contudo, dentre tantas inquietudes, o que não convém é alimentar o que de fato não existe. Melhor deixar dar o último suspiro aquilo que não tem mais como viver de forma digna e me refiro aqui a relacionamentos amorosos não correspondidos.

Tudo perde o sentido quando tu deixas de ser teu cúmplice para te tornares o algoz da tua própria alma, aprisionando o teu ser em quimeras descabidas, sendo necessário desconectar o teu coração de quem não reconhece teus sentimentos, do que não pode ser contigo ou do que não pode vir a ser.

Não tenhas medo da tua solitude ou mesmo da tua solidão. Melhor uma solidão triste mas realista e bem digerida a ilusões que embalsamam (in)verdades que transbordam num cálice quebrado onde tudo já se esgotou.

Porque um dia a tristeza nua e crua que não engana, que não omite, que não se estende no que é irreal um dia dará espaço para uma felicidade plena sem os embustes que nós criamos para nos engaiolarmos, seja por acreditar demais no outro ou por alimentar expectativas infundadas. Isso chama-se armadilha, autossabotagem e embuste que criamos em prol de uma falsa felicidade pautada num outro.

Que tu tenhas coragem de abandonar o campo infértil e não retornar nunca mais. Tu tens o poder de contornar a rota e empreender novos caminhos, novas oportunidades, dentre uma que insiste em permanecer, mas que não há terreno, sequer semente para que se germine nada. Quando isto acontecer, tu deves procurar outros caminhos, pois a vida é ilimitada e próspera, não te condiciones num caminho íngreme.

Tiras o foco de quem não te tem como foco. Dê adeus definitivo às ilusões que alimentastes sem algum retorno, porque na economia da vida, a paciência não deve ser confundida com o que não merece ser investido, tampouco esperado.

Que tu tenhas o carinho que te aceita e te acolhe; que sejas a tua mão a que te afaga e que acolhe teus sentimentos antes que qualquer pessoa o faça. Qual o sentido na expectativa de ser amado por alguém, se esta pessoa já provou por qualquer motivo que seja que isto não é possível?

Por que tanta dificuldade em te amar, em apreciar a tua própria companhia? Tu não precisas de adendos para ser feliz. Tu não precisas de nada para ser feliz. A felicidade é algo genuíno que nasce dentro de cada um, tendo como terreno o substrato da força humana interior, da resiliência e do amor-próprio.

Não te deixes abater se não fores correspondido. Não te abandones nas mãos de quem não sabe apreciar o ser único que tu és. Não tenha medo da tua solidão, mas sim tenha medo de não ser correspondido.

Em alguns momentos da vida é salutar que estejas sozinho para que reconheças o teu valor, para que renoves as tuas forças, para que acredites em um novo amanhã e depois da tua morte interior das desilusões que a vida te trouxe, enfim descobrir que a esperança, o sorriso e a felicidade genuína habitam em ti e que não necessita de alguém como condição inalienável para que sintas completude e que desfrutes desta felicidade que ninguém mais nesta vida pode oferecer, visto que esta não é proveniente de nada externo. A vida é tua, as vivências são tuas, és tu que vai ser feliz ou sofrer pelas escolhas que fizestes e somente a ti compete a cada dia da tua vida qual estrada tomar, como vais viver a tua história, seja sozinho ou acompanhado.

Talvez tu já tenhas compreendido que tua eterna companhia és tu mesmo e de tudo que poderá restar de qualquer relacionamento, de qualquer experiência, tu continuarás ali, ferido, transformado, transmutado, curado ou modificado de alguma maneira, sempre sobrevivente para novas experiências, algumas magníficas, outras nem tanto. No que concerne à tua vida e às tuas experiências, tu és o ponto central, o referencial, o eterno companheiro de inúmeras jornadas, algumas que retornam e outras que se renovam e que tu precisarás estar pronto para todas elas, pois de alguma forma te enriquecerão.

Não existe ninguém certo para ti; antes de tudo, tu és a pessoa certa para ti, pois com os outros sempre existirão alguns contratempos. Ninguém nasceu para ti, tu nasceste para ti mesmo, pois ninguém veio aqui para satisfazer tuas expectativas, mas para que juntos promovam aprendizados. Nunca esperes que alguém te assuma para que assim tu te assumas; este movimento deve partir unicamente de ti.

Por que para que sejas feliz tu precisas ser amado por uma outra pessoa, do contrário tu serás aquele que primeiro te abandonará? Não aprendas a administrar a tua própria solidão, mas sobretudo saibas apreciar tua estadia contigo, independentemente de com quem estejas.

AQUILO QUE É TEU, SEMPRE ENCONTRARÁ UM CAMINHO DE CHEGAR ATÉ VOCÊ

21/04/2020 às 19h45

Nota Importante: O título deste texto é uma variante da frase de autoria de Francisco Xavier: “Tudo o que é seu encontrará uma maneira de chegar até você“.

Mesmo com o coração atribulado, por qualquer motivo que seja, permita-se viver em paz, nem que seja um dia de cada vez. Não perca seu tempo e energia com o que te desgasta, com o que procura te desestruturar, minar tuas forças, tirar tua alegria de viver, pois nada nesta vida valem a tua paz, saúde e felicidade. É um ledo engano esperar que os outros ajam com os mesmos princípios e valores que você tem visto que cada ser se encontra em um processo evolutivo particular. Deste modo, não se deixe afetar pela sombra dos outros. Sim, ações maléficas podem ser direcionadas para ti. Contudo, é você quem consente se isto vai te afetar ou não, administrando da melhor forma possível as emoções advindas pela dor causada por pessoas injustas, amarguradas, desonestas e que ainda não encontraram a própria paz de espírito, a luz interior.

Diante de todas as injustiças perpetradas, não esqueça que o mal poderá até prevalecer por algum tempo, mas nunca indefinidamente, pois as leis da vida trazem suas compensações e é fato incontestável que aquele que tentou te prejudicar, cedo ou tarde cairá no fosso que ele próprio cavou.

Você foi lesado, traído, roubado ou enganado? Não te preocupes, tampouco te desesperes; o que é tirado de ti injustamente, também se perderá de lá e encontrará uma forma de chegar a você. Enquanto nada pode ser feito, permita-se recomeçar, viver uma nova história, refazer-se, reconstruir-se, resinificar-se.

Nunca existe um tempo certo para recomeçar, para escrever uma nova história e é você o único responsável por sua felicidade e bem-estar. Ao invés de nutrir sentimento de vingança, de medir forças, de provar quem é o melhor e o mais forte, se foque no seu progresso, na sua prosperidade, na sua evolução material e espiritual.

Escolha para si o caminho da justiça e da paz. Por mais que o outro pense que esteja prevalecendo injustamente contra você, o mais forte é aquele que em meio aos obstáculos e às adversidades não se deixa abater e mantém-se no firme propósito do bem, da retidão e da justiça. O maior vencedor é aquele que não lesa ninguém e escolhe a paz para sua vida em qualquer circunstância.

Tantas vezes, situações amargas que são potencialmente desestruturantes, são verdadeiros divisores de águas para que você desperte para a vida, para que deixe de ser ingênuo, para que tenha uma visão ampliada, para que desenvolva a possibilidade de crescer e ter consciência de dinâmicas que acontecem nas tuas costas e que você ingenuamente acreditou. Nem tudo é o que parece ser, nem todo mundo mostra o que realmente é.

Diante destas circunstâncias o que nos resta é pacificar o coração e reiniciar uma nova vida com mais maturidade e lucidez. O mundo gira, as coisas mudam e o jogo se inverte, mas enquanto isto não acontece, o mais importante é não dar morada em teu coração a sentimentos vis. Isto não mudará nada, somente te trará desgaste, dor e pesar.

Compreenda que a vida é compensatória e em sua missão de educadora adota metodologias bastante eficazes para a evolução de cada um, seja pelo amor ou pela dor. A escuridão nunca vence, e a luz sempre dissipa as trevas.

Você foi lesado, traído, roubado ou enganado? Não te preocupes, tampouco te desesperes. Aquilo que é teu, sempre encontrará um caminho de chegar até você.

NEM TODOS TERÃO OLHOS PARA VER E CORAÇÃO PARA SENTIR O VALOR QUE VOCÊ TEM. PORTANTO, RESPEITE-SE!

15/04/2020 às 17h48

Muitas pessoas ainda não têm a noção exata do verdadeiro sentido da palavra respeito, nem da profundidade e da capacidade que este sentimento tem de gerar sensações positivas e construtivas em nossas vidas. O respeito está diretamente relacionado ao olhar de cuidado e consideração que nutrimos por nós mesmos e por nossos semelhantes. O respeito é base para relacionamentos sólidos e duradouros, sendo gerador de sensações de solidariedade, gratidão e amor, assim como de atitudes como o cuidado e a empatia. Sendo assim, é um sentimento sagrado que precisamos necessariamente nutrir todos os dias para que seja internalizado. A representação mental através de vivências do respeito em nossas vidas é uma dinâmica que sobretudo deve iniciar de dentro para fora com condicionamentos e elaborações constantes através do treino de habilidades de condutas assertivas.

O respeito a si próprio está diretamente relacionado com a capacidade de sermos íntegros, respeitando os nossos limites, através da auto escuta do que nos incomoda, premissa para nos tratarmos com carinho, cuidado, dedicação e consideração. Ter respeito por si mesmo é exercer valores e princípios que são os códigos de conduta e ética pessoais e sociais sólidos que serão os pilares de nossas posturas perante nós, o outro e a vida.

O respeito deve sobretudo ter um sentido pessoal e não para demonstrar ao outro o valor que se tem.

Você não precisa da aprovação de ninguém para se amar e se cuidar, pois nem todos terão olhos para ver e nem coração receptivo para sentir o que é único em você. Quando olhamos a questão por esta perspectiva, o panorama muda, porque a partir deste novo olhar, vislumbramos a unicidade, subjetividade e a obra de arte única que somos, fazendo com que nossa postura de auto percepção e de autoimagem mudem. Ao contrário de estar em um estado de espera do outro para ser amado, seja proativo: presenteie a si mesmo o que você gostaria de receber das outras pessoas, seja a nível afetivo que material.

Reflexão Transmutativa:

Pergunte a si mesmo: será que não é você que está se colocando em situações que não “deseja”? Será que é você que não está se valorizando, se priorizando? Veja bem, não confunda orgulho e vaidade com autoestima e amor próprio; e exatamente por este motivo é que você já deve saber que se não tiver respeito por si mesmo, ninguém o terá. São muitas questões que precisam ser colocadas em pauta para que você compreenda como se relaciona com o outro e principalmente consigo. Portanto, ame-se, respeite-se, valorize-se, preserve sua imagem, valores e princípios, por você e não para obter valorização do outro. O mais que vier será apenas um complemento do que já está em estado de plenitude

TRAUMA EMOCIONAL: FERIDAS PROFUNDAS QUE SANGRAM

30/03/2020 às 09h36

Antes de conceituar trauma emocional, eventos traumáticos e suas consequências para o indivíduo, gostaria de fazer uma metáfora da vivência traumática como um quebra-cabeças que se reorganizou em uma imagem desfigurada e que necessita ser decifrada. Sendo assim, a imagem do quebra-cabeças seria o significado do vivido configurado de modo em que o ego muitas vezes não consegue decifrar, mas que o psicossoma se ressente e grita através dos sintomas psicossomáticos. Em outras palavras, no trauma, somos prisioneiros de nossa própria experiência que anseia por um significado, um todo vivido, uma vivência que deveria ter sido completada, com sentido, mesmo que dolorosa, porém libertadora. É a necessidade de passar pelo deserto devastador do caos para alcançar os campos verdes de uma existência integrada, sendo os sintomas o caminho de acesso ao trauma.

Durante o período em que pesquisei os Transtornos de ansiedade, mais especificamente o Transtorno de Pânico, senti a necessidade de estudar a importância do trauma para a evolução de um distúrbio ansioso. O estudo da Psicotraumatologia tornou-se fundamental junto com formação em Psicossomática, visto que ambos se complementam.

A Psicotraumatologia e a Psicossomática se complementam, visto que o trauma está diretamente relacionado com a própria experiência somática. Em outras palavras, o trauma vai se expressar através de sintomas que desembocam no psicossoma para manifestar suas memórias dolorosas e mal elaboradas mediante a exteriorização de uma doença psicossomática que foi eliciada por uma vivência traumática.

O que é o trauma psicológico?

Trauma é uma vivência subjetiva onde ocorreu um impacto psicológico significativo e que causou uma ruptura na estrutura psíquica em que o indivíduo necessita de um processo de readaptação para que esta mesma estrutura sobreviva de maneira funcional. É uma vivência que ultrapassa, que transborda todos os nossos recursos psíquicos. Por ser uma experiência subjetiva, o que é vivenciado como trauma para um indivíduo, pode não o ser para um outro. Existem também os traumas indiretos, em que indivíduos testemunham situações impactantes como acidentes ou homicídios de entes queridos. Também são considerados traumas, não somente a experiência individual, mas também a experiência coletiva, tais como catástrofes naturais, enchentes, terremotos, incêndios, tsunamis, dentre outros acidentes coletivos.

Em que consiste o trabalho da Psicotraumatologia?

A Psicotraumatologia trata dos traumas psicológicos, da cura das feridas emocionais, das memórias dolorosas, das cargas emocionais estagnadas, aprisionadas e não ressignificadas, bem como dos transtornos a estes relacionados, objetivando a “renegociação” do trauma. Talvez a pior ferida seja a emocional, visto que a ferida física é materializada, observada, representada. O sangramento da ferida emocional muitas vezes não estanca, pois não damos a devida importância. Contudo, vai nos devastando a vida.

Alguns eventos são potencialmente traumáticos, tais como: acidentes, perdas, divórcio, luto, agressões físicas e psicológicas, abuso sexual, relacionamentos abusivos, bullying, sentimento de desamparo e vulnerabilidade, mudanças abruptas que desestruture a rotina e o bem-estar do indivíduo.

O tempo cura os traumas emocionais?

A pessoa traumatizada e não tratada se desestrutura facilmente com experiências cotidianas, evocando através destas uma ferida emocional que não foi cicatrizada. Dependendo de sua magnitude e intensidade, o tempo não cura feridas emocionais profundas, requerendo cuidado e tratamento profissional competente, no caso um psicólogo, para o fortalecimento da resiliência, da autoimagem e autoestima. Vale à pena salientar que no caso de traumas na infância, a dor emocional é sentida, mas “não sabe de onde vem” (inconsciente), se configurando como forma de exprimir o que foi eliciado por eventos cotidianos que são os gatilhos para a (re) vivência do trauma. Exemplo: Uma criança que vivencia um abuso sexual, seu agressor (a) estava usando uma roupa de determinada cor, usava determinado perfume, etc. Cor da roupa e perfume, neste caso, são os gatilhos para a (re) vivência do trauma.

Conclusão:

Os traumas quando bem elaborados e ressignificados nos oportunizam o fortalecimento da nossa resiliência, da capacidade de mudar como lidamos com as circunstancias adversas, as crises, rupturas e reorganizações que são dinâmicas inerentes da vida.

SÍNDROME DE BURNOUT: EXAUSTÃO FÍSICA E EMOCIONAL CRÔNICA

19/03/2020 às 08h56

O objetivo deste artigo é alertar a população sobre as causas, os sinais e sintomas que podem levar ao desenvolvimento da Síndrome de Burnout, para em caso de identificação com a sintomatologia apresentada, a pessoa possa procurar o tratamento adequado.

Apresento também algumas dicas para afrontar da melhor maneira possível está síndrome também conhecida pela população como esgotamento nervoso, sendo particularmente desenvolvida no contexto do ambiente de trabalho, onde é gerado muito estresse na pessoa por diferentes motivos. Em outras palavras, a Síndrome de Burnout é uma resposta do organismo a uma carga de estresse significativa e duradoura em que a pessoa vai gradativamente perdendo as forças para continuar exercendo suas atividades cotidianas ou estas são realizadas com muito custo físico, cognitivo e emocional, o que ocasiona a redução da quantidade, bem como da qualidade do trabalho até que o indivíduo chegue à completa exaustão.

Além disto, muitas pessoas, particularmente as mulheres, tem dupla jornada de trabalho. Por outras palavras, além do trabalho fora de casa, muitas também precisam realizar as atividades domésticas que na maioria das vezes não é considerado um trabalho a mais, sendo que este pode ser até mais exaustivo, principalmente quando estas mulheres têm filhos, não importando a faixa etária dos mesmos.

Deste modo, é impossível conciliar multitarefas, pois são muitos estímulos simultâneos em que o organismo não dá conta de tanta sobrecarga. Na maioria das vezes, estas tarefas estratificadas e deixadas para depois sequer chegam a ser concluídas, gerando frustração e sentimento de culpa. Sendo assim, é necessário estabelecer o que para cada pessoa é prioridade, necessidade e urgência.

Para explicar melhor como a Síndrome de Burnout funciona, podemos fazer uma comparação da exaustão dos recursos psicofísicos da pessoa com a carga de um celular. Sem a recarga necessária para que o celular continue funcionando, este chega a um ponto crítico (sinal vermelho) em que adverte que a recarga precisa ser feita, pois de outro modo, o telefone se desligará por conta própria.

Comparativamente, antes do organismo chegar a um ponto crítico, este emite sinais e sintomas de alarme. Estas “bandeiras vermelhas” são muitas vezes desvalorizadas e relegadas por questões personalizadas, como por exemplo não ter tempo para cuidar da própria saúde. Vamos conferir estes sinais de alarme?

Sinais, características e sintomas:

  • Esgotamento físico e emotivo com tendência à cronificação;
  • Exaustão persistente, mesmo com um boa noite de sono;
  • Desmotivação, indiferença, perda de sentido e de realização na função ou trabalho em que é exercida;
  • Despersonalização, caracterizada por conduta de hostilidade e irritabilidade com clientes ou pacientes;
  • Baixa autoestima, sentimento de culpa e inutilidade, o que pode levar a estados depressivos ou mesmo à Depressão;
  • Faltas frequentes ao trabalho;
  • Conflitos interpessoais no ambiente laboral por irritabilidade, impaciência e nervosismo, levando inclusive estes conflitos para dentro de casa;
  • Insônia ou péssima qualidade do sono;
  • Dores de cabeça, principalmente as tensionais, devido à constante carga de estresse;
  • Necessidade de isolamento;

Vale à pena ressaltar que nenhum cansaço acontece da noite para o dia, sendo um processo contínuo de consecutivas exposições a elementos geradores de estresse e sendo, portanto, cumulativos para que surjam seus efeitos desagradáveis no organismo. Por este motivo, a pessoa necessita rever o seu próprio estilo de vida e avaliar os deflagradores de sua exaustão, como por exemplo, não se sentir satisfeito ou valorizado na profissão, se sentir sobrecarregado, ter dupla ou tripla jornada de trabalho, não ter momentos de lazer e relaxamento, dentre outros.

Diagnóstico:

Para um diagnóstico preciso da Síndrome de Burnout é imprescindível que o paciente faça uma avaliação multidisciplinar, pois muitas doenças, tais como a anemia, problemas na tireoide, Diabetes, doenças cardíacas, alergias e a Fibromialgia apresentam sintomas em comum com a Síndrome de Burnout. Portanto, o diagnóstico é feito por exclusão de doenças clínicas e transtornos psiquiátricos como a Depressão.

Dicas importantes:

Procure um médico para avaliação através de exames clínicos para refutar possíveis doenças;

Avalie seu ritmo de vida;

Avalie se você se sente insatisfeito, sobrecarregado ou desvalorizado em seu ambiente de trabalho. Em caso afirmativo, é necessário reavaliar sua vida profissional. Lembre-se: nunca é tarde para mudar de local de trabalho ou mesmo recomeçar sua vida profissional;

Estabeleça prioridades: todos temos as nossas limitações e se você insistir em um ritmo enlouquecedor, seu organismo vai se lamentar através de sintomas e sinais, como já foi corroborado;

Faça psicoterapia: através do trabalho psicoterapêutico, serão avaliados como se encontram seus recursos psíquicos, considerando as possíveis causas emocionais, tais como conflitos internos e interpessoais, insatisfações para a busca de um novo sentido de vida, bem como possíveis problemas psiquiátricos através de técnicas e instrumentais específicos.

ELABORANDO O LUTO PERINATAL: A BUSCA POR UM NOVO SENTIDO DE VIDA

08/03/2020 às 11h07

Cada perda nos traz uma experiência particularmente dolorosa, sendo necessário respeitar o tempo de elaboração do processo do luto, que é igualmente individual. Durante a vida, sofremos muitas perdas, sejam simbólicas ou reais e na maioria das vezes os dois tipos se mesclam na mesma experiência. Todavia, existe um luto particularmente delicado: o perinatal.

Culturalmente, falar de luto é um tabu, uma ferida que não deve ser tocada, principalmente no caso do Luto Perinatal, que é caracterizado pela perda do bebê em 3 condições peculiares:

  1. Durante o último estágio da gravidez;
  2. No processo do parto;
  3. Logo após o nascimento do bebê até os primeiros 7 dias;

O Luto Perinatal traz consigo reações adaptativas que repercutem diretamente na projeção de uma rotina que também foi interrompida e abortada.

O luto apresenta 5 fases que não são necessariamente lineares, não se manifestando do mesmo modo e havendo um tempo específico para cada uma destas fases que são: negação, raiva, negociação, “Depressão” e enfim a aceitação. Durante este trabalho, podem acontecer muitas recaídas de fases que se pensava ter sido superadas, mas que na realidade ainda se encontram de maneira latente e inacabada, esperando uma forma de se expressar para a elaboração daquela perda. Dar as costas para o trabalho do luto é fazer uma dívida com um agiota, em que virão cobranças e juros com um alto preço a ser pago.

No caso específico do Luto Perinatal, a mãe apresenta um desafio triplo: enlutar o filho, elaborar as projeções e idealizações construídas para este filho antes e durante todo o período de gestação, bem como dar um lugar simbólico ao filho perdido. Isto porque quando uma mulher deseja ser mãe, este já existe em seu imaginário, onde o mesmo é nomeado, tendo um lugar na família e sendo muitas vezes gerado com ele planos, projeções e sonhos. Por outras palavras, em alguns casos o bebê já existe mesmo antes de ser gerado.

Além disto, aquela mãe precisa se desfazer do enxoval do bebê, do seu quarto ou do lugar que ele iria ocupar no espaço da casa, necessitando igualmente elaborar as experiências sensoriais vividas. Por exemplo: quando o bebê se mexeu pela primeira vez, a emoção do primeiro ultrassom, o acompanhamento da barriga crescendo e formação do bebê, o momento em que escutou os seus primeiros batimentos cardíacos, para a partir de então estar pronta para buscar novos sentidos existenciais.

Além do luto de um filho esperado e idealizado, é necessário afrontar a tristeza em abortar o sonho de ser mãe que não foi concretizado, causando um imenso vazio existencial, uma dor indescritível que parece que nunca será curada e em casos específicos podendo se caracterizar como uma verdadeira experiência traumática.

Faz-se necessário um cuidado especial para com esta mãe para que não entre em uma Depressão propriamente dita, pois ela não perdeu somente um bebê, mas as vivências sensório-motoras carregadas de afeto, bem como as expectativas que ansiavam por ser vivenciadas após o seu nascimento. Vale à pena salientar que o tempo não cura o sofrimento, este é tratado através da ressignificação da experiência malograda. Por este motivo, nos primeiros meses, o trabalho do luto é um verdadeiro desafio e necessita de suporte familiar, bem como da rede de apoio social.

As pessoas geralmente romantizam o luto, dinâmica esta que necessita sim de ser vivenciada e trabalhada. Tenho a impressão de que hoje em dia as pessoas perderam o direito de enlutar, de sentir tristeza, de vivenciar suas dores emocionais, tão importantes para o substrato da resiliência de que tanto precisam consolidar para afrontar os embates da vida, para se reorganizarem, para se reerguerem, para sentir novamente o pulsar da vida dentro de si mesmas e para dar um novo sentido existencial ao que era caro e que foi perdido. Importante salientar que a vivência do luto não é somente necessária para seguirmos adiante, mas para a própria saúde mental da pessoa enlutada, visto que um luto mal elaborado continua vivo. Nunca é demais reiterar que cedo ou tarde esta perda precisará ser confrontada e elaborada como meio preventivo para que estas experiências não sejam projetadas em uma próxima gravidez.

PRECISAMOS APRENDER A ATRAVESSAR A NOITE ESCURA DA ALMA

07/03/2020 às 16h05

Somos itinerantes da vida e eternos buscadores de nossa essência. Atribuímos significados à nossa existência, às nossas experiências, sempre questionadores e ansiosos por respostas às nossas crises. Viver significa experimentar todos os gostos, sabores e dissabores, e muitas vezes, a vida, no ponto de vista da aprendizagem, nos fecha as cortinas radiantes da luz que nos orientava em nosso percurso, deixando-nos apenas a penumbra de nossa busca de compreensão para a vicissitude daquele momento.

Em algumas fases da vida precisamos acender o candeeiro do nosso ser, alternativa única para aclarar a estrada possível na busca do discernimento. Em alguns momentos, nos sentimos perdidos, confusos e desorientados. Parece que tudo o que fazia sentido em nossas vidas perde o significado que atribuíamos, pois percebemos que precisamos deixar para trás certezas e valores que não respondem mais às nossas questões. Deparamo-nos com um momento de transmutação, de purificação, de transição, onde somos tomados pela sensação de angústia, de desamparo, de reflexões sobre a morte, da falta de fé na vida, e mesmo crises de identidade. Há uma sensação de despertencimento. Visualizamos as ilusões do que eclipsa em nosso ser em busca da epifania iluminada de nossas estrelas internas; acontece uma espécie de morte anímica que nos proporciona um novo renascer.

A noite escura da alma é uma verdadeira “prova de fogo” para o “buscador de si”, onde daquele ponto não existe outra possibilidade que seguir adiante na factualidade do que a vida nos oferta naquele momento, sendo também uma prática libertadora, apresentando-se como verdadeiro desafio de crescimento para alicerce da expansão da consciência. Sentimos não somente solitude, mas solidão, e tal como o eremita, temos apenas nossa eterna companhia para atravessarmos o rio Estige de nossa morte simbólica, de nossos restos arcaicos.

Geralmente a vida traz desafios daquilo que precisamos aprimorar. Todos nós, em algum ponto, em algum momento da vida, em alguma circunstanciamos, por conta de alguma crise nos sentimos atordoados. Este momento é um convite da vida à reflexão, é um despertar crítico para o buscador. Fatores externos balançam nossas estruturas, temos vontade de desaparecer em meio aos escombros da angústia represada que nos desestabilizaram. O coração se fecha, viver parece uma carga insuportável e tudo o que mais queremos é encontrar uma saída, um remédio, qualquer coisa que nos tire do nosso mal-estar, mas parece que nada funciona, nada traz alento.

Quando estes aspectos se reúnem, uma transformação está por acontecer; mudanças significativas se anunciam, acontecimentos nos surpreendem com novas propostas, nem tanto acolhedoras. Neste momento, estamos atravessando pelas águas arquetípicas que espelham nosso lado sombrio: estamos atravessando a noite escura da alma. Esta noite sombria é um processo divisor de águas entre o que não deixamos totalmente de ser, e os prelúdios da essência que brota como parte nossa. Mas todas as noites escuras passam, uma nova aurora chegará, pois como diz o salmo 30, “O choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”.

É preciso encontrar a harmonia e o equilíbrio para afrontarmos com serenidade as visitas das nossas noites escuras que são geradas normalmente por experiências emocionais negativas, como um luto, separação, mudanças inadaptadas ou quaisquer acontecimentos que coloque em jogo a capacidade de elaboração do indivíduo diante das atribulações advindas de mudanças bruscas. Estes eventos são catalizadores através dos quais apontam a necessidade de uma mudança especifica em nossas vidas. É necessário reconhecer estes sinais, mesmo em meio ao temporal. Não podemos nunca deixarmos questões que nos causam sofrimento para depois, na esperança que estes se resolvam sozinhos; é preciso afrontá-los, digeri-los, questioná-los e ressignificá-los para que possamos nos reconectar com nossa essência e seguirmos adiante, pois não existe dor pior que a emocional.

Reflexão transmutativa:

E você, tem transmutado seu sofrimento? As lágrimas são curativas, tirando as impurezas da alma, assim como a chuva lava toda a poluição do ar, para surgir o broto. O lavar a alma faz surgir o nosso lótus interior, a luz de nossas compreensões, sendo uma oportunidade única de transmutação. É momento de cura interior. Tente reunir todas as suas forças caso esteja passando pela noite escura da alma, pacificando seu coração, pois uma coisa na vida é certa: toda experiência é transitória! Porém, o aprendizado permanece. Depois deste processo você não será nunca mais o mesmo. E não esqueça que é no ápice da noite escura que podemos vislumbrar os primeiros raios da alvorada. Precisamos passar nossos desertos para vislumbrarmos o oásis do nosso entendimento.

A ONIOMANIA COMO SINTOMA DE UMA SOCIEDADE DESCARTÁVEL

25/02/2020 às 16h41

Este texto objetiva elucidar a população do que se trata a Oniomania, bem como oferecer recursos e estratégias de enfrentamento para lidar com este distúrbio, de modo a dirimir o sofrimento e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida de quem sofre deste transtorno.

O que é Oniomania?

Oniomania é o impulso incontrolável de comprar algo que não apresenta real necessidade, onde a pessoa não dispõe de recursos financeiros ou que este supere seu orçamento para efetuar o pagamento destas dívidas, dificultando ou mesmo prejudicando seus compromissos, sua qualidade de vida, bem como a de terceiros.

Vale a pena salientar que, no caso em que a pessoa mesmo tendo condições financeiras, mas não controla o impulso de comprar, abarrotando objetos que não sabe sequer quando (e se) vai usar, também pode sofrer de Oniomania, pois a característica central do transtorno não é a condição socioeconômica, e sim a dificuldade ou mesmo incapacidade de controlar este mesmo impulso.

A oniomania ou Transtorno do comprador compulsivo tem acometido cada vez mais pessoas em todo o mundo, chamando atenção da Organização Mundial de Saúde diante das estatísticas cada vez mais alarmantes. Acomete mais mulheres que homens, podendo ser crônico ou recorrente. Sintomas da Oniomania:

Podemos dividir os sintomas em característicos e os de abstinência:

Como foi elucidado, observamos como sintomas característicos, “o comprar pelo prazer de comprar”, não havendo necessidade nem funcionalidade de uso do objeto, sendo muito comum a compra do mesmo de cores diversificadas ou em número excessivo, com o intuito de usá-lo posteriormente.

Quanto à sintomatologia de abstinência, podemos enumerar em casos mais brandos a irritabilidade, e em casos extremos ou patológicos, a sudorese, a dispneia e o impulso incontrolável para a compra.

Neste último caso, a oniomania não se diferencia dos sintomas característicos da síndrome de abstinência de drogas como cigarro e álcool, bem como dos jogos patológicos e da nomofobia (vício a smartphones, tablets e computadores). Sendo assim, o ato de comprar se torna distúrbio quando a pessoa tem pensamentos intrusivos que somente serão aliviados quando a pessoa efetua o ato de comprar, trazendo prejuízos econômicos, sociais e relacionais.

Transtorno Obsessivo Compulsivo e Oniomania:

A Oniomania apresenta muitas características em comum com o TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo), tais como o acúmulo de objetos, as obsessões (pensamentos intrusivos), a compulsividade para aliviar a ansiedade provocada pelas obsessões, bem como o sentimento de culpa após efetuar o ato da compra. No entanto, se diferencia do TOC, visto que os oniomaníacos apresentam apenas o ritual de comprar, mas não os rituais de verificação, limpeza, simetria, superstição, dentre outros sintomas que caracterizam o TOC. No entanto, isto não implica que a compulsão por compras não possa estar presente como comorbidade no Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Questões psicológicas relacionadas à Oniomania

Assim como em qualquer transtorno, existem questões subjacentes de cunho psicológico que são deflagradores preditivos de comportamentos de adicção os quais se configuram como mecanismos de defesa para lidar com a carência afetivo-emocional, a baixa autoestima, a necessidade de auto aceitação, de inclusão social e o vazio existencial que norteiam nossa atual sociedade hedonista, descartável e imediatista. É necessário rever os valores que direcionam nossa vida, para nos conscientizarmos do que de fato é importante para mantermos nossa tranquilidade e paz de espírito, apesar dos condicionamentos e apelos da mídia e do marketing.

Recursos de enfrentamento para lidar com a Oniomania:

O primeiro passo para a cura é a auto aceitação. Procurar se auto perceber, se avaliar, se auto questionar sobre suas reais necessidades. Neste caso, procurar compreender qual a função do comportamento de compra na vida do indivíduo, que vazio emocional está tentando preencher, quais conflitos existenciais está tentando anestesiar através da obtenção de objetos pessoais.

Sendo assim, é necessário compreender o que existe por trás do desejo irracional por comprar, para que, a partir da ajuda de um psicólogo possam ser modelados novos comportamentos. Torna-se necessário que o indivíduo saiba administrar o que lhe proporciona prazer e bem-estar, de modo que estes não se configurem posteriormente como uma dependência. Caso tenha se identificado com o artigo e acredite que necessite de ajuda profissional, uma ótima recomendação é a psicoterapia e as redes sociais de apoio.

ESQUADRINHANDO NOVOS HORIZONTES, ENVEREDANDO NOVAS ESTRADAS

24/02/2020 às 17h44

A organização interna é um movimento diretamente relacionado com o autoconhecimento e a renovação. É muito importante nos permitir este processo para transformar fatores externos que porventura nos incomodam ou nos desalentam. A renovação é uma necessidade vital, existencial. Sendo assim, para que de fato exista a busca de novos horizontes, torna-se necessário uma reestruturação interna através do autoconhecimento. O movimento de renovo, de transformação, de reorganização sempre deve partir de uma disposição interior; caso ocorra o contrário, sempre será uma dinâmica rasa, fútil, pouco frutífera, enganosa e consequentemente frustrante. Por este motivo, a importância de sermos conscientes e resilientes. Ninguém é forte sempre. O que nos torna resilientes não é a possibilidade de desorganização, mas sim a capacidade de se reorganizar quantas vezes for necessário.

Para a resolução de qualquer desafio existencial e para a construção de novos alicerces fundamentais é imprescindível detectar, se conscientizar e aceitar que algo precisa ser modificado. Partindo do movimento de expansão da consciência com o propósito para a mudança, será possível construir estratégias para os resultados que desejamos. Sim, é necessário alimentarmos a esperança em dias melhores, buscando novos horizontes, trilhando novos caminhos por nós já tão conhecidos, mas ressignificados, desvencilhando-nos do sentimento de vitimismo. A auto piedade anula o otimismo na vida, pois ofusca os benefícios que temos ao nosso dispor. A armadilha deste sentimento é que você percebe como mais importante e determinante na sua vida os aspectos “negativos” e as “faltas”, o que nos levam a um estado de desesperança, tristeza, falta de fé em si mesmo e na vida.

Todavia, existe uma diferença entre alimentar a esperança em uma vida nova e nutrir expectativas que dependem de outrem. Pode acontecer de esperarmos demais dos outros e pouco contribuirmos nesta economia relacional. Vale à pena salientar que quem nutre expectativas deve estar disposto a se responsabilizar por possíveis frustrações. A pior mentira é aquela que você conta para si mesmo; a pior das ilusões é aquela alicerçada em bases inexistentes. Sendo assim, vez ou outra precisamos “aparar as arestas” com a vida, separar o joio do trigo, selecionar o que é vivo e presente daquilo que só ocupa espaço. Precisamos aprender a trilhar novos horizontes.

Geralmente nos lamentamos que nada muda, que as pessoas são as mesmas, que as circunstâncias não se renovam. Mas até que ponto estamos dispostos a mudar? Você está presentificando, renovando a sua vida? Enquanto você está ancorado no passado ou idealizando um futuro, o presente está acontecendo. O passado não poderá ser modificado e preocupar-se não resolverá os seus problemas, mas sim uma ação assertiva, diretiva e inteligente diante das situações através do treino de habilidades e desempenho sociais e relacionais, mas principalmente da capacidade de conexão consigo mesmo.

A esperança de uma vida renovada necessita de uma decisão forte, contínua, firmando novos condicionamentos presentificados e diários, dentre eles o principal a responsabilidade consigo mesmo. Ninguém poderá promover mudanças estruturantes em nossas vidas sem nossa permissão; ninguém tem este poder. Nenhuma pessoa poderá fazer uma dieta em nosso lugar, deixar de fumar ou beber por nós. Mudanças pessoais nunca poderão ser terceirizadas. Poderemos ter o melhor cardiologista do mundo, mas se não seguirmos suas instruções ou tomarmos a medicação corretamente, este profissional não nos será útil. O outro poderá sim nos auxiliar, mas todo movimento verdadeiro é sempre de dentro para fora. Muitas vezes cansamos de ser os mesmos, de buscar as mesmas ilusões. Talvez a melhor escolha seja esquadrinhar novos horizontes, enveredar por novos caminhos, ampliar a consciência, despertarmos para a metanóia da vida.