Revista Statto

SÍNDROME DE BURNOUT COLETIVO

09/05/2021 às 12h04

Essa última semana foi uma das piores dos últimos tempos. Tantas mortes, desgraças, até um foguete está ameaçando a vida na Terra. As coisas são todas novas. Não estávamos acostumados com uma ameaça que não parece querer cessar. Nem com pessoas que, sem pensar, acham que aglomerar não tem mais problema. Patético.

O grande problema, um novo inimigo é a exaustão mental. A síndrome de Burnout coletiva em que muitas pessoas estão entrando. Ninguém aguenta mais o excesso de trabalho, de cobranças – que em alguns casos só fizeram aumentar – sem os momentos de desopilar. Sem a praia, sem o chopp e sem o restaurante. Sem a presença dos amigos ou uma pequena viagem para aguentar o tranco.

Por outro lado, fome. Incerteza alimentar, pessoas que não sabem se terão o que comer amanhã e em muitos casos nem no final do mesmo dia. Os empregos acabando, as pessoas sendo mandadas embora, demissões em massa. E mortes, muitas mortes. Não só pelo Covid em si.

Não tem como você me falar que está tudo bem. Sim, entendo que as vezes na sua bolha até está, mas estamos em um coletivo, e isso não muda lá fora. Existe um ditado judeu que diz “quando você coloca um casaco você se aquece; quando acende o fogo aquece todos“, e é verdade. Fizemos tudo o que podíamos por nós mesmos, então é hora de fazer pelos outros.

Doações, pagar salários de empregados que não estão conseguindo vir trabalhar, doar tempo e energia, doar. Doar nos descansa e nos liberta desse fardo de solidão em que todos entramos. Nos afasta do medo, nos faz pensar em outras coisas. Ajuda muito mais a quem doa do que a quem recebe.

Escolha a quem doar e o que. Se não tem dinheiro ou comida, doe tempo. Doe seu ouvido para pessoas que precisem ser escutadas. Mande uma lasanha caseira para aquela amiga que perdeu um parente ou ajude as pessoas que pegam o lixo reciclado do seu prédio. O nosso cansaço vai passar quando voltamos a ter uma vida normal. Mas nunca será normal, se não fizermos a nossa parte agora. Nem por nós e nem pelos outros.

E descanse, como puder. Passeie sem aglomerar e usando sua máscara, limpando suas mãos. Entre em contato com a natureza, o verde é potencialmente relaxante. Abrace uma árvore, passeie em um parque num dia mais vazio. Não deixe de viver, mas entenda que ainda são tempos difíceis. Jovens estão perdendo parte da juventude. Crianças estão perdendo parte da infância. Estamos doando nossas vidas em prol de uma mudança planetária. É difícil, sabemos. Mas é uma grande honra.

Não é pela nossa cidade ou nosso país. É pelo nosso planeta e pela humanidade.

www.andreapavlo.com

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Andrea Pavlo

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