Revista Statto

A PARABOLA DO LENHADOR

05/12/2020 às 10h10

Havia na caatinga castigada minguada de arbusto um robusto Juazeiro que se destacava dentre a vegetação de pequenos portes. O arbusto era o rei daquele pedaço de chão desprovido de abundancia.

Sucedeu que naquele torrão morava um lenhador que em sua vida inteira não havia feito outra coisa senão cortar árvores, pois este era o seu oficio.  Estava ele certa vez executando seu trabalho quando passou um retirante que fugia da seca, ao passar por ele o retirante cumprimentou-o, tirando o chapéu em forma de respeito, em seguida perguntou-lhe: não dói o coração ficar aí cortando esses arbustos, o pouco que ainda restou dessa estiagem temerosa? Por que não vem comigo e vamos em busca de recursos em outras terras e quando a chuva chegar você volta, e aí a caatinga estará renovada; não sabemos quanto tempo durará essa estiagem…. O lenhador olhou sob a aba do chapéu e falou quase grunhindo com o seu interlocutor: segue teu caminho! Cá fico eu. Em terra estranha nada me pertence…

O tempo passou e nada de chuva. O que se via era só desolação, os animais silvestres também tangidos pela seca e a vegetação torrada. Aos poucos, na caatinga que antes era cinzenta, só se via vermelhidão.

Já não havendo mais o que ceifar na caatinga, o lenhador lança um olhar febril para o Juazeiro que até então, por decisão sua tinha sido preservado mesmo tomado por um desejo incontrolável de servir-se de pelo menos de alguns galhos (não se sabe por que o lenhador poupou o Juazeiro até então, talvez porque ele era o único a lhe dá sombra fresca nas horas mais escaldantes do dia).

Sem norte, o pobre homem agarrara-se àquele torrão de onde tirava a sua sobrevivência. Sua vida não diferia muito dos viventes (lagartixas, e calango…) que ainda estava naquela terra hostil.

Todo dia ele precisava lenhar para acender a fogueira que de modo providencial socorria-lhe dá friagem da noite. Entretanto não havia para o pobre homem outro jeito a não ser pegar alguns galhos e algumas tiras de cascas da árvore rei e lançá-las ao sol ardente para secá-las para quando a noite chegasse a ter lenha para sua fogueira. Assim fez todos os dias, até que um dia o tal lenhador deu-se conta de que o Juazeiro, outrora ao seu dispor, havia desaparecido e dele não restava nem mesmo as cinzas, que havia sido levada pelo vento. Então, ele lembrou-se do que lhe dissera o retirante e arrependeu-se por não ter ouvido seu concelho.

Vendo que não havia de onde tirar lenha ele queimou, então, o cabo do seu machado, lasquinha por lasquinha, suficiente para lhe aquecer apenas as mãos, mas o cabo de sua ferramenta também findou.

Então, o homem viu-se a vagar sob o sol temeroso, arrastando-se pela terra estéril durante o dia e durante a noite enrolando-se no próprio corpo sob o céu estrelado, não demorou e os seus dias, também findaram.

A moral da história implica dois fatores:

  • Não convém desprezar os bons concelhos, pois estes nos trazem lições preciosas.
  • Cuidar de nossas matas, preservar o meio ambiente e nossas fontes naturais para que a mãe Terra não se torne estéril um dia.

DUETO ROMÂNTICO: QUANDO ME EXPRESSARÁ? x FLOR DO DESERTO

30/11/2020 às 10h04

QUANDO ME EXPRESSARÁ?

Você é a flor que bebeu meu coração?

Meus sonhos roubados na noite

É você

Os momentos que eu ocupo do vento soprando,

É você

Pegar meus pensamentos e ficar com um sorriso silencioso,

É você.

Coloque uma chama na minha vida,

E então fique longe e me faça esperar,

É você

Semeie bilhões de poemas em minha casa,

Que crescem e se transformam em elogios,

Olhando para eles enquanto se regozijam,

É você

Tudo o que me faz pensar em você me faz me esquecer,

É você

No céu do meu coração,

Subindo como a lua e assobiando no meu sol,

É você

Com um pouco de vergonha que me deixa triste,

É você

Nesta floresta de amor que se refugia e me faz nômade,

É você

Sem guerra,

Você criou uma guerra de amor,

É você

Quando você vai me deixar para morrer

Quando você vai me expressar

Nosso amor?!!!!

Dr. M. Mohammed Siraj

FLOR DO DESERTO

Oh meu doce amor, és tu: as horas felizes de

 Meus dias tristes,

A fonte fresca do meu deserto escaldante,

O cálice de luxuria que transborda das

 Minhas miragens;

É também: a calma para a minha agitação,

O Oásis que

Refrigera meu inferno abrasante,

O antídoto que sacia

A minha estonteante sede de amar,

É, o aconchego de minhas noites de solidão,

O amor de Minh ‘alma nostálgica!

Encontrastes em mim não somente a flor e o calor

Do deserto, mas, também, o renovo da primavera.

 Com todos os baterem de asas borboletantes.

Valda Fogaça

QUAND VAS TU M’EXPRIMER?

Es-tu la fleur qui a bu mon coeur?

Mes rêves volés dans la nuit,

est-ce toi?

Les moments que j’occupes du vent qui souffle,

est-ce toi?

attraper mes pensées et rester d’un sourire silencieux,

est-ce toi?

Mettre une flamme dans ma vie,

pour ensuite rester éloigné et me faire attendre,

est-ce toi?

Semer des millards de poême chez moi,

qui poussent et se transforment en éloge,

les regardant en se rejouissant,

est-ce toi?

tout ce qui me fait penser à toi me fait m’oublier moi-même,

est-ce toi?

Dans le ciel de mon coeur,

se levant comme la lune et sifflant sur mon soleil,

est-ce toi?

Avec un peu de honte qui me rend triste,

est-ce toi?

Dans cette forêt de l’amour qui me fait refuge et me fait nomade,

est-ce toi?

Sans guerre,

tu as crée une guerre de l’amour,

est-ce toi?

quand vas tu me laisser pour mort?

quand vas tu m’exprimer

Notre Amour?!!!!

Dr. M. Mohammed Siraj

CONSPIRAÇÃO

22/11/2020 às 12h29

Trancafiados, é assim que vive toda gente,

Olhando à florada do sonho e do talento.

Mas, quem dessa estação previu o que sente?

Então, que solte o derradeiro alento!

Veem no céu grande deslumbramento

As   vítimas do Covid, ironicamente

A terra em luto, e em júbilo o Firmamento.

Pois, esperem todos por um milagre somente!

Assim na terra e como no céu

Da natureza, oh! Trágica ironia!

A conspiração cobre-os com seu véu

Porque para muitos é claro como o dia.

Resta aos cientistas cumpri seu papel

E por fim a essa terrível pandemia.

ESTELIONATO SENTIMENTAL OU AFETIVO

14/11/2020 às 11h58

Viver uma paixão faz parte da vida. Quem nunca desejou estar vivendo um momento mágico:  os olhos nos olhos, juras de amor, viver na eternidade de um momento sublime, e na completude de uma felicidade que nenhuma angústia pode vir a corromper?  Porém, até o mais sublime dos momentos, entretanto, pode se tornar em algum tipo de sofrimento.

Ao caminhar pela senda do afeto, da paixão todo cuidado é pouco, as pessoas não são como desejamos que sejam nem o que parecem ser, elas são exatamente aquilo que são.  O evento tecnológico da comunicação nos favorece, no momento, uma aproximação bem maior com as pessoas que em outros tempos; consequentemente, surge, em virtude disso, pontos positivos e negativos à essa aproximação.

A interação amistosa entre indivíduos de localidades diversas, seja no campo profissional, cultural ou afetivo configura como ponto positivo. E, essa interação  parte do princípio da boa Fé.

Entende-se por Princípio da Boa-Fé Objetiva:

A boa-fé está entendida como a definição do não abuso ao direito, como mostra no art. 187 do Código Civil, resistente em uma norma ao exercício de direitos subjetivos e recai sobre a conduta correta, fiel e digna da pessoa (…).

Contudo, a interação entre indivíduos que configura como ponto negativo é entendida como uma relação de má Fé. Isso ocorre quando uma das partes procura obter para si ou para outrem vantagem ilícita, em prejuízo alheio, é o que chamamos de: Estelionato.

De acordo com o Art. 171.CP, Estelionato configura-se no ato de: “Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento”.

A EXPLORAÇÃO ECONÔMICA, NO CURSO DO NAMORO; quem não já ouviu falar?  O estelionato afetivo ainda é um tema que causa muita polêmica entre profissionais e estudiosos do direito.  É exatamente esse tema do presente artigo.

O namoro pode ser considerado uma instituição de relacionamento ou um período para a troca de informações entre duas pessoas, tendo como principal função, germinar um sentimento de carinho com maior proximidade entre elas, sendo considerado o primeiro passo para a corporificação do matrimônio, ou seja, a concretização dessa união. É uma relação em que o casal está comprometido socialmente, mas sem estabelecer um vínculo matrimonial perante a lei civil ou religiosa (…).

Embora o instituto namoro não possua características de uma entidade familiar, vem surgindo litígios de uma maneira mais corriqueira no campo do judiciário, sendo utilizados como forma de recuperar valores que foram utilizados pelo companheiro (a), que, supostamente, tenha sido utilizado de uma forma proposital, para que de alguma maneira levasse vantagem, abusando da boa-fé da outra parte (…).

Origem do Termo:

O termo “estelionato sentimental” surgiu em um processo que aconteceu em Brasília, no ano de 2015. O juiz da 7ª Vara Cível de Brasília condenou o réu ao pagamento de cento e um mil e quinhentos reais a sua ex-namorada como ressarcimento a diversas contas que a mesma teria pago durante o relacionamento de dois anos, incluindo roupas, sapatos e pagamentos de contas telefônicas etc. (…).

Desde que surgiram as relações sociais, o homem se vale de fraude para dissimular seus verdadeiros sentimentos, intenções, ou seja, para, de alguma forma, ocultar ou falsear a verdade, a fim de obter vantagens que, em tese, lhe seriam indevidas”. (O criminalista Greco (2014, p. 236).

Portanto nota-se que “Estelionato Sentimental” deve ser reconhecido tanto no âmbito cível como na seara penal. Devendo ser feita uma análise criteriosa e muito minuciosa, observando caso a caso, no seu contexto geral, ou seja, de forma concreta, devendo levar em conta também o nexo causal, para que haja uma possível condenação.

Diante do que se intitulou o “estelionato sentimental”, podem ocorrer indenizações pelos danos materiais e morais sofridos e condenação penal pelo ilícito praticado (…)…

Estes são alguns exemplos:

A 4ª Câmara do Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso – TJMT condenou um homem a pagar R$ 10 mil por danos morais a uma mulher, além de ressarci-la pelo prejuízo causado após a prática de estelionato sentimental. O réu fez empréstimos, compras de um notebook e em lojas de grife e pegou cheques em branco da namorada, que teve que arcar com as dívidas depois do término do relacionamento.

(Instituto Brasileiro de Direito de Família)

Ele sabia que eu o amava e me fazia bancá-lo”!  Silvia Helena foi vítima de estelionato sentimental durante um namoro de seis anos, a empresária brasiliense Silvia Helena, 61 anos, comprou para o namorado um carro de R$ 64 mil e emprestou a ele R$ 36 mil. Tudo com a garantia de que o sujeito a reembolsaria assim que pudesse. “Quando eu o cobrava, ele ficava bravo. Falava que eu não confiava nele e ameaçava terminar o namoro”, conta Silvia Helena. “Ele era o amor da minha vida, e, por isso, eu deixava para lá“.

Vale lembrar que, através da internet, diariamente, surgem possibilidades para estabelecer vínculos afetivos, conhecer pessoas novas, bem como facilitar as comunicações entre as pessoas através de tradutores. E, alguns fatos não mudam: em um relacionamento, é comum que as partes ainda presumem que exista lealdade, confiança, honestidade, transparência e, sobretudo respeito; no entanto nem sempre isso ocorre.

As expectativas criadas no início de um namoro são inúmeras, sobretudo para as mulheres. No mundo virtual não é diferente, principalmente em razão de as partes buscarem conhecer possíveis parceiros (as) para a vida, permitindo-se trocar informações e experiências pessoais, com o fim de estabelecer um vínculo afetivo e auxílio mútuo; desde um simples namoro a um relacionamento mais sério visando casamento.

Com as redes sociais e os aplicativos de relacionamento, a troca de informações ficou ainda mais facilitada, sendo que, por vezes, informações pessoais são divulgadas indiscriminadamente pelos próprios usuários. Existem casos em que essa exposição acaba por atrair pessoas de má-fé e sem boas intenções, como os estelionatários. Na grande maioria das vezes, são homens que se valem da situação delicada de mulheres que passaram ou passam por traumas afetivos, decorrentes de separação, viuvez, entre outros, para aplicar golpes”. É o que dizem os especialistas do assunto. E acrescentam:

É importante destacar que, caso as vítimas percebam que estão sendo abordadas por homens que utilizam perfis falsos para aplicar golpes, é possível e indicado a propositura de ação de quebra de sigilo para conseguir obter as informações fidedignas dos usuários que criaram os perfis para fins ilícitos, visando, assim, se precaver de futuros estelionatos, bem como para eventual responsabilização cível e criminal”.

Bem, o objetivo do meu estudo acerca da matéria, é poder contribuir de algum modo, através do presente artigo, para que mulheres carentes não se deixem levar por doces palavras do tipo: “oh meu amor, minha amada és a razão da minha vida, preciso de você”…! E todos aqueles blá blá blás que todos já conhecem, de vigaristas que se aproximam dessas mulheres com o Único objetivo: extorqui-las.   Inúmeros são os argumentos utilizados para tocar o coração de suas vítimas e tirar-lhes tudo até a vontade de viver, como por exemplo: afirmarem que moram em regiões distantes e que não possuem condições para se locomover, com o objetivo de solicitar auxílio financeiro às vítimas. Com isso, constroem a ideia de que este dinheiro é indispensável para o encontro do casal, de modo que a mulher, independente financeiramente, acaba por auxiliar financeiramente o suposto companheiro… E, como foi exposto, vemos que a prática do estelionato sentimental é, infelizmente, cada vez mais corriqueira e a internet, se utilizada indevidamente, pode ser um território fértil para pessoas mal-intencionadas, que se aproveitam da vulnerabilidade de mulheres carentes e que sonham com seu príncipe, a sua cara metade. Contudo, tendo em vista que a tecnologia é uma via de mão dupla, esta pode ser utilizada para prevenir a prática de referidos ilícitos, bem como para que as mulheres, principais vítimas desses golpes, tenham acesso às informações quanto à possibilidade de responsabilizar civilmente e criminalmente os infratores, medidas essenciais para ajudar e conscientizar potenciais vítimas.

Fontes:

Por Marcella Jatobá Guida | publicado em 4 de março de 2020

https://opiceblumacademy.com.br/2020/03/estelionato-sentimental-virtual/

https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2019/08/02/estelionato-sentimental-ele-me-pedia-dinheiro-para-assumir-a-relacao.htm?cmpid=copiaecola

Opice Blum, Bruno, Abrusio e Vainzof Advogados

O PECADO E O JULGO SÃO FORTES ALIADOS DO PERDÃO?

08/11/2020 às 10h15

As sociedades são culturalmente formadas, sobretudo, sob o ditame das religiões é compreensível que indivíduos constroem seus valores das vertentes do medo. O medo parece ser o que impera e este deriva do pecado, do julgamento e por último, do preconceito.

Pecar e perdoar”. Pecar é humano!  Julgar é humano? Ou foram as religiões que nos tornaram julgadores?

As religiões, apesar de darem a base moral para os julgamentos, sempre insistem em passar a ideia de que não devemos julgar uns aos outros. No entanto, ao mesmo tempo, e contraditoriamente, fornecem a base material para inventar o pecado; mas também recomenda quase universalmente a misericórdia, a compaixão, o perdão, o não julgamento. Faz parte de um jogo complexo. O termo perdão é interpretado de muitas maneiras diferentes por pessoas e culturas. Em certos contextos, o perdão é um termo legal para absolver ou desistir de todos os sinistros por conta de situação diversas. Isso é especificamente importante na comunicação relacional, porque o perdão é um componente-chave na comunicação e na progressão geral como indivíduo, do par ou grupo. É, contudo, o processo intencional e voluntário pelo qual a vítima passa por uma mudança de sentimentos e atitudes em relação a uma ofensa criminosa, deixa de lado as emoções negativas, como a vingança com uma capacidade aumentada de desejar bem ao agressor.

Por que o erro, o pecado, é tão sedutor? As pessoas têm uma sedução profunda pelo mal. De longe o demônio é o anjo mais interessante. Compare a biografia de Lúcifer com a do Arcanjo Gabriel, que fez o anúncio a Maria (está se encontrava grávida antes de se casar e para se livrar do apedrejamento _ costume segundo a Lei judaica naqueles tempos, “recebeu a visita do arcanjo”). Observe que, o demônio, o erro e o desvio são muito mais sedutores para nós. Você pode lembrar-se para sempre de personagens rebeldes, mas não vai se lembrar das personagens boas, puras na nossa história, salvo algumas exceções. As pessoas gostam dos rebeldes. Elas gostam de quem quebra as regras. A liderança numa sala de aula ou num grupo de jovens quase sempre está naquele que infringem as regras, e não no nerd. As pessoas gostam do pecador. E, aliás, o deus dos cristãos, também, parece ter uma predileção pelo pecador. Veja: Maria Madalena, por exemplo, de prostituta passa ser a santa.  De um modo geral o perdão ou a condenação estão ao dispor do julgo. Nas sociedades os valores são temporais, mas o julgo este sim é realmente humano e estaticamente perpetuo.

A desobediência é um atributo daqueles que não aceitam as regras, e estes estão sempre sujeitos aos castigos. Quem não conhece a lenda da cobra falante no Eder de Adão e Eva? E lembramos que todos conhecem, também, a história de Caim e Abel…

Hoje, todas essas questões de julgamento moral que sempre nos rodearam parecem potencializadas pelas redes sociais…. Em tempos de exibição pública de nossas vidas privadas em redes sociais, nenhum tema esteve tão sorrateiramente presente quanto o da inveja.  Digo sorrateiramente, pois, a inveja nunca é comigo – afinal “eu não sou invejoso” – é sempre um problema do outro – “que me inveja” -, algo do qual somos vítimas e nunca culpados. Bem, o que acontece é que, aumentamos a exposição de nossas vidas e com isso multiplicamos a inveja (A inveja é tida como pecado…). E multiplicando a inveja, multiplicamos o julgamento, e este nem sempre é justo; é importante entender que o pecado, a título de valor, mergulha na subjetividade por se tratar de valores temporais e relativos…  E o perdão   visto como a inspiração da virtude, da misericórdia, beneficia consideravelmente ao suplicante.   Como um conceito psicológico e virtude, os benefícios do perdão foram explorados no pensamento religioso, nas ciências sociais. O perdão pode ser considerado simplesmente em termos da pessoa que perdoa, incluindo perdoar a si mesmo, em termos da pessoa perdoada ou em termos do relacionamento entre o perdoador e a pessoa perdoada. Na maioria dos contextos, o perdão é concedido sem qualquer expectativa de justiça restaurativa, e sem qualquer resposta por parte do agressor.

QUANDO UM GRANDE AMOR SE VAI

01/11/2020 às 12h38

Estive pensando em nós dois, nos três encontros que tivemos. O primeiro durou quatro dias, que você o chamou de nossa lua-de-mel.  O segundo durou quinze dias, fora pura felicidade para nós dois. O terceiro durou vinte e um dias, pareciam que nós vivíamos um casamento. Senti muito feliz, apesar da briguinha gratuita que você teve comigo, por causa de um mal-entendido… Dois meses se passaram, desde aquele dia em que você me deixou no aeroporto, para que eu viesse de volta à minha casa. Tudo transcorriam normalmente até então, mas, inesperadamente, o fim chegou.

Por um ano, só havia você e eu. Éramos um casal maduro que sabia o que queríamos. Agora tudo está acabado! Não alimento ilusão alguma…. Nós já estivemos naquela estrada antes. Mas agora acabou. Eu recordo que você me fez voltar no tempo, para ter mais alegria! Você me fez sorrir o riso mais alegre da paixão. Porque foi tudo que eu quis. E quando você esteve nos meus braços, eu juro que eu queria poder parar o tempo. Quase não consigo acreditar que tudo aquilo acabou. Estávamos no paraíso, e da varanda víamos a lua sair detrás da serra, e o seu amor era tudo que eu precisava. Eu havia encontrado em seu coração o amor que mal cabia no mundo.

Ah! Uma vez na vida encontramos alguém que vira a sua vida de perna cabeça; que te anima quando está mal…   Nada agora pode mudar o que você significou para mim. Havia muitas coisas a dizer que não foram ditas, mas, agora, nada mais tem importância; está tudo acabado _ o seu amor por mi e o meu por você. Quase não consigo acreditar, mas, tudo acabou. É impossível dizer que eu ainda não penso em ti.  Penso sim! Com tristeza, e com saudades daqueles momentos tão felizes que você me proporcionou. Não era tão difícil de ver que eu te amava tanto! Você me fez ver da varanda o mais belo amanhecer. Vimos também o mais belo e romântico entardecer, vimos às estrelas também! Quase não consigo acreditar que tudo aquilo acabou…

DESPEDIDA

Adeus, já vou embora!

Mandar-te-ei algumas linhas.

Onde vou? Não sei, por hora!

A primeira vez que te vi

Meu coração disparou,

A alegria que senti…

Risos de uma flor.

Voltar-me-ei algum dia,

O Senhor há de permitir.

Contente abraçaria…

E os meus olhos a te sorrir.

DE MÃOS DADAS

Recordo-me as ruas

Banhadas de sombras,

Naquela tarde de verão,

Em que passeávamos.

Segurávamos as mãos…

Era tardinha, a brisa

Ainda morna, a aroma

Que ela trazia tinha o

Perfume de rosas.

Quão lindo era o cantarolá

Daqueles pássaros coloridos,

Cuja melodia enchia-nos

De alegria ao chegar-nos

Aos ouvidos!

De mãos dadas passeávamos;

Muitas promessas proferidas,

Ao vento lançadas, sobre

As nossas vidas.

Ah! Que saudade teimosa:

Daquela tarde banhada

De sombras, daquela

Brisa morna, cuja aroma

Trazia perfume de rosas.

               

O SEXO AINDA É UM TABU SOCIAL

26/10/2020 às 08h48

O tema aqui abordando no presente artigo é objeto de reflexão, trata-se de um tema atemporal, portanto, para debate-lo qualquer momento é oportuno; aqui busco apresentar as visões teóricas e políticas vigentes no campo que tem produzido um discurso sobre direitos sexuais e de géneros.  O objetivo é que, as pessoas   conscientize e passam a diante para as próximas gerações   essa conscientização.

O debate intelectual e político que fez da sexualidade um tema político na era contemporânea teve origem na “revolução sexual” dos anos 1960, mas ganhou densidade e legitimidade acadêmica a partir de sua vinculação com as teorias pós-modernas que situam a sexualidade no coração da formação cultural e política moderna (…).

A luta por igualdade, respeito tem unido as mulheres idealistas, as que sonham viver em uma sociedade onde o gênero não é sinônimo de separação de ideais, desrespeito, violência e opressão. Estas que continuam sonhando com uma sociedade menos machista continuam unidas no mesmo ideal, umas anônimas outras de bandeira hasteada, confiante de que sua luta não é em vão. Muito progresso tem feito desde o primeiro grito da mulher aos dias de hoje, mas ainda falta muito para que a mulher possa, finalmente, se libertar das algemas do machismo, do preconceito. A questão sexual é um fator que ainda merece ser revisto em nossa sociedade…

Pode até parecer para o mundo que o Brasil passa a imagem de um verdadeiro reinado da liberdade sexual, porém, dentro dos muros de nossas escolas, no entanto, a questão sexual ainda é tabu.

Acontece que há por parte das religiões a demonização no que se refere à sexualidade, o ato sexual em si.

Nós nascemos sexualizados e aprendemos a ser sexualizados. O sexo faz parte da integralidade da vida de cada pessoa. No espaço da escola um lugar de aprendizado, em que se convive com crianças, adolescentes, com questões de gênero, do masculino e feminino, o dever é trabalhar o lado científico, a questão da saúde, mas também a questão do prazer. Deveria trabalhar a sexualidade de forma ampla; visto que faz parte desse ser íntegro que está dentro da escola. Não é ensinar para transar; é para que o aluno seja um ser autônimo, crítico, emancipado…. Acontece que o sexo ainda é nos dias de hoje um grande tabu social. Dificilmente a família trata do tema, neste caso a escola tem o dever de ampliar, de trabalhar em conjunto com os pais. Vivemos numa sociedade onde, infelizmente, temos que conviver com o preconceito e descriminação de gênero ao se tratar da questão sexual. As mulheres ainda são mais reprimidas; desde a infância, tanto em casa como na escola são ensinadas que as mulheres devem ser recatadas.

Citarei como exemplo um fato bastante corriqueiro, para melhor ilustrar esta questão: “Uma menina já com seios, brincando no intervalo da escola, quis agarrar o coleguinha para beijar na boca. A professora ao surpreendê-la chamou-lhe a atenção dizendo: “vocês têm que se dar ao respeito, desse jeito eles não vão querer namorar vocês no futuro“. No fundo, o que ela quis passar é que as mulheres têm que ser recatadas. Poderia ser de outra maneira, por exemplo: dizer que ninguém deve investir no corpo de outra pessoa quando ela não quer. Com certeza ia resolver _ e trabalhando o respeito em vez de dizer que as mulheres devem ser puras e imaculadas.

A mulher tem que ser virgem aos olhos dessa sociedade machista e preconceituosa, veja o caso de Maria de Nazaré a mãe de Jesus que continuou “virgem” mesmo após ter concebido todos os filhos isto sem falar em Maria Madalena que para ser inclusa aos padrões de moralidade exigidos pela religião cristã a Igreja Católica outorgou-lhe o título de santa… Estas são, aos olhos das sociedades machistas, o modelo ideal de mulher; é nestes moldes que os preconceituosos moldam a mulher nas sociedades. Como consequência dessa educação os consultórios de psicologia estão cheios de mulheres sem excitação, com vaginismo, dispareunia…. Conforme a firmam especialistas. Eles defendem melhor preparo dos educadores no exercício da educação sexual…  Todavia, ao se tratar de países árabes onde a religião Islâmica predomina a situação das mulheres é bem mais delicada.

As mulheres no Islã são guiadas pelas leis primárias do Alcorão, assim como pelas demais leis secundárias (que tendem a variar de acordo com a diferença na conceituação das mulheres islâmicas). As leis e a cultura islâmica possuem grande impacto nos mais variados aspectos da vida da mulher mulçumana, tais como sua educação, oportunidade de emprego, herança, casamento e justiça, entre outros (…).

O papel das mulheres na sociedade muçulmana mudou significativamente nos séculos desde que o Islamismo começou na Arábia no início dos anos 600 d.C. Sua posição variou com a mudança de circunstâncias sociais, econômicas e políticas. Embora o Islã considere homens e mulheres como moralmente iguais à vista de Alá, entretanto, as mulheres não tiveram o mesmo acesso a muitas áreas da vida islâmica. Historicamente, as mulheres muçulmanas não foram tratadas como iguais aos homens. Determinados governantes e administradores e a maioria de eruditos legais impuseram um sistema de desigualdade, que justificaram pelas suas interpretações do Alcorão e das tradições do profeta (…).

Um estudo da ONU, de março de 2014, fez um ranking dos países muçulmanos que mais desrespeitam os direitos das mulheres. O Líbano aparece na posição 14 entre 47 países. No Egito, segundo a ONU, mais de 27 milhões de mulheres tiveram os órgãos genitais mutilados. No Iraque, mulheres são vendidas e estupradas.  A ONU mostra que no Iêmen, no Kwait, no Sudão, no Barém, na Argélia e em Marrocos, o marido agredir a própria mulher não é crime. Na Faixa de Gaza, em 2011, 51% das mulheres sofreram com a violência doméstica. No Líbano, não existe punição para o marido que agridem suas mulheres ou forçar a mulher a fazer sexo com ele porque, Leis no Líbano concordam que homem deve ter poderes sobre as mulheres; em outros países não é diferente. Na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes e no Sudão, vítimas de estupro que procuram a polícia podem ser presas, por adultério. E, no Egito, dados da ONU mostram que desde a queda do ditador Hosni Mubarak em 2011, mais de 90% das mulheres foram expostas a algum tipo de assédio sexual (…).

Infelizmente, essa é a realidade da mulher mulçumana por viverem em sociedades que tem uma mentalidade patriarcal, feudal e machista, com muita discriminação.

A questão de gênero é outro fator que merece ser ensinada não só em casa como nos ambientes escolar. É preciso que eduque nossos jovens, ensinando-os respeitarem o indivíduo e suas escolhas, e nestas está a opção sexual. Pois, em virtude ao preconceito homo fóbico raro é o dia que sena de violência contra o homossexual não ilustra as manchetes dos noticiários. E, ao se tratar de países Islão e homossexualidade é mais ainda preocupante e complicado.

As opiniões islâmicas sobre a homossexualidade são tão variadas como as das outras grandes religiões e as mesmas têm sofrido modificações ao longo da história. O Alcorão e alguns Hadith contêm condenações mais ou menos explícitas acerca das relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo. Duas suratas mencionam a história do “povo de Lot”, o qual teria sido destruído por participar de atos homossexuais (ou, segundo outras acepções, por desrespeitar as regras da hospitalidade para com os forasteiros). O castigo legal para a sodomia foi alterado de acordo com as escolas jurídicas: alguns prescrevem pena capital, enquanto outros prescrevem um castigo arbitrário menor.

A homossexualidade é considerada um crime e é punida com a morte em muitos países islâmicos, como na Arábia Saudita, no Sudão, na Somália, na Mauritânia ou no Irão. Em algumas nações islâmicas relativamente seculares como Egito, Tunísia, Indonésia, Líbano, Kosovo, Bósnia e Albânia há uma certa tolerância, raros sendo os episódios de perseguição explícita das autoridades. Porém, é dificílimo encontrar homossexuais assumidos em todas as nações islâmicas, mesmo onde há cidades com uma certa cena gay (Beirute, Istambul, Cairo, Jacarta, Túnis, Lahore etc). Em Bagdá, logo depois da queda do Baath, começaram a surgir cinemas onde se apresentam filmes eróticos, e a maioria dos frequentadores são homens sozinhos, nunca indo mulheres – fica óbvio que muitos são homossexuais reprimidos que encontram na margem da sociedade uma válvula de escape para suas fantasias. O assassinato de quem é descoberto pela família ou pelos vizinhos como homossexual é prática habitual em quase todos os lugares onde o Islão é a religião dominante (as exceções são os pequenos países muçulmanos dos Bálcãs, na Europa).

A situação dos homossexuais muçulmanos em países não-islâmicos varia. Há aquelas comunidades onde poucos são assumidos (como entre os árabes do Brasil), pois há relativamente poucos muçulmanos e estes são pouco integrados à cultura dominante, há outras em que não é tão difícil que se saiba de gays que sejam muçulmanos (um exemplo é na França, ou na Holanda também, onde há muitos muçulmanos, mas a maioria é relativamente secularizada, praticando atos que em seus países de origem não fariam, como o consumo de álcool). Recentemente, nos Estados Unidos, e em algumas nações europeias, surgiram até mesmo organizações de defesa dos direitos dos homossexuais muçulmanos. Em Israel, que oficialmente é secular, a minoria muçulmana não tem liberdade para condenar os homossexuais a penas severas, e, devido à pouca aceitação que encontram em suas aldeias natais, muitos gays árabes de Israel acabam por ir morar em Tel Aviv ou outras cidades israelitas, onde a tendência é distanciarem-se de sua herança cultural árabe (…).

<Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. >

Uma sociedade esclarecida, igualitária, desprendida das algemas do autoritarismo, do preconceito será, certamente, mais justa e mais harmônica.

BLACK DAYS

19/10/2020 às 17h11

A história da humanidade foi, até então, marcada por grandes acontecimentos e estes fizeram mudar o comportamento do homem em sociedades.  O último trata-se do Covid-19. O planeta azul tornou neste ano de 2020 em um planeta cinza; isto para não dizer Black Days.

Esse Ser microscópico mudou nossas vidas. A mudança não aconteceu somente na alteração de rotina dos indivíduos em sociedade, alterando seu cotidiano houve mudanças profundas em todo mundo; transformações tais, certamente, moldarão em outros moldes as sociedades, consequentemente a vida de cada um.  A pandemia de covid-19 está gestando uma recessão que já foi batizada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) de “o Grande Confinamento”. E parece haver um consenso de que será a maior crise econômica desde a Grande Depressão de 1929. A pergunta que se fazem os economistas é: qual forma essa crise terá (…)?

Que cenários prováveis já começam emergirem das águas turvas do Covid? O mundo pós-pandemia, por certo, não será mais o mesmo. É importante entender que mundo novo nos espera, por que uma coisa é certa: as sociedades não serão como antes. O mundo mudou e aquele mundo de antes do coronavírus não existe mais. O mundo inteiro está numa enorme depressão, países do mundo todo assistem suas economias desabarem como blocos de gelos em processo de desgelo. Sobre tudo os subdesenvolvidos e os que estão em processo de expansão.

O século 20 despediu-se entregando o mundo ao seu sucessor (século 21) uma época altamente marcada pela tecnologia; e este “freio” dessa prosperidade tecnológica deixou a economia de muitos países em derrapagem. Segundo estudiosos a pandemia antecipa mudanças que já estavam em curso, como o trabalho remoto, a educação a distância, a busca por sustentabilidade, e a cobrança por parte da sociedade, para que as empresas sejam mais responsáveis do ponto de vista social…

A recuperação do mundo após pandemia será mais difícil agora do que foram em resseções anteriores, sobretudo em países economicamente mais frágeis. Alguns países podem atravessar essa crise melhor que o Brasil, segundo levantamento do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O momento atual, em termos econômicos, é o mais delicado em décadas – não somente no Brasil, mas em todo o planeta. Em relatório divulgado no último dia 24 de junho, o FMI projeta uma queda da economia mundial da ordem de 4,9% em 2020. Para o Brasil, a previsão é ainda mais pessimista: queda de 9,1%(…).

A expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro desabe este ano e tenha uma recuperação tímida em 2021 com o impacto econômico das medidas de isolamento social implementada para conter o covid-19…

Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Economia, da fundação Getúlio Vargas, (IBre/FGV), O Brasil ficará na 171ª posição entre 192 países. Na lista dos Sul americano, apenas a Venezuela terá um resultado pior e deve ficar em penúltimo lugar. Enquanto isso a China onde a epidemia começou poderá crescer 5,1% (…). O Brasil está vivendo uma crise de saúde e uma crise política ao mesmo tempo…

Que o mundo não será mais o mesmo é o que todos preveem, mas uma pergunta não se deixa calar: como será o mundo pós-pandemia? Pesquisadores apostam em novos valores para humanidade. Para alguns pesquisadores, será do desamparo, e que devemos começar a imaginar outras formas de vida. O momento agora é de melancolia, tristeza e sofrimento, mas com perspectivas positivas baseadas em valores humanitários, como cuidado e solidariedade.

SANTOS

12/10/2020 às 09h57

Suas visões enchem o mundo de alienados,

E nem se importam com suas mortes…

Ela preparou-me para divorciar de vos todos,

E deles também.

Preste a atenção no que vos digo, oh “Santos”!

Agora estou sentindo-me livre para atirar

Em vossas caras as verdadeiras intenções

Que ocultáveis.

Vossas escritas “ sagradas” são compostas de

Metáforas mal interpretadas e, se salve se puderem

Os que as interpretem ao pé da letra.

 Então, eu não posso pensar Em sombras no deserto.

Não antes de eu recuperar o oásis.

Sentimos o odor deste planeta, talvez eu consiga

limpar as casas do caos que vos o instalaram.

A Terra é um enorme cemitério por certo,

Traga-vos dele as chaves. Então não vejo

Outra saída senão “implorar-vos” para que

 Libertes Toda gente dessa adoração!

É possível que vos todos vão encontra-las

Em outro inferno; por certo, elas estarão lá

Para continuar seguindo-vos…

Disto não tenho a menor dúvida!

Elas não são outra coisa senão robores

Programados por vós mesmos para segui-vos.

Meu apelo é: dar a essas almas empobrecidas

Um descanso, por menor que seja.

Talvez uma e outras possam ter entendimento

E se afaste Dessa treva maldita…

Não duvido que em retorica vos dizei-me:

Suas letras espalham perfume, e tal fragrância

Só pode ter vindo de um coração ébrio.

A sua embriagues perturba a nossa unidade.

É isso que sua alma está sugerindo?

Seu horizonte tornou-se apertado para ti.

A beleza de sua descrença lacrara-te

Em caixa de madeira e antes que o dia expire

Em vossa cara cuspiremos o resto da morte.

Em retórica vos-digo:

Proclamastes-vos santos e com sua magia

Apoderou-se de vosso método exemplar.

Então, juntai vossa insídia; em seguida

Vêm-nos enfileirados!

Esperes, então, que nós os recepcionemos

Com uma Felicidade fingida? Pois, para nós

Os poetas seriam O mesmo que Presenciar-vos

Todos em prática de bestialidade.

A DIVINA TRAGEDIA

03/10/2020 às 18h01

Quando leio a história da humanidade tenho

A estranha sensação de que somos urubus sobrevoando

A carniça da vida humana, para comer e depois

Voltar para seu covil. Mas nem tudo é carne podre.

As artes em seu sentido amplo, a ciência, a filosofia

São cheiros de vida e comédia, e ambições amargas frustradas.

As religiões são parábolas que aliena os cinco continentes;

É a hipnose, o embuste causador de cegueira coletiva.

Em um Estado Livre é um retrato de todos os Viajantes

A bordo do navio, longe de suas terras natais,

A caminho do futuro incerto, no caso o paraíso.

E quem se atreve escrever sobre esse futuro?

Nem eles os propagadores de falsas verdades.

Moisés escreveu “as leis de Deus”, a história de seu povo

Em tabuletas e papiros, os que vieram depois dele

Escreveram em papiros e pergaminhos;

A “santa inquisição”, as jihads foram escritas em papéis.

Porém, eu escrevo nas nuvens desmistificando mitos e fábulas.

Enquanto o sonho desses escribas azeda especialmente

Para os modernos os meus se tornem cristais as gerações vindouras?

“Minha caneta é um bisturi cortando massa encefálica,

Neblina e ofuscação”. Tenho esperança de que passarei

Algum tempo com essa caneta e as Minhas histórias

Hei de compartilhá-las com os filhos dos meus netos.

Enquanto isso: as Religiões continuarão atraindo cada vez mais adeptos,

Pois, enquanto houver guerra, miséria, catástrofes naturais, epidemias

E ignorância os templos não ficarão vazios; sabe por que? Porque elas

Provêm algo que a Ciência não dá: consolação, ilusão de proteção e livramento.

AMOR ERÓTICO OU “AMORFO?”

26/09/2020 às 11h17

Quem és tu que me seduz,

Que me enlouquece de prazer

Ao jogar-me na cama,

E sobre meu corpo derramas

Uma espécie de luz,

E quase louco de desejos

Sufocas-me com teus beijos?

E diz que me amas!

Mas, me amas de que jeito?

Se bates a porta e vá…,

Nem ao menos viras para olhar

O corpo largado sobre a cama,

Cujo coração em chamas

Súplica, ao menos por respeito…

Despido, e em frangalho;

Suado e sobejado de amor erótico,

Tu deixas sobre a cama

O corpo de “teu bem-amado”

Com seus desejos saciados;

E tu afastas-te tencionando esquecer

Esse momento, que para teu Ser paranóico

É um momento episódico.

O SONHO DA MULHER

19/09/2020 às 09h14

A dignidade só pode ser construída numa sociedade ou em um indivíduo quando parte do princípio da necessidade de mudança…

Sinto-me triste e indignada diante de situações constrangedoras e humilhantes que a mulher tem vivido por ter sido em todas as civilizações e em qualquer época, privada de sua liberdade, em nome: dos costumes, da religião e da tirania do machismo que vem reinando desde mais remota civilização. Mas, graças a idealistas como Gulabi gang – ativista que revoluciona os costumes recuperando a dignidade de mulheres oprimidas na Índia,  e tantas outras na história, em todo mundo que um Fleche de liberdade tem dado a mulher o direito de sonhar por dignidade; mas, como alcançará a dignidade se são encarceradas, e cujos cárceres encontram-se em si mesmas, pois desde sempre desconhece a liberdade… Em países Islâmicos a opressão à mulher chega causar indignação; por essa razão não falta ativistas que tentam de modo acanhado, resgatar a mulher da tirania dos costumes da religião empanado de um machismo exacerbado. Onde já se viu nos tempos de agora mulher ser condenada a ser chicoteada até a morte por praticar adultério? E, se quando sai à rua a mulher, se quer tem o direito de mostrar seu rosto, subordinada a um costume imposto por uma religião fundamentalista…

No Ocidente a Burca é trocada por desrespeito de natureza diversa; desde uma mentalidade “prostituitiva” a violência física que muitas vezes resulta em óbito. O refrigério que a mulher contemporânea, busca, assim como buscava a do passado, através de uma liberdade tão desejada, cujo grito tem ecoado nas paredes do tempo, possivelmente o encontrará…  A mulher não é o sexo frágil como tem sido rotulada nas sociedades, ela é forte em demasia; pois, para suportar sobre os ombros o peso da tirania do machismo ela tem mesmo que ser forte, ser vista como sexo forte, portanto não lhe cai bem essa ambiguidade que lhe rotula de sexos frágil. Convenhamos que a dignidade, e a liberdade é o direito de todos os seres humanos, e por que negá-la?

As feministas vêm organizando-se em movimentos que lutam por igualdade de direitos a partir da vida concreta e cotidiana das mulheres, é preciso entender a violência como algo estrutural. A violência contra a mulher é um pilar do poder patriarcal, uma das mais fortes expressões das desigualdades entre homens e mulheres.  Desde o período da redemocratização, os movimentos feministas e de mulheres, em sua ampla diversidade – do campo, das florestas e das cidades, de categorias de classe sindicalizadas ou não, trabalhadoras domésticas, profissionais do sexo, mulheres indígenas, feministas negras, jovens, mulheres com deficiência, lésbicas, bissexuais e transexuais – vêm denunciando a violência sofrida no cotidiano das brasileiras (…).

A vitimização de mulheres no Brasil, segundo pesquisa: Cerca de 16 milhões de mulheres, acima de 16 anos, foram vítimas de algum tipo de violência nos últimos doze meses. Uma vitimização que chega à taxa de 27,4%, de acordo com dados da pesquisa divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (…).

São muitos os dados de violência e assédio contra a mulher que refletem a desigualdade de gênero na sociedade, como avalia a consultora de projetos do Fórum, Cristiane Neme, em entrevista à Rádio Brasil Atual (…).

De acordo com a pesquisa, a casa ainda é o principal local de agressão, mas a internet já registra 8% de casos de violência que fazem das mulheres entre 16 e 24 anos as principais vítimas (42,6%), sobretudo entre as que se autodeclaram negras (28,4%). Se o espaço da casa é um ambiente seguro para muitos, porém, para muitas mulheres pode significar um lugar de violência e medo (…).

Segundo a reportagem da Folha de São Paulo, “os assassinatos de mulheres em casa dobraram em São Paulo durante a quarentena”. Na segunda quinzena de março, com o aumento do isolamento social, o serviço de atendimento e denúncia de situações de violência contra as mulheres “Disque 180” registrou um aumento de 9% nas denúncias em relação à primeira quinzena do mesmo mês (…).  As relações de poder conflituosa resultam em casos de violência um reflexo dessa cultura machista e patriarcal.

A Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006, criada com o objetivo de coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Desde a sua publicação, é considerada pela Organização das Nações Unidas como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres. Além disso, segundo dados de 2015 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a norma contribuiu para diminuir cerca de 10% dos feminicídios praticados dentro de casa. Popularmente conhecida como Lei Maria da Penha…

O MUNDO NA PALMA DA MÃO

13/09/2020 às 10h52

Hoje vimemos a neurose virtual, a alienação desse sistema de comunicação.

Com o evento da internet estamos todos conectados, sempre conectados; conectados com a insensibilidade, com a indiferença. Estamos “muito perto dos que vivem longe” e muito distante dos que vivem pertos, os que estão ao nosso lado. O individualismo, a solidão, a distração tornou-se a projeção do momento. Passamos a maior parte do tempo curtindo coisas às quais muitas vezes nem sabemos direito se gostamos ou não e, se gostamos no momento seguinte já esquecemos, a efemeridade das coisas é tamanha que não nos permite deterem a elas, pois o próximo momento que se segue sugere-nos novas expectativas cada vez mais febris; e nessa brevidade frenética tudo se dilui não dar para distinguir o real do virtual.  A tecnologia nos leva a uma verdadeira Matrix, um mundo que não existe, fazendo-nos ignorar a realidade em nossa volta; e, mostramos ser o que realmente não somos. As imagens estas são mascaras de ilusão.

As pessoas necessitam cada vez mais de estarem conectadas, o tempo todo. O celular tornou-se a ferramenta indispensável para que elas fiquem conectadas dia e noite, em casa, na rua, no trabalho não sabem mais viver sem esse objeto, o que deveria ser um instrumento de uso necessário tornou-se um narcótico; muitos jovens estão sendo internados em clinicas de recuperação… As pessoas tornaram-se prisioneiras do cárcere virtual, o mundo está na palma da mão tudo precisa ser capturado para em seguida compartilharem, compartilham até os piores momentos do outro e de si mesmas, momentos estes que era apenas para ser vividos; e nessa interação nunca se sabem realmente com quem  compartilhamos e para que compartilhamos. E, em cada minuto uma pessoa suicida-se no mundo, enquanto isso acontece milhões esperam para poder compartilhar.

As pessoas estejam elas onde estiverem estão todas as olharem para as mãos sem se importarem uma com as outra em sua volta; as rodas de amigos não existem mais, e se se reunirem não se interagem entre si, pois, estão todas com olhares febris em direção as inúmeras imagens para esquecerem no próximo segundo.

Assim caminha a humanidade e eu pergunto: como será o comportamento das pessoas com o próximo evento tecnológico?  Esta é uma questão que deve ser observada, pois, inspira-nos preocupação.

AMAR-TI A TI MESMO

05/09/2020 às 09h13

Observando as pessoas, as quais têm contato, pude constatar que elas não costumam ter boa opinião sobre si, nem ao menos amam a si mesmas completamente; e elas demonstram isso de diversas maneiras.

Citarei alguns sintomas de ausência de AMOR-PRÓPRIO: olhar-se no espelho e se achar feia (o), mesmo estando apresentável; sentir-se fracassada (o), desacreditar no seu potencial, desleixar-se com a sua aparência, permitir-se que o outro lhe deprecie, anular-se em função de outra pessoa, inferiorizar-se mediante ao outro, recorrer ao uso de substancias químicas com intuito de se entorpecer…

A falta de AMOR-PRÓPRIO pode afastar de nós aquilo que desejamos.

Quando a gente não se ama, literalmente afastam de si as coisas boas que poderá nos vir, afasta também as pessoas, e atraímos coisas ruins. Tudo que desejamos, seja o que for é motivado pelo amor_ dinheiro, a pessoa perfeita para se relacionar, juventude, o trabalho, o corpo, a saúde. É simples, basta transmitir AMOR, e tudo imediatamente aparecerá.

A questão é que, para transmitir a mais alta frequência do amor, você precisa amar a si mesmo, o que pode ser difícil. Se você focar no exterior e no que ver agora, poderá equivocar-se, porque o que você vê e sente a seu respeito agora é o resultado daquilo que você costumava pensar. Se você não se ama, a pessoa que você ver agora será provavelmente cheia dos defeitos que você enxergava em si mesmo.

Provavelmente você irá deparar com a seguinte pergunta: “como poderei viver só de bem com a vida quando o Universo parece querer conspirar contra mim?” Pois bem, para começo de conversa nunca se esqueça de que, os seus pensamentos são a causa de tudo que lhe sucede. Ele é a força motriz do seu destino. Então, por que não dizer: “eu posso tudo, eu acredito em mim, no meu potencial; EU ME AMO!” Dizendo isso com convicção o Universo conspirara sim, mas ao seu favor. Para se amar plenamente, você precisa se encontrar numa nova dimensão de si.

Concentre-se em   sentir a presença da vida em você e sentirá um sentimento de puro amor e bem-aventurança. Essa    presença é a perfeição de você. Você estará se amando de forma plena, provavelmente, pela primeira vez em sua vida. Embora, o AMOR tem sido definido de diversas maneiras ele resume em uma só definição. Para Platão o AMOR ou EROS significa desejo, portanto, ao desejarmos que sejamos felizes estamos demonstrando amor por nós mesmos, se desejamos ter algo estaremos demonstrando amor ao objeto desejado; concluo, então que amor e desejo é a mesma coisa. Assim sendo, por que não desejar tudo de bom para si, pois desejo é a busca daquilo que faz falta. Porém, Aristóteles dá outra definição ao amor, ele afirma que o “AMOR é a alegria pelo que não falta mais”; o que ele o chamou de Philia.

Como ver o amor para Aristóteles é por aquilo que já possuímos, então, ao nos aceitarmos com a aparência que temos estaremos demonstrando amor pela nossa pessoa; neste caso não haverá baixa-autoestima. Estará tendo uma reconciliação consigo mesmo, aceitado a si mesmo como de fato é.

Mas, não se esqueça de que há em nós uma energia que anima e que oscila; o que Spinoza a chamou de “potência de agi”, portanto, é comum que nos encontramos em momentos que o mundo nos parece maravilhoso, que tudo parece nos sorrir, esse é a primavera da alma; em outro momento parece que tudo conspira contra nós, esse é o inverno da alma a estação cinza, pois, somos estações, e por essa razão sentimo-nos de péssimo astral as vezes e em outro momento sentimos de bem com a vida.

O melhor a fazer é agradar-se de si mesmo, amar os seus atos, o que faz, a sua maneira de ser; ter alegria pelo o que você é. Porque alegria é a passagem para um estado mais potente do próprio ser.

Você já deve ter se dado conta de que deve si aguentar até o fim, porque você é espectador de si mesmo, você vai ser observador de sua própria conduta até morrer, portanto é bem mais legal você se encantar por si mesmo e não se encantar pelo que deseja ser.

Quando você se aceita, encanta-se por si mesmo seja onde estiver, seja qual for a situação ou a estação que se encontre, sentirás de bem com a vida. E se lhe ocorre que não sente menor graça no que faz, então troca o que faz, procura fazer o que lhe dá prazer, é simplesmente fácil!

Lembre-se de que não há uma formula eficaz de felicidade que servirá para todos; essa alegria que é a potência de agir de o próprio ser é una para cada indivíduo; o que alegra um não alegra o outro, portanto não há uma formula de felicidade universal. Cada um traz dentro de si a felicidade que busca, pois, tudo depende de como se olha.

O POETA É UM PRODIGIOSO

29/08/2020 às 09h32

A arte, a poesia, a música liga os cinco continentes numa perspectiva de eternidade. Esses prodigiosos interligados em um só pensamento são como uma constelação e estão conectados entre si. Não há fronteiras ao se tratar de arte. São as quatro estações que, como o tik tak do relógio emprenha-se no tempo com visão futurista nunca se distanciam de sua visão de mundo e nem permitem que suas lentes se embacem ao olhar para traz.

                              O POETA É UM PRODIGIOSO

“O poeta não vive apenas sua vida. Ele está acima do nível do tempo,

Vive muitas idades e nunca se retira. Ele escreve sobre um ser humano

Como um feto no ventre de sua mãe e escreve sobre crianças,

Sobre adolescentes, sobre meninas, sobre meninos, sobre homens,

Sobre mulheres, em nome de todos em todas as fases e estágios e,

Por isso, ele escolhe qualquer estação de tempo de sua idade”.

(Mahmud Alzhry – poeta Iemenita)

 

Ele está sentado em seu trono para ver os acontecimentos,

Sempre com seu olhar analítico, pois ver além de seus sentidos,

Ele é um prodigioso. Orgulho-me de ser, também uma poeta.

Não uma dessas que só olha para o próprio “Eu”, que se gaba por ser

Egocêntrica.  Sou uma poeta que tenho a pretensão de admitir que o meu

Versejo não se nutre de elogios bajulosos e sim de reflexão e crítica.

Eles são abalos sísmicos destinados a estremecerem os pilares que

Sustentam os poderes. Mesmo que esse abalo seja imperceptível.

(Valda Fogaça)

 

“A mulher que usa o xale vermelho e sorri com confiança

Como uma flor na primavera, ouve música, pensa em dançar,

Pensa em pessoas em todos os continentes do mundo,

Fala consigo mesma no espelho, sente seu coração pulsando

Com saudade de uma ideia distante, inova as pessoas em sua

Imaginação e as leva a suas folhas para trocar amor na chuva,

Na areia da praia e nas estações de assentos. Esta é uma fêmea

Criada a partir de fósforo, é um projeto de luz da galáxia”

 (Mahmud Alzhry)

 

…. Constato que além de ser fêmea sou feminina;

Sou forma, sou alma, sou partícula da energia cósmica.

Sou a expansão, a metamorfose, a evolução;

Sou a espécie, a imperfeição, sou, também, o mistério.

(Fragmento do poema Marias _ Valda Fogaça)

…………………………………………………………………

(Valda Fogaça):

Ainda bem que a poesia nos dar certos regalos!

Podemos expressar, então, as angustias que veem

Sem convites e adentram nos corações, desavisados ou não.

A permissão que temos para gritar aquela frustração,

Aquela cuja dor vem com a força de um tsunami ainda existe.

Podemos gritar, também, a solidão, mas pode ocorrer

Que o grito não saia da garganta, e que os ouvidos

Estejam surdos. E é possível que não estejamos sós.

Nas madrugadas quando escrevo a inspiração

Vem dos muitos que já li, entre os tantos eis:

“Juntos sempre”,

um poema de Indran Amirthanayagam (poeta srilankês )

 

“Eu sei por que você escreve

A noite quando mesmo

O morcego termina a caçada

E espera suspenso

Numa árvore. As três ou quatro

Da manhã o silêncio “…

(Indran Amirthanayagam)

 

A música, a poesia nos levam longe!

Como Indran, eu não acredito nas fronteiras…

Também, sinto que a realidade não é uma ficção cientifica.

As pessoas estão cada vês mais solitárias dentre a multidões… (Valda fogaça).

 

“Você entende os níveis da solidão? A solidão

Ao despertar antes do café da manhã é diferente

Daquela da tarde quando você regressa a casa só,

Igualmente quando o regresso está marcado pela raiva…

Você sabe o ciúme domina alguns espíritos humanos.

Aprenda e não seja vítima insensata. Você tem outras

Línguas e culturas para enviar os gritos do teu coração “…

(Indran Amirthanayagam)

 

E como Indran, também, escrevo não como o antropólogo

Que transcreve a sua observação. Aqui dentro

Tem uma alma que saltita de júbilo, mas que chora as

Dores desse mundo e seca as lágrimas na esperança.

(Valda Fogaça)

………………………………………………………………….

O PODER DA POESIA

Disse o poeta italiano Edoardo Gallo em seu poema:

“Tu credi davvero che la poesia somigli più a foglie in autunno?

La poesia sono pietre, sono massi incuranti della tua fragilità arrogante.

Sono massi che rotolano come slavine portando via tutto.

Smottamento e terremoto.

Trionfo dell’assurdo e carneficina…

Brandelli di te che volano in cielo…”

(Tradução):

“Você realmente acha que a poesia se

Parece mais com folhas no outono?

A poesia são pedras! São pedras apesar

Da sua fragilidade arrogante. São pedras

Que rolam como avalanche levando tudo.

Deslizamento e terremoto.

Triunfo do absurdo e carnificina…

Pedaços de você voando no céu”.

Eu respondi-lhe:

A poesia é tudo isso! É, também, o grito do poeta

Que arrebenta e como rolha é arrancada da garganta;

É, muitas vezes, o discurso escrito em apenas quatro

Ou três versos, detentor de tamanha eloquência capaz

De calar o mundo ou levantá-lo se adormecido.

Orgulho-me de ser poeta não por vaidade, mas,

Por acreditar que os meus versos tocarão os corações

Sem se prender na barreira do tempo.

Ele respondeu-me:

Le tue parole sono poesia.

Grazie…

Lode a te che senti il grido e lunga vita alla tue ed alla mia poesia.

(Tradução):

Suas palavras são poesia.

Graças …

Louve a você que ouve o choro e a

Vida longa à sua e à minha poesia.

Valda Fogaça, Brasília Br.

Edoardo Gallo, Vicenza It. 

……………………………………………..

TEMPO CURTO

Cada dia é um momento a menos de vida

Todo amor é uma ferida macia no coração

Cada filho é um tormento de alegrias e dores

A vida vira e está fantástica.

Mas às vezes ele para e escurece.

Só é preciso um pouco de alegria e tristeza para entender

O contraste da vida. O valor da alegria é o mesmo das tristezas

Ambas duram pouco e você é consumido pela alma.

 (Ed Madrid poeta venezuelano)

O seu poema “tempo curto”, Ed Madrid fez lembrar-me de Camões

Pela presença constante de paradoxo e antítese,

Como no terceiro verso que diz:

“Cada filho é um tormento de alegrias e dores” e,

“O valor da alegria é o mesmo das tristezas…”

Ao fazer uso destas figuras de pensamentos Ed Madrid expressas

Na beleza de seus versos a melancolia da alma

E filosofa acerca da existência e seus atributos.

DEFUNTO POR ENGANO

22/08/2020 às 17h27

“UM GRAVE ACIDENTE aconteceu hoje na BR que vai de Monte-alto a Guanambi envolvendo um carro e um caminhão, com vítima fatal. O agricultor conhecido por José Tatu veio falecer no local”…

A notícia foi veiculada pela rádio da cidade de Carinhanha que chegava a Cerra do Ramalho em transmissão de boa qualidade. O locutor da rádio interrompe o seu programa que no momento alcançava excelente audiência para noticiar o trágico acidente. O Sr. Joventino que assistia no momento o seu programa ao pé do rádio estarreceu-se ao ouvir a notícia. Não podia ser outro! Tratava-se realmente, da pessoa que ele conhecia, sem sombra de dúvida. Se o locutor houvesse dito: O agricultor José da Silva, ou Pereira e é de cetra e tal, ele por certo ouviria aquela noticia sem muito alarme; visto que acidente com vítima, nessas rodovias, são fatos corriqueiros e que infelizmente, sempre ocorre com vítimas, que na maioria das vezes são fatais. Mas, neste caso específico, ele não tinha dúvida.

Meu Deus! Tenho que tomar algumas providências!

Por alguns momentos, o Sr° Joventino tenta pôr ordem nas ideias. Precisava tomar algumas providências, como: dar alguns telefonemas. Precisava avisar aos parentes mais próximos daquele homem. Ele também se sentia parente do defunto que afinal foi casado com uma parenta sua e com ela tiveram muitos filhos que também eram seus parentes. Numa circunstância como essa ele não podia mesmo ficar de braços cruzados. Pensou o Sr° Joventino e em seguida lançou uma interjeição: Nossa! O pobre homem ainda tão forte…! É! Deus escreve certo por linhas tortas, vai ver que chegou a hora de ele ir ao encontro da prima, pobre mulher! Morreu tão cedo! É! Deus é quem nos dá a vida e é a Ele que compete tira-la. Dizia O Sr° Joventino, deixando na voz um tom de pesar e conformação.

Depois de ele ter absorvido aquela triste notícia, o Sr° Joventino se deu conta de que o programa que ele assistia já estava quase no fim. Mas, agora, mediante o acontecido, quem teria cabeça para assistir programa de rádio, por excelente que seja? Amanhã no mesmo horário aquele programa estará lá, mas, o pobre homem, este, por certo, já haverá de estar sendo enterrado…

Preciso avisar Osvaldo! Pensou ele em ligar para o irmão, já com o celular na mão. Osvaldo é cunhado de Zé Tatu…

Aquele monologa reticente era proveniente de suas ideias mal organizadas. Não era para menos, ninguém está preparado para fatalidades. Embora a morte seja certa para todos…

Alô!! Disse Lena, a nora de Osvaldo, ao atender o celular do sogro.

Oi Lena! Sou eu, Joventino! Osvaldo está por aí?

Dizia ele do outro lado da linha com uma voz empanada de urgência. A esposa do sobrinho do Sr Joventino responde:

Não! Ele está no pasto vendo uns bezerros. Mas, aconteceu alguma coisa? O Sr me parece preocupado, sei lá! Disse Lena ao notar estranheza no tom de voz de seu locutor.

Sim! Aconteceu uma tragédia….

Uma tragédia? O que aconteceu tio Jove? Disse Lena alarmada.

Eu acabei de ouvir no rádio uma notícia ruim!

Mas, o que dizia.

Atalhou Lena.

Dizia no rádio que Zé Tatu morreu hoje num acidente que houve na rodovia que vai de Monte-alto a Gaunambi…

O Senhor está falando do cunhado de seu Osvaldo?

Sim! Não há outro Zé Tatu! Pelo menos que eu saiba, não.

Mas, ele não mora não é na Barrinha?

Sim! Mas, vi dizer que ele, volte e meia, está indo para essas bandas de lá, tem parentes em Ganambi e Matinha.

Mas, será que não pode ser outra pessoa, tio Jove?.

José Tatu? Não! Nunca vi falar em outro por aqui. Avisa Osvaldo.

Disse ele e em seguida desligou, após despedir da mulher do sobrinho. Ele havia feito sua obrigação, avisar a família do morto.

Osvaldo entra em casa momento depois de Lena desligar o celular e ela repassa a ele a notícia que acabava de receber:

Tio Jove acabou de liga!

Deixou algum recado?

Disse Osvaldo pondo o chapéu em cima da mesa da cozinha fazendo tenção de tomar um copo d’água.

Sim! Ele mandou te dizer, que ouviu no radio, que o seu cunhado Zé Tatu morreu hoje, num acidente de carro, indo pra Guanambi.

Disse Lena de modo natural, como se dissesse, sirva-te uma xícara de café, eu acabei de coar.

Aquela notícia dada assim de chofre, demorou um pouco para que ele digerisse, parecia não querer acreditar no que ouvia. Essas notícias são assim mesmo parece não nos cair bem aos ouvidos… Lena observa o sogro como se esperasse dele alguma reação, nesse meio tempo, todavia, o silencio reina entre eles. Ela sai deixando o sogro na cozinha e vai ao quintal, ele pega o celular nesse meio tempo e liga para esposa para dar-lhe a notícia. Daí por diante foi como rastro de pólvora…  Essa notícia pegou todos de surpresa e não houve entre os parentes quem não ficara alarmado. Uma de minhas irmãs parecia até que tinha sido ela a perder o marido tamanho foi o chororô por causa do cunhado. Minutos depois de ter recebido a trágica noticia ela telefona para os filhos, esta do chororô. A outra, a qual o marido avisara, também não mediu esforços em propagar a triste notícia. As duas ligaram para os filhos em Brasília dando em primeira mão a fúnebre notícia… A minha outra irmã, a do chororô, liga para outros filhos dela que vive em Florianópolis e dar a notícia. Ela pede para um deles que ligasse para Curitiba e avisasse os filhos do cunhado     que morrera. Avisá-los que o pai deles havia morrido num acidente de carro…  A ideia que rondava sobre a cabeça de todos era de que o carro envolvido no acidente fosse do filho do morto que acabava de chegar de Curitiba… Viera com duas das filhas e uma sobrinha, outra neta do falecido.

Aquela noticia transmitida pela rádio de Carinhanha percorreu de Serra do Ramalho a Lagoa dos Índios, da Lagoa dos Índios a Coribe, de Coribe a Brasília e a Florianópolis, e de Florianópolis a Curitiba e de Curitiba ao Pará. Percebe-se então, que a ligeireza em que a notícia chegava ao seu destino era da velocidade da luz, portanto, foi percorrido cinco estados em questão de minutos.  Eu e uma sobrinha minha filha de outra irmã que não foi citada aqui, saímos desembestadas direto para a agência de ônibus intencionando cancelar as passagens; nós iríamos viajaria no fim do dia…

O artigo dizia claramente em letras graúdas: “o agricultou conhecido por José Tatu se envolveu num acidente com um caminhão na BR indo de Caitité a Guanambi, nas mediações de Monte-alto vindo falecer no local, ele conduzia uma Belina cinza…”.

Este não é meu cunhado!

Verbalizei esta exclamação chamando a atenção do irmão do Rogério que nos ajudavam procurar na internet mais detalhe sobre o acidente, conforme orientou-nos o locutor da rádio que noticiou a tragédia, e de minha sobrinha, que no momento estava meio descompensada por causa da notícia. Ele disse:

Como não! Está aqui dizendo o agricultor….

Repare! Eu disse. Veja! Continuei apontando para um detalhe que dizia: “o agricultor conduzia uma Belina cinza”… Percebe Juca? Zé tatu não dirige, nem tampouco possui carro e além do mais, Dorim não viria de Curitiba num carro como este…

Verdade! Num é ele mesmo não tia! Graças a Deus!!! Disse ela. Graças a Deus!!! Disse eu. Voltamos ao Rogério, o rapaz da agencia de ônibus e com um sorriso de orelha a orelha pegamos as passagens de volta…

DESEJO, TAMBÉM, É SINÔNIMO DE INVEJA E COBIÇA

15/08/2020 às 18h26

Eu reflito bastante sobre questões tais como estas que não me deixam calar-me: O que realmente desejamos? E, por que, que a inveja e a cobiça andam de mãos dadas com as pessoas?

Em uma das minhas Fan pages escrevi as seguintes frases célebres: “Tudo eu posso naquele que me fortalece”! “Quem não vence será vencido”! Percebe-se que estas duas afirmações respondem a primeira questão. “O que realmente desejamos”? Pois bem! Desejamos o poder de ter tudo que desejamos.  Desde o mais simplório objeto ao mais complexo, desde o atingível ao inatingível.

Para tanto desempenhamo-nos, de tal modo até ao esforço extremo. Todos nós desejamos ser vencedores ninguém deseja ser vencido. E, acerca da segunda questão: “por que a inveja e a cobiça andam de mãos dadas com as pessoas”? Andam, justamente, pelo desejo de poder! Simplificarei para maior entendimento: Se determinada pessoa olha à outra, e esta tem em sua posse algo que ela apreciou e que ela não o tem, automaticamente dispara-lhe o gatilho do desejo de possuir a tal coisa.

Pode ser que ela sinta sentimento negativo em relação à outra; e isto é a inveja. Pode ser que ela sinta somente desejo de possuir a coisa que está de posse da outra, então, isso é cobiça; citarei como exemplo para melhor ilustrar a questão: se eu vir a minha amiga com um carro novo, último modelo, é possível que eu possa ter uma das duas reações, o que seria normal, então, eu diria: “Oh! Que lindo, bem que eu poderia comprar um desse”! Ou então eu diria: “Olha que metida, pensa que é a última bolacha do pacote, só porque está neste carro, grande coisa”! Percebes a diferença dos sentimentos?

A cobiça é inspiradora, ela desperta o desejo nas pessoas, é também motivadora, ao passo que a inveja desperta frustração, insatisfação, e até ódio a pessoa que a sente.

A inveja é mais prejudicial a quem sente que a pessoa invejada. Quando a inveja é lançada a determinada pessoa essa inveja é remetida para quem sente. Ela sente-se mal imediato; enquanto a pessoa invejada nada sente. Aquela energia negativa transmitida pode causar efeito na pessoa vítima, mas não de imediato como acontece com a quem sente, é o que se pode dizer: “o tiro saiu pela culatra”. Por tanto, o invejoso que se cuide para não se envenenar com o próprio veneno.

NÃO FAÇA DE SUA VIDA UM FARDO PESADO

10/08/2020 às 09h40

Fatores externos e internos contribuem para que vivamos satisfeitos ou insatisfeitos, por essa razão o viver da gente é uma mescla de felicidade e infelicidade, de paz e perturbações, refrigério e sofrimento.

Há um momento em sua vida que você se sente insatisfeito (a) e se revolta com a situação em que se encontra não é mesmo? Quer a todo custo sair desse viver hostil não quer aceitar mais esse viver, pois bem, se você quer, de fato, melhorar a qualidade de sua vida é importante que mude a qualidade de seus pensamentos. Não seja escravo de pensamentos ruim, caso contrário terá um viver de agruras. Não convém nos conformar com uma vida insuportável, portanto, se arme de coragem, determinação e tome uma atitude; você irá ver essa mudança em sua vida que tanto almeja, só depende de você. Não olhe para as dificuldades! A aceitação de uma situação hostil por fraqueza é inadmissível.

As crises existenciais são fases de profunda reflexão, marcadas principalmente pelo conflito pessoal e que podem surgir a qualquer momento da vida. Em outras palavras, a crise existencial é natural do ser. É comum ver pessoas que entram em depressão porque não se aceita como exatamente são, ou entram em paranoia de querer entender por que veio ao mundo e para onde vai…

Quanto mais consciência você tiver do que você é e do que você quer mais chance terá de ser feliz! Aquele que não tem certeza do que quer, do que ele realmente quer e de quem ele é, definitivamente, ele está propicio a angustia, e consequentemente sob o chicote da infelicidade.

Há algum tempo que a minha vida parece um fardo, que eu venho carregando”.  Disse-me meu interlocutor, certa vez, durante uma conversa casual. Tratava-se de uma pessoa “resmunguenta”, o que não tinha nada a ver com seu caráter, tinha a ver sim, mas com a forma que ele via o mundo e a que ele conduzia a sua própria vida.

Intencionando ajudá-lo, dei-lhe o seguinte conselho:

  • Neste caso, faz-se necessário que você mude a sua visão de mundo, e rever seus conceitos, sobre tudo, seus padrões de pensamentos;
  • Você precisa ser mais otimista, mesmo quando o momento lhe pareça inóspito. Para isso você precisa de tempo e determinação, e muita autoconfiança. É importante que, mesmo em momentos amargos, você procure adocicar a vida com pensamentos bons;
  • Não deve nutrir pensamentos ruins. Agindo dessa forma, diariamente, o cérebro se acostumará e aos poucos vão fluir bons pensamentos.
  • É preciso também se libertar de magoas passadas, e deve esperar pouco das pessoas, assim você se decepcione bem menos.
  • Procura, também, fazer coisas que te dar prazer, mas as que não te causa algum tipo de prejuízo.
  • Ouvir música ou simplesmente buscar, o silêncio, a meditação é uma das dicas preciosas que não devem ser dispensadas. Isto deve ser um exercício diário, pois, trata-se de um tratamento da alma o qual leva tempo para curá-la.
  • Faz tudo isso incluindo uma alimentação saudável, exercícios físicos diários e boas noites de sono.
  • Não te anseia com o tempo, o que importa é que valerá apena o resultado. Experimente por, pelo menos, seis meses e depois me diga…

No que desrespeite a você, sua integridade física e moral, não se deve aceitar quais quer que seja o que vier lhe trazer algum prejuízo, algum sofrimento, portanto, espero que você, assim como meu interlocutor não desperdicem estas preciosas dicas, pois a mim têm ajudado bastante para que a minha vida não me torne um fardo pesado; do mesmo modo a sua a ti.

AS MULHERES QUE EM MIM HABITAM-SE

01/08/2020 às 17h13

Vive dentro de mim

Uma jovem rebelde

Debatendo, presa

Por grossas correntes

Atada ao pé do mourão

Olhando para o futuro.

Uma lágrima escorre

No canto do olho,

Ela ver o passado…

Vive dentro de mim

A mulher de sonhos,

Bem sensual, as vezes

Santa as vezes puta.

Vive dentro de mim

A mulher sem rótulos,

Tão cortejada e

Tão desprezada,

Tão murmurada e

Tão admirada…

Figura alegre!

Todas as mulheres que

Em mim habitam-se

São verbetes ou

Sombras de uma só.

O AMOR E SUAS FACETAS

25/07/2020 às 09h08

Há quem diz que o amor é tudo! Que, com o amor ou é tudo ou é nada, não tem meio termo; quem diz que o amor fica em cima do muro é porque nunca amor. Fundamentada nessa máxima escrevi dois poemas cada um expressa esse sentimento de maneira diferente; um, fala do amor platônico, o que se sente e cultiva por uma vida inteira, o outro mostra o amor em diversas facetas. Como a lua no céu o amor é visto, e como um poema ele é compreendido e interpretado. Tudo depende do ponto de vista de cada um. Essa manifestação do espirito não é privilégio, exclusivamente, dos humanos é, também, observado nos animais entre si, e nos animais com relação ao homem, tratando-se de animais domesticados. Como por exemplo: “Hachiko – Amigos para Sempre”! Também chamado de Hachi: A Dog’s Tale, é um filme britano-norte-americano de 2009, do gênero drama, dirigido por Lasse Hallström, com roteiro de Stephen P. Lindsey baseado na história verdadeira de um cão japonês chamado Hachikō. Segundo sinopse, Professor universitário adota um cão de rua abandonado, com quem cria laços tão fortes que o animal o acompanha até a estação de trem diariamente quando ele sai para trabalhar e vai “buscá-lo” na hora do retorno. Um dia, durante a aula, o professor morre, mas Hachiko não desiste de esperá-lo, anos a fio, na esperança de rever seu dono.

Em todos os tempos, esse é o tema que mais tem inspirado os amantes, os poetas e até mesmo os vilões. Tanto na vida real como na ficção o amor tem atuado como protagonista das tramas e, também, tem sido objeto de reflexão, como bem mostram os poemas que se seguem:

O AMOR E SUAS SERVENTIAS

Amor! A palavra que está em todas as bocas;

Muitas vezes vazia, outras vezes

Com doçura. Em outras expira loucura;

Expira também paixão; para uns é o

Alimento do coração, mas, para outros

É meios para extorsão.

Mas, o que é mesmo o amor?

Se para alguns é sentimento, é

Altruísmo; já para outros

É perca do juízo.

Mas, então, o que é mesmo o amor?

Se para uns é dor e, se para outros é paz,

É felicidade; já para outros é falsidade.

Amor não se encontra em vitrine,

Tampouco se barganha, amor é honra

E não pouca vergonha…

Com amor se constrói:

A paz, a discórdia,

A tragédia, e a extorsão…

E o que faremos com

o amor da gente?

Ou, com o amor

Que não se sente?

SUSPIROS

A gente ainda se entende.

Há uma chama entre nós

Que se ascende quando a gente se toca.

Ah! Quando a gente se toca…!

O beijo tem o mesmo sabor do primeiro beijo.

Que beijo! Não era bicota.

O primeiro olhar febril, canibal

Virava-me pelo avesso.

Hoje… O que faço hoje?

Conto os anos e os desenganos,

E ainda assim a gente se entende.

Entre suspiros e devaneios,

Neste viver devagar,

No sossego da solidão

Conto os dias para te ver…

Numa espera vã?

Essa espera transforma

As tardes na escora do dia,

Que se transformam

Num manto de melancolia.

Manto, que cobre o mundo das alegrias.

OS INOCENTES

18/07/2020 às 14h07

“Olá, poeta! Como vai o amigo”?  Perguntei meu interlocutor em mensagem enviada em caixa privada, na rede social.

Estou bem! E não estou bem ao mesmo tempo…. Disse-me ele reticente, e me envia em seguida umas imagens de crianças mortas, entre elas um bebê. As imagens eram chocantes. Tudo indicava que a vida delas havia sido ceifada no bombardeio que ocorreu em primeiro de julho. No dia seguinte em que ocorreu o tal bombardeio esse meu amigo poeta enviou-me imagens de um quarteirão inteiro de um bairro transformado em grandes chamas. As chamas misturavam-se na densa e grande nuvem negra de fumaça que se misturava e, indefinia suas formas no negrume da noite. Após o envio da imagem ele escreveu-me: “Esse é um bombardeio aéreo que aconteceu ontem à noite”… “Não consigo escrever sobre a realidade porque escrever a mais recente que está ocorrendo é como fazer uma cirurgia sem uma sala de cirurgia”.

Percebi que ele estava com a alma devastada, mesmo assim eu perguntei-lhe como ele estava; talvez por não souber o que lhe dizer. Ele respondeu-me o mesmo que havia dito ao me enviar a imagem das crianças mortas: “Estou bem, e não estou bem ao mesmo tempo”. Arrisquei mais uma pergunta pelo mesmo motivo que fiz a outra: “na cidade em que você mora, próximo a você”?

Não! Disse ele. Mas foi na cidade onde moro.

Naquele momento fui tomada por um ímpeto de revolta, e eu disse, sem pensar direito: “além do Covid 19, as bombas ceifam vidas, certamente, dos mais vulneráveis”? E ele respondeu-me que sim, e acrescentou: “Aqui há outras doenças que reivindicam a vida de mais pessoas do que Corona”.

Aborrecida com o teor daquela noticia eu disse-lhe: “Eu queria ter o poder de inverter a ordem dos acontecimentos”… “Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio”… “Oh meu amigo, eu disse, eu gostaria muito que você e seus compatriotas não vivessem essa amarga realidade”…

Você pode escrever nos jornais sobre os eventos no Iêmen!

E sem saber o que dizer eu respondi-lhe: “Os jornais de grande repercussão não se interessam indispor-se com seu país”… Ele argumenta: “Um país que vive situações de guerra civil sofre com os serviços básicos da vida pública, sofre com uma grande crise econômica e sofre com um surto de doenças que reivindicam a vida das pessoas”…

Ele segue com seu relato, falando sobre as razões que levou o seu país viver uma guerra civil, por consequência de um golpe; ele posicionou-se ficar ao lado do governo e disse: “estou ao lado da legitimidade, reconhecida internacionalmente, independente das acusações de corrupção…  Que está sendo acusado. Os grupos terroristas hauthis têm o apoio do Irã, e eles esconderam o apoio da América”…

A conversa estendeu-se e eu já não aguentava mais falar daquele assunto, e lhe disse: “não é segredo para ninguém que eu abomino a guerra, e por esta razão é que ostento com orgulho o meu título honorifico de embaixadora da paz…   Ele enviara-me outras imagens, do local bombardeado era de uma aglomeração de homens que fazia vistoria, procuravam sobreviventes nos escombros e recolhiam cadáveres; as imagens chocavam até os corações revestidos de gelo. Aquela cena indignou-me de tal modo que eu disparei escrever-lhe dizendo: “Eu sou capaz de apostar a minha vida e a sua vida como essas crianças não são filhos do seu presidente e tampouco dos líderes terroristas que bombardeia o Iêmen… “O que elas fizeram para terem esse destino”?

Elas não fizeram nada, exceto que eram do Iêmen bombardeado com essa brutalidade nazista! Respondeu-me o poeta. A minha indignação motivou-me a prosseguir com mais sarcasmo: “O palácio do Sultão foi alvo do bombardeio”?  “O alojamento dos terroristas foi alvejado pelas bombas”? E ele respondeu-me que não, e acrescentou-me: “as casas de cidadãos inocentes, indefesos é que foram bombardeadas”. “Era o que eu suspeitava”, eu disse, “e digo mais: dou meu pescoço à forca como esses alvos são vilarejos padecentes de toda sorte”.

O poeta enviara-me figurinhas expressando choro para ilustrar o seu pesar; e eu continuei: “São eles que pagam impostos, são eles as infelizes marionetes nas mãos dos poderosos”… “Enquanto o Oriente Médio mata seus irmãos (crianças, mulheres, homens de bem) os psicopatas do poder submetem toda sua gente a um viver de sofrimento em sociedades salubres que cheira carnificina”. “E, enquanto isso o mundo ocidental lucra com a desgraça que cai sobre os inocentes”. “Não me peça poeta, para ser indiferente a miséria humana, isto é que não vou ser”. Após eu dizer essas coisas pedi desculpa ao poeta iemenita, pelo desabafo e em seguida despedi-me dele.

O PERFIL DO HOMEM CONTEMPORÂNEO

11/07/2020 às 09h48

Vivemos, hoje, numa sociedade superficial, narcisista, estressante. Somos, todos os dias, bombardeados pela mídia com seu marketing apelativo de produtos de todos os gêneros. Homens e mulheres, e até crianças, enlouquecem para atender esse chamado, do capitalismo, neurotizante.

Eles trabalham jornadas duplas no intuito de ganharem mais e mais, precisam acompanhar o ritmo dessa sociedade, ficarem em pé de igualdade um com o outro. Quanto mais ganham mais aumenta seu poder de consume. Mais dinheiro nas mãos das pessoas comuns cria demandas cada vez maiores de consumidores – o que torna em si o grande responsável pelas taxas notáveis de crescimento econômico que marca o apogeu do capitalismo.

“Meu colega de trabalho, os meus vizinhos compraram um carro top, último modelo da marca “X”, e desfilam vestidos roupas de grifes. Acontece que, eles ganham o mesmo que eu, então, nesse caso, não devo ficar para trás; tenho que comprar um mais top que o deles”…. Pensa o indivíduo competidor. Será que esse indivíduo repara à sua real situação? É possível que não. Nesse caso não seria prudente ou necessário que ele olhe à sua real situação, que averigue se os seus gastos pessoais são iguais, menores ou superiores ao do seu colega ou, do seu vizinho? O que parece é que esse indivíduo só olha para a possibilidade da competição, contribuindo, portanto, para uma cultura de competitividade.

Consumidores com essa postura corre o risco de inflacionar-se, gastando mais que o que arrecada; e para atender a sua “necessidade”, passa ser um devedor. Na ilusão de amenizar, por hora, o problema eminente que corrói as estruturas de suas finanças eles recorrem às instituições financeiras ou agiotagens, com isso mergulha fundo no “calabouço” de suas finanças. É, então, que o indivíduo perde as rédeas da situação…. E poderia ser diferente? Não! Infelizmente.

Essa sociedade superficial, narcisista, estressante são projetadas nos moldes de um capitalismo selvagem. Os indivíduos que formam essa sociedade são como robores, programados para consumir, porque, o consume gera demanda de produção e, consequentemente, essa gera riqueza.

Para os capitalistas, a valorização do trabalho ocorre a partir da existência da propriedade privada e obtenção de excedente por meio da mais-valia (o lucro). Já, o pensamento marxista, o trabalho mercadoria (Marx, 1993), defendido pelos detentores do capital, não tem valor ou sentido para o trabalhador, que se vê impedido de exercer sua liberdade e criatividade no trabalho exercendo suas funções com um sentimento de estranheza perante o todo, ou seja, alienado (…).

ERA APENAS UM SONHO

03/07/2020 às 21h05

Entre caricias e beijos deslumbrávamos:

Aos amanheceres orvalhados e aos

Entardeceres bordados com fios de ouro

Dos raios de sol que vagarosamente

Descia no Horizonte, na agonia do dia.

Suas mãos viajavam por todo meu corpo,

Em uma aventura eletrizante, explorando

Cada parte, até chegarem ao limiar de minhas

Coxas, e prosseguiam rumo ao seu destino.

Todas as noites, sob o cintilar das estrelas

Ou ao clarão da lua, explosões de orgasmos,

Contínuos, deixavam nossos corpos banhados

De suor e languidos, e os nossos Risos eram

Eflorescências de várias primaveras.

As gotas de suor de nossos corpos fundiam—se

Resultando em oásis semeados nos desertos

 Da solidão; éramos dois corpos nus

Entrelaçando-se sobre alvos lençóis de cetins:

Tornando-se plenos quais que divinais.

Sua boca ia ao encontro de minha boca e duas

Línguas entrelaçavam-se enlouquecidas de desejos…

Estávamos ali, Dois amantes desejosos

Em parar o tempo e permitir que o infinito

Tocasse-nos, e cariciasse nossos rostos

Tornando-nos mais felizes, infinitamente,

E pétreo tornasse o amor que nos fundia.

Éramos duas almas tornando-se um

Enredo de uma linda odisseia do amor.

E daquela inebriante sedução fui despertada…

Que pena! Ainda assim, deslumbrei ao futuro

Sem medo de viver o presente com você.

DE ONDE VENS

28/06/2020 às 10h21

… “Senti a tua falta”! E estou sempre

Á espera d’alguma notícia de ti aqui”…

…. Sinto feliz em saber que esperas por notícias minhas,

Eu por vez aguardo as tuas com certo anseio,

 E ainda não entendi o porquê,

Visto que estou lidando com um ser misterioso

O qual não tenho certeza de quem se trata.

Oh ser de Pátria distante tenha compaixão desta terraça

 Aqui neste Brasil, e diz logo se és deste planeta

Ou doutro além desta galáxia?

Quero com urgência desvendar este mistério!

“Muito atento estou a tua mensagem, quão bem escrita és,

Não te afliges, pois, eu sou sim de pátria distante,

Porém, não doutra galáxia   como acreditas que’ eu seja!

Tenho me mantido sob a sombra,

 d’algum suspense não nego, mas sou normal

 Não sou diferente, acredite!

Sou um ser humano que está aqui

 Para ler o que tu mandas, sempre com um sorriso

 E um beijinho para te dar, soprado ao vento.

Oh misteriosa dama de meus delírios revela-te

E vens a mim como o bater de asas de borboletas”!

…. Então me apresento: sou a dama do mistério das matas

De meu país, e que busca inspiração noutras terras distantes.

E se por ventura, nesta minha caminhada, eu deparar

Com o cupido, tentarei, certamente, em me safar

De sua flechada, porém se isto não for possível,

Então, pobre de mim, estarei sentenciada a escrever

Versos de amor por toda minha breve existência.

“Quão belos são seus versos, muito bem inspirado,

Começo a ficar, a saber, um pouco da mulher misteriosa

Que andas pôr aqui; eu não sei ser poeta para escrever…

Mas gosto de ler, pois, inspira-me; sou grato por ter

Esta amiga comigo, mesmo longe, mas, em meus

Sonhos estarás bem perto do meu coração”.

Agradeço pela recíproca! Todavia, venho comunicar-te

Que meus perambules por estas bandas findou-se.

Estou partindo! Amei ter a sua atenção, até então,

Entretanto preciso partir…  Se sentires Saudades minhas

Procure-me, estarei cá a versejar.

“Não partas, fique! Fique aqui, eu estou aqui…

Posso estar longe, mas, estou perto do seu coração”…

A MAIOR DE TODAS AS QUIMERAS

20/06/2020 às 15h40

O tema, paz está presente no pensamento político de todos as Nações? As diversas guerras ocorridas entre as cidades gregas antigas foram o primeiro cenário e forneceram os primeiros elementos para o desenvolvimento da reflexão ocidental sobre a Paz.

A reflexão sobre a Paz consiste justamente no discurso sobre a paz (356 a.C.) de Isócrates, que traz os concelhos apresentados na assembleia de Atenas para decidir sobre o fim da guerra dos aliados, travadas por Atenas contra cidades aliadas… Isócrates defende a paz com base em dois princípios que serão repetidos até os dias atuais.

a) justiça e b) utilidades.

Trata-se de dois princípios morais, ainda que distintos: o primeiro é um princípio teológico (a Paz como fim em si) o segundo um princípio instrumental (a paz como meio para outros fins) (…) O mundo precisa de harmonia e de interesses comuns entre os povos.

Precisa, também, que haja: igualdade, fraternidade, justiça social; desse modo é possível que a paz possa reinar.

Mas, quando isso será possível? Nos tempos mais remotos clamavam por paz, nos tempos em que o Nazareno circulava às ruas da Judéia clamavam por paz, nos tempos de Francisco de Assis clamavam por paz, nos tempos de Gandhi clamavam por paz, nos tempos de agora clamam por paz e nos tempos vindouros vão clamarem por paz.

Esse clamor é incessante. Sempre haverá alguém que vai rezar pela paz mesmo ciente de que se trata da maior de todas as Quimeras.

Nunca se teve a paz em lugar algum, salvo em alguns momentos brevíssimos como resultado de negociata; ela tem sido artigo de luxo de valor inestimável e tem sido objeto de barganha.

Compra-se a paz? “Dá-me a paz e a paz — vos dou “! É fundamentado nessa máxima que são concebidos os paraísos — verdadeiros refrigérios para as pobres ALMAS padecentes.

E como não os conceber? As pobres ALMAS necessitam de algo que as encoraja a prolongar seus dias à espera da maior de todas as utopias e, um pouco de Boa vontade ajudar-se-ia amenizar o abrasante inferno terreno. Sim, Boa vontade eu digo e repito, pois, os dois senhores, esses criadores de sofrimentos fartam do vinho servido no banquete do poder.

As migalhas que caem da mesa são para os cães que lambem as botas de seus senhores agradecidos por permitir-lhes que àquelas migalhas de esperança dê-lhes forças para irem ao encontro do paraíso após morte, porque aqui em quanto viver não vão alcançar paraíso algum, porém, para alcançar esse (refrigério) pós morte tem que andar conforme ditam, seus senhores, as suas regras.

Tem outro jeito? Então rezem! E continuam a sua marcha, elevem seu espírito, ajude uns aos outros, criem escapismos, superem seus limites ou mergulhem em suas próprias loucuras e perecem; livra à terra dessa miséria humana a que serviu a raça como qualificação! E se preferirem, começam a tirar as vendas e clareiam a sua visão!

Esta sugestão parece ser a mais sensata, pois a insensatez conduz os homens ao sofrimento assim como a ignorância os conduz. Mas, deveria ser de outra maneira? A cultura, ah! Esta é nos moldes segundo os interesses do sistema que rege ao mundo…

As sociedades de homens teleguiados perpetuam suas mesmices na espiral temporal ajustando-se aqui acolá com seus tratados simbólicos em quanto a Paz tão desejada subjetiva-se cada vez mais!

A FELICIDADE QUE RESIDIA EM CERTO CASEBRE

12/06/2020 às 11h50

Todas as manhãs, como num rito sagrado, ela se levanta com o descortinar da alva. E, em um gesto desperto a mulher se levanta com cuidado para não despertar aquele homem que dormia na paz d’alvorada, pois, nem mesmo o cantarolar do galo no terreiro, nem dos pássaros lá fora, anunciando a aurora, despertava-lhe de seus lindos sonhos. Depois de fazer a higiene matinal e ter realçado a sua aparência a mulher vai à cozinha preparar o desjejum. Ela aça pão de queijo. E para o complemento ela prepara ovos e cuscuz; no cardápio matinal, também, não podia faltar o suco de caju, colhido do quintal e um bule de café fumegante.

A mulher olha através da janela para o seu pequeno mundo, e deslumbra-se com aquela manhã que lhe sorrira, e desejou colher da roseira, flores para enfeitar a mesa do café-da-manhã; cantarolando mentalmente a mulher passa as mãos no avental florido, retirando resquícios de fubá e vai colher as rosas. Antes ela havia passado os olhos no interior da casa de barro, de chão batido, de decoração singela, e inundada de luzes, e pensou em seu amado. Depois de colocá-las num jarro transparente com um pouco de água ela as deposita sobre a mesa posta, e retira uma flor vermelha dentre as brancas, as amarelas e as de cor rosa e espeta-se nos cabelos um pouquinho a cima da orelha.

O homem que dormia o sono dos justos agora já se encontrava de pé recebendo o bafejar dos primeiros raios de sol daquela manhã de primavera. Ele entra na cozinha depois de ter passado pelo banheiro e disse numa voz tenor: “Bom dia, ama”! Disse o Sr. Costa. Aquele cumprimento dito num tom meigo, carioso era música para os ouvidos daquela mulher. “Bom dia amado”! Respondeu-lhe ela com os olhos brilhando.  Aquela mulher tinha a certeza de que ouviria, por toda sua vida, o seu amado repetir como um mantra a mesma frase naquela hora do dia, por essa razão, ela se levantava primeiro para que não perdesse a doce sinfonia. O dia tocava sem pressa e aqueles protagonistas realizavam suas tarefas. Nunca se ouvia queixumes nem por parte dele nem por parte dela; o tempo não era posto em questão.

No final do espetáculo do dia quando a passarada cessava o canto, quando as galinhas se empoleiravam e, lá no céu já se podia ver uma ou outra estrelinha cintilar, Sr. Costa pegava o violão e um banquinho, e convidava a sua amada para cantar consigo umas modinhas. Os dois pareciam não se preocuparem com mais nada. No intervalo de uma música e outra os amantes se olhavam nos olhos, sorrindo e se beijavam. Eram beijos de amor com os olhos fechados, e lábios molhados.

O MENINO QUE QUERIA ESTUDAR

06/06/2020 às 17h55

Zezinho, cadê seu uniforme? Não sabe. que sem ele não pode assistir a aula!

O menino estremeceu e foi tomado por um grande alvoroço, o seu coração quase que deu um congelar dentro do peito; ele sentiu o chão afundar sob os pés, não tinha jeito não tinha que encarar a professora.

O pobre menino tremia, só em ter que olhar para a expressão severa daquela mulher, e teria ele que lhe dar explicação, o porquê de não vir de uniforme? Isto não! Não podia passar por aquela vergonha.

Sem esforço, Zezinho encontra solução para aquela situação que lhe causava muito constrangimento. Sem responder uma só palavra ele desaparece diante dos olhos da professora.

Os alunos entretidos com a revista na entrada, nem perceberam a retirada estratégica do coleguinha. Zezinho escapuliu-se das vistas dos colegas e, num piscar de olho desapareceu. A professora até que o procurou entre os alunos, mas logo concluiu que o aluno indisciplinado deveria ter voltado para casa, ou se não iria ficar vadiando por ali em algum lugar, até chegar a hora de voltar para casa.

Essa possibilidade até seria possível, mas não se tratando de Zezinho, pois o menino tinha fome e sede por conhecimento e, o colégio para ele era como um templo e, as aulas como um rito sagrado, portanto, para ele faltar uma aula, só se tivesse com sarampo, varíola, caxumba ou catapora, somente assim; porque, de garganta inchada ou gripe nada disso seguraria ele em casa.

“Hum, agora essa! Como estudar sem dinheiro para comprar o uniforme”? Pensou o garoto tomado por uma indescritível angústia.

Zezinho com vergonha de voltar para casa, fora esconder-se detrás do Colégio, iria esperar a hora do recreio para poder voltar para casa. Ele ficou sentadinho bem em baixo da janela de sua sala, escutando a chamada que a professora fazia, e cada um dos colegas dizia: presente professora!

De cabeça baixa, repousado sobre os joelhos, encontrava-se o menino e ele esforçava-se para não chorar; de olhos fechados, até parecia que estava vendo os colegas levantarem a mão, ao dizer presente. A professora ordenou que os alunos abrissem a página onde começaria a aula do primeiro dia de aula.

Então o menino ajeitou a postura, e tirou o caderno e o lápis do embornal e, começou a anotar tudo que a professora ditava.

Nesse momento, Zezinho esqueceu toda aquela angústia, tão concentrado que ele estava, não podia perder nada que a professora falava.

Chegou, finalmente, a hora do recreio e como era de costume, a molecada saiu correndo, cada um para as suas casas, para ir lanchar (Naquele tempo o colégio não oferecia merenda escolar).

Chegou em casa, o menino encontrou a avó, preparando-lhe o lanche e ele disse: “a professora não me deixa, assistir a aula sem o uniforme”…

Bem que eu te avisei, Zezinho, mas, você é cabeça dura; sua mãe já lhe disse que hoje ou amanhã ela recebe da Dona Sofia e vai comprar o seu uniforme…

Eu sei, não estou reclamando…

Pois entonce, meu fiio, que diabo você foi caçar na escola sem a farda, só para levar porta na cara, hem? Isso é um vexame….

Eu tinha que tentar mainha, quem sabe a professora não deixaria?

Majina hum! E o que você ficou fazendo até agora, que não voltou para casa, hem?

Eu fiquei detrás do colégio, bem debaixo da janela de minha sala e assisti a primeira aula todinha…

É, você fez isso mermo meu fiio? Retrucou avó do menino, orgulhosa da esperteza do neto.

Eu vou voltar, mainha, para assistir a aula do lado de fora, vou fazer isso até que a mãe compre meu uniforme…

Oh meu fiio me corta o coração! Disse a avó do menino comovida.

Essas palavras Zezinho nem ouviu direito, saiu apressado para não chegar atrasado na aula.

Muitos anos se passaram daqueles tempos aos dias de hoje e, Zezinho fora para Universidade…. Hoje aposentado como Auditor Fiscal da União, tornou-se homem de posses e, com os filhos criados e todos formados, ele relembra suas peripécias, do tempo de sua meninice, enquanto conta os anos vividos.

O BANQUETE

31/05/2020 às 19h25

“Criaram inúmeras divindades, criaram, também, Códigos morais E deles extraem suas sanções”… Disse um após entornar a segunda caneca de vinho e prossegue: “Os que vivem a serventia da razão destroem a sua fé que outrora tiveram nos deuses e no código moral”… Um outro responde: “O medo que os homens têm desses onipotentes é o que os faz com que pensem que são livres para fazerem o que bem quiser, desde que permaneçam dentro da lei”.

“Se fosse possível construir um sistema de moralidade absolutamente independente da doutrina religiosa, valia tanto para os ateus quanto para os crentes”… Respondeu o primeiro e em seguida rasga com os dentes um faisão. “Quanto ao Estado, o que poderia ser mais ridículo do que a sua democracia chefiada pela população dominada pela paixão, e seus governantes guiados pela corrupção”? Indagou um terceiro, demonstrando uma evidente insatisfação. “De que modo poderia desenvolver uma nova e natural moralidade nas sociedades, e como se pode salvar o Estado”? Indagou o segundo.

Olharam um para os outros identificando quem dentre os ali presentes teria a resposta mais sensata. O silêncio reinou e não se ouvia nem o mastigar dos cidadãos que devoravam o banquete apetitoso.

“Se fosse possível ensinar os homens a perceberem nitidamente seus verdadeiros interesses, a preverem os distantes resultados de seus atos, a criticarem e coordenarem seus desejos para que saíssem de um caos auto esterilizador e atingissem uma harmonia proposital e criativa, talvez isso proporcionasse ao homem instruído e sofisticado a moralidade que, nos iletrados, se apoia em preceitos reiterados e em um controle externo”.

Disse um cidadão demonstrando serenidade, e que até então só observava, e prossegue: “E uma sociedade administrada com inteligência uma sociedade que devolvesse ao indivíduo, em poderes de maior amplitude, mais do que lhe retirasse em termos de liberdade restrita, a vantagem, para todos os homens, estaria na conduta social e leal, e bastaria uma visão clara para garantir a paz, a ordem e a boa vontade.

Mas se o próprio governo é um caos e um absurdo, se governa sem ajudar e ordena sem liderar, como poderemos persuadir o indivíduo, em tais condições, a obedecer às leis e limitar a procura de si mesmo ao círculo do bem total “? Indagou. Por alguns instantes a mudez instalou-se naqueles cidadãos, o homem sábio pediu licença e retirou-se da mesa sem manifestar interesse de ouvir retórica de seus discípulos, ele recebeu a sua túnica das mãos de um servo e se despe dos ali presentes, e se retirou.

Os que ficaram o seguiram com os olhos até verem seu mestre sendo engolido pela escuridão da noite.

(Texto adaptado do pensamento socrático, História da Filosofia, pg 34 a 35; autor: Will Durant Editora Nova Cultural edição 2000).

A MAIOR DE TODAS AS MENTIRAS

24/05/2020 às 10h30

A quilo que é dito como verdade irrefutável não é senão a maior de todas as mentiras. Esta é propagada há milênio por toda terra. É de fato irrefutável, mas não por ser o que diz que é e “Sim” por não haver quem a conteste.

E se não há quem a conteste é porque falta tutano naquele que por ventura imagina em contesta-la. Ela que se posiciona no gênero feminino é também abstrata como o seu antônimo. A ela sobrecai a culpa acerca dos horrores, pois dela é a causa. Ela é a fonte que mata não acede, mas aquele que dela beber.

O termo por si nos instiga a uma reflexão… A palavra representa poder e este tanto pode ser usado para edificar como para destruir, tudo depende de quem o tem. A ele toda gente curva-se…

No que diz respeito às nossas vidas…. Inúmeros são os argumentos que pensadores de todos os tempos tem persuadido na vã intenção de compreender os mistérios existentes no Universo.

O universo dos seres… O homem em particular. Este é de uma insondabilidade tremenda! Quando, o filósofo grego, Sócrates disse: “conheça-te a ti mesmo”, ingenuamente ele supôs que nós seres humanos possam ter capacidade de nos auto compreender.

A este respeito, o que conhecemos de nós mesmo? Somos, como diz Platão ao criar a alegoria do mito da caverna: “somos a sombra do que pode ser o que é real”. A título cultural: o que somos e o que pensamos são de tudo proveniente do nosso livre pensamento?

O imensurável Universo, quem o desvenda, a quem compete tão grandioso mistério, cuja mente humana nunca foi capaz de discernir?

Então, nesse caso criaremos uma divindade, um ser tão inteligente, com capacidade de ser onisciente, onipresente e onipotente, e entregamos a ELE toda e qualquer responsabilidade de tudo que envolve o homem; todavia não devemos nos subjugarmos, portanto convenhamo-nos que, nos julguemos a imagem e semelhança desse grandioso ser.

Seguindo-nos por esse raciocínio, estaremos, então, todos ao seu dispor, e fantoxecamente somos como folhas caídas…. Uma pergunta não me deixa calar: esse ser que toma uma postura fraterna mediante o mundo terreno e que ama, protegem, supre, dá livramento e etc. e tal a toda “sua criação”, ele que é visto como benevolente e misericordioso, então, como pode enviar catástrofes naturais, epidemias ou qualquer outro tipo de horrores os quais são submetidos ao homem? Então que seja feita a vontade de deus?

O que se intende é que, seja feita, também, a vontade de Deus a eterna ignorância, a qual é inerente ao homem!

SOB O OLHAR DO POETA

18/05/2020 às 09h59

Nas experiências coletivas trágicas da humanidade o que se percebem é que sempre há uma necessidade de solidariedade social. Esse é um momento em que deve predominar a capacidade das pessoas de poder olhar para o outro e procurar contribuir para uma sociedade mais justa e equilibrada em todos os seus traços.  A liberdade é, também, um fator essencial para a convivência harmoniosa entre os indivíduos, e termina com qualquer tipo de preconceitos. O egoísmo, que tem sido fundamental na escolha dos caminhos da competitividade, precisa ceder espaço a novos valores. Nesse contexto cabe ao poeta observar as mudanças e por intermédio de seus versos sugeri novas perspectivas para um futuro não muito utópico.

No poema Operariado (de minha autoria) o olho do poeta observa que aqueles que não são atingidos pela miséria social não se mobilizam e permanecem privilegiados e encastelados em suas moradias burguesas enquanto centenas de milhares vivem sem ao menos se dar conta de sua miserável condição social. É, portanto, evidente em seu olhar críticas à burguesia e a um raciocínio regido por valores monetários. O olhar crítico do poeta sobre a realidade circundante e com um tom marcadamente político ver uma experiência coletiva de exploração do homem para com o homem. Em seus versos ele deixa claro seu ponto de vista e a convicção de que os indivíduos podem mudar o mundo, entretanto, não se pode confundir isso com excesso de otimismo, pois, a revolução, a utopia, o amor e a comunhão entre todos encontram resistência no pessimismo de muitos e em valores arraigados baseados no egocentrismo.

Para o poeta, entretanto, viver é arte! “A arte não é apenas prazer, é uma atividade criadora da consciência humana da qual deriva toda criação espiritual”, portanto, a arte na visão do poeta passa a ser vista como uma atividade conectada com o mundo e não como uma ação sem interação social. Os versos do poeta passam a ter um papel determinante na comunicação entre as pessoas para defender ideias. Tais ideais soam em notas maiores ao aproximar-se da Utopia.

OPERARIADO

Escorre suor das mãos calejadas

Desses sertanejos esperançosos

Que agarram o cabo da enxada

Com ânimo e certeza

De que se a chuva não faltar

Haverá sempre o feijão na mesa.

Escorre suor do rosto do operário

Numa enfadonha jornada de oito horas

Para garantir no final do mês o salário

Que mal compra a cesta básica,

Que não paga o aluguel,

Que não paga a escola,

Que nem parece um salario

Mas que parece uma esmola.

O jeito é virar bicheiro,

Político ou banqueiro,

Quem sabe pastor de igreja?

Qualquer coisa desse gênero

Desde que não fraqueja.

O suor que goteja: das mãos, do rosto

Desses cidadãos enriquece o patrão,

O patrão orgulhoso do que faz;

O feitor sem chicote que açoita seu

Escravo, o escravo assalariado.

SOLIDARIEDADE, SENTIMENTO QUE TRANSUDA DA ALMA?

10/05/2020 às 10h25

Essa questão de solidariedade soa-me em diversas conotações e por essa abrangência de sentido, eu aqui acolá me surpreendo cogitando sobre a sua lógica. E, para minha surpresa deparo com algumas indagações do tipo: o ato solidário a quem ele beneficia mais o seu executor ou o beneficiado? Pensando nisso é que estou sempre a titubear quando estou prestes a praticar uma caridade. Não se trata de egocentrismo, o problema é outro, é saber se a minha mão direita ao praticar um ato solidário não permitirá que a esquerda veja…  Pois, convém que, ser solidário puramente por altruísmo, sem dúvida, é um ato bastante nobre! Entretanto, ocorre caso em que, a nobreza de uma ação solidária, infelizmente, nem sempre é tomada como tal…

Certa vez eu fui ao supermercado próximo da minha residência, por volta das 21h30min; fui correndo porque o estabelecimento fecharia às 22hs, e no caminho eu vi um menino de rua deitado em um papelão. Ele estava vestido uma camiseta e mantinha os braços por baixo da camiseta. Percebi que o menino estava abraçado as próprias pernas de modo que ele pudesse aquecer-se.

O menor falou alguma coisa, mas na pressa eu nem parei para certifica o que ele dizia. Quando eu voltava meus passos eram calmos, e dessa vez pude entender o que o garoto estava a me dizer. Cheguei a minha casa e arranquei uma filha minha de sua cama, dizendo-lhe: “hoje você dorme comigo”! Tirei dela o cobertor descobrindo lhe e dobrei de qualquer jeito, eu saí em seguida; a porta bateu forte atrás de mim que deve ter incomodado até os moradores do sexto e do quarto andar.

Entrei no elevador com a cabeça pesada de pensamentos; minutos depois lá estava eu, novamente, encarando na rua a friagem da noite. Entreguei ao menino abandonado o cobertor…. Eu disse-lhe alguma coisa que não me recordo e voltei em cima do rastro, tremendo de frio. Acho que a temperatura deveria está em torno de 15 graus…

No percurso de volta eu refletia acerca de minha ação e cheguei à seguinte conclusão que: ao dar uma esmola a um pedinte é dar força a mão que implora para continuar pedindo no dia seguinte.

Entretanto, a caridade é bem vista não somente pelo o que a recebe, é também pelo o caridoso, sobretudo por ele quer se ver em uma posição de vantagem em relação ao ajudando; ele ainda se sente vaidoso, achando-se digno de canonização, sobretudo para com os seus pares. Então, eu entendi que, a única forma de ajudar realmente o necessitado é contribuindo para que mude a sua realidade, e que finalmente ele possa viver com dignidade.

Porém, para que haja essa mudança é necessário que toda a sociedade mude, também, a sua visão. O Estado, por vez, haveria de estar desejoso que ocorra essa mudança, mas, é dele o interesse? Se erradicar a pobreza quem será a base dos governantes? Como pirâmides eles necessitam de base achatada para carregar o peso esmagador do poder e, além do mais, a pobreza sempre foi e será o condutor que liga os políticos ao poder.

Quando entrei no meu apartamento deparei com uma avalanche de indagações empanadas de indignações. A minha filha bufava de raiva, e pedia explicação para aquela atitude estapafúrdia minha.

Tentei dar a ela uma explicação plausível que justificasse a minha atitude, porém, ela poupou-me o esforço e disse: “ aposto que você deu meu cobertor para algum mendigo estou errada”?  Minha filha me conhecia, ela sabia muito bem que eu jamais ficaria indiferente a uma situação similar, entretanto, a sua indignação não era pelo meu ato caridoso e sim por eu ter lhe subtraído seu objeto sem consulta previa…

Essa mesma noite, alta madrugada, eu ainda ruminava a realidade dos moradores de rua cuja sobrevivência dá-se à custa da mendicância e pequenos delitos.  O assunto me inspirou e eu compus um poema o qual intitulei de:

 

O MENDIGO

Ó verme rastejante!

Tu chafurdas na lamacenta escória

Enquanto estendes o olhar suplicante

E a mão que implora.

A sarjeta é a tua morada

A solidão é a tua companheira

 O teu viver é uma lamaceira

Que vida desgraçada!

Os destroços de tuas “vitórias”

Arrastam-te à morte.

E com o cálice de amarguras

Tu brindas a tua sorte.

Visto que te tornou escárnio

Para os que são escravos

De um sistema corrompido

Percebes então, que a tua nulidade

Denuncia o autor do teu homicídio.

Eis que tu te encontras

Relegado a tua própria sorte,

Ó verme desarvorado!

Tu vives de agruras,

 E sobre os ombros:

 As grandes dores,

O peso de estranhos amargores,

De sarcasmo e anseios.

Mais uma vez tu estendes a mão

Ó miserável pedinte!

Pedes uma esmola

Para dar força à mão que implora

Para continuar pedindo no dia seguinte.

O MEU ESPELHO ESTÁ DE SACANAGEM

01/05/2020 às 09h13

Eu estou vivendo um grande dilema contemporâneo, às vezes penso em pôr a boca no mundo para me desabafar, mas fico pensando: será que devo? O problema é se esse desabafo possa vir servir de carapuça para quem ler este meu desabafo; de antemão já peço minhas sinceras desculpas aquele que a carapuça servi-lo.

Bem, para começo de conversa vou logo ao que me engasga: “quem sou eu? De onde vim, e para onde vou”? Pergunto ao meu fiel e sincero espelho mágico, e ele me responde: “de onde você veio e para onde você vai não tenho a menor ideia! – Mas sobre quem você é isto eu posso responder; você são muitas”! Intrigada eu volto a perguntar-lhe: “como assim? Não entendi”! – E ele me responde: “transexual, bissexual, lésbica, travestir, Gay”…

– Tudo isso? – O interrompo – tu podes ser uma mulher, ou um homem no pior das hipóteses! _ disse-me ele, num tom sério. Confesso que não entendi nada! Pensei até que meu espelho estivesse zoando com a minha cara, mas que nada! Vi que o sacana estava falando sério.

O dilema é: se por vingança eu o transformo em mil pedaços ou se faço de conta que ele é um espelho hilário e que só está querendo zoar com minha cara. A primeira hipótese, a meu ver, parece-me boa, mas o que vão pensar de mim? Que sou uma ressentida, vingativa? Por outro lado, a outra hipótese me faz passar por idiota, e isto eu não sou! Às vezes eu fico pensando: e daí se eu vir ser tudo isso que ele me disse que sou? Hem?   Isto é que dá ser um Ser humano, se eu fosse outro tipo de animal bem que eu podia ser uma águia.

AMOR QUE TRANSFORMA

23/04/2020 às 11h19

Observa-se que relacionar com pessoas é uma tarefa bastante difícil.

Para que haja relacionamento amistoso entre pessoas, de um modo geral, sugere-se sabedoria. Relacionamento é, portanto, algo que exige uma série de ajustes para que os envolvidos não fracassam.

Uma das ferramentas necessárias para a construção de um bom relacionamento e duradouro é o amor, a gratidão. E, para discorrer sobre este assunto partirei da seguinte premissa:

Se você se sente bem ao lado de alguém é porque há bons fluidos entre vocês. Conclui-se, portanto, que isso é amor não é mesmo? Então, alegre-se por isso e seja grato (a) a pessoa que se encontra ao seu lado. Não é bom que reclame de algum defeito que a pessoa possa ter. Por que não olhar para as suas qualidades? Sinta-se agraciado (a) por tê-la ao seu lado.

Porém, caso esteja ao lado de alguém, que de certo modo lhe causa algum tipo de sofrimento ou que lhe transmita energia negativa, pesada, aí então, nesse caso não lhe convém que fique ao lado dessa pessoa. Afaste-se dela! Agindo desse modo estará trazendo a ela e a você a oportunidade de sentir outros fluídos. Pessoas são corpos, são energias e se entre eles não houver uma boa frequência não se harmonizam, eles, portanto, se repelem. Não se esqueça de que todos nós precisamos de amor e quem ama quer ser amado. Todos sabem que o amor é lindo é dádiva de Deus, mas, deve se lembrar que é preciso que esse amor sirva para fazer a outra pessoa um ser melhor senão nada adianta esse amor.  Cultive esse amor em seu benefício, faça de ti uma pessoa melhor e verás, então, que ás pessoas ao seu redor beneficiara-se, também, desse amor que sentes por si mesmo. Isto acontece porque o amor está em alta frequência.

A gratidão, também, vai estar em alta frequência. E, ao ser grato você estará demonstrando a pessoa que o amor dela lhe fez uma pessoa melhor. O Amor só é lindo se através dele as pessoas forem transformadas.

Quando duas pessoas se harmonizam é como se ouvissem uma música numa frequência de 432Hz; pois, ao escutar sons nessa frequência começa a surgir muitas alterações em nosso corpo; a consciência se expande alcançado um nível maior de percepção e controle de pensamento. E, quanto maior a possibilidade de conecção com você mesma com seus sentimentos, sonhos, desejos, concepções, tristezas, alegrias, julgamentos, planos todas as áreas de sua vida passam a ser percebidas de outro ponto de vista uma   ótica de si e do mundo, permitindo o início de mudança para um mindset progressivo, lembrando que o pensamento é o meio que constrói a sua realidade.

Convém lembrar-se de que a maioria dos conflitos em um relacionamento acontece porque as pessoas demonstram o seu amor de formas diferentes uma da outra. Vale lembrar, também, que o egoísmo é um fator negativo que mina as relações, portanto, convém que, as pessoas envolvidas em um relacionamento procurem está sempre se colocando no lugar do outro, o que não é fácil; mas, agindo desse modo estará cooperando para que tenham uma relação harmoniosa e consequentemente gozar da suprema felicidade.

CÁCERES DOMICILIAR

10/04/2020 às 11h47

Como devo cantar a canção do exílio

se meu canto está preso na garganta,

 se o mundo parece-me  tristonho

 e se perco noite de sono”?

Quero ouvir o canto do sabiá nas Palmeiras do meu Brasil, quero ver as crianças brincando nos barquinhos, nas pracinhas e aprendendo novas brincadeiras…

Quero que o mundo volta a sorrir como outrora já sorriu! O meu querer tem poder? Talvez ele tenha força ou não; o meu querer é a vontade de ser…

Como cantar a canção do exílio se as ruas estão desertas? Todos encarceraram-se em seus lares, individualizando-se cada vez mais…. Talvez eu cante a canção O Silêncio!

O RELATO DE UM PESADELO

24/03/2020 às 09h17

Despertei-me de um sono agitado, do qual tive um sonho ruim, um pesadelo. Agora insone, em plena vigília, meu cérebro processa minuciosamente as cenas do sonho que tive. Em replay elas vêm robustas em minha memória: “Um homem de notável vigor, jovem e robusto lutava com outro homem igualmente saudável e vigoroso; ambos aparentavam ter a mesma idade, entretanto um deles apresentava forças minguadas em relação ao outro. O mais forte partiu-se com toda fúria para cima do adversário, impiedosamente golpeava-o com punhos cerrados e com a força de mil demônios, estava ele determinado em ceifar-lhe a vida.

Como fera implacável, o homem mais forte, agarrava a cabeça do adversário e colidia-a com uma pedra de tropeço, que havia na estrada de terra vermelha, onde lutavam os dois homens. Totalmente dominado, o homem que levava desvantagem na luta, tentava debalde escapar-se da fúria do seu algoz. Este num lampejo de vacilo, viu seu adversário escapulir-se de suas mãos sedentas de sangue.

Numa destreza de felino, ele agarra um pedaço de madeira, vinda não se sabe de onde, golpeou-o nas costas, ferozmente, até roubar-lhe todas as suas forças. O homem encontrava-se desfalecido, no meio da estrada vermelha empoeirada e, seu algoz ainda não se dava por satisfeito e, começou despedaça-lo com os dentes. A carne do homem, cuja vida estava sendo ceifada cruelmente, era dilacerada, enquanto o sangue abundantemente empapava essa estrada… ”

Fui chamada de modo providencial à vigília. Aquela cena perturbadora, que ficou impressa na minha lembrança, convidou-me à uma reflexão, acerca da condição alimária do homem. Permaneci pensativa por alguns minutos, tentando compreender por que o homem é cruel, vil, prevaricador…? Mas, no entanto, mesclas de docilidade, retidão, formam traços no caráter de alguns indivíduos, contrapondo a condição alimária típica da natureza humana.

O HOMEM EM EVOLUÇÃO

16/03/2020 às 11h05

Sou fogo sou ar sou terra sou mar

Sou o planeta que clama clemência,

Sou a loucura do caos, a desordenada

Demência, sou o homem em evolução;

Sou a natureza clamando compaixão

Sou eu o nada, sou o temor da raça,

O gênio da graça que rasga, engasga e

Que alimenta de ódio rechaçando o amor.

Sou a ira das catástrofes, o grito da natureza,

Sou os metais preciosos, ouro e a prata

Sou o reino minerais aquele que desperta

Desejos implacáveis, sou bom sou ruim…

NO CORREDOR DO TEMPO

07/03/2020 às 11h36

Como uma árvore solitária,

O único registro do que restou de

Uma floresta, lambida por ferozes

Labaredas seguirei atenta nesse

Eterno movimento temporal.

Depois de incontáveis noites

Sem dormir, pensando:

Como dói imaginar com o que está

Acontecendo com o mundo agora…

Parada no corredor do tempo é que me

Encontro, e nesse encontro frustrado vejo…

De novo dos olhos das crianças…

Sonhando em conhecer as caras alegres

Das pessoas e dos poetas.

Você tem o direito de sonhar como o nosso

Sonho, pois todos nós somos Poetas!

Em todas as civilizações sempre houve

Uma missão a cada indivíduo.

Quem o alimenta no tempo de sua perda?

O que dizem os Cientistas, “os mensageiros de Deus”?

E nós os Poetas, é que sabemos a causa

Da tragédia humana? Deposite uma

Noite em meu credito e eu aceito outra.

E tudo se tornará um alivio para mim?

Não! Chove sobre a pálida Terra as lágrimas turvas

De toda gente, o sangue que empapa a Terra

São jorros de corações inundados de tristeza.

O HOMEM CONTEMPORÂNEO

26/02/2020 às 09h33

A gente precisa abrir as janelas todos os dias! Precisa deixar a luz do sol entrar e ter o compromisso de remover a poeira dos moveis; uma casa arejada, limpa trais bons fluídos – disse um internauta. É preciso também cuidar da aparência da gente – prosseguiu ele encorpando seu monólogo – o auto desleixo é sinônimo de baixa autoestima. É preciso, também, abrir as janelas da mente do mesmo modo que abrimos as janelas da casa da gente. Rever a nós mesmos.  Porque a gente também, junta poeira. Ficar esquecido de si mesmo não é bom. Se a gente não se cuidar, e não se permitir um olhar sobre si mesmo estará permitindo uma autodesvalorização da nossa pessoa.

Estava ali travado em um monólogo um livre pensador?

Um pouco de autoestima elevado nos faz muito bem, o bastante para não deixar apagar o sorriso. Um olhar sorridente é contagiante. É, além do mais, muito bom olhar no espelho e ter a certeza de que o espelho da gente não está nos enganado. Este é o amigo que está sempre nos revelando o que sente a nossa alma. Além do mais a gente nunca deve abandoná-lo se não estaremos ferrados. Como poderíamos pentear os cabelos de modo caprichado do jeito que nos agrada, vestir uma “beca no jeito” e reparar se estamos alinhados? Pois é! O espelho é um amigo inseparável! Eu é que sei quanta serventia ele tem para mim…

Empolgado o internauta dispara o gatilho de seu monólogo. Era possível que o tal internauta estivesse gravando áudio para o seu canal ou falando sabe-se lá com outro internauta.

O interessante da vida é poder vê-la diferente a cada novo dia, é poder avaliar o mundo em nossa volta; eu adoro o meu viver, sobretudo porque tenho a certeza de que nunca estou sozinho – disse com convicção. As pessoas pensam erroneamente que sou solitário, mas que nada!  Falo com um monte de gente; gente de todo lugar até do estrangeiro. E olha que eu nem me dou o trabalho de me levantar desta cadeira. Sentado aqui eu faço negócio, estudo a matéria que me interessa, pesquiso o assunto que eu quiser e até xereto a vida dos outros (o povo desembestou a publicar sua vida particular de um jeito que eu nunca vi; nunca tiveram tanta necessidade de se expor como agora, vai ver que estão todos contagiados pela síndrome do estrelato ou sabe lá Deus do quê).

Bato papo com a galera, parentes e amigos; converso até com pessoas desconhecidas, as quais, que na maioria das vezes, nunca se sabe se é homem ou mulher, jovem ou adulto, mas que interagem com agente.

Faço muitas amizades, até namoro; faço sexos também. Escuto músicas, assisto filmes, leio piadas, cada uma mais hilária que a outra.

Leio, também, frases de aconselhamentos, assisto palestra de um tudo, e vejo cada coisa do arco da velha. Chato é que as horas passam voando. O tempo é apreciadíssimo, se a gente bobear dança. Acontece que é muita coisa para se ver, é uma coisa de louco!

É blogs, Fanpages, site de relacionamentos, Skype, WhatsApp, uffa! Agente morre e nem ver tudo…  Não estou reclamando não até porque todo mundo está vivendo assim.