Revista Statto

VIVER E EXISTIR

31/07/2021 às 14h47

Talvez nunca imaginaríamos que reflexões sobre vida e morte deixasse de ser tema destinado aos filósofos, aos poetas ou aos escritores para adentrar ao nosso cotidiano e tomar conta de grande parte de nosso processo de evolução diário, sendo necessário a reconstrução do significado de nossa existência na vida, nas famílias, no mundo, na sociedade. De repente a pessoa que te mandou mensagem a alguns minutos já não integra mais o rol dos construtores do Planeta. E os abraços que ficaram para outro dia, os encontros e promessas para os próximos meses, ficaram tão incertos quanto nossa estada por aqui.

O luto não ficou apenas dentro das funerárias, nem mesmo se restringiu aos cemitérios em seus túmulos grandes ou modestos; o luto adentrou nas casas, na alma, na essência do ser. Perder está se tornando tão comum que o medo agora é se acostumar friamente com a perda. O fato de estarmos de maneira tão breve nesse mundo, nos leva a percepção fatídica de que a única triste e cruel certeza é de que vamos morrer.

Independente do caminho, da crença ou da missão, caminhamos diariamente pé ante pé a uma linha fina e delicada. Basta um sopro, um vacilo ou um chamado para que a grande chance se acabe.

Agora faz sentido as filosofias, os poetas, o pedido dos pensadores para que deixássemos de sobrevivermos para vivermos. Passamos tantos dias correndo, trabalhando, preocupados com contas- fazendo contas-, entrando e saindo dos lugares rezando e esperando um milagre, sem ao menos parar para perceber que o “estar vivo” já é uma sucessão de pequenos e grandes milagres.

Que a gente ressignifique nossa existência para que ela valha a pena; que a gente não chegue no último passo da linha se arrependendo do que não fez ou o que queria tanto fazer; que apenas o arrependimento fique para trás e nunca os planos. Aliás, planos… que eles sejam despidos de ganância e repletos de momentos inesquecíveis. Precisamos disso talvez mais do que nunca.

Que a gente administre o tempo para trabalhar em prol do progresso, mas que pare para olhar como está o céu e o cantar dos passarinhos; que a gente conheça nossos vizinhos, ligue e mande mensagem para nossos amigos e familiares, que a gente possa ser feliz. Que nosso luto seja sim sentido, mas não como uma tragédia ou motivo para desistirmos; que nossas perdas sejam um motivo para intensificarmos o nosso ser.

Porque segundo o grande Luiz Fernando Veríssimo: “embora quem quase morre ainda vive, quem quase vive já morreu”.

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COMENTÁRIOS

1 Comentário

  1. Parabéns Fernanda, bem escrito, bem pesadas as frases.
    Algumas vou guardar, pois tenho a felicidade de pertencer a um grupo de irmãos/amigos há 58 anos que nos encontramos com ama periodicidade que nos permite recarregados nossas baterias de amor e trocarmos experiências que nos *tiram do quase*. Obrigado.

    Comentário por Pedro Perrelli - dia 31 de julho de 2021 às 16:17
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