Revista Statto

POR QUE CORRO NO PARQUE?

26/07/2020 às 10h34

Porque quando corro tenho ideias. Durante a corrida, algo se movimenta em mim e me deixa mais feliz. Quando corro penso em tudo, penso em nada. Olho para fora e para dentro.

Hoje, correndo no parque, percebi energia moldando-se, energia descobrindo-se no movimento, construindo-se, destruindo-se, reconstruindo-se a cada minuto. Ao mesmo tempo em que me conectava com uma porção de outras pessoas que também parecem ser isso e que, também, corriam no parque em um lindo dia de sol.

Será que somos isso? Energia? Einstein dizia que tudo é energia, é isso mesmo? Ah, e de acordo com o fisioterapeuta e mestre em neurologia pela Unicamp, Prof. Rodrigo Dantas – há neurônios espalhados por cada cantinho do nosso corpo.

Quando surge em nós, por exemplo, vontade de estender o braço para tocar algo ou alguém, esse monte de neurônio do cérebro envia comandos para o braço – para que este faça isso. Ou seja, impulsos elétricos formam uma corrente para atingir objetivos. E, quando algo de fora nos é apresentado, os neurônios espalhados por nossos órgãos dos sentidos levam a informação ao nosso cérebro que responde com uma sensação A ou B.

Se estamos, a cada minuto, a cada segundo do nosso dia tendo sensações, e recebendo estímulos, seríamos mesmo uma espécie de corrente de energia ambulante? E se somos, como pode ser mais divertido?

Quando nos perguntam quem somos, dizemos nosso nome ou a nossa profissão. No entanto, será que somos só isso? Ou será que somos tudo isso, mas não paramos para pensar que estamos reduzindo tudo a isso?

Existem várias pessoas em nós? Ou somos um ser moldável às situações? Se há gosto em acordar tarde quando se está com vontade, acordar cedo quando se planeja, acordar naturalmente quando assim o acontecer, então, essa pessoa sou eu ou é você.

Se é verdadeiro sentir aquela vontade de não fazer nada, ou então de fazer tudo, ou de fazer só um pouco, e perceber que está tudo bem se fizer do jeito que for, então essa pessoa é você.

Se sair de casa, para dar uma volta no quarteirão, com ou sem a companhia do pet ou de outra pessoa, faz o coração cantar, então essa pessoa é você!

Desejar chuva quando está calor; pedir carinho quando se está sem amor; implorar por alívio quando sentir dor; sofrer junto quando se vê desamor; compartilhar texto libertador; desejar ao outro paz e amor; então essa pessoa sou eu e, também, você!

Você que deseja o bem, percebe desconfortos e que faz o possível para voltar a se alinhar com o bom, com a fluidez da vida, aprendendo com o que incomoda, e fazendo permanecer o que o conforta. Essa pessoa sou eu e, também, é você! E da essência do você em você compomos os “nós”!

Quando corro eu me encontro e encontro o outro. E você, por que corre no parque?

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