Revista Statto

TRANSPARTIDARISMO

21/06/2020 às 11h49

Nos primórdios da evolução humana, ciência, arte, religião e filosofia constituíam os quatro pilares do conhecimento, com estreitas ligações entre si. Principalmente a religião e a filosofia exerciam fortes influências sobre a arte, a ciência, e sobre as mais importantes decisões das civilizações antigas. Com os novos conhecimentos agregados através dos milênios, cada um destes pilares fragmentou-se numa infinidade de novas informações, transformando os saberes numa verdadeira Torre de Babel.

A ciência dividiu-se em múltiplas especialidades; a arte seguiu caminhos por várias vertentes; a religião se multiplicou em centenas de seitas e a filosofia dividiu-se em diversas ideologias, que por sua vez deram origem aos partidos políticos, talvez por isso, chamados de partidos. Toda essa fragmentação criou entraves à compreensão mútua, dificultando a caminhada até um ponto de síntese, onde as diferentes ideologias pudessem se transformar em contribuições para soluções efetivas.

Por outro lado, é de conhecimento público que todos os partidos sabem da necessidade de ações urgentes no campo da saúde, da educação, da ação social e do meio ambiente, sendo estes os pontos fortes de todas as campanhas políticas. Isto evidencia que quase não existem grandes diferenças de plataformas políticas, o que por si só, já poderia facilitar o diálogo.

Para Pierre Weil, autor de “A Mudança de Sentido e o Sentido da Mudança”, lançado pela Editora Nova Era, este antigo modelo de mundo, que vigorou principalmente no último século, gerou uma visão dentro da qual a política tende a ser vista como meio de ganhar e exercer poder; ser importante, famoso e admirado, e segundo a qual, a oposição tem como principal objetivo barrar sistematicamente os projetos de governo.

Tal estrutura política, que ainda predomina no mundo moderno, está nos conduzindo rapidamente para o caos absoluto. Neste sentido é bom lembrarmos que somos todos viajantes da Nave Terra e que ao destruirmos o nosso planeta estaremos também promovendo a extinção da nossa própria espécie.

Diante dessa ameaça iminente à vida como um todo, surge a necessidade de uma imediata mudança de visão de mundo e de consciência, já que não dispomos mais de tempo para vacilações e jogos de poder, que coloquem os interesses pessoais acima da necessidade de sobrevivência da humanidade.

Esta mudança de mentalidade exige que a política passe a ser vista como uma oportunidade de servir e contribuir de modo eficaz ao bem comum, no plano do indivíduo, da sociedade e da natureza, em que a oposição atue no sentido de cobrar eficiência e honestidade, corrigindo possíveis erros na aplicação dos programas de governo e não, entravando a sua realização.

Diante dos graves problemas que todos nós enfrentamos no dia-a-dia, principalmente nos grandes centros urbanos, torna-se urgente que o partidarismo, voltado para alianças políticas que visam objetivos pessoais ou partidários, seja substituído pelo interpartidarismo e pelo transpartidarismo, onde os objetivos políticos poderão ser colocados acima dos interesses partidários, visando o bem da sociedade e do cidadão.

Porém, para que estas mudanças efetivamente ocorram, torna-se necessária uma transformação interior do próprio ser humano; da maneira como ele se percebe e atua no mundo em que vive, substituindo-se o predomínio dos interesses materialistas e a tendência à corrupção, por valores éticos e espirituais, que tragam à consciência das lideranças políticas de todo o mundo, em todos os níveis, o sentido real da passagem de cada ser por este planeta.

Se esta mudança não vier a acontecer, efetivamente pouco ou nada restará para as gerações futuras. O que deixaremos para elas? A própria história dirá…  

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