Revista Statto

USE AS EMOÇÕES “NEGATIVAS” A SEU FAVOR: ANSIEDADE

03/02/2020 às 15h26

Você já percebeu que é a nossa percepção quem determina a nossa realidade? Por exemplo, mesmo a dor física que pode ser extremamente desagradável para a maioria de nós, pode não ser e até causar prazer para outras pessoas. Uma mesma situação de desafio, seja um esporte radical ou alguma situação no trabalho, para alguns pode ser aterrorizante, para outros, ser estimulante. Percebe?

Não é a realidade em si quem determina se algo é bom ruim, mas como você interpreta esta realidade. O mesmo acontece com as nossas emoções negativas. É que claro que sentir emoções negativas não é agradável para ninguém, mas como as percebemos e agimos em relação a elas é a diferença entre ficar sofrendo ou tirar algo bom da situação vivida.

Muitas vezes temos esta percepção apenas quando o sentimento já foi embora, apenas quando saímos dele podemos olhar como um observador externo para entender o que foi aquilo. Quando estamos mergulhados na tristeza, na raiva, na ansiedade ou outra emoção negativa nossa percepção fica naturalmente “embaçada” porque muitos sentimentos e emoções afloram nos impedindo de ter uma perspectiva apurada sobre o assunto.

Agora, outro ponto crucial em relação às emoções negativas é que elas sinalizam algo muito importante para nós e, portanto, precisamos aprender a escutá-las e compreendê-las para podermos tirar o melhor proveito possível delas. Mas o que elas são e o que indicam exatamente? Neste e nos próximos artigos vamos tratar das 10 emoções ditas “negativas” mais comuns em nossas vidas: ansiedade, frustração, raiva, dor, sofrimento, tristeza, estresse, ressentimento, medo e inveja.

Começando pela ansiedade, você pode me perguntar: “Mas Juliana, a ansiedade não tem nada de bom! Porque ela existe? ”

Bom, para te responder isso, primeiro precisamos entender exatamente o que é esta emoção. A ansiedade é um estado de apreensão provocado pela antecipação de uma situação desagradável ou perigosa, seja este perigo real ou imaginário. Ela corresponde também a uma preocupação, uma vigilância para detectar perigos potenciais e pensar em formas de como você pode lidar com eles, projetando então soluções para cada situação.

Mas é claro que se antecipar a um projeto e planejar como resolvê-lo é útil, mas pensar pela milionésima vez que você vai falhar em realizar alguma coisa não apenas não é útil como pode te prejudicar. A ansiedade pode se transformar em um problema quando atinge um alto nível e muita regularidade, começando a interferir na nossa saúde e/ou nos nossos relacionamentos. Quando ela acontece de forma regular, em geral, pode não haver um fator propriamente dito que a desencadeie ou então ele é desproporcional ao que desencadeou estes sentimentos. Por exemplo, ficar ansioso porque você vai realizar uma apresentação importante no dia seguinte pode fazer sentido; mas ficar imaginando que as pessoas vão rir de você, que será um desastre e você será demitido trata-se apenas de imaginar algo e não uma situação real.

Então, como colocar a ansiedade a nosso favor? Neste caso, para a cura de um mal que essencialmente se trata de se “pré-ocupar”, de focar sempre neste futuro imaginário, as práticas meditativas regulares são essenciais, justamente por te ancorarem no agora, por te ajudarem a ser mais gentil com você mesmo e a entender as suas próprias experiências, deixando também mais claro o que são preocupações reais e o que são apenas imaginárias.

Além disso, existem duas estratégias que podem te ajudar a lidar melhor com a ansiedade:

1). Quando você estiver passando por um momento de ansiedade lembre-se de que os seus pensamentos não são irracionais, claro, mas também não são necessariamente verdadeiros. Eles são apenas projeções da sua mente e não refletem necessariamente a realidade. Então nestas horas, procure racionalizar, identificar o que você sente, dando um peso real para as suas preocupações. Pergunte-se: isso é útil? Pensar que você pode perder um compromisso importante no dia seguinte é útil, mas lembrar disso pela 27a vez e não poder fazer mais nada a respeito não é. Então seja gentil com você mesmo, não se pressionando mais do que a situação realmente exige.

2). Quando você está ansioso, mudar o foco da sua atenção é fundamental. Por exemplo, foque a sua atenção na respiração apenas. Vários estudos comprovam que mudar o foco da sua atenção, influencia diretamente no seu estado emocional. Você também pode usar a técnica “RAIN” (chuva em inglês): sendo “R” de reconhecer (ou seja, reconheça que você está sentindo naquele momento, de forma gentil com você mesmo), “A” de aceitar (aceite que você está passando por isso e que tudo bem, somos todos humanos e sempre enfrentamos desafios, todos os dias), “I” de investigar (investigue racionalmente porquê você está neste estado emocional) e “N” de não se identificar (não se identifique com esta emoção, procure desapegar e deixar ela ir, lembrando-se de que o que você está vivendo é apenas um estado mental passageiro e que agora, no presente, está tudo bem).

3). Fazer práticas meditativas regulares também ajuda muito a manter as suas emoções sob controle, assim você tira a sua mente desta ocupação no futuro e coloca ela justamente com o foco no aqui e agora, um lugar seguro e onde está tudo bem. Para começar a praticar, uma excelente dica é usar o aplicativo gratuito Insight Timer. Lá você encontra práticas para todos os gostos e estilos, além de músicas e podcasts. No meu perfil por exemplo você encontra meditações para diferentes momentos e necessidades, como para dormir bem, ter mais equilíbrio emocional, aumentar a autoestima, definir suas intenções para o dia, entre muitas outras. Para a ansiedade eu recomendo a você especialmente a prática “3 passos para a estabilidade emocional”. Tenho certeza de que com ela você se sentirá muito melhor. Depois poste como foi a experiência para você, que vou adorar saber!

No próximo artigo falaremos sobre uma emoção que surge quando nossas expectativas não condizem com a realidade e que é extremamente desconfortável: a frustração. Será que ela também tem seu lado positivo? Descobriremos isso juntos no próximo artigo. Até lá!

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SOBRE O AUTOR
Juliana Feres

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