Revista Statto

A SAÚDE FÍSICA E MENTAL, DEVEM REMAR NO MESMO BARCO.

05/11/2019 às 10h41

Na edição de agosto de Statto eu preparei um artigo especial sobre a Psicologia do Esporte. Para cumprir a promessa deixada naquela ocasião, convido nossos leitores a expandirmos as reflexões neste campo.

No primeiro artigo eu busquei elucidar a ligação que a Psicologia tem, mais estritamente, com o esporte de alto rendimento. Relacionando a minha experiência como atleta e trazendo argumentações de profissionais da Psico, ficou entendido que no que diz respeito ao esporte de competição, ainda existem largos passos a serem dados para que a ciência da mente seja aceita com o devido reconhecimento no meio esportivo.

Até pouco tempo atrás, a minha opinião sobre esta temática ficava restrita a uma visão de quem apenas ‘’consumia’’ a Psicologia enquanto atleta/cliente. Mas como a vida é craque em nos surpreender, hoje percebo que foi justamente por meio da minha vivência no esporte, que descobri o desejo de estudar a mente humana.

A minha nova ‘’jornada olímpica’’ se iniciou este ano na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), na graduação em Psicologia Clínica.

Ao elevar o meu corpo ao limite físico quase que diariamente por quinze anos, acabei descobrindo que a mente é muito mais importante do que pensamos. Aliás, percebi que de nada adianta ter um corpo saudável, forte e resistente, se a sua saúde mental está frágil e debilitada. A mente manda no corpo e aceitar isso não desvaloriza toda ciência que se destina na manutenção da nossa saúde orgânica. Pelo contrário, ambas são dependentes e por isso carregam cada qual a sua importância.

Ao ingressar nessa nova jornada, muitas pessoas passaram a me perguntar se eu pretendo me especializar na Psicologia do Esporte. A Psico do Esporte é um campo de estudo relativamente novo, e assim como está configurada hoje, necessita ainda de muita ampliação teórica.

Acredito que a Psicologia tem tudo a ver com o Esporte, simplesmente porque a mente não pode ser dissociada do corpo. Eu tenho poucos recursos teóricos para arriscar-me a ponderar sobre os estudos já desenvolvidos na Psicologia do Esporte. Porém, o que já percebi como sendo uma necessidade, é que haja um processo de humanização neste campo, principalmente no esporte de alto rendimento.

Por experiência própria, pude constatar que a Psico é utilizada por treinadores e clubes esportivos, quase que restritamente para a manutenção de resultados em competições. Não que isso não seja importante, porém, antes de garantir que o atleta consiga lograr a vitória em campo, na quadra ou na água, este atleta precisa ser tratado como um ser humano, que tem uma história de vida, que tem sonhos, desejos e fragilidades. Antes de preparar o atleta para conquistar uma medalha, o profissional da Psicologia deve estar implicado a garantir que esta pessoa se importe com a sua própria saúde mental e assim, coloque-a como prioridade. São incontáveis os casos que pude presenciar, de amigos que saíram frustrados da experiência esportiva de alto rendimento. Para eles, o esporte foi apresentado apenas como a função de ganhar competições. Se os treinadores não estão preocupados em ampliar esse olhar, vejo como obrigação ética dos psicólogos esportivos oferecer este cuidado.

Esta é a Psicologia do Esporte que eu acredito e quero ajudar a construir tanto no âmbito teórico quanto prático.

Para além disso, eu defendo que as atividades físicas precisam fazer parte da nossa vida, antes de mais nada, com o objetivo de nos proporcionar saúde. Dessa forma, entendo que a Psicologia do Esporte deve expandir sua área de atuação e ingressar em outros ambientes, tais como Projetos Sociais e Escolas. Nestes espaços a Psicologia e o Esporte também podem (e devem) unir forças na busca por promover saúde mental e física.

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