Revista Statto

EM BUSCA DE UM LUGAR

28/11/2020 às 10h38

Toda vez que eu fecho os olhos imagino algum lugar calmo que eu não sei nem onde fica. Um lugar onde eu possa inspirar e respirar sem todo peso que me consome agora. Sem toda a pressão que sinto quase todos os dias. Nesse lugar, eu poderia sentar perto do mar e sentir a areia nos meus pés. Poderia só ouvir o barulho das ondas e observar cada movimento. Poderia sentir o vento em meu rosto deixando que as lágrimas levassem o que ainda resta. Eu me esqueceria de todas as coisas ao meu redor. Me esqueceria das pessoas que levaram um pouco de mim conforme passaram na minha vida. Me esqueceria das marcas que foram deixadas durante alguns momentos. Dizem que você escolhe o caminho que percorre e recolhe os frutos das sementes que planta, mas e se essas sementes simplesmente não crescessem?

Se você tivesse plantado, cuidado e regado essas sementinhas com todo cuidado, mas elas simplesmente não mudassem? A culpa ainda seria minha? Quantas vezes você precisa tentar para que as coisas pareçam dar certo? Eu me faço essas perguntas tantas vezes que até me assusta. Certa vez desabafei em alguma rede social que as coisas não são tão perfeitas e felizes como as pessoas fazem questão de dizer. E me disseram que as pessoas não querem saber de mais tristeza. Então a verdade é que temos que fingir estarmos felizes e não desabafar por que as pessoas não gostam disso? Ou soa deprimente demais?

Ruas sem saídas e avenidas sem movimento. Pessoas que mudam. Pessoas que vem e pessoas que vão em um piscar de olhos. As vezes eu queria dar um salto na minha vida. Poder enxergar lá na frente como as coisas seriam. Poder ler os pensamentos das pessoas. Talvez assim eu pudesse entender melhor e lidar melhor com as coisas que acontecem comigo ao meu redor. Percebi que eu nem faço ideia direito de quem sou na verdade. Percebi que ainda estou a tentar procurar um lugar, um lugar no qual eu consiga pertencer e não me sentir tão deslocada como me sinto agora. Um lugar onde eu possa sorrir tanto que eu canse disso. Mas que eu possa sorrir de verdade. E não aquele sorriso que eu dou quando quero chorar porque me disseram que é assim que se segue em frente e que se vive cada dia e continua tentando.

Quero poucas coisas na verdade. Quero sentar em algum lugar e sorrir. Quero um pouco de paz e alguém segurando minha mão. Posso jogar todos esses pensamentos pelo vento e deixa-lo levar para bem longe de mim. Acredito que eu só espero que as coisas mudem de alguma forma, que alguma coisa aconteça seja ela pequena ou grande. Eu só respiro e ainda estou tentando encontrar meu lugar em um monte de rostos que nem consigo identificar. Acho que eu só quero pertencer. Só quero me sentir em paz. Só quero saber o que me espera lá na frente.

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