Revista Statto

O DIA DEPOIS DE AMANHÃ

23/03/2020 às 09h15

Do meu quarto, ouço a fuzilaria. Escreveram cartas explicativas, tomaram todas as providências para os próximos dias. Que grandes corações eles possuíam.

Daqui, posso ouvir o silêncio das verdades dos discursos amanhecer, finalmente, nas ruas adormecidas de espera.

Nas especulações sobre as últimas notícias, pude celebrar a descoberta do espelho, ou, se preferirem, do despertar de vários indivíduos sobre as conversas sem ouvidos, em que todos e cada um falam apenas de si mesmos. Finalmente, deram-se conta de que havia mais olhares refletidos do que reflexos criativos sobre o emparelhamento do mundo a partir de um único eixo. Fomos, durante muito tempo, a sociedade dos espetáculos. Dos excessos das miopias e das economias do que se pode oferecer sem nenhum gasto.

Hoje, depois de muito tempo, acordei convicta de que os “poderosos” descobriram que as massas não necessitam deles para saber. Sinto, no ar, que as almas enterneceram os corpos onde repousam ativamente, recebendo a feliz mensagem de que foram ouvidas e que, agora, é chegado o momento de, realmente, ser.

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