Revista Statto

Pacto contra a mediocridade nas organizações

31/10/2018 às 11h34

Sim! Ainda existe um pacto da mediocridade que ainda prevalece nas organizações. Refiro-me à burocracia, aos manuais e a tão imponente hierarquia. Os cargos, os carimbos, as placas na porta, o acúmulo de funções. A criatividade e a motivação não são apreciadas. Ter um pensamento crítico é, muitas vezes, visto como uma ameaça por aquele empregador que prefere não mudar e que busca um funcionário, sobretudo, dócil. Aquele de fala mansa e sorriso falso. Aquele que sempre concorda com tudo e com todos.

Dessa maneira, pensar de forma diferente, “fora da caixa”, ser mais livre e conectado às nossas intuições, às vezes, é mais um problema do que uma vantagem em um ambiente de trabalho. Uma empresa pode ser uma ilha, eu prefiro utilizar o termo feudo. Nesse caso, o gestor ou o encarregado age semelhante a um senhor feudal que viveu na época da Idade Média. Um senhor feudal, remodelado nas organizações atuais, é aquele que comanda, a partir de uma dinâmica própria, com suas políticas e seus climas internos.

Vejo que esse movimento ocorre nas organizações, porque os gestores continuam a temer as novas ideias. Porque as empresas continuam a se basear em escopo restrito, em um esquema vertical de administração, em que a autoridade exerce um controle voraz. O ambiente controlado gera colegas de trabalho que tendem a ver com desconfiança a voz que traz ideias e, portanto, coloca-as como fatores negativos por falta de entendimento com as capacidades que elas próprias não têm.

O que se nota é que, aquele que firma a voz, traz à tona os predadores, colegas menos interessados, menos motivados e menos brilhantes, que logo pedirão para silenciar novamente o feudo. Reconhecer onde está e onde quer chegar, é princípio básico para o sucesso. O empreendedor, inquieto por ideias criativas, deve sim buscar quebrar a “cadeia de ferro da montagem” baseada, muitas vezes, na perpetuação da mediocridade.
Para assumir riscos e sair desses ciclos, as empresas devem fomentar novas ideias e ofertar serviços inovadores para uma sociedade cada vez mais exigente.

As grandes mudanças não vêm de um dia para o outro. Elas dependem de um movimento cotidiano, com um impulso em câmera lenta, mas constante.

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Mateus Frozza

Por

@mateus.frozzamateus@frozzaassociados.comEconomista/Professor Universitário/Consultor. Santa Maria/RS