Revista Statto

O PISAR E O PESAR – Como desenvolver ponderação

02/12/2020 às 15h38

Seja dentro do próprio indivíduo, entre indivíduos, grupos, instituições ou nações, o conflito é o ponto onde duas forças contrárias se encontram, exigindo uma reorganização das energias e a busca de novos rumos.

Pierre Weil, este Bandeirante do Descobrimento Humano, que foi o primeiro Reitor da UNIPAZ – Instituição de Educação para a Paz no mundo – nos oferece um poderoso e útil instrumento de solução de conflitos. Ele o denominou de PISAR… PESAR (PISAR – sigla composta pelas palavras: percepção > imaginação > sentimento> ação> reação. PESAR – sigla que representa a solução do conflito, pela substituição do processo de imaginação por uma estimativa, formando uma nova estratégia de ação: percepção> estimativa> sentimento> ação> reação).

Uma reflexão mais aprofundada sobre as duas siglas, também nos revela alguns conceitos: o verbo pisar é a ação de pôr os pés sobre, calcar, espezinhar, aplicando o próprio peso sobre algo ou alguém, e exercendo sobre ela a ação da gravidade. O verbo pesar, por sua vez, é uma palavra polissêmica, que tanto pode ter o sentido de causar dor, como de avaliar o peso, ação normalmente feita com o auxílio de uma balança, que simboliza a própria justiça, traduzida em equilíbrio e ponderação. O termo imaginação refere-se à substituição da ação real, por uma série de imagens ou representações mentais, através das quais se busca compreender um acontecimento. Estimativa, também é uma palavra polissêmica, que tanto pode significar o ato de avaliar, como o sentimento de estima e amor, que uma pessoa tenha por algo ou alguém.

A partir destes esclarecimentos, podemos acompanhar, através de um exemplo, o desenvolvimento do PISAR e do PESAR, numa situação de conflito:

O PISAR (percepção> imaginação> sentimento> ação> reação)

Ocorrência: Pela manhã, na padaria, dou Bom Dia para o meu vizinho. Percepção: Não ouço nenhuma resposta.

Imaginação: Por que ele não me respondeu? Será que ele está aborrecido comigo? Mas, eu não lhe fiz nada! Ele é que é mal-educado.

Sentimento: Estou começando a sentir raiva desse vizinho.

Ação: Não vou mais cumprimenta-lo.

Reação do vizinho: Não sei o que aconteceu com o fulano, que ele não fala mais comigo, quando nos encontramos, pela manhã, na padaria.

Resultado: Uma inimizade gratuita, gerada pela falta de diálogo e esclarecimento.

O PESAR (percepção> estimativa> sentimento> ação> reação)

Ocorrência: Pela manhã, na padaria, dou Bom Dia para o meu vizinho.

Percepção: Não ouço nenhuma resposta.

Estimativa: Por que será que ele não me respondeu? Será que ele está aborrecido comigo ou será que está apenas distraído? Não tenho como saber o que acontece dentro de outra pessoa, se ela não me falar. Estou apenas pressupondo ou imaginando os motivos dele, mas não tenho como saber a verdade, se eu não lhe perguntar. Vou cumprimenta-lo novamente. Talvez eu tenha falado baixo demais.

Sentimento: Sinto-me aberto e disponível para continuar a conviver bem com o meu vizinho.

Ação: Bom Dia!  (Com um sorriso).

Reação: Oi, Bom Dia (com um sorriso). Eu estava aqui tão distraído, tentando me lembrar do que minha esposa me pediu para comprar, que nem tinha visto você.

Percepção: Meu vizinho sorriu para mim.

Sentimento: Gosto do meu vizinho e me sinto correspondido neste sentimento de fraternidade.

Ação: É assim mesmo. A vida de hoje é muito corrida (compreensão dos reais motivos do vizinho, para não lhe ter respondido)

Reação: Cumprimentar o vizinho, sempre que se encontrarem.

Como vimos, a chave de solução de todos os conflitos é a estimativa, a qual pode ser traduzida como uma predisposição nossa para estabelecermos relações interpessoais, com base na verdade dita com amor. E isto vale tanto para a resolução de conflitos dentro de nós mesmos, quando nos dispomos a um diálogo aberto, amoroso e verdadeiro, com nossos próprios sentimentos, como para a solução de conflitos com todos aqueles com quem convivemos, na família, no trabalho ou na sociedade. Podemos, desse modo, transformar os conflitos em oportunidades de crescimento interior e de construção da PAZ, que todos nós tanto desejamos encontrar, dentro e ao redor de nós…

VIVENDO O CAOS SOCIAL

09/10/2020 às 10h52

Diante de uma economia globalizada, cresce a estratificação das classes sociais. Enquanto um grupo cada vez menor de brasileiros, torna-se mais rico, aumenta, neste país, a grande massa empobrecida pela má distribuição de renda. Em consequência disso, aumenta também a violência urbana – os pequenos delitos, os assaltos e sequestros – apesar de todo o aparato de segurança, cada vez mais especializado. Paralelamente a esta estratificação, a perda de valores éticos e os maus exemplos, em todos os setores e níveis da estrutura social brasileira, diariamente transmitidos pela mídia, são um incentivo à quebra dos valores morais que se perderam nas últimas décadas. A ética atual não privilegia o respeito ao direito do próximo, mas ao ganho fácil do mais forte sobre o mais fraco e as “vantagens” alcançadas pelos mais “espertos”. Estas distorções linguísticas originadas no empobrecimento cultural do povo e na falta de oportunidades numa sociedade cada vez mais complexa, alimentam e justificam os desvios de comportamento social, cada vez mais frequentes.

É importante que se compreenda que o aumento da violência é uma consequência da falta de estrutura econômica, social e educacional e não, simplesmente, uma consequência da falta de repressão policial e vigilância ostensiva. Sabemos, por experiência própria que, quando não estamos sendo vigiados, somente deixamos de fazer aquilo que acreditamos que seja errado, segundo nossos próprios valores éticos. Diz a sabedoria popular que “quando os gatos estão fora, os ratos fazem a festa”. Usando esta mesma metáfora, sabemos também que os hamsters, que são ratos de estimação, por serem devidamente amados e estarem devidamente cuidados e alimentados, diminuem, de forma natural e espontânea, a tendência instintiva de roubar alimentos, a qual sempre se origina na premência de atendimento às necessidades básicas.

Os comportamentos de desvio social não ocorrem por acaso. Eles têm uma longa trajetória, que normalmente se inicia com um pai ausente ou alcoólatra, que muitas vezes surra ou sevicia, tornando preferível a busca da rua, desestruturada e, ao mesmo tempo, livre e sedutora, porque permissiva e totalmente sem regras ou limites. Limites estes que, simbolicamente, são representados pela figura paterna. As pesquisas comportamentais mostram que, quanto mais a figura paterna é ausente, omissa ou problemática, deixando de exercer a sua função básica de apoio e autoridade, maiores são os desvios de comportamento social.

Quando se associam necessidades básicas não atendidas e falta de estrutura educacional no seu sentido amplo de “desenvolvimento das capacidades físicas, morais e intelectuais da criança”, esta perde totalmente a possibilidade de estruturar-se como elemento consciente e produtivo para a sua sociedade.

Reprimir a violência cria pressões sociais cada vez maiores, com o aperfeiçoamento das perversas técnicas de guerra urbana que, fomentadas pelos jogos eletrônicos, dia-a-dia, tornam-se mais violentas. De suas janelas, os impotentes moradores, assistem à troca de balas entre bandos inimigos ou entre bandidos e policiais, riscando o céu noturno com seu raio luminoso e mortífero. Até quando ainda defenderemos o pensamento simplista de que basta reprimir, para acabar com a violência? Não será também um ato de violência da sociedade organizada, acreditar que aqueles a quem falta tudo, deverão sofrer calados e quietos, todas as injustiças sociais deste país, para não incomodarem, com suas misérias, o conforto e o laser dos mais abastados?

Ao ser informada de que o povo não tinha pão para comer, Maria Antonieta, Imperatriz da França, indagou por que eles não comiam bolo. Tanto descaso pelas condições de seu povo, custou-lhe a própria cabeça. Será que ainda não percebemos que caminhamos para o caos, na medida em que, enquanto sociedade organizada, não nos preocupamos com os investimentos na área educacional e social? Será que não percebemos que o único caminho para reverter este caos, que irá engolir a todos nós, é o caminho da educação e da reestruturação social, através de uma aproximação maior entre a família, escola, as igrejas e a sociedade como um todo?

Teoricamente educar é preparar para a vida em comunidade e para o exercício da cidadania. Na prática, o grande contingente de crianças entregues à própria sorte tem engrossado as fileiras do grande exército de miseráveis que não tendo nada mais a perder, em seu desespero e revolta, querem levar com eles, alguns de nós.

Até quando assistiremos impassíveis e omissos a esta desestruturação social? Como a Imperatriz da França, vamos esperar que a Bastilha seja invadida pela turba desesperada? Ainda é tempo de usarmos as nossas cabeças…

NO MUNDO DO NÃO FAZ NADA

15/09/2020 às 09h58

Um Conto sobre o potencial dos Adolescentes

Naquele dia, Rafa estava muito irritado. Seus pais só ficavam lhe cobrando uma porção de compromissos entediantes. Que Saco! Dizia ele. Todo dia era a mesma coisa. Não aguentava mais. À noite, Rafa estava exausto, com tantas pressões. Depois de muitas horas gastas nos jogos online, dos quais tanto gostava e o tiravam do tédio diário, já alta madrugada, ele foi dormir, sonhando com “O mundo do não faz nada”. Ahh! Como seria bom, ter tempo livre para fazer somente o que gostava. Porque o mundo era tão chato? Seus amigos eram da mesma opinião. Os adultos complicavam a vida, criando regras inúteis, tarefas mil e compromissos desnecessários. Por isso eram tão aborrecidos, quase sempre discutindo uns com os outros. E ainda nos chamam de “aborrecentes”. “Aborrecentes” são eles! O mundo poderia ser tão simples! Pensava Rafa, no auge do seu mau humor. Ansiando por uma saída para o problema, Rafa desligou seu notebook e após alguma dificuldade em conciliar o sono, pelo excesso de estímulos luminosos, mergulhou num sono profundo e conturbado e na surpreendente experiência de atravessar o portal do “Mundo do não faz nada”. Uma sensação de profundo alívio, tomou conta de todo o seu ser; para dizer a verdade, de cada célula do seu corpo, trazendo-lhe uma deliciosa sensação de liberdade, há muito não sentida.   Enfim estou livre de toda aquela chateação, pensou alegremente, surpreso com a liberdade recém-conquistada. Neste novo mundo, seus pais estavam misteriosamente ausentes, e ele sentiu-se confortavel, deitado em sua cama, tendo nas mãos o controle remoto da TV do seu quarto e, mais adiante, o notebook que deveria ser utilizado para as aulas online, durante a quarentena do Corona Vírus. Olhou o celular, para ver as horas, mas este não acendeu. Estava desligado. Levantou-se, ainda com preguiça, em busca do carregador e conectou- o na tomada, junto à cama, mas o celular nem deu sinal de vida. Achou estranho, mas como também ainda estava meio “desligado”, pegou o controle remoto e ligou a televisão, mas está também não acendeu. Estranho! Pensou ele. Acho que estamos sem luz! Ainda sonolento, levantou-se e clicou no interruptor, mas a luz do teto não acendeu. Ehh! Estamos sem luz, constatou ele.

Enquanto aguardava que a luz retornasse, foi até o banheiro para fazer a higiene pessoal que seus pais tanto lhe cobravam. Olhou-se no espelho e viu suas grandes olheiras, testemunhas das noites mal dormidas e o cabelo despenteado. Ainda disposto a rebelar-se contra todas as regras que lhe eram impostas, já que seus pais estavam ausentes, decidiu que não iria pentear os cabelos. Foi até a cozinha para comer algo, mais pela cobrança paterna do que pelo apetite. Costumava comer sanduiches à noite e ao acordar, não sentia fome. Decidiu que também não iria comer nada. Afinal, estava livre de todas estas regras bobas. Olhou pela janela e viu que o dia estava bonito. Decidiu pegar a sua bicicleta e dar uma volta. Talvez encontrasse algum amigo. Assim pensando, foi até a garagem, onde sua bicicleta ficava encostada na parede ao fundo. Lembrou-se que havia muito tempo que não pedalava. Não sentia disposição para exercícios físicos, até mesmo porque, na maioria das vezes, dormia até a hora do almoço. Quando chegou perto de sua bike, percebeu que uma aranha havia feito ali a sua teia. Pegou um pano meio sujo, que ele mesmo havia jogado no chão, tempos atrás e removeu a teia de aranha, jogando o pano no chão, novamente. Esperava que sua mãe ou a faxineira acabassem recolhendo. Realmente estava precisando liberar o seu mau humor. Porém, ao olhar para o pneu dianteiro, viu que estava vazio. Droga! Lamentou-se. Teria que ir primeiramente ao borracheiro, para enchê-lo. Ainda bem que havia um bem na esquina da sua rua. Decidiu ir empurrando sua bike até lá, porém, para sua surpresa, a loja estava fechada. Tentou lembrar-se do dia da semana! Sim! Era um dia de segunda-feira. Teria havido algum problema? Ainda cheio de interrogações, viu um colega sentado na praça em frente e, encostando a bicicleta na porta fechada da loja, caminhou até lá:

_Ei!, Cara, tudo bem? Perguntou para puxar assunto.

_Bem nada, cara! Não sei o que está acontecendo. Está tudo fechado, sem luz, sem TV, sem celular, sem notebook e também não vejo meus pais para pedir ajuda.

_EH! Respondeu Rafa, muito desanimado. Vi um portal dizendo que aqui é o “Mundo do não faz nada”!

Sentindo-se muito desanimado, Rafa deixou-se cair no banco, ao lado do colega. Sentia um tédio total.

_Você quer ir lá para casa, me fazer companhia? Perguntou!

_Sim, respondeu Beto, pensando que seria melhor do que ficar ali, sentado na praça deserta. Pelo menos, poderiam conversar ou jogar algum jogo, mas lembrou-se também que, havia muito tempo, tinha-se desfeito dos jogos interativos não eletrônicos, porque eram coisas do passado. Levantou-se e seguiu Rafa até sua casa. Quando lá chegaram, Rafa lembrou-se que não tinha a chave para entrar, o porteiro eletrônico não funcionava e o zelador do prédio não viera trabalhar. Estavam literalmente na rua… O que fazer? Rafa e Beto começaram a sentir-se muito desconfortáveis, como se uma espécie de estado de alerta começasse a se instalar em suas mentes, corações…. Fazendo com que os batimentos cardíacos se acelerassem. E se viesse a passar mal? Onde seria socorrido? Será que os serviços essenciais estavam funcionando? Pela quantidade de lixo antigo nos cantos das calçadas, percebeu que não. Somente os vermes caminhavam ativos pelo lixo apodrecido, em busca de alimento.

_Será que os bichos não faziam parte do “Mundo do não faz nada”, indagou a si mesmo. Mas não tinha tempo para reflexões. Seu estômago dava sinais de fome, pela proximidade da hora do almoço. Mas almoçar, onde? O que? Como? Seu desespero aumentou e Rafa perguntou ao amigo de infortúnio, qual seria a solução. Beto apontou para um terreno baldio, em frente à praça, onde havia crescido uma frondosa mangueira, dentro da perfeita Lei da Natureza e ofertava seus saborosos frutos a quem gostasse de mangas e também a quem não gostasse de mangas…. Apenas cumprindo seu propósito de vida. Num de seus galhos, um João de Barros, preparava o ninho para a sua companheira e logo que estivesse pronto, nele colocaria seus ovinhos para uma nova ninhada. Rafa pensou que realmente os bichos não faziam parte do “Mundo do não faz nada”. Os dois rapazes caminharam até lá, pegando, no chão, as mangas já amadurecidas e dedicando-se ao “trabalho” descascá-las. Dois frutos para cada um foram suficientes para aplacar, temporariamente, a fome voraz da adolescência.

Quando voltaram ao banco da praça, mais jovens se reuniam ali. Falavam todos ao mesmo tempo, querendo ser ouvidos e atendidos em seus questionamentos sobre o que estava acontecendo, cada vez mais preocupados com a possibilidade de passarem a noite ao relento. Haviam saído pela manhã, sem agasalhos, não tinham cobertores e nenhum deles se preocupara em pegar as chaves de casa, ao sair, conforme seus pais sempre recomendavam. Não tinham outra opção a não ser se agruparem no quiosque central, para atravessarem uma longa noite insone, tensa e desconfortável, totalmente diferente de suas confortáveis camas, com travesseiros fofos e cobertas aconchegantes.

Ao chegarem ao quiosque, uma nova surpresa os aguardava. Por incrível que parece, ali estavam mendigos de diferentes idades, que haviam catado alguns

Ao chegarem ao quiosque, uma nova surpresa os aguardava. Por incrível que pareça, ali estavam mendigos de diferentes idades, que haviam catado alguns restos de alimentos nas lixeiras, e se enroscavam em seus velhos e sujos cobertores. Ao verem os jovens entrando, solidariamente abriram espaço para eles no grupo, e começaram a conversar. Apesar do cheiro bem desagradável, aqueles homens traziam dentro de si mesmos, muitas experiências de vida e muitos arrependimentos. Alguns contaram suas tristes histórias e falaram sobre a ausência de estrutura familiar e falta de oportunidades; outros falaram sobre as muitas oportunidades de estudo e trabalho que haviam deixado passar, por quererem permanecer no “Mundo do não faz nada”. Agora, alguns afogavam suas mágoas no álcool e outros fugiam da triste realidade, através do uso de drogas. Os jovens ficaram muito impressionados com seus relatos…

Os últimos acontecimentos haviam deixado os jovens emocionalmente muito abalados. Ahhh! Que saudade de casa!… Pensou Rafa, começando um choro entrecortado de lamúrias, no que foi seguido pelos outros. Que saudades da família! …. Quanto tempo iria durar aquele martírio? Perguntavam-se uns aos outros. Qual seria a forma de sair daquele pesadelo sem fim? Como um lampejo luminoso, este pensamento atravessou rapidamente o cérebro do jovem Rafa, lembrando-se de beliscar um dos colegas, para ver se este estava acordado. A estratégia funcionou. Para sua surpresa, o colega desapareceu da sua presença. Imediatamente beliscou outro e este também desapareceu e assim sucessivamente, até que Rafa resolveu beliscar-se com bastante força, para pôr fim ao seu tormento. Como num passe de mágica, viu-se deitado em sua confortável cama, bem no momento em que sua mãe entrava em seu quarto, chamando-o para o café da manhã. Havia sido realmente um pesadelo. O pior de sua vida. Imediatamente, Rafa levantou-se, deu um grande beijo no rosto surpreso de sua mãe, indo ao banheiro para a higiene matinal. Com imensa alegria abriu o chuveiro elétrico, que liberou de pronto a água morna. Ainda tinha lembrança do odor fétido dos corpos suados, sem banho…. Rafa não se recordava de ter tomado um banho tão gostoso, desde que entrara na adolescência. Sempre havia considerado que tomar banho era uma perda de tempo útil, que poderia ser dedicado ao laser. Mas agora, perguntava-se como seria se também a água não chegasse às adutoras e hidroelétricas e pensou como as pessoas que lá trabalhavam eram importantes. Gratidão a elas!… Terminado o banho, Rafa olhou-se no espelho, penteando seus cabelos com capricho e escovando os dentes. Afinal, tinha pente, espelho, escova, pasta, sabonete e uma toalha felpuda para se enxugar. Neste momento, sentiu-se muito grato aos pais, que lhe proporcionavam tudo isso, além dos altos custos com as mensalidades escolares e o material didático, tratamento ortodôntico…. Poxa! Como tivera sorte de nascer num lar formado por pais conscientes. De imediato lembrou-se do João de Barros construindo o ninho para sua única companheira. Ehhh! Os animais estão mais conscientes das leis da vida do que os seres humanos. Olhando-se novamente no espelho, percebeu que ficara rubro de vergonha e descobriu que estava despertando sua consciência para o real sentido da vida. Estava pronto para amadurecer, desenvolver seus potenciais de realização e tornar-se útil à sociedade, como seus pais lhe ensinavam.

Alegremente caminhou até a cozinha, onde sua mãe já havia colocado o leite e o achocolatado de sua preferência. Vendo que faltavam ainda os talheres junto às xícaras, prontamente levantou-se para pegá-los na gaveta, enquanto seus pais se entreolhavam surpresos, sem compreenderem o motivo da súbita mudança de comportamento de filho. Quando sua mãe fez um breve agradecimento pelos alimentos, pedindo bênçãos para quem os plantou, quem os colheu e os preparou, Rafa ficou em silêncio, de olhos baixo e úmidos, pela primeira vez pensando que esse alimentos custavam o trabalho de muitos, até chegarem à mesa de sua casa. Terminado o saboroso café da manhã, Rafa olhou para o relógio da parede, e levantou-se rapidamente, dizendo que iria voltar para o seu quarto, para a aula online daquele dia. Rafa estava com quinze anos e cursava o último ano do ensino fundamental.

Abrindo o aplicativo da aula, Rafa pensou o quanto estes novos recursos estavam sendo úteis durante a quarentena. Se eles não existissem, estariam todos impossibilitados de aprender. Pensou também como utilizava pouco o mundo virtual, para aprender coisas úteis. Quanta perda de tempo!… Gostava de assistir aqueles vídeos em que os personagens disputavam força física e conquistavam territórios imaginários, às custas de procedimentos escusos…. Novamente sentiu vergonha e seu rosto ficou corado. Seria a cor da Nova Consciência?…

Terminada a aula, entrou em contato com seus amigos mais próximos pelo vídeo do seu celular. Outro aplicativo bem útil, em tempos de quarentena. Pelo menos podiam se ver e conversar. Queria contar a eles o estranho sonho da noite anterior. Qual não foi a sua surpresa quando seus colegas disseram que haviam tido o mesmo pesadelo. Seria isso possível? Pessoas se encontrando durante o sono, no mesmo lugar? Propôs aos colegas pesquisarem para saber. Encontraram um site que falava sobre “Sonhos Compartilhados”[1] e ficaram conversando sobre as consequências de tal experiência:

_Ehh! Cara! Foi um baita susto! Imagina se aquilo fosse real? Teríamos morrido em bem pouco tempo. E continuou: _. Hoje, pela manhã, meu pai comentou com minha mãe que 522.000 empresas, no país, fecharam suas portas e isto gerou muito desemprego. Será que estamos caminhando para o “Mundo do não faz nada”? Como as pessoas vão viver sem trabalho? Como vão sustentar os seus filhos?

Rafa lembrou-se de uma frase lida no site Vivência em Cura, percebendo também a utilidade de buscar informações úteis à vida, na Internet:

O sonho compartilhado também pode servir como uma metáfora da concepção de que todos nós humanos da Terra comungamos de um mesmo “sonho” para criar a realidade deste planeta”.

_. Sim! Acho que precisamos começar a construir um mundo melhor; precisamos ajudar de alguma forma, disse Beto. Podemos recolher alimentos e entregar nas instituições. Vamos? Eu fiquei muito impressionado com a nossa experiência. Realmente, sem trabalho, a vida vira um pesadelo! Quando eu pensava em ficar à toa, não imaginava que o meu laser dependia do trabalho de muitas outras pessoas. Que burrice a minha! Estou sentindo vergonha do meu egoísmo.

_. Eu também! Disse outro colega, também muito sem jeito. Podemos iniciar alguns movimentos de solidariedade na nossa turma, através do grêmio estudantil. Afinal, temos a força da juventude. Podemos transformar nossos sonhos em realidade, porque temos muito tempo de vida pela frente. Já imaginou se todos os nossos colegas aderirem ao nosso sonho de criar uma nova realidade, neste planeta?… E assim combinados, com grande entusiasmo, iniciaram os contatos necessários.

Com a tarde livre, Rafa entrou no escritório do pai, que alternava os horários de suas atividades online, como Advogado, com a esposa Psicóloga, que agora atendia online. Ficou ali, observando seu pai dando entrada em algumas petições em PDF, depois de instalar um aplicativo que validava seu acesso ao Fórum Virtual e ficou imaginando como seu pai e sua mãe poderiam continuar trabalhando, durante a quarentena, sem esses novos recursos. Novamente sentiu-se grato…. Sua família havia sido poupada desse sofrimento…

No pequeno intervalo para o café da tarde, sentou-se à mesa com eles e relatou o seu estranho sonho, como esta experiência havia mudado sua maneira de ver o mundo e os projetos solidários que pensava desenvolver com seus colegas.  Os pais de Rafa se levantaram e o abraçaram, afetuosamente, compartilhando com o olhar uma frase silenciosa: _Que pesadelo mais abençoado!…

Algumas lágrimas de gratidão escorriam dos olhos dos três familiares. Eles conversaram longamente sobre o que todos estavam vivendo. Nada seria como antes! A transformação social seria intensa. Algumas atividades profissionais deixariam de existir e outras iriam surgir. Tudo isto exigiria muito estudo e muitas adaptações por parte de cada pessoa; exigiria cada vez mais amor pela tarefa!… Velhos sonhos iriam morrer; novos sonhos iriam nascer e ganhar força; pesadelos serviriam para reflexões profundas, vindas do inconsciente coletivo da sociedade que despertava e eles sabiam que teriam que deixar ir embora o medo da mudança; precisariam reinventar-se e nutrir a esperança de dias melhores. Acima de tudo sabiam que isto só dependeria do esforço e dedicação de cada um… Mãos à Obra!!! Disseram em uníssono, lançando a semente familiar de um Novo Tempo.

AUTOCONHECIMENTO – UMA VIAGEM AO NOSSO DESERTO INTERIOR

01/09/2020 às 09h15

De um modo geral, quando as pessoas têm problemas procuram solucioná-los, refletindo sobre os prós e contras de cada situação, sem se darem conta de que os problemas de vida são desafios para o desenvolvimento de potenciais internos, que de outra maneira continuariam ocultos, no inconsciente profundo, na forma de potenciais latentes. Esta transformação da visão de mundo, segundo a qual os obstáculos passam a serem compreendidos como desafios para o crescimento pessoal, depende do autoconhecimento.

Quando pressionados a tomarem uma decisão, os seres humanos funcionam em diferentes níveis psíquicos:

No primeiro nível o material – as decisões são tomadas em função dos conflitos entre o medo de perder o que já se tem e o medo de não conseguir o que se deseja ter, impedindo as realizações mais importantes.

No segundo nível o sexual – as decisões são baseadas na tendência para se aproximar daquilo que causa prazer e afastar-se daquilo que é desagradável, muitas vezes impedindo que a pessoa ultrapassa alguns obstáculos, para seguir em direção a metas superiores.

No terceiro nível das relações de poder – as decisões são tomadas com base na tendência de só sentir-se bem mandando em outras pessoas, ou na tendência de só poder obedecer, levando a pessoa a ceder aos impulsos que predominam dentro de si, quer seja num sentido, quer seja no outro, limitando o acesso a muitas oportunidades de vida

No quarto nível de funcionamento – o afetivo, as pessoas assumem posições emocionais de apego ou de rejeição em relação a determinadas escolhas, que também podem dificultar o alcance das metas existenciais.

No quinto nível o psíquico – a pessoa pode se perder diante da interminável dúvida entre o certo e o errado, retardando ou até mesmo impedindo-se de alcançar realizações importantes, pelo medo de errar.

Somente a partir do sexto nível de funcionamento, o nível intuitivo – as pessoas estarão fora dos conflitos gerados pela dualidade, passando a entender que os dois lados sempre integram um todo, e que as escolhas podem ser feitas em função, não somente dos aspectos externos da vida, mas principalmente em função de um conjunto de características individuais, constituídas pelas suas habilidades e competências, e que formam a base da autoconfiança para o seu sucesso, quer seja na vida pessoal, afetiva ou profissional.

Todo ser humano tem, dentro de si mesmo, uma sabedoria, um Eu Superior que, quando conectado, pode orientar até mesmo as decisões mais importantes da vida, de uma forma bem mais segura do que as soluções encontradas por qualquer dos outros níveis de funcionamento psíquico.

Através de técnicas específicas de hipnose e regressão de memória, torna-se possível promover a reprogramação mental dos comandos inconscientes que regem as escolhas, pela substituição de símbolos mentais negativos (imagens, sons ou sensações) em símbolos mentais positivos, que formam a base de sustentação para a autoconfiança.

Modernamente, o processo de hipnose visa a identificação do canal sensorial predominante no processo de decisões e gerenciamento da vida. Pessoas sinestésicas, que funcionam com base em suas percepções sensoriais, tendem a agir mais pela emoção do que pela razão, necessitando reprogramar-se para restabelecerem o equilíbrio entre estas duas funções, sem o que, suas decisões poderão ser impulsivas ou, no caso oposto, poderão ser rígidas e impeditivas, sem que, em nenhum dos casos, tenha sido efetuada uma ponderação com base nas informações sobre a situação.

Pessoas visuais tendem a ser mais idealistas, planejando suas vidas por longos prazos, podendo vir a apresentar dificuldades, quando a realidade não corresponder às suas expectativas. Pessoas auditivas possuem a tendência de se deixarem influenciar pelo que ouvem, necessitando aprender a mergulhar em seu próprio interior, onde a sua própria verdade poderá lhe mostrar o melhor caminho a seguir.

Quando, depois de explorarem todas as possibilidades do mundo material, as pessoas voltam-se para o mergulho interior, descobrem os infindáveis recursos que habitam os recônditos de sua própria alma, e que podem funcionar como um foco luminoso, capaz de orientar sua vida em direção a autorealização.

O autoconhecimento é um processo de identificação das camadas mais profundas do inconsciente, que pode facilitar o desabrochar de potenciais que contribuem para a concretização de uma tarefa pessoal e intransferível que, quando realizada, conduz aos sentimentos de felicidade e paz interior, que tantas pessoas ainda procuram no mundo externo.

À ESPERA DE SER AVÓ

14/08/2020 às 15h15

Nunca pensei que fosse assim:

Sentir amor em dobro

Por alguém que não nasceu de mim…

Mas a verdade é que estou babando à toa,

 Tão só,

Por pensar em ser avó.

Cada roupinha de bebe

Adquire novo encanto

Quando penso em tê-lo no colo,

Para um simples acalanto.

E assim vou curtindo a espera,

Até que a doce quimera

Se torne a realidade

De tê-lo aqui de verdade.

Sorrindo…. Andando…. Falando…

Cumprindo seu novo papel:

Ser, simplesmente,

Meu netinho GABRIEL.

ANIVERSÁRIO EM QUARENTENA

14/07/2020 às 08h31

Desde dezembro em outras partes do mundo e, desde março aqui no Brasil, a Quarentena veio para mudar nossos hábitos, de modo definitivo. Se antes as comemorações de aniversário incluíam os almoços ou jantares em algum restaurante, reuniões em família, passeios, viagens e presentes, nestes tempos de isolamento social, interiorização é uma das palavras-chave deste novo modo de ser e estar no mundo. Velhos hábitos foram cortados bruscamente e a interiorização nos existe a reinvenção de nós mesmos. Então, vejamos:

Ao acordar, no dia do seu aniversário você não irá fazer nada do que fazia antes. Vai ter mais tempo para se olhar no espelho e pensar no que gostaria de fazer de novo, neste dia tão especial da sua chegada ao Planeta Terra. Com certeza, algumas reflexões sobre o percurso da vida até este momento, passarão pela sua mente. Em seguida, o sentimento em relação às pessoas que gostaria de ter por perto. Hoje, mais do que nunca, a distância valoriza e traz saudades da proximidade com aqueles que se ama. Anteriormente, quantas vezes as pessoas que conviviam dentro da mesma casa, ficavam sentadas no mesmo sofá, “confraternizando-se” com alguém, no mundo virtual?

Ahhh! Que saudade da presença física, do abraço, do aconchego daqueles que lhe desejam bem!… Neste momento, emerge um sentimento de perda, semelhante àquele que temos em relação aos que passaram para o Plano Espiritual. Sabemos que existem, que estão lá, mas não podemos tocá-los. Talvez este seja a principal característica do plano material da vida. Numa tentativa de preenchimento, agendamos aniversários virtuais pelo Zoom ou Glooge Meet.  Queremos estar juntos, novamente, acalentando a expectativa de podermos tocar aqueles que amamos, sensação que nos remete às lembranças primordiais do colo materno, do calor de outro corpo, da reposição de novas e amorosas energias, olhares próximos, partilha de risos que constroem doces memórias, a cada comemoração: Comer, comungar, morar no coração, fazer uma oração pelo aniversariante… Novos modos de vivenciar a alegria pelo término de mais uma etapa e a chegada de um novo ciclo. Que as lições aprendidas nesses meses de Quarentena possam nos conduzir a novos estados de consciência e evolução e que a volta à convivência presencial resgate este sentido de realmente estarmos presentes na vida uns dos outros. Com certeza, iremos construir belas memórias para nossos aniversários.

TRANSRELIGIOSIDADE

09/07/2020 às 10h39

Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um pastor”. (João, 10/16)

Transreligiosidade pode ser definida como o sentimento religioso que acolhe as verdades essenciais de todas as Religiões, mas que não se refere a nenhuma, especificamente, estabelecendo o diálogo inter-religioso, em busca do elemento comum existente em todas as Tradições.

O termo latino religare, do qual se originou a palavra religião, tem o sentido de ligar novamente, e o prefixo trans, quer dizer além de, ou seja, aquilo que transcende e ultrapassa os conceitos convencionais de qualquer conhecimento. Assim, a transreligiosidade propõe a transcendência dos dogmas de cada visão religiosa, para alcançar o espaço neutro de não julgamento, preconceito ou separatividade, onde se torne possível buscar os pontos de encontro e as semelhanças entre as diferentes religiões.

Na Antiguidade, havia cinco grandes ramos religiosos: Judaísmo, Taoísmo, Budismo, Confucionismo e Cristianismo. Nos seus primórdios, o Cristianismo era uma religião professada por uma pequena parte do povo judeu, dominado pelos romanos, que seguia os ensinamentos do Mestre Jesus. Por serem perseguidos, eles se reuniam às escondidas, até que cidadãos romanos também começaram a aderir à nova crença, decorrendo desta adesão, o sincretismo entre o paganismo romano e o cristianismo primitivo, originando a Religião Católica Apostólica Romana, hoje dividida em alguns segmentos.

Por volta do século XVII, Martinho Lutero, na Alemanha e Calvino, na França, iniciaram um movimento de protesto em relação aos rumos da Igreja que, e por influência de fatores históricos e políticos, resultaram numa dissidência do Catolicismo, que deu origem ao Protestantismo. Este, por sua vez, no decorrer do tempo, subdividiu-se em dezenas de novos segmentos espalhados pelo mundo ocidental, como Tradições Evangélicas.

No século XIX, na França, um filósofo chamado Leon Hypollite Denizard Rivail, realizou profundos estudos sobre fenômenos de ampliação de consciência, dando origem à Doutrina Kardecista. Desenvolvida sob a égide do iluminismo e do racionalismo científicos, esta doutrina, longe de negar os princípios propostos por Jesus, veio trazer novos esclarecimentos aos fenômenos espirituais, que sempre ocorreram no decorrer da trajetória evolutiva da humanidade, confirmando as suas verdades perenes, através da publicação de centenas de livros de vários autores.

Na década de trinta, em Niterói, no Rio de Janeiro, houve uma dissidência do Kardecismo, que originou o Movimento Umbandista, com a proposta de evangelizar as religiões africanas, que haviam se afastado de suas práticas tradicionais de culto às forças da natureza, para envolver-se com magia.

Considerando que no Ocidente, há um predomínio do Cristianismo sobre as outras quatro grandes religiões (Judaísmo, Budismo, Confucionismo e Taoísmo, se não considerarmos a variedade de outras pequenas seitas, mais recentemente introduzidas no país), nós podemos afirmar que a maior parte das religiões professadas no Brasil, se reúne em torno da mensagem de unidade e síntese deixada pelo Mestre Jesus, há dois mil anos atrás.

Pelo estudo comparado das religiões percebe-se que os pioneiros de todas estas propostas religiosas, não tinham o objetivo de criar novas religiões, mas, principalmente trazer esclarecimentos ao que já era conhecido e corrigir possíveis desvios da trajetória evolutiva da humanidade, em cada um desses momentos históricos.

Os modernos estudos da Psicologia Transpessoal têm revelado um significativo aumento na quantidade de fenômenos de clarividência, clariaudiência e psicografia, entre outros, em pessoas de diferentes confissões religiosas, todos com padrões psíquicos muito semelhantes entre si. Neste sentido, a ciência, ao direcionar a sua atenção para os fenômenos de transcendência religiosa, poderá trazer uma grande contribuição para o entendimento de que um mesmo fenômeno pode estar sendo designado de diferentes maneiras, por diferentes religiões. Por sua característica de neutralidade, a ciência pode oferecer o espaço de encontro, onde as divergências linguísticas poderão ser compreendidas e ultrapassadas, reduzindo a grande Babel que dificulta o diálogo inter-religioso.

Para que todas as ovelhas, dos diversos apriscos, se reúnam ao redor do Único Pastor, torna-se necessário que todos os fiéis, de todas as religiões, se coloquem realmente em condição de humildade e ausência de preconceitos religiosos; que ao invés de tentar atrair o outro para a sua própria visão religiosa, possa respeitar e conviver com as diferenças; aceitar que o outro se encontre num diferente estado de consciência, compreendendo que isto determina uma visão de mundo diferente da sua. Para que a unidade religiosa possa se estabelecer, torna-se necessário também o entendimento de que esta unificação não se fará em torno de qualquer uma das religiões já existentes, mas em torno da síntese gerada pelo diálogo e pela compreensão mútua de que ninguém é detentor da verdade absoluta, mas que, como seres humanos, temos verdades relativas ao estado de consciência em que vibramos, como diferentes idiomas produzidos pela cultura humana.

Os líderes religiosos deste momento de Transição Planetária têm a difícil tarefa e a grande responsabilidade de iniciar o diálogo inter-religioso, orientando os seus seguidores para a verdadeira fraternidade e amor incondicional, necessários para que esta síntese aconteça, já que o oposto seria o retorno ao sectarismo que gerou tantas guerras religiosas através da história da humanidade.

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TRANSPARTIDARISMO

21/06/2020 às 11h49

Nos primórdios da evolução humana, ciência, arte, religião e filosofia constituíam os quatro pilares do conhecimento, com estreitas ligações entre si. Principalmente a religião e a filosofia exerciam fortes influências sobre a arte, a ciência, e sobre as mais importantes decisões das civilizações antigas. Com os novos conhecimentos agregados através dos milênios, cada um destes pilares fragmentou-se numa infinidade de novas informações, transformando os saberes numa verdadeira Torre de Babel.

A ciência dividiu-se em múltiplas especialidades; a arte seguiu caminhos por várias vertentes; a religião se multiplicou em centenas de seitas e a filosofia dividiu-se em diversas ideologias, que por sua vez deram origem aos partidos políticos, talvez por isso, chamados de partidos. Toda essa fragmentação criou entraves à compreensão mútua, dificultando a caminhada até um ponto de síntese, onde as diferentes ideologias pudessem se transformar em contribuições para soluções efetivas.

Por outro lado, é de conhecimento público que todos os partidos sabem da necessidade de ações urgentes no campo da saúde, da educação, da ação social e do meio ambiente, sendo estes os pontos fortes de todas as campanhas políticas. Isto evidencia que quase não existem grandes diferenças de plataformas políticas, o que por si só, já poderia facilitar o diálogo.

Para Pierre Weil, autor de “A Mudança de Sentido e o Sentido da Mudança”, lançado pela Editora Nova Era, este antigo modelo de mundo, que vigorou principalmente no último século, gerou uma visão dentro da qual a política tende a ser vista como meio de ganhar e exercer poder; ser importante, famoso e admirado, e segundo a qual, a oposição tem como principal objetivo barrar sistematicamente os projetos de governo.

Tal estrutura política, que ainda predomina no mundo moderno, está nos conduzindo rapidamente para o caos absoluto. Neste sentido é bom lembrarmos que somos todos viajantes da Nave Terra e que ao destruirmos o nosso planeta estaremos também promovendo a extinção da nossa própria espécie.

Diante dessa ameaça iminente à vida como um todo, surge a necessidade de uma imediata mudança de visão de mundo e de consciência, já que não dispomos mais de tempo para vacilações e jogos de poder, que coloquem os interesses pessoais acima da necessidade de sobrevivência da humanidade.

Esta mudança de mentalidade exige que a política passe a ser vista como uma oportunidade de servir e contribuir de modo eficaz ao bem comum, no plano do indivíduo, da sociedade e da natureza, em que a oposição atue no sentido de cobrar eficiência e honestidade, corrigindo possíveis erros na aplicação dos programas de governo e não, entravando a sua realização.

Diante dos graves problemas que todos nós enfrentamos no dia-a-dia, principalmente nos grandes centros urbanos, torna-se urgente que o partidarismo, voltado para alianças políticas que visam objetivos pessoais ou partidários, seja substituído pelo interpartidarismo e pelo transpartidarismo, onde os objetivos políticos poderão ser colocados acima dos interesses partidários, visando o bem da sociedade e do cidadão.

Porém, para que estas mudanças efetivamente ocorram, torna-se necessária uma transformação interior do próprio ser humano; da maneira como ele se percebe e atua no mundo em que vive, substituindo-se o predomínio dos interesses materialistas e a tendência à corrupção, por valores éticos e espirituais, que tragam à consciência das lideranças políticas de todo o mundo, em todos os níveis, o sentido real da passagem de cada ser por este planeta.

Se esta mudança não vier a acontecer, efetivamente pouco ou nada restará para as gerações futuras. O que deixaremos para elas? A própria história dirá…  

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MENTIRA

14/06/2020 às 11h09

Geralmente, quando escrevo um artigo, gosto de atualizar as informações sobre o tema, pesquisando na Web.

Motivada pelo presente momento brasileiro, decidi escrever sobre a mentira e, por curiosidade, busquei saber a origem do Primeiro de Abril, como o “Dia da Mentira”. Eis o que encontrei:

“A brincadeira surgiu na França, no reinado de Carlos IX (1560-1574). Desde o começo do século XVI, o ano novo era comemorado em 25 de março, com a chegada da primavera. As festas, que incluíam troca de presentes e animados bailes noite adentro, duravam uma semana, terminando em 1º de abril.

Em 1562, porém, o papa Gregório XIII (1502-1585) instituiu um novo calendário para todo o mundo cristão – o chamado calendário gregoriano – em que o ano-novo caía em 1º de janeiro. O rei francês só seguiu o decreto papal dois anos depois, em 1564, e, mesmo assim, os franceses que resistiram à mudança, a ignoraram ou a esqueceram, mantiveram a comemoração na antiga data.

Alguns gozadores começaram a ridicularizar esse apego enviando aos conservadores adeptos do calendário anterior – apelidados de “bobos de abril” – presentes estranhos e convites para festas inexistentes. Com o tempo, a galhofa firmou-se em todo o país, de onde, cerca de 200 anos depois, migrou para a Inglaterra e daí para o mundo”.

Com relação aos ditados populares, todos nós sabemos que “Mentira tem perna curta”, mas em tempos atuais, parece-nos que, pelo esforço requerido por tanto andar de boca em boca, a mentira gastou as pequenas pernas e agora está se arrastando, nos estertores de seus últimos tempos de vida.

Mas, será que realmente a mentira está com seus dias contados? Queridos leitores, como profissional de comportamento humano trabalho sob o enfoque da visão integral e da transdisciplinaridade, pesquisando informações, de diferentes fontes do conhecimento humano, para construir as probabilidades dos futuros cenários civilizatórios que se avizinham. Uma dessas fontes é um interessante estudo realizado no Instituto de Antropologia do México, por Fernando Malkun, estudioso da sabedoria das antigas civilizações. As profecias Maias por ele pesquisadas, que previam o final de um ciclo civilizatório em 2012, agora, mais do que nunca, nos permitem compreendermos tudo o que estamos vivenciando, em nosso país e no mundo.

Historicamente, sabemos que as civilizações nascem, crescem e morrem, deixando, após sua passagem, um saldo de bem e evolução, apesar dos erros cometidos, que se acentuam em sua fase final. A civilização que hora termina, embora tenha nos trazido grandes avanços tecnológicos, em seus momentos finais, como aconteceu com as civilizações anteriores, caracteriza-se pela perda dos valores essenciais (tais como verdade, honestidade, integridade, probidade, solidariedade…), abrindo espaço para que cada um revele a si mesmo, tal como é.

Este movimento é necessário, porque se uma pessoa se mostrar honesta simplesmente pelo medo da condenação social, não será honesta por foro íntimo; apenas estará sendo socialmente reprimida. Desse modo, o afrouxamento das regras morais em cada final de ciclo civilizatório tem por finalidade permitir que todos revelem suas mais íntimas tendências, sejam positivas ou negativas. Mas, você leitor deve estar se perguntando: O que a Segunda Profecia Maia tem a ver com tudo isto?

Os Maias dizem que neste período, estaríamos todos no Salão dos Espelhos, que hoje nada mais são do que as diferentes formas digitais de registros de nossas experiências (vídeos, e-mails, WhatsApp, MP3, com registro de data e hora) que, como previsto por esse povo antigo e sábio, nos confrontam com nossa própria imagem e fala, para que, por nós mesmos, possamos avaliar a coerência interna entre o que falamos e o que fazemos.

Nosso espelho mágico é revelador, em tempos modernos são o Youtube, o Google e demais sites de pesquisas, nos quais basta digitarmos o nosso nome ou de quem quer que seja, para termos o histórico ou currículo virtual de todos os habitantes do Planeta Terra.

Desse modo, entramos neste Tempo de Verdade; a Quinta Dimensão do nível informacional, onde todos os nossos pensamentos se revelam e se confrontam.

Embora a princípio a tela mental esteja bastante confusa, estas revelações irão nos ajudar a desenvolvermos o saudável hábito da verdade e da coerência entre o que falamos e o que fazemos, ajustando-nos a esse novo campo vibracional que estará regendo as relações pessoais, sociais, nacionais e planetárias, pelos próximos séculos.

Portando, amigo leitor: Não se preocupe! O Império da Mentira realmente está ruindo. Nestes novos tempos, tudo ficará registrado no arquivo virtual da História da Humanidade, para a reflexão das futuras gerações.

Assim sendo, Pergunto: Que tipo de memórias nós vamos deixar para os nossos descendentes?…

Veja a Segunda Profecia Maia:

Link:https://www.youtube.com/watch?v=ACw_pQplaWI&list=PLMeCzq1rf5sF54-Pu5RvfLCF0FIQaYVR2

AUTOCONHECIMENTO

03/06/2020 às 10h31

De um modo geral, quando as pessoas têm problemas procuram solucioná-los, refletindo sobre os prós e contras de cada situação, sem se darem conta de que os problemas de vida são desafios para o desenvolvimento de potenciais internos, que de outra maneira continuariam ocultos, no inconsciente profundo, na forma de potenciais latentes. Esta transformação da visão de mundo, segundo a qual os obstáculos passam a serem compreendidos como desafios para o crescimento pessoal, depende do autoconhecimento.

Quando pressionados a tomarem uma decisão, os seres humanos funcionam em diferentes níveis psíquicos: No primeiro nível, o material, as decisões são tomadas em função dos conflitos entre o medo de perder o que já se tem e o medo de não conseguir o que se deseja ter, impedindo as realizações mais importantes. No segundo nível, o sexual, as decisões são baseadas na tendência para se aproximar daquilo que causa prazer e afastar-se daquilo que é desagradável, muitas vezes impedindo que a pessoa ultrapassa alguns obstáculos, para seguir em direção a metas superiores. No terceiro nível, das relações de poder, as decisões são tomadas com base na tendência de só sentir-se bem mandando em outras pessoas, ou na tendência de só poder obedecer, levando a pessoa a ceder aos impulsos que predominam dentro de si, quer seja num sentido, quer seja no outro, limitando o acesso a muitas oportunidades de vida No quarto nível de funcionamento, o afetivo, as pessoas assumem posições emocionais de apego ou de rejeição em relação a determinadas escolhas, que também podem dificultar o alcance das metas existenciais. No quinto nível, o psíquico, a pessoa pode se perder diante da interminável dúvida entre o certo e o errado, retardando ou até mesmo impedindo-se de alcançar realizações importantes, pelo medo de errar. Somente a partir do sexto nível de funcionamento, o nível intuitivo, as pessoas estarão fora dos conflitos gerados pela dualidade, passando a entender que os dois lados sempre integram um todo, e que as escolhas podem ser feitas em função, não somente dos aspectos externos da vida, mas principalmente em função de um conjunto de características individuais, constituídas pelas suas habilidades e competências, e que formam a base da autoconfiança para o seu sucesso, quer seja na vida pessoal, afetiva ou profissional.

Todo ser humano tem, dentro de si mesmo, uma sabedoria, um Eu Superior que, quando conectado, pode orientar até mesmo as decisões mais importantes da vida, de uma forma bem mais segura do que as soluções encontradas por qualquer dos outros níveis de funcionamento psíquico.

Através de técnicas específicas de hipnose e regressão de memória, torna-se possível promover a reprogramação mental dos comandos inconscientes que regem as escolhas, pela substituição de símbolos mentais negativos (imagens, sons ou sensações) em símbolos mentais positivos, que formam a base de sustentação para a autoconfiança.

Modernamente, o processo de hipnose visa a identificação do canal sensorial predominante no processo de decisões e gerenciamento da vida. Pessoas sinestésicas, que funcionam com base em suas percepções sensoriais, tendem a agir mais pela emoção do que pela razão, necessitando reprogramar-se para restabelecerem o equilíbrio entre estas duas funções, sem o que, suas decisões poderão ser impulsivas ou, no caso oposto, poderão ser rígidas e impeditivas, sem que, em nenhum dos casos, tenha sido efetuada uma ponderação com base nas informações sobre a situação. Pessoas visuais tendem a ser mais idealistas, planejando suas vidas por longos prazos, podendo vir a apresentar dificuldades, quando a realidade não corresponder às suas expectativas. Pessoas auditivas possuem a tendência de se deixarem influenciar pelo que ouvem, necessitando aprender a mergulhar em seu próprio interior, onde a sua própria verdade poderá lhe mostrar o melhor caminho a seguir.

Quando, depois de explorarem todas as possibilidades do mundo material, as pessoas voltam-se para o mergulho interior, descobrem os infindáveis recursos que habitam os recônditos de sua própria alma, e que podem funcionar como um foco luminoso, capaz de orientar sua vida em direção a autorrealização.

O autoconhecimento é um processo de identificação das camadas mais profundas do inconsciente, que pode facilitar o desabrochar de potenciais que contribuem para a concretização de uma tarefa pessoal e intransferível que, quando realizada, conduz aos sentimentos de felicidade e paz interior, que tantas pessoas ainda procuram no mundo externo.

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FIBROMIALGIA

23/05/2020 às 11h29

Cresce cada vez mais, o número de pacientes, na área de psicossomática, que buscam compreender a relação entre seus sintomas e a maneira como reagem às diferentes situações de vida, como meio de manter-se saudável. Agora mais conscientes em relação aos seus potenciais internos de autocura, estes pacientes decidiram transformar-se em agentes da própria saúde, a partir da reprogramação mental (técnicas de Neurolinguística e Hipnose), dos padrões geradores de doenças, instalados em suas mentes inconscientes.

Quando o cliente portador de fibromialgia chega ao consultório decidido a participar, efetivamente, do processo de restabelecimento de uma dinâmica mais saudável com a vida, os resultados têm sido animadores.

A fibromialgia é um sintoma que se caracteriza por dores reumáticas difusas, frequentemente associadas à ansiedade e depressão. Também diagnosticado como reumatismo psicogênico (de origem psicológica), está diretamente relacionado à tensão emocional. Quando trabalhamos com clientes que desenvolveram a fibromialgia, descobrimos um aspecto semelhante, em seus históricos de vida: Todos trazem uma história de padrão permanente de preocupação, em relação aos familiares, às vezes desde a tenra infância, até a idade mais avançada. Estes clientes reagem como se a segurança de sua família dependesse única e exclusivamente deles, num estado permanente de vigilância, que os impede de relaxar.

Como consequência, apresentam dificuldades para conciliar o sono, sono interrompido, ou extremamente leve; sentimento de culpa, como se nunca fossem suficientemente bons, ou não estivessem fazendo tudo aquilo que determinaram para si mesmos, ou que lhes tenha sido cobrado. Apresentam ainda padrões de fala e respiração rápidos e curtos, característicos dos estados de ansiedade, como se estivessem sempre na expectativa de resultados futuros.

A depressão, nestes casos, decorre dos sentimentos de impotência, diante de todas as situações sobre as quais não têm controle. É comum também que tragam um padrão educacional que os impede de expressar raiva, gerando altas tensões musculares. Por detrás de tudo isto, estão os sentimentos de baixa-estima e o medo inconsciente de que algo de ruim possa acontecer com aqueles a quem ama.

É bastante comum que estes clientes tenham sido crianças que desde pequenas tiveram que assumir responsabilidades excessivas para suas tenras idades, como ajudar a cuidar de irmãos menores, em relação aos quais eram culpabilizados pelos pais, se algo lhes acontecesse. Também encontramos casos em que estes clientes cuidaram de doentes terminais por longo tempo, mantendo o mesmo estado de expectativa de perigo iminente.

Estas situações vivenciadas diariamente, por muito tempo, instalam na mente inconsciente este padrão de reação, como se a pessoa estivesse permanentemente num “estado de guerra”. Mesmo quando a situação real chega ao fim (porque os irmãos menores cresceram ou porque o doente veio a falecer etc.), o programa mental de alerta permanece ativado, impedindo que a pessoa relaxe.

Em psicoterapia, buscamos identificar e ressignificar (programar novos significados mais positivos) estes padrões negativos de reação, promovendo a atualização da mente inconsciente em relação ao tempo presente, cuja qualidade vida tende a ser resgatada. Com o decorrer da psicoterapia, observamos a mudança positiva, que facilita a compreensão, por parte do cliente, de que a recuperação da saúde depende de sua participação ativa na transformação de seus modos habituais de reagir às situações diárias da vida, desvencilhando-se dos antigos padrões mentais, sempre traduzidos na forma de preocupação excessiva com tudo e com todos.

Como em todas as doenças de fundo psicossomático, a cura efetiva depende de que o cliente entenda “como” contribui para o desenvolvimento do seu sintoma e esteja realmente empenhado em realizar uma profunda transformação interior. Ao adotar novos padrões mentais que contribuam para a reconstrução da saúde, o cliente deixa de ver o mundo como uma eterna ameaça, para si mesmo ou para aqueles a quem ama, resgatando possibilidades de vida própria, anteriormente esquecidas e redirecionando suas forças psíquicas para metas de vida mais construtivas.

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A HORA DA VERDADE

15/05/2020 às 17h12

Os estudos da Física Quântica nos revelam que a mente é um campo vibracional e informacional, através do qual todos os cérebros sintonizados se comunicam. O funcionamento deste campo informacional, por sua vez, é regido por uma Consciência Superior, princípio inteligente e ético, que ordena todos os fenômenos de manifestação no mundo físico.

No ser humano, esta partícula de Consciência Superior já está presente, no nascimento, trazendo uma programação existencial, na forma de probabilidade de eventos, tendo como objetivo, o aperfeiçoamento do indivíduo, em todos os sete níveis de funcionamento. Como esta informação está armazenada no inconsciente mais profundo, ao mergulhar no mundo da matéria, onde a energia é extremamente densa, a mente passa por um processo de adormecimento, mais ou menos acentuado (dependendo do grau evolutivo de cada pessoa), que dificulta ou impede o acesso direto a este programa. No decorrer da infância, através da interação entre a Individualidade (ideais, intuições e essência espiritual) com os estímulos do meio ambiente, vai se formando uma personalidade, comandada pelos desejos do Ego (desejo material, desejo sexual, desejo de poder e apego afetivo), estabelecendo-se a dinâmica evolutiva, através da qual o Ego deverá submeter-se ao comando da Consciência Superior.

Como, na maioria dos casos, a mente consciente está desconectada desta programação, o indivíduo deixa-se dominar pelos desejos egóicos, desviando-se do seu caminho, decorrendo daí todos os desequilíbrios de saúde física e emocional comuns à grande parte das pessoas, que contribuem para a perda da qualidade de vida, principalmente na Terceira Idade. Conforme o processo de envelhecimento se acentua, os mecanismos de controle do Ego sobre o inconsciente vão se afrouxando, gradativamente trazendo à consciência, a programação existencial – por isto, é comum que alguns idosos vivam crises de consciência e sentimentos de culpa e de medo da morte, pelo que acreditam que deveriam ter feito, ou pelo que deixaram de fazer.

Os estudos realizados pelo pesquisador americano, Raymond Moody, com pessoas que viveram experiências de quase morte e voltaram, revelam, de maneira mais clara, como este processo ocorre: Durante a experiência, a pessoa se percebe atravessando um túnel escuro (que se acredita seja a densidade do próprio corpo físico); vê-se fora do corpo, enquanto este está sendo socorrido; percebe-se atravessando paredes; vê luzes e seres luminosos ou furiosos, conhecidos ou desconhecidos, conforme esteja energeticamente mais positiva ou negativa; ouve vozes, pressente que deve voltar ao corpo físico, porque ainda não terminou sua missão de vida, sentindo-se, então, atraída para este, como se estivesse caindo, e volta à consciência. Estes estudos também revelaram que todas estas pessoas mudaram radicalmente suas visões de mundo, tornando-se mais solidárias, éticas e conscientes do sentido evolutivo da vida, depois de passarem por estas experiências.

O acompanhamento de pacientes terminais, com técnicas de alcance do inconsciente profundo, como a “Captação Psíquica”, também tem evidenciado o sofrimento atroz daqueles que não seguiram suas programações inconscientes de vida. Estes estudos mostram que céu e inferno não representam outros lugares no espaço físico, mas estados de consciência positivos ou negativos e dependentes do sentimento de realização da missão existencial alcançado por cada ser.

Quando o indivíduo se aproxima da experiência de morte, há uma ampliação da consciência, provocando o processo de revisão da vida, quando dela são recolhidas as principais realizações e os erros mais significativos; um flashback, durante o qual ocorre um autojulgamento ou uma espécie de juízo final, que não é realizado por outros, mas pela própria consciência individual, ao defrontar-se consigo mesma.

Vista por este novo ângulo, a experiência de morte torna-se a hora da verdade, quando cada ser humano é confrontado com sua realidade interior; com seu verdadeiro tamanho evolutivo. Pode representar um momento de infinita paz, quando a meta existencial foi alcançada, ou um terrível momento de crise de consciência, quando o indivíduo percebe que se afastou do seu caminho evolutivo, como um aluno que tenha conduzido mal os seus estudos, terminando por ser reprovado.

Também vista por este novo ângulo, a vida passa a ser compreendida como uma escola, na qual entramos ao nascer, recebendo o uniforme do corpo físico, e da qual sairemos, deixando o velho uniforme utilizado, para levarmos apenas aquilo que tenhamos aprendido de útil à nossa evolução.

A SOCIEDADE IDEAL

03/05/2020 às 14h56

Em meio a pandemia de polarizações e polêmicas, tenho pensado muito sobre a nossa sociedade e sobre o que precisamos mudar, para podermos viver em harmonia e termos realização pessoal, condições essenciais para o nosso bem-estar social? Tais reflexões me conduziram a rever os conceitos propostos por Abraham Maslow, psicólogo humanista americano, que ficou conhecido no meio acadêmico por seus estudos sobre a motivação humana, trazendo-nos a proposta do atendimento de uma hierarquia de necessidades básicas do Ser Humano, para que a felicidade possa ser alcançada.

Para ele, em primeiro lugar, o ser humano precisa de atendimento às suas necessidades fisiológicas, tais como sede, sono, sexo, alimentação … E já neste nível, identificamos lacunas na estrutura de sustentação social, tais como saneamento básico, condições de higiene e nutrição adequadas. Quantos problemas iniciais!…

Em segundo lugar, ele coloca as necessidades de segurança, emprego, recursos, saúde e moradia. Como ainda estamos longe disso!…

Em terceiro lugar, ele situa a importância de pertencimento a uma família, acolhimento, relações afetivas e amizades saudáveis, evidenciando a carência social desses valores, em nossa sociedade decadente. Valores que foram atacados e desconstruídos, com objetivos manipulativos. Povo separado, povo em conflito, é povo enfraquecido!

Em quarto lugar ele ressalta a importância da autoestima, da autoconfiança, reconhecimento e respeito mútuo. Como as nossas relações perderam qualidade!…. Perdemos o hábito da gentileza, em nossas relações familiares e sociais!

Por fim, no alto da pirâmide, ele coloca a criatividade, autorealização, solução de problemas e aceitação dos fatos, até mesmo para que possamos contorná-los e alcançar nossas metas evolutivas.

Penso que este é um bom momento para começarmos a pensar em estratégias de mudanças construtivas para o nosso país e para o nosso planeta, quando pudermos nos reunir outra vez. Penso que este é um bom momento para deixarmos ir o passado, dele recolhendo profundas e significativas aprendizagens; aprendendo com nossos erros e acertos; com motivação, maturidade, integridade e espírito de doação por esta nossa terra, que se encontra por nós contaminada e adoecida, para que realmente possamos manifestar a sociedade ideal em nossa realidade planetária.

MEDO

24/04/2020 às 10h46

Talvez nenhum outro sentimento seja tão presente no inconsciente humano quanto o medo: Medo do escuro, medo de parto, medo da morte, medo do desconhecido, medo da violência, medo de se expor… Medo de ser o que realmente é Medo de ter medo! Até chegar ao extremo das fobias e síndromes de pânico. O medo está no ar… De onde vem tanto medo?

Vivemos numa cultura onde o medo é um dos instrumentos de manutenção do poder. Historicamente, as execuções em praça pública, tinham a função de mostrar àqueles que alimentavam revoltas surdas, o que lhes poderia acontecer, caso se insurgissem abertamente contra o poder.

Poder e lucro são dois grandes aliados do medo, no controle das massas. Desde a mais tenra infância, e até mesmo antes do nascimento, o medo pode estar presente no inconsciente humano. Em alguns casos, a etiologia das epilepsias tem como fator gerador, as surras que o pai alcoólatra infringia à mãe grávida.

O próprio medo do parto pode ficar instalado no inconsciente profundo do bebê, uma vez que ele compartilha e absorve todos os sentimentos vivenciados pela mãe. Nos primeiros meses de vida, ao ser atendido durante a noite, o bebê associa a presença de alguém ao acender da luz, desenvolvendo medo do escuro.

Algumas vezes este medo é condicionado pelos adultos que o utilizam como recurso para que a criança os obedeça: Tem bicho no escuro!… Outras vezes, as histórias sobrenaturais, contadas pelos adultos, impressionam a mente infantil; ou ainda pode ocorrer que a sua própria percepção extra-sensorial, leve a criança a temer o escuro, já que não encontra explicação para as coisas que vê.

Medo de contrair doenças e medo de tomar injeção são medos culturais, inculcados desde a infância. A ameaça de aplicar injeção costuma ser instrumento de coerção em muitas famílias.

O medo de doenças é construído pela dissociação entre os sentimentos bloqueados e os sintomas que eles alimentam. A idéia de que a doença é um fator externo que atinge o organismo, é largamente cultivada pelos meios de comunicação e pelos formadores de opinião, favorecendo laboratórios e planos de saúde (ou de doença?) milionários. É o medo a serviço do lucro!

O medo do insucesso também cerceia o desenvolvimento profissional. Ao invés de pensar na escolha profissional como uma expressão de si mesmo, o jovem é direcionado pelas influências do mercado de trabalho que apontam, através de pesquisas, as áreas de melhor resultado, como se isto fosse garantia para ser bem-sucedido.

Mais uma vez, inverte-se o processo de livre auto expressão, para o processo de pressão social, levando milhares de pessoas a seguirem carreiras que as frustram a cada dia, pelo medo de se lançarem ao desconhecido, em busca da realização pessoal. O próprio desconhecido, o novo, pode ser fator gerador de medo, quando a falta de fé e de autoconfiança enfraquecem o impulso necessário para vencer os obstáculos e alcançar as metas pessoais.

O medo da velhice sustenta SPAS e cirurgias plásticas. O medo da impotência vende viagra. O medo do sofrimento leva à busca pela pílula mágica da felicidade. O medo da frustração leva ás drogas, e as drogas levam a violência que explode através das portas abertas dos porões do inconsciente coletivo da humanidade, no qual todas as paixões humanas num extremo de desamor ao outro, conduzem a todo tipo de desvios de comportamento.

Desde as surras, desde as pequenas ou grandes torturas de pais contra filhos, de filhos contra pais, de homem para homem, quer seja dentro da família, na sociedade ou no planeta como um todo, atestam a ignorância e a barbárie em que, evolutivamente, a humanidade ainda se encontra.

Desnorteado, o ser humano vagueia em busca de si mesmo, como se tivesse perdido o seu próprio espírito em algum ponto da jornada e, por isto mesmo, perdendo o roteiro do caminho, não sabendo mais a onde quer chegar.

O medo encolhe, tolhe, limita a todos aqueles que não conseguem buscar dentro de si mesmos, através do autoconhecimento, os recursos necessários para se livrar dos grilhões culturais que acorrentam a humanidade, há milênios, consumindo quantidades incríveis de forças psíquicas que poderiam ser utilizadas de modo construtivo, a serviço da vida.

É preciso que se reverta este quadro, através do processo educacional preventivo, ou do processo terapêutico curativo, facilitadores do retorno ao eixo de si mesmo.

Desde a infância, as crianças precisam conhecer o poder construtivo do elogio sincero, que fortalece a autoconfiança e o poder que vem do verdadeiro amor.

Isto dá sentido à existência e é o ponto fundamental de apoio para a travessia dos perigos reais ou imaginários que a todo momento, bloqueiam o fluxo vital.

TRANSRELIGIOSIDADE

22/04/2020 às 17h29

Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um pastor”. (João, 10/16)

Transreligiosidade pode ser definida como o sentimento religioso que acolhe as verdades essenciais de todas as Religiões, mas que não se refere a nenhuma, especificamente, estabelecendo o diálogo inter-religioso, em busca do elemento comum existente em todas as Tradições.

O termo latino religare, do qual se originou a palavra religião, tem o sentido de ligar novamente, e o prefixo trans, quer dizer além de, ou seja, aquilo que transcende e ultrapassa os conceitos convencionais de qualquer conhecimento. Assim, a transreligiosidade propõe a transcendência dos dogmas de cada visão religiosa, para alcançar um espaço neutro de não julgamento, preconceito ou separatividade, onde se torne possível buscar os pontos de encontro e as semelhanças entre as diferentes religiões.

Na Antiguidade, havia cinco grandes ramos religiosos: Judaísmo, Taoísmo, Budismo, Confucionismo e Cristianismo. Nos seus primórdios, o Cristianismo era uma religião professada por uma pequena parte do povo judeu, dominado pelos romanos, que seguia os ensinamentos do Mestre Jesus. Por serem perseguidos, eles se reuniam às escondidas, até que cidadãos romanos também começaram a aderir à nova crença, decorrendo desta adesão, o sincretismo entre o paganismo romano e o cristianismo primitivo, originando a Religião Católica, hoje dividida em alguns segmentos.

Por volta do século XVII, Martinho Lutero, na Alemanha e Calvino, na França, iniciaram um movimento de protesto em relação aos rumos da Igreja que, e por influência de fatores históricos e políticos, resultaram numa dissidência do Catolicismo, que deu origem ao Protestantismo. Este, por sua vez, no decorrer do tempo, subdividiu-se em dezenas de novos segmentos e seitas, espalhadas pelo mundo ocidental.

No século XIX, na França, um filósofo chamado Leon Hypollite Denizard Rivail, realizou profundos estudos sobre fenômenos de transcendência, dando origem à Doutrina Kardecista. Desenvolvida sob a égide do iluminismo e do racionalismo científicos, esta doutrina, longe de negar os princípios propostos por Jesus, veio trazer novos esclarecimentos aos fenômenos religiosos que sempre ocorreram no decorrer da trajetória evolutiva da humanidade, confirmando as suas verdades perenes.

Na década de trinta, em Niterói, no Rio de Janeiro, houve uma dissidência do Kardecismo, que originou o Movimento Umbandista, com a proposta de evangelizar as religiões africanas, que haviam se afastado de suas práticas tradicionais de culto às forças da natureza, para envolver-se com magia.

Considerando que no Ocidente, há um predomínio do Cristianismo sobre as outras quatro grandes religiões (Judaísmo, Budismo, Confucionismo e Taoísmo, se não considerarmos a variedade de outras pequenas seitas, mais recentemente introduzidas no país), podemos afirmar que a maior parte das religiões professadas no Brasil, se reúne em torno da mensagem de unidade e síntese deixada pelo Mestre Jesus, há dois mil anos atrás.

Pelo estudo comparado das religiões percebe-se que os pioneiros de todas estas propostas religiosas, não tinham o objetivo de criar novas religiões, mas, principalmente trazer esclarecimentos ao que já era conhecido e corrigir possíveis desvios da trajetória evolutiva da humanidade, em cada um desses momentos históricos.

Os modernos estudos da Psicologia Transpessoal têm revelado um significativo aumento na quantidade de fenômenos de clarividência, clariaudiência e psicografia, entre outros, em pessoas de diferentes confissões religiosas, todos com padrões psíquicos muito semelhantes entre si. Neste sentido, a ciência, ao direcionar a sua atenção para os fenômenos de transcendência religiosa, poderá trazer uma grande contribuição para o entendimento de que um mesmo fenômeno pode estar sendo designado de diferentes maneiras, por diferentes religiões. Por sua característica de neutralidade, a ciência pode oferecer o espaço de encontro, onde as divergências linguísticas poderão ser compreendidas e ultrapassadas, reduzindo a grande Babel que dificulta o diálogo transreligioso.

Para que todas as ovelhas, dos diversos apriscos, se reúnam em torno do Único Pastor, torna-se necessário que todos os fiéis, de todas as religiões, se coloquem realmente em condição de humildade e ausência de preconceitos religiosos. Que ao invés de tentar atrair o outro para a sua própria visão religiosa, possa respeitar e conviver com as diferenças; aceitar que o outro se encontre num diferente estado de consciência, compreendendo que isto determina uma visão de mundo diferente da sua. Para que a unidade religiosa possa se estabelecer, torna-se necessário também o entendimento de que esta unificação não se fará em torno de qualquer uma das religiões já existentes, mas em torno da síntese gerada pelo diálogo e pela compreensão mútua de que ninguém é detentor da verdade absoluta, mas que, como seres humanos, temos verdades relativas ao estado de consciência em que vibramos, como diferentes idiomas produzidos pela cultura humana.

Os líderes religiosos deste momento de Transição Planetária têm a difícil tarefa e a grande responsabilidade de iniciar o diálogo inter-religioso, orientando os seus seguidores para a verdadeira fraternidade e amor incondicional, necessários para que esta síntese aconteça, já que o oposto seria o retorno ao sectarismo que gerou tantas guerras religiosas através da história da humanidade.

COMO SERVIR NO CAOS?

20/04/2020 às 08h56

Servir tem o sentido de trabalhar em favor de alguém. Para Roberto Crema, Reitor da Unipaz, “O serviço é o viço do ser”, propondo-nos o serviço voluntário como fator de jovialidade e entusiasmo.

No dicionário online, encontramos as seguintes definições, que nos ajudam a desenvolver um novo olhar sobre este “Caos” que predomina em momentos de mutação civilizatória: Confusão geral dos elementos da matéria, antes (nosso grifo) da suposta criação do Universo, do aparecimento dos seres, da realidade ou da natureza; cosmos. Figurado – Estado de completa desordem, confusão de idéias; amontoado de coisas que se misturam; desorganização mental ou espacial. Filosofia – Condição desordenada que, pela tradição platônica, é anterior ao demiurgo. Geologia – Amontoado de blocos de certas rochas, que se formam como consequência da erosão. Física – Sistema sem estabilidade, dinâmico, que se altera no tempo a cada pequena alteração das suas condições iniciais.

A reflexão sobre tais definições conduz-nos à compreensão da importância do momento que estamos vivendo. Se este momento antecede uma nova criação e somos co-criadores com Deus; se somos regidos por um Princípio Inteligente que nos habita e dá vida, nosso pensamento criativo dispõe de um imenso reservatório de matéria prima, para que possamos desenvolver novos modos de vida e de relacionamento. Estamos num momento de reforma planetária, em que o aparente caos nos oferece infinitas possibilidades de novas organizações e sistemas. Mas, assim sendo, quais os critérios fundamentais para essa nova organização? Que competências e habilidades precisamos desenvolver, para servirmos no caos?

Através das próprias definições dos termos, constantes das referências, o autoconhecimento se afigura como o primeiro passo da caminhada. Através dele, descobrimos nossa própria Luz Interior e iluminamos os cantos escuros de nossas almas, dissolvendo o orgulho, a vaidade, a inveja, intolerância, ganância, egoísmo…. Nossas crenças autolimitantes que alimentam o medo da perda de tudo aquilo que mais desejamos e nos apegamos.

Cumprida esta etapa de limpeza interior, conseguiremos desenvolver sentimentos de amor incondicional, solidariedade e compaixão, atravessando as limitações dos quatro primeiros estados de consciência, geridos pelo desejo material, sexual, desejo de poder e apego afetivo, despertando para o quinto estado de consciência, o psíquico, o poder do verbo, entrando nesta quinta dimensão da era informacional, mas também dos conflitos de idéias entre os opostos, que precisam ser integrados como complementares.

Como nos ensino Jean-Yves Leloup, co-fundador do CIT – Colégio Internacional de Terapeutas , juntamente com Pierre Weil, depois do mergulho interno do autoconhecimento é preciso retornar “ao mercado”; ao caos civilizatório, no qual, a partir das experiências atravessadas, poderemos compartilhar com nossos semelhantes, as aprendizagens recolhidas e a descrição do caminho percorrido, transitando do conhecimento à sabedoria e da sabedoria ao verdadeiro amor, esta força agregadora que sustenta os universos.

Na prática diária, poderemos também funcionar como suportes de fé, estabilidade e equilíbrio diante das situações adversas que se apresentarem. Quanto mais pessoas conseguirem fazer isto, mais suave será a travessia para a nova consciência planetária e mais rápida será reestruturação social.

Como percebemos, o tema é vasto e profundo, desdobrando-se em muitas outras reflexões e partilhas. Que este momento de caos possa realmente ser o vazio fértil que irá nos conduzir a novos modelos civilizatórios.

Quem atende ao chamado e se dispõe a servir, com a alegria vivenciada no décimo primeiro estado de consciência, que antecede a possibilidade de síntese?…

COMO LIDAR COM O PONTO ZERO DA TRANSIÇÃO PLANETÁRIA

13/04/2020 às 09h56

Quando, nos anos 90, Fritjof Capra publicou o livro O Ponto de Mutação, fomos informados sobre as intensas transformações sociais decorrentes do término do velho modelo civilizatório e do surgimento de uma nova estrutura social, mais justa e harmoniosa. Porém, uma coisa é a informação hipotética e outra, bem diferente, é a vivência desse processo, na realidade.

O velho modelo social, construído sob a influência do medo e da busca de segurança no mundo material, embora ilusória, gerou a proliferação de todas as formas de pseudoproteções, diante das incertezas da vida:  Seguros de vida, de carro, planos de saúde (ou doença?), empregos estáveis e suas aposentadorias; acumulação de propriedades e bens financeiros…

E então começou o movimento da Grande Onda, sonhada e temida por tantos, dando início à desconstrução civilizatória de tudo aquilo que parecia tão estável, sólido e previsível: Tsunamis e furações assolaram regiões inteiras do Planeta, transformando propriedades em escombros; governos desgovernados promoveram o caos social e a falência do estado, deixando servidores públicos apavorados.

Gradativamente, a ansiedade, a depressão e a síndrome de pânico alastraram-se pela sociedade, em geral.

Diante de tudo isso, como agir? Onde buscar a segurança perdida? Como escolher caminhos em cenários mutantes?… Paralelamente, a abertura de novos níveis de consciência, aliada aos avanços tecnológicos mudou, rapidamente, as relações humanas.

As lideranças autocráticas e verticais, com seus palanques restritos aos privilegiados cederam lugar às Redes Sociais, onde pessoas de qualquer ponto do planeta estabelecem vínculos por afinidades e ideais.

Através das novas mídias, milhares de informações sobre a fé e poder mental do ser humano, potencializaram a força do pensamento positivo, ao mesmo tempo em que, pela mesma afinidade energética, iniciou-se o processo de separação entre o joio e o trigo; entre aqueles dispostos a cooperar e recomeçar e aqueles ainda aprisionados às lutas entre os opostos, ainda longe de serem compreendidos como forças complementares.

Neste momento de luta energética entre o Bem e o Mal, as vibrações mentais e emocionais começaram a oscilar absurdamente, de instante a instante, provocando ondas de energias que passaram a envolver todos nós. Afinal, todos somos um! Isto também nos foi dito!

CEU é o campo energético unificado, tão bem explicado por Barbara Anne Brennam. Desse modo, a cada momento começamos a criar nossos céus e infernos pessoais e sociais, na mesma medida do foco de nossa atenção.

Como crianças evolutivas, ganhamos um novo brinquedo eletrônico que não sabemos muito bem como monitorar. Então descobrimos que, como nos ensinou Deepack Chopra, a partir da integração consciente a esta mesma natureza a qual pertencemos, ampliamos nosso potencial mental como co-criadores da nossa própria realidade.

Descobrimos, também, que este potencial inato, mas apenas recentemente descoberto, nos possibilita transformar o modelo mental em realidade, pelo simples preenchimento deste modelo com nossas energias emocionais.

Mas como criar uma nova realidade, sem modelos bem definidos, se ainda não estamos habituados a pensar no que desejamos de bom, sempre reclamando daquilo que não está em conformidade com nossos desejos egóicos?

Onde encontrar novos modelos civilizatórios? Chopra nos fala sobre o Ponto Zero que tão bem representa o Divino; o Zero do imanifesto; da potencialidade pura, onde todas as possibilidades estão disponíveis ao nosso desejo. Descoberta impactante!… Como criar uma nova realidade, com o coração e a mente ainda aprisionados às velhas crenças?

E então, no movimento veloz desse novo tempo, chegamos ao momento em que cada individualidade e o planeta como um todo, soltam as fumaças da negatividade, na efervescência dos conflitos humanos, limpando a esteira cármica da humanidade.

Polarizações e guerras informacionais ocorrem na entrada da quinta dimensão, tornando visíveis os pensamentos cristalizados através dos séculos e os modelos cartesianos que são bombardeados pela emergência dos sentimentos reprimidos, que derrubam velhos conceitos e preconceitos, balançando a sociedade para o outro extremo da perda de valores humanos, permissividade e promiscuidade.

Puro caos social! Simultaneamente, a maior abertura consciencial fortalece a sintonia com o Eu Superior e o programa existencial registrado no inconsciente profundo de cada ser humano, movimentando a busca pelo seu lugar, dentro do Perfeito Plano Divino.

É Tempo de despertar!… E este é o momento que vivemos, em especial no dia 27 de julho de 2019, com o alinhamento entre a Terra, o Sol, a Luz e Marte, no ponto zero da mutação da consciência, no campo da potencialidade pura, onde somos desafiados a criar o novo tempo e a nova realidade, segundo nossa qualidade vibracional.

O eclipse lunar de hoje, com todo o seu potencial de influência sobre plantações, marés, gestações e, em especial sobre a mente humana, abre espaço para que, através do nosso recolhimento e reflexão, com plena consciência de nosso potencial criativo, possamos, juntos, com fé absoluta, manifestar na terra, o melhor de nós mesmos, a partir de nossas escolhas pessoais.

O momento é agora!… Olhando para a pura energia, podemos criar o modelo de um Novo Tempo de Amor, Saúde, Alegria, Justiça, Cooperação, Solidariedade, Compaixão, Perdão…. Neste momento, milhares de consciências vibram em Plena Sintonia e a Nova Jerusalém descente para manifestar-se sobre a Terra.  Que Assim Seja e Assim e! O Novo Tempo chegou!…

MÁSCARAS DA QUARENTENA

11/04/2020 às 09h25

Recolhidos às nossas casas, nós vivemos tempos de profundas reflexões. Se dentro do princípio de sincronicidade, tudo tem um significado, porque estamos sendo convocados ao uso de máscaras, para evitarmos a contaminação pelo Coronavírus? Como sempre, fui até o dicionário online e lá, encontrei a seguinte definição de máscara: Peça com que se cobre parcial ou totalmente o rosto para ocultar a própria identidade.

No Teatro, máscara é assim definida: “Peça com que os atores cobrem o rosto para caracterizar o personagem”. Estranho! O que tudo isto nos quer dizer? Está se tornando evidente que, neste final civilizatório, estávamos escondendo nossas verdadeiras identidades, representando personagens criados por nós mesmos? Parei para pensar sobre isto! Numa corrida desenfreada em busca dos modelos sociais de sucesso e realização, sufocamos nossas individualidades para cedermos às pressões da persona?

Para C.G. Jung, “Persona” é a personalidade que o indivíduo apresenta aos outros, como real, mas que, na verdade, é uma variante às vezes muito diferente da verdadeira identidade. Sim! Estávamos cada vez mais nos distanciando do sentido evolutivo e espiritual da vida, para representarmos um personagem, acreditando que assim, seríamos mais amados e socialmente aceitos…

E eis que, de repente, o pequenino e invisível coronavírus, nos desmascarou, obrigando-nos ao recolhimento interior; obrigando-nos a nos olharmos no espelho mágico da nossa interioridade, que nos revela que, diante do Divino, não somos nem maiores nem menores do que somos, em nossa real condição evolutiva: Pobres Seres Humanos, perdidos de si mesmos, numa correria frenética, que nos distanciava, cada vez mais, do real objetivo a ser alcançado: Aprendermos a ser seres humanos melhores do que estamos sendo. Fomos obrigados a colocar máscaras, para não contaminarmos nossos semelhantes com nossa saliva contagiosa. Lembrei-me que, há dois mil anos, Ele nos disse: “Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens. Ouvi, e entendei: O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem”… “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias”. (Mateus 15:6-11 – 19)…

Depois de compreender estes significados, sinto que as palavras se tornam desnecessárias para continuar a escrever. Talvez por isso, o coração não fale; apenas sinta o que é necessário fazer!

CONTAGIOSO OU CONTAGIANTE?

04/04/2020 às 09h52

 

 

Cada experiência vivenciada encerra ensinamentos evolutivos. Neste momento em que recebemos tantas orientações para nossa proteção frente o Corona Vírus, precisamos e meditar sobre os significados mais profundos dos termos contagioso e contagiante.

Considerando que a linguagem determina nossa visão de mundo, perguntei-me: Qual o sentido do termo contagioso? O sufixo “oso”, presente em alguns adjetivos, nos transmite a idéia subliminar de algo negativo, que deve por nós ser evitado ou combatido: Tenebroso, asqueroso, duvidoso, mentiroso, pernicioso, contagioso… Em contrapartida, o sufixo “ante”, nos adjetivos, transmite a idéia de algo positivo, que nos anima e fortalece: Vibrante, elegante, reconfortante, harmonizante, contagiante…

Assim sendo, neste decisivo momento de Mutação de Consciência Planetária, provocado pela disseminação do Corona Vírus;  neste momento em que as cidades silenciam no recolhimento obrigatório e na interiorização consequente, temos tempo para refletir sobre o convite que estamos recebendo, de cuja escolha dependerá o futuro da nossa civilização terrena.

Quais são os comportamentos no padrão “oso”, pelos quais ainda estamos impregnados? Preguiçoso, mentiroso, nervoso, medroso…? Não será o medo, neste momento, o pior e mais contagioso vírus? Qual é o padrão mental, emocional e espiritual predominante em nossas atitudes, em meio ao bombardeio informacional? Quais notícias escolhemos privilegiar e compartilhar? Quantas vezes escolhemos o sufixo “ante”, colocando-nos como instrumentos lúcidos de transmissão de forças restauradoras, fortalecedoras e construtivas, com mensagens e imagens de Serenidade Contagiante, Fé Contagiante, Resiliência Contagiante?…

Pare neste momento e pense? Se todos nós estamos inseridos num Plano Divino Perfeito e Evolutivo para toda a Humanidade (Uma Unidade), qual a função de cada um de nós, no entorno social em que estamos inseridos? Nossa função será alimentar o medo ou a coragem (agir com o coração)? Poderemos ser transmissores do Amor Contagiante?

Afinal, nossa glândula Timo, responsável pela especialização de nossas células de defesa, está localizada em nosso peito, bem próximo de nosso coração. Será por acaso ou estamos sendo convidados a nos amarmos mais e amarmos mais os nossos semelhantes? Estamos sendo convocados a olhar com mais carinho e cuidar melhor dos idosos que vinham sendo deixamos para trás, em tempos ocupados e cada vez mais velozes?

Que esta reflexão seja contagiante e possa ser compartilhada por você, que descobriu o que pode fazer, exatamente de onde você está, para trazer alento e esperanças renovadas aos que nos pedem auxílio. Que a Solidariedade e o Amor fluam de nossos corações e sejam contagiantes, envolvendo nossa Amada Mãe Terra!…

Compartilhe e ajude a formar a Nova Consciência Planetária.

FAMÍLIAS VIRTUAIS

30/03/2020 às 14h52

Em constante processo de mutação, nossa sociedade literalmente entrou no mundo virtual, trazendo-nos novos e mais complexos problemas de comportamento. Sem que nos déssemos conta das consequências imediatas, mergulhamos nas Redes Sociais, mantendo contatos em tempo real, mesmo estando em diferentes pontos do planeta. Fenômeno de globalização!… Maravilhados com as novas tecnologias ao nosso dispor, não paramos para avaliar os prós e contras dessa nova ferramenta de comunicação.

Quando nos tornamos conscientes dos processos decorrentes da Transição Planetária em tempos de desconstrução civilizatória, percebemos a dissolução da maioria das famílias nucleares, o encarecimento do custo de vida, a ampliação induzida da necessidade de consumo, o surgimento de novas configurações familiares e a aceleração do tempo, criando um novo sistema de Redes Familiares, constituída por padrastos, madrastas, enteados, enteadas, ex-maridos, ex-esposa, avós afetivos, sem vínculo consanguíneo, avós, pais e mães consanguíneos, fisicamente distantes, agora conectados, em tempo real, que tentam gerenciar a vida de seus entes queridos e inacessíveis ao toque físico, como Drones monitorados à distância. Por outro lado, mães provedoras, que criam seus filhos sem a presença paterna, também monitoram seus filhos em casa ou na creche, a partir de seus ambientes de trabalho.

Tal configuração provoca a emergência de questões objetivas e legais, em termos de cuidados com os idosos e crianças. Neste novo contexto, emergem os conflitos parentais, os sentimentos de culpa gerados pela ausência real, muitas vezes compensado pelo acúmulo de presentes que passam a ocupar o espaço do melhor presente: A presença física e o convívio diário.; os sentimentos de insegurança, baixa-estima e inferioridade, que motivaram as situações de negligência parental, no passado e deixaram sequelas nas relações familiares; as mágoas e ressentimentos decorrentes desses históricos de vida, que somente podem ser perdoados e dissolvidos, através das técnicas terapêuticas de autoconhecimento, para que o passado não interfira no presente e possa realmente ser deixado para trás.

Além disso, os aspectos legais decorrentes dessa nova configuração exigem atenção e discernimento em relação aos papéis sociais da paternidade e paternagem, bem como da maternidade e maternagem: Enquanto paternidade e maternidade são relações consanguíneas, a paternagem (figura parental de apoio, lei e limite, no mundo externo) e a maternagem (figura parental de cuidado e acolhimento) somente poderão ser exercidas por aqueles que estejam fisicamente presentes e próximos, em termos de tempo-espaço.

Como socorrer a criança ou o idoso que se machucou num tombo, estando a quilômetros de distância? Como preencher o sentimento de solidão e abandono do idoso? Como acolher e acalmar a criança que acorda durante a noite, por conta de um pesadelo, muitas vezes também ocasionado pelos muitos jogos virtuais aterrorizantes? Como tirar fotos juntinhos, no dia do aniversário? Como abraças e beijar? Como construir as memórias dos bons momentos compartilhados?

Para tornar a questão ainda mais complexa, legalmente, é responsável pela criança ou pelo idoso, o adulto que esteja cuidando deles, física e presencialmente. Em muitas situações, isto coloca as crianças e os idosos sob o comando de diferentes adultos, com diferentes visões de mundo, cada um querendo gerenciar a situação segundo sua visão de mundo, tornando as relações familiares confusas. Em especial para as crianças, significa receber diferentes mapas, com diferentes informações sobre a mesma realidade. Qual seguir!?…

Mais uma vez, em tempos de Transformações, esses são temas sobre os quais precisaremos refletir e construir, com muito diálogo, novas regras de comportamento, que irão fundamentar a nova sociedade que está nascendo!… Vamos tecendo o Novo Tempo!

FILHO NÃO É TROFÉU

26/03/2020 às 11h37

Quando dois jovens namoram, idealizam o relacionamento, trocam juras de amor eterno, mas, jamais chegam efetivamente a conversar sobre seus aspectos divergentes de personalidade, sobre aquelas características individuais que irão gerar conflito na vida a dois. Inconscientemente fazem do casamento um contrato secreto, no qual nenhum deles irá dizer ao outro as suas expectativas, mas onde cada um ficará extremamente irritado, caso não seja atendido.

Decorridos alguns anos de vida em comum, acumulando mágoas e decepções, um dos cônjuges, ou os dois chegam à conclusão de que “o outro é o culpado” pelo fracasso do casamento, buscando a separação. No meio desta crise, ocorre uma intensa fragilidade emocional, em decorrência das frustrações acumuladas, e do próprio desgaste gerado pelo convívio conflituoso. Esta fragilidade faz com que cada cônjuge busque apoio emocional, agregando do seu lado o maior número possível de opiniões favoráveis, entrando, inconscientemente, num jogo competitivo com o ex, cujo principal objetivo é penalizá-lo com o maior número possível de perdas, quer seja em relação aos bens materiais ou filhos. Como os filhos envolvem a maior parte da carga emocional, são preferencialmente escolhidos como troféu da disputa. Ganha o jogo, quem tiver a guarda e posse deles. As visitas estabelecidas judicialmente, e as datas antes comemoradas em família, tais como Natal e Ano Novo, aniversários e feriados transformam-se num campo de batalha. Cegos de raiva pelas frustrações de parte a parte, torna-se difícil para eles perceberem os terríveis danos emocionais que estão causando aos pequenos. Colocados na posição de mensageiros de recados malcriados entre os dois lutadores, os filhos vivem a agonia do entrave, tornando-se também confusos e inseguros, pela impossibilidade de escolher entre dois amores igualmente importantes. Sem que tenham consciência disso, os pais vão contribuindo para a neurotização de seus filhos, pelas quase irreparáveis sequelas emocionais do terrível combate, do qual todos, sem exceção, sairão como perdedores.

Hoje, com os recursos das modernas técnicas terapêuticas, o processo de separação conjugal pode se transformar num momento de identificação dos fatores inconscientes que contribuíram para a má escolha. Pode ser também um momento de reflexão e aprendizagem sobre os critérios de escolha utilizados, para que o mesmo não venha a ocorrer num segundo ou terceiro relacionamento. Sempre é possível identificar o que se aprendeu de útil com os erros cometidos.

O acompanhamento terapêutico do processo de separação conjugal visa, acima de tudo promover o esvaziamento da raiva gerada pelas frustrações de parte a parte, para que cada um dos cônjuges consiga perceber o limite de seu campo de ação, podendo, a partir daí, resgatar sua autoestima. Neste processo de conscientização, cada um começa a perceber que existe ex-marido e ex-esposa, mas não existe ex-pai ou ex-mãe. Também não existem ex-avós ou ex-tios, e a relações afetivas das crianças com seus parentes de ambos os lados devem ser preservadas, atendendo, inclusive aos quesitos da Lei de Alienação Parental e de Direitos dos Avós. Outro aspecto importante, que também será percebido, é o fato de que, quando eles fizeram um mau contrato de relacionamento, os filhos não foram consultados, até mesmo porque, na maioria dos casos, ainda nem haviam nascido, o que torna injusto envolve-los na contenda. A medida que cada um vai esvaziando suas mágoas, muitas delas com raízes em conflitos vivenciados na infância e projetados no casamento, pode começar a perceber, a partir das próprias memórias, a importância de se preservar a imagem positiva do pai e da mãe, como modelos que irão influenciar a escolha dos futuros parceiros afetivos.

Outro aspecto importante nesta delimitação é compreender que as relações entre os cônjuges e entre cada um deles e os filhos envolve papéis sociais diferentes, e que um mau marido ou uma má esposa pode ser, ao mesmo tempo, bom pai ou boa mãe. E que, quando um cônjuge tenta denegrir a imagem do outro para os filhos, está lhes causando um sofrimento inútil e que, como sinalizamos acima, infringe a legislação pertinente.

Como geralmente o casal em processo de separação, não procura ajuda profissional para identificar os fatores emocionais que emergem nesse momento difícil de suas vidas, os conflitos vão se acumulando através do tempo, às vezes passando de uma geração para a outra e perpetuando este triste modelo de solução (?) de conflitos.

O despertar da consciência de que os filhos não devem ser envolvidos na disputa conjugal; de que, em nenhuma hipótese eles devem ser transformados num troféu de vitória de um sobre o outro, caracteriza o mínimo de respeito que as crianças merecem e necessitam, para tornarem-se adultos emocionalmente saudáveis.

Site: www.suelimeirelles.com

AS QUATRO OPERAÇÕES DA VIDA

21/03/2020 às 11h13

A Física Moderna nos ensina que energia é matéria dispersa e matéria é energia condensada. No mundo manifesto, tudo tem nome e medida. Nosso nome é uma função existencial; nosso peso e altura refletem o quantitativo energético que nos anima. O tempo tem medida e o espaço, também. Será a vida uma manifestação matemática? Como profissional do comportamento e agente de transformações sociais pus-me a observar e refletir sobre o assunto. Serão nossas relações afetivas e sociais também regidas pela matemática? O quanto amamos, o quanto rejeitamos alguém ou alguma idéia?… O quanto nos envolvemos num propósito, o quanto agimos em nossos contextos?… Quantas vezes utilizamos as quatro operações matemáticas, em nossas vidas?… O quanto subtraímos, o quanto dividimos, o quanto somamos, o quanto multiplicamos nossas realizações e relações?… Vejamos!

Algumas pessoas, movidas pelo egoísmo, preferem SUBTRAIR. Interessante que o termo sub-trair nos transmite exatamente esta idéia de traição subliminar. Roubar a energia ou os bens do outro, pendurando-se nele, transformando-o num cabide de sustentação para suas fraquezas e indecisões. Parece-nos a operação matemática preferida daqueles que não assumem o compromisso evolutivo da própria existência. Como essas pessoas nos fazem mal!…

Algumas pessoas, ainda movidas pelo egoísmo, preferem DIVIDIR. São “espalha-montinhos”, mostrando-se sempre prontas a polemizarem e fomentarem divergências, dividindo famílias e grupos sociais. São sistematicamente desagregadoras, maledicentes, invejosas, manifestando esse padrão por onde quer que passem e deixando na caminhada, um rastro de discórdia. Como elas nos fazem mal!…

Algumas pessoas, motivadas pelo altruísmo, preferem SOMAR. São aquelas pessoas sinceras e bondosas, que chegam num contexto trazendo idéias inovadoras, doando de si mesmas para o bem comum. Animando o grupo. Sempre fazem a diferente entre o antes e o depois da sua passagem. Sempre nos deixam as boas lembranças do seu convívio amoroso e fraterno. Ahhh! Como seria bom se houvesse mais pessoas que soubessem somar!…Como elas nos fazem bem!…

Algumas pessoas, também motivadas pelo altruísmo, preferem MULTIPLICAR. São pessoas sinceras que curtem o sucesso alheio, visam o bem comum, agregam pessoas, doam de si mesmas e compartilham com elas suas aprendizagens e conhecimentos, mostrando-se também, humildemente, dispostas e crescerem no encontro. Ahhh! Como seria bom se houvesse mais pessoas multiplicadoras!… Como elas nos fazem bem!…

Agora, reflita comigo: Você já parou para pensar qual a sua operação matemática preferida, na Escola da Vida? Se você se identificou como alguém que ainda está estudando as tabuadas de subtração e divisão, lembre-se que nunca é tarde para aprender outras operações matemáticas e utilizar todas com equilíbrio. Você já pensou na possibilidade de diminuir o sofrimento dos seus semelhantes, a partir de suas ações? Já pensou em dividir com o próximo, o que você tem de bom? Já pensou em somar suas boas ações ao bem comum, multiplicando-as? Afinal, saber utilizar adequadamente as quatro operações é a meta a ser alcançada, através das provas terrenas!…

A ARTE DE SER SOGRA

16/03/2020 às 10h52

Em princípio, sogra é o grau de parentesco da genitora de cada um dos membros do casal, mas em ligeira pesquisa nas imagens do Google percebemos o quanto a nossa cultura estigmatiza a figura das sogras, através de jargões pejorativos, que em respeito a todas (até porque também sou sogra,) deixo aqui de mencionar. Por que será que isto acontece? Por que as relações entre sogras, genros e noras passam por tantas dificuldades? Vamos ver!

Em primeiro lugar porque, quando duas pessoas se casam, trazem em suas memórias existenciais, modelos de pai e mãe, que serão internalizados como referencial de vida. A esposa tende a reproduzir, conscientemente, os aspectos positivos da personalidade de sua mãe, embora também vá apresentar, inconscientemente, os padrões maternos negativos, o mesmo acontecendo em relação ao marido, cuja expectativa em relação a cônjuge será fundamentada nas experiências geradas na relação com sua mãe. Caso algum dos cônjuges tenha vivenciado relacionamentos negativos com madrasta, esses aspectos também irão interferir no relacionamento conjugal.

Do ponto de vista da sogra, assumir este novo papel, acrescido ainda pelas novas funções de avó (biológica ou adotiva) exige um profundo autoconhecimento e elaboração de sua trajetória de vida: O primeiro movimento é no sentido de ceder sua vez nas comemorações de aniversário, em relação ao primeiro pedaço de bolo, do filho ou filha aniversariante.  Amiga sogra! Lembre-se de que é necessário ceder a vez para a nora ou genro, que têm direito a esta prioridade. A vez não é mais sua! Você também fez isto com seus genitores.

A outra questão está relacionada ao amor desapegado, em relação aos novos membros da família. Se o seu filho ou filha escolhe alguém, aprenda a amar esta pessoa escolhida, como sua filha ou filho. Isto irá contribuir para a felicidade deles. Mas, se em algum momento do tempo, ocorrer uma separação conjugal, ajude-os a serem amigos, principalmente se tiverem filhos, porque filho não é troféu . Depois, você precisará exercitar seu desapego e abrir novo espaço em seu coração, para acolher uma nova pessoa, sem criar expectativas… Sabemos o quanto as sogras sofrem com a separação dos filhos ou filhas.

A mesma coisa, em relação aos hábitos do novo casal, tais como biorritmo, logística de tarefas, frequência de visitas, desentendimentos conjugais, educação dos netos… A lista pode ser longa! Aproveite e faça uma reflexão sobre todos esses aspectos! Lembre-se de que cada geração tem seu modo de vida. Respeite! Coloque-se na posição de consultora e opine apenas quando for solicitada. A vida é deles!… Procure ser equânime e trate seus genro e sua nora com o mesmo carinho dispensado aos seus filhos. Abra espaço no seu coração e adote-os, identifique afinidades e reconheça suas qualidades naturais, contribuindo para a união familiar.

Aproveite também para olhar para as vantagens de sua nova posição: Você poderá curtir seus netos, sem a obrigação de educá-los ou sustentá-los. Brinque com eles e reavive a sua criança interior. Lembre-se também de que você já cumpriu suas tarefas e se aposentou como mãe. Aproveite o tempo livre de obrigações para curtir o relacionamento a dois se estiver casada. Caso contrário, tenha amigas, saia com elas, cante num coral, curta seus passeios e viagens, estude algo, navegue na Web, dedique-se a um trabalho voluntário, ajude ao próximo e fortaleça a sua fé. Abençoe a si mesma e à sua família, agradecendo pelos novos membros incluídos. Eles não estão aí por acaso…. Aprenda as lições da vida e seja uma boa sogra. A felicidade irá bater a sua porta! Acredite!!

EMPODERAR OU EM PONDERAR?

08/03/2020 às 10h42

Um artigo sobre a Mulher…

Em 2018, recebi um convite para participar de um evento comemorativo do Dia Internacional da Mulher, no Teatro Municipal de Nova Friburgo. Em função do pouco tempo, compartilhado com outras palestrantes, para falar sobre um tema tão profundo e com questões tão emergentes, resolvi gravar uma palestra online, logo no dia seguinte.

Quando assisti o vídeo, notei que, apesar de minha familiaridade com a língua portuguesa, eu havia cometido um ato falho, dizendo “emponderamento” em lugar de empoderamento. Como nada ocorre por acaso, parei para refletir sobre o significado mais profundo do meu descuido linguístico, percebendo que, pela fresta aberta entrava a luz de uma nova consciência, sobre a questão do tão defendido feminismo. Então, indaguei a mim mesma: Que poder é esse que as mulheres estão defendendo? Se o mundo há milênios desgovernado pelos homens está tão caótico, por que as mulheres buscam as mesmas condições, para repetirem os mesmos erros por eles cometidos?

Em que aspectos podemos dizer que o machismo foi saudável ou construtivo? Quantas guerras até hoje? Cheguei à conclusão de que a busca pelo poder, até então ocupado pelos homens, parece não trazer a salvação da nossa sociedade. Então, voltei-me para a busca do sentido linguístico de empoderar e encontrei o seguinte significado: “Atribuir um cargo, obrigação etc., ou tomar para si uma obrigação, cargo, tarefa; encarregar.”

Seguindo a minha busca, procurei aprofundar a compreensão do termo e procurei o significado de ponderar, encontrando o seguinte: “atribuir pesos a (diversas grandezas) para calcular a média ponderada. Examinar com atenção e minúcia; avaliar, apreciar as vantagens e as desvantagens”. Tem como sinônimos os verbos alegar, esquadrinhar, refletir, argumentar, arrazoar, declarar. Fiquei admirada! Quantas tarefas podemos realizar, se formos ponderadas?

Mas, o que é uma pessoa ponderada? Mais uma vez recorrendo ao dicionário online, recordei o seguinte significado: “Ponderar é agir com ponderação, ou seja, com reflexão, com prudência, com bom senso, com juízo, com relevância.

Ponderar é equacionar sobre uma determinada situação, é fazer uma avaliação, é tentar encontrar uma solução.” Pronto! Achamos o caminho a seguir, na reconstrução da nossa sociedade e descobrimos quanto trabalho teremos pela frente, se começarmos a fazer uma avaliação minuciosa das questões mais essenciais e relevantes, com foco na solução de pendências seculares, para retomarmos o equilíbrio social, neste momento de reconstrução civilizatória.

Se o Divino nos concedeu o milagre de gerarmos vida, é porque sabia que iríamos dela cuidar com carinho e desvelo. Não só cuidar da vida humana, mas preservar a vida dos reinos a nós subordinados, como sacerdotisas a serviço da bondosa Mãe Terra, com seus recursos já tão exauridos, pelos desatinos exploratórios do masculino que está no poder. Realmente precisamos transitar do amor ao poder, para o poder do amor, gerador de solidariedade, compaixão, fraternidade, alegria, gratidão e tantos outros atributos essenciais à vida planetária em plena harmonia.

Então, neste dia 8 de março de 2020, ano da concretização dos melhores sonhos de nossos corações, deixo aqui um convite a todas as mulheres ponderadas, para assumirmos a tarefa de construção de uma nova sociedade, buscando o ponto de equilíbrio entre os extremos. Refletindo, argumentando e avaliando as vantagens e desvantagens de cada nova decisão, sem reproduzirmos os ultrapassados modelos masculinos.

Deixo aqui também um convite a todos os homens que despertaram o feminino dentro de si, para que assumam a tarefa de cuidar de tantas famílias onde a ausência paterna gera tantos desvios de comportamento social. Vamos nos colocar em estado de “emponderar”? Temos muito trabalho pela frente…  Mãos à Obra!

TRABALHAR, CONVERSAR, ORAR E DIVERTIR…

27/02/2020 às 20h06

Linguisticamente, os verbos representam nossas atitudes e ações, diante da vida. No filme “Comer, Rezar e Amar”, a personagem de Júlia Roberts faz um percurso de autoconhecimento, através dessas ações, até encontrar o companheiro dos seus sonhos…

Colocando os romantismos à parte, em 1986, a UNESCO reuniu Cientistas, Filósofos, Líderes Religiosos e Artistas em torno da questão da infelicidade humana, apesar dos avanços tecnológicos da sociedade atual. Esta reflexão os conduziu aos estudos de Carl Gustav Jung, em relação às quatro funções psíquicas (razão, emoção, sensação e intuição), por sua vez geradoras dos quatro campos do conhecimento (ciência, filosofia, artes e tradições espirituais). Deste modo, chegamos aos quatro verbos acima referidos. Então, vejamos:

Entre a razão e a sensação, temos o campo da ciência, da objetividade, do trabalho e da compreensão racional do que percebemos através dos nossos cinco sentidos (visão, audição, olfato, tato e paladar), voltados para a realidade tridimensional. Quando uma pessoa está sem trabalho ou emprego, perde o sentido de sua utilidade, no contexto social.

Entre a razão e a intuição, temos o campo da filosofia, do diálogo, das conversas e questionamentos necessários à compreensão racional e elaboração do que nos é intuído. Sem amigos ou amigas surge o sentimento de solidão, pela falta de desabafo.  Entre a intuição e a emoção, tempos o campo da religiosidade, onde podemos colocar em prática as nossas intuições, através de nossas ações afetivas em benefício de nossos semelhantes.

No contexto do Templo Sagrado, estamos em comunhão com os nossos semelhantes e experimentamos o sentimento de pertinência, dentro daquele estado de consciência e visão de mundo, com a qual nos identificamos. Entre a emoção e a sensação, temos o campo das artes, do laser, da criatividade, do esporte e do contato com a natureza, onde estaremos repondo nossas energias e expressando nossas emoções.

Chegamos, assim, aos quatro verbos essenciais, para que tenhamos equilíbrio psíquico e saúde integral:

Trabalhar nos dá senso de utilidade, de pertencimento social e identidade profissional. Significa que temos algo de bom a oferecer, cujos serviços outros necessitam;

Conversar, ter amigos e amigas, com os quais compartilhar experiências e momentos de laser, são essenciais à saúde mental; Orar nos permite o religare, a reconexão com a Grande Fonte, o Divino que nos habita e fortalece;

Divertir, tanto no sentido de ter bom humor e divertir-se como no sentido de transmitir alegria no convívio social, completa a lista dos quatro verbos necessários à manutenção do bem-estar físico, emocional, mental e espiritual.

No consultório, quando aplicamos a Técnica das Quatro Funções Psíquicas, percebemos que algumas pessoas se afastam do seu ponto de equilíbrio, concentrando atenção num ou dois campos de ação, em detrimento de outros.

Então, pense nisso: Como você está lidando com os quatro verbos essenciais e como estão esses quatro campos de atuação em sua vida?